Síria, Oriente Médio e EUA: Contexto histórico

Posted: September 25, 2013 in Outros, Política
Tags: , , , , , , , , , ,

Armas químicas na Síria

Armas químicas na Síria

O projetor é ligado. No telão do cinema, os espectadores comem, inertes, sua pipoca e tomam sua coca-cola gelada, de preferência, sem rato. A expectativa é grande, espera-se muita emoção, afinal, todo o filme de guerra proporciona emoções em demasia, e o choque, em alguns mais sensíveis.

O filme começa. O cenário é o Oriente Médio; o país em foco é a Síria. Nas primeiras cenas do filme. Numa sequência de rápidas cenas, mostram-se as instabilidades políticas e sociais do país e da região nas últimas décadas. Vemos conflitos, o rodapé da tela mostra a frase “guerra pela unificação de Egito e Síria. Década de 50“. A união fracassa. Um grande opositor à união, Hafez al-Assad, é nomeado chefe das Forças Aéreas, e o rodapé volta a mostrar “anos 60”. Novos conflitos: “Guerra dos 6 dias”. A Síria é derrotada, perdendo parte de seu território.

“1970”, o Assad dá um golpe de Estado, e assume o poder. Alia-se ao Egito, e começam uma guerra contra Israel. Perdem a guerra. Em Israel, a bandeira americana aparece triunfante balançando ao vento. Vemos cenas do ditador sírio apertando as mãos do ditador soviético, o que remete os telespectadores à Guerra Fria. Outras guerras sucederam-se, como a ocupação do Líbano, ainda na década de 70.

2000″. O presidente sírio tem um ataque cardíaco e morre. Assume a presidência seu filho, Bashar al-Assad. Este aparece em várias cenas discursando e sendo louvado pelo povo. No passar das cenas, entendemos que a euforia do povo havia passado, e volta a instabilidade social.

“2010”. Vemos clima de tensão, dessa vez, no Irã. EUA e aliados ameaçam invadi-los, acusando-lhes de estarem a enriquecer urânio para produzirem bomba nuclear. A interferência diplomática de alguns países evita uma guerra que poderia ser catastrófica. Os anos avançam, no rodapé “2010/2011”. Vemos greves, rebeliões e conflitos militares entre povo e exército. As bandeiras aparecem: Tunísia, Egito, Líbia, entre outras. “Primavera Árabe”. De repente, voltamos à Síria, o presidente discursa dizendo que não será fraco como seus vizinhos, e resistirá com todas as forças à qualquer tentativa de golpe.

A tela escurece, 10 segundos de silêncio. O filme recomeça a rodar em velocidade normal.

“2011/2012”. Vemos intensos conflitos na Síria. Vemos grupos rebeldes de extremistas islâmicos, conspirando e realizando investidas, atentados. A comunidade internacional pede intervenção na Síria, a qual não ocorre. Os conflitos continuam, em ondas, hora mais intensas, hora menos.

“2013”, “arma química lançada contra civis em território sírio”. Vemos cenas fortes, centenas de pessoas mortas, entre elas muitas crianças. A mídia ocidental, mais que depressa, anuncia: Assad usa armas químicas contra civis. Em seguida mencionam que Obama discute a possibilidade de invadir a Síria. Começam pressões internacionais, inclusive da ONU, pedindo que antes de se decidir por uma invasão, seja ao menos investigado quem foi o responsável pela utilização das armas químicas.

Uma equipe da ONU vai até a Síria com o consentimento do governo deste país, e ao chegar ao local onde a arma foi utilizada, são recebidos por tiros. O governo americano acusa o governo sírio. As análises da equipe da ONU prosseguem mesmo assim. Eles confirmam que foi utilizada arma química, mas não conseguem concluir quem a utilizou. Além disso, sugerem que autoria poderia ser dos rebeldes, lembrando que estes já utilizaram armas químicas anteriormente.

O presidente Obama e sua chapa da OTAN ignoram a falta de provas, e buscam apoio em seus legislativos para invadir a Síria. O clima esquenta. Alguns países voltam a se manifestar, dizendo que um ataque à Síria sem provas seria um equívoco e demonstração clara de interesses imperialistas. O Irã diz que se a Síria for atacada, eles (Irã) atacarão Israel, que virará pó! A Rússia diz que auxiliará o Irã, além de atacar a Arábia Saudita (aliado americano). Os rebeldes iraquianos dizem entrar na briga para apoiar a Síria, e que farão ainda mais atentados contra os americanos no Iraque.

E assim, o filme termina.

Não, o filme não acaba, pois não é filme, mas sim, vida real. A história se repete, e a força deixa a história mal contada. Criam-se álibis, a verdade é distorcida, manipula-se a opinião pública, e uma nova guerra se inicia sem que a maior parte do mundo tome conhecimento dos reais motivos da mesma: Dinheiro! Foi assim no Iraque, no Afeganistão, no Irã, e em vários outros conflitos no decorrer da história. Agora, a bola da vez é a Síria.

O discurso da chapa ocidental, liderada pelos EUA, é sempre o mesmo, com ar de “polícia do mundo”, e que querem levar democracia para os outros países. Balela! Aqui estamos a tratar do domínio geográfico do Oriente Médio, maior fonte de petróleo do mundo. Só que desta vez, a guerra pode tomar proporções maiores. Estamos vivendo na iminência de uma Terceira Guerra Mundial.

EUA já controlam, ou têm o apoio da Turquia, Arábia Saudita, Israel, Egito, Jordânia, Qatar, entre outros. Para ter o controle praticamente total de região, resta-lhes controlar a Síria e o Irã, que são os governos mais fortes não aliados.

Enquanto isso, nós cidadãos estamos sentados comendo pipoca e tomando coca-cola, de preferência, com rato. Continuamos nos preocupando com coisas banais de nossas vidas, e damos pouca, ou nenhuma atenção ao fato de que uma Terceira Guerra Mundial pode estar prestes a acontecer, e todos nós, e nosso planeta como um todo, corremos enormes riscos.

por Miguelito Formador

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s