A escalada da sabedoria

Posted: September 9, 2013 in Outros
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PlenitudeUm povoado caminha buscando um local adequado para se instalar. Durante a caminhada avistam uma montanha e resolvem seguir até lá. Ao chegar ao pé da mesma, descobrem que ela possui uma particularidade: pode-se sempre subir, porém descer, jamais!

Ao chegar ao pé da montanha, muitos já se acomodaram por ali, pois queriam desfrutar logo da vida, mesmo sabendo que ali se encontram os maiores perigos, estão menos protegidos, sujeitos a todo o ambiente ao seu redor e possuem uma visão opaca devido a toda a poluição acumulada no ar.

Há também aqueles que se arriscaram a subir um pouco, para buscarem novos ares, pois não puderem se satisfazer com a raso da vida lá de baixo. Subindo um pouco mais, tiveram mais sossego, uma vista límpida com uma visão mais ampla de todo o vale, inclusive dos que estão lá embaixo.
O caminho sofrido pelo qual passaram para chegar até ali, fez com que eles valorizassem ainda mais o lugar que estão, valorizassem a vida. Ao mesmo tempo, começam a sentir compaixão dos que deixaram a caminhada, e começam a pensar em maneiras de resgatá-los, dizer-lhes como é bom lá em cima. Mas nem sempre é possível, pois não dá mais para descer.

Poucos continuaram a caminhada em direção ao pico. Na medida em que muitos foram parando, o medo dos que continuaram, aumentou. Quando o medo de seguir sozinho a caminhada apertava, estes paravam e se instalavam onde estavam.

Somente alguns poucos, incansáveis, que abdicaram de muitas coisas nas quais acreditavam em busca de algo novo, de novas conquistas, continuavam subindo, pois eles queriam chegar ao ponto máximo, onde poderiam ver tudo com total clareza, e observar o mundo de uma posição privilegiada.
Eles acreditam que, a evolução individual só é realmente plena, quando ela vem acompanhada de um aumento progressivo da consciência e prática da compaixão, justiça social, sustentabilidade, respeito e amor para com o próximo e para com a natureza.

Enfim, alcançaram! O prêmio é maravilhoso, sem dúvida. Podem ver tudo como realmente acontece. O ar é deliciosamente puro. E há a sensação de dever cumprido.
Mas de repente, olham a sua volta, e se dão conta que 99% das pessoas, ficaram no meio do caminho. Percebem também que os que pararam, não conseguem, ou não querem, ou não podem alcançá-los. Além de todo o esforço realizado, da coragem para enfrentar todos os contratempos que surgiram na caminhada, de ter superado as tentativas de desencorajamento por parte de outros, essa pessoa se depara com a triste realidade de que ele está praticamente só.

Ele grita, estende a mão, mas a maioria já se acomodou para sempre no lugar que escolheu, e estão satisfeitos com o que veem dali.
Uns logo abaixo até gritam, sugerindo que os lá de cima desçam um pouco. Mas já é tarde, é um caminho sem volta.

Os rebeldes inquietos que chegaram ao topo, até tentam jogar mensagens em folhas de papel em forma de avião, tentam gritar, tentam, tentam… mas poucos lá de baixo ouvem. Os corajosos do topo terão agora que ser a companhia uns dos outros. Eles, que não tinham inicialmente vínculo qualquer uns com os outros, se viram ligados pela vontade de ser mais, de querer mais, e de lutar por mais. Dali de cima, eles enviam bilhetes, poesias, dissertações, músicas, resultados de observações e estudos para os lá de baixo, esperando que mais gente se junte a eles. E se não se juntarem, buscam com essas mensagens, trazer algo de positivo para os lá de baixo, na esperança de que, mais cedo ou mais tarde, seja nessa ou em outras gerações, o pessoal lá de baixo se interesse por subir mais, consiga “alcançá-los”, e assim descobrir que há um outro mundo, muito mais límpido, claro, puro e bonito. Basta querer continuar a caminhada, e subir.

Os teimosos guerreiros que habitam o pico, lutam diariamente, incansavelmente, para trazer algo de bom para o próximo, independentemente de onde o próximo tenha parado. Às vezes são incompreendidos, mas isso não lhes importa, pois sabem que a compreensão também faz parte do amadurecimento. São os principais responsáveis pela evolução e progresso dos outros, que aos poucos, vão subindo, numa caminhada atemporal. Eles trazem um pouco de luz e clareza para aqueles que tem a vista obscurecida.
Com o tempo aprendem a admirar e respeitar a sua fiel amiga solidão, e dela retirar muito aprendizado.

A maioria dos que começaram a caminhada, são felizes. Porém os lá do topo encontraram uma felicidade com menos oscilações, aprenderam a valorizar a vida em sua essência. Desfrutam de uma felicidade quase plena, onde o simples fato de respirarem, observarem, admirarem, aprenderem e amarem, já é suficiente para encontrarem paz de espírito.

por Miguelito Filosófico

figura daqui

Comments
  1. Fernando says:

    No Mundo nada é verdade. Tudo é de acordo com a cor do cristal com que se mira.
    As verdades são diferentes dependendo da ótica do observador.

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  2. Neide de Lima Moura says:

    Vejo neste texto um pouco do “Mito da caverna” de Platão. Sair da caverna significa sair das sombras da ignorância, para construir um mundo mais justo e solidário. Devemos romper as amarras que nos prendem no interior da caverna para vislumbrar a claridade da luz, e então, enxergar o mundo com suas cores, imagens e beleza. Alcançar a sabedoria requer esforço e ousadia, ela pode estar no topo da montanha ou fora da caverna, é preciso busca-la.

    Neide

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