rolezinhonoleblonPois é… Rolezinhos. Aquilo que os jovens de férias pelo Brasil têm marcado via redes sociais, quem diria, está virando um problema político e social.

Político, pois alguns já sugerem que os governantes recebam alguns dos organizadores para entender o que eles querem com isso. (!?!)
Parodiando o grande Stanislaw Ponte Preta e sua personagem Tia Zulmira, a filósofa da Boca do Mato: “Mas os meninos só querem encontrar outros meninos, se divertir, conhecer garotas. Pra quê complicar?

Social, pois estamos diante de uma demonstração clara de preconceito e abuso do poder por parte de empresários.

Aqui vão algumas palavras minhas sobre o tema. Como tudo nesse blog, independentes e diretas…

– É fantástico como as redes sociais realmente pulverizam a informação. Um convite que começou com um “vamos dar uma volta no shopping tal” e “curta e compartilhe”, virou meme (pra quem não sabe o que é, segue o significado de meme) e atraiu milhares de confirmações.
– É incrível como existe um senso de competição entre os jovens. Sadio, quando controlado e sem abusos. O primeiro convite gerou outros e frases do tipo “nós aqui da zona norte(-oeste-sul-leste) temos de fazer melhor que eles!”
– Daí vem, claramente, a incapacidade dos centros de compras em receber de uma só vez alguns mil jovens, não há preparação possível. Muito menos treinamento para os seguranças
– Então entendo (só um pouco) o lado dos donos de shoppings. Sem estrutura e sem preparo, melhor tentar prevenir a “invasão” dessa galera, proibindo-os de entrar.

Pra quem acompanhou o pensamento. Até faz sentido…
Se… os jovens não fossem em sua grande maioria da periferia e negros
Se… esses jovens não chegassem ao shopping ouvindo funk ostentação num alto volume
Se… alguns desses jovens não tivessem a consciência do “choque de acessos” que estão causando
Se… a classe média não se sentisse agora acuada e preocupada com essa apropriação do espaço “dela” pelos desfavorecidos

Este choque entre ricos e pobres e, em menor grau, negros e brancos; entre os dois lados da marginal, entre os que têm e os que gostariam de ter, abre a ferida do preconceito velado. Mostra (aos que sabem ler) a mais nua e crua objeção da classe média aos ascendentes ou àqueles que (com muito esforço) usam as marcas badaladas da própria classe média.
Por quererem ser aceitos, ou melhor, para se sentirem incluídos, parte da sociedade, ou mais profundo ainda, para se sentirem GENTE, os jovens pobres lutam para comprar e ostentar as marcas da moda. 

E a resposta da elite é simples: é o “absurdo” de permitir que pessoas “sem cultura” invadam “nosso espaço”, o espaço das patricinhas dos Jardins (-Mooca-Santana-Leblon).
Se entrarmos no detalhe antropológico do movimento, a elite não vê os pobres nos shoppings, logo eles não existem; e os pobres não sabiam que podiam frequentar o shopping, pois aquele “mundo” não é o meu!
Embora eu não creia que haja real consciência disso na maior parte dos organizadores destes “passeios”, tenho visto isso: a invasão e o choque de acessos! Vejo donos de shoppings perdidos, que não querem perder os clientes, mas não sabem o quê fazer.
Todo jovem negro já foi “seguido” por um segurança (também negro) nos shoppings da elite Paulista (Iguatemi, por exemplo). O problema agora tornou-se maior e fora de controle, pois não é um grupo pequeno de garotos negros, mas milhares deles.

Importante salientar também que, em alguns casos, foram registrados roubos, entre correrias. Ninguém informou se as correrias foram provocadas por ação da polícia ou por própria iniciativa de alguns poucos jovens vândalos. Mas, para a elite, os roubos são um prato cheio…

Vejamos o que mais vem por aí.

por Celsão correto.

– Ao invés de colar links diversos da imprensa sobre o assunto, segue um texto de uma antropóloga – aqui.

– Encontrei também um vídeo-paródia hilário que retrata bem as duas interpretações do “fenômeno”, através dos olhos de um político – aqui.

– Se quiserem ler um pouco sobre Tia Zulmira, segue trecho de entrevista com a personagem. (link)

– figura retirada daqui. Rolezinho marcado no Shopping Leblon com mais de 8000 confirmados!

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