Archive for February, 2014

ro-de-sao-paulo-sp-na-tarde-desta-quarta-feira-a-capital-paulista-teve-hoje-a-menor-umidade-relativa-do-ar-no-ano-com-apenas-14-1391026813338_1920x1080Acompanhamos no Brasil, recentemente, frases veiculadas na imprensa alardeando “o dia mais quente dos últimos 40 anos” ou “o Fevereiro mais quente de todos os tempos” e também “a maior média de temperatura no início do ano desde a década de 70”.
A verdade é uma só: os dias (e meses) só ficarão mais e mais quentes no verão.
A ONU divulga frequentemente relatórios sobre clima e aquecimento global. E, se nos últimos 120 anos houve aumento global médio de 1 (um) grau Celsius, a previsão para esse aumento até 2100 é de 2 graus Celsius. Obviamente, o homem é o principal causador deste aumento: o texto fala que há 95% de chance do homem ter causado mais da metade desse aumento.
Agora pensemos: se com o aumento de um grau as temperaturas globais mudaram tanto, o que acontecerá com os dois graus? (pra não usarmos o pior cenário da previsão que aponta um aumento de 4,8 graus!)

É um círculo vicioso. A temperatura aumenta devido ao desmatamento, que ocorre em nome do “desenvolvimento”, que gera empregos, mas necessita de fontes de energia, tanto para produzir, quanto para “consumir” o que foi produzido, e essas fontes (carvão, gás, hidroelétricas) precisam de mais desmatamento e geram mais degradação do meio ambiente e mais aumento de temperatura.
E o pior, essa degradação traz “de carona” um maior número de inversões térmicas, escassez de chuvas e/ou inundações frequentes, invernos nunca vistos anteriormente, seja pelo frio extremo ou pelas temperaturas inesperadamente amenas (tomemos Sochi, que tem tido trabalho em manter a neve durante as Olimpíadas de inverno), furacões e tornados, dentre outros fenômenos naturais.

Pra mim, o mundo precisa urgentemente reduzir, viver com menos!
Menor demanda de energia, menor número de veículos particulares, menos itens ligados na tomada, menos alimentos processados ou embalados, menor necessidade de produtos industrializados, etc.
E, caso aliado a isso aprendêssemos a ser mais eficientes, principalmente com fontes renováveis como o sol e o vento, seria possível reverter o caos iminente que se aproxima.
E não me venham com a teoria que essas energias são caras… Quem quer usar energia, que pague seu preço, como é feito com o petróleo! Que importa se o carvão é barato e polui? Ou ainda….

Sim, utópico e romântico, como sempre.

por Celsão correto.

figura retirada do portal UOL
como artigos de referência, aqui um bom resumo sobre o relatório climático da ONU. Aqui e aqui duas notícias de temperaturas recordes, também do portal UOL.

A crise no Brasil

Posted: February 11, 2014 in Política
Tags: , ,

Annual Meeting 2014Escrever sobre a “crise” no Brasil pra mim não é fácil.
Sou do tipo de pessoa romântica e ufanista, que adora essa terra e acredita nela (e nos brasileiros), mas aqui vai uma “opinião pirata” mais isenta que consigo fornecer.

O Brasil está em crise?
Não!
E a seguir explicarei os meus porquês…

Os argumentos em prol da crise falam em baixo crescimento do PIB, desindustrialização, inflação, balança comercial desfavorável.
Oras, não houve o crescimento planejado em nenhum dos BRICs no último ano. Sequer a China chegou aos dois dígitos esperados; tanto que hoje se fala mais de países como México, Coréia, Malásia e menos dos BRICs.
A desindustrialização é um problema grave, em meu julgamento, mas “antigo”. Desde a abertura precipitada do mercado feita pelo então presidente Fernando Collor, percebe-se o fenômeno. E, quem tem contato com a Indústria de um modo geral, vê isso no dia-a-dia. Não há proteção de mercado contra itens importados, de modo que até roupas são compradas da China atualmente. Mas… voltando ao tema… Esse não é um problema novo.
A inflação é formada pela especulação e pelo mercado. Se há mais dinheiro circulando (ascensão da classe média, maiores rendas), há mais procura por determinados produtos e os preços variam. Por outro lado um problema específico na safra de determinado produto (por exemplo, o tomate) faz com que os preços subam e haja supervalorização do ocorrido.
(Não dá pra dizer que não houve aumento da inflação; mas o aumento ainda está perto do limite “previsto” pelo governo.)

Por outro lado, não há como negar alguns avanços importantes do país, principalmente no aspecto social. O que causa um grande problema para empresários e elite; pois ao invés de incentivos que favorecem grandes indústrias (redução de IPI, por exemplo) ou aos banqueiros e construtoras (via favorecimentos), muito dinheiro é aplicado em programas como “Minha Casa, Minha Vida”, “Bolsa Família”, “ProUni”, “Ciência sem Fronteiras”, etc.
Avanços na infraestrutura são notáveis; licitações e concessões para rodovias, portos, aeroportos e (acreditem!) ferrovias estão em processo. E o melhor: envolvendo capital privado. O que, para o governo, é excelente; pois apesar de “abrir mão” do direito de exploração ou controle, tem as obras realizadas sem onerar os cofres públicos.
A redução dos gastos públicos, se não atingiu o valor desejado, ao menos escancarou os abusos via portal de transparência (veja um post nosso aqui). O que já é um bom começo.

O que eu criticaria em toda essa estória…
– O atraso nos investimentos em infraestrutura, que causa apagões pelo Brasil, causou gastos extras nos estádios e provocará uma “vergonha” Nacional, quando nos depararmos com o legado da Copa (deveria dizer SEM o legado). Muitas expansões em aeroportos e acessos, que foram iniciadas, não serão construídas a tempo, sem contar o sem número de obras adjacentes.
– O foco de seguir sendo um país agrícola exportador e de criação de gado. Aqui não estou proclamando a necessidade de Reforma Agrária, mas o alinhamento com as premissas de desenvolvimento, inovação e não-desmatamento.
– A não realização de reformas, que foram assumidas em discurso pós-manifestações de Junho. Pois, embora imagine as dificuldades políticas disso, creio que uma chance de ouro e com apoio popular foi desperdiçada.
– O atabalhoamento nas realizações das concessões federais: portos, ferrovias, obras do PAC.
– Os acordos ou “conchavos” com PMDB e elite (empresarial, latifundiária)
Enfim… Pontos que não avançariam (visão mais provável) caso a oposição viesse a ser governo, mas que me descontentam no governo atual.

Agora, tomar o último episódio de exposição mundial da presidente: o fórum mundial de Davos, como um “tiro pela culatra” é exagero demasiado.
Em primeiro lugar, Dilma falou em responsabilidade fiscal, equilíbrio de contas públicas e crescimento através de medidas de longo prazo. Pontos importantíssimos qualquer que fosse o desenrolar da crise mundial de 2009.
A oposição e determinados jornais imperialistas criticam nossa economia por ser em grande parte consumo interno. Oras, se o mercado interno está em expansão e é interessante, por que não investir nele e usufruir desses benefícios?
Criticar a dependência do mercado interno, principalmente pensando em 2009, é burrice!

Voltando ao discurso, acho que ela errou ao fugir do tema proposto “A reconfiguração do mundo: consequências para sociedade, política e negócios”; por focar na austeridade (ferramenta controversa, que muitas vezes freia o real desenvolvimento) do mercado, buscando indiretamente investimentos externos.
Mas usou parte do tempo explanando os avanços sociais obtidos, que são incontestáveis!

Entre ter investidores externos (na maioria, especuladores) pouco interessados no país e “baixar as calças” como fez o presidente do México pouco antes de Davos, através da alteração da lei e liberação da privatização da Pemex (Petróleo Mexicano), só pra ser aplaudido pelos países ricos no Fórum… Fico com a primeira alternativa! E sem titubear!

Concluindo este post longo, digo que não há crise do modo como a oposição (leia-se PSDB, DEM) quer fazer a população acreditar. Embora ache que a alternância de poder é necessária e salutar, quero que seja “ganha” com ideias e não através de política do terror!

por Celsão correto

P.S.: Em relação a Davos, indico dois textos curtos para leitura. O primeiro bem otimista com os resultados (aqui) e o segundo retratando a opinião do Financial Times e Veja (ou “mídia imperialista”) – aqui.
Para os que querem ler a opinião de Paulo Moreira Leite, sobre o presidente Peña Nieto (aqui)
Para quem quer investir trinta e poucos minutos e ouvir o discurso de Dilma em Davos (aqui)

P.S.2: figura retirada do discurso de Dilma.

ÉticaMesmo que vocês não percebam, ou insistam em não enxergar onde as diversas áreas, comportamentos, instituições, pensamentos, da vida se cruzam e tomam o mesmo caminho de mãos dadas; este cruzamento existe.
A corrupção, o individualismo, o narcisismo, a elevação do ego (egoísmo), falta de solidariedade, desrespeito à liberdade do próximo, passividade, preguiça, exploração, subjugação, a indiferença…. são todos face de uma mesma moeda, o MAL.

Se você trata seus próximos com indiferença ou frieza, não é complacente aos problemas e sofrimentos dele…. não se engane, você não é melhor que um político corrupto, ou que um juiz narcisista. Você é farinha do mesmo saco.

Não basta você achar Hitler um bárbaro. Se você chega em casa, senta no sofá para assistir ao futebol ou à novela, e ainda grita com sua esposa (seu marido) enquanto ela (ele) cozinha carinhosamente para você; ou se você briga num estádio de futebol, hostilizando pessoas por terem um gosto diferente do seu; se você briga no trânsito, fechando propositalmente outros motoristas, desrespeita pedestres, ciclistas, motoqueiros; ou se você exige daqueles que se relacionam com você, coisas que você não faz por eles; se você não reflete todas as vezes que passa por um mendigo, e se pergunta porque/como ele chegou até ali, de onde ele vem, e o que você poderia fazer para ajudá-lo; se você discute com alguém próximo, e após a discussão você fica bem e tranquilo, porém percebe que o outro está mal e com dificuldades de superar o episódio, e isso não te incomoda, pois afinal, VOCÊ está bem; significa que você é um(a) bosta! Você é mal!
E não precisa fazer todos acima, não… basta fazer qualquer um deles, ou qualquer tipo de ato semelhante aos descritos, e bingo: você agiu de forma maldosa, e o mundo se tornou um pouquinho pior, por causa de VOCÊ!

Ser bom exige ética, desenvolvimento de valores, coerência e muita, mas muita disciplina e dedicação. Exige vontade!

Assista AQUI ao vídeo do jornalista Bob Fernandes, onde ele analisa as atuais disputas e desrespeitos entre os Poderes Legislativo e Judiciário no Brasil, e como isso é um reflexo do mal da sociedade, do ser humano.
E AQUI indico um excelente artigo, o qual já indiquei anteriormente em outro post, onde o autor mostra detalhadamente que o grande mal do mundo não está em grandes atos bárbaros, mas sim na repetição diária de pequenos atos de falta de atenção.

por Miguelito Formador

figura daqui

A justiça cega do BrasilUma boa parte da sociedade brasileira comemorou há pouco tempo a “vitória” da Justiça ao condenar os chamados “Mensaleiros”, principalmente José Dirceu e José Genoíno.
Ao mesmo tempo, uma outra parcela da sociedade alertava para o fato de que o julgamento do Mensalão não representava um progresso na Justiça e tampouco na política brasileira. Pelo contrário, representava “um pouco mais do mesmo”, o que seria a manutenção das mesmas tradições elitistas e conservadoras, afinal, foi o único caso de improbidade administrativa na política brasileira que havia sido julgado com rigorosidade ímpar – inclusive passando por cima da Constituição, da ética e dos costumes, para condenar os réus – justamente por se tratar de um partido/governo mais popular e progressista que praticamente todos os outros que governaram este país por 500 anos. Ou seja, quando justiça “foi feita”, o foi para com políticos mais progressistas, que tendiam a tentar quebrar o Status Quo, ao invés de ter sido aplicada àqueles que mantém tradicionalmente o Status Quo.

A Justiça dormia; acordou quando algo colocava em risco o Status Quo, a desigualdade social, as regalias de poucos em detrimento do sofrimento de muitos, e após ter feito seu trabalho freando o progresso, voltou a dormir, se acomodando nos braços de Morfeu.

As provas de que esta segunda parcela da sociedade parecia ter razão já começam a ficar um pouco mais claras. Após o Mensalão, havia a esperança de que uma nova Era na Justiça e na Política brasileira estava por se iniciar. Porém, na prática, o que vemos é a mesma vagarosidade e parcialidade de sempre, para investigar e julgar outros casos de corrupção ou improbidade administrativa, que não envolvam o PT, mas sim partidos da oposição, como o PSDB e DEM, ou envolvendo o poderoso “ainda aliado” do PT, o PMDB. Exemplos disso são o Mensalão Tucano e o caso do Propinoduto.

Para embasar tais colocações, esse blog replica na íntegra o artigo de Ricardo Melo em sua coluna da Folha de São Paulo. 
Ricardo Melo, 58, é jornalista. Na Folha, foi editor de ‘Opinião’, editor da ‘Primeira Página’, editor-adjunto de ‘Mundo’, secretário-assistente de Redação e produtor-executivo do ‘TV Folha’, entre outras funções. Atualmente é chefe de Redação do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão). Também foi editor-chefe do ‘Diário de S. Paulo’, do ‘Jornal da Band’ e do ‘Jornal da Globo’. Na juventude, foi um dos principais dirigentes do movimento estudantil ‘Liberdade e Luta’ (‘Libelu’), de orientação trotskista.

Assim caminha a impunidade

Meio na surdina, como convém a processos do alto tucanato, a Justiça livrou mais um envolvido no chamado mensalão mineiro. O ex-ministro e ex-vice-governador Walfrido dos Mares Guia safou-se da acusação de peculato e formação de quadrilha, graças ao artifício de prescrição de crimes quando o réu completa 70 anos. Já se dá como praticamente certa a absolvição, em breve, de outro réu no escândalo. Trata-se de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha do PSDB ao governo mineiro em 1998. Ao fazer 70 anos em abril, Mourão terá direito ao mesmo benefício invocado por Mares Guia.

Vários pesos, várias medidas. Enquanto o chamado mensalão petista foi julgado com celeridade (considerado o padrão nacional) e na mesma, e única, instância suprema, o processo dos tucanos recebe tratamento bastante diferente. Doze anos (isso mesmo, doze!) separam a ocorrência do desvio de dinheiro para o caixa da campanha de Eduardo Azeredo (1998) da aceitação da denúncia (2010). Com o processo desmembrado em várias instâncias, os réus vêm sendo bafejados pelo turbilhão de recursos judiciais.

Daí para novas prescrições de penas ou protelações intermináveis, é questão de tempo. Isso sem falar de situações curiosas. O publicitário Marcos Valério, considerado o operador da maracutaia em Minas, já foi condenado pelo mensalão petista. Permanece, contudo, apenas como réu no processo de Azeredo, embora os fatos que embasaram as denúncias contra o PSDB mineiro tenham acontecido muito antes.

Se na Justiça mineira o processo caminha a passo de cágado, no Supremo a situação não é muito animadora. A ação contra Azeredo chegou ao STF em 2003. Está parada até agora. Diz-se que o novo relator, o ministro Barroso, pretende acelerar os trabalhos para que o plenário examine o assunto ainda este ano. Algo a conferir.

Certo mesmo é o contraste gritante no tratamento destinado a casos similares. Em todos os sentidos. Tome-se o barulho em torno de um suposto telefonema do ex-ministro José Dirceu de dentro da cadeia. Poucos condenam o abuso de manter encarcerado um preso com direito a regime semiaberto. Isso parece não interessar. Importa sim reabrir uma investigação sobre uso de celular, que aliás já havia sido arquivada. Resultado: com a nova decisão, por pelo menos mais um mês Dirceu perde o direito de trabalhar fora da Papuda.

Por mais que se queira, é muito difícil falar de imparcialidade diante de tais fatos, que não são os únicos. As denúncias relativas à roubalheira envolvendo trens, metrô e correlatos, perpetrada em sucessivos governos do PSDB, continuam a salvo de uma investigação séria. Isso apesar da farta documentação colocada à disposição do público nas últimas semanas. Vê-se apenas o jogo de empurra e muita, muita encenação. Alguém sabe, por exemplo, que fim levou a comissão criada pelo governo de São Paulo para supostamente investigar os crimes? Silêncio ensurdecedor. Mesmo assim, cabe manter alguma esperança na Justiça -desde que seja a da Suíça.

*

Depois da operação estapafúrdia na cracolândia e dos acontecimentos nas manifestações de sábado, ou o governador Geraldo Alckmin toma alguma providência para disciplinar suas polícias, ou em breve ele terá aquilo que todo governante sempre deveria temer: um cadáver transformado em mártir.

por Miguelito Formador

Para acessar o artigo original da Folha, clique aqui
figura daqui

Conto de uma mãe

Posted: February 2, 2014 in Outros
Tags:

photolibrary_rm_photo_of_depressed_woman_smokingTriste, abro um pacote de bolacha recheada
Ao menos lá dentro as carinhas rirão pra mim, penso.
Creio ser possível comer três. Daí o pacote durará ao menos uns dias e não me sentirei culpada.
Acho que essa estória de sobrepeso é uma invenção dos laboratórios, só pra fazermos mais exames…
Cinco bolachas depois percebo que não sei contar, ou que minha gula pode ter causas psicológicas. Afasto o pensamento pegando “a última” e fechando o pacote.
Psicológico é desculpa pra gastar dinheiro a toa. Ninguém melhor que nós mesmos para nos conhecermos e vencermos pelo próprio esforço.
A moça da TV fala em depressão pós parto. Não me interessa. Meus quatro filhos estão criados e muito bem criados.
Não posso esquecer de buscar o Júnior na escola as duas.
Percebo que terminei com o pacote quando o vejo amassado entre meus dedos. Antigamente os pacotes de bolacha eram maiores…
Tento me lembrar de quando tive notícias do Marcos, o mais velho. Torço para que não esteja preso novamente. Também com aquele cunhado pilantra… Minha filha merecia coisa melhor! Tanto carinho meu Deus…
A TV conversa sozinha e percebo que já passa da uma. E eu nem fiz almoço ainda! Se bem que agora estou sem fome alguma… Gostaria de ouvir a explicação desse “povo da TV” sobre minha obesidade. Eu como tão pouco.

Abro a janela para observar a rua enquanto boto água pra ferver. Qual é o miojo que o Júnior não come mesmo?
Tanto faz… É só não colocar o tempero.
Quinze pras duas. Tô atrasada. Ainda bem que o Júnior é bonzinho e a professora me conhece.
Desço a ladeira e passo pela Lia sem encará-la, olhando para a frente. Se não quer falar comigo, não sou eu quem vai forçar. Mas, imagina, eu ter de me tratar… Que ideia mais maluca! Não sou doida! Se ela assistisse a novela, saberia que só doido vai “se tratar”; como diz o pai dela, depressão é frescura, coisa de quem não tem o que fazer!

Volto pra casa com o Júnior e choro sozinha ao ouvir dele que não sei cozinhar, e que ele prefere a escola a ficar comigo em casa. O que é que ele sabe sobre criar e educar filhos?
Não tenho mais vontade de voltar à cozinha. Assisto a toda a programação da tarde. Quando o Raul chega e me vê, vai pra cozinha sem dizer palavra e sai batendo a porta dois minutos depois.
Deve ir pro bar, concluo. Mas ao menos dessa vez não me bateu. Vou dormir na cama do pequeno e fingirei estar mesmo dormindo quando ele voltar…

por Celsão Irônico (já que não existe o Celsão Contista)

P.S.: ideia surgida de um “caso” num desses programas da tarde na TV.
figura retirada daqui