George Orwell e as empresas hoje

Posted: May 15, 2013 in Comportamento, Outros
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Quando publicou o livro “Animal Farm” em 1945 (“A Revolução dos Bichos” – título em Português), o Inglês George Orwell foi aclamado como cronista, teve seu livro incluído numa lista dos melhores da língua Inglesa e de quebra denunciou a descarada diferença entre o socialismo utópico e o “real”, praticado na extinta União Soviética.

Durante a Guerra Fria, o livro serviu de propaganda anti-comunista. O “Animalismo” pregado pelos bichos na Granja do Solar e suas sete regras são deturpadas no decorrer da estória de modo que o sonho de um porco: ter uma fazenda livre dos humanos e igualitária, muda de acordo com a vontade dos líderes da Granja.

No livro, os porcos, mais inteligentes que os outros bichos, surgem como líderes que dominam os demais bichos, sobressaindo-se ora pela retórica, ora pela utilização da força (representada no livro por cães treinados). No final, os porcos convertem-se em humanos, ocupando a casa do humano, andand em duas patas e usando suas roupas.

Há algum tempo venho notando destacada semelhança entre as grandes empresas no Brasil e o livro. O discurso igualitário de “colaboradores” e “parceiros” é válido até que surja uma crise, qualquer que seja ela.

Daí nomeiam-se líderes / porcos: as vezes consultorias externas, as vezes grupos internos, as vezes subgrupos dentro da própria empresa, que mudam as regras arbitrariamente e demitem sem critério nem justificativa, criando um círculo vicioso de crise = demissões equivocadas = diminuição da produtividade ou qualidade = piores resultados = crise pior.

Ainda mais grave, esses líderes são empoderados ou pelo receio da direção em piorar as coisas sem eles, ou pelo seu discurso de eficiência, sinergia, otimização, etc. e seguem na empresa… Daí, mesmo quando vem a bonança, os “porcos”, controlando toda a “Granja”, evitarão qualquer ascensão ou questionamento à sua liderança. O clima na empresa torna-se funesto, semelhante ao observado no livro após a morte de um dos animais.

por Celsão Irônico

P.S.: obviamente mudanças são positivas (quase sempre) e as empresas são independentes para tomarem suas decisões. O que mais incomoda não são os resultados das mudanças, mas o “rastro de sangue” que fica durante o processo.

P.S.2: pra quem quiser ler o livro, encontrei uma versão ebook gratuita em: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/animaisf.pdf

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