Archive for November, 2013

papario1 No começo eu tinha dúvidas sobre o Papa Francisco. Mas a cada vez que ele abre a boca, as dúvidas se transformam em certeza. Esse cara não fala o tempo todo pela igreja, ele fala por si mesmo, muitas vezes. 
Mesmo que algumas de suas mensagens tenham a intenção de atrair fiéis para sua igreja, ao menos, são palavras nobres e que visam combater o que há de mais podre no mundo (a riqueza excessiva, a elite, a manipulação, a desigualdade social, as vidas inocentes como mercadoria, a fome, os preconceitos, etc). Ou seja, neste caso, os fins valem à pena. 

Alô mundo, acorde!!! Defender o capitalismo selvagem, o livre comércio, o liberalismo exacerbado e sem qualquer tipo de controle e regulamentação é o o nosso próprio suicídio. Basta substituirmos um pouquinho de nosso egocentrismo por um pouquinho de amor ao próximo, que veremos que o caminho para nossa sobrevivência e para que haja paz e menos violência, e para que mais pessoas possam VIVER (ao invés de SOBREVIVER) durante essa jornada por aqui neste planeta, é um pensamento mais coletivo, mais social, mais solidário, menos ganancioso, menos vaidoso, menos consumista, menos arrogante, menos “ego” e mais “nós”…. Nao precisamos aplicar o Socialismo/Marxismo/Comunismo ao pé da letra. Mas precisamos caminhar em direção a sistemas político-econômicos mais sociais e mais ecológicos e tender ao socialismo ou ao socialismo-democrático, é muito mais convergente com essa ideia que tender ao liberalismo ou ao capitalismo-selvagem. 

E chega de querermos colocar as culpas e responsabilidades nas costas de outros. Chega de falar que o problema é a política, ou a corrupção. O problema somos NÓS!!!! Olhemo-nos no espelho e digamos “mea culpa”. A política, a corrupção, as cotovelados no mundo profissional, etc, é um reflexo de nós mesmos. Afinal, políticos, empresários, banqueiros, não vieram de marte, mas de dentro da sociedade. Eles, somos nós, e nós somos eles. Façamos nosso papel exemplarmente, e depois cobremos do outro que também o faca!

E para enxergar tudo isso que estou a dizer, como eu já disse, é preciso querer. Abram os olhos, queiram!!!! E encham o coração de amor. 

por Miguelito Filosófico

figura e texto-base para este post retirados daqui.

 

acordo-nuclear-ira-apUma pergunta a qual ainda não tenho resposta: por que o acordo anti-nuclear assinado nesse final de semana entre as potências ocidentais e o Irã é válido e merece ser comemorado?

Coloco isso, pois este mesmo grupo de países, chamado agora de “grupo P5+1”, ignorou o acordo conseguido por Lula (então presidente do Brasil), o primeiro ministro turco, Tayyip Erdogan, e o “temido” Ahmadinejad em 2010. Lembram-se disso? Na época, esses países descreditaram as várias horas de conversa e as assinaturas com aval da ONU para impor uma quarta “frente” de sanções ao Irã.

Tudo bem que nem Brasil, nem a Turquia eram ou são membros do Conselho de Segurança da ONU. Mas, na época, falava-se em conflito iminente, inevitável, e somente os dois países “toparam” enfrentar e conversar com o Irã. Um deles arriscava-se pela primeira vez fora de seus domínios regionais na América do Sul e o outro, conhecido aliado americano, é um dos mais influentes negociadores do Oriente Médio. O resultado veio, apesar da descrença do grupo de países “influentes” (EUA, França, Inglaterra, China, Rússia e Alemanha), como pode ser lido em declarações dos EUA aqui e da Rússia aqui.

Em 2010, véspera de eleições no Brasil, a incursão de Lula foi criticada e classificada como fiasco. Eu mesmo o critiquei; na época não via motivo de intervir em um assunto complexo e tão “distante” de nossa Nação. Hoje, todo o ocorrido foi esquecido; afinal, os únicos que ainda estão no poder são Barack Obama e Angela Merkel…

Ignorarei propositalmente alguns fatos, como: do Irã ter declarado (e continuar declarando) que o urânio por lá é para fins pacíficos, para gerar energia; do país representar um grande produtor de petróleo e opositor ao domínio americano (e, consequentemente, israelense) na região; daquele vírus desenvolvido para boicotar as usinas Iranianas de enriquecimento de urânio, do Brasil ter ajudado a evitar uma provável Guerra… Israel continua contra o acordo, descrevendo-o como grande erro e criticando diretamente os Estados Unidos. (aqui)

Oras, o ideal agora seria que a ONU e o tal grupo “P5+1” pressionasse Israel a abandonar o seu próprio programa nuclear. Mas isso nunca aconteceria! Afinal, o título de “polícia” do Oriente Médio pertence a eles, que seguem ocupando territórios de outrem e se desenvolvendo belicamente de modo impune.

por Celsão Revoltado

figura retirada do portal Terra aqui.

P.S.: Uma das notícias de 2010, contando sobre o caso, está aqui. Notícia recente do Terra aqui. E um excelente artigo também de 2010, do professor José Luís Fiori, com verdades que incomodam, pode ser lido aqui.

Gentileza_Gera_GentilezaPassados 8 meses após minha última estadia na minha pátria amada Brasil, cá estou eu novamente.
Alguns amigos perguntaram-me quais eram minhas impressões sobre o Brasil e nossa sociedade. Ora, são as mesmas de sempre, pois afinal não estamos a falar de 20 anos corridos, onde gerações inteiras se cruzam, mas sim de singelos 8 meses. Mas mesmo assim, penso que estes questionamentos acabaram me despertando uma curiosidade ainda maior que a aquela já existente em mim, e peguei-me por diversas vezes observando e refletindo sobre as coisas que eu via, ouvia e sentia.

Já na minha primeira tarde na cidade de São Paulo, sentado no segundo andar de um restaurante da Rua Augusta, fiquei observando um cruzamento, durante 2 horas. Neste período, centenas de pedestres e de veículos passaram por ali.
Os automóveis, até que oscilavam entre aqueles que paravam para os pedestres na faixa, e os que passariam por cima dos mesmos, casos estes não corressem.
Já os pedestres, estes se sentiam “Highlanders”, imortais! Não vi sequer um pedestre esperando o sinal verde de pedestre para poder cruzar a rua. Quando muito, cruzavam sobre a faixa.
Brigas foram aos montes. Pedestre cruzando no vermelho, fora da faixa, percebendo claramente que vários carros virariam no cruzamento, e mesmo assim, desfilavam pela rua, vagarosamente. E quando neste momento um motorista ou motociclista “lascava” a mão na buzina, o pedestre virava um galo, enchia o peito, usava todas as palavras chulas presentes em seu vocabulário, além de todos os gestos mais obscenos que ele deveria conhecer.

Sei também que na minha terra natal, Ubá – MG, respeitando o peso das devidas proporções populacionais, a situação não é nada melhor. Ao que dizem, e também já pude observar, os pedestres se sentem no direito de cruzar as ruas em quaisquer lugares, ignorando a existência de uma faixa de pedestre a meros 3 metros dele.
Uma vez questionei a um primo meu o porquê dele ter cruzado a rua fora da faixa de pedestre, a qual estava a alguns passos do mesmo, fato que fez com que o carro que seguia tivesse que frear bruscamente, pois não estava esperando que o pedestre fosse cruzar repentinamente fora da faixa. A resposta do meu primo: “Ahh Miguel, ninguém respeita, por que eu respeitaria?”
Isso se chama “total falta de senso de cidadania”. Danem-se as responsabilidades individuais, vou repetir o que a sociedade faz.   

Ao passar 3 semanas dirigindo diariamente em São Paulo, lembrei-me que quando resolvi sair “corrido” daquela cidade há 3 anos, o trânsito havia sido um dos principais motivos. Os engarrafamentos estressam, isso é fato. Perder de 2 a 4 horas por dia no trânsito é algo extremamente lamentável. Você passa 1/8 da sua vida sem fazer nada de produtivo, sentado dentro do carro, ou no ônibus e metrô.
Mas o que mais revolta é a falta de educação dos motoristas. Tem os espertões, que ao avistarem qualquer lacuna tratam logo de preenchê-la, costurando o trânsito do início ao fim. Tem os espaçosos, que não percebem que estão dirigindo no meio de duas pistas constantemente, não dão seta, andam muito abaixo da velocidade permitida, e coisas do tipo. E tem os ignorantes, que qualquer situação é motivo para esquentar a buzina, ou fazer um gesto obsceno com palavras do mesmo calibre, ou até mesmo perseguir seu automóvel com faróis altos e dirigindo colado em você como uma forma de medida intimidadora.

Nos bares e restaurantes a história é parecida. Cada um fala mais alto que o outro, e ao invés de diálogos, parece que estamos no meio de uma fanfarra. Mas o que ainda mais me incomoda é a falta de gentileza com os garçons. Raramente percebi alguém dizendo um “muito obrigado” ao garçom quando era atendido pelo mesmo. Olhar nos olhos deste então ao agradecer…. isso penso nunca ter visto. A impessoalidade e individualismo fazem com que o atendido não tenha qualquer interesse em olhar nos olhos do garçom, como se ele não fosse uma pessoa, mas sim uma máquina que está ali para servi-lo a todo custo.

Um dia fui ao cinema assistir ao Thor em 3D. Nem ao menos 1 minuto havia se passado do início do filme, e uma mulher a duas fileiras na minha frente ligou o celular e começou a olhar algo no facebook, mesmo com os avisos extremamente nítidos do cinema “Favor Desligar seu celular durante toda esta sessão!”.
Aquela atividade durou mais de 1 minuto. Foi quando uma moça que estava logo a minha frente pediu educadamente para que a outra desligasse o celular, pois a claridade do mesmo estava atrapalhando a enxergar as imagens 3D.
Pronto, começou a algazarra. Uma troca de “belas palavras” durou por uns 10 minutos. A turma que estava com a mal-educada também ligou o celular em forma de provocação. Mesmo com as ameaças da moça de chamar o segurança a turma não desligou os celulares. Muito bem, o segurança foi chamado, e para meu ainda maior espanto, houve bate-boca com o mesmo. Os “vândalos” diziam: Quero ver quem vai tirar a gente daqui!!!
E assim se seguiu, até que resolveram desligar o celular, aos murmúrios de revolta.

Ainda na mesma sessão de cinema, o casal atrás de mim inicia um diálogo em voz alta. “Porque nossa geladeira não tá fechando…. o gato fez xixi hoje no tapete…. ouvi no jornal que amanhã vai chover… posso comprar a viagem para Atibaia mês que vem?”…..
E eu me pergunto: Será que não poderiam conversar sobre isso no caminho de volta para casa, ou em qualquer outro momento? Tinha que ser no cinema? Se não gostam de filme de ação, ou qualquer outro tipo de filme, para que ir ao cinema?

Nas minhas experiências pessoais, bom, nestas espanta-me o fato de eu ainda me espantar. Com somente 3 a 4 semanas de estadia no Brasil, sendo que 3 semanas seriam em São Paulo e 1 semana seria de férias em Ubá, fiz o possível para já deixar compromissos pré-agendados com a maioria das pessoas com as quais eu gostaria de me encontrar.
De todas aquelas com as quais combinei algo, encontrei com talvez 60% delas, estatística até razoável. Mas tenho que considerar o fato de que eu tinha que insistir, remarcar, adaptar minha agenda, mesmo toda corrida e fora de rotina, à da pessoa. Os “bolos” foram diversos e diários. Em inúmeras oportunidades, eu reservava uma noite ou um sábado à tarde para encontrar uma pessoa, ou uma turma de amigos em comum, e justamente por isso, não marcava mais nada para aquele momento, e lá chegando, estes chegavam extremamente atrasados, ou simplesmente, não compareciam, sem nem mesmo avisar, ou dando uma desculpa esfarrapada.
Com muito otimismo, posso dizer que cumpri de forma eficiente e conforme programado, aproximadamente 30 a 40% de meus compromissos pessoais.
A falta de compromisso, responsabilidade e compreensão são de chocar, e até, traumatizar.

Chegando a Ubá, tive a sorte de estar ocorrendo o Festival Ary Barroso. Eram diversos artistas, com belas composições, belas interpretações, e muita qualidade musical. Além dos artistas pouco conhecidos, também houve dois grandes shows: Ed Motta e Milton Nascimento.
Ao adentrar no Horto Florestal, local do evento, percebi que ali não havia mais que algumas mil pessoas, talvez duas mil? Para piorar a situação, o ingresso era adquirido doando 1 quilo de alimento. Ou seja, comprava-se um pacote de feijão, fazia-se uma caridade, e assistia ao show do Milton Nascimento ou do Ed Motta, além de todas as outras belas músicas em disputa. Mas ali estavam singelas 2 mil pessoas. Isso não me indigna, nem me deixa raivoso. A única coisa que sinto é uma profunda tristeza que rompe os nervos da minha alma.
Como me disse um amigo de causas ontem à noite: Miguel, e essas músicas nunca tocarão nas rádios, pois lá só toca música de cultura de massas, como sertanejo universitário e coisas do gênero. Realmente, lamentável!

Claro que o Brasil é um país de maravilhas e nosso povo tem diversas qualidades. Estar no meu país é fantástico, e não dá vontade de ir embora novamente. Mas por trás da beleza disso tudo, realizar o exercício de lançar olhares críticos sobre as entrelinhas de nossos costumes, cultura e comportamentos, é um exercício doloroso e o resultado não é nada estimulante.

por Miguelito Nervoltado

Marina_SilvaEncontrei num desses consultórios uma revista Veja, que mostrava na capa a “importante” notícia sobre chocolates e em quadros menores o anúncio do especial de 25 anos da Constituição e o título “Eleições 2014 – A escolha de Marina”.

Como uso bastante a máxima “Conheça o teu inimigo” do livro “A Arte da Guerra”, decidi abrir a revista e ler a reportagem.

A revista mostra uma Marina emotiva (sempre aos prantos) e indecisa; talvez para desacreditá-la de uma vez como candidata. Porém, algumas coisas positivas da reportagem e do Roda Viva que vi recentemente com a ex-senadora são passíveis de análise.

Começando pelo subtítulo da matéria: “A hesitação da ex-senadora em definir a candidatura a presidente repete o conflito que marca sua carreira: manter intocáveis os seus princípios ou ceder ao pragmatismo?

Na minha opinião, a posterior (em relação a reportagem) filiação de Marina ao PSB, de Eduardo Campos, mostra uma desistência (ao menos temporária) dos princípios. Ceder, nesse caso foi desistir da brilhante campanha “quase que independente” pelo PV nas últimas eleições presidenciais. Aliar-se a um outro partido/candidato foi algo refutado pela senadora nas últimas eleições que disputou. E não foi por falta de “cantadas”, pois os quase 20 milhões de voto conquistados por Marina atraíam ambos os candidatos do segundo turno.

Essa neutralidade, que chamou a atenção de muitos brasileiros, foi por terra agora.

Daí vêm algumas frases de Marina Silva destacadas na revista, como: “Já somos partido político, sim. Se agora não temos o registro legal, temos o registro moral perante a sociedade brasileira” e “Muitos partidos se institucionalizam para depois ganhar representação social. Nós fizemos exatamente o contrário. Ganhamos representação social no país inteiro e depois buscamos a institucionalização

Aqui quero comentar que embora contra a suruba de partidos no Brasil (ver post anterior aqui), assinei eletronicamente há algum tempo um abaixo-assinado para a criação do Rede Sustentabilidade. Não sei se essa assinatura via internet contou. Sei que assinatura “no papel” não houve (ao menos de minha parte) e achei estranho a aprovação ter falhado justamente no ponto mais “fácil” do processo.

Alguns blogueiros escreveram na época que foi um plano proposital, de clamar a atenção da mídia após estar ausente das eleições de 2012, para depois unir forças ao pré-candidato Eduardo Campos. Não acredito nisso, ou melhor, não quero acreditar nisso.

Pra finalizar, uma frase estranha: “Nem direita, nem esquerda. Estamos à frente

Pra início de conversa, negar a existência da dicotomia direita-esquerda é papo da direita. Que há algum tempo foca nesse discurso para despolitizar e “emburrecer” de argumentos as campanhas, projetos e plataformas de governo.

E, cá pra nós, Marina Silva negar a clara convicção de esquerda, trazida desde a fundação do PT e das origens no Acre defendendo a floresta Amazônica é negar a si mesma! Talvez o discurso tenha mudado para atrair políticos como Heloísa Helena e Walter Feldman, que entrariam no Rede. Mas, creio que mesmo o ex-tucano aceitaria uma clara definição social e radical do partido que seria criado.

Uns podem dizer que as influências e apoios recentes de Marina, como o banco Itaú, disfarçado de “empresa responsável e sustentável” a impeçam de ser o que realmente é (ou foi).

Se por um lado, ela não fugiu de temas como corrupção, reforma política, casamento gay e black blocs durante a entrevista ao Roda Viva; por outro creio que falta nela, pra mim, algo de Plínio, Heloísa, de radicalismo (ou de PSOL) para abarcar de vez os insatisfeitos com os dois (ou três) maiores partidos que governam o país há duas décadas.

por Celsão correto

figura retirada do site oficial de Marina Silva (aqui)

link para vídeo do programa Roda Viva (aqui)

RadioNacionalPrimoRicoPrimoPobreEm vista dos últimos acontecimentos e divulgações de gastos exorbitantes pelo chamado “rei do camarote” (post nosso AQUI) e pelos fiscais fraudadores do ISS do município de São Paulo, faço aqui uma singela comparação entre o que julgamos ser rico e a distribuição de renda no Globo.

Topei recentemente com um vídeo interessantíssimo que mostra a desigualdade da distribuição de renda no Mundo.

O autor usa fontes confiáveis (por exemplo, a ONU) para mostrar que as 300 pessoas mais ricas do mundo, tem mais dinheiro que as 3 bilhões mais pobres. Ou seja, as 300 mais ricas, possuem praticamente o mesmo tanto de dinheiro que a metade mais pobre junta!

Outra dessas constatações mostra que os 2% mais ricos do mundo, possuem mais dinheiro que o somatório dos outros 98% dos habitantes!

E nós aqui, julgando-nos bem informados, politizados e pobres! (Talvez por não acharmos absurdamente cara uma compra de supérfluos no supermercado). Ou criticando programas sociais achando que eles nos estão tirando dinheiro… Como diriam “brincando com a gíria”, o buraco é mais embaixo!

O vídeo está aqui.

Outro exercício interessante que os convido a fazer encontra-se no site Global Rich List (aqui) .

O site faz a proposta de mostrar, pelo salário anual que recebemos, onde estamos na escala global, apontando quantos indivíduos são mais pobres e mais ricos que nós.

E não para por aí, outras ótimas comparações são feitas, escancarando a condição dos pobres da Terra, mesmo tomando a realidade brasileira.

Me permiti fazer dois exercícios: no primeiro, coloquei como salário 90 mil reais anuais, assumindo-o como valor referência do programa mais médicos do governo federal; salário esse considerado absurdo e ultrajante por alguns profissionais brasileiros da medicina.

Não inseri décimo terceiro salário e tomei por bruto um salário de 10 mil reais com 25% de impostos . Pois bem…

Tais médicos estariam no seleto grupo dos 0,29% das pessoas mais ricas da Terra. Um salário equivalente a 307 anos de um trabalhador mediano em Ghana.

No segundo exercício, inseri o valor de 8840 reais; que seria equivalente a treze vezes R$680, o salário mínimo brasileiro. (não considerei descontos de imposto).

Mesmo recebendo um salário mínimo, o trabalhador brasileiro atingiu a faixa dos 21% mais ricos…

Pense e reflita. É justo reclamar como reclamamos?

Tente, depois desses exercícios, levar um pouco a sério alguns programas sociais e a vida dos outros habitantes do planeta, a vida “do próximo”!

por Celsão Correto e Miguelito Formador

P.S.: figura retirada daqui

Rei_Camarote

Vi o comentário do Jornalista Bob Fernandes sobre o vídeo do rei do camarote (vídeo aqui). Confesso que não tive saco de procurar o vídeo do cara no youtube. Alinhado ao comentário do Bob, reparei nas minhas poucas entradas no facebook, que este caso estava bombando por ali. Pois bem, nem vou me aprofundar no mesmo, pois ao perder tempo com ele especificamente, estarei afogando meu ego na mesma futilidade a qual desprezo.

Mas aproveitando as reações que vi a favor do magnata, dizendo que o dinheiro é dele, e por isso ele faz o que quiser com o mesmo, e coisas do tipo, resolvi escrever um breve conto, que segue abaixo:

Pedro Luis nasceu num berço de ouro, papai tinha uma fortuna de 400 milhões de Dólares. Pedro foi criado com muito mimo, nunca aprendeu a dar valor à essência da vida, ao amor, ao próximo, às tristezas e problemas ao seu redor, à pureza da natureza, à satisfação de realizar uma gentileza.

Papai morreu, Pedro herdou tudo, e torrou sempre do jeito que quis, com farras, baladas, drogas, mulheres, com mansões, carros (atropelando os outros em “pegas” nas ruas), etc.

João por sua vez, nasceu num casebre numa favela, à beira do esgoto. Quando chove, o esgoto entra dentro de casa. Ele divide um quarto com seus outros 3 irmãos, com os pais, e os dois cachorros de rua que a mãe adotou. O pai era trabalhador honesto, braçal e a mãe era empregada doméstica. Ambos juntos somavam 900 reais de salário. Justamente por isso, João e seus irmãos tiveram pouco estudo, pois tiveram que ajudar no lar, trabalhando de 6 a 10 horas por dia desde os 6 anos de idade. João tentou se dedicar aos estudos até, mas quando o pai morreu durante uma briga de gangues, com uma bala perdida, tudo ficou mais difícil. A mãe, 2 anos depois, teve uma inflamação muscular, e por falta de acesso a médicos e medicamentos mais caros, ficou praticamente inválida para o trabalho.

Assim João e seus irmãos se tornaram adultos, sem estudos. Por falta de qualificação foram obrigados a repetir as “carreiras” dos pais, trabalhadores braçais que ganham abaixo do salário mínimo.

Pedro, com toda sua fortuna, poderia sim esbanjar, gastar com futilidades, obviamente, é direito dele. Mas se ele fosse um ser humano com o mínimo de compaixão, sensibilidade , ética, moral, amor no coração, então ele pegaria 20%, 30%, 40%, ou até mais de seu dinheiro, e investiria em ONGs de ajudas sociais, ou faria doações, criaria empresas que fizessem projetos para educação ou distribuição de renda, ou coisas do tipo, e mesmo assim, ainda sobraria dinheiro para ele esbanjar, e pagar mulheres e homens para estarem artificialmente com ele.

Mas não, Pedro optou por um caminho, caminho este que é defendido por aqueles que foram alienados por um discurso de inversão de valores: Optou pelo seu magnânimo direito de ser um extremo egoísta, individualista, narcisista, para o qual o fato de milhões, bilhões estarem passando fome, sendo comidos vivos por urubus, e viverem dezenas de gerações no ciclo eterno da inércia da pobreza, assim como João e seus irmãos, não faz a menor diferença. Afinal, Pedro deu sorte, e ter sorte não é culpa dele, ora bolas!!! Ou talvez, Pedro tenha se esforçado e por isso merece tudo que tem, enquanto João não se esforçou suficientemente. Ou seja, culpa do João, incompetente!

por Miguelito nervoltado

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Quando vi esse vídeo a primeira vez, pensei na palavra fútil.

Depois me veio desonroso. Pois pensei num pai de família que “subiu” de classe recentemente e hoje pode não só comer melhor, mas prover educação para um filho pagando sua faculdade, por exemplo.

Façamos outra conta: se a média do salário do brasileiro é de R$1507 (dados divugados em Setembro, provenientes do PNAD 2012 – aqui), por ano, ganha-se R$20.000, tomando em valor bruto e arredondando o valor pra facilitar. Nessa linha, o assalariado precisa economizar por três anos para “curtir” um camarote, como o tal sujeito curte; e, lembrando, sem gastar mais nada com outra coisa.

Mas o que mais me incomodou foi a utilização do verbo agregar. Quando se fala em agregar, penso em algo que realmente traz benefícios, melhora, acresce de alguma forma. E, nem o vídeo, nem o comportamento, nem a utilização do termo “mandamentos” agrega!

O vídeo é tão patético, que inúmeras imitações e paródias surgiram e surgirão.

Ele mostra apenas a futilidade dele e das pessoas que usufruem do dinheiro dele. E, seguindo a cartilha capitalista, cria um ponto inatingível, de desconforto na sociedade, de desejo de consumo; para que o filho daquele cidadão que melhorou de vida e está feliz com suas conquistas, se revolte por ser “muito pobre” e se frustre por não atingir o nível do tal “Rei”.

É isso que a Veja quer. Aliás, não esperava nada diferente dessa revista.

por Celsão revoltado

P.S.: escrevemos nossos textos separadamente e os postamos sem adaptações.

figura retirada no vídeo do youtube da Veja SP (aqui)

Atendimento tipo NET

Posted: November 7, 2013 in Comportamento, Outros
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Post_AtendimentoResoluto, apanho o telefone.

Disco para o número do adesivo que colei atrás do controle remoto (um modo que encontrei de ter o telefone “sempre à mão”, embora não desejasse usá-lo muito).

Uma máquina me atende e solicita CPF/CNPJ para identificar o cliente. “Pronto!” – diz a máquina – “Já o identifiquei.” – continua ela – “E vejo aqui que sua região está com problema intermitente/de sinal/em manutenção“. A razão parece randômica, mas até a máquina sabe que não estou conseguindo sintonizar os canais, que tenho problemas com a imagem. A previsão de retorno do sistema é outro “chute” ao meu ver. “Seu sinal deve voltar ao normal até o meio-dia“, me informa o rapaz cordial.

Na realidade, tenho problemas há dias com todo o infeliz “Combo” contendo TV, internet e telefone fixo. Nada funciona. Ao solicitar que fosse atendido por uma pessoa, vem o primeiro arrependimento com a demora, provavelmente proposital. Afinal, muitos devem desistir nessa etapa…

Dona Thalita Augusta me atende. Não sei se há “H” no nome dela, nem o porquê da utilização de nomes compostos que não combinam, mas ainda estou calmo.

– Oi Thalita, meu nome é Celso e gostaria de mais detalhes sobre o problema que está acontecendo com o meu sistema.

– O senhor poderia me informar o CPF da conta? (primeira agressão à minha inteligência e ao departamento de TI, que deve ter interligado o primeiro ao segundo atendimento)

– Eu acabei de digitá-lo. Você não consegue visualizar? Não aparece pra você?

– Só um minuto senhor. (a primeira vez foi rápido; ela deve ter apenas colocado em “mudo” e me xingado para que os outros operadores ouvissem)

– Não. – responde Thalita.

Digo o CPF e tenho ainda que confirmar outros dados, incluindo o nome deles dado ao meu “pacote” que já havia esquecido. Nova pausa na confirmação, um pouco mais longa.

– Pois bem senhor, vejo que o senhor tem problemas na sintonia dos canais.

– Tenho problemas em todo o meu serviço. E há cinco dias!

– Só um minuto por favor. (dessa vez ela deve ter torcido para que eu desistisse. Demorou bastante. Tempo suficiente para que ela escrevesse um SMS para alguém)

– Correto senhor. (correto o quê???) Nosso técnico já está no local para resolver o problema. Os canais devem voltar logo. (segunda agressão à minha inteligência. Dessa vez não agüento…)

– Voltar logo? O que isso quer dizer?

– O sistema deve retornar ao normal ainda hoje.

– Você disse que o técnico está no local. São oito da noite. Onde está o técnico?

– O técnico está na sua região, senhor. É um problema em toda a região. (resposta número 04 da cartilha, suspeito eu)

– Você poderia me informar se eu pagarei por um serviço que não usufrui.

– Oi? Não entendi senhor (travei o cérebro dela)

– Quero saber se esses dias sem internet serão cobrados por vocês.

– A NET desconta automaticamente da próxima fatura (sic)

Não entendi, mas deduzi que eu teria desconto na próxima conta. Então provoquei.

– Você pode me dizer qual será o desconto?

– O valor não será cobrado. (entramos na área nebulosa dos argumentos de Thalita)

– Que valor? Você pode me dizer quantos dias vocês possuem registrados que estou sem serviço?

– Um minuto senhor. (longa pausa. Mais de cinco minutos. “E esse cliente não desliga!” Deve ter comentado ela com os colegas…)

– Você tem os números dos protocolos? (assuntos se misturando. Estou forçando-a a pensar)

– Você quer os protocolos que abri reclamando da falta do serviço?

– Sim, você pode me passar os protocolos?

– Não tenho os números. A pergunta foi outra. (Mas eu a ajudo) Quero saber quantos dias serão descontados da minha próxima fatura.

– O senhor não tem os protocolos?

– Minha senhora, o ônus da prova é de quem acusa.

– Mais um minuto por favor. (aqui ela deve ter pirado, ou estava tentando entender minha frase. A pausa foi também longa)

– A desconto vem automático na conta.

“Duvido!”, pensei. Mas mudei um pouco a estratégia.

– Perfeito então. Eu gostaria agora de registrar uma reclamação.

– Só um minuto senhor. (Haja paciência!)

– Reclamação, senhor? – perguntou atônita minha querida Thalita

– Sim. Quero fazer uma reclamação sobre a falta de serviço a cinco dias.

Dessa vez o “mudo” não foi pressionado. Ouço-a digitar. A digitação segue por algum tempo. Creio que ela estava escrevendo um email a um velho amigo…

– Thalita?

– Pois não senhor.

– Registrou a reclamação?

– Sim. (mais digitação) Estou terminando.

– Qual o número da minha reclamação?

– Esse (outra agressão a tudo o que sei… “esse”? Isso lá é resposta?)

– Não entendi – digo já nervoso – você fez a reclamação que pedi? Qual o número desta reclamação? Existe um número para uma reclamação, certo?

– É esse mesmo número. (Que número? Ninguém me passou número algum…)

– Quero então fazer uma reclamação por não conseguir fazer uma reclamação. (agora sei que exagerei. Ela vai levar duas horas pra entender essa)

– Só um minuto. (falei…)

– Senhor, o que o senhor deseja? (Desisto. Vou largar as armas)

– Nada Thalita. Obrigado e boa noite.

– A NET agradece a sua ligação. Boa noite. (UFA! Deve ter pensado ela. E foi fazer a pausa para resfriar o cérebro)

por Celsão irônico

P.S.: Essa é uma estórica trágica, porém real. Por ficar sem internet por uma semana, fiquei sem escrever no blog e privado de poder trabalhar de casa, incomunicável para aqueles que me enviaram email ou ligaram no telefone fixo.

P.S.2: Figura retirada do excelente vídeo do “Porta dos Fundos” sobre problemas com atendimento de telefonia celular (aqui). Outro problema crônico no Brasil e campeão de reclamações.

Até onde vai a nossa culpa?

Posted: November 5, 2013 in Comportamento
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Crime_castigo Há duas semanas, saiu na mídia a notícia de uma condenação inédita nos Estados Unidos. Um jovem foi condenado a seis anos de prisão por ter cometido um assassinato, estando alcoolizado e ao volante.
Pode-se dizer que a condenação, ou ao menos o julgamento, foi inédito, pois o acusado gravou um vídeo com sua própria confissão. O vídeo, disponível em versão dublada aqui teve muitas visualisações nos EUA, chegando a 2 milhões de exibições. (em sua versão original)
O rapaz, além de confessar o crime, termina o depoimento digital com uma lição de moral digna de propagandas e programas educacionais.

O que mais me motivou a escrever esse post não foi a notícia em si, por si só interessante e surpreendente; mas a incrível semelhança com o livro “Crime e Castigo” do russo Fiódor Dostoiévski.
Pra quem não conhece a estória, a personagem principal comete um crime a passa boa parte do enredo imaginando situações hipotéticas de auto-delação, como se sua própria consciência o denunciasse. O autor narra o conflito filosófico com primor, fazendo o leitor também pensar e avaliar as ações do jovem Raskólnikov.

A atitude do jovem americano foi notável; mas me pus a pensar na razão dele ter gravado o vídeo, no número provável de pessoas que fariam o mesmo, nas famílias que incentivariam o ato, no juiz que não amenizou a sentença.
Daí pensei nas mentirinhas contadas na escola ou aos pais, nos pequenos atos ilícitos socialmente aceitáveis, como o primeiro cigarro ou o primeiro gole de álcool, primeira cerveja. Aquela primeira barbeirada raspando num outro veículo…

Muitas vezes pesamos na mente alguns atos cometidos e imaginamos a cena de outra forma. Muitas vezes ouvimos ações lamentáveis de parentes, amigos, colegas e as condenamos, julgando. Mas dificilmente nos imaginamos assumindo a culpa, como fez o jovem Matthew, ainda mais sabendo de todas as complicações decorrentes de um ato como esse.

Não conheço as leis em outras partes do mundo, mas aqui existe uma “máxima” incontestável que diz que o cidadão não pode criar provas contra si mesmo. O que aconteceria com esse vídeo por aqui? E o que dizer de confissões aos montes nas redes sociais do mesmo teor dessa realizada no vídeo gringo?
Provavelmente um experiente (e caro) advogado seria contratado pelo pai do autor do vídeo e o jovem permaneceria impune. O próprio Matthew aventou essa chance de impunidade, baseado numa mentira que contaria e numa falsificação feita por advogados.

Voltando à parte filosófica do tema para concluir: até onde iria a culpa do brasileiro? Até que ponto nossa consciência pesaria? E que rótulo levaria um réu confesso em vídeo?

por Celsão correto e filosófico

figura retirada do vídeo do youtube.

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