É Carnaval

Posted: February 9, 2018 in Comportamento, Outros
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“A maior festa do mundo” como é comumente chamada traz também um enorme e lamentável número de abusos.
Aqui foco em preconceitos e assédio. E não nos também conhecidos e esperados abusos de álcool, drogas e da falta de cidadania.

Um pouco tarde para que sirva de “alerta” pré-carnaval, pois o mesmo já começou com os blocos de rua e começa “oficialmente” nessa noite, compartilho uma excelente ideia do marketing da ambev (ou AB-InBev se pensarmos no grupo multinacional): eles pegaram o mote do “redondo”, símbolo da cerveja e expandiram para carnaval redondo, frases redondas, papo redondo… fazendo alusão ao “correto”.

Mas se engana quem pensa que parou nos comerciais de televisão com palavras “quadradas”  (o oposto de redondas pra eles) saindo da boca dos interlocutores, a ambev foi além e promoveu vídeos com Youtubers, promovendo a cerveja, é claro; mas promovendo um papo aberto e direto sobre rótulos, machismo, preconceito, homofobia, entre outros.
Os publiposts ou publi-vídeos, são vídeos pagos pela empresa. Contém em sua maioria a hashtag #paporedondo e podem ser buscadas no Youtube com esse termo de busca.

É tudo “um tanto” óbvio.
Eu até queria dizer que é tudo “muito” óbvio. Mas sabemos que não é redondo para todos.

O “não é não”, por exemplo, foi abordado por muitos Youtubers.
Talvez por saberem que o assédio é grave e está presente.
O pessoal do Manual do Homem Moderno começa o vídeo falando que qualquer abordagem que pareça um assalto ou arrastão, que lembre um ato criminoso, é errado. É assédio!

E tem de tudo, tem vídeo da Tia Má, negra e mulher, falando do preconceito dentro da fantasia da Negra Maluca.
É antigo, é preconceituoso e insulta.
É como se a cultura negra fosse resumida e estereotipada numa personagem de Carnaval. Que invariavelmente estará ou se fingirá de bêbada, ou de frívola.

Na mesma onda, estão outros comentários dentro das dicas da Maira Medeiros, da Hel Mother e da JoutJout.
Todos são recomendáveis, especialmente o da JoutJout. (minha preferência está mais na didática usada por ela. A ideia de DESENHAR as dicas foi excelente)
Novamente parece óbvio, mas fantasias que podem ofender culturas devem ser evitadas, mães podem curtir carnaval, as pessoas (especialmente as mulheres) devem se vestir como gostariam de se vestir, as opções sexuais devem ser respeitadas, etc…

Não esquecendo de citar o Muro Pequeno e a Lorelay Fox que exploram a temática da homofobia pela ótica própria. Algo que todos os “quadrados”, incluindo não só machistas deveriam decorar!

Não queria fazer o meu publipost, mas acabei fazendo.
Não por ter recebido algo da ambev, do blog, ou de outrem. Mas por saber que as companhias nada fazem por acaso e quase nada de boa intenção.
Aqui está claro pra mim que eles buscavam atingir a fatia da população mais jovem que se declara alheio à TV e ao rádio, meios de comunicação um tanto ultrapassados sob sua ótica. Focando em Youtubers já com seguidores e vídeos muito acessados, há a certeza de ampliação do atingimento da propaganda.

Mas… se é pra se vender, como diriam os mais radicais; por que não se vender com um propósito maior e bem construído ao fundo.
No caso, o propósito de “Carnaval melhor” ou “Brasil evoluído”, me pareceu justo o suficiente.

por Celsão correto.

P.S.: figura retirada do vídeo da JoutJout, propositalmente cortado com a caixa de Skol ao fundo.

Se quiserem ver todos os vídeos citados em sequência, acessem aqui.
Poderia baixar e publicar, mas acredito que ficaria um tanto chato…

 

Piada pronta.
Um dos eventos, ou uma das pessoas que nos faz ter vergonha do país.
A provável futura Ministra do Trabalho segue sendo o Donald Trump brasileiro: divulgações vexaminosas e bombásticas diárias, por vezes nas redes sociais, por vezes em “descobertas” feitas pela emprensa que insiste em dar-lhe palco.

A última (ou mais recente) é um video que apresento abaixo:

Já não bastasse ter os processos trabalhistas que maculam o cargo que foi pateticamente nomeada a ocupar, Cristiane grava o vídeo numa lancha, cercada por ditos empresários.

A declaração, igualmente patética (quero crer que conscientemente jocosa), ataca o brio de trabalhadores que sofrem nas mãos de patrões como ela. Ataca aos dois motoristas não registrados.
Dizer que as pessoas pedem na justiça coisas “abstratas”, quando o motivo da ação é o registro em carteira professional… Desdenhar o pleito manobrando a frase “o que pode passar na cabeça das pessoas  que entram contra a gente em ações trabalhistas?” é, bem dizer, no mínimo, anti-ético para a postulante ao ministério que defende esse direito dos trabalhadores.
Direito esse muitas vezes abnegado por medo de represálias, de “sujar a carteira” e não mais conseguir emprego. (Para quem não sabe, há meios de pesquisar junto ao órgãos públicos se um trabalhador já moveu ação trabalhista, “filtrando-o”).

Voltando ao vídeo, dizer que foi divulgação fora de contexto é ridículo!
Duvido até que tenha sido algo espontâneo do amigo… Arrisco-me a dizer que foi planejado, para criar talvez “comoção”.
O problema é que a ética da deputada é quase tão flexível quanto a noção de honra, de bem e mal, de honestidade da elite. Se todos os empresários do vídeo possuem mesmo ações trabalhistas contra suas empresas… quem será o errado ou incongruente dessa estória? Patrão ou empregado?

Mesmo que instantânea e focada na comicidade, a reação da imprensa e da população foi positiva, mostrando à deputada e à equipe de governo o disparate dessa indicação para o Ministério do Trabalho.
Porém, como nada de positivo pode-se esperar de Michel Temer e seu governo chafurdado em conchavos, e como a nossa memória tem sido curta e seletiva, creio lamentavelmente que veremos Cristiane tomar posse.

Que a vergonha transforme-se um dia em revolta!

por Celsão correto.

figura retirada daqui de um dos “escândalos midiáticos” em que se envolveu Cristiane nos últimos dias

P.S.: busquei um link para pesquisa de ações trabalhistas movidas por trabalhadores. E ei-lo para São Paulo (aqui). Descobri que não possuo qualquer ação no momento… 🙂

Corrupção. Definitivamente a palavra mais ouvida e comentada no país no ano de 2017.
A corrupção esteve em todas as pautas jornalísticas, em todas as análises empresariais e de mercado, nas redes sociais, nas famílias, nas conversas de bar. Definiu investimentos, diminuiu a classificação do país frente à agências regulatórias internacionais, aprofundou a crise, influenciou economia, sociedade, opinião pública.

Foram dezenas os casos absurdos que vieram à tona, “esfregando na cara” da Nação a podridão e a cumplicidade da classe política, e também escancarando a passividade da população.
Mesmo filtrando as palavras não há como evitar adjetivos pesados. Foi horrendo, vergonhoso, indecente!

Citando alguns dos casos, começando por aqueles onde o nosso atual presidente Michel Temer foi citado, em pleno mandato, nosso governante maior foi acusado e “se livrou” dos processos, graças ao apoio político do Congresso.
Só relembrando, Temer foi gravado combinando propina com os empresários donos da JBS. A delação desses empresários, somam a grandiosa quantia de 1829 políticos!
Se lembrarmos também que os irmãos da JBS são acusados de enriquecimento ilícito, graças à benesses concedidas por políticos, junto ao banco de fomento BNDES, dá pra dizer que “tudo está errado”! Ou que “ladrão que rouba ladrão”…
O operador de Temer, para recebimento da propina, Rocha Loures, foi igualmente gravado e filmado saindo de um restaurante com uma mala que tinha o montante de R$500 mil. A mala foi devolvida em seguida, primeiro com conteúdo faltante, depois com toda a totalidade do dinheiro extorquido dos empresários.
Resumindo rapidamente o caso, o presidente Temer recebeu empresários fora da agenda oficial, foi gravado combinando propina com empresários de conduta duvidosa, combinou também o meio de recebê-la, a propina foi preparada, filmada, devolvida em seguida para a justiça.

Na mesma linha, o Senador e ex-presidenciável Aécio Neves foi gravado exibindo palavrões, ameaças de morte e conversas perniciosas. Foi afastado das funções no Senado Federal pelo STF, mas re-incorporado após um acordo indecoroso na “nobre” casa. Tal acordo incluiu carta de apoio do PT, partido que outrora fazia oposição direta.
É como se o cenário político tivesse acordado com medo de mais denúncias e represálias. Decidiram sem meias palavras proteger-se, ignorando uma decisão da Corte Suprema.
E como assistimos à essa “guerra de egos” entre Legislativo e Judiciário! Como aplaudimos decisões de um, sendo revogadas ou desafiadas pelo outro… como engolimos as canetadas de Gilmar Mendes.

Gilmar foi precursor do mais estapafúrdio movimento “abolicionista” de 2017. No final do mês de Dezembro, nos primeiros dias de seu plantão durante o recesso do STF, Gilmar soltou Adriana Anselmo, ex-primeira dama do Rio de Janeiro, esposa de Sérgio Cabral; Anthony Garotinho que já havia se beneficiado de uma transferência penitenciária sem explicação plausível; Antônio Carlos Rodrigues, foragido da Justiça após a condenação, ex-presidente do PR e acusado (também) de receber propina da JBS.
Sem contar as três liberações concedidas a Jacob Barata Filho, mega-empresário do setor de transportes. A Eike Batista. E a tantos outros…

Os mais atentos viram a mais clara tentativa de “estancar a sangria”, parodiando Romero Jucá, também acusado na Lava Jato, entre outras operações da PF.
A nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, teve apoio de políticos envolvidos com a Lava Jato.
O Ministro da Justiça, Torquato Jardim, junto ao recém nomeado diretor-geral da PF, Fernando Segovia, afastaram delegados da PF que faziam parte da Lava Jato, como Rosalvo Franco, além de transferirem equipes para outras funções, mudarem processos de fóruns…
E pra não dizer que estou vendo “pelo em ovo”, ou inventando moda, apresento uma frase do próprio Segovia, em seu primeiro pronunciamento, falando de Rodrigo Rocha Loures e da mala da JBS recebida em nome de Temer:

“…uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se havia ou não corrupção…”

Seguindo e citando outro caso obsceno, tivemos ano passado a apreensão de 51 milhões de reais num apartamento, ou bunker, de Geddel Vieira Lima.
Falamos bastante do ex-Ministro nos últimos dois anos. Aqui um exemplo opinando sobre a denúncia do então Ministro da Cultura, Marcelo Calero, que acusou Geddel de intervenção indevida (pra dizer pouco).

Usando uma expressão cunhada pelo médico Paulo Saldiva, se a corrupção tem duas filhas: indignação e desesperança, vivemos ambas intensamente em 2017.
Quero dizer… a maioria da população deve ter vivido quando muito somente uma: a desesperança. Minha análise é que para essas, “o Brasil não está bem e é um país ruim para se viver”, ponto. Sequer há uma análise própria para enxergar a corrupção do dia-a-dia e dos pequenos atos, que permeia a todos.
Por mais estranho e anormal que possa parecer, tudo isso não causa mais indignação. Os “tapas na cara” foram fortes e seguidos o suficiente para amortecer a face e esmorecer as reações. Um político, um presidente, um advogado podem ter regalias, roubar, aumentar o próprio salário. Há reprovação, mas pouca ou nenhuma irritação ou repugnância a respeito. Parece que nos acovardamos…

E é curioso que hoje, dia 24 de Janeiro de 2018, data marcada para o julgamento de Lula, justamente hoje, seja marcado e valorizado como uma virada de página, uma mudança de atitudes, de mentalidade.
Não deveríamos pensar melhor após tudo o que foi (des-)feito em 2017?

Quanta compra de votos, quanto favorecimento, quanto conchavo vimos nos últimos meses?
Tudo foi em prol de uma melhora da economia – é o que dizem. Balela! – é o que digo.
E mesmo que houvesse melhora clara da economia… Valeria a pena? E os índices de desenvolvimento, de industrialização, índices sociais, porcentagem de desmatamento…?
Eu respondo: mesmo que todos estivessem excelentes, que tivessem melhorado por conta do presidente Temer e de sua equipe, não valeria. A ética deve(ria) prevalecer, a justiça vencer a corrupção, a coragem o medo…

Difícil crer que haja melhora quando as próprias agências internacionais de investimento, como a Standard & Poor’s, seguem rebaixando suas notas de crédito do país.
Temer prometeu e se comprometeu por votos no Congresso. Para se livrar das acusações que pesam. Matemática simples!

Lula, se condenado, recorrerá quantas instâncias forem possíveis.
E, se preso, apelará para o STF, apelará para Gilmar Mendes…
Assim como faria e fará Temer, Aécio, Jucá, Cabral, Garotinho, e outros pilantras.

Só adianto desde já que as manifestações que virão após a não-prisão de Lula serão politicamente manipuladas. (Sem querer usar o jargão da dicotomia esquerda-direita)
Por que simplesmente não aconteceram até agora? Onde estiveram em 2017?
Bem como serão politicamente manipulados os meios de comunicação que pouco falaram de Gilmar Mendes, Cabral, Garotinho, Rodrigo Rocha Loures, mas que exigirem a prisão do ex-presidente.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui. Essa é a pessoa no Brasil mais correlata ao título. 🙂

P.S.: para quem quiser assistir à Retrospectiva 2017 da TV Cultura, o vídeo está disponível no youtube aqui. O bloco sobre corrupção foi o primeiro. Vai de 3’20” até 11’10”, aproximadamente.

P.S.2: outras indicações de leitura: os estragos de Gilmar Mendes à Lava Jato (aqui) e a análise, feita pela revista Época, da vitória da elite política sobre a Lava Jato (aqui)

 

 

Lady Buddha

Posted: January 12, 2018 in Comportamento, Outros
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No alto de uma península localizada na área central do Vietnã, fica uma estátua de 67 metros de altura, de pé sob uma flor de lótus de 35 metros de diâmetro. Destaca-se desde uma grande distância pela tamanho, pela impassível altivez e pela cor branca que a constituem.

A estátua apoia-se na montanha, encarando o mar, seus olhos meigos olham para baixo, uma mão abençoa enquanto que a outra segura uma garrafa de água benta, como que espalhando paz aos pescadores.

A tradução livre foi feita a partir do site oficial da atração turística (aqui). E representa bastante bem o “todo” da atração turística.
Abaixo vê-se uma praia e barcos pequenos de pesca completando o bucólico cenário.
Impossível não correlacionar com outras religiões, deusas protetoras, cenários…

A Umbanda é tida como uma religião brasileira por excelência. Suas origens sintetizam o Brasil e as crenças africana e cristã trazidas ao país com rituais e entidades indígenas originários daqui (para saber um pouco mais, leiam).
Jesus pode ser representado no congá (altar da Umbanda) em sua forma ocidental: aloirado e cabeludo, mas geralmente com o nome de Oxalá. Ele divide espaço com outros orixás do candomblé africano e com santos conhecidos e cultuados no cristianismo, como São Jorge.

Iemanjá é a deusa das águas ou rainha do mar. Tem sua origem em uma deusa nigeriana (Yemọjá). É a protetora dos pescadores, a grande mãe.
A “nossa” Lady Buddha é a mais celebrada dentre as divindades da Umbanda, talvez por ser identificada também como Nossa Senhora da Conceição, uma das manifestações católicas da Virgem Maria, mãe de Jesus.

Mas… Por que não temos uma estátua de Iemanjá nas mesmas proporções no Brasil?
Por que não oferecer ao turista, local ou estrangeiro, um pouco da nossa cultura, um pouco do sincretismo religioso nacional?

Conservadorismo? O popular complexo de vira-latas que impede a valorização nacional? Laicidade disfarçada de cristianismo neo-pentecostal?

Onde quero chegar com isso?

Nos países do sudeste asiático, lista que tem o Vietnã, o budismo é a religião predominante. Como tantas outras religiões, possui vertentes e diferenças regionais. E, mesmo pregando a harmonia, não há consenso sobre as “ladies Buddha“; não são todos os países (ou vertentes) que vêm com bons olhos a presença de mulheres, quer seja como sacerdotes, no caso, monjas, ou como entidades a cultuar.
Mesmo assim Lady Buddha está lá, abençoando os pescadores e recebendo turistas.

 

Como primeiro post do novo ano, proponho a reflexão.

Que em 2018 sejamos críticos e provocadores, exercitemos o diferente, pensemos mais no improvável!
Que a indignação e o inconformismo façam parte da nossa rotina.
Que a política entre de vez nas discussões do dia-a-dia, não como exercício de queixa, mas como mal necessário à evolução cidadã.
Que os abusos de poder: político, sexual, racial, etc., em todos os níveis, sejam punidos de alguma forma. Nem que seja de forma moral. E, consequentemente, que diminuam.

E, para aqueles que creem, que Lady Buddha, Iemanjá, a Força, Krishna, Gaia ou Nossa Senhora Aparecida nos abençoe nesse novo recomeço.
Para os que não creem, que a auto motivação e a força de vontade sejam suficientemente grandes para fazer a diferença.


por
Celsão correto.

figuras retiradas daqui e daqui.

 

A comida

Posted: October 24, 2017 in Outros
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Comecei tentando negociar.
Chamei até à cozinha, discorri sobre o cardápio, disse que eu também comeria.

Até que era esperado… Sempre que estamos sozinhos os dois, ele apronta comigo.
Sou muito bonzinho? Uma criança de quatro anos já consegue disputar poder? Provocar deliberadamente?
Afasto os pensamentos da cabeça.

Deduzo que ele terá fome e sigo a brincadeira.
Assim que a fome apertar e ele pedir um biscoito, penso logicamente, jantamos.
Mas… quando já se está com fome, fica mais difícil. Esse jogo eu sei que vou perder.

Eis que acho na geladeira um final de macarrão em formato de dinossauro com carne moída. Perfeito!
O “Olha o que achei!” atraiu a atenção e funcionou a princípio. Esquento o macarrão no microondas e faço o meu prato.
Sentamos ambos na mesa da sala, pois, “aqui é muito melhor”, segundo ele.
TV desligada, garfo e faca nas mãos, começa o desafio…

O primeiro round é marcado pela separação dos legumes, que ele docemente intitula “verduras”: pedaços minúsculos de cenoura, cebola e até alguns pedaços de tomate do molho são encontrados e separados. Sob muito protesto.
Auxilio visando acabar com as desculpas. E como, fazendo aquela cara de gostoso, mas sendo observado com incredulidade.

O shoyo que coloco na salada é solicitado por ele, pois afinal, “ele gosta”.
Pingo aqui e ali, dizendo que só fica gostoso com um garfo bem cheio. A resposta é imediata e desanimadora para o pai que segue o seu martírio: “Assim também está gostoso”.

A competição segue; agora com garfo e faca em mãos opostas.
E, naturalmente, a confusão é grande. Comida que cai na mesa, no colo, na cadeira, no chão.
Não aguento e sugiro a troca dos talheres. Sem sucesso.
Um “Eu quero assim!” faz com que eu termine meu prato. Melhor não mostrar impaciência.

O garfo agora percorre o prato sem destino nem sentido, tenta sem sucesso espetar um macarrão bem cozido. E falha.
“Eu não quero tudo isso”
Sabia que essa hora chegaria. Mas não tão cedo. Sequer vi uma boa garfada, toda a comida está aí…
“O prato é pequeno filho. Você tem de comer tudo.”

Para estimular, proponho um acordo: “Se eu dividir o prato ao meio, você come tudo e sozinho?”
O movimento afirmativo da cabeça me dá esperança. Melhor comer metade sem muito stress, a rolar briga e choro, sem sequer conseguir alimentá-lo.
Divido o prato, prontamente. E daí percebo que o fiz em metades desiguais.
O óbvio acontece e ele escolhe a “menor metade”. Negociamos carnes moídas de um lado a outro, apontando qual é a metade “mais gostosa”. Minha metade continua perdendo da metade dele, que escolhe agora girando o prato.
Giro novamente a comida, aproveitando uma desatenção, e ficamos com a “minha” metade. Jogo duro!

Seria mais fácil ligar a TV, sim.
Seria mais fácil colocar a comida em sua boca.
Até se eu trocasse o garfo por uma colher, haveria avanços.
Mas… “não tá morto quem peleia”, diriam os gaúchos. Ele cresce quando se torna mais independente e eu cresço sendo mais paciente.

O garfo balança no ar. E o reprimo.
Me arrependo, pois, mostrando descontrole, posso perder todo o avanço até então.
Explico a importância da comida e informo que ele pode sair dali ao terminar o prato.

O garfo passa a arranhar o prato, num ruído irritante, arranha o suporte, a mesa, a própria blusa.
Decido só observar, fazendo a melhor “cara séria” que conseguir; mesmo louco pra ralhar.
Lembro de um vizinho, que na minha infância ficava horas em frente à comida fria. Íamos chamá-lo pra brincar, brincávamos com seu irmão, voltávamos pra casa, e ele entre lágrimas lutava contra o castigo e a lógica.
“Não quero isso para o meu filho. Mas… e se ele se recusar a comer?”

“Você colocou muita comida. Eu não quero tudo!”
Parece que adivinhou meu pensamento. E minha hesitação.
“Só vai sair daí se comer tudo” – fui firme – “O prato já está pela metade e você gosta desse macarrão.”
All in. Vamos esperar a reação.

O garfo no ar, parado. A boca a contar “1, 2, 3, 4” e depois “1, 2, 3”.
Suponho que ele conta os dentes e o espaço entre eles. Titubeio pensando em exercitar essa percepção espacial. Mas me contenho.
Agora ele observa a lâmpada pelos vãos do garfo, com um olho fechado.
Na sequência começa a balançar o garfo, para a esquerda e para a direita, mantendo o rosto parado.
Não resisto e pergunto o que é aquilo. “Garfo veloz”, ele responde. “Ele está muito veloz”

Tomando novamente ar, apelo dizendo que estou triste.
Que eu só queria que ele terminasse o prato e que fôssemos brincar um pouco.
40 minutos já se passaram desde que começamos nossa “contenda”.

A comida já está mais que fria.
Mas julgo que não possa sair da minha cadeira com o intuito de requentar o prato, sem que ele também saia.
Com as mãos e depois os pés, ele se afasta da mesa. Vai se afastando aos poucos, enquanto me olha…
No limite do seu alcance, passa a tocar nos itens do aparador.

O golpe de misericórdia vem quando ele começa a esticar as pernas, quase tocando o chão.
“Eu disse que você não pode descer enquanto não comer a sua comida”
“Eu não estou descendo…”

50 minutos e contando.
Se eu não tivesse olhando o relógio constantemente, não acreditaria.
Estou feliz por minha paciência chegar até aqui. Mas incerto de quanto tempo ainda posso resistir.

“Eu acho que três garfadas acabam com esse prato”, arrisco, “quer tentar?”
Ele então volta a cadeira para junto da mesa, pega garfo e faca com uma destreza que ainda não tinha visto, enche o garfo sem olhar os pedaços de cebola, coloca na boca um após outro, até finalizar o combinado.

Quase hora de dormir, mas ainda comemos melancia. E sem reclamação.

por Celsão ele mesmo ou Celsão “pai”

figura retirada daqui

P.S.: pra quem não leu, segue outro conto-peripécia (aqui)

Contrariando minha esposa, assisto vez por outra ao programa Fantástico, o “show da vida” ou ainda a “nossa revista semanal”.
O faço sem grandes expectativas. Naquela negação da chegada da segunda-feira e do retorno à rotina estressante da semana.

E não é que nesse domingo fui surpreendido?
Infelizmente, negativamente. O que me surpreendeu foi uma reportagem especial, tomando quase um bloco inteiro, sobre o fuzil-metralhadora AK47.

A notícia trataria supostamente da violência ocorrida na favela da Rocinha, Rio de janeiro, que demandou intervenção militar federal na última semana.
Mas não foram abordados os detalhes do ocorrido. Não se tocou no assunto tráfico de drogas, provável razão principal da briga entre facções rivais. Sequer das implicações sociais da “guerra” instaurada, como cancelamento de aulas, redução do comércio, plausíveis inocentes alvejados por balas perdidas de ambos os lados (e aqui são três os lados: facção A, facção B e polícia/exército)…
A notícia tratou da arma AK47…

Soubemos que o nome vem de “Kalashnikov automática”, fabricada em 1947. Vimos imagens do seu criador, Mikhail Kalashnikov e a sua estátua inaugurada recentemente em Moscou.
Vimos muitas fotos e vídeos do Estado Islâmico, Osama Bin Laden, terroristas em ataque ao Charles Hebdo, treinamentos com crianças árabes. Todas usando a arma.
Fomos “quase” convencidos de que, se russo, é mal. E que a Rússia é a responsável pela violência no Rio de Janeiro.

Somente um telespectador mais atento ouviu que a arma é produzida em diversos países, entre eles Bulgária, Romênia, India e China. Este último maior produtor mundial.
Que os Estados Unidos compram os fuzis de forma legal da China e do Leste Europeu, e são usados como principal entreposto para as Américas e a África.
E que também se fabricam rifles AK47 nos Estados Unidos! (informação aqui).

Num mundo onde o extremismo está cada vez mais presente, é correto aludir ao armamentismo e ao “contra-ataque”?
É saudável mostrar à população todo o poder do crime organizado, cobrando os parlamentares um “endurecimento” sem analisar as causas?

O problema das drogas no Rio de Janeiro, ampliável às armas e ao problema do terrorismo no Mundo, é por si só demasiado complexo e enredado. Não há solução simples e aplicável num curto espaço de tempo, como, por exemplo, um mandato de Prefeito ou Governador.
O que condeno é a abordagem da matéria. De um programa muito assistido, no canal mais assistido do país.
Já perdi as esperanças de discussões filosóficas e aprofundadas. Mas daí a mostrar por dez minutos a arma mais usada… Foi demais!

por Celsão revoltado

Vídeo no Youtube com o “extrato” da matéria pode ser visto aqui

imagem retirada daqui

Um sopro

Posted: September 26, 2017 in Outros
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Somos um sopro diante da imensidão do universo, pequenos, minúsculos eu diria.
Temos nosso papel e significado, mas no todo somos quase nada.
Mas um quase nada importante para muitos, muitas vezes, familiares, amigos, amores… E como todos, partiremos um dia, como um sopro, pode ser que ninguém veja, somente nós saberemos… quem sabe?
Enquanto isso, difícil dizer, curtir a vida, que não se sabe quão longa será, deixar de lado o consumismo, o apego material, a falta de tempo para nós mesmos e para com aqueles que nos amam. Difícil viver num mundo capitalista e conseguir desapegar daquilo que nos é imposto,
Quero poder ver mais sorrisos das minhas crianças, pois amanhã, não mais serão. Amanhã, já não serei prioridade, meu valor e importância serão reduzidos, gradativamente. Como é difícil saber que nada é para sempre, que num sopro, tudo pode ruir.
(…)

Um Sopro

Apenas um sopro
Fuuuuuuuu…
É o que somos

Um longo sopro
e apagam-se as velas de comemoração
um suspiro…
seguido de outro longo sopro
e tomamos coragem,
para aquela
tão ensaiada declaração

Um forte sopro
para diminuir o sofrimento
daquele filho que se ralou
por andar desatento

Um curto sopro
até um cisco se vai
em um piscar de olhos

Somos um sopro,
oxigênio “puro”
e continuamos pouco,
minúsculos…

Um sopro
pra dizer Eu Te Amo
um sopro
pra deitar e dormir
um sopro
e os filhos crescem
um sopro
pra vê-los seguir

Um sopro
fazemos planos,
entusiasmados
noutro sopro
mudamos o rumo,
drasticamente

Somos um sopro
vivemos aqui por um sopro
partiremos
sabe-se lá quando…
com certeza, num sopro

Flávio Augusto Ramos de Souza

___________________________________________________________________
Os textos são do meu irmão e leitor, Flávio.
Eles se completam, se complementam, se explicam.
Creio que outros comentários sejam dispensáveis…

por 
Flávio Augusto Ramos de Souza

figura retirada daqui

P.S.: outra sugestão de leitura, aqui

Tentemos imaginar um filho (ou filha) problemático.
Que se envolveu com drogas ou com gastos excessivos em cartão de crédito e agiotas.
Esse filho nos convence que vai de alguma maneira parar e nos faz gastar o dinheiro que temos guardado. Nos faz também vender a casa, vender pertences como computadores, etc.
Mas, sem ajuda, muitas vezes já sem emprego, não consegue se reerguer. E vendemos também os carros da casa. Carros que eram essenciais para a manutenção da economia doméstica. Pois auxiliavam na obtenção dos recursos básicos da família.

Não é um conto.
Tentei fazer uma analogia com o que está acontecendo com o nosso Estado nesse momento.
Acuado e com um gasto deficitário em 159 bilhões de reais, o governo federal desistiu de cortar custos relevantes e agora está mirando na privatização; com foco inicial na Eletrobrás.

Quando um governo tem déficit, significa que a arrecadação de impostos e os bens produzidos pelas empresas estatais não são suficientes para suprir os gastos que o mesmo governo tem com sua estrutura, sua “máquina”.
Significa, por exemplo, que regalias devem ser cortadas, aumentos de salários minimizados, postergados ou, melhor ainda, suspensos. Nada de renovação da frota de veículos parlamentares, compra de mobiliário, emissão de passagens aéreas… extinção de cartões de crédito corporativo (bloqueado no site da transparência, nota no fim do post), entre outras medidas que a família descrita no primeiro parágrafo precisou fazer ainda antes de se desfazer da poupança.

Mas não é o que ocorreu.
Os gastos com cartão de crédito seguem subindo desde que Temer chegou ao poder (aqui e aqui). Totalmente contra ao que prega a austeridade, ão defendida pelo governo e Ministério da Fazenda.
A jornalista Juliana Cipriani, em reportagem no Estado de Minas, levantou gastos abusivos do poder público nesse período de crise (link aqui). Na reportagem existem absurdos de todo tipo, de licitação para jatinho para viagens do governador Luiz Fernando Pezão, ao custo de R$2,5 milhões por ano, a R$1 milhão em sofás e colchões para o Congresso Nacional.
É como se a família estivesse devendo enquanto planeja viagens de avião e compra móveis!

Quando a economia de um país está em crise, não se viaja para Noruega ou Rússia sem agenda oficial e sem assertividade (post nosso aqui). Sequer se usa o avião oficial, dado o custo operacional do mesmo. Não se utilizam aviões da FAB sem um propósito concreto e inadiável, pelo mesmo motivo.

Falar em vender a Eletrobrás, empresa estratégica, num ramo estratégico. É o mesmo que vender a Petrobrás, privatizar a Polícia Federal.
O que o Chile pensaria se propusessem comprar a empresa CODELCO (Corporación Nacional del Cobre de Chile), estatal que explora o cobre, principal recurso do país?
Que tal propor aos Estados Unidos a privatização da CIA ou da NASA?
Aliás, ocorreu-me uma ótima pergunta: por que será que esses órgãos precisam ser públicos, geridos pelo Estado?

Não posso dizer que sou contra qualquer movimento nesse sentido.
Não sou daqueles que nega os avanços da telefonia do Brasil após a “rifa” que foi feita das “Teles”. Mas questiono se precisava ser daquela maneira, naquela velocidade e naquele preço.
Uma empresa de capital misto, bem gerida, talvez chegasse a resultados melhores… e ainda deteria a tecnologia e os profissionais capacitados.
Se avançamos em conectividade e redes móveis, retrocedemos em satisfação quanto aos serviços prestados e no custo desses serviços. Afinal, todas as empresas que exploram telefonia e transmissão de dados no Brasil estão entre as mais problemáticas em reclamações e processos.

Me questiono se seria da mesma forma, caso a ANEEL participasse da diretoria de todas elas e soubesse das artimanhas e subterfúgios para burlar leis ou se adaptar a imposições. Por exemplo, por que é obrigatório somente 10% da velocidade das conexões de internet? Se há uma limitação técnica, a empresa poderia investir mais, satisfazendo os clientes. Se o problema é infraestrutura, a contrapartida poderia vir do governo, após decisão de investimento conjunta: governo e empresa privada.

De volta ao tema da Eletrobrás.
De acordo com a BBC (link aqui), são 233 usinas de geração de energia, incluindo Furnas – que opera 12 hidrelétricas e duas termelétricas – e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), além de seis distribuidoras e 61 mil quilômetros de linhas de transmissão, metade do total do país e o suficiente para dar uma volta e meia no planeta.
A Eletrobrás também controla 10 termelétricas, 70 parques eólicos… Mais de 70% de toda a transmissão e 30% de todo o potencial de geração de energia elétrica do país. Possui toda a tecnologia de interligação do grid.
Será que o comprador não se tornaria um “manipulador de preço”? O que o impediria?

Pergunta retórica ao governo? Por que se desfazer dos carros e computadores antes de mudar os hábitos de consumo?
Por que não passar a cozinhar em casa ao invés de levar toda a família em restaurantes? Por que não trocar o shopping center por um passeio no parque?

São tantas medidas que poderiam ser tomadas antes, como uma mudança do nosso ilustríssimo Presidente Temer para o Palácio oficial, deixando o Jaburu… que é até difícil lembrar de todas para enumerá-las.

Anunciar uma privatização rápida e “tosca”, através da venda dos títulos no mercado aberto (emissão de ações), compondo com outras cinquenta empresas um “pacote atrativo” é um sinal de fracasso anunciado.
Que tal identificar “pedaços” menos estratégicos e mais deficitários para começar?
Não que eu seja a favor. Sou contra! Mas seria possível diminuir o déficit da empresa Eletrobrás isoladamente (caso acredite-se que ela seja realmente um problema).
Repetindo… Empresas de controle misto podem ser bem administradas e não devem sofrer no jogo político de nomeações nepotistas.

No final, um valor de R$20 bilhões, nas estimativas atuais, entrando nas contas do governo uma única vez, não resolve o problema.
É como se o filho problemático pegasse os tênis mais novos da casa e as bolsas de grife e os vendesse por R$20 cada…

por Celsão revoltado

figura retirada do WhatsApp – numa piada sobre os chineses da State Grid assumirem o controle majoritário da Eletrobrás.

P.S.: Quando se consulta no Portal da Transparência (por exemplo, aqui) os gastos com cartão de crédito feitos por Michel Temer, o resultado da última linha chama a atenção. “Informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado. => R$14.162.667,38

Reuniões intermináveis. Cada qual com sua carga de deployments e follow-ups.
Como se não bastasse, demandas proveniente de clientes e colegas ocupam o restante dos minutos de forma a concluir que dez, doze horas trabalhadas são asseguradamente insuficientes para entregar as tarefas.
Tarefas que se acumulam. Prazos que se atropelam.
Equipes reduzidas. Cooperação dificultada.
Aquele sentimento de culpa acompanhando o trânsito do final do dia. Aquela carga de responsabilidade que não permite soltar o celular, que faz surgir até tarde da noite novas e constantes mensagens de WhatsApp. O tal “comichão” que faz o computador ser ligado “só por uma hora” para adiantar o trabalho do dia seguinte, que na realidade nada mais é que a tentativa vã e infrutífera de finalizar o trabalho acumulado dos dias anteriores.

Duvido que seja exclusividade desse que vos escreve.
O mundo corporativo atual demanda mais do que o possível de se entregar dia após dia.
Os chavões e clichés que ajudavam num passado próximo, hoje causam risadas.
“Matar um leão por dia”
“Aprender a ser o máximo possível de mim mesmo”
“Tomar as pedras do caminho para fazer a escada do sucesso”

E contrastam com o equilíbrio pregado na sociedade moderna.
Onde é preciso cuidar bem da família, investindo tempo de qualidade; e da saúde, praticando esportes e balanceando a alimentação.
Ser voluntário. Ser sustentável e ecologicamente correto. Ser ético e engajado socialmente.
Estar antenado. Participar de todas as redes sociais com comentários inteligentes e pertinentes…

Quem entra em toda essa pilha?
Quem realmente consegue balancear corporativo e pessoal sem se atrapalhar ou sem comprometer um dos dois?

Os que se dedicam ao mundo corporativo, fatalmente se arrependem.
Ou via cobrança da família, ou via auto-reflexão. Que até pode tardar, mas respeita o cliché, e não falha.
Os mais “frios” estabelecem metas, de idade-limite, de posição na carreira, de salário.
Todos falham.
Pois a idade traz a pressão da experiência. O mundo corporativo cobra uma entrega melhor dos mais experientes.
As posições hierárquicas vêm trazendo implicitamente a dedicação exclusiva, a liderança inspiradora e engajadora e o “algo mais” em termos de esforço pessoal e da equipe.
E o salário também é um inimigo perigoso. O capitalismo exige que um profissional “se pague” com o próprio esforço e tarefas bem realizadas.

Os que se dedicam à família não atingem os objetivos cobrados no capitalismo.
Não viajam para Miami todos os anos. Não trocam de carro com frequência. Não colocam os filhos nos melhores colégios. Não frequentam os melhores restaurantes.
E, fatalmente, vez ou outra, se cobram por isso.
Reiterando a cobrança do “sucesso social” que não possuem. Que o “sistema capitalista”, jargão que odeio, cobra com todas as suas forças.

Solução? Desconheço.
A rápida análise filosófica dessa noite concluiu que nos dedicamos tanto ao trabalho por ego. É como se nosso ego fosse massageado com cada meta batida, com cada hora extra “investida” corporativamente, com o reconhecimento.
Eu arriscaria dizer que é também um vício.
Como o vício de ir à academia malhar. O ego faz com que o tempo investido aumente a medida em que os resultados começam a aparecer, ou a esperança nestes.
Só que, no caso do fisiculturismo, pode-se classificar o vício como saudável.

Me encontrando na situação e filosofando sobre ela, o que decidi fazer? Um post…
Filosofia ajuda. Sempre. Talvez só a desopilar, mas a ajuda é inegável.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

P.S.: atualizo o post adicionando uma sugestão de leitura, enviada por um amigo e leitor. O que nos faz mais felizes: tempo ou dinheiro?

Dia dos pais

Posted: August 14, 2017 in Comportamento, Outros
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Pai é quem cria. Pai é quem sustenta. Pai é quem educa. Pai é quem decide.

Independente da carga de responsabilidade dos verbos acima, não há como negar, após uma análise rápida, que os mesmos carregam certo machismo, ou paternalismo, de décadas atrás. De uma época e sociedade conservadoras. (ou mais conservadoras, para os que negam que o conservadorismo seja exclusividade de outro período)

Convido a todos, após a comemoração do dia dos pais, a assistir ao vídeo abaixo. Aos que não conseguirem acompanhar diretamente por aqui, o mesmo está disponível no link.

O conceito de família mudou. E não dá pra afirmar mais que não há amor, não há carinho ou não há proteção na “nova família”, no “novo conceito” de “pai e mãe”.
A classificação da primeira frase do post já não servia há um bom tempo. Soa tão absurdo hoje em dia, por exemplo, pais que não trocam fraldas e que não ajudam nos cuidados diários, quanto soará (espero), num futuro próximo, o “dia dos pais”.

Por que comemorar especificamente dias para pais e mães e não dia da família? (ouvi a ideia recentemente e achei perfeita!)
Afinal, se as crianças são criadas por avós, por somente um dos pais biológicos, por um casal homossexual, ou por amigos que decidem adotar menores carentes… Pode-se afirmar que não mereçam um dia especial, mesmo que extremamente comercial?
Essas pessoas não seriam exemplos para os seus filhos? Não os educariam de forma satisfatória? Não ensinariam, sustentariam, criariam e decidiriam com “sim’s e não’s”?

A resposta é sim para todas as perguntas. O resto é preconceito!

por Celsão correto

figura de arquivo pessoal. Eu na (linda) interpretação do meu filho.

P.S.: como alternativa, insiro também o vídeo em formato MOV, aqui abaixo…