Até onde vai a nossa culpa?

Posted: November 5, 2013 in Comportamento
Tags: , ,

Crime_castigo Há duas semanas, saiu na mídia a notícia de uma condenação inédita nos Estados Unidos. Um jovem foi condenado a seis anos de prisão por ter cometido um assassinato, estando alcoolizado e ao volante.
Pode-se dizer que a condenação, ou ao menos o julgamento, foi inédito, pois o acusado gravou um vídeo com sua própria confissão. O vídeo, disponível em versão dublada aqui teve muitas visualisações nos EUA, chegando a 2 milhões de exibições. (em sua versão original)
O rapaz, além de confessar o crime, termina o depoimento digital com uma lição de moral digna de propagandas e programas educacionais.

O que mais me motivou a escrever esse post não foi a notícia em si, por si só interessante e surpreendente; mas a incrível semelhança com o livro “Crime e Castigo” do russo Fiódor Dostoiévski.
Pra quem não conhece a estória, a personagem principal comete um crime a passa boa parte do enredo imaginando situações hipotéticas de auto-delação, como se sua própria consciência o denunciasse. O autor narra o conflito filosófico com primor, fazendo o leitor também pensar e avaliar as ações do jovem Raskólnikov.

A atitude do jovem americano foi notável; mas me pus a pensar na razão dele ter gravado o vídeo, no número provável de pessoas que fariam o mesmo, nas famílias que incentivariam o ato, no juiz que não amenizou a sentença.
Daí pensei nas mentirinhas contadas na escola ou aos pais, nos pequenos atos ilícitos socialmente aceitáveis, como o primeiro cigarro ou o primeiro gole de álcool, primeira cerveja. Aquela primeira barbeirada raspando num outro veículo…

Muitas vezes pesamos na mente alguns atos cometidos e imaginamos a cena de outra forma. Muitas vezes ouvimos ações lamentáveis de parentes, amigos, colegas e as condenamos, julgando. Mas dificilmente nos imaginamos assumindo a culpa, como fez o jovem Matthew, ainda mais sabendo de todas as complicações decorrentes de um ato como esse.

Não conheço as leis em outras partes do mundo, mas aqui existe uma “máxima” incontestável que diz que o cidadão não pode criar provas contra si mesmo. O que aconteceria com esse vídeo por aqui? E o que dizer de confissões aos montes nas redes sociais do mesmo teor dessa realizada no vídeo gringo?
Provavelmente um experiente (e caro) advogado seria contratado pelo pai do autor do vídeo e o jovem permaneceria impune. O próprio Matthew aventou essa chance de impunidade, baseado numa mentira que contaria e numa falsificação feita por advogados.

Voltando à parte filosófica do tema para concluir: até onde iria a culpa do brasileiro? Até que ponto nossa consciência pesaria? E que rótulo levaria um réu confesso em vídeo?

por Celsão correto e filosófico

figura retirada do vídeo do youtube.

A notícia pode ser lida aqui e aqui.

Comments
  1. Flavio A R Souza says:

    Nossa culpa pode não ser a mesma de milhares, mas considero um ato corajoso desse jovem. Quem dera se alguns ou muitos dos inconsequentes que causam acidentes por dirigirem embriagados ou drogados, tivessem meia coragem ou meio caráter desse aí, estaríamos bem melhores… agir corretamente independente da consequência isso é nem é raro, é quase uma exclusividade!
    Sempre em frente rapazes, totalmente apoiados!

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s