Que marcha da família é essa?

Posted: March 21, 2014 in Mídia, Política, Sociedade
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É incrível como interesses individuais podem ser colocados a frente do interesse comum/social.
É incrível também como a desinformação das mídias sociais intensifica o julgamento raso e rápido e o apoio a campanhas esdrúxulas de tão absurdas.
Recebi há algumas semanas uma figura-poster falando sobre a Marcha da Família (figura ao lado). Achei tão non sense, que duvidei de sua veracidade.

Mas… alguns dias e pesquisas depois, comprovei que é real!
A marcha que “deu início” ao período de ditadura militar no Brasil, pós renúncia de Jânio e governo do “comunista” João Goulart será reeditada em várias cidades do Brasil, seguindo o mesmo percurso de 50 anos atrás!
Porém, comprovei também pra minha tristeza, que seus organizadores desconhecem (ou ignoram propositalmente) os impactos deste período (a Ditadura Militar) no país.

Defendo a liberdade de expressão. Defendi aqui os protestos de Junho, os “rolezinhos”, defendo a abertura também àqueles que pedem a legalização do aborto, da diminuição da maioridade penal…
Falando em política, acho salutar, inclusive, que haja direita no país e que ela se manifeste abertamente; penso que precisamos disso, de alternativas aos discursos monotônicos centro-esquerda que dão as cartas ultimamente.
Mas daí a maquiar a verdade, falando de “intervenção militar provisória” e “limpeza nos três poderes” sem plano efetivo é babaquice!
Como faríamos para efetivamente governar sem políticos, legislar sem deputados, ou julgar sem ministros do Supremo? Por pior que essas instituições possam estar aos olhos de muitos, são os meios que temos hoje para fazer e cumprir as leis.
Queremos um ditador, governando através de decretos, independente da aprovação da Câmara e do Senado? Seria uma solução, certamente. Mas… não seria esse o modelo criticado pela direita e pelo mundo dito “democrático”? Não seriam Cuba e Venezuela criticadas exatamente por terem uma ditadura?

Reiterando: defendo a marcha como forma de protesto, legítimo de quem tem opiniões diversas e quer se expressar. Defendo também alguns pontos da direita, como a soberania nacional. Mas defendo com mais afinco uma maior transparência da imprensa e proponho que os “marcheiros” (seguindo a onda de nomear os que apoiam determinado movimento) avaliem as prováveis consequências do ato que estão a divulgar e apoiar.

Pra finalizar e complementar a informação, sugiro que vejam o vídeo veiculado pela Folha (aqui), onde alguns organizadores do movimento mostram a cara e expõe seus argumentos. Achei interessantíssimo, mesmo para os que discordam dos argumentos de “todos terem Ferrari é impossível”, “isso vai virar uma Venezuela”, etc.
Recomendo também, um vídeo em que o analista político Bob Fernandes critica a Marcha (aqui). Bem mais enfático e direto, ele “pega pesado” com a galera que se reunirá no próximo sábado.

por Celsão revoltado

figura retirada do Jornal GGN – aqui

Comments
  1. Tania says:

    Parabéns pela reflexão. Pensar também nos faz livres.

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