bandeira-do-brasil-se-derretendo_v1Eu queria que ser esquerda no Brasil não fosse condenável, não fosse sinônimo de burrice ou vagabundagem.
A esquerda daqui, ou classificando melhor, a esquerda em sua essência, quer reparação de injustiças, quer oportunidades iguais, ou seja, quer ISONOMIA! Afinal é impossível falar de meritocracia sem equiparidade de condições.
Vagabundos (disléxicos, preguiçosos, deficientes) surgem e surgirão qualquer que seja o regime de governo e qualquer que seja o partido político no poder.
Num regime justo ou de condições “iniciais” equiparadas, eles teriam as mesmas oportunidades, sem razão para os “mimimis” tão criticados. Seria lhes garantido um emprego e um salário suficiente (?) para sobreviver dignamente. E, se não houver emprego ou capacidade de exercer função produtiva, há auxílio estatal, como em outros países do mundo.
Em nosso país, de regime distorcido, um vagabundo bem nascido usará seus meios e contatos familiares para seguir exercendo sua influência e seu poder. Terá casa, carro, férias e Facebook. Mas se houver nascido pobre, passará por necessidades e sequer terá o básico para si.

Eu queria que o PT fosse a esquerda.
Que todo o sonho de ascensão do povo, dos trabalhadores ao poder fosse bem representado. Não somente com aumento real de renda e diminuição da desigualdade social (que inegavelmente ocorreu), mas que as reformas tão pleiteadas e necessárias também fossem realizadas: tributária, política, midiática, agrária…
Como seria bom se o discurso do PSOL de hoje, vide Luciana Genro nas eleições de 2014, pudesse ser implementado. Do povo e para o povo!

Eu queria que o sistema político brasileiro fosse diferente. Fosse outro.
Queria que não houvessem conchavos, que os partidos e políticos avaliassem as leis propostas independente de um “comando geral”, ligado a diretórios e interesses espúrios. Que não houvesse troca de cargos por favores em votações… Ou que o poder do legislativo não fosse tão vasto.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, criticou nessa semana o sistema político na revista Isto É (aqui). Eu admirava bastante o FHC. A clareza em expor ideias, a fluência em idiomas, o período de transição de Ministro a Presidente e o plano Real.
Mas ele foi o presidente que mais “se afundou” em conchavos, em minha curta experiência de observação política. E o fez exatamente para que a reeleição fosse aprovada e para que tivesse o seu segundo mandato! Assunto que o desagrada atualmente…
Voltando ao parágrafo anterior, se o PT não tivesse “se rendido” ao PMDB e outras alianças ainda piores, talvez não tivesse um governo longo, talvez não tivesse “surfado” na onda de popularidade, mas seria ideologicamente elogiável.

Eu queria que o país não fosse intrinsecamente corrupto.
Que ao realizar um boletim de ocorrência em uma delegacia, eu não precisasse ouvir da própria delegada que fui tolo ao entregar a minha licença de conduzir ao órgão competente, para uma punição de três meses, após atingir um limite de pontos determinado por lei. A delegada em questão disse que não o faria e que aconselha amigos e familiares para que não o façam…
Queria que criticássemos a corrupção olhando para nós mesmos, sem hipocrisia. E que a palavra ‘corrupção’ fosse classificada como palavrão, ideia já publicada aqui no blog no final de 2013 como desejo para 2014.

Eu queria que os partidos políticos envolvidos com corrupção fossem extintos! Que fossem dissolvidos.
E que os futuros partidos a se formar tivessem de se adaptar a “correntes políticas”, já que o meu sonho dos cinco ou seis partidos é utópico demais no Brasil (aqui).

E eu queria que não fossemos tão egoístas e preconceituosos. E que aceitássemos gays, mulheres, negros e pobres na sociedade que vivemos, nos mesmos lugares ou em posições de liderança e poder.
Pense! Realmente aceitaríamos essas minorias em todos os lugares que eles podem ocupar?
Aceitaríamos eles nos mesmos restaurantes, no açougue e no mercado? Como colegas de trabalho ou como chefes… síndico do prédio, diretor da escola do filho…
No barzinho, também com um chinelo havaianas, mas talvez como o único calçado, aceitaríamos que um morador de rua comesse ao nosso lado?

Voltando ao PT, eu queria que a opção para 2014 não fosse a Dilma. Ou que ela fosse uma política nata, boa de retórica e de convencimento. Que ela fosse uma estadista como a Merkel ou pudesse unificar o Congresso o suficiente para conseguir governar.
Queria que a esquerda tivesse se desenvolvido aceleradamente e se apresentasse com um quadro político e técnico suficiente para compor pastas e secretarias.

Eu queria que, também, o apoio no Congresso não fosse tão importante para a governabilidade.
Pois afinal, não foram somente os discursos atrapalhados e as conclusões confusas que afastaram a presidente do povo e das graças da Grande Mídia. A falta de apoio legislativo, a ausência de “tato” fez ruir a apertada diferença de votos obtida nas eleições de 2014.
Criamos a jurisprudência de afastar qualquer presidente sem apoio majoritário do Congresso. Tão grave quanto danoso à nossa jovem democracia.

Eu queria que o afastamento, se tivesse de ocorrer, fosse por um crime inegável e irrefutável. De dolo provado. Por exemplo, pela utilização de recurso proveniente de corrupção para financiamento de campanha. (acusação ainda em trâmite, no TSE, levantada pelo derrotado PSDB de Aécio Neves)
Nesse caso não teríamos Temer, talvez sequer PMDB no cargo mais alto do Executivo da Nação.
Teríamos uma nova eleição, de resultados pouco previsíveis…
Voltando ao ponto do apoio do Congresso, o crime perpetrado, das pedaladas, nunca seria sequer investigado se a presidente ainda gozasse de apoio no Legislativo. Se ainda tivesse os mesmos aliados do primeiro mandato.

Eu queria também que as revistas mais lidas do Brasil, os programas de TV mais vistos, os sites mais acessados não pertencessem a grandes grupos, de grandes famílias, representando oligarquias históricas. Meios sem escrúpulos que guiam suas matérias e coberturas meramente pelo interesse, que comandam os golpes suaves, que se alinham a movimentos internacionais de controle…

Concluindo, usarei a chance para migrar para os recentes acontecimentos políticos.
Eu queria que todos avaliassem a seguinte hipótese: se o PT fosse direita, se não houvesse corrupção, se Dilma fosse homem e se Lula fosse um burguês paulista e bem nascido, da família Frias ou Marinho?
Não quero defender ninguém de modo unilateral. Nos desejos para 2015 também publicado aqui, eu já defendia “cortar na carne” quando houvesse desvio de conduta e/ou de comportamento.
Eu queria que esquecêssemos a frase do “ele também fez” e passássemos a uma nova fase, de oposição atuante e apoio consciente à boas ideias.

Eu queria que todos os culpados fossem presos (e que sejam!). Ou ao menos condenados ao ostracismo político (que, creio, seria igualmente dolorido).
Deixemo-los filiados e militantes, mas os proibamos de ocupar cargos, de exercer poder. Se o interesse for realmente ideológico e puramente político, a militância seguirá e o trabalho pode ser bem útil, no sentido de despertar interesse em outras pessoas.

E, finalmente, eu queria que a esquerda ressurgisse já em 2018, como alternativa sempre necessária ao status quo capitalista e segregacionista.

por Celsão revoltado

figura: montagem do contorno do mapa do Brasil com figura retirada do Pinterest aqui

Portas Fechadas

Posted: September 5, 2016 in Sociedade
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Porta-fechadaJosé saiu de casa muito cedo.

Mulher e três filhos ainda dormiam nos dois cômodos que fez nos fundos da casa de sua sogra. Sem tempo e zelo para o café ralo e puro, caminhou apresado rumo ao ponto da única linha de coletivos que serve sua comunidade. O bruto veio atrasado, lotado e mal cuidado, tarifado pela ida e pela volta por meio dia de serviço que José nem tem.

Horas intermináveis com fumaça e buraco, pigarros e bocejos. Parecia uma coreografia mal ensaiada com bailarinos como  ele.

Fim do primeiro trecho, numa Central do Brasil muito longe de ser holywoodiana. José entre centenas, milhares talvez de outros josés, manés e bonés. As portas fechadas por preocupação, o dia começando lá fora e a cidade descobrindo seus sons e sonhos urbanos. Camelôs e prostitutas, menores abandonados, ladrões e trabalhadores, todos em um mesmo fundo de tela. Vários josés, centenas de marias, outros tantos anônimos, disputando uma corrida sem chegada, sem podium, sem nada.

José confere o recorte de jornal: “Temos vagas”. Sonha novamente, pensa na mulher, nos filhos, na cachaça e no farto almoço. Na marmita, nada de novo. Mais lotação, mais condução, mais confusão. De novo lotado, de novo mais caro, José sacudindo rumo ao endereço recortado, mal cortado. No ônibus, um grito, um susto, um assalto, um beijo, um pastor e duas putas. Um motorista rude, um cobrador sem alma, um ponto final longe da calçada. Desce José com o papelzinho na mão e uma esperança na cabeça. Fosse ele um cineasta do cinema novo, faria um daqueles filmes que não são compreendidos.

Desembola o papel e confirma o endereço. “Há Vagas”. José sorri, mas nem percebe.  Tempo não tem, mas lhe deram. Porta fechada. Reabre depois, quando o chefe quiser. José vê a obra, José olha as horas, caminha na calçada pro tempo passar, mas a fome não passa.

Espera na banca, lendo manchetes com outros josés, algumas marias: Palestinos  e atentados,  Congo e campos da morte, Argentina e desespero, preços sobem com o dólar, demissão de metalúrgicos, assassinatos de sem-terra, mandantes absolvidos, hipocrisia e Bolsonaro, Wack e Hulk, corrupção  e impunidade, crime organizado e polícia desorganizada, seca malvada, chuvas ingratas, padres pedófilos e comunistas ungidos, políticos canalhas, descuido e descaso, maracutaias e deputados, besteiras e mulheres peladas.

Os sons da rua, uma rua do Centro, ambulância e pedintes, freadas e discussão, vitrines e ofertas, estudantes e secretárias, gravatas e apertos. José confere a porta fechada, fila de dez, 12 talvez. Mais uma vez, a porta fechada se abre pro aviso – “ficha só depois do almoço! – procurem o dotô!”, que vai ver, nem formou, mas é doutor. José ganhou tempo sem pedir, pensa na mulher, pensa nos meninos, dois na escola sem professor, um com a avó. A mulher na lida, na luta, faxinando o sustento em casas vizinhas. Lembrou-se da promessa: “Só volto empregado!” Perdeu meio dia, mas não a marmita. Almoça sentado, é abordado por um PM fardado, os documentos mostrados, a dúvida, o esculacho, o desrespeito, a vergonha e a porta fechada.

José pensa no bairro, na rua, na vila. Lembra do barro, do mato, dos ratos. Imagina ambulância, hospital, doutor, vacina, saneamento, escola, condução, jornal, prefeito e polícia no seu bairro distante, feudo de traficante. Ri sozinho do dengo, do Mengo e da vida. Vasculha a memória, se lembra  de um sorriso que deu na infância, doce lembrança no sal da avenida cinzenta que mantém  portas fechadas.

Porta aberta, José se assanha, se apressa e se apresenta pro mestre de obras que tem  emprego e afilhado, José chegou tarde. Porta fechada. Mais uma na cara. José desde cedo na rua, procurando trabalho, não quer ser bandido, não quer sem mendigo, não quer ver seus filhos chorando ou no crime, quer trabalho e cidadania, quer respeito e cafuné na nuca. José chora pra dentro, soluça escondido.

Seis da tarde, hora de ir embora, gente com pressa andando ligeiro, esse é o Rio de Janeiro. Na volta pra casa, o pensamento distante, a promessa quebrada, um guarda safado, um bandido estirado, dois ônibus lotados, os últimos trocados,  o santo xingado, sua rua esburacada, sem poste, sem ambulância, sem segurança, um cachorro enjoado lhe morde o calçado, José chuta o bicho pro lado. Nesse instante surge a vizinha: “Não chuta o cachorro, José, violência não!”

José nem responde. Não tem nem por onde.

Em casa, outra porta fechada.

por Raul Filho

figura retirada daqui

static1.squarespace.comGostaria de usar esse post para divulgar uma mensagem que muito me espantou.
(uns podem dizer que é uma fuga dos temas políticos da semana. Na realidade, quero “digerir” os acontecimentos e fugir dos memes e das conclusões já conhecidas e alarmadas outrora)

Voltando ao tema…
A prefeitura de São Paulo aceitou uma petição criada na página Change.org (aqui a petição e aqui a vitória comemorada no Facebook).
A tal petição pedia para que as bandeiras do orgulho LGBT permanecessem na praça, no caso, no Largo do Arouche, mesmo depois do dia do Orgulho LGBT. E o local já representa na cidade um símbolo de luta contra a homofobia.

Pra quem não conhece São Paulo, pode desmerecer esta vitória. Mas a nossa “megalópole” apresenta múltiplas variações de personagens e personalidades.
Há resistência de todas as minorias; sim, é verdade. E há organização por parte dessas, com pleitos, celebrações e ganhos marginais.
Mas há muito, mas muuuito preconceito (perdão pelo exagero disfarçado de neologismo). Sem mencionar a arrogância.
O preconceito era outrora estampado em célebres gazetas, como o “Notícias Populares”. E ainda segue sua sina em todo rincão ou esquina da cidade. Todo paulistano ou cidadão brasileiro que aqui vive tem a sua opinião distorcida, o seu “quê” problemático e discriminatório. Mas sempre com aquela frase distorcida…
“Nada tenho contra negros, mas…”
“Eu até entendo o problema dos usuários de drogas, na ‘Crackolândia’, só que…”
“O cunhado do meu genro é gay. Eu os aceito, porém…”

Nem é preciso citar exemplos, pois são inúmeros e recorrentes.
De gays agredidos e espancados ao caminhar na rua e em casas de show, a mulheres abusadas moral ou fisicamente todos os dias.

Achei importante a posição tomada pelo prefeito. Acho que este governo Haddad (que já critiquei e elogiei aqui no blog) primou por ouvir, por fazer valer as opiniões e, sobretudo, as diferenças.
Creio honestamente que precisamos, primeiro como cidadãos, “fincar bandeiras” contra as discriminações diversas que sofremos e/ou observamos. Educarmos os mais jovens para que não as pratiquem e reprimirmos os mais velhos para que não as repitam.
E como cidade, como um órgão público e vivo, que seja o princípio da obtenção do pleno direito de ir e vir. Aqui não importando gênero, credo, opção sexual, cor da pele ou condição social. Que sejamos exemplo em algo maior, mais importante e mais amplo que PIB, IDH e desenvolvimento industrial.

por Celsão correto

figura retirada do próprio Facebook do Change.org.

P.S.: da mesma forma que no Avaaz, na página do Change.org é possível iniciar uma petição ou abaixo-assinado a favor ou contra algo. É possível começar a mudança. Pra quem não conhece, sugiro entrar na página e observar o que eles têm feito. No Brasil e no exterior!

 

Post_9mesesNove meses. Reta final.
Dessa vez não é um bebê que vem ao mundo, mas uma presidente eleita que deve ser permanentemente afastada, sofrerá o quase certo impeachment.

Hoje pensei em exercitar a memória e me perguntar o que aconteceu no período.

Primeiro o processo foi iniciado pelo então (e provavelmente futuro) presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, exercendo o poder a ele concedido.
O senhor Cunha não precisa de apresentações. Procrastina o próprio processo de cassação há um bom tempo e articulou sabiamente até aqui para que o mesmo acabe em pizza.
Se alguém não mais acompanha, o atual presidente, Rodrigo Maia, marcou para 12 de Setembro a seção de votação do processo de cassação de Cunha. A data é propositalmente uma segunda-feira, historicamente sem grande movimento na casa, e o mais próximo possível da data das eleições municipais deste ano. Sem quórum, sem cassação.
Sem contar que ocorrerá depois da definição sobre Dilma, aumentando as chances do perdão ao peemedebista.
Além disso, não esqueçamos, que o pedido de impeachment de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal é de Setembro de 2015! Mais precisamente, 01/09/2015. E só foi aceito pelo ilustríssimo Eduardo Cunha em Dezembro (!) após a bancada do PT votar a favor da cassação de Cunha no Conselho de Ética.
Ou seja, tudo começou por birra e pelo fato de deputados do PT buscarem algo de ética no legislativo!
(referências aqui sobre o pedido de impeachment e aqui sobre o início do processo)

Depois vieram as reuniões e promessas da oposição (não querendo simplificar nem classificar aqui como direita).
Foi um período de discussões ácidas e acusações mútuas em redes sociais. Julgamentos. Dicotomia. Ou se era coxinha, ou petralha. Um lado precisava ser escolhido, como o sexo com que se nasce…
Foi o período também que as palavras golpe e democracia foram usadas pelos “dois lados” com interpretações e maquinações diversas.
Destaco que o lado coxinha, “apelou” de modo confuso e unilateral para o fim da corrupção, para a retomada do crescimento, da confiança dos empresários, do fim da crise.
O lado petralha acusava a oposição de fazer (e haver feito) o mesmo “crime”, das tais pedaladas fiscais.
Escrevemos sobre isso algumas vezes, destaco uma interpretação de americanos que estudam o Brasil e os chamados “golpes suaves”, aqui.

E, complementando, o período também foi de Lava Jato. De furor, de heroísmo do poder Judiciário, que vivia uma ganância por aparecer. Uma “ambição de vitrine” no ícone Sérgio Moro.
Este personagem dantesco, vivia um período de absolutismo. Deteu, coagiu, forçou delações premiadas. Aqui, o interessante foram as críticas de juristas e juízes aos seus métodos. E a comparação à uma operação semelhante ocorrida na Itália.
Naquele país, o juiz que condenou políticos e empresários, entrou para a política.
Aqui, o nosso herói deixava escapar sorrisos ao ser aclamado nas ruas e ao receber convites para filiações partidárias.
Os crimes também foram relativizados. Uma escuta clandestina pôde valer para um, mas não para outro. Uma acusação em delação, idem. A mídia execrou quem ela quis, apoiando a oposição e direcionando o brasileiro mediano a aceitar os caminhos que estavam em curso…
Um exemplo do que ocorreu, quando Jucá assume em gravação que participou da manipulação para o impeachment, pode ser lido aqui. Um exemplo dos contrapontos jurídicos do herói Moro pode ser lido aqui.

Temer assume.
Glória a Deus nas alturas! Nesse caso quase que literalmente, pois nosso interino se declarou católico e simpatizante dos evangélicos nas redes sociais. Além disso, fez aparecer que sua esposa, apesar de muito mais nova que ele, era “bela, recatada e do lar”. Segundo uma tal revista, apoiadora de todo o movimento (aqui).
A imagem estava em plena construção.

Ministros nomeados. Patética demonstração de rabo preso e desconstrução do passado recente.
Se toda a mudança é positiva, não é tudo o que se precisa mudar…
Muitos condenados na lista, nenhuma minoria: negro, mulher. Cortes de pastas em setores “pouco importantes”, como a Cultura (totalmente desinteressante quando se quer manipular) e a reforma agrária (afinal, quem quer terra é pobre aproveitador. Um pobre correto busca outro trabalho!)
A confusão se instaura quando muitas das decisões são revogadas e ministros afastados (como o próprio Jucá, citado em link acima). Nós publicamos a nossa análise do ministério, vindo de outra fonte, aqui.

E agora estamos aqui.
A Operação Lava-Jato, ícone para muitos do “combate à corrupção” caminha a passos de tartaruga. Como que se já tivesse cumprido a função pré-determinada…
A tal redução de gastos virou chacota. Um dos maiores aumentos de salários do STF e poder judiciário está em curso. Aumento, lembremos, vetado por Dilma no ano passado e adiado por Meirelles no momento da posse (para não correr o risco de causar problemas e revoltas no princípio da “retomada”).
Tal aumento, certamente desencadeará outros tantos. Pois os outros poderes terão prerrogativas de equiparação.
E o rombo, que seria de R$139 bilhões, pode passar facilmente dos 200!
E, ao meu ver, isso não preocupa o presidente interino, nem a sua equipe. Parodiando Ciro Gomes: “Cobrar austeridade de Temer é esperar maracujá em pé de maçã” (aqui)

Ainda espero a mágica do fim da corrupção, do fim da crise, do crescimento industrial, do Brasil rico!
Pois a mágica do Brasil igualitário, essa está cada dia mais distante…
Enquanto esperamos, vemos coisas como o plano de demissões voluntárias da Embraer. Numa economia em plena recuperação…

por Celsão revoltado

figura: composição entre figuras retiradas daqui e daqui

 

wersm-facebook-like-gating-657x360Pessoal, bom dia.

Devidos a diversos fatores, os quais alguns de vocês já conhecem por terem uma relação de amizade mais próxima e íntima comigo, irei desativar minha conta de Facebook por tempo indeterminado.

Não quero aqui descrever os motivos, pois eles são muitos e meus. Mas obviamente, não é preciso eu mencionar que um destes motivos é a minha frustração com os caminhos político-sociais escolhidos por uma grande parcela da sociedade brasileira, incluindo-se nesse grupo a grande maioria dos meus conhecidos de longa data, gente que rodeou minha vida desde de meu nascimento, por pertencermos ao mesmo extrato social. Esses caminhos escolhidos por estas pessoas, legitimaram e culminaram na concretização de uma série de aberrações práticas da política brasileira.

Sempre tentei deixar claro que minha luta ideológica não é por mim, mas sim pelos outros. Afinal, se alguém vê interesse pessoal meu quando eu defende os direitos de negros, pobres, mulheres, homossexuais, umbandistas, muçulmanos, obesos, índios; ou dos palestinos, iraquianos, nigerianos, é porque realmente a pessoa não me conhece ou está delirando. Eu sou um homem, brasileiro, branco, hétero, de classe média alta, agnóstico (mas criado numa família católica), magro… simplesmente, não faz sentido eu agir e lutar por interesse pessoal.

Batalhei muito nos últimos anos para evoluir em caráter e espiritualmente. Esforcei-me de forma descomunal (a maior parte de meu tempo livre dedicado a estudos, busca de informação e busca por debates construtivos, o que significa, 1h a 4h diárias, todos os dias, há anos) para, mesmo sendo um engenheiro da área técnica, me tornar uma pessoa bem informada, atenta às mais complexas e diferentes “verdades” sobre o mundo. Informei-me e formei-me, e compartilhei o conhecimento adquirido com o sonho de trazer um pouco de luz nesta escuridão da alienação, individualismo e irracionalidade que assola a sociedade brasileira. Não que eu seja o dono da verdade, mas me esforcei para estar acima da média do conhecimento da massa, e me aproximar mais das possíveis verdades, o que faz, matematicamente, a minha chance de acerto ser bem maior que a chance de acerto de quem se encontra no “senso comum” (a grande massa), os mal informados, ou alienados pela grande mídia.

Tudo isso foi SEMPRE feito por sonhar com uma sociedade mais igualitária, uma sociedade mais respeitosa com as diferenças culturais, anatômicas e vontades alheias, uma sociedade mais consciente e preocupada com o meio ambiente, uma sociedade menos individualista e mais coletiva, uma sociedade menos hipócrita, uma sociedade menos refém dos meios de comunicação e de um sistema educacional deteriorado.
Sempre sonhando…..

E continuo sonhando.

Mas o momento que vivemos, de ascensão da intolerância, intensificação da alienação/manipulação, avanço do ódio e do fascismo, causa-me uma frustração indescritível. Sinto-me preso dentro de um quarto com “vidro falso”, onde quem tá dentro vê o que está fora, mas quem está fora não vê o que está dentro, e esta sala ainda é acusticamente isolada. Eu lá de dentro, vejo as pessoas lá fora sendo comandadas por cordas de fantoche e sendo guiadas para o caldeirão fervente. Eu tento gritar, esmurro o vidro, me desespero, quebro meus bracos, estouro minhas cordas vocais, tentando ser ouvido… mas sem efeito. E no fim, ainda tenho que assistir um por um, desde as pessoas desconhecidas, até aquelas que mais amo, deixarem-se serem atiradas dentro do caldeirão fervente.
Essa dor é uma das mais doídas que já senti.

Isso não é só pelo Impeachment de Dilma, mas sim pela vista grossa e teimosia em não aceitar que o atual governo interino está desmontando o Brasil, e se ficar 2 anos em vigor, nos retrocederá aos fins da década de 80, quando cessado o período militar, ou talvez pior, pois teremos as áreas estratégicas de nossa economia entregue aos corvos gringos. O desmonte social pode ser recuperado no futuro, em algumas décadas de governos razoavelmente honestos e nacionalistas. Mas o desmonte econômico, esse pode durar séculos para ser recuperado, ou talvez, nunca mais…..

….

A maioria que me conhece superficialmente me chama com frequência de “extremamente racional”, e às vezes até de frio e insensível.
Minha mãe, já me disse que sou 100% sensibilidade e emoção.
Alguns dos meus melhores amigos dizem que sou os dois, 100% razão, 100% emoção, afinal, emoção e razão não são conceitos antagônicos.

O fato é que, com a sensibilidade que tenho, está FODA ver “vocês” cavando suas próprias covas. E o Brasil é só uma ilha do arquipélago. Vejam o que ocorre no mundo! Se não sabem do que estou falando, deem uma lida no “meu” blog para verem as questões que mais me incomodam (e ao Celso) mundo afora.

Além de desativar meu Facebook por tempo indeterminado, também entreguei a administração completa do blog Opiniões em Sintonia Pirata https://www.facebook.com/OpinioesEmSintoniaPirata/?fref=ts ao Celsão. Vez ou outra, se calhar, poderei escrever algo para o blog, mas inicialmente tanto a administração quanto a produção literária do blog está concentrada nas mãos do Celsão.
Espero que meus amigos continuem lendo o excelente e admirável trabalho do Celso, pois eu estarei atento a tudo que ele escreve, afinal, é uma de minhas melhores fontes de informação.

Também já avisei à direção do Jornal Gazeta Regional de Ubá, que não pretendo mais colaborar com minha coluna “Do mundo para Ubá: sem meias palavras”.

Peco perdão e a compreensão, dos leitores do blog e do Jornal.

Abraços fraternos a todos, e os meus mais sinceros desejos de um despertar crítico e de evolução espiritual.

por Miguelito “ele mesmo” – licença poética e paródia a Fernando Pessoa feita por Celsão

 

Post_RafaelaTodos a querem. Agora.
Todas querem estar ao seu lado e mostrar-se parte da conquista.
A direita fala do militarismo, do esforço próprio, da não necessidade de cotas nem de patrocínio público…
A esquerda fala sobre as críticas ácidas feitas na Olimpíada anterior e sobre o estereótipo negra-mulher-suburbana tão odiado pela elite nacional.

É fato que muitas medalhas conquistadas em jogos olímpicos e pan americanos são conquistados por atletas militares. E isso desde o começo do século XX, quando as medalhas vinham exclusivamente das competições de tiro.
Independente do grau de sucateamento, a estrutura militar oferece tempo e disciplina, itens raramente exibidos em clubes nacionais e programas de financiamento ao esporte.
Então…  é (sempre) esperado que algum atleta do exército ou marinha seja laureado com o pódio e, também, por que não, com o hino.

Outro fato, inegável, mas talvez de mais complexa compreensão, é a exceção de uma medalha para atletas brasileiros.
Uma Rafaela, um Diogo Silva, um João do Pulo, um Claudinei Quirino no revezamento do atletismo são exceções.
Até mesmo atletas com melhores condições sociais, como César Cielo e Flávio Canto são exceções.
Não há estrutura para atletas profissionais. Sobretudo longe de modalidades como futebol e vôlei (esse nos últimos vinte anos). E mesmo que haja um patrocínio, aderido a ele há sempre uma ameaça de cancelamento, um atraso de pagamento, um prejuízo emocional dificilmente calculável…
E, pior ainda, se não há estrutura para o atleta de hoje, tampouco há futuro para ex-atletas profissionais!

Voltando ao cerne da questão, afirmar que Rafaela ganhou sem cotas e sem feminismo é ignorar o país onde vivemos. Que não gosta de mulher, de negros, de pobres.
E que não tolera fracassos, sobretudo de mulheres, negros e pobres.
A bolsa-atleta é um benefício que não pode ser concedido a todos. E Rafaela a possui.
É parte de um assistencialismo necessário quando a sociedade não oferece as mesmas “condições iniciais” a estudantes, profissionais e atletas. Quando não há ISONOMIA.
Sem isonomia e sem auxílio para se chegar em condições semelhantes a outros atletas no mundo, não há como mensurar deste atleta a MERITOCRACIA, palavra tão adorada pela elite que não percebe o ambiente, as cercanias em que se encontra o nosso Brasil.

O mérito existe. Não há dúvida.
É da Rafaela. É da equipe dela. É da marinha que a treinou. É do governo petista que a ajudou.

Ela venceu. Mas venceu hoje!
O resto da vida terá de aturar comentários machistas, sofrer assédios indesejados, enfrentar discriminação nos mais diversos locais, como em restaurantes, responder questionamentos obtusos sobre as favelas do Rio e a Cidade de Deus…

Coisas que o Faustão e o Luciano Huck de hoje, da festa pós-olímpica, não farão surgir novos patrocínios no amanhã.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: como citei João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, ex-recordista mundial e medalhista olímpico do salto triplo, coloco também o link da Wikipedia do ex-atleta (aqui). João foi exceção em seu tempo e virou a triste regra da falta de oportunidades na carreira de atleta: teve depressão e sofreu com alcoolismo, morrendo solitário e com problemas financeiros.

O palco é a Alemanha. Uma cidade de médio porte, com pouco mais de cem mil habitantes.

Deitado num ponto de ônibus, estava um senhor grisalho, gritando por ajuda. Pessoas passavam e o ignoravam, algumas iam além e riam dele, insultando-o e descarregando algumas de suas frustrações.

Chegando perto pude perceber que o senhor pedia por uma ambulância, na realidade por um médico de emergência (Notarzt), ele gritava.
Foi chegando perto que percebi que ele exalava álcool, havia urinado nas próprias calças e que a pequena cadeira-andador que ele utilizava continha várias garrafas de cerveja terminadas.
Ele explicou, bastante consciente: “Sei que estou bêbado, mas preciso de uma ambulância. Não consigo tirar meu braço do banco”

Outros jovens passaram por mim e me disseram para que não me importasse. Que o bêbado era um velho conhecido daquele ponto, onde sempre dormia.
Quase fui embora, mas algo me fez voltar. Ele continuava gritando por socorro! E não falando palavras desconexas nem xingando ou praguejando, como muitos fazem nessa condição.
Perguntei para alguns taxistas parados nas imediações, que assistiam à cena, o número da ambulância. Se recusaram a informar: “Pra ele? Ele não precisa!”

Voltei ao ponto e pedi ao homem paciência.
Fui até outro ponto de ônibus e expliquei para um homem que eu era estrangeiro e não conhecia o número de emergência, mas que queria auxiliar o bêbado que pedia por auxílio.
O desconhecido me acompanhou, tentamos ambos levantar o senhor e tirar o seu braço preso entre o bando e o vidro do ponto de ônibus, chamamos a emergência, que fez as perguntas de praxe e insistiu para que tentássemos por nós mesmos tirar o homem daquela posição.
Depois de alguma insistência, conseguimos!

E daí foi incrível a sensação!
A expressão de agradecimento em meio a dor, enquanto mexia o braço que provavelmente formigava.
A alegria do companheiro de empreitada, ao desligar o telefone informando que não precisaríamos de ambulância.
E as lágrimas daquele senhor bêbado, que juntou as mãos em agradecimento, enquanto insistíamos que não era necessário…

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humanos_inumanosPor que não tratamos seres humanos como tal?
Por que a aparência conta tanto aos nossos olhos e a nosso julgamento?

Ter preconceito contra bêbados é algo plausível. Cada um tem uma ou mais histórias que podem levar a odiar bebidas alcoólicas e, de tabela, aos que fazem uso abusivo delas.
Mas discriminação é algo que podemos controlar. E… ignorar o modo como interpretamos os seres humanos por serem bêbados inveterados, nordestinos, negros, gordos, mulheres, deficientes, asilados… é algo prejudicial a toda a sociedade!

Existem inúmeros vídeos no Youtube com o título “O que você faria?”. O próprio Fantástico da TV Globo investiu nesse formato algum tempo atrás.
Os vídeos tratam de temas como violência contra idosos, preconceito, bullying…
O vídeo que quero chamar a atenção foi publicado pela UNICEF. E correlaciona a complicada relação entre aparência, roupas e penteado, por exemplo, com a qualidade ou “classificação” da pessoa. E, no caso, da criança.
O vídeo está abaixo.


Por que o exterior faz tanta diferença?
Acredito ser impossível numa primeira olhadela ou primeiro julgamento não correlacionar aspecto geral de trajes e limpeza com perigo iminente de assalto, por exemplo. (não sejamos hipócritas)
Mas daí a ignorar pedidos de socorro ou empurrar uma criança que se parecia estar perdida e assustada… há uma grande diferença.

Cito o diretor geral da UNICEF, Anthony Lake, no prefácio de um relatório que aponta que 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030…

Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: as vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples fato de terem nascido num determinado país, comunidade, gênero ou circunstância

É a velha e interminável discussão do TER e SER.
Verbos independentes que insistimos em manter juntos. Ao menos para muitos, lamentavelmente, só se É, quando se TEM.

por Celsão correto.

figura retirada daqui, retirada certamente do próprio vídeo. Direto no Youtube, caso o vídeo aqui inserido não funcione, assista aqui

P.S.: detalhes dobre o relatório da UNICEF citado podem ser lidos aqui. O relatório em si também pode ser baixado.

pokemonFoi lançado ontem um dos apps ou jogos mais aguardados dos últimos tempos: o Pokemon Go.
Sucesso dos anos 90, a criação japonesa (de Pocket Monster) virou desenho, quadrinhos, jogo de cartas e muitos filmes. E, com isso, surgiram muitos aficionados. Gente viciada mesmo.
E… talvez por eles… talvez puxada pela geração que não interage, que prefere celulares a conversas… o jogo chega no Brasil com a triste promessa de tornar febre em poucos dias.

Pra quem nunca viu, vídeos no Youtube podem ajudar a compreender melhor o problema.
A reportagem da Folha de ontem (aqui) tem um vídeo com pessoas que estavam buscando os monstrinhos na Paulista uma hora após o lançamento, ou desbloqueio do jogo.
Explicando rapidamente, o jogo usa a câmera do celular e a realidade aumentada projetando os bichinhos (ou monstrinhos) nas ruas, calçadas, lojas, monumentos… em todos os lugares.
E já são incontáveis o número de acidentes relatados, de pessoas que se distraem com o aplicativo e terminam caindo na rua, sendo atropeladas, de roubos que ocorrem por distração… enfim, por toda a distração vinda deste “transporte virtual” para algum lugar.

A minha primeira reação foi de preocupação.
Por aqui, é fácil ver que ninguém larga o celular. Em ônibus e metrôs são poucos os que não ficam com os olhos grudados na telinha.
Dirigindo no trânsito também são corriqueiros os flagrantes de motoristas que teclam, falam e postam. WhatsApp e Facebook eram os preferidos. Mas sempre as novidades são bem vindas e exploradas.
E a preocupação virou medo. Depois que vi algumas reações de ontem, dia do lançamento oficial, entre eles o vídeo da notícia da Folha. Juntei a isso alguns avisos de amigos com filhos adolescentes, que já compartilham monstros e locais onde os encontraram entre eles…

unnamedMas depois, refletindo em minha condição de velho, chato e não contemporâneo à febre do desenho, acho que o jogo pode trazer alguns “bons resultados”.
Afinal, Charles Darwin sempre pregou que a evolução também ocorre por seleção genética.
E, pode ser que esse “Pokemon Go” seja a chave para uma evolução massiva, eliminando os genes dos “tontos” que se auto-eliminarão caçando os tais bichinhos.
Certeza que teremos entre os próximos premiados do Darwin Awards alguns jogadores de Pokemon Go. O site premia a ignorância de pessoas como o nosso padre Adelir Antônio (aqui), que em 2008 tentou um recorde mundial, mas preferiu que Deus o conduzisse ao invés de aprender a usar ou carregar os manuais do GPS que levava…

Enfim… veremos o que acontecerá com os nossos jovens, seus celulares e os monstrinhos espalhados por aí.

por Celsão irônico

figura retirada daqui e de imagens passadas pelo leitor e amigo Miguel Lopes.

P.S.: pra quem quer saber sobre os acidentes ocorridos no mundo aos jogadores de Pokemon Go (aqui e aqui) – sites em Inglês.

P.S.2: aqui uma notícia de um seguro de acidentes aos jogadores de Pokemon Go, oferecido por um banco russo 

P.S.3: peguei os links da página oficial no Brasil (aqui) e do Facebook oficial (aqui), caso alguém queira

POSTNosso atual ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, voltou a manipular os seus comparsas, digo, colegas do Legislativo. E foi criativo! A ameaça foi apresentada como uma propaganda dos anos 80.
A propaganda em questão, da vodka Orloff, mostrava os personagens num futuro próximo, após decisões equivocadas e as advertia sobre a melhor decisão.

Será que ele nunca vai parar?
Não bastasse atrasar ao máximo o seu processo de cassação, a relatoria do mesmo, as reuniões da Comissão de Constituição e Justiça, colocar a trupe (ou gangue) de apoiadores em diversos comitês e reuniões pedindo a palavra…
Agora a ameaça foi direta! Ele falou diretamente que: “se me cassarem, também serão cassados. Nenhum sobreviverá nessa casa!”

A matéria do UOL, que também contém vídeos confessando a ameaça do Cunha (aqui), coloca nas palavras dele próprio um número de 117 deputados investigados.
117 parlamentares! Mais que 20% do total!

E me veio uma conversa na mente, papo daqueles contado num “pós almoço”, que tive logo após a delação que citou Michel Temer.
Entre argumentos de que todos os citados deveriam ser afastados, independentemente do cargo, poder, referências políticas ou dependência… o colega disse que não deveríamos sequer investigar o presidente interino; sob a pena de sobrarmos “só nós dois” como os únicos não-corruptos.

Fui enfático ao insistir nas punições.
Da mesma forma que defendo novamente agora: se são 117 os deputados sob processos judiciais, que sejam 117 os deputados afastados enquanto os processos são julgados. A casa seria mantida pelo restante, mais que suficientes para tramitar projetos de lei e realizar votações.
Apareceu em delações, é afastado automaticamente. (em meu sonho utópico o próprio investigado renuncia, ou pede o afastamento e oferece o seu sigilo fiscal e bancário, colaborando com as investigações)

O Miguelito observou sabiamente que essa minha opinião radical poderia trazer mais confusão. Uma vez que sabemos que o “meio político” é sujo por natureza, parlamentares poderiam usar deste subterfúgio e delatar inimigos políticos, que levaria a uma condenação injusta de “bons”.
Delação pura e simples talvez não resolva. Mas algo que viesse acompanhado de conversas telefônicas gravadas, certamente seria irrefutável para o afastamento do acusado, mesmo antes de se instaurar um processo.

É como a Cúpula do Trovão do clássico filme Mad Max.
Mas ao invés de “dois homens entram, um homem sai”, poderia ser “580 deputados entram, somente os honestos saem” (leia-se permanecem e cumprem todo o mandato)

Quantos teríamos ao final de quatro anos?

por Celsão correto

figura: montagem daqui e daqui com imagens buscadas no google.

P.S.: me veio uma dúvida enquanto escrevia essa publicação… um deputado afastado ou cassado tem direito a aposentadoria parlamentar? Mais uma medida para entrar nas listadas no post anterior (aqui), visando reduzir custos em locais realmente importantes.

 

7jul2016---o-presidente-interino-michel-temer-participou-de-uma-reuniao-com-o-ministro-da-fazenda-henrique-meirelles-para-definir-a-meta-fiscal-de-2017-no-palacio-do-planalto-1467930077352_615x3Nosso querido ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, queridinho da mídia que o nomeou “Solução da Nação”, apareceu novamente no noticiário nacional.
Ele e sua equipe admitiram um déficit (ou rombo) de R$139 bilhões nos cofres públicos para o ano de 2017, mesmo com aumento de arrecadação previsto de R$55 bilhões. (aqui a notícia que também fala de provável aumento de impostos)

E não é estranho pra mim aparecer um rombo muito maior que o previsto anteriormente pela presidente Dilma.
Primeiro pois, em meio a crise, a presidente afastada havia vetado um reajuste salarial ao Ministério Público e Poder Judiciário. Reajuste que foi (re-)aprovado em novas seções das casas do Legislativo, nesse mês de Junho, pauta tratada assim que o presidente Temer assumiu interinamente (notícias aqui e aqui, para as aprovações na Câmara e Senado respectivamente)
O impacto calculado desse reajuste do funcionalismo é de R$58 bilhões nos próximos três anos, ou seja, consumindo boa parte do aumento de tributos previsto.

O segundo ponto da minha crítica, que é ainda mais grave,  é a propaganda vazia de redução de custos, alardeada por Meirelles e pela “nova equipe econômica” ao assumir a pasta da Fazenda.
O que aconteceu com aquela redução prometida de Ministérios e gastos públicos?
Fizeram o oposto com reajustes salariais, que, todos sabemos, serão facilmente “cascateados” aos outros poderes, que apelam para uma tal de “isonomia”, criada por eles próprios

Aparentemente o que fez Meirelles e a equipe aclamada pelo empresariado, foi “raspar” onde havia algum dinheiro, como fizeram com o chamado Fundo Soberano (aqui). Mas, ao meu ver, e agora chegamos ao porquê do post, todas as medidas são meramente paliativas, de baixo impacto e sem efeito duradouro.

De que vale um fundo de R$2 bilhões, provenientes de um superávit do petróleo, que seria usado (até onde me lembro) para a educação no meio de um problema de R$140 bilhões?
É menos de 2%!
E perde-se a chance de criar um “pulmão” financeiro estatal que um de nossos vizinhos regionais mais proeminentes, o Chile, criou através de reservas da exploração do cobre.

Outra medida paliativa citada ontem: revisão dos benefícios de aposentadoria por invalidez e auxílio-doença.
É paliativo! É pequeno!
A equipe do Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou que espera economizar R$6,3 bilhões! Quase R$4 bilhões cortando 30% dos benefícios de auxílio doença e pouco mais de R$2 bilhões eliminando 5% dos beneficiários aposentados por invalidez.
Comparando-os uma vez mais ao rombo anunciado, são menos que 5%.
E esse valor só virá se os cálculos estiverem corretos. E muitos velhinhos e incapacitados estiverem “de má fé” em casa evitando trabalhar…

Outra colocação a ser considerada é a afirmação defendida pelo ex-Ministro Ciro Gomes. Ciro sempre diz que reduzir Ministérios não é reduzir custos. Ao menos não drasticamente, na escala almejada e proclamada pelo atual governo.

Mas minha proposição “pirata” é: por que não mudar de verdade? Colocar as mãos inteiras no vespeiro?
Falando de aposentadorias e INSS…
Por que não limitar as aposentadorias do funcionalismo público no mesmo teto existente para os empregados da iniciativa privada? Incluindo aí deputados, senadores e juízes.
Ou melhor, por que não estabelecer os mesmos critérios para aposentadoria em todas as profissões e classes? Não é injusto um Senador aposentar-se após um único mandato?
Ou ainda, que tal se não houvessem aposentadorias acumulativas? Lula perderia talvez a de anistiado. FHC perderia a de professor universitário estadual.
E até se poderia permitir que o benefício recebido fosse o maior dentre os concedidos…
Será que essas medidas não trariam uma maior redução de despesas?

Pra finalizar, uma última pergunta: não era o anúncio do aumento de impostos que condenou a equipe econômica anterior?
Não sou totalmente contra. Creio até que não tenhamos muita alternativa dada a estrutura “engessada” do Estado Brasileiro.
Mas o problema de se fazer isso agora é a cara-de-pau de nem ao menos cumprir um “mínimo” da redução prometida…

por Celsão irônico

P.S.: figura retirada daqui. Eles não ficam bem lado a lado?

P.S.2: sou a favor de se revisar periodicamente todo e qualquer benefício concedido. Só não acho que isso deva ser apresentado como medida; por ser pequena, como citei, e por fazer parte de uma rotina mínima esperada de órgãos governamentais.