Em busca de culpados

Posted: July 12, 2014 in Comportamento, Sociedade
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bandeira-600x400É complicado e chato.
Mas temos, sei lá o porquê, que encontrar culpados sempre que falhamos. E com o futebol e as Copas do Mundo isso é ainda mais importante que os jogos em si.
Talvez pela paixão pelo esporte, por possuirmos cinco títulos, por cada brasileiro ter sua própria convocação e escalação… A verdade é que, nas derrotas, ao menos um personagem acaba punido com a “desonra” da culpa.
Nesse campeonato seria o técnico ou o ataque do Brasil se não passássemos da primeira fase, os batedores de pênaltis se houvéssemos parado no Chile, o colombiano que machucou o Neymar ou o juiz, no jogo seguinte. Mas a derrota foi tão esmagadora que a culpa caiu sob os jogadores, técnico, auxiliares, FIFA e até sob a presidente Dilma!

Meu ponto é um só. É um jogo e só um jogo!
Fascinante, no meu ponto de vista, por permitir que nem sempre o melhor vença. Não raras são as partidas que terminam com “zebras”, mas ainda sim um jogo; com um vencedor e um perdedor.
Sob essa ótica foram ridículas as cenas vistas e disseminadas na noite da derrota: quebra-quebra em locais de exibição, arrastões, violência e bárbaros crimes contra a Nação, como a queima de bandeiras.

– Como é possível cantar o hino à capela em todos os jogos, abraçar pessoas desconhecidas, festejar as vitórias, enaltecer o nacionalismo e os símbolos no início de tarde e depredá-los na mesma noite?

– Como é possível desprezar a mesma bandeira que ocupou varandas, carros e serviu como veste por mais de um mês?

– E… Por que não imbuir esse espírito nacionalista o ano todo, o tempo todo? Ainda mais num ano eleitoral?

Uma correlação entre Alemanha e Brasil

Um amigo me pediu pra escrever aqui um paralelo entre as sociedades dos times envolvidos depois da vitória acachapante da Alemanha sobre o Brasil. Acho que isso complementa o assunto já exposto acima…

Pensando em sociedade, o que mais me veio a mente foi a “vergonha” dos alemães. Percebido não somente após o jogo, no depoimento dos jogadores, mas também em relatos na internet, em jornais, mídia televisiva e pessoas que tiveram contato com alemães durante ou no pós-jogo… Todos “pedindo desculpas” por terem ganho do Brasil de modo tão efetivo, por terem feito tantos gols, por terem jogado futebol! E aquela “tiração de sarro”, tão comum após um resultado como esse não aconteceu como poderia, não veio… As pessoas que vieram ao Brasil ficaram, em muitos aspectos, sem graça de comemorar, assustadas com o ocorrido, e não quiseram “estragar a nossa festa”. Só nos jornais argentinos, portugueses, espanhóis e brasileiros trataram do tema de modo mais direto e até cruel, posso dizer, que os jornais alemães. Lá, ao invés de se vangloriarem e tripudiarem sobre os pentacampeões e “reis” do futebol, publicaram palavras como “milagre” e enalteceram o objetivo alcançado de participar da final do torneio.
Se esta vitória tivesse ocorrido “do lado daqui”, a reação certamente seria outra. Do próprio povo. E não falo da alegria de ir a uma final numa Copa em casa, mas sim de menosprezar, ridicularizar os adversários vencidos.

Outra diferença, julgando por conta própria, ocorreria no pós-Copa, com a comissão técnica e confederação de futebol.
Enquanto a nossa comissão dá entrevistas se defendendo e elogiando os dirigentes-dinossauros da confederação, a deles certamente “se fecharia” para avaliar seriamente o ocorrido e propor próximos passos, visando retornar à elite do esporte. Foi o que eles fizeram após perder a semi-final em casa na Copa de 2006 e, independente do resultado de domingo, deu resultado.
O técnico Joachim Löw é apenas o décimo técnico da seleção alemã em cem anos de história! Triste se pensarmos quantos técnicos já vimos passar pela nossa…

Enfim… compartilhando uma analogia feita por outro amigo, que vive hoje na Alemanha, a derrota imposta pela seleção alemã foi como ver um tombo de outrem na rua. Você ri se não foi grave e ajuda a pessoa a levantar; se for algo grave, você (normalmente) se choca e corre para ajudar a pessoa. Como nosso tombo foi feio demais, nenhum alemão riu; mas se fosse um tombo deles, nós riríamos e postaríamos as fotos nas redes sociais.

Não quero dizer que a Alemanha é melhor que o Brasil. Em muitos aspectos é, sem dúvida, mais evoluída e séria, não há como negar. O que busquei nesse post foi (talvez) opinar sobre nossos “complexos”, de tentar culpar alguém e de tirar vantagem de tudo, desrespeitando muitas vezes o outro lado.
O meu lado utópico e romântico ainda espera ver a profissionalização do futebol e uma maior “nacionalidade” por parte dos brasileiros.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

Comments
  1. Patrícia says:

    Falou tudo amigo Celso…. beijo grande Paty 🙂

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