Funda-se a partir de hoje o país Oduduwa.
Em sua carta de fundação, pode ser lido o hino Akotun Oweré (Nova Luta) e o ideal de liberdade religiosa para os oprimidos umbandistas.

O seu território compreende a região de Pelotas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Brasil, e as regiões cercanas da província de Vergara e Treinta y Tres, seguindo pelo litoral próximo à cidade de Lascano, no Uruguai.
A sua capital está no distrito de Cassino, onde se encontra a imagem de Iemanjá e se realiza, anualmente, a maior festa conhecida dedicada a essa importante entidade da religião Umbanda.
Os parques nacionais de Taim e Curral Alto prestarão a devida homenagem a Oxóssi, Deus das florestas, Oxum e Obá, Deusas das águas e rios e Iemanjá, Deusa dos mares.
A península setentrional chamada Punta del Diablo servirá como base para rituais de cura e equilíbrio.

O Estado da Bahia aceita a proclamação de independência de Oduduwa em relação ao Brasil e declara seu total apoio à causa da religião afro-brasileira. Inclusive com apoio militar, se assim for necessário.
Já está agendada uma última declaração no Congresso Nacional Brasileiro, em português, comunicando a independência e separação territorial, ideológica, religiosa e de idioma, uma vez que a língua oficial de Oduduwa será o Iorubá.

Seguidos os protocolos oficiais, convidaremos umbandistas de todo o mundo a vir morar em Oduduwa.
De forma igualitária, os seguidores de outras regiões que desejarem abandonar a nova Nação Umbandista terão livre acesso para sair; desde que abandonem residências, terrenos, bens móveis e contas bancárias à Akotun Oweré. Não haverá reembolso ou ressarcimento de qualquer natureza.

Se houver, como esperado, o sucesso estimado inicialmente, muitos serão os fiéis e praticantes que buscarão em Oduduwa o seu refúgio espiritual e religioso.
Ocuparemos espaços nas vicindades de Uruguai e Brasil; respeitando, a princípio, as capitais Montevidéu e Brasília.
Se estatisticamente já somos 8% da população brasileira, tomando a porcentagem declaradamente Umbandista, acreditamos que 20-30 milhões de pessoas possam viver confortavelmente no espaço ocupado hoje pelo Estado do Rio Grande do Sul, lar atual da maior população umbandista brasileira.
Caso o futuro Conselho Nacional de Oduduwa decida por ocupar preferencialmente áreas litorâneas, podemos expandir o território pela costa, no sentido norte, mudando a capital de Oduduwa para Florianópolis, ou mesmo, Rio de Janeiro.

Declaramos guerra, desde já, a qualquer invasor que pretenda dirimir nosso propósito ou questionar a nossa fé!
Contamos com apoio irrestrito, financeiro e bélico de apoiadores de religiões indígenas e africanas em todo o Mundo, bem como do Estado da Bahia, lar de tantos orixás e ritos.

(…)

É cômico.
Mas essa é a minha visão, discriminatória talvez, do que aconteceu na criação do Estado de Israel, meio século atrás.
Não sou contra a sua criação, embora acredite que a localização e disposição poderiam ser melhor discutidas, a fim de evitar situações delicadas no tocante às relações internacionais.
A própria ONU e seus conselhos, seriam a meu ver o melhor palco para essas discussões.

O apoio dos Estados Unidos, financeiro e bélico, transformou a região que já era palco de conflitos seculares.
A “ilha” Israel transformou-se numa potência regional. E passou a ameaçar não só os palestinos, mas outros países da região.
As ocupações através de construções não autorizadas são injustas, para dizer o mínimo (post nosso sobre o assunto aqui).
E a mudança da capital para Jerusalém é simplesmente absurda! Só têm apoio americano pelo interesse estadunidense na região e pela aliança escusa entre os dois países.
É o apropriamento de algo inapropriável!

Lamentável que vejamos massacres de civis, tolhimento de direitos, imposição de condições sub-humanas em prol de um Deus que não apregoa essas diferenças.

Se Israel e sua política não choca você, Oduduwa tampouco deveria chocar…

por Celsão irônico

 

figura: montagem de recortes retirados do Google Maps. 

P.S.: peço perdão aos praticantes da Umbanda, Candomblé e demais religiões africanas pela apropriação de nomes e termos. A intenção não foi ridicularizar nem ofender.

P.S.2: para quem quiser assinar uma petição do Avaaz, contra a chacina impiedosa de vidas palestinas, segue o link

 

Ontem foi 13 de Maio.
Não me lembro qual foi a última vez que “comemorei” a data.
Para nós negros, Zumbi dos Palmares e o 20 de Novembro suplantaram a única data onde éramos lembrados na escola; onde o professor nos apontava e afirmava que a escravidão era um “problema do passado”.

Enfim… o post não visa falar da discriminação racial, racismo ou cotas.
Visa discutir a infeliz desistência da candidatura à presidência, de Joaquim Barbosa.

Passados cinco anos (!) de um post nosso a respeito do então Ministro (aqui), ainda não sabemos o que ele quer, pretende ou anseia.
À luz da época, durante e logo após o julgamento do Mensalão, Joaquim era endeusado e mitificado pela mídia e por partidos “de oposição”: PSDB e DEM.
A popularidade do Ministro era tremenda. E ele a usava de forma pouco ortodoxa, pois criticava outros partidos, além do acusado PT, o sistema eleitoral, juízes, a Polícia Federal, entre outros.
Palco recebido, popularidade gozada, Joaquim se retirou. Aposentou-se em 31/07/2014 (data da publicação no Diário Oficial).

Passou silenciosos e resignados anos em seu apartamento em Miami.
Poucas eram as interações e intervenções políticas do ex-Ministro. Tudo dava a entender que aquele bravo Joaquim se havia ido e rendido ao poder do Capitalismo e ao deleite que anos de avantajados salários proporcionam.
Nada contra o apartamento em Miami ou ao deleite dos benefícios do Capitalismo.
Também os desfruto e, por conhecer a mais-valia, sei que trabalhamos efetivamente mais que ganhamos, via de regra.

Mas, permitam-me criar uma expressão, “apolitizar-se” em tal período: com impeachment, Lava Jato, culpa da chapa com absolvição de Temer no TSE, inúmeras denúncias, algumas envolvendo até o STF… foi demasiado covarde.
Estar na política (ou desejar entrar nela) e se esconder, se omitir, é irritante e inquietante. Ao meu ver é uma das principais falhas da novamente candidata Marina Silva.

Esse é o meu problema com o que Joaquim Barbosa fez: o ingresso na política.
Por que da filiação ao PSB (agora) se o objetivo não era alçar voo tão singular?
Por que oferecer-se como opção em tão complexo cenário e, mesmo obtendo boa intenção inicial, abdicar-se como postulante?

Joaquim tinha muito potencial.
É negro daqueles que não se pode negar a negritude.
Alguns podem dizer que tivemos “Marronzinho” na eleição de 1988 (aqui). Mas os míseros 17 segundos de propaganda eleitoral e a alcunha não o fizeram conhecido ou representante dos negros.
Joaquim, letrado e culto, não só poderia “carregar a bandeira” esplendidamente, como mostraria um negro além do estereótipo padrão.
Joaquim teria nas mãos armas que ainda não experimentamos na política. Ou que timidamente temos experimentado em câmaras a nível municipal e estadual.
Joaquim, talvez, se tornaria o nosso Obama! 🙂

Voltando à realidade…
Não dá pra afirmar que votaríamos nele. Não sei ainda em quem votarei.
A oposição (do PSB) afirmou, ao saber da candidatura de Barbosa, que ele é instável e arrogante. Teria pouca paciência e se complicaria sozinho.

O fato é que Joaquim Barbosa teria ainda mais palco.
Entrevistas. Tempo na TV. Mídia gratuita. Citações em redes sociais.
Que trariam, claro, explícita e inescrupulosa devassa em seu passado e em sua vida particular.
Preço alto, talvez, para quem é realmente sério. O que não sabemos se é o caso do senhor Ministro…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

São 11h do dia 06 de Abril de 2018 e eu me pergunto o que acontecerá agora.

Lula teve prisão decretada por Sérgio Moro e tem de se apresentar à Polícia Federal de Curitiba até as 17h de hoje.
Será que ele se apresenta espontaneamente?
Será que os simpatizantes deixarão a polícia entrar no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo, caso ele decida ficar por lá?
E se ele não sair? Teremos um status de foragido e agravamento de pena imputado ou teremos um confronto polícia vs simpatizantes de Lula?

Sou de esquerda, como sabem, e acabei de publicar um post onde escrevo que a esquerda é maior que o Lula (aqui). O erro é primário, mas insistem em dizer e extrapolar que Esquerdista é Petista, que é “Lulista”…

Como escreveu o amigo Caio Silvestre, numa acalorada discussão via WhatsApp hoje, sobre a polarização dos últimos acontecimentos, processo célere da prisão de Lula e outros temas políticos:

A comoção, de ambos os lados, movida por paixão/ódio, iguala a todos. Uns exageram por amar demais (e se cegam diante dos roubos), enquanto outros se dedicam somente contra o odiado (e são tolerantes com todos os outros).
Sempre com a razão deixada um tanto de lado. Fica incoerente para todo mundo

E completou:

Se há um limite para a questão [corrupção], o limite muda, porque trata-se de movimentação política e não republicana, como querem fazer parecer.
Se havia razão para movimentação quando o nome do Lula surgiu na delação do Delcídio, deveria ter havido razão, também, quando surgiu o nome do Temer.
Se houve razão para indignação quando da nomeação de Lula ministro, deveria ter havido quando se nomeou o Moreira Franco, por exemplo.

 

Retomando o título…
Será que agora veremos celeridade em outros casos, como o de Aécio Neves?
Será que viveremos para ver Eduardo Azeredo, psdbista condenado em segunda instância no chamado “Mensalão Tucano” após quase oito meses do julgamento e reafirmação de condenação (ocorrida em Agosto de 2017), preso?
Detalhes de Azeredo que valem a lembrança: a denúncia foi feita há mais de 11 anos, no longínquo 2007 (aqui) e em Setembro há prescrição, uma vez que Azeredo completará 70 anos… 
Quando será que o STF colocará em pauta, “furando fila”, o tema da prisão em segunda instância, estancando a Lava Jato como previu e pediu há algum tempo Romero Jucá? (post sobre a gravação do peemedebista e estancamento da sangria aqui)

Se Rosa Weber falou a verdade durante a votação e se Gilmar Mendes realmente “mudou de lado” para defender seus interesses e de suas “aves”, teremos muito em breve o retrocesso à impunidade, a justiça para pobres, pretos e “ladrões de galinha” que não podem pagar advogados caros, o cenário de até pouco tempo atrás.

Será que teremos revolta popular, passeatas e protestos em Brasília?
Ou somente aquele sentimento de indignação tupiniquim, que vem acompanhado de regozijo pela desgraça do outro?
Será que a procuradora Raquel Dodge terá pulso firme para exercer seus deveres ou seguirá apenas ajudando os “amigos de Temer”, como fez ao interceder na operação Skala? (aqui)
Será que o Supremo Tribunal Federal seguirá gozando da popularidade e palco para aparecer mais que para julgar?

A corrupção é danosa, nociva à Nação e ao povo, sem se importar com ideologia político-partidária.
Ela deve acabar. Sem dúvida!

Mas… e agora? O que virá a seguir? Mais do mesmo ou realmente uma evolução?
Hoje estou mais realista. Fico com a primeira opção…

por Celsão irônico

figura retirada daqui. O objetivo simples é lembrarmos do rosto de Eduardo Azeredo

 

Sabe quando uma seleção de futebol tem um craque?
Como a seleção de Portugal, com Cristiano Ronaldo, ou mesmo a seleção brasileira atual, com Neymar.
Cria-se uma certa dependência. Atrelada a um sempre certo e iminente “perigo”: no dia em que o craque não joga bem, se machuca ou decide se aposentar, aquela seleção se vê “acabada”, sem referência…

Peço perdão pelo trocadilho futebolístico, mas eu vejo da mesma forma a esquerda com o Lula.

Não há como negar os avanços sociais do Brasil em seus governos. Sobretudo das camadas mais baixas.
A elevação do poder de compra, da escolaridade, do acesso a crédito, foram notáveis e levaram o país a outro patamar social, falando em índices como Coeficiente GINI (aqui evolução de 1976 a 2009 – Wikipedia) e IDH (site do G1 mostrando aumento durante governo Lula/Dilma e a estagnação em 2014-2015, aqui).
Até os céticos têm de admitir isso. E não ligo para os argumentos como: “época boa”, “terreno preparado por FHC”, etc.
Lula estava no planalto e fez!

Porém se ampliamos a definição de “esquerda” além da justiça social: com distribuição de renda e pensamento no coletivo; para a mudança, o combate aos abusos do status-quo e a igualdade na sociedade (aqui entendo como igualdade total de condições, por exemplo, para concorrer a um emprego: mulheres, negros, pobres, gays e outras minorias com a mesmas chances reais da elite), o PT não representou, em seu período de Governo, de situação, os ideais da esquerda.
Meus colegas e leitores que me perdoem, mas as alianças em prol da “governabilidade”, com o PMDB de Sarney e Temer e com o PP/PPS de Paulo Maluf, afastaram (e muito) o que eu esperava de governos do PT.
Entendo que sou demasiadamente romântico para insistir num governo possível sem o PMDB, sem conchavos e sem troca de votos por Ministérios e cargos.

Peço vênia para lembrar que, nas últimas eleições, mesmo desencantado com o PT e a “nova esquerda” de Lula e companhia, apoiei a reeleição de Dilma, usando argumentos e entrevista do deputado Jean Wyllys (aqui).
Toda escolha é uma renúncia, parodiando o próprio deputado Jean; e renunciei algumas vezes à “minha esquerda” para votar no PT.

Parêntese feito e voltando ao tema, o ponto é que a “esquerda” é maior que o PT. E maior, consequentemente, que Lula.
Entendo os que defendem o “indefensável” e acreditam que a votação do STF que pode acabar com a condenação em segunda instância, ou habeas corpus preventivo de Lula, deixará que o mesmo dispute as eleições e gerará (?) uma justiça tardia ou troco ao golpe impetrado à democracia com o impeachment de Dilma.
Entendo, mas não estou no mesmo barco.
O benefício de ter Lula nas eleições de 2018 é menor que o veneno de termos Eduardo Cunha, por exemplo, em seu jogo politico nocivo.

Discuti bastante com o Miguelito, logo no início da Operação Lava Jato, sobre a (então) provável extinção dos partidos políticos citados nas delações, e consequentemente envolvidos com corrupção.
Se naquele momento o PT tivesse acabado e o seu quadro se recolocado, ou refundado um novo partido, talvez já tivéssemos melhores opções nessas eleições. Não no tocante às opções em si, mas à força dos nomes…
Miguel sempre me dizia à época que leva-se tempo para construir um PT, nos termos da representatividade Nacional alcançada pelo mesmo, ou transformar um PSOL em PT. E que o país não tinha esse tempo; a esquerda, fatalmente, ficaria de fora novamente.

O doloroso fato, pra mim, é que nessa luta da candidatura de Lula, estamos apenas “empurrando” o problema, postergando a inevitável inelegibilidade do ex-presidente.
Mesmo o Lula representando os anseios de boa parte dos brasileiros (suposição construída pela intenção de voto divulgada até aqui), sofro antecipadamente ao não ver esses anseios transformados em votos para Ciro Gomes do PDT, ou Manuela D’Avila, do PCdoB, por exemplo.
Como seria bom se Lula se afastasse do cenário político, fizesse sua defesa, cumprisse (se condenado) a pena imposta e voltasse ao panorama “zerado”…
Como seria bom se o “pobre” se visse na esquerda…
Como seria bom também, se imprensa e Facebook permitissem uma eleição justa…

Rogo à esquerda brasileira que esqueça Lula.
Que tente jogar futebol sem Neymar, sem CR7. Que busque alternativas…
Que entenda que a bandeira vermelha, o ideal igualitário, a renda mínima, os programas sociais, podem existir sem Lula.
Afinal, como disse José Mujica, ex-presidente do Uruguai, recentemente (aqui), nós não o teremos para sempre!

por Celsão correto

figura retirada daqui. Post de Alberto Cantalice que vai no sentido oposto ao que escrevi. Vale a leitura para exercitar o espírito crítico e o contra-argumento. 😉

P.S.: aproveito o período pós-Páscoa para pedir também (por que não?) um renascimento da esquerda. A Deus, Oxalá, Alá ou quem estiver disposto a me ouvir…

Parto de homem

Posted: March 28, 2018 in Comportamento, Outros
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Se existe um momento mágico em nossa vã existência, um momento que aproxima o terreno do divino, algo que nem o mais profícuo dos poetas consiga relatar precisamente… esse “momento”, esse “algo” para mim é um parto.
O nascer. Essa chegada de um ser e os seus primeiros momentos. A áurea que cerca a família que o recebe é indescritível.

Compartilho um texto repleto do “sentir” de um pai.
Não parimos, ainda ou infelizmente.
Mas muitos de nós compartilhamos dos medos, anseios, dor e agruras do período. Não menor é o número dos que sofrem sem dizer palavra; capricho da natureza, característica ou formação relegada aos “sentimentos”. Coisa difícil de curar…

Que esse machismo bobo, muitas vezes pensado como inerente ou intrínseco do homem, desapareça e dê lugar a experiências como a descrita abaixo.
Nós seres humanos e o mundo certamente ganharíamos.

O texto foi publicado aqui. De onde também usei a imagem…

João Valadares não sabia nada sobre partos. Até a sua mulher, Cecília, engravidar e decidir que queria um parto em casa. Nesse relato de tirar o fôlego, João narra o que viu, o que sentiu e como foi trazer ao mundo o filho Francisco.

“Parto de homem. É sobre isso que quero falar. E é para eles que escrevo. Então vou começar do começo. Ela estava no avião, foi ao banheiro e me telefonou: ‘estou grávida‘. Não teve tempo de falar mais nada. As portas já estavam em automático. Desligou. Fui buscá-la no aeroporto e, no caminho para o laboratório mais perto, completou a frase interrompida pela aeromoça: ‘quero ter o nosso filho em casa‘. A cabeça dura-sertão do macho pernambucano, dos miolos encaretados pelo sol, desinformado e suposto senhor das ações, travou. ‘Em casa? Você é maluca?‘. Ela não falou mais nada. Nem eu. Segui calado, com aquela angústia-catapora, que faz tudo coçar por dentro.

No outro dia, comecei a pesquisar sobre nascer em casa. Em apenas um dia, li muito. Um turbilhão gigantesco de informações. No outro dia, li mais ainda. E assim seguiu. Fui a todos os encontros e consultas. Ouvi depoimentos lindos sobre o nascimento. Escutei também um relato de uma mulher decepcionada, pessimamente atendida num hospital público de Brasília porque apenas queria que o filho nascesse na hora que ele quisesse nascer. Ouvi muito mais. Com três meses de gestação, não tinha absolutamente mais nenhuma dúvida. Meu filho nasceria aqui, no seu quarto, com o cheiro da nossa casa, num ambiente afetuosamente preparado para tentar parecer o escurinho quente da morada onde viveu por nove meses. E assim aconteceu.

Mulher foi feita para parir. Homem não. Mas homem também foi feito para sentir. E o parto em casa me proporcionou isso. Eu pari junto. Eu eu Cecilia viramos um só dentro da água. É sobre isso que quero falar. Sou um homem que senti o corpo da minha mulher tremer a cada contração. Sou um homem que senti os músculos da minha mulher esticar e relaxar numa dança perfeita. Sou um homem que emprestei meu corpo para minha mulher beliscar e aliviar a dor do nascimento. Choramos muito. Ela de dor. Eu de outro tipo de dor. Parimos.

É isso. Eu não estava num baby-lounge, longe do meu filho, olhando tudo por uma televisão. Também não estava separado por um pano verde, impossibilitado de perceber o olhar do meu filho na primeira vez que viu o mundo. Eu estava ali, do lado, sentindo e vendo a natureza no seu estágio mais verdadeiro. Vendo minha mulher virar um bicho, gritando e se contorcendo para proporcionar ao nosso filho uma chegada sem nenhum tipo de intervenção. Uma chegada sem luz forte no rosto, sem mãos estranhas, sem aquela higienização terrorista de manual, sem a impessoalidade de um quarto frio com objetos que não são nossos, que não foram colocados por nós.

Desajeitado que sou, descobri que sei fazer massagem. Ah como foi bom perceber o alívio imediato quando apertava as costas de Cecília e ela mudava de som. Fiz isso por duas horas seguidas. Na verdade, posso dizer que era uma espécie de automassagem. Quando percebia que, de alguma maneira, era ator ativo do parto da minha mulher, do nosso parto, descobri que era mais do que pai. Muito mais.

Não escrevo para encorajar mulheres. Escrevo para encorajar os homens. Se puderem, passem por isso. A experiência mais incrível de toda minha vida. Francisco demorou cinco horas para nascer. Não houve nenhum tipo de intervenção. Ninguém sequer tocou em Cecília. Ele nasceu quando queria nascer. Passou dez minutos com a cabeça dentro da água. Ninguém o puxou. A natureza o empurrou quando achava que deveria empurrar. E ele saiu direto para os nossos braços. Ficamos ali por uns 20 minutos acarinhando o nosso filhote, tentando ainda entender como uma pessoa sai de dentro de outra. E foi lindo. Esperamos a placenta sair, cortamos o cordão umbilical e pronto. Cecilia se levantou, eu me levantei e fomos conversar na cama. Ficamos ali por horas, olhando o nosso filho. O melhor: na nossa casa.”

 

Tive a sorte de poder participar do parto de meus dois filhos.
Para gozar de uma licença maior, no segundo, fiz um curso de paternidade ativa ou “pai presente”. Foi lá que encontrei esse esplêndido depoimento.

Ambos os meus filhos escolheram o dia de nascer. Pude cortar os cordões após “murcharem”. Ficamos com eles o tempo todo em nosso “alojamento compartilhado” no curto período hospitalar.
Não quero criticar outras escolhas ou processos.
Apenas compartilhar… e agradecer…

por Celsão ele mesmo

figura retirada daqui

para os que desejarem fazer o curso, gratuito, o link está aqui

Já faz mais de uma semana.
E eu não poderia deixar de comentar aqui o caso.

Pra começar, eu gostaria que, independente de ter acontecido com uma mulher, negra, lésbica e de esquerda, a execução bárbara, amplamente noticiada, chocasse a todos!
Mas… dado o planejamento dos detalhes do atentado (a área do crime não possui câmeras de monitoramento), a frieza e a precisão da execução (tiros certeiros na cabeça), é difícil não relacionar ao posicionamento politico da vereadora Marielle.

Quando ouço nas manchetes, repetidamente difundidas na semana: “Polícia ainda não tem pistas dos assassinos de Marielle Franco”, me acomete a incerteza: estaria a mesma polícia, denunciada pela vereadora, investigando o crime?
Quero crer que não.
Ou melhor, é o mínimo que se espera em um caso que atingiu repercussão internacional, pronunciamento no parlamento Europeu, denúncia do Brasil por parte de cem ONGs à ONU (aqui). O mínimo é que se busque uma investigação independente, por órgão federal ou mesmo por empresa privada especializada.

Outra coisa que intriga e instiga é saber que Marielle era a relatora da comissão parlamentar que avaliava a intervenção militar carioca.
Negra, ex-favelada, defensora dos direitos humanos, como relatora de uma intervenção talvez travestida de campanha eleitoral? Perigo iminente!
É claro que mudar a relatoria do PSOL para o MDB, da esquerda para o “centrão”, beneficia os proponents da mesma, antes mesmo do relatório concluído. Beneficia o governo do Rio (em todas as esferas), beneficia o Governo Federal que quis/quer usar a intervenção para tirar o foco da corrupção e das reformas que se diz interessado…

Relembrando também que militarismo, historicamente, não combina com defesa de direitos humanos, sobretudo a negros e pobres.
Um argumento bradado nas redes sociais por aqueles que defendem tais intervenções é dizer que Marielle “defende bandidos”. Emendando um sarcástico comentário no sentido: “foi ferida pela mão que alimenta”.
Mas quem convive com a periferia das grandes cidades, sofreu na pele ou conheceu os abusos policiais recorrentes, sabe que não é simples mimimi. A truculência e o despreparo dos que “protegem” muitas vezes encontram o medo e condições paupérrimas dos “protegidos”, tornando-os “suspeitos” automaticamente.
Marielle criticava essa abordagem violenta da polícia. E destacava que a truculência havia piorado no curto período pós-intervenção…

A corrente do “bandido bom é bandido morto”, do fascismo disfarçado de opção política, difundiu algumas notícias sobre a vereadora.
Família, amigos e seguidores politicos organizaram uma página que contrapõe tais afirmações (link aqui).
Usei a página para conhecer um pouco sobre os projetos e as ideias de Marielle. Afirmo que concordo com quase tudo o que vi ali

Concluindo, é triste saber que uma “voz das minorias” por essência e experiência foi calada.
Não vou usar nenhuma hashtag #MariellePresente, #NãoFoiAssalto ou #MarielleVive.
Mas ao menos sigo revoltado, atordoado e chocado com o crime bárbaro da execução da vereadora. E espero ter passado, de alguma forma, minha revolta adiante…

por Celsão revoltado 

figuras retiradas daqui: reunião que Marielle participou antes de ser assassinada. “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, que perderam um de seus pontos de apoio.
A segunda daqui, registro do UOL da Avenida Paulista no dia seguinte ao assassinato de Marielle.

 

Começo o post explicando o título.
Ele veio de uma frase proferida por Torquato Jardim, atual Ministro da Justiça, em entrevista concedida à Folha no último dia 11.
O Ministro se refere ao Presidente Michel Temer e o imbróglio das investigações em que este está enredado.

Mas por que um cidadão, quer seja político, pedreiro, Presidente, porteiro, precisa de tratamento diferenciado?
Talvez se não estiver em pleno uso/domínio de suas faculdades mentais… Ou se possuir algum desvio psicológico, como transtorno de conduta… Ou ainda se sofrer de doença mental comprovada…
Penso que todo cidadão fora de exceções como as listadas, deva ser tratado com igualdade perante a lei. E um cidadão letrado e culto, promotor de justiça aposentado e professor, político de carreira, se inclui naturalmente nessa lista.
(não entrarei no mérito aqui do poder financeiro, sabido elemento que muda totalmente a equidade de justiça e julgamento)

Outra exceção, já gozada pelo Presidente e por outros políticos quando em mandato, é o foro privilegiado, ou “julgamento especial”, feito na última instância da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal.
E é exatamente esse foro que abriu o inquérito para apurar a alteração do decreto dos portos.
É o relator desse inquérito, Ministro Luis Roberto Barroso, que conheceu os fatos, rechaçou a declaração de resultado antecipado do ex-diretor-geral da Polícia Federal Fernando Segóvia e requereu a quebra de sigilo ainda “estudada” pelo investigado Temer.

Retomando o tema… se existe razão para que seja solicitada a quebra de sigilos bancário, telefônico, fiscal, etc., a mesma deve ser acatada.
Sobretudo se existem indícios de favorecimento a empresas, recebimento de propinas e outras falcatruas. Negar-se a fornecer os dados é, bem da verdade, aproximar-se da culpa.
Embora reconheça que algumas “áreas cinzentas” do Direito sejam complicadas, como: não poder gerar provas contra si mesmo, que o ônus da prova seja da acusação…

Daí a dizer que “o presidente merece tratamento diferenciado em comparação aos outros cidadãos em caso de corrupção” – link da notícia aqui – é blindar demasiadamente “o chefe”, ocupante de um cargo que deveria ser irrepreensível (principalmente!) nesse quesito: corrupção.
Tão inócuo e desesperado quanto, foi a declaração de outro subordinado Ministro, Carlos Marun, da Secretaria de Governo.
Ele aumentou o tom de voz para mostrar indignação, exagerou na interpretação clamando por justiça e independência de poderes, chegou até a aventar apresentar um pedido de impeachment; como se errado estivesse o Ministro Luis Roberto Barroso, do STF (aqui).
Enfim… Marun manteve o pão-e-circo midiático e o jogo emedebista. Dramático e patético.

Mas… o que será que descobriríamos nos dados bancários de Michel Temer de 2013 a 2017?
Se há receio de exposições de gastos familiares e de pequeno montante, o que será que escondem Marcela Temer e o pequeno Michelzinho?

Talvez descobramos supérfluos incompatíveis ao trinômio “bela, recatada e do lar”.
Talvez saibamos o quanto se pagou aos advogados no caso do hacker que invadiu o celular da primeira dama.
Ou talvez veremos depósitos feitos diretamente a Alexandre de Moraes, hoje Ministro do STF, mas secretário de Segurança Pública à época.
Há ainda possibilidade de encontrarmos o pagamento do suborno, mote da ação… (aqui para quem não lembra do caso)
Após a censura feita aos meios que divulgaram o conteúdo do vazamento, não me espantaria se o extrato de Temer viesse repleto de dizeres como o “informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado” da figura ao lado.

Sem precisar ampliar muito o alcance do “desconfiômetro”, talvez tenhamos operações de transferência dos/aos assessores/amigos: Rocha Loures e Coronel João Lima. Ambos suspeitos de intermediar propinas e ambos com quebra de sigilos telefônico e telemático (emails) decretado.

Me pergunto até quando teremos encontros fora de agenda oficial, quer sejam noturnos furtivos (aqui) ou nos finais de semana (aqui).
Me pergunto também se a Justiça, no sentido maiúsculo de princípio moral, prevalecerá.

Talvez só o tempo possa responder à essas inquietudes.

por Celsão correto

figura retirada daqui e do portal Transparência aqui

Na década de 80 eram os ex-combatentes.
Ouvia a conclusão do meu pai e das poucas notícias de televisão que vinculavam atentados ocorridos nos Estados Unidos com alguma causa.
A explicação era válida e aceitável. Como no filme do Rambo.
Ex-militares plausivelmente seriam marginalizados numa sociedade que buscava a paz, que condenou (supostamente) a guerra.
E… um marginalizado, sem emprego e sem ocupação, com porte de arma e pesadelos envolvendo guerra… é certamente uma das receitas para algum desvio psicológico.

Depois foi o cinema e a televisão.
Não sei se o número dos filmes violentos realmente aumentou nos anos 90. O western (popularmente bang-bang) já existia “desde sempre”.
A produção do cinema certamente ficou melhor, o “realismo” aumentou. Mas é dificílimo dizer se o número de armas aumentou.
A partir de então, ao menos pra mim, as explicações começavam a ficar sem sentido… como que forçadas.
Dizer que Charles Brownson e seu “Desejo de Matar” impeliam os cidadãos americanos para as armas e as ruas era um pouco demais pra mim. Talvez os já psicóticos…

Daí culparam os videogames.
Como se expor pessoas (jovens majoritariamente) a “realidades ampliadas”, no jogo, alterasse o discernimento de certo e errado, de realidade; fizessem com que eles acreditassem em capacidades sobre-humanas, em heróis…
Aconteceu até no Brasil. No caso do estudante de medicina que entrou num cinema armado em São Paulo. Mateus ganhou página no Wikipedia (aqui) e a explicação exagerada para o seu crime.

Os advogados de defesa tentaram, em vão, alegar insanidade mental de seu cliente e argumentar que Mateus havia sido influenciado pelo jogo “Duke Nukem 3D”, no qual há uma cena de tiroteio dentro de um cinema

De qualquer forma, também acho desproporcional culparmos jogos eletrônicos e videogames pelos atentados. Mesmo havendo estudos e casos onde o indivíduo “reproduz o jogo” em seu cérebro constantemente, não há deduções apontando para jogos específicos e nem deduzindo que o próximo passo seriam as armas.
Uma observação: eu defendo uma classificação etária dos jogos, como já existe. E uma certa censura em seu conteúdo, chegando à proibição, para casos extremos e exagerados. (por que não? Cada país pode decidir como educar seus jovens, ou o quê expor a eles)

Voltando ao tema…
Os atentados a arma nos Estados Unidos continuam ocorrendo. Talvez pelo maior alcance da mídia,
Quem será que temos que culpar agora?
Talvez os refugiados? “Estrangeiros” sem pátria que moram no país das oportunidades.
Os muçulmanos e a sua religião rígida e extremamente conservadora?
Os latinos que não se identificam inteiramente com o sonho americano e criam suas comunidades, mantendo o seu idioma?
Os negros e suas características violentas, seus problemas de comportamento?

A culpa é das armas.
Algo criado para matar não deve chegar às mãos de cidadãos de bem. Não deve se oferecer como “alternativa” para uma discussão de trânsito, para um problema entre vizinhos, para uma resposta ao bullying
E é claro pra mim que o país que mais disponibiliza armas à sua população será o país que mais terá problemas com elas.

Juntemos a isso um presidente hors concours no que diz respeito a noção e discernimento e o resultado é o que vemos: dizer que os professores e auxiliares devem estar armados em sala de aula (aqui).
Combater violência com mais violência, certamente, não terá sucesso.
Isso pensando que os professores aceitarão essa “tarefa” de defender os alunos de atentados.
Soa tão absurdo, tão irreal a proposta… Buscar aumentar as armas (colocando algumas dentro das escolas) ao invés de diminuir seu número e reprimir seu uso…

Enfim, só temo que essa “onda” armamentista mantenha-se distante daqui.
Nossos problemas com violência urbana são outros, porém presentes. E o passo dado ao armar a população pode representar uma piora considerável na segurança pública.
Que seja apenas devaneio político de quem quer se promover com essa ideia estapafúrdia.

por Celsão correto.

figura retirada daqui e daqui. Mesmo link onde estão outros infográficos interessantes sobre relações arma/população.

 

É Carnaval

Posted: February 9, 2018 in Comportamento, Outros
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“A maior festa do mundo” como é comumente chamada traz também um enorme e lamentável número de abusos.
Aqui foco em preconceitos e assédio. E não nos também conhecidos e esperados abusos de álcool, drogas e da falta de cidadania.

Um pouco tarde para que sirva de “alerta” pré-carnaval, pois o mesmo já começou com os blocos de rua e começa “oficialmente” nessa noite, compartilho uma excelente ideia do marketing da ambev (ou AB-InBev se pensarmos no grupo multinacional): eles pegaram o mote do “redondo”, símbolo da cerveja e expandiram para carnaval redondo, frases redondas, papo redondo… fazendo alusão ao “correto”.

Mas se engana quem pensa que parou nos comerciais de televisão com palavras “quadradas”  (o oposto de redondas pra eles) saindo da boca dos interlocutores, a ambev foi além e promoveu vídeos com Youtubers, promovendo a cerveja, é claro; mas promovendo um papo aberto e direto sobre rótulos, machismo, preconceito, homofobia, entre outros.
Os publiposts ou publi-vídeos, são vídeos pagos pela empresa. Contém em sua maioria a hashtag #paporedondo e podem ser buscadas no Youtube com esse termo de busca.

É tudo “um tanto” óbvio.
Eu até queria dizer que é tudo “muito” óbvio. Mas sabemos que não é redondo para todos.

O “não é não”, por exemplo, foi abordado por muitos Youtubers.
Talvez por saberem que o assédio é grave e está presente.
O pessoal do Manual do Homem Moderno começa o vídeo falando que qualquer abordagem que pareça um assalto ou arrastão, que lembre um ato criminoso, é errado. É assédio!

E tem de tudo, tem vídeo da Tia Má, negra e mulher, falando do preconceito dentro da fantasia da Negra Maluca.
É antigo, é preconceituoso e insulta.
É como se a cultura negra fosse resumida e estereotipada numa personagem de Carnaval. Que invariavelmente estará ou se fingirá de bêbada, ou de frívola.

Na mesma onda, estão outros comentários dentro das dicas da Maira Medeiros, da Hel Mother e da JoutJout.
Todos são recomendáveis, especialmente o da JoutJout. (minha preferência está mais na didática usada por ela. A ideia de DESENHAR as dicas foi excelente)
Novamente parece óbvio, mas fantasias que podem ofender culturas devem ser evitadas, mães podem curtir carnaval, as pessoas (especialmente as mulheres) devem se vestir como gostariam de se vestir, as opções sexuais devem ser respeitadas, etc…

Não esquecendo de citar o Muro Pequeno e a Lorelay Fox que exploram a temática da homofobia pela ótica própria. Algo que todos os “quadrados”, incluindo não só machistas deveriam decorar!

Não queria fazer o meu publipost, mas acabei fazendo.
Não por ter recebido algo da ambev, do blog, ou de outrem. Mas por saber que as companhias nada fazem por acaso e quase nada de boa intenção.
Aqui está claro pra mim que eles buscavam atingir a fatia da população mais jovem que se declara alheio à TV e ao rádio, meios de comunicação um tanto ultrapassados sob sua ótica. Focando em Youtubers já com seguidores e vídeos muito acessados, há a certeza de ampliação do atingimento da propaganda.

Mas… se é pra se vender, como diriam os mais radicais; por que não se vender com um propósito maior e bem construído ao fundo.
No caso, o propósito de “Carnaval melhor” ou “Brasil evoluído”, me pareceu justo o suficiente.

por Celsão correto.

P.S.: figura retirada do vídeo da JoutJout, propositalmente cortado com a caixa de Skol ao fundo.

Se quiserem ver todos os vídeos citados em sequência, acessem aqui.
Poderia baixar e publicar, mas acredito que ficaria um tanto chato…

 

Piada pronta.
Um dos eventos, ou uma das pessoas que nos faz ter vergonha do país.
A provável futura Ministra do Trabalho segue sendo o Donald Trump brasileiro: divulgações vexaminosas e bombásticas diárias, por vezes nas redes sociais, por vezes em “descobertas” feitas pela emprensa que insiste em dar-lhe palco.

A última (ou mais recente) é um video que apresento abaixo:

Já não bastasse ter os processos trabalhistas que maculam o cargo que foi pateticamente nomeada a ocupar, Cristiane grava o vídeo numa lancha, cercada por ditos empresários.

A declaração, igualmente patética (quero crer que conscientemente jocosa), ataca o brio de trabalhadores que sofrem nas mãos de patrões como ela. Ataca aos dois motoristas não registrados.
Dizer que as pessoas pedem na justiça coisas “abstratas”, quando o motivo da ação é o registro em carteira professional… Desdenhar o pleito manobrando a frase “o que pode passar na cabeça das pessoas  que entram contra a gente em ações trabalhistas?” é, bem dizer, no mínimo, anti-ético para a postulante ao ministério que defende esse direito dos trabalhadores.
Direito esse muitas vezes abnegado por medo de represálias, de “sujar a carteira” e não mais conseguir emprego. (Para quem não sabe, há meios de pesquisar junto ao órgãos públicos se um trabalhador já moveu ação trabalhista, “filtrando-o”).

Voltando ao vídeo, dizer que foi divulgação fora de contexto é ridículo!
Duvido até que tenha sido algo espontâneo do amigo… Arrisco-me a dizer que foi planejado, para criar talvez “comoção”.
O problema é que a ética da deputada é quase tão flexível quanto a noção de honra, de bem e mal, de honestidade da elite. Se todos os empresários do vídeo possuem mesmo ações trabalhistas contra suas empresas… quem será o errado ou incongruente dessa estória? Patrão ou empregado?

Mesmo que instantânea e focada na comicidade, a reação da imprensa e da população foi positiva, mostrando à deputada e à equipe de governo o disparate dessa indicação para o Ministério do Trabalho.
Porém, como nada de positivo pode-se esperar de Michel Temer e seu governo chafurdado em conchavos, e como a nossa memória tem sido curta e seletiva, creio lamentavelmente que veremos Cristiane tomar posse.

Que a vergonha transforme-se um dia em revolta!

por Celsão correto.

figura retirada daqui de um dos “escândalos midiáticos” em que se envolveu Cristiane nos últimos dias

P.S.: busquei um link para pesquisa de ações trabalhistas movidas por trabalhadores. E ei-lo para São Paulo (aqui). Descobri que não possuo qualquer ação no momento… 🙂