Ultranacionalismo na Europa – sinais dos Velhos Tempos

Posted: June 4, 2014 in Política, Sociedade
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NazismoO resultado das últimas eleições do parlamento Europeu, nos trouxe preocupação. Pra quem não acompanhou, partidos de extrema direita, ou ultranacionalistas, conseguiram um número considerável de cadeiras, crescendo bastante em participação total desde as últimas eleições.

Na minha opinião é muito cedo para dizer se isto é uma tendência da política européia, abandonar a social-democracia e focar mais ainda no capitalismo/liberalismo ou se é algo momentâneo, reflexo da crise instaurada em toda a Zona do Euro; cuja palavra da moda, austeridade, vem tirando empregos e piorando condições sociais nos países menos desenvolvidos do bloco em prol do bloco em si. Aliás nem sei se minha classificação destes ultranacionalistas como capitalistas está correta.

De qualquer modo, é assustador pensar que uma sociedade altamente evoluída e um mercado livre, capitalista, estabelecido e tecnológico expulsarão imigrantes ou cercearão seus direitos legalmente.
Mesmo tomando este resultado inesperado como algo momentâneo, o que a alta abstenção nesta última eleição explica, como “trazer de volta” o povo que não votou? Como saber se as prováveis medidas e leis “nazistas” são aceitas por todos? E independente disso… Como seguir crescendo como mercado comum, anexando outros países, sem a participação destes (e do resto do mundo) na economia e ao mesmo tempo, diminuindo o desemprego e aumentando a renda?

por Celsão correto

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Esta ascensão do Nazismo na Europa é ainda mais preocupante, uma vez que se dá de forma institucional, dentro da política. Vários países viram uma elevação da representação nazista e/ou da extrema direita entre seus parlamentares no parlamento Europeu.
Em paralelo, uma crise econômica, política e social na Zona do Euro, gerando desemprego, insatisfações, reduções de direitos trabalhistas, e ferindo direitos humanos. Essas crises, como já é sabido, são fermento para inflar ainda mais ideologias e comportamentos extremistas, como o nazismo e fascismo, no caso. Portanto, a crise no Euro mostra que o nazismo provavelmente continuará crescendo.

Ainda devido ao ocorrido, podemos fazer uma crítica a abstenção política, a cruzar os braços, a não agir, a não participar do processo democrático, a não votar ou votar nulo. Claro, não pretendo aqui falar que os impactos de se votar nulo ou se isolar da política na Europa, é o mesmo impacto de quando se faz isso no Brasil. Tampouco quero colocar todos os que optam pelo voto nulo num mesmo balaio, pois sei que tem gente muito bem esclarecida com motivos para fazê-lo. Mas me entristece saber que, ao votar nulo, a pessoa, principalmente aquela provida de conhecimento político e de ética-social, está abrindo espaço para que o “mais pior” vença, pois se exatamente essa pessoa votasse, certamente, ela não escolheria o “mais pior”, o que enfraqueceria o mesmo e reduziria suas chances de vitória.

Outra reflexão que podemos fazer aqui é sobre a eficiência da democracia. Vemos aí países com mais de 20% de representação nazista. Imaginem se chegarem a 30 ou 40% (o que está bem próximo). Basta fazerem algumas coligações/alianças com outras alas radicais ou que comunguem de alguns interesses em comum, e boom, têm mais de 50% de representação no Parlamento. E aí, é ético, legal, democrático, justo, evoluído, termos governos nazistas em pleno século XXI ascendendo através de um processo “democrático”? Quais as consequências disso para nosso futuro?

A seguir, um texto com a análise detalhada das eleições, extraído do Facebook, na página chamada “Uma Página Numa Rede Social”

Na França, a Extrema-Direita foi a grande vencedora das eleições europeias. O Secretário Geral honorário da Frente Nacional – o partido vencedor – disse, há poucos dias atrás, que o vírus do Ébola resolveria o problema da imigração na França em três meses. O mesmo sujeito disse que as câmaras de gás na II Guerra Mundial foram apenas um pequeno detalhe do regime nazi.

Na Alemanha, o NPD, Partido Nacional Democrático, também conseguiu lugares no Parlamento Europeu. Este partido neo-nazi defende que a Europa é um continente de pessoas brancas, quer expulsar os estrangeiros que vivem e trabalham na Alemanha, e levam para os seus comícios bandeiras proclamando a ideologia nazi do “Nacional Socialismo”.


Na Grécia, os ultra-nacionalistas da Aurora Dourada também conseguiram lugares no PE. O porta-voz do partido enverga, orgulhosamente, uma suástica tatuada no ombro, exclamou que o país tem de libertar-se da escumalha, referindo-se aos imigrantes na Grécia, e vários dirigentes do partido estão actualmente detidos, condenados por crimes de ódio. Foi o terceiro partido mais votado na Grécia.

Na Finlândia, o Finns foi um dos partidos que também assegurou lugares no PE. Este partido defende que só os verdadeiros finlandeses têm o direito a viver no país, quer expulsar os muçulmanos do território nacional e quer proibir a união de casais do mesmo sexo.

Na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês teve quase 27% dos votos e duplicou o seu número de eurodeputados. A fundadora do partido defende que a imigração na Dinamarca não é natural nem bem-vinda e alega que os imigrantes na Dinamarca só poluem o país com guerras de clãs, assassinatos e violações.

Na Holanda, o Partido da Liberdade, da Extrema-Direita, conseguiu quatro lugares no PE. O líder do partido quer expulsar todos os muçulmanos do país e já tem tentado formar alianças com outros partidos ultra-nacionalistas de outros países, tentando promover leis europeias de maior controlo de fronteiras e restrição da livre-circulação de cidadãos europeus na Zona Euro.

O Jobbik, na Hungria, é um partido neo-nazi que defende que os judeus que vivem na Hungria devem estar sujeitos a um registo especial, que os sujeite a controlos regulares, pois consideram que os judeus constituem um risco para a segurança nacional. Vários dirigentes do partido também já referiram que gostariam de ver a raça cigana erradicada do planeta. Conseguiram 14,7% dos votos nestas eleições.

Na Áustria, o partido da Liberdade Austríaca aumentou a sua representação no PE para o dobro, conseguindo dois eurodeputados. Este partido, de ideologia ultra-nacionalista, defende que os estrangeiros na Áustria devem voltar para os seus países e que a Áustria não tem lugar para mais imigrantes.

Na Itália, os Lega Nord conseguiram 6% dos votos. Um dos seus eurodeputados disse que os negros são intelectualmente inferiores aos brancos.

Pela primeira vez, o Parlamento Europeu terá um bloco inteiro constituído por partidos da Extrema-Direita, ultra-nacionalistas, defensores da saída dos seus países da União Europeia.

O elemento comum a todos estes partidos é a ideologia fundamentada pelo preconceito racial e xenófobo. Agora, esses grupos têm uma representação europeia forte, que poderá ser decisiva durante os próximos anos, na aprovação e rejeição de muitas das leis que influenciarão a política dos Estados-Membro, incluindo Portugal.

A apatia em relação à política, que se traduziu em níveis massivos de abstenção por toda a Europa, abre espaço para estas dinâmicas eleitorais.
A todos os que se abstiveram, alegando que nenhum dos partidos do boletim de voto os representava, tenham o seguinte em mente: “democracia” não é escolher apenas o partido dos vossos sonhos, que irá realizar todas as políticas que vocês gostariam de ver realizadas. A democracia acontece quando a maioria escolhe o partido cujos valores que mais se aproximam dos valores que o eleitor gostaria de ver defendidos. Não estamos a escolher o partido perfeito, estamos a escolher o mal menor.

E o que acontece quando não nos damos ao trabalho de escolher um mal menor? Ganha o mal maior, como aquele representado pelos neo-nazis que, agora, passarão a influenciar a orientação política europeia.
Com quase 70% de abstenção em Portugal nestas eleições europeias, aqueles que ficam de braços cruzados, dizendo que votar nada irá resolver, têm mais é de abrir os olhos e ver o que está a acontecer à sua volta.

por Miguelito Formador

figura retirada da página Uma Página Numa Rede Social do facebook

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