Archive for August, 2013

Esse post pretende fazer dois adendos a posts recém publicados.

post_adendos_1O primeiro se refere ao post sobre a indústria das cesarianas no Brasil (aqui), onde explicamos a triste realidade dos nascimentos do Brasil. Os partos chegam a 90% em determinados hospitais privados dos grandes centros, porcentagem muito superior aos 15% máximos sugeridos pela Organização Mundial de Saúde (OMS)

Achei uma notícia sobre o lançamento do documentário “O Renascimento do Parto”, no dia 09 de Agosto, coincidentemente uma semana depois da nossa publicação. O filme trata do mesmo assunto e tem a mesma abordagem; especialistas chamam de crime as inúmeras intervenções cirúrgicas que têm sido realizadas por aqui. Uma frase me chamou a atenção: “Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer”.

Confira o trailer oficial do filme aqui (é bem curto) e a reportagem sobre o lançamento aqui.

post_adendo_2O outro adendo cabe ao post sobre o nosso TAV (Trem de Alta Velocidade) – aqui.

O governo, pressionado e temendo mais um fracasso, adiou a apresentação de propostas do projeto e, consequentemente, o leilão que estava marcado para o dia 19 de Setembro. Sem data ainda para acontecer, presume-se que serão gastos R$267 milhões somente no projeto executivo, visando esclarecer melhor o projeto. (aqui). Ridículo! Gastar todo esse dinheiro sem ter a garantia que haverá projeto, ou que haverão empresas qualificadas e interessadas no projeto.

E, em meio a dúvidas sobre qualificação dos fornecedores (no caso, os espanhóis da Renfe), escândalos em São Paulo e Brasília envolvendo outros (no caso, Siemens e Alstom), foram redesenhados outros “pacotes” de 11 mil kilômetros de ferrovias pelo Brasil. (notícia aqui)

por Celsão correto

figura 1 (youtube) / figura 2 retirada (daqui)

Isso é cultura?

Posted: August 23, 2013 in Outros
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post_moda_MartaA Lei Federal de Incentivo à Cultura, também conhecida como Lei Rouanet, tem como base a promoção, proteção e valorização das expressões culturais nacionais. Existem incentivos fiscais que permitem a empresas e cidadãos aplicarem parte do imposto de renda em ações culturais (fonte: Wikipedia).

Acontece que nossa ministra da Cultura, a ilustríssima Marta Suplicy “permitiu” a utilização da Lei Rouanet em desfiles de moda a serem realizados na França (aqui).

E, pasmem, os desfiles, de um estilista paulistano, serão feitos na semana de moda de Paris, em Outubro e Março de próximo ano, para um público elitista de somente 300 pessoas!

Ou seja, não bastava qualificar um desfile de grife de luxo como “manifestação cultural” e tirar dos cofres públicos quase 3 milhões de reais (isso mesmo! Dona Marta liberou a isenção fiscal de R$2,8 milhões!). Essa “promoção” da cultura brasileira na França abrangerá singelos 300 expectadores.

Faltam exclamações para expressar minha indignação e revolta!

E mais… O pedido do estilista havia sido recusado por unanimidade (sete votos a zero) pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic). Ou seja, dona ministra “passou por cima” de um julgamento qualificado, ignorando outras prioridades do país em prol de um provável favor a amigos da elite Paulista.

“Quer conhecer o caráter de uma pessoa, dê poder a ela.” Viva a ética e o caráter de Marta Suplicy!

por Celsão Revoltado

Figura retirada daqui

Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Desde que o PT, partido originário da interseção entre sindicatos, movimentos de base da igreja e intelectuais de esquerda, assumiu o Governo Federal, a economia brasileira cresceu fortemente (duas vezes mais rápido que durante governos de FHC). No total, 45 milhões de pessoas que pertenciam às classes D e E, ascenderam à classe C; 15 milhões da classe C ascenderam às classes B e A. O salário mínimo aumentou em 70% em seu valor REAL. Durante os 10 anos de governo, vimos ano após ano, uma redução do desemprego, e hoje temos uma das menores taxas de desemprego do Mundo, que oscila entre 5,5% a 6%.

Foram criadas mais de 20 Universidades Federais, e institutos de ensino e educação foram abertos às centenas! O índice de frequência escolar cresceu absurdamente, e hoje, comparado com que se tinha há 15 anos, praticamente não temos crianças fora das escolas. O Bolsa Família auxiliou mais de 15 milhões de famílias, complementando suas rendas, possibilitando as crianças a irem à escola, e permitindo aos pais colocarem comida na mesa. A miséria reduziu de forma considerável.
Muitas das estradas federais foram reformadas (não que sejam exemplo hoje, mas antes eram sucata, e hoje voltam a ser transitáveis). Podemos enumerar diversos programas federais, como Minha Casa Minha Vida, Ciências sem Fronteira, regulamentação da profissão “empregado doméstico”, entre outras ações positivas.

Aqui levantei somente alguns pontos positivos sobre os últimos 10 anos, mas poderia pontuar muitos outros. Obviamente, nem tudo são flores, e também poderia pontuar tantos outros negativos. Mas meu intuito aqui não é tecer elogios ou críticas, mas sim mostrar que, mesmo com muito esforço e muita má vontade, não é coerente, nem sensato dizer que, nos últimos anos o Brasil regrediu, retrocedeu, sucumbiu. Não é cabível dizer que a qualidade de vida do povo brasileiro piorou. Isso não pode ser dito de forma alguma, e somente o que mencionei acima já seria suficiente para dar embasamento a esse meu posicionamento. Quem afirma que o Brasil passou por um período de trevas, ou por um dos piores governos de sua história, precisa tomar um “chádética”, ou “chádesonestidadeintelectual”, ou então, um cafezinho mesmo já basta, para poder acordar e parar de ter pesadelos.

Contudo, as manifestações que aconteceram em julho deste ano (2013) e que ainda permanecem, porém menos intensamente, mostraram que havia/há uma insatisfação por parte de uma parcela da população brasileira. Como explicar essa insatisfação de milhões de cidadãos? Quais eram os objetivos dos manifestantes? Pelo quê lutavam?
Bom, sabemos que nas ruas havia todo o tipo de gente, lutando pelas mais diversas causas. Mas mesmo assim, é possível levantar estatísticas, e estas mostram que a maior parte dos que estavam nas ruas, pelo menos em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Sul do Brasil, eram estudantes universitários e a classe média num geral.
Neste ponto, vou resumir algo bem complexo, e por isso é essencial que o leitor leia o artigo que está em anexo no fim deste meu texto, para que possa entender melhor essa problemática, e para que não me interprete mal, ou de forma incompleta.

“Lula focou seu governo nos pobres, no proletariado. A maior parte dos programas federais se voltavam para essa população mais carente e necessitada de ajuda (vou ignorar aqui aqueles que acham que tudo não passa de assistencialismo, esmola, compra de votos. Se pensa assim, peço que leia meus primeiro e segundo parágrafos novamente, e depois tome um dos chás que aconselhei).

Mas seria um pouco de ingenuidade pensar que Lula governou o Brasil 8 anos, com tanto sucesso, popularidade e bons resultados, somente com o apoio das classes econômicas inferiores da sociedade. É fato que as eleições foram basicamente garantidas por esta classe. Porém, a governabilidade foi garantida pela elite. Sim, Lula, e principalmente a Dilma, se comprometeram com grandes grupos econômicos, como bancos, agronegócio, petróleo, entre outros. Assim, a base do governo estava garantida pelo proletariado (eleições e aprovação popular) e pela elite (estabilidade política no executivo e legislativo, além do suporte econômico).

Mas aqui está faltando uma fatia do bolo, não? Pois é, está faltando a classe média!
Esta foi a menos contemplada nos governos do PT. É fato que também tiveram seus ganhos, mas estes foram menores que aqueles obtidos pelo proletariado e pela elite. Além disso, as melhorias nos serviços  públicos pouco lhes trouxeram vantagens, afinal, os serviços públicos não melhoraram a ponto de se tornarem melhores que o serviço privado. Desta forma, a educação pública, o transporte público, a saúde pública, melhoraram a ponto dos pobres notarem diferença, mas não a ponto da classe média migrar do serviço privado para o público. E assim, de forma simplória, construímos um cenário onde as manifestações são mais facilmente compreendidas, pois essa mesma classe média, menos contemplada pelas melhorias dos governos Lula/Dilma, foi quem estava em peso nas ruas protestando”

Essas minhas palavras são um resumo do meu entendimento sobre o artigo que coloco em anexo logo abaixo. Este artigo, em minha singela opinião é, de todos artigos que já li sobre os governos Lula/Dilma, um dos que possui uma das análises mais imparciais e de mais alta qualidade técnica, além de explicar de forma muito didática e coerente as causas das manifestações de julho deste ano. Eu diria, imperdível!
Para lê-lo, clique AQUI

por Miguelito Formador

Figura: montagem minha. Base retirada daqui e daqui

Manifestante contra o Propinoduto

Manifestante contra o Propinoduto

Um dos assuntos mais comentados nos últimos dias e que ainda vai dar o que falar é o esquema de cartel nas licitações do Metrô de São Paulo e Brasília, denunciado pela Siemens. Já fizemos um post sobre isso (aqui), mas antes de falar mais sobre este assunto, queremos contar uma historinha que poucos conhecem.

Até o final dos anos 90, a lei alemã permitia que empresários pagassem propina a autoridades no exterior, para facilitar a aprovação de contratos. Nos anos 80, a prática era tão comum, que as companhias podiam até mesmo descontar o valor das propinas do imposto de renda pago na Alemanha.

Não somente na Alemanha, mas em muitos países do mundo, essa prática de cartel e pagamento de propina era uma prática “legal”, pois não existiam leis bem definidas que impedissem as mesmas. Diversas empresas, em diversos países, realizavam práticas parecidas. Ou seja, não era exclusividade da Alemanha, muito menos da Siemens.

Essa prática surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial. As indústrias europeias buscaram mercados em expansão e carentes de tecnologia na época, como a América Latina, Ásia e Oceania para recuperar as economias e sair da recessão provocada pela guerra. Os cartéis e pagamentos de propinas eram comuns nesses mercados e incentivados pelos governos europeus, por significar uma provável “salvação”.

Com o passar dos anos, vários países começaram a atualizar suas legislações, passando a contemplar a proibição de tais práticas.

Na Alemanha, a reforma veio no final da década de 90. Porém, enquanto o mundo “puxava o freio de mão”, a Alemanha dava “totozinhos” no freio. Ao que parece, a cultura desta prática era tão presente no mundo dos negócios por lá, que os empresários alemães tiveram dificuldades em se adaptar às novas regras.

Então, em 2006/2007, tornou-se conhecido o fato de que a Siemens continuava com essa prática em diversos países. O que serviu de estopim para que a mentalidade alemã, no geral, entrasse num processo radical de mudança.

Na Siemens, houve uma verdadeira “faxina”. A “cúpula” da Siemens caiu: presidente, boa parte da diretoria de sua matriz (na Alemanha), além de diretores pelo mundo afora foram demitidos. Alguns foram inclusive presos. Multas milionárias foram aplicadas nos Estados Unidos e Alemanha e houveram sanções em diversos países.

Após esses escândalos, a Siemens adotou uma série de medidas e reformas internas com um único intuito: se tornar exemplo de conduta e de ética no mundo dos negócios.

Com essas novas diretrizes como pré-condição para a realização de qualquer negócio, a Siemens passou a ganhar os mais diversos selos de transparência e ética por todo o mundo e se tornou um exemplo de boa conduta. “

Agora, voltando ao caso específico…

De acordo com a mídia, a Siemens denunciou um Cartel existente entre várias empresas, entre elas a Alstom, Bombardier, Mitsui, CAF, TTrans e a própria Siemens, na disputa das licitações da CPTM e do Metrô de São Paulo e do metrô de Brasília.

Ainda segundo as reportagens, os depoimentos dados por funcionários da Siemens Brasil e da Siemens Alemanha dão detalhes de como o esquema era feito. No caso, as empresas ganhavam as concessões, se alternando; e para que o esquema fosse possível, pagava-se propina para membros-chave do PSDB e para diretores/funcionários do metrô de São Paulo (que é uma empresa estadual). O esquema viria desde o Governo de Mário Covas, passando por Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB, afinal de contas, o PSDB governa São Paulo há duas décadas.

Vale uma ressalva aqui: o governador Geraldo Alckmin processou ou processaria a Siemens por conta das denúncias (aqui), ignorando o princípio de leniência aplicado a esses casos, que significa o não-envolvimento dos denunciantes (no caso, diretores da Siemens) nos processos advindos da investigação. Pois bem, para nós, o processo só foi (ou seria) aberto para tentar mostrar repúdio ao esquema e desvincular a figura dele próprio nesse “esquema”. Obviamente não dá pra “cravar” que houve envolvimento dos governadores, mas certamente todos eles serão réus de uma possível CPI ou mesmo investigação do Ministério Público. O governador parece bem confiante, pois até criou uma comissão externa para investigar o caso, chamada Movimento TranSParência (aqui).

Este escândalo ainda está em fase de investigação. O CADE possui mais de 30TB de informação pra ser analisada. E o processo pode durar meses! (aqui e no meio desta notícia)
A Siemens do Brasil não se pronuncia oficialmente sobre o caso, exatamente por estar em investigação.

O fato é: o que aconteceu no Brasil não é novidade, pois é o mesmo que aconteceu no mundo. Não é boato, nem conspiração, mas sim fato confesso! A diferença  é que, na maioria dos países o caso foi revelado e julgado, mas no Brasil, não. Já em 2008, funcionários da Siemens Alemanha davam depoimentos revelando os esquemas no Brasil. Mas o caso foi ignorado pelo Ministério Público de São Paulo e pela mídia brasileira. E aqui vai uma segunda opinião nossa: tais denúncias devem ter sido abafadas por conta de políticos e empresários envolvidos com o cartel, os quais possuem claramente estreitas relações com o Ministério Público de São Paulo e com a Grande Mídia.

Mas esse escândalo está na mídia” – alguns podem argumentar. Bom, a primeira representante da “Grande Mídia” a tratar do assunto com real atenção e profissionalismo, e principalmente sem atraso foi a revista Isto É, em sua edição número 2279 do dia 19 de Julho de 2013.

Aproximadamente duas semanas mais tarde, o restante da “Grande Mídia” acordou de um sono profundo, como se tivesse sido beijada pelo príncipe, e então começou a divulgar o escândalo. Porém, a maior parte dela divulga com certa cautela, evitando ao máximo dar “porrada” no governo de São Paulo e dando mais foco às empresas privadas envolvidas.

E o povo? Por que ninguém comenta sobre isso no Facebook? Por que ainda não existem e-mails sensacionalistas? Por que este não é o assunto mais tratado das mesas de boteco? Por que o silêncio da população?

Na última quarta-feira, dia 14 de Agosto, o MPL (Movimento Passe Livre) realizou uma manifestação “de panfletagem” com três mil participantes, contra o Propinoduto e juntamente com os metroviários. Justo, afinal já existem cálculos de que o prejuízo com o tal “Trensalão” (nome dado pelo PT) pode chegar a quase dois bilhões de reais, dinheiro que, se utilizado nas passagens de São Paulo, estas custariam algo em torno de R$ 0,90!

Se os cálculos estiverem certos, existe um motivo concreto e claro para justificar protestos e investigações. E mesmo assim, a manifestação do dia 14 contou com meros três mil participantes. Logo agora que existe um motivo concreto para luta, o povo adormece novamente (AQUI para ler sobre o gigante adormecido). Vale voltar a refletir sobre as causas e inspirações das manifestações de julho.

Pra concluir, deixamos outras perguntas pra reflexão: E se ao invés do PSDB, fosse o PT o partido envolvido? Como estaria a mídia? Como estaria o Facebook? Como estariam os e-mails? E como seria a manifestação do dia 14 de Agosto? Como seria……?

por Celsão Correto e Miguelito Formador

Figura daqui

rio212505_270x167Creio que essa seja uma pergunta que muitos se fazem, dia após dia. Principalmente depois de todos os manifestos ocorridos em Junho, de todo o levante popular observado em vários pontos do Brasil e exterior, de todas as tentativas da mídia em desvalorizar, depois explicar e finalmente supervalorizar o ocorrido.

Parece realmente que “a adrenalina baixou” e que os poucos movimentos organizados diminuiram sua agenda de manifestos depois da vitória dos vinte centavos e da PEC 37 (exceção feita aos cariocas que pedem a saída do governador Sérgio Cabral e suas insistentes incursões à casa do mesmo no Leblon).

Porém, só parece! A tal “onda” de protestos, segue ativa, e pra surpresa da maioria, ainda no foco da grande mídia. (Que a meu ver teme que ocorra o mesmo fenômeno observado em Junho sem a devida cobertura imparcial e valorização). Atualmente, em quase todos os jornais da TV e portais da internet há um espaço (restrito, é verdade), para as manifestações ocorridas no país.

Mas, nos últimos dias foram noticiadas desde interdição a rodovias, quer seja por agricultores contra feiras clandestinas em Brasília, quer seja por moradores de Cubatão contra um incêndio (aqui), passando por índios reclamando de demarcação de terras (aqui) e chegando ao tema transporte público, bem explorado em Junho, de uma simples interdição de um terminal em Curitiba (aqui) à volta do MPL (Movimento Passe Livre) de São Paulo às ruas em apoio aos metroviários contra o escândalo das obras superfaturadas de trens e metrôs em São Paulo (aqui).

(Fizemos um post também sobre esse caso – acesso aqui.)

O que mudou nas manifestações é, primeiramente, o número de cidadãos envolvidos.

Sobre isso não há conclusão fácil: se por um lado o número diminuto de pessoas traz foco em uma causa e/ou reivindicação, por outro pode não atingir e “motivar” a mudança por aqueles que a podem executar (lê-se o governo, normalmente).

Uma segunda observação desses protestos “pós-despertar” é o invariável desfecho violento. Não somente pela participação da polícia, mas também pelos atos de vandalismo deflagrados pelos manifestantes em si. Bancos e instituições têm sido alvo de encapuzados que, além de depredar o patrimônio público, corroboram para uma contra-ação igualmente violenta das guardas metropolitanas e militar.

(inclusive ocorreu também em São Paulo um ato contra a própria PM, aparentemente sem violência, segundo a Folha)

Antes de concluir, vale “tirar o chapéu” para os cariocas. Não aqueles que têm saqueado lojas de departamento, mas aos que continuam seguindo o governador Cabral, pedindo sua saída (veja aqui) e aos que estiveram na Câmara acompanhando a CPI dos ônibus, recém instaurada. Um protesto silencioso, com mordaças pelos dez manifestantes que lá estão há mais de uma semana é um “tapa de luva de pelica” naqueles que badernam pura e simplesmente (detalhes da seção/vídeo da reportagem)

Aliás, creio que dificilmente o governo de São Paulo escapará de uma CPI para apurar o já batizado de “trensalão”, mesmo negando envolvimento e processando as empresas envolvidas.

Concluo, de opinião pessoal, romântica e crua, que o despertar trouxe benesses, se não a de seguir mobilizando a massa, a de fazer acreditar na mudança aos que se indignam.

O lado revoltado e revolucionário crê que a mídia só tem dado voz a todos os protestos para criar uma banalização dos atos em si e adormecer na classe média essa idéia que teima em dizer que “manifestar-se é bom”!

por Celsão correto

figura retirada daqui

figura_01

O nosso trem-bala ou, como vem sendo chamado, TAV (trem de alta velocidade), era sonho de muitos políticos caricatos, mas começou a tomar “corpo” depois que fomos escolhidos como país-sede de dois dos principais eventos esportivos do Globo: Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas.

Havia tempo suficiente (estávamos em 2007) e os powerpoints mostravam que os investimentos eram rentáveis para a iniciativa privada, ou mesmo um modelo diferenciado PPP (parceria-público-privada), em que há isenção de impostos por um período determinado e subsídios para viabilizar o negócio.

Pois bem…

Já estamos com a Copa “às portas” e diversos atrasos contabilizados nos aeroportos, estádios e demais obras de infraestrutura, incluindo aqui uma primeira licitação do TAV em Julho de 2011. E agora o governo avalia, com certa insistência, o leilão do TAV, marcado para meados de Setembro.

Até mesmo a provável ausência do grupo espanhol Renfe, um dos interessados no TAV brasileiro, devido ao acidente ocorrido há alguns dias na Espanha já está sendo “contornada”. Nos documentos exigidos, a inexistência de acidentes com vítimas fatais nos últimos cinco anos não os desqualifica, conforme análise prévia do ministro César Borges (aqui); que argumenta que o acidente ocorreu numa malha considerada de baixa velocidade… Há um certo receio de que “sobre” no leilão apenas o grupo francês, envolvido no escândalo recente de propinas (post aqui)

Me parece que o governo busca no projeto “a vitrine” que anseia e está disposto a gastar muitas fichas nesse objetivo. O que não usaria dinheiro público no início, agora contará com a participação de BNDES e Correios, conforme noticiou o Estadão.

 

Não menos importante para o país, mas menos visível aos olhos, a linha férrea chamada de Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), que interligaria a cidade de Barreiras, no oeste baiano a um porto em Ilhéus, no litoral, possui menos de 20% das obras concluídas, principalmente devido à falta de trilhos, após a data prevista de sua inauguração (detalhes aqui)

Anunciada como obra do PAC em 2010, a ferrovia escoaria a produção de grãos não só da região, mas também do Centro-Oeste. A nova previsão do governo é entregar o trecho entre Ilhéus e Caetité até o final de 2014 e entre Caetité e Barreiras em 2015. Há um projeto de extensão planejado (ainda sem data de entrega) visando interligar a Fiol à Ferrovia Norte-Sul, no Tocantins. Outro exemplo das muitas obras paradas ou atrasadas do PAC e PAC 2.

 

Voltando ao TAV, o que mais me incomoda é a ausência de planejamento dos investimentos necessários, nem ao menos o custo total do projeto é conhecido. Estimado em R$30 bilhões não só representaria o maior investimento em infraestrutura do país, como também poderia ser usado em ambos estados em problemas mais urgentes! O presidente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) estima que este valor resolveria os problemas urgentes do transporte público no Rio e em São Paulo (aqui).

E vocês, o que acham do trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio?

 

por Celsão correto

figura: montagem

IstoÉ_Propinoduto

Figura 1 – Isto É Propinoduto

Para início de conversa, assista ao comentário de Bob Fernandes sobre o Propinoduto. Basta clicar AQUI.

Só mais uma, das inúmeras provas que deixam claro todo o jogo elitista que está por trás da cúpula do PSDB.

Segundo divulgado em alguns meios da mídia, a Siemens denunciou um Cartel existente entre várias empresas na disputa das licitações do Metrô de São Paulo. Tem uma reportagem completa na Isto É. Basta clicar AQUI .
A Siemens é uma das envolvidas no Cartel, mas como a denuncia, ganha imunidade civil e criminal. Segundo apontam as notícias, haveria partido dela (Siemens) as denúncias.
Os depoimentos dados por funcionários da Siemens Brasil e da Siemens Alemanha, dão detalhes de como o esquema era feito. No caso, as empresas ganhavam as concessões, se alternando; e para que o esquema fosse possível, pagavam propina para o metrô de São Paulo (lembrando que o metrô é uma empresa do estado de São Paulo que é governado pelo PSDB há 2 décadas) e para os membros-chave dos governos Tucanos. O esquema viria desde Mário Covas, passando por Alckmin, Serra e Alckmin de novo. Inicialmente se falava em um valor que ultrapassava os R$ 50 milhões, em pagamento de propina. Agora, já se fala que o prejuízo aos cofres públicos tenha sido de R$557 milhões, com a chance de ter sido ainda maior, podendo chegar a R$ 1,925 bilhão! Clique AQUI para ver a notícia da UOL.
Ou seja, valor igual ao do Mensalão (caso sejam confirmados R$ 50 milhões), ou 10 vezes maior que o Mensalão (caso confirmados os R$ 557 milhões), ou 40 vezes maior que o Mensalão (caso o valor seja de R$ 1,925 bilhão). E o brasileiro acreditando na mídia, que o convenceu de que o Mensalão foi o maior e mais perverso esquema de corrupção de nossa história.
Para acessar um gráfico ilustrativo de como ocorria, supostamente o esquema, clique AQUI.
Ainda vale lembrar que, mesmo com todos os holofotes dados ao Mensalão, e mesmo com as polêmicas ocultações de provas a favor da defesa (como assim ocultação de provas? Clique AQUI e tire suas conclusões), e mesmo com todo o esforço de Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Fux e outros Juízes de integridade extremamente questionável em condenar todos os réus com penalidade máxima possível, não existe no julgamento do Mensalão, nenhuma prova que mostre enriquecimento pessoal dos políticos envolvidos no esquema. Ali, a principal acusação é o chamado “caixa dois”, algo aplicado por todos os partidos desde a existência de política no Brasil e também a compra de votos de parlamentares, principalmente da oposição. Ou seja, se alguém enriqueceu, foram alguns parlamentares da oposição.
Já no propinoduto, estamos falando de pagamento de propina aos políticos e funcionários públicos. Milhões e milhões vindos do dinheiro público! Porque dinheiro público? Ora bolas, o cartel jogava o preço 20% acima da cotação oficial. Como o contratante é o governo de São Paulo, significa que o Governo está tirando 20% a mais de sua receita e pagando isso à empresa que ganha a licitação. Esses 20% excedentes, são depois repassados para funcionários do governo, em forma de propina. O que é isso, se não lavagem de dinheiro público para enriquecimento de funcionários públicos e membros do governo?
Outra observação interessante é, mais uma vez, sobre a mídia. Salvo exceções, como é o caso da Isto É, o restante da mídia praticamente se calou, no máximo, emitiu ruídos, nas duas primeiras semanas. Qual o motivo desse comportamento? Alguém vai me dizer que apareceu na Globo, saiu na Folha de São Paulo, no Estadão, etc. Mas só “bater ponto”, não conta! Quero ver dar cobertura, monitorar, pegar pesado, marcar em cima mesmo, e mostrar ao público, com o mesmo sensacionalismo do Mensalão. Sei que nos últimos dias a mídia aumentou a cobertura sobre o caso, e isso ocorreu, pois provavelmente perceberam que não tinha mais como esconder, e então tiveram que começar a falar, porém, com aquele tradicional “pega leve”, sem dar tanto foco partidário/político como deu no Mensalão ou a qualquer outro boato ou escândalo envolvendo o PT.
No Mensalão, foi pancada todas as semanas, todos os dias, desde que o esquema se tornou público através do Roberto Jefferson. E quando foi a julgamento, teve transmissão ao vivo pela grande mídia.
Vejam a figura abaixo, a qual ilustra muito bem o que estou falando.
Folha_Tratamento_PTxPSDB

Figura 2 – Tratamento da Folha – PT x PSDB

Manipulação da mais bandida que existe.

Por exemplo, a Folha recentemente publicou assim numa capa: “Rejeição de Dilma atinge 49%“…. Em outra capa, ela publica assim: “Alckmin tem 26% de aprovação“…..  Preciso falar algo mais? AQUI
Como disse Chico Buarque de Holanda: “A mídia ecoa muito mais o Mensalão do que fazia com FHC, a compra de votos, as privatizações. O FHC sempre teve uma defesa sólida da mídia, colunistas chamados de chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.” Querem me xingar? Não o façam, liguem para o Chico Buarque, foi ele quem disse isso, AQUI. Certamente, ele tem rabo preso com Lula, interesses políticos, afinal, Chico tem uma vasta história de corrupção e apoio a governos bandidos, além de sua conhecida desonestidade Intelectual. Esse Chico não presta! (ironia)
Além disso tudo, fico me perguntando: cadê as montagens sensacionalistas das Redes Sociais? Não vi UM amigo sequer, da minha rede social, falando sobre o propinoduto. Ninguém posta nada! Enquanto as montagens mentirosas contra Lula e Dilma, ou maquiavélicas, até desejando que Lula morra de câncer, estas sim, continuam a todo vapor. As redes sociais são o reflexo da mente do utilizador, que compartilha ali tudo que lhe agrada o ego. Ou seja, criticar o PT, sendo mentira ou não, agrada ao ego da maioria dos utilizadores (que são em boa parte, classe média). E o ego, a mente do cidadão, é um reflexo do que a mídia mostra. E aí nós vemos como tudo está conectado numa jogada de mestre.
A mídia não mostra escândalos tucanos, pois não quer colocar na mente das pessoas que o PSDB tem mais escândalos de corrupção que o PT.
Talvez pensem que estou sendo tendencioso. Pode até ser verdade. Mas para mudar minha forma de pensar, preciso de dados que contradizem o que eu sei.
O que eu sei é:

  1. Pelo projeto Ficha Limpa temos um ranking de partidos que tiveram seus candidatos a prefeitos cassados por corrupção. O PSDB lidera com 56 cassações. Ele vem seguido pelo PMDB com 49. O PT vem em oitavo, com 18 cassados. Mas se considerarmos que o PMDB possui 1024 prefeituras, enquanto o PSDB tem 702, percebemos que o PSDB dá uma lavada de corrupção nas prefeituras, se comparado com o segundo colocado, que é o PMDB. Tá AQUI ou também AQUI.
  2. Tem também o ranking de partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, onde a sequência é: DEM, PMDB, PSDB e o PT na nona posição, ou seja, novamente, lá pra baixo.
  3. Além disso, temos o MUSEU da corrupção no Rio Grande do Sul, fundado por um professor doutor em economia, que faz um ranking dos maiores esquemas de corrupção dos últimos 30 anos. O economista faz um estudo minucioso, com levantamento de dados oficiais do Ministério Público, STF, STJ, CPI’s e dados internos do governo.
    Dos 10 maiores esquemas, 4 ou 5 foram em governos tucanos (PSDB), 2 em governos petistas, e o resto é governo Sarney, Collor, Itamar.

E estive aqui a pontuar 3 exemplos somente, de tantos dados oficiais que existem sobre esse assunto, onde todos eles comprovam a mesma coisa: PSDB está no topo da corrupção e o PT nem aparece entre os 5 primeiros. Mas tem uns “jênios” por aí no Brasil, que acreditam na mídia e acreditam que o PT inventou a corrupção. É lamentável !

Ou seja, para concluir o raciocínio, o que não aparece na grande mídia, não entra na cabeça do cidadão médio, e por isso, não aparece no facebook.
Não é defesa descarada ao PT, mas sim uma comparação entre o partido do Governo e o maior partido da oposição. Não enxerga quem não quer. Os dados estão expostos aí, é decisão de cada um acreditar em dados ou acreditar em lorotas. Vivemos numa democracia, acreditar em lorotas é permitido por lei, para a sorte de muitos, e para a felicidade da Grande Mídia e da elite.
@ Não posso afirmar com 100% de certeza que todos os dados que apresentei representam 100% da verdade. Quem quiser contestar os dados, tem todo o direito de fazê-lo, mas peço o mínimo de bom senso para que, ao fazê-lo, apresente dados de qualidade equivalente ou melhor, que contradigam aqueles que apresentei. Dar opinião cheia de preconceitos formados através de lorotas, qualquer um é capaz.
por Miguelito Nervoltado

Figura 1 retirada daqui
Figura 2 retirada daqui

parto_normal_cartaz_03O título pode parecer exagerado ou sensacionalista, mas não creio que haja termo melhor para exemplificar a situação atual dos partos no Brasil.

É uma constatação. A UNICEF fez esse alerta há algum tempo. A taxa já era a mais alta do mundo em 2011: 44% (três vezes mais alta que a indicação da OMS, que varia entre 10 e 15%). Alguns estudos (como esse), apontam uma assustadora maioria de partos cesária no país, mesmo no SUS.

Não enumerarei todas as vantagens de um parto normal ou natural em relação a cirurgia que é um parto cesárea. Mas o próprio estudo apontado acima mostra maiores taxas de mortalidade de mães e bebês quando a cirurgia é escolhida; além de maiores incidências de problemas pós-parto, dada a precocidade com que o feto muitas vezes é retirado.

O que acontece na prática são cesáreas de segunda-feira (para que o pai emende a semana em casa) e nas vésperas de feriados (afinal, a equipe médica tem direito a viajar!), independente da condição do bebê. A gravidez humana normal dura entre 38 e 42 semanas, mas a contagem do tempo não é da mais precisa, pois considera a data da última menstruação.

Ou seja, marcar uma cirurgia cesariana com 38 semanas ou mesmo 39 é ao meu ver arriscar a saúde da criança, já que a idade gestacional pode ser menor.

Por que então existem tantos partos cesáreas no país?

Ponto 1: os planos de saúde pagam muito pouco por parto para os médicos, não importando se normal ou cesariana. Diz-se R$300. Oras, é muito mais cômodo pro médico e pra equipe uma cirurgia (ou várias) de duas horas ao invés de permanecer no hospital por doze horas (em média) acompanhando o trabalho de parto, pelos poucos trezentos reais.

Ponto 2: Os médicos criam desculpas para “forçar” uma cesárea, quando a mãe tem a opção clara do parto normal. Bebê grande, sofrimento do feto, placenta velha, falta de dilatação são apenas alguns dos argumentos usados por eles.

Ponto 3: Os hospitais tampouco querem ter partos normais, pois isso representa salas de parto ocupadas por mais tempo e tempo mais curto de acomodação de mãe e bebê.

O resultado? Quem realmente quer um parto normal precisa pagar pelo serviço; são poucos os profissionais e os hospitais ou casas de parto que permitem o “absurdo” de um nascimento natural. Mas nem tudo está perdido, pois ONGs como a GAMA e a GAPP tentam reverter esse quadro através de informação, palestras e cursos.

por Celsão revoltado

P.S.: Respeito aquelas mães que optam conscientemente pela cirurgia, por razões das mais diversas. Mas não acho correto que médicos e equipe mintam e escolham datas convenientes para que os bebês venham ao mundo.

figura retirada daqui

Bate-Ponto dos Médicos

Bate-Ponto dos Médicos

Cliquem AQUI ou clique na figura ao lado para assistirem a reportagem do SBT que mostra os médicos da Maternidade Leonor Mendes de Barros, na Zona Leste de São Paulo, batendo ponto e indo embora, ou seja, recebendo dinheiro sem trabalhar. Um ato que se repete por todos os cantos do Brasil.

Mas isso pouco importa, pois afinal de contas, o SUS é uma sucata, SOMENTE por irresponsabilidade e corrupção do Governo, né?
Afinal de contas, a qualidade e ética dos médicos do Brasil, são impecáveis, né?
Afinal de contas, esses médicos, por serem tão justos, íntegros, éticos, tem todo o direito de chamar políticos de corruptos e brigar contra a vinda de médicos estrangeiros, mesmo que seja a custo de pessoas pobres continuarem a morrer por falta de medicina básica, né?
Afinal de contas, se tem pobres morrendo por falta de atendimento, é SOMENTE por culpa do Governo. O médico luta diariamente para evitar tal situação, né?

Ou será que muitos tem medo de perder essas bocadas? Afinal, aumentando a concorrência, aumenta a necessidade de mostrar serviço. Afinal de contas, os médicos estrangeiros vêm justamente para trabalhar no setor público, que é, o setor das bocadas, ou da maioria delas.

Eu sei que, cada caso é um caso, e este vídeo não representa todos os médicos do Brasil. Mas como TODOS os médicos, gostam de generalizar as coisas, vamos generalizar também, daí, pelo menos, falamos a mesma língua.

Em tempo:   Afinal de contas, o que querem os médicos do Brasil? Clique AQUI
                         E porque tanto escândalo, polêmica e reação contra a importação de médicos? Clique AQUI

por Miguelito Nervoltado