Por um Brasil menos Globeleza

Posted: April 1, 2014 in Comportamento, Sociedade
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figura_SargentErotização, hipersexualismo, machismo, sexismo, racismo. Tudo isso me vêm à cabeça quando ouço o termo “Globeleza”.
Mais que um jargão ou “elogio racista” (me apropriando de um termo cunhado pela blogueira Charô Nunes), ser Globeleza é ser a “negra gostosa” para a Globo, para o deleite da classe média, que comparará os detalhes dos corpos, desta e das anteriores, ignorando tudo o que a mulher representa na sociedade e, além disso, os desafios ainda maiores que uma mulher negra enfrenta dia após dia.
A competição pra se tornar uma Globeleza e ter sucesso (?!?), me lembra o Sargentelli apresentando suas mulatas na década de 80 e 90: sentado como um senhor de escravos a negociar sua mercadoria. (pra quem não lembra, achei um vídeo do programa do Clodovil)

Quando ouço comentários em corredores e ambientes públicos, a lá Michel Teló, sinto vergonha e lamento pela mulher vítima daquela ofensa, evito ser complacente a esta cultura machista enraizada, pois entendo (ao menos tento entender) a fragilidade e impotência femininas frente aos costumes e regras vigentes na sociedade e encarados como “normais” por quase todos.
Já que citei a internacionalmente famosa música “Ai se eu te pego!”; ela, alguns filmes e até mesmo o Carnaval, atrapalham bastante o intuito de desvencilhar o hipersexualismo explorado nas mulheres negras. E é triste constatar que,muitos dos que sofrem tais preconceitos (seja na própria, ou na pele de uma companheira, filha, parente), são também felizes consumidores dessa cultura… Quando é pra eles é bom; quando é contra eles, é ruim. O que mostra uma profunda incoerência, ou até mesmo, hipocrisia.

Sou completamente a favor do “Brasil menos Globeleza” apregoado no blog Soul Negra.
Proponho refletirmos, homens e mulheres, nas pequenas atitudes machistas e racistas que temos no dia-a-dia; em palavras como “denegrir”, expressões como “ovelha negra” e “cor do pecado”, comentários sobre roupas e cabelos.
Falando especificamente aos homens agora, proponho também que nossos comentários não sejam feitos na frente de mulheres, expondo-as ainda mais a este machismo degenerativo; ou que sejam substituídos. Por exemplo, ao invés de:
– Tem coragem, fulano?
– Não tenho é sorte, beltrano!
Que usemos:
– Tem coragem, fulano?
– Ela é bonita, mas porque falar sobre ela na frente dela?

Dessa forma, ofensas e comportamentos impróprios não se propagam.

Que as mulheres sejam cultuadas e homenageadas não só no dia ou no mês dedicado a elas, mas todos os dias e todos os meses, mas sem excessos, sem machismo.

por Celsão correto

figura montagem feita daqui

P.S.: artigo publicado também no blog Soul Negra, que aborda temas relacionados à cultura, moda e beleza Negra. Clique AQUI

Comments
  1. fabiotran says:

    Por mais que eu me sinta tocado e sensibilizado pelo seu texto (em especial a parte sobre as pequenas atitudes que fazemos no dia a dia), fiquei na dúvida sobre a opinião das próprias Globelezas. Lembro ter visto a “final” e a felicidade daquela que ganhou era evidente, como uma forma de catapultar para a fama e ter acesso a oportunidades financeiras melhores. Se ela estava feliz, será que eu posso recrimina-la?

    Além disso, chamou a atenção ela ser negra ao invés de parda (termos do IBGE). O engraçado é que há alguma evidência que há mais preconceitos contra pardos que negros. Celso, você tem alguma opinião a respeito?

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    • Celso says:

      Fala Fábio!

      Alguns dizem que ser pardo é sofrer preconceito de ambas as partes.
      Um autor que li (e não me lembro o nome), pregava algo como : “pobre dos pardos, que aos negros rejeitam e pelos brancos são rejeitados”.

      Na minha opinião, quando mais escura é o tom da pele, maior o preconceito… É como se um pardo pudesse ser mais “facilmente aceito”, como se fosse um “quase branco”.
      Depois me passe estas evidências que viu sobre o preconceito maior contra pardos…

      Um abraço e obrigado pela participação!

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