Post_9mesesNove meses. Reta final.
Dessa vez não é um bebê que vem ao mundo, mas uma presidente eleita que deve ser permanentemente afastada, sofrerá o quase certo impeachment.

Hoje pensei em exercitar a memória e me perguntar o que aconteceu no período.

Primeiro o processo foi iniciado pelo então (e provavelmente futuro) presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, exercendo o poder a ele concedido.
O senhor Cunha não precisa de apresentações. Procrastina o próprio processo de cassação há um bom tempo e articulou sabiamente até aqui para que o mesmo acabe em pizza.
Se alguém não mais acompanha, o atual presidente, Rodrigo Maia, marcou para 12 de Setembro a seção de votação do processo de cassação de Cunha. A data é propositalmente uma segunda-feira, historicamente sem grande movimento na casa, e o mais próximo possível da data das eleições municipais deste ano. Sem quórum, sem cassação.
Sem contar que ocorrerá depois da definição sobre Dilma, aumentando as chances do perdão ao peemedebista.
Além disso, não esqueçamos, que o pedido de impeachment de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal é de Setembro de 2015! Mais precisamente, 01/09/2015. E só foi aceito pelo ilustríssimo Eduardo Cunha em Dezembro (!) após a bancada do PT votar a favor da cassação de Cunha no Conselho de Ética.
Ou seja, tudo começou por birra e pelo fato de deputados do PT buscarem algo de ética no legislativo!
(referências aqui sobre o pedido de impeachment e aqui sobre o início do processo)

Depois vieram as reuniões e promessas da oposição (não querendo simplificar nem classificar aqui como direita).
Foi um período de discussões ácidas e acusações mútuas em redes sociais. Julgamentos. Dicotomia. Ou se era coxinha, ou petralha. Um lado precisava ser escolhido, como o sexo com que se nasce…
Foi o período também que as palavras golpe e democracia foram usadas pelos “dois lados” com interpretações e maquinações diversas.
Destaco que o lado coxinha, “apelou” de modo confuso e unilateral para o fim da corrupção, para a retomada do crescimento, da confiança dos empresários, do fim da crise.
O lado petralha acusava a oposição de fazer (e haver feito) o mesmo “crime”, das tais pedaladas fiscais.
Escrevemos sobre isso algumas vezes, destaco uma interpretação de americanos que estudam o Brasil e os chamados “golpes suaves”, aqui.

E, complementando, o período também foi de Lava Jato. De furor, de heroísmo do poder Judiciário, que vivia uma ganância por aparecer. Uma “ambição de vitrine” no ícone Sérgio Moro.
Este personagem dantesco, vivia um período de absolutismo. Deteu, coagiu, forçou delações premiadas. Aqui, o interessante foram as críticas de juristas e juízes aos seus métodos. E a comparação à uma operação semelhante ocorrida na Itália.
Naquele país, o juiz que condenou políticos e empresários, entrou para a política.
Aqui, o nosso herói deixava escapar sorrisos ao ser aclamado nas ruas e ao receber convites para filiações partidárias.
Os crimes também foram relativizados. Uma escuta clandestina pôde valer para um, mas não para outro. Uma acusação em delação, idem. A mídia execrou quem ela quis, apoiando a oposição e direcionando o brasileiro mediano a aceitar os caminhos que estavam em curso…
Um exemplo do que ocorreu, quando Jucá assume em gravação que participou da manipulação para o impeachment, pode ser lido aqui. Um exemplo dos contrapontos jurídicos do herói Moro pode ser lido aqui.

Temer assume.
Glória a Deus nas alturas! Nesse caso quase que literalmente, pois nosso interino se declarou católico e simpatizante dos evangélicos nas redes sociais. Além disso, fez aparecer que sua esposa, apesar de muito mais nova que ele, era “bela, recatada e do lar”. Segundo uma tal revista, apoiadora de todo o movimento (aqui).
A imagem estava em plena construção.

Ministros nomeados. Patética demonstração de rabo preso e desconstrução do passado recente.
Se toda a mudança é positiva, não é tudo o que se precisa mudar…
Muitos condenados na lista, nenhuma minoria: negro, mulher. Cortes de pastas em setores “pouco importantes”, como a Cultura (totalmente desinteressante quando se quer manipular) e a reforma agrária (afinal, quem quer terra é pobre aproveitador. Um pobre correto busca outro trabalho!)
A confusão se instaura quando muitas das decisões são revogadas e ministros afastados (como o próprio Jucá, citado em link acima). Nós publicamos a nossa análise do ministério, vindo de outra fonte, aqui.

E agora estamos aqui.
A Operação Lava-Jato, ícone para muitos do “combate à corrupção” caminha a passos de tartaruga. Como que se já tivesse cumprido a função pré-determinada…
A tal redução de gastos virou chacota. Um dos maiores aumentos de salários do STF e poder judiciário está em curso. Aumento, lembremos, vetado por Dilma no ano passado e adiado por Meirelles no momento da posse (para não correr o risco de causar problemas e revoltas no princípio da “retomada”).
Tal aumento, certamente desencadeará outros tantos. Pois os outros poderes terão prerrogativas de equiparação.
E o rombo, que seria de R$139 bilhões, pode passar facilmente dos 200!
E, ao meu ver, isso não preocupa o presidente interino, nem a sua equipe. Parodiando Ciro Gomes: “Cobrar austeridade de Temer é esperar maracujá em pé de maçã” (aqui)

Ainda espero a mágica do fim da corrupção, do fim da crise, do crescimento industrial, do Brasil rico!
Pois a mágica do Brasil igualitário, essa está cada dia mais distante…
Enquanto esperamos, vemos coisas como o plano de demissões voluntárias da Embraer. Numa economia em plena recuperação…

por Celsão revoltado

figura: composição entre figuras retiradas daqui e daqui

 

wersm-facebook-like-gating-657x360Pessoal, bom dia.

Devidos a diversos fatores, os quais alguns de vocês já conhecem por terem uma relação de amizade mais próxima e íntima comigo, irei desativar minha conta de Facebook por tempo indeterminado.

Não quero aqui descrever os motivos, pois eles são muitos e meus. Mas obviamente, não é preciso eu mencionar que um destes motivos é a minha frustração com os caminhos político-sociais escolhidos por uma grande parcela da sociedade brasileira, incluindo-se nesse grupo a grande maioria dos meus conhecidos de longa data, gente que rodeou minha vida desde de meu nascimento, por pertencermos ao mesmo extrato social. Esses caminhos escolhidos por estas pessoas, legitimaram e culminaram na concretização de uma série de aberrações práticas da política brasileira.

Sempre tentei deixar claro que minha luta ideológica não é por mim, mas sim pelos outros. Afinal, se alguém vê interesse pessoal meu quando eu defende os direitos de negros, pobres, mulheres, homossexuais, umbandistas, muçulmanos, obesos, índios; ou dos palestinos, iraquianos, nigerianos, é porque realmente a pessoa não me conhece ou está delirando. Eu sou um homem, brasileiro, branco, hétero, de classe média alta, agnóstico (mas criado numa família católica), magro… simplesmente, não faz sentido eu agir e lutar por interesse pessoal.

Batalhei muito nos últimos anos para evoluir em caráter e espiritualmente. Esforcei-me de forma descomunal (a maior parte de meu tempo livre dedicado a estudos, busca de informação e busca por debates construtivos, o que significa, 1h a 4h diárias, todos os dias, há anos) para, mesmo sendo um engenheiro da área técnica, me tornar uma pessoa bem informada, atenta às mais complexas e diferentes “verdades” sobre o mundo. Informei-me e formei-me, e compartilhei o conhecimento adquirido com o sonho de trazer um pouco de luz nesta escuridão da alienação, individualismo e irracionalidade que assola a sociedade brasileira. Não que eu seja o dono da verdade, mas me esforcei para estar acima da média do conhecimento da massa, e me aproximar mais das possíveis verdades, o que faz, matematicamente, a minha chance de acerto ser bem maior que a chance de acerto de quem se encontra no “senso comum” (a grande massa), os mal informados, ou alienados pela grande mídia.

Tudo isso foi SEMPRE feito por sonhar com uma sociedade mais igualitária, uma sociedade mais respeitosa com as diferenças culturais, anatômicas e vontades alheias, uma sociedade mais consciente e preocupada com o meio ambiente, uma sociedade menos individualista e mais coletiva, uma sociedade menos hipócrita, uma sociedade menos refém dos meios de comunicação e de um sistema educacional deteriorado.
Sempre sonhando…..

E continuo sonhando.

Mas o momento que vivemos, de ascensão da intolerância, intensificação da alienação/manipulação, avanço do ódio e do fascismo, causa-me uma frustração indescritível. Sinto-me preso dentro de um quarto com “vidro falso”, onde quem tá dentro vê o que está fora, mas quem está fora não vê o que está dentro, e esta sala ainda é acusticamente isolada. Eu lá de dentro, vejo as pessoas lá fora sendo comandadas por cordas de fantoche e sendo guiadas para o caldeirão fervente. Eu tento gritar, esmurro o vidro, me desespero, quebro meus bracos, estouro minhas cordas vocais, tentando ser ouvido… mas sem efeito. E no fim, ainda tenho que assistir um por um, desde as pessoas desconhecidas, até aquelas que mais amo, deixarem-se serem atiradas dentro do caldeirão fervente.
Essa dor é uma das mais doídas que já senti.

Isso não é só pelo Impeachment de Dilma, mas sim pela vista grossa e teimosia em não aceitar que o atual governo interino está desmontando o Brasil, e se ficar 2 anos em vigor, nos retrocederá aos fins da década de 80, quando cessado o período militar, ou talvez pior, pois teremos as áreas estratégicas de nossa economia entregue aos corvos gringos. O desmonte social pode ser recuperado no futuro, em algumas décadas de governos razoavelmente honestos e nacionalistas. Mas o desmonte econômico, esse pode durar séculos para ser recuperado, ou talvez, nunca mais…..

….

A maioria que me conhece superficialmente me chama com frequência de “extremamente racional”, e às vezes até de frio e insensível.
Minha mãe, já me disse que sou 100% sensibilidade e emoção.
Alguns dos meus melhores amigos dizem que sou os dois, 100% razão, 100% emoção, afinal, emoção e razão não são conceitos antagônicos.

O fato é que, com a sensibilidade que tenho, está FODA ver “vocês” cavando suas próprias covas. E o Brasil é só uma ilha do arquipélago. Vejam o que ocorre no mundo! Se não sabem do que estou falando, deem uma lida no “meu” blog para verem as questões que mais me incomodam (e ao Celso) mundo afora.

Além de desativar meu Facebook por tempo indeterminado, também entreguei a administração completa do blog Opiniões em Sintonia Pirata https://www.facebook.com/OpinioesEmSintoniaPirata/?fref=ts ao Celsão. Vez ou outra, se calhar, poderei escrever algo para o blog, mas inicialmente tanto a administração quanto a produção literária do blog está concentrada nas mãos do Celsão.
Espero que meus amigos continuem lendo o excelente e admirável trabalho do Celso, pois eu estarei atento a tudo que ele escreve, afinal, é uma de minhas melhores fontes de informação.

Também já avisei à direção do Jornal Gazeta Regional de Ubá, que não pretendo mais colaborar com minha coluna “Do mundo para Ubá: sem meias palavras”.

Peco perdão e a compreensão, dos leitores do blog e do Jornal.

Abraços fraternos a todos, e os meus mais sinceros desejos de um despertar crítico e de evolução espiritual.

por Miguelito “ele mesmo” – licença poética e paródia a Fernando Pessoa feita por Celsão

 

Post_RafaelaTodos a querem. Agora.
Todas querem estar ao seu lado e mostrar-se parte da conquista.
A direita fala do militarismo, do esforço próprio, da não necessidade de cotas nem de patrocínio público…
A esquerda fala sobre as críticas ácidas feitas na Olimpíada anterior e sobre o estereótipo negra-mulher-suburbana tão odiado pela elite nacional.

É fato que muitas medalhas conquistadas em jogos olímpicos e pan americanos são conquistados por atletas militares. E isso desde o começo do século XX, quando as medalhas vinham exclusivamente das competições de tiro.
Independente do grau de sucateamento, a estrutura militar oferece tempo e disciplina, itens raramente exibidos em clubes nacionais e programas de financiamento ao esporte.
Então…  é (sempre) esperado que algum atleta do exército ou marinha seja laureado com o pódio e, também, por que não, com o hino.

Outro fato, inegável, mas talvez de mais complexa compreensão, é a exceção de uma medalha para atletas brasileiros.
Uma Rafaela, um Diogo Silva, um João do Pulo, um Claudinei Quirino no revezamento do atletismo são exceções.
Até mesmo atletas com melhores condições sociais, como César Cielo e Flávio Canto são exceções.
Não há estrutura para atletas profissionais. Sobretudo longe de modalidades como futebol e vôlei (esse nos últimos vinte anos). E mesmo que haja um patrocínio, aderido a ele há sempre uma ameaça de cancelamento, um atraso de pagamento, um prejuízo emocional dificilmente calculável…
E, pior ainda, se não há estrutura para o atleta de hoje, tampouco há futuro para ex-atletas profissionais!

Voltando ao cerne da questão, afirmar que Rafaela ganhou sem cotas e sem feminismo é ignorar o país onde vivemos. Que não gosta de mulher, de negros, de pobres.
E que não tolera fracassos, sobretudo de mulheres, negros e pobres.
A bolsa-atleta é um benefício que não pode ser concedido a todos. E Rafaela a possui.
É parte de um assistencialismo necessário quando a sociedade não oferece as mesmas “condições iniciais” a estudantes, profissionais e atletas. Quando não há ISONOMIA.
Sem isonomia e sem auxílio para se chegar em condições semelhantes a outros atletas no mundo, não há como mensurar deste atleta a MERITOCRACIA, palavra tão adorada pela elite que não percebe o ambiente, as cercanias em que se encontra o nosso Brasil.

O mérito existe. Não há dúvida.
É da Rafaela. É da equipe dela. É da marinha que a treinou. É do governo petista que a ajudou.

Ela venceu. Mas venceu hoje!
O resto da vida terá de aturar comentários machistas, sofrer assédios indesejados, enfrentar discriminação nos mais diversos locais, como em restaurantes, responder questionamentos obtusos sobre as favelas do Rio e a Cidade de Deus…

Coisas que o Faustão e o Luciano Huck de hoje, da festa pós-olímpica, não farão surgir novos patrocínios no amanhã.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: como citei João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, ex-recordista mundial e medalhista olímpico do salto triplo, coloco também o link da Wikipedia do ex-atleta (aqui). João foi exceção em seu tempo e virou a triste regra da falta de oportunidades na carreira de atleta: teve depressão e sofreu com alcoolismo, morrendo solitário e com problemas financeiros.

O palco é a Alemanha. Uma cidade de médio porte, com pouco mais de cem mil habitantes.

Deitado num ponto de ônibus, estava um senhor grisalho, gritando por ajuda. Pessoas passavam e o ignoravam, algumas iam além e riam dele, insultando-o e descarregando algumas de suas frustrações.

Chegando perto pude perceber que o senhor pedia por uma ambulância, na realidade por um médico de emergência (Notarzt), ele gritava.
Foi chegando perto que percebi que ele exalava álcool, havia urinado nas próprias calças e que a pequena cadeira-andador que ele utilizava continha várias garrafas de cerveja terminadas.
Ele explicou, bastante consciente: “Sei que estou bêbado, mas preciso de uma ambulância. Não consigo tirar meu braço do banco”

Outros jovens passaram por mim e me disseram para que não me importasse. Que o bêbado era um velho conhecido daquele ponto, onde sempre dormia.
Quase fui embora, mas algo me fez voltar. Ele continuava gritando por socorro! E não falando palavras desconexas nem xingando ou praguejando, como muitos fazem nessa condição.
Perguntei para alguns taxistas parados nas imediações, que assistiam à cena, o número da ambulância. Se recusaram a informar: “Pra ele? Ele não precisa!”

Voltei ao ponto e pedi ao homem paciência.
Fui até outro ponto de ônibus e expliquei para um homem que eu era estrangeiro e não conhecia o número de emergência, mas que queria auxiliar o bêbado que pedia por auxílio.
O desconhecido me acompanhou, tentamos ambos levantar o senhor e tirar o seu braço preso entre o bando e o vidro do ponto de ônibus, chamamos a emergência, que fez as perguntas de praxe e insistiu para que tentássemos por nós mesmos tirar o homem daquela posição.
Depois de alguma insistência, conseguimos!

E daí foi incrível a sensação!
A expressão de agradecimento em meio a dor, enquanto mexia o braço que provavelmente formigava.
A alegria do companheiro de empreitada, ao desligar o telefone informando que não precisaríamos de ambulância.
E as lágrimas daquele senhor bêbado, que juntou as mãos em agradecimento, enquanto insistíamos que não era necessário…

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humanos_inumanosPor que não tratamos seres humanos como tal?
Por que a aparência conta tanto aos nossos olhos e a nosso julgamento?

Ter preconceito contra bêbados é algo plausível. Cada um tem uma ou mais histórias que podem levar a odiar bebidas alcoólicas e, de tabela, aos que fazem uso abusivo delas.
Mas discriminação é algo que podemos controlar. E… ignorar o modo como interpretamos os seres humanos por serem bêbados inveterados, nordestinos, negros, gordos, mulheres, deficientes, asilados… é algo prejudicial a toda a sociedade!

Existem inúmeros vídeos no Youtube com o título “O que você faria?”. O próprio Fantástico da TV Globo investiu nesse formato algum tempo atrás.
Os vídeos tratam de temas como violência contra idosos, preconceito, bullying…
O vídeo que quero chamar a atenção foi publicado pela UNICEF. E correlaciona a complicada relação entre aparência, roupas e penteado, por exemplo, com a qualidade ou “classificação” da pessoa. E, no caso, da criança.
O vídeo está abaixo.


Por que o exterior faz tanta diferença?
Acredito ser impossível numa primeira olhadela ou primeiro julgamento não correlacionar aspecto geral de trajes e limpeza com perigo iminente de assalto, por exemplo. (não sejamos hipócritas)
Mas daí a ignorar pedidos de socorro ou empurrar uma criança que se parecia estar perdida e assustada… há uma grande diferença.

Cito o diretor geral da UNICEF, Anthony Lake, no prefácio de um relatório que aponta que 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030…

Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: as vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples fato de terem nascido num determinado país, comunidade, gênero ou circunstância

É a velha e interminável discussão do TER e SER.
Verbos independentes que insistimos em manter juntos. Ao menos para muitos, lamentavelmente, só se É, quando se TEM.

por Celsão correto.

figura retirada daqui, retirada certamente do próprio vídeo. Direto no Youtube, caso o vídeo aqui inserido não funcione, assista aqui

P.S.: detalhes dobre o relatório da UNICEF citado podem ser lidos aqui. O relatório em si também pode ser baixado.

pokemonFoi lançado ontem um dos apps ou jogos mais aguardados dos últimos tempos: o Pokemon Go.
Sucesso dos anos 90, a criação japonesa (de Pocket Monster) virou desenho, quadrinhos, jogo de cartas e muitos filmes. E, com isso, surgiram muitos aficionados. Gente viciada mesmo.
E… talvez por eles… talvez puxada pela geração que não interage, que prefere celulares a conversas… o jogo chega no Brasil com a triste promessa de tornar febre em poucos dias.

Pra quem nunca viu, vídeos no Youtube podem ajudar a compreender melhor o problema.
A reportagem da Folha de ontem (aqui) tem um vídeo com pessoas que estavam buscando os monstrinhos na Paulista uma hora após o lançamento, ou desbloqueio do jogo.
Explicando rapidamente, o jogo usa a câmera do celular e a realidade aumentada projetando os bichinhos (ou monstrinhos) nas ruas, calçadas, lojas, monumentos… em todos os lugares.
E já são incontáveis o número de acidentes relatados, de pessoas que se distraem com o aplicativo e terminam caindo na rua, sendo atropeladas, de roubos que ocorrem por distração… enfim, por toda a distração vinda deste “transporte virtual” para algum lugar.

A minha primeira reação foi de preocupação.
Por aqui, é fácil ver que ninguém larga o celular. Em ônibus e metrôs são poucos os que não ficam com os olhos grudados na telinha.
Dirigindo no trânsito também são corriqueiros os flagrantes de motoristas que teclam, falam e postam. WhatsApp e Facebook eram os preferidos. Mas sempre as novidades são bem vindas e exploradas.
E a preocupação virou medo. Depois que vi algumas reações de ontem, dia do lançamento oficial, entre eles o vídeo da notícia da Folha. Juntei a isso alguns avisos de amigos com filhos adolescentes, que já compartilham monstros e locais onde os encontraram entre eles…

unnamedMas depois, refletindo em minha condição de velho, chato e não contemporâneo à febre do desenho, acho que o jogo pode trazer alguns “bons resultados”.
Afinal, Charles Darwin sempre pregou que a evolução também ocorre por seleção genética.
E, pode ser que esse “Pokemon Go” seja a chave para uma evolução massiva, eliminando os genes dos “tontos” que se auto-eliminarão caçando os tais bichinhos.
Certeza que teremos entre os próximos premiados do Darwin Awards alguns jogadores de Pokemon Go. O site premia a ignorância de pessoas como o nosso padre Adelir Antônio (aqui), que em 2008 tentou um recorde mundial, mas preferiu que Deus o conduzisse ao invés de aprender a usar ou carregar os manuais do GPS que levava…

Enfim… veremos o que acontecerá com os nossos jovens, seus celulares e os monstrinhos espalhados por aí.

por Celsão irônico

figura retirada daqui e de imagens passadas pelo leitor e amigo Miguel Lopes.

P.S.: pra quem quer saber sobre os acidentes ocorridos no mundo aos jogadores de Pokemon Go (aqui e aqui) – sites em Inglês.

P.S.2: aqui uma notícia de um seguro de acidentes aos jogadores de Pokemon Go, oferecido por um banco russo 

P.S.3: peguei os links da página oficial no Brasil (aqui) e do Facebook oficial (aqui), caso alguém queira

POSTNosso atual ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, voltou a manipular os seus comparsas, digo, colegas do Legislativo. E foi criativo! A ameaça foi apresentada como uma propaganda dos anos 80.
A propaganda em questão, da vodka Orloff, mostrava os personagens num futuro próximo, após decisões equivocadas e as advertia sobre a melhor decisão.

Será que ele nunca vai parar?
Não bastasse atrasar ao máximo o seu processo de cassação, a relatoria do mesmo, as reuniões da Comissão de Constituição e Justiça, colocar a trupe (ou gangue) de apoiadores em diversos comitês e reuniões pedindo a palavra…
Agora a ameaça foi direta! Ele falou diretamente que: “se me cassarem, também serão cassados. Nenhum sobreviverá nessa casa!”

A matéria do UOL, que também contém vídeos confessando a ameaça do Cunha (aqui), coloca nas palavras dele próprio um número de 117 deputados investigados.
117 parlamentares! Mais que 20% do total!

E me veio uma conversa na mente, papo daqueles contado num “pós almoço”, que tive logo após a delação que citou Michel Temer.
Entre argumentos de que todos os citados deveriam ser afastados, independentemente do cargo, poder, referências políticas ou dependência… o colega disse que não deveríamos sequer investigar o presidente interino; sob a pena de sobrarmos “só nós dois” como os únicos não-corruptos.

Fui enfático ao insistir nas punições.
Da mesma forma que defendo novamente agora: se são 117 os deputados sob processos judiciais, que sejam 117 os deputados afastados enquanto os processos são julgados. A casa seria mantida pelo restante, mais que suficientes para tramitar projetos de lei e realizar votações.
Apareceu em delações, é afastado automaticamente. (em meu sonho utópico o próprio investigado renuncia, ou pede o afastamento e oferece o seu sigilo fiscal e bancário, colaborando com as investigações)

O Miguelito observou sabiamente que essa minha opinião radical poderia trazer mais confusão. Uma vez que sabemos que o “meio político” é sujo por natureza, parlamentares poderiam usar deste subterfúgio e delatar inimigos políticos, que levaria a uma condenação injusta de “bons”.
Delação pura e simples talvez não resolva. Mas algo que viesse acompanhado de conversas telefônicas gravadas, certamente seria irrefutável para o afastamento do acusado, mesmo antes de se instaurar um processo.

É como a Cúpula do Trovão do clássico filme Mad Max.
Mas ao invés de “dois homens entram, um homem sai”, poderia ser “580 deputados entram, somente os honestos saem” (leia-se permanecem e cumprem todo o mandato)

Quantos teríamos ao final de quatro anos?

por Celsão correto

figura: montagem daqui e daqui com imagens buscadas no google.

P.S.: me veio uma dúvida enquanto escrevia essa publicação… um deputado afastado ou cassado tem direito a aposentadoria parlamentar? Mais uma medida para entrar nas listadas no post anterior (aqui), visando reduzir custos em locais realmente importantes.

 

7jul2016---o-presidente-interino-michel-temer-participou-de-uma-reuniao-com-o-ministro-da-fazenda-henrique-meirelles-para-definir-a-meta-fiscal-de-2017-no-palacio-do-planalto-1467930077352_615x3Nosso querido ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, queridinho da mídia que o nomeou “Solução da Nação”, apareceu novamente no noticiário nacional.
Ele e sua equipe admitiram um déficit (ou rombo) de R$139 bilhões nos cofres públicos para o ano de 2017, mesmo com aumento de arrecadação previsto de R$55 bilhões. (aqui a notícia que também fala de provável aumento de impostos)

E não é estranho pra mim aparecer um rombo muito maior que o previsto anteriormente pela presidente Dilma.
Primeiro pois, em meio a crise, a presidente afastada havia vetado um reajuste salarial ao Ministério Público e Poder Judiciário. Reajuste que foi (re-)aprovado em novas seções das casas do Legislativo, nesse mês de Junho, pauta tratada assim que o presidente Temer assumiu interinamente (notícias aqui e aqui, para as aprovações na Câmara e Senado respectivamente)
O impacto calculado desse reajuste do funcionalismo é de R$58 bilhões nos próximos três anos, ou seja, consumindo boa parte do aumento de tributos previsto.

O segundo ponto da minha crítica, que é ainda mais grave,  é a propaganda vazia de redução de custos, alardeada por Meirelles e pela “nova equipe econômica” ao assumir a pasta da Fazenda.
O que aconteceu com aquela redução prometida de Ministérios e gastos públicos?
Fizeram o oposto com reajustes salariais, que, todos sabemos, serão facilmente “cascateados” aos outros poderes, que apelam para uma tal de “isonomia”, criada por eles próprios

Aparentemente o que fez Meirelles e a equipe aclamada pelo empresariado, foi “raspar” onde havia algum dinheiro, como fizeram com o chamado Fundo Soberano (aqui). Mas, ao meu ver, e agora chegamos ao porquê do post, todas as medidas são meramente paliativas, de baixo impacto e sem efeito duradouro.

De que vale um fundo de R$2 bilhões, provenientes de um superávit do petróleo, que seria usado (até onde me lembro) para a educação no meio de um problema de R$140 bilhões?
É menos de 2%!
E perde-se a chance de criar um “pulmão” financeiro estatal que um de nossos vizinhos regionais mais proeminentes, o Chile, criou através de reservas da exploração do cobre.

Outra medida paliativa citada ontem: revisão dos benefícios de aposentadoria por invalidez e auxílio-doença.
É paliativo! É pequeno!
A equipe do Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou que espera economizar R$6,3 bilhões! Quase R$4 bilhões cortando 30% dos benefícios de auxílio doença e pouco mais de R$2 bilhões eliminando 5% dos beneficiários aposentados por invalidez.
Comparando-os uma vez mais ao rombo anunciado, são menos que 5%.
E esse valor só virá se os cálculos estiverem corretos. E muitos velhinhos e incapacitados estiverem “de má fé” em casa evitando trabalhar…

Outra colocação a ser considerada é a afirmação defendida pelo ex-Ministro Ciro Gomes. Ciro sempre diz que reduzir Ministérios não é reduzir custos. Ao menos não drasticamente, na escala almejada e proclamada pelo atual governo.

Mas minha proposição “pirata” é: por que não mudar de verdade? Colocar as mãos inteiras no vespeiro?
Falando de aposentadorias e INSS…
Por que não limitar as aposentadorias do funcionalismo público no mesmo teto existente para os empregados da iniciativa privada? Incluindo aí deputados, senadores e juízes.
Ou melhor, por que não estabelecer os mesmos critérios para aposentadoria em todas as profissões e classes? Não é injusto um Senador aposentar-se após um único mandato?
Ou ainda, que tal se não houvessem aposentadorias acumulativas? Lula perderia talvez a de anistiado. FHC perderia a de professor universitário estadual.
E até se poderia permitir que o benefício recebido fosse o maior dentre os concedidos…
Será que essas medidas não trariam uma maior redução de despesas?

Pra finalizar, uma última pergunta: não era o anúncio do aumento de impostos que condenou a equipe econômica anterior?
Não sou totalmente contra. Creio até que não tenhamos muita alternativa dada a estrutura “engessada” do Estado Brasileiro.
Mas o problema de se fazer isso agora é a cara-de-pau de nem ao menos cumprir um “mínimo” da redução prometida…

por Celsão irônico

P.S.: figura retirada daqui. Eles não ficam bem lado a lado?

P.S.2: sou a favor de se revisar periodicamente todo e qualquer benefício concedido. Só não acho que isso deva ser apresentado como medida; por ser pequena, como citei, e por fazer parte de uma rotina mínima esperada de órgãos governamentais.

Baghdad

Peço a atenção de vocês para este desabafo longo. Penso ser de vital importância, e por isso convido nossos leitores a lê-lo até o fim.

Todos vocês já notaram, pelo menos superficialmente, como funciona propaganda e marketing em cadeia na internet, não é mesmo?

Por exemplo, você abre um site como Amazon, ou Mercado Livre, e olha computadores. Quando você abre o Facebook, tem propaganda de computador na lateral do Face sendo anunciado para você.
Essas empresas, como Amazon, Ebay, Mercado Livre, e qualquer outra de venda online, pagam ao Facebook para que os produtos deles sejam mostrados para os usuários, e claro, com uma inteligência de rastreamento ferrada, que direciona os produtos certos para as pessoas certas.

O mesmo acontece quando você abre o youtube, ou outros diversos sites da internet. Através de um Data Mining eficiente, a maioria dos sites podem te rastrear, analisam seu perfil e fazem chegar até você EXATAMENTE aquilo que você QUER !

Não é crítica, nem elogio. Tampouco é uma análise ideológica, ou de opinião. Estou relatando um fato concreto, matemática e inteligência digital sendo usada para fins de marketing e propaganda, consumo.

Da mesma forma, se você tem um blog ou um site, você pode pagar ao Facebook, ao google, etc, para que seus posts, artigos, fotos, etc, sejam “divulgados” como prioridade. Por exemplo, um blog que não paga pelo serviço, é difícil ser encontrado no google. Este é o caso do meu blog, Opiniões em Sintonia Pirata. Você pode digitar no google várias palavras-chave de algum artigo do meu blog, e com muita sorte, o artigo aparecerá na 4°, 5° página.
Diversos outros artigos, de outros sites, que nem possuem todas aquelas palavras-chave no texto, aparecerão antes do meu artigo, o qual você procura. Isso acontece, principalmente, por eles pagarem o serviço, e assim, o google empurra o site deles na frente da lista.

No Facebook eu posso pagar para aumentar o “alcance” dos meus posts do blog, ou até posts pessoais (nunca o fiz, pois meu blog não tem fins lucrativos, pelo contrário, temos uma despesa de 99 dólares por ano, num perfil “TOP”, que nos permite, basicamente, bloquear anúncios em nossa página, e não ganhamos 1 centavo – só fazemos isso, pois eu e Celsão temos a utopia e esperança de estarmos ajudando a sociedade).
Se eu pagar, o Facebook usará ferramentas inteligentes para que mais pessoas, com interesses parecidos, ou com amigos em comum, ou que curtam as mesmas páginas que eu, ou ou ou, tenham contato com o meu post. De repente, o meu blog começará a aparecer ao lado direito do Facebook alheio, ou o Facebook te sugerirá curtir meu artigo, ou minha página, mesmo você não sendo meu amigo no Face.
Isso se chama “impulsionar”.

Por que estou falando tudo isso?

Bom, na época do atentado em Paris, escrevi uma crítica bem diplomática, onde eu explicava porque as pessoas se comovem, mudam fotos, colocam as cores da bandeira, quando uma tragédia ocorre na França, na Alemanha, na Bélgica, nos EUA, etc…. mas quando a tragédia é na Síria, Iraque, Bangladesh, Nigéria, Venezuela, Afeganistão, etc, ou a pessoa nem fica sabendo, ou, se fica sabendo no máximo diz “nossa, que absurdo, que triste”, e no dia seguinte já esqueceu.

Na época expliquei que, a culpa direta não é do cidadão comum, apesar do cidadão comum também ter sua parcela de culpa indireta (explico no fim do texto). Mas o principal culpado para essa indignação e tristeza seletiva é a alienação, e a manipulação exercida por aqueles que detêm os meios de comunicação, e os usam em interesse próprio.

Explicando melhor.
Assim como quando alguém quer anunciar um produto, ele paga por isso, faz seu marketing, as notícias também precisam de financiamento. Quando terroristas islâmicos invadem um jornal francês e matam quase todos da redação, há centenas de diferentes interesses por trás de tal tragédia, por exemplo:
1) países poderosos e imperialistas veem neste episódio a oportunidade de conseguir comoção popular e assim, enfim, legitimar uma possível invasão militar em algum país de onde, “teoricamente”, vêm os terroristas.
2) Um atentado no metrô de Londres pode ser usado pelos grandes jornais do mundo ocidental para conseguir muito IBOPE. Ao encherem os noticiários com aquelas notícias, cobertura ao vivo, etc, lucrarão ainda mais com as propagandas.
3) Fabricantes de armas podem patrocinar a divulgação intensa de certo atentado, para que as pessoas se sintam inseguras, e comprem armas. E claro, no caso de uma invasão militar (item 1), eles irão vender mundos de armas – dinheiro fácil.
4) Políticos com popularidade baixa podem usar tais tragédias para criar um sentimento de “comoção nacional”, o que gera UNIÃO. O resultado desta união é o desvio do foco, fazendo a população esquecer a insatisfação para com o governo. Isso pode até aumentar sua popularidade.

Eu poderia citar muitos outros exemplos aqui, dos interesses que estão envolvidos por trás de tais episódios.
Outro ponto importantíssimo é que estes políticos, fabricantes de armas, meios de comunicação, empresas, etc, podem eles mesmos, armar, organizar e/ou financiar um atentado terrorista, para atingirem seus objetivos. Neste caso, eles podem fazer um acordo com algum grupo radical terrorista, e facilitar e organizar o atentado; como também podem eles mesmos praticarem o atentado com as próprias mãos, e depois adulterarem as provas e manipularem as informações, fazendo parecer que o atentado foi causado por um grupo de terroristas (por exemplo, islâmico). Isso já deixou de ser teoria da conspiração, afinal documentos do Wikileaks e da NSA mostram que essa prática é real, e corriqueira.

Onde quero chegar?

Se você não muda sua foto de Facebook para as cores da bandeira de Bangladesh. Tampouco escreve diariamente sua revolta para com os ataques à Síria. Nem traz para suas discussões em mesas de bar a guerra do Iraque, que perdura até hoje, justificada por presença de armas químicas, e posteriormente gerando um pedido de desculpas do próprio G. W. Bush dizendo que se enganou e que no Iraque não haviam armas químicas. Se você nunca parou para refletir por que a produção de drogas no Afeganistão quase triplicou desde que os EUA, França e Inglaterra invadiram aquele país, e por que eles até hoje não conseguiram implantar um sistema democrático e gerar paz, nem no Iraque, nem no Afeganistão, nem entre Israel e Palestina, nem, nem nem…..

Nunca parou para refletir que, nos últimos 50 anos, todas as guerras que ocidente iniciou na África e Ásia, sempre com o pretexto de levar “democracia” e “paz” para aqueles países, NUNCA geraram paz, nem democracia naqueles países, mas somente mais dor, mais pobreza, mais caos! (dê-me um exemplo como exceção, eu não conheço.)
Se você sequer toma conhecimento das quantas vezes por semana, grupos terroristas, lutas entre grupos de guerrilha, guerras e massacres (quase sempre financiados por empresas e governos das potências ocidentais), ataques de potências mundiais, geram centenas de mortes semanalmente em países da África, Ásia e América do Sul.

Se você pensa no máximo uma vez por mês, quiçá uma vez por semana, nos milhões de refugiados de guerra, que chegam em condições precárias na Europa, buscando fugir do inferno de suas vidas em seus países. Morrem nas fronteiras, por frio e por fome. Morrem afogados em naufrágios na tentativa de cruzar o mar. E quando alojados, vivem com uma esmola de ajuda de custo, e em muitos países, vivem somente com a ajuda de ONGs e doações.
E se, quando pensa nestes refugiados, logo diz “mas eles tem que resolver o problema nos países deles, Alemanha, Inglaterra, Holanda, França, EUA, não têm nada a ver com isso. A Europa não é OBRIGADA a aceitar essa imigração desenfreada. A Europa conquistou sua estabilidade, eles que conquistem a deles”.

Isso tudo não é culpa direta sua. A culpa disso é do SISTEMA.
O Sistema não se interessa em gerar uma comoção e revolta sua, quando o problema é num país pobre, pouco conhecido, e principalmente, quando este país tem uma política de resistência a este mesmo sistema ocidental. Por isso, os jornais e revistas não dão a devida cobertura. Por isso, o Facebook não disponibiliza aplicativos para você mudar a cor da foto. Por isso, ao procurar no google, os melhores artigos sobre tais fatos não serão listados no topo da lista. Por isso, seus amigos falarão pouco disso, o que gera pouca reação em cadeia, e tal notícia chegará de forma superficial e rala até você, se chegar.
Quem manda na informação e quem detêm o poder do Capital, não está interessado em “Impulsionar” tais verdades.

Tudo isso é assim, pois há motivos e interesses MUITO CLAROS por trás, interesses que determinam o que deve nos revoltar, e o que deve ser esquecido por nós. Determinam o que devemos ter conhecimento, e o que não deve chegar até nós.
E assim, manipulam o nosso saber, e nos fazem pensar exatamente da maneira que ELES querem que pensemos.

E por que temos culpa indireta?
Ora, pois somos seres pensantes. Se você tiver interesse, se você resolver conscientemente ativar o pininho do “humanismo”, da “ética”, da “solidariedade”, do “não-comodismo”, do “pensamento crítico”, da “sensibilidade generalizada”, do “auto-combate” contra o próprio orgulho, da “predisposição para construir novos valores” e “rever opiniões e formas de pensar”, dentro de você, e escolher por ABRIR SEUS OLHOS, você deixará de ser tão facilmente manipulado, e terá mais chances de entender o mundo, e fazer sua pequena parte para que este planeta se torne um lugar melhor no futuro, para nossos filhos, netos, bisnetos, etc…..

Mas enquanto você aceitar passivo que “ah, é assim, não posso mudar nada”, ou disser “ah, não é culpa minha, pelo menos demonstro minha tristeza e revolta com as mortes na França”; você estará abastecendo esse marketing predatório, imperialista, escravagista, que faz com que as riquezas do mundo, que são muitas, sejam concentradas nas mãos de menos de 0,001% da população do mundo, e que mais de 50% do mundo passe fome, ou viva em áreas de guerra.

E sim, junto com nossa falta de interesse, vem a questão do TEMPO. Sempre dizemos que “poxa, até entendo isso que você está dizendo, mas não tenho tempo de me informar a esse ponto”.
Eu digo: No mundo atual, globalizado e digital, ninguém tem tempo! Ninguém. Mas tempo a gente não tem, tempo a gente ARRUMA! Basta definir prioridades em sua vida, e bingo, achou tempo.

Obviamente, a falta de tempo é também um dos mecanismos do sistema para que não nos informemos, não nos preocupemos, não nos interessemos. Te sugam com cargas diárias de trabalho de 8 a 12 horas. Depois temos que malhar, fazer esporte, fazer compras, arrumar o equipamento estragado, visitar o amigo, cuidar da família, cozinhar, pagar impostos, resolver burocracias idiotas, pesquisar não sei o que na internet, programar as próximas férias, etc…. e nunca sobra tempo para pensar nas barbaridades do mundo.
A falta de tempo é uma das estratégias do opressor, para nos alienar. Simples assim!
Então, arrume tempo. Se interesse.
Sem sua participação, o mundo não vai melhorar, pelo contrário.

Sim, sinta-se mal, pois suas mãos estão sujas deste sangue.

* Aqui, um vídeo crítico sobre o ataque em Baghdad, e a ausência de solidariedade e revolta mundo afora com relação ao ocorrido. 
* E Aqui, um experimento muito bacana e didático, mostrando a força da publicidade e do dinheiro nas redes sociais. 

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio vídeo do youtube

 

Neste último sábado, 02 de julho de 2016, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, deu uma entrevista ao vivo para o jornal televisionado Upfront, da Al Jazeera.
Para assistir à entrevista com legenda em português, clique Aqui
Ou sem legenda, no próprio site da Al Jazeera (Aqui)

É inegável que FHC é um dos políticos mais importantes da história do Brasil, bastando para isso o fato de ter sido presidente por 8 anos. A partir do Plano Real, Fernando Henrique começou a fazer jogadas políticas, no mínimo, de cunho desleal, para chegar até o poder: a começar com o próprio Plano Real, onde FHC se auto-intitulou de “pai do Real”, como forma de chegar à Presidência.

Um homem que em meio a alguns acertos políticos e econômicos importantíssimos durante seu governo, carregará o legado das privatizações criminosas e da entrega de nossos recursos para o capital estrangeiro. Carregará o peso do trabalho tímido feito nas áreas humanas e sociais. Carregará o aumento da dívida pública, da dívida externa e da dívida com o FMI. Carregará escândalos, documentos revelados por Snowden e Wikileaks, que mostram que seu governo tinha um “pacto de sangue” com os EUA, e os interesses yankees eram priorizados, muitas vezes inclusive em detrimento dos interesses da própria Nação Brasileira e de seu povo. Portanto, ele carregará a mancha de ter feito um governo anti-soberano e anti-nacionalista.

FHC_AlJazeera

Entrevista

Dos méritos de FHC:
Ele apresenta um bom inglês, com bom vocabulário e bastante fluência (nada novo para mim, que já assisti a outras entrevistas dele em inglês).
O que mais me admira é a coragem de colocar a cara a tapa em um programa da Al Jazeera, mídia extremamente competente e profissional, de orientação de esquerda, e principalmente, anti-imperialismo ocidental (EUA/Europa), ou seja, uma empresa de mídia com ideologias bastante contrárias às de FHC.

Dos pecados de FHC:
Com mais de 80 anos, ao invés de caminhar para um final de vida maduro, brando, pacífico, transmitindo sabedoria e formando opiniões harmoniosas como um sábio idoso formador de opinião, prefere ele intensificar a hipocrisia e o cinismo, defendendo seus próprios interesses pessoais ao invés de pensar no futuro da sociedade brasileira. É incapaz de responder a algumas perguntas, e as evita, por vezes, por mais de 5 vezes, mesmo com a insistência do moderador. Uma máscara de falsidade, cara-de-pau, que eu, do fundo do meu coração, preferiria não assistir sendo vestida por um senhor como ele, que acumula anos de intensa história política e de experiências pessoais, certamente, riquíssimas.
Eu lamento termos que presenciar tais cenas.

Como seria aliviador, ver o Sr. Cardoso sendo sincero, e falando de forma serena, firme, ética, sem interesses pessoais, transmitindo uma sabedoria pura, e servindo de inspiração intelectual e moral para nosso povo.

Já sem expectativas políticas, devido a sua idade já avançada para tal, poderia praticar nos anos que lhe restam, atos e discursos valiosos para elucidar e desobscurecer a mente desta sociedade tomada pela alienação, fanatismo e ódio.

Eu lamento vê-lo gaguejando para defender monstros como Michel Temer, Eduardo Cunha, entre outros, e se manter firme na acusação retórica, cínica e hipócrita contra uma mulher de ética inabalável, que é a Dilma.
Do fundo do meu coração, é tanto desalento, que a vontade é de chorar.

* Para interessados, eu aconselha acompanhar o trabalho da mídia Al Jazeera. Extremamente profissionais, com corpo de colaboradores competente e com foco na informação e na criação de um pensamento crítico dos ouvintes/espectadores, numa batalha contra o senso comum. Possuem um posicionamento corajoso e rígido contra as atrocidades que as potências ocidentais praticam mundo afora, atrocidades essas omitidas ou amortecidas por todas as grandes mídias do mundo.

por Miguelito Nervoltado

figura retirada do próprio vídeo

Começo o post compartilhando um pensamento do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. Ainda vivo, o filósofo construiu com Karl Otto-Appel a ética do discurso.

Uma discussão deve tender ao infinito. Todos os argumentos de ambos os lados devem ser esgotados, debatidos até o fim. E, em algum momento no infinito, alguém terá que rever “mais” seus posicionamentos que o outro, pois normalmente não existem duas verdades absolutas num mesmo assunto. E, aquele que está mais próximo da verdade, irá mostrar racionalmente isso para o outro.
Porém, para que isso ocorra, ambos os debatedores devem, obrigatoriamente, ser o tempo todo 100% honestos, e não guardar “cartas na manga”, não omitir nada, não se encobrir de hipocrisia. Caso um dos dois faça isso em qualquer momento, o debate está automaticamente viciado e jamais terá solução.

O trecho é do Miguel, colega de blog, interpretando a ética do discurso que pode ser encontrado aqui e parcialmente na página da Wikipedia do Habermas – aqui.
E me levou a pensar sobre radicalismo.

Seriam os radicais aqueles que defendem os seus argumentos honestamente e analisam os mesmos de “coração aberto” ao se depararem com impasses numa discussão?
Ou os radicais são os que defendem-nos de forma hipócrita e enviesada sua posição?

Minha opinião pirata é que no Brasil estamos muito mais próximos do segundo exemplo. E, não somente, pela falta de cultura geral, que impede análises pautadas em argumentos; mas também por aqueles que detém o poder, a tal “força invisível” que se beneficia da pobreza intelectual da população.

Mas as vezes ser radical, faz falta. Nota-se que a Sociedade, a Mídia e a Política, no sentido maiúsculo e macro, ganhariam com alguns radicais.

622_b14ba104-20b0-3d74-a76c-b3fda8e4cc02Meu exemplo (ou mau exemplo) é o técnico Tite, recém escolhido como técnico da seleção brasileira de futebol.
Em forma de protesto contra a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ditatorial e corrupta, assinou em conjunto com outros treinadores, atletas, ex-atletas, jornalistas e entidades como o Bom Senso FC um protesto contra a CBF e a FIFA.
Tal assinatura ocorreu em Dezembro do ano passado, pouco depois do escândalo internacional que envolveu inúmeros dirigentes das entidades que controlam o futebol no Mundo. (o documento pode ser lido aqui na íntegra)
O documento cita que “a sucessão é determinada por um estatuto viciado, (…) arquitetado e aperfeiçoado para a manutenção do poder nas mãos da mesma linhagem” e também “A crise de corrupção é (…) um profundo problema estrutural, que travou o desenvolvimento do futebol brasileiro

Como uma pessoa dessa, que se diz ética e assina de livre e espontânea vontade um manifesto contra CBF, FIFA, a corrupção dentro desses órgãos e contra seus mandatários, permanece por horas em reunião com esses mesmos “cartolas” e aceita os termos destes, quaisquer que sejam? Aceita o trabalho que os corruptos lhe propõem?
Como eu gostaria que houvesse uma exigência por parte de Tite para que Marco Polo del Nero deixasse a presidência da CBF. E, seguindo o modelo radical, como seria gratificante se o mesmo Tite apresentasse esse argumento para a imprensa caso o presidente da CBF não quisesse renunciar.
Será que a pressão popular não se multiplicaria ao ponto de recriar uma nova Confederação?

Creio que como o futebol é paixão, e é acompanhado por muitos brasileiros, a “onda positiva” (e radical) teria mais efeito que os poucos deputados e senadores radicais que compõe o legislativo atual.

Entrando na política, como seria bom se tivéssemos radicais que se propusessem a governar sem negociar apoio e cargos…
Como seria enriquecedor se a discussão proposta por Habermas fosse adotada nas casas do legislativo. Se os políticos votassem no que acreditam e não seguindo ordens e pautas de seus partidos e, lamentavelmente, de suas bancadas…

Sou a favor da reforma política, principalmente a favor da mudança do voto distrital e da diminuição do número de partidos (que seja via cláusula de barreira) e integralmente contra o financiamento privado a eleições e partidos políticos.
Esses assuntos já foram tratados aqui e aqui, entre outros posts.

E sou a favor do radicalismo, da discussão sem hipocrisia e sem defesas prévias, sem verdades pré-consebidas ou pré-conhecidas. E a favor da busca incessante por “heróis éticos”, brasileiros preferencialmente.
Afinal, como melhorar a Sociedade sem isso? Sem que a corrupção torne-se vil a todos os olhos.

por Celsão correto

figura retirada daqui