Archive for August, 2014

DISCUR~1Entrevistador – Boa noite candidato. Antes de mais nada gostaria de agradecer a sua presença.
Candidato – Eu que agradeço. Mas espero a compreensão do meu partido e dos meus eleitores sobre as respostas que darei.

Entrevistador – Como assim candidato?
Candidato – Serei sincero e verdadeiro nessa entrevista. Quero expor exatamente o que penso, sem rodeios ou respostas evasivas…

(E) – Ótimo. Começo então perguntando sobre a Previdência. O que o senhor acha do fator previdenciário e da desaposentação?
(C) – Boa pergunta! Infelizmente o nosso modelo previdenciário está condenado à falência e ao fracasso. Não temos como suprir salários dignos àqueles que trabalharam e contribuiram por tanto tempo. A medicina avançou, e com ela, a expectativa de vida da população. E agora, mesmo se aumentássemos a data mínima de aposentadoria para 75 anos, não conseguiremos pagar sequer um salário mínimo aos profissionais da iniciativa privada.

(E) – E qual seria a alternativa?
(C) – Não acho que a desaposentação seja. O único que me vem a cabeça é acabar com as aposentadorias integrais dos setores públicos. O teto deve valer pra todos, de pedreiros a juízes.

(E) – Seguindo na mesma linha, que reformas o senhor acredita serem necessárias?
(C) – Mais que necessárias, acho que as reformas tributária e política sejam essenciais nesse ponto. Chegamos no ápice da curva dos impostos e daqui pra frente, a maioria só buscará meios de burlar e sonegar. Vou taxar de verdade as fortunas e fazer uma “sociedade” com aquele 1% mais rico da população, se o Brasil crescer, eles também ganham, se não crescer muito, o dinheiro deles servirá para algo mais útil que iates e viagens caras. Acho que este é um bom momento para cobrarmos uma boa contribuiçào de quem tem muito a contribuir. Você sabia que 1% das pessoas em São Paulo tem 20% da renda da cidade (aqui)?

(E) – E a reforma política candidato, o senhor nada disse sobre ela.
(C) – Sou contra o financiamento de empresas, uma vez que já temos o fundo partidário e pessoas físicas podem doar e abater do imposto de renda. Sou contra as dezenas de partidos que temos e que se aninham para conseguir mais tempo, mais cargos e mais prestígios. É hora de cada um assumir suas ideologias e lutar por elas. Além disso, defendo o voto distrital misto, como forma de erradicar os “Tiriricas” e fazer com que cada “comunidade” seja representada e observe o seu próprio candidato. O problema é convencer os encostados dos parlamentares do meu partido, que teriam de mudar o modo como fazem política.

(E) – O que o senhor acha do crescimento do agronegócio em contrapartida com nossas florestas?
(C) – São questões imcompatíveis! Contraditórios! Ou bem temos floresta e somos o “pulmão do mundo”, ou bem produzimos safras recordes e suprimos todos os bifes comidos na China, sendo o “alimentador do mundo”. Se eu prometer expansão sustentável do agronegócio estarei mentindo! Acho que os Estados poderiam decidir se querem floresta ou soja, natureza ou pecuária. Ainda melhor seria que limitássemos ambos, estabelecendo um mínimo aceitável para floresta (incrementado ano a ano) e um máximo para produção de alimentos e pecuária (que, idealmente, diminuiria ano a ano, aumentando a produção com novas tecnologias). Mas, para isso, teremos de brigar com forças e famílias poderosas…

(E) – E o senhor lutaria pela reforma agrária?
(C) – Claro! Desde que as pessoas interessadas se comprometam a manter-se no campo e não emigrar para as complicadas áreas urbanas. Eu incentivaria a migração pro campo, mas manteria a posse da terra ao Estado, para proibir a venda afastando o latifundiário.

(E) – Plano de governo para a segurança pública, o senhor tem?
(C) – Essa é difícil. Achava que o aumento da renda diminuiria a violência diretamente… Creio que possamos contratar chefes do crime organizado para uma secretaria anti-crime. Da mesma forma como teremos hackers trabalhando na segurança digital, no meu governo.

(E) – E a educação, será prioridade em seu governo?
(C) – Com certeza! Tudo começa com a educação e deve ser pautado nela. Quero escolas públicas fortes, com processos de antigamente, provas, notas, repetência e até alguma evasão, inerente ao processo. Para os evadidos, escolas em tempo integral combinadas a esporte, música ou outro atrativo que os faça render, funcionando como recompensa. De nada adiantam porcentagens e números de alunos matriculados se formamos analfabetos funcionais e péssimos profissionais. Não podemos desistir da formação de profissionais e cidadãos. Embora seja preciso deixar claro pras famílias que escola sozinha não forma caráter!

(E) – Mas isso não é popular…
(C) – Não adianta manter vagabundo batendo na professora e passando de ano sem esforço. Cidadãos e profissionais, este é o objetivo da minha escola.

(E) – O que pretende fazer em infraestrutura?
(C) – Pretendo financiar as obras em estradas com o lucro das montadoras e demais obras com o lucro das construtoras e dos bancos.

(E) – Como? As montadoras reclamam dos impostos, dizendo que eles travam o desenvolvimento.
(C) – São um bando de chorões. Os bancos e construtoras lucram tanto que são os que mais doam para os partidos políticos.

(E) – Finalizando candidato, você acha que conseguirá aprovar alguma dessas leis no Congresso?
(C) – Minha vontade, prezado entrevistador, é dissolver esse Congresso, eleger um colegiado dez vezes menor, que seguiriam em seus empregos e votariam pela internet ou telefone. De quebra, economizaria uma bela quantia…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

Globo_MídiaDaqui de longe, não pude assistir ao vivo as entrevistas do Jornal Nacional com os presidenciáveis. Porém, num fim de tarde, assisti às 3 principais de uma vez só através da internet. O fiz na sequência: Aécio, Campos e Dilma.

Num primeiro momento, notei pouca discrepância na conduta das entrevistas, e pensei até estar havendo bastante imparcialidade por parte dos entrevistadores. Mas depois, revi alguns trechos das três, e já comecei a notar leves diferenças, nuances que exigem muita atenção para serem notadas.
Daí, para complementar, busquei artigos críticos, artigos estes escritos por especialistas no assunto, para tirar a dúvida se algumas mensagens escritas nas entrelinhas me passaram despercebidas. O resultado foi que sim, eu fui feito mais de bobo do que eu imaginava.

Quero abordar dois pontos específicos:
O primeiro é a conduta padrão dos entrevistadores em todas as entrevistas.
O Segundo é a diferença das entrevistas de Campos e Aécio, comparativamente com a entrevista da Presidente Dilma.

Conduta padrão das entrevistas

Os entrevistadores fazem perguntas já indicando qual a resposta correta, inserindo nas perguntas uma série de premissas nas quais querem nos fazer crer como verdades. Assim, o telespectador já é previamente induzido a pensar na solução para a pergunta, e aguarda que o entrevistado responda aquilo que espera. Caso isso não ocorra, o telespectador se frustrará e achará que o candidato está viajando na maionese, e portanto, está despreparado.
Não por coincidência, mas muito bem premeditado e em sintonia com o editorial e ideologias da emissora, essas premissas/preconceitos inseridos nas perguntas, levam normalmente a crer que ações neoliberais, pró-capitalismo, a favor das grandes empresas, contra os direitos trabalhistas, a favor da austeridade, a favor do capital estrangeiro, contra um Estado forte e protecionista, contra os avanços sociais, contra uma sociedade mais justa e igualitária, seriam as ações corretas para solucionar os problemas.

Exemplos:

1. Entrevista com Aécio Neves (Clique AQUI)

a) Na primeira pergunta de Bonner ele diz que, segundo economistas, para resolver os “problemas” da economia brasileira é necessário que o Governo realize um corte profundo de gastos, ou seja, assumir políticas de austeridade. E então pergunta a Aécio, se ele terá coragem de tomar tais medidas, ou não as tomará para não ser impopular.
-> Ora bolas, onde está a opção de resposta: “Bonner, discordo que austeridade seja necessária para resolver problemas econômicos!”?
Bonner assume que só há um jeito de resolver os problemas da economia: aplicando medidas de austeridade. Mas Paul Krugman, prêmio Nobel de economia em 2008, condena medidas de austeridade. Ignora que a austeridade em Portugal, Grécia e Espanha, está exterminando estes países. Cada vez mais economistas convergem nos malefícios de políticas de austeridade.

b) Bonner insiste na necessidade de redução de gastos públicos, no minuto 3:10.

c) Poeta começa aos 4:17 min sua pergunta sobre corrupção. Apesar da pergunta ser ao candidato do PSDB, ela cita diversas vezes o PT, para que o telespectador não se esqueça que o PT “também” tem casos de corrupção. E no fim, ela ajeita a bola novamente para Aécio chutar, ao pedir a ele que explique por que o PSDB é diferente do PT. Ele responde, obviamente, que a diferença é que o PT foi condenado pelo STF, e era justamente a resposta que o telespectador esperava. Pum! Imparciais…

d) Aos 10:55 min Poeta traz o tema Programas Sociais. Fala que Aécio promete manter os programas sociais criados pelo PT. E ao invés de concluir a pergunta de forma a exigir uma resposta nessa área, ela abre a oportunidade de Aécio desviar, quando ela diz “por que esses eleitores iriam querer mudar de presidente”?
-> Aécio aproveita a oportunidade e desvia, mudando de assunto e falando de economia e outras coisas, e não foca em Programas Sociais.

2. Entrevista com Eduardo Campos (Clique AQUI)

a) Na primeira pergunta de Patrícia Poeta, a qual começa aos 0:45 min, ela pontua ao candidato algumas propostas sociais do mesmo que gerariam aumentos de gastos públicos. Na sequência ela lembra ao candidato que ele promete baixar inflação. E então, de forma extremamente parcial e tendenciosa, ela diz que, segundo economistas, para baixar a inflação é necessário cortar gastos públicos, e não aumentar os mesmos (novamente fazendo o telespectador crer que somente políticas austeras podem salvar a economia). E pior, completa perguntando ao candidato, qual promessa ele não irá cumprir. Ou seja, ela conclui que, de um jeito ou de outro, ele estaria mentindo e enganando o eleitor!
-> Ora, a premissa é falsa, pois controle de inflação não é feito somente através da variável “controle de gastos públicos”.  A equação da inflação possui diversas variáveis, como por exemplo: taxa de juros, relação monetária para com o dólar, gastos públicos, especulação acionária, crescimento econômico, aumento do poder aquisitivo do cidadão, valor dos tributos sobre bens básicos (cesta básica), estímulos à produtividade, custos da produção, etc.
Portanto, Campos não precisaria necessariamente estar mentindo ou delirando, pois ambas as ações prometidas por ele podem sim serem feitas em paralelo.

b) Aos 4:10min Patrícia diz que o próximo ano será difícil, ajeitando a bola para Campos falar que sim, assim como este ano já está sendo difícil, por culpa do atual Governo.

c) Aos 8:11min Patrícia, de forma petulante e desrespeitosa, acusa Campos de ter colocado pessoas dentro do TSE para julgarem as contas dele mesmo, Campos.

3. Entrevista com Dilma Rousseff (Clique AQUI)

a) Na primeira pergunta, quilométrica (1:07 min), Bonner não só aponta que o Governo Dilma sofreu com diversos escândalos de corrupção, como faz questão de pontuar cada um deles. E depois provoca dizendo que parece que o PT descuida da questão ética e da corrupção.
-> Para o telespectador fica bem claro que o PT teve diversos escândalos de corrupção, pois é mais corrupto. Bonner ignora a intensificação da vigília à corrupção feita durante governo Dilma, e que isso gera, obviamente, a descoberta de esquemas ilícitos.

b) Nos 4:18 min, Bonner diz e insiste que as medidas de combate à corrupção foram tomadas depois dos escândalos, mesmo Dilma dizendo que isso não é verdade, que houveram medidas  tomadas antes.

c) Na série de perguntas de Patrícia Poeta sobre saúde, ela dá ênfase no fato do PT ter governado por 12 anos, e mesmo assim a saúde do Brasil estar um caos. O telespectador acredita assim que o PT nada fez pela saúde. Patrícia Poeta repete diversas vezes “12 anos de governo”, não dando outra chance ao telespectador, senão a de acreditar que 12 anos é uma eternidade e que o PT é incompetente. Não há diálogo. Os entrevistadores não estão interessados em falar da saúde do Brasil como um problema estrutural, carregado há décadas, séculos. Não faz comparações se houve melhorias ou não. A intenção é clara: culpar Dilma por termos um sistema de saúde problemático.

d) Nos 13:10, Bonner inicia sua pergunta sobre economia. Percebam nesta pergunta, as diversas entonações de Bonner: “Inflação NO TETO” bem prolongadamente, “economia com projeção de crescimento BAIXÍSSIMA”. Aos 13:55 min Bonner volta a mencionar que analistas (como se fosse um consenso) dizem que 2015 será um ano difícil, e aproveita para falar de cortes e sacrifícios, ou seja, voltou na austeridade. E conclui a pergunta, aos 14:07 min, ironizando a presidente por ela dizer que essas afirmações são “pessimismo”. Reparem, ainda no fim desta pergunta, como Bonner desafina a voz várias vezes, dando um tom de “obviedade” naquilo que se afirma, e ao mesmo tempo, um tom de deboche às afirmações da presidente.
Interrompe a presidente, em tom desafiador, aos 14:55 min, repetindo que a inflação está alta, e que há “ameaça de desemprego ali na frente”.

Especificidades da entrevista com a Presidente Dilma

No Jornalismo, existe uma técnica chamada de Semiótica, que consiste no trabalho e manejo da linguagem, gerando as assimilações desejadas (pelo jornalista) na mente do leitor ou telespectador.

Normalmente a semiótica passa despercebida ao consciente de um leigo, mas é assimilada pelo seu subconsciente. Assim, sem “deixar na cara”, o jornalismo ou marketing, é capaz de manipular a opinião das pessoas. Por isso é difícil notar a parcialidade dos entrevistadores e da emissora.
Propositalmente, o JN assume uma postura “agressiva” num geral, para causar a impressão de que todos os candidatos tiveram o mesmo tratamento. Mas se olharmos cuidadosamente aos detalhes, vemos que isso é uma máscara para a semiótica entrar como um vírus em nossas cabeças.

Vamos a alguns números:
1) Bonner faz uma pergunta de 1 minuto e 7 segundos à Dilma, disparada a pergunta mais longa de todas as entrevistas. Uma pergunta tão longa assim, carrega um monte de informação, dificultando a resposta eficiente e focada do entrevistado, e dá espaço para o entrevistador manipular a opinião do telespectador.

2) Nas entrevistas com Aécio e Campos, houveram 5 interrupções em cada uma delas. Na entrevista com Dilma, houve 21 interrupções. Pode-se argumentar aqui, que isso se deve à prolixidade de Dilma, no que concordo. Mas será que isso justifica as 21 interrupções, mais de 4x mais que as para com os outros candidatos?

3) Com Dilma, a palavra corrupção foi citada 13 vezes. Com Aécio surgiu 3 vezes, sendo 1 vez relacionada ao PT (ou seja, já na entrevista de Aécio, o PT já era atacado pelos âncoras). E com Campos, nenhuma vez.
Além disso, com Dilma, durante 7 minutos e 16 segundos, ou seja, metade da entrevista, o tema foi corrupção.
Se você acha que isso é justificável, pois compartilha da ideia de que o PT é  o partido mais corrupto do Brasil, clique AQUI, AQUI e AQUI para ver alguns rankings de corrupção.

4) Enquanto usaram metade da entrevista para tratar de corrupção, não foi feita à Dilma sequer uma única vez alguma pergunta sobre seus projetos, e o que ela pretende fazer para mudar e melhorar o País. Não estou falando aqui dos 1,5 minutos finais, fornecidos a todos entrevistados. Estou mencionando a janela da entrevista, com perguntas e respostas, onde para os outros candidatos, foram feitas perguntas onde lhes era pedido que explicassem como eles melhorariam o Brasil. Com Dilma, isso não existiu. Foi só acusação, artilharia.

Não pessoal, a Globo não foi imparcial, e não é digna de qualquer reconhecimento. Vocês foram enganados cheirando uma rosa linda, porém com polens venenosos.

por Miguelito Formador

@ Acesse AQUI o artigo do Celsão sobre as entrevistas, com uma visão um pouco diferente da minha.
@ E para ler duas análises excelentes sobre o mesmo assunto, clique AQUI e AQUI.

figura daqui 

posts entrevistas - jn606Assisti às quatro entrevistas dos presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas feitas pelo Jornal Nacional, da rede Globo e devo confessar, primeiramente, que me surpreendi com o resultado, sobretudo na primeira.
Julguei, ou melhor, pré-julguei que a emissora entregaria seu apoio descarado a Aécio (ok, talvez a Eduardo Campos também) e perseguiria diretamente o PT.
Um parêntese importante: pra quem não sabe, existe um estudo sério, da UERJ, chamado manchetômetro, que mostra a veiculação de matérias positivas e negativas sobre os candidatos e partidos concorrentes à eleição atual desde o início deste ano (link aqui), nos jornais impressos de grande circulação e no televisivo Jornal Nacional, da Globo (levantamento específico do manchetômetro sobre o JN aqui); e a presidente Dilma lidera em notícias negativas no programa.
Enfim… a birra que a Globo tem com o PT já é antiga.

Pois bem, mal podia crer no que vi na primeira entrevista! Os apresentadores estavam sendo diretos, fazendo perguntas incômodas e “cutucando” feridas do PSDB.
Por exemplo, mesmo o senador Aécio Neves iniciando as entrevistas (definido em sorteio), foram feitas perguntas sobre o mensalão mineiro e o propinoduto do metrô, citando um dos apoiadores dele, Eduardo Azeredo, que ainda está presente nos palanques, e completando a informação que Azeredo só não foi julgado por haver renunciado. Perguntaram também sobre o favorecimento feito por ele, então governador de Minas Gerais, à própria família ao escolher um terreno do tio-avô para construir um aeroporto.
Meu lado desconfiado e “julgador” pensou: se a Globo está atacando assim o Aécio é sinal que deve apoiar o Campos…

Daí veio a entrevista com o pernambucano, um dia antes do trágico acidente, e o questionaram sobre as críticas recentes feitas ao PT, partido que apoiou e auxiliou no governo por sete anos. Além dessa, o candidato teve de se defender de acusações de nepotismo, quando apoiou a própria mãe numa campanha para a escolha à ministra do TCU (Tribunal de Contas da União), cargo que é vitalício. Assunto espinhoso e desconfortável, pra dizer o mínimo.
O Celso “julgador” se perguntou se seria possível ver a Globo apoiando o PT atualmente, e se viu imaginando um trabalho sério e imparcial da grande mídia.

Passados os dias de luto da perda de Campos, foi a vez da atual presidente. E não é que eu estava errado em minhas suposições e a Dilma (lógico) também “apanhou” de Bonner e Patrícia? Enfrentou perguntas sobre o Mensalão, colocações sobre as atitudes dos correlegionários ante as condenações, que trataram os ex-líderes (corruptos condenados, frisou várias vezes Bonner), como guerreiros injustiçados; e falou brevemente sobre a saúde no país e a desaceleração econômica.
Mais astuta, ou mais bem preparada (?), consumiu seu tempo evitando o embate, detalhando e valorizando as respostas. E por isso, provavelmente, foi mais interrompida e mais atacada.

Finalmente chegou a vez de Everaldo Pereira, o Pastor Everaldo, fechando o ciclo. Mais atabalhoado, confessou que pretende privatizar a Petrobrás, em busca de um Estado Mínimo. Mas…Estado Mínimo não é política neoliberal? E o senhor não esteve sempre atrelado às lideranças da Esquerda? – perguntou Bonner. O candidato do PSC ainda assumiu que não tem experiências anteriores, criticou o casamento gay, aborto e o tema das drogas…

Os âncoras do programa, nas quatro oportunidades, interromperam respostas evasivas e insistiram na obtenção de detalhes desejados por eles, quase num esquema CQC.

Mesmo um tanto incomum e não isentas de parcialidade, acredito que entrevistas e debates nesses moldes possam trazer mais luz aos eleitores que os horários políticos e os ataques diretos que não tardarão a acontecer.

Pra quem não viu ou quer rever, abaixo estão alguns links do site da emissora e do youtube…
– Aécio Neves – aqui, sem link da entrevista inteira no youtube
– Eduardo Campos – aqui e aqui
– Dilma Rousseff – aqui e aqui
– Pastor Everaldo – aqui e aqui (em qualidade bem ruim)

por Celsão correto

para ler um outro post, com a opinião do Miguelito, diferente dessa aqui apresentada, clique aqui

figura – montagem de outras retiradas daqui e daqui

2014-742976986-2014081799866.jpg_20140817Os posts não são antigos, mas tomados os fatos absurdos que presenciamos nos últimos dias, me senti obrigado a fazer esse adendo, essa atualização.

Parece que, inspirados pelos “puxões de orelha” do post sobre alienação digital (aqui) e da crítica feita à sociedade consumista (aqui) o povo resolveu me provocar.

Meu primeiro destaque negativo vai para o aumento de compartimentos de fotos e vídeos de acidentes e em hospitais.
E, infelizmente, não foram somente selfies feitos pelos próprios enfermos que “vazaram” expondo a fragilidade dos pacientes (famosos ou não) a outros seres humanos. Muitos médicos e plantonistas têm agido da mesma forma. (uma das notícias veiculadas na mídia pode ser lida aqui)

Nessa mesma toada, achei inacreditável como fazer um vídeo do tigre atacando o menino no zoológico ficou mais importante que salvar a vida do menino, quer seja alertando o pai sem noção, quer seja avisando a segurança. Vários dias após o acidente, ainda surgem outros ângulos do mesmo, tomados certamente por pessoas que julgavam ser mais bacana “registrar o momento” que agir!
E não é só isso, brigas de rua, Neymar sendo internado durante a Copa, vídeos caseiros pós acidente aéreo e outras fotos e vídeos absurdos, tornaram-se mais interessantes que cuidar da própria vida, da própria segurança!

Mas o pior mesmo foi ver selfies na internet de acéfalos, que passavam para dar o último adeus, ou prestar a última homenagem a Eduardo Campos (ao menos supunha-se que essa era a intenção).
Como pode uma pessoa entrar numa fila kilométrica para guardar um selfie como recordação? Será que uma foto dessas compartilhada nas redes sociais vale mais que humanidade e humildade?  Esse tipo de comportamento, pra mim, não é SER humano.

por Celsão revoltado

figura retirada do UOL

Video_01Este post apresenta dois vídeos com o intuito de alertar e exemplificar o modo atual de “socialização na solidão” na internet e redes sociais, além de mostrar a vida que se perde a cada tecla e tela…

O primeiro vídeo-tema chama a atenção para o modo como estamos nos desligando do mundo, olhando apenas para baixo em nossos i-phones, tablets, smartphones e outros gadgets interessantes.

É realmente notável, como as pessoas estão se desligando da realidade e se “re-ligando” à outra totalmente distinta, virtual. Basta observar as pessoas em shoppings, nos aeroportos, em consultórios médicos, nos intervalos das escolas e universidades.
Todos estão atualizando status no facebook, compartilhando vídeos via WhatsApp, conversando com amigos nos inúmeros aplicativos para esse fim…

Se por um lado existem os que acreditam ser um comportamento absurdo e um total desperdício de vida, tal “mudança” de abordagem dos contatos sociais, com milhares de interações e ao mesmo tempo nenhuma REAL (como Gary Turk, autor do vídeo); por outro existem pessoas contrárias a esta corrente, enaltecendo os benefícios de estar conectado, como as possibilidades de encontrar amigos que se distanciaram, de pedir taxi sem risco, de encontrar serviços nas cercanias sem risco, GPS, etc.

Na minha opinião, não creio ser o fim da sociedade o uso excessivo de interações na nuvem, mas me preocupa.

A preocupação vem com as novas gerações, que talvez nem curtam as boas e más experiências que os mais velhos tiveram; e nem falo de se sujar brincando na rua, dos carrinhos de rolimã, etc., falo de experiências no sentido de conhecer pessoas, descobrir as boas e más companhias, fazer amizades verdadeiras e separar as que possuem algum interesse, olhar com os próprios olhos e ouvir o som das coisas sem se preocupar em gravar e fotografar aquilo em imagens e vídeos que jamais serão revistos, vivenciar as diferenças e presenciar outras verdades, de outros lugares.

Temo por moldar os jovens cercando e lhes cerceando da possibilidade de descobrir por eles mesmos o certo e o errado, de interagir com as imperfeições de outras famílias, de observar pessoas na feira, no mercado, na padaria pela manhã. Se tudo for resolvido de modo digital e impessoal, perderemos tais interações.
(Os mais velhos ainda se reunirão, marcando via app, um jantar qualquer pra falar do passado e reclamar da modernidade que não entendem…)

Video_02bOutra preocupação, mas séria, vem da nossa insistência em fazer várias coisas ao mesmo tempo…
O segundo vídeo que, creio, todos devam assistir ao menos uma vez, é uma propaganda bem bolada, feita num cinema em Hong Kong. Aqui, de modo brilhante é exposto o risco de dirigir e ao mesmo tempo estar no “mundo virtual 100% conectado”.

Já escrevemos através de um conto (aqui) o que pode vir a ser a influência da interação virtual no ambiente de trabalho.
Minha dica é: aprenda a separar e a dedicar um tempo exclusivo a cada atividade!

Enfim… indico que vejam os dois filmes e repensem o modo em que estão interagindo virtualmente, independente da mudança, vale a reflexão!

por Celsão correto

figuras retiradas dos vídeos indicados

P.S.: os vídeos podem ser acessados nas figuras ou aqui abaixo:
– Look Up – Gary Turk (legendado em Português): http://youtu.be/j2pqn2oQIgU
– Propaganda contra uso de celular ao dirigir: http://youtu.be/SpNooPX7UoQ


preco-viagem-volta-ao-mundo-gastosVivemos numa total deterioração de valores.
Hoje, é possível dizer que família e escola, para citar dois exemplos, são instiuições que distam anos-luz daquilo que já representaram um dia na sociedade brasileira.

Não há moral ou preocupação com ela por onde se ande. Coisas impensáveis na minha infância, como o desrespeito a idosos, são assuntos rotineiros de noticiários e são presenciados sem muito esforço em diversos lugares.

E, numa de minhas divagações, estava eu me questionando sobre estes valores e o quão interessante seria se retomássemos ao menos parte deles, quando vi na TV a notícia da “família classe média feliz e golpista”.

O filho, muito inteigente, técnico em Informática, descobre uma maneira de acumular milhas aéreas infinitas e oferece aos familiares. Talvez tenha sido a própria ausência de valores, ou a falta de escrúpulos, ou mesmo a falta de noção…
Mas ao menos quinze pessoas da família embarcaram no “esquema” sem titubear e puderam curtir viagens mundo afora, com direito a hotéis, carros e passeios incluídos. Somente disfrutando da bondade do sistema de milhas aéreas!

Explicando sem ironia: o “gênio” da casa criava boletos fictícios, onde muitas vezes o credor e o pagador eram a mesma pessoa, no máximo um outro membro da família; todos da família tinham cartões de crédito verdadeiros e acumulavam milhas com esses pagamentos fantasmas. A família viajava com as milhas e ainda vendia as “restantes” para agências de turismo.
Perfeito, não? Afinal, disse o pai, não estamos roubando ninguém!

Como diz um amigo de BH: “Não é a geração da SUV. É a geração que quer a SUV agora!
Independente da possibilidade real, das condições para se obter o bem, da legalidade dos métodos…
Todos querem TER um carro do ano, TER uma casa na praia para o final de semana, TER grana pra viajar pros Estados Unidos e Europa…

Enfim, devaneios advindos de um juízo de valor e de consequências que, graças a minha família e a escola, eu posso dizer que tenho.

por Celsão correto

figura retirada daqui.

P.S.: para quem não acredita, seguem as notícias do começo da semana, do portal G1 (aqui) e do site do IG (aqui)

Palestina_devastadaDeixa eu ver se entendi direito…
Quase um mês de confronto em Gaza e agora me aparece o Obama dizendo que mandará 225 milhões de dólares para o sistema de defesa anti-aérea de Israel?
É isso mesmo?

Nem quero falar do passado, das invasões, da criação do Estado de Israel com o “deslocamento forçado” dos palestinos, falemos só dessa última etapa desta “luta contra o terror”.

Inúmeros alvos civis foram atingidos; de acordo com a versão oficial buscavam-se trinta e poucos túneis secretos que levariam ao território Israelense. Entre os alvos civis, 142 escolas foram bombardeadas, sendo 89 delas escolas-refúgio da ONU. Ou seja, mesmo que houvesse um túnel ali, saindo daquele ponto, este túnel não deveria necessariamente ser explodido numa escola, certo?
A própria Unicef calcula que 408 crianças morreram, 2500 ficaram feridas e mais de 370 mil precisarão de apoio psicológico para transpor o trauma (fonte: Unicef).
E isso só pra citar as crianças! Inocentes e indefesas crianças!
Na fonte da Unicef há uma curiosa comparação: pela extensão territorial e densidade populacional, se fosse feito nos EUA, seria como assassinar 200 mil crianças!

Como pedir que estes jovens sobreviventes a tais ataques não odeiem Israel, os Estados Unidos, e, generalizando, o Ocidente?

Como pode um país com a terceira força bélica do mundo, manter um cerco desumano em Gaza por quatro semanas e assassinar mais de 1800 pessoas? E ainda manter a cara-de-pau de bradar ao mundo que os palestinos também mataram israelenses? (a contagem oficial fala em 67, sendo somente três civis)

Como puderam atacar durante um cessar fogo combinado de sete horas para ajuda humanitária, atirando um míssil e matando mais de 50 pessoas?

Como podem os “pobres judeus” ainda se dizerem perseguidos e dependentes de apoio do “primo rico” Estados Unidos após tantas atrocidades?

232512_630x354Li nalgum lugar e repito aqui: é até cômico ver o povo judeu fechando um cerco a outro povo, deixá-lo sem energia elétrica, saneamento básico, comida, ou seja condições dignas e infringi-lo com mísseis de longo alcance a alto poder de destruição.
É o novo campo de concentração! E permito-me dizer: não deixa nada a desejar a Auschwitz! Dada a dessemelhança de condições, poderio bélico e financeiro.
Longe de mim pregar o anti-semitismo. Não odeio os judeus, nem Israel. Mas foi desproposital, desumano, desnecessário…

Uma professora especialista em Oriente Médio declarou que estamos diante do terceiro grande deslocamento populacional palestino da história. O primeiro foi na instituição de Israel (em 1948), a segunda com a ocupação dos territórios palestinos da Cisjordânia em 1967 e neste deslocamento, tem-se 400 mil pessoas deslocando-se da fronteira arrasada para o centro de Gaza.

Não creio que verei a paz entre esses povos, tampouco a devolução da Cisjordânia ou a legitimação do Estado e Povo Palestino por Israel. Mas o que me emputece é ver o apoio unilateral dos EUA a Israel; pois mesmo sabendo que toda ajuda humanitária se faz necessária em Gaza no mesmo momento (a agência das Nações Unidas pediu ajuda de US$187 milhões para reconstrução e suporte aos que se deslocaram – aqui), decidem enviar US$225 milhões para o sistema de defesa “Iron Dome” israelense (notícia aqui – em Inglês).

por Celsão revoltado

figuras retiradas do próprio vídeo sobre a ajuda solicitada pela ONU (aqui) e daqui

P.S.: dois links de leitura rápida: sobre o rompimento do cessar fogo de sete horas (aqui) e a opinião da ONU (infelizmente inoperante) sobre o ataque às escolas da própria ONU (aqui)

circulo vicioso_modificadoSaiu na semana passada uma nova previsão do crescimento do PIB no Brasil.
Agora, segundo economistas, teremos um crescimento pequeno, semelhante ao de 2012, de pouco menos de 1%. Atrelado a esse crescimento, está a previsão de “aumento” da inflação, que deve ficar no topo da meta do governo, em 6,5%.
(pra quem não sabe, o governo federal tem uma meta de inflação a cumprir, de 4,5%. Essa meta admite uma flutuação de 2%, ou seja, pode ficar entre 2,5 e 6,5% – informações da Wikipedia)

É a nona “queda” seguida desta previsão nesse ano. Mas como voltar a subir, se entramos num ciclo vicioso de desconfiança na economia?

Quero colocar uma estorinha com minha impressão sobre tais previsões e estimativas…
– Um escritório conceituado de estudos econômicos ouve que duas fábricas estão fechando no país
– Sem saber dos detalhes da ação, deduzem que haverá decréscimo de produção naquele setor da indústria
– Uma redução na indústrias faz com que empresas da cadeia (fornecedoras ou consumidoras) desistam de expandir, de investir
– Os empresários que “aplicariam” em capital produtivo, geração de emprego, etc., aplicam nos bancos, capital especulativo
– Sem produção não há oferta e o preço sobe
– Aumento de preço faz com que o público pare de comprar (pensando em mercado interno)
– Sobras de produção, pressão no governo para reduzir impostos e taxas e estimular o consumo
– Os que podem consumir não pararam, mas a redução de taxas não causa um aumento significativo do consumo e há demissões
– As demissões geram mais encolhimento em setores industriais e os índices voltam a cair…

Muito pode ser melhorado nesta análise simplista, obviamente. E muitos erros podem ser apontados em pontos específicos da minha análise.
Por exemplo, deduzir redução de produção industrial com o fechamento de fábricas, antes que a redução em si ocorra, é ignorar as leis de mercado. Muito provavelmente haverá mais oportunidades em outra empresa com o aumento da demanda deixada pelas empresas que sairam.
E, para determinados setores, como o automotivo, pouco importa se as vendas caem. A margem de lucro não pode cair! E é responsabilidade do governo (leitura deles) re-estabilizar a balança e assegurar os empregos e, consequentemente, os mercados consumidores.

Por outro lado, se tomarmos alguns dos nossos pontos mais frágeis não há solução no curto prazo… Sem educação não há facilidade pra recolocação de pessoas demitidas; sem incentivos para o empreendedorismo não surgem novas empresas; com a desindustrialização, insumos necessários passam a ser importados, quebrando toda a cadeia; há concorrência desleal sem proteção de mercado contra bens produzidos na China; sem construtivismo na política não se discutem ideias e alternativas, há apenas crítica.

É curioso, mas o jornal Valor Econômico divulgou há um mês que 46% das empresas brasileiras planejam ampliar investimentos em máquinas e equipamentos nos próximos meses (aqui). E expansões, construções de novas unidades estão nos planos de um quarto das empresas, segundo a mesma notícia; números muito maiores que os observados em países desenvolvidos, ou mesmo nos BRICs. Como pode? Será que o empresariado está na contra-mão do que pensam os especialistas? Ou será que há um certo “exagero” no pessimismo/conservadorismo gerando esse ciclo-vicioso?

Mas o que mais me aborrece com essa estória são as pessoas, muitas delas instruídas, que alimentam a especulação, que compram dólares “antes das eleições, pois… vai saber né?”, que preferem e optam por produtos importados quando há similiar nacional, gerando emprego e renda aqui, que criticam o país e reforçam a máxima de “Made in USA” (embora pouco não venha da China atualmente). Ouço de pessoas próximas que “ano de eleição não é ano para gastos. É ano para se preparar, pois algo pior pode vir” ou mesmo “vou gastar tudo o que tenho agora, comprando via internet em dólar, pois com inflação não mais farei isso”.

Não estou dizendo que a política monetária e econômica do país é perfeita. Quisera eu poder avaliar com propriedade e de forma contundente a taxa Selic, a nossa burocracia, as reservas em dólar, os empréstimos do BNDES; ou ter total transparência e ingerência sobre os gastos públicos.
O que quis expor aqui é o fato que, muitas vezes, nós mesmos retro-alimentamos a “máquina” da desconfiança, o ciclo vicioso do medo da inflação, terror da economia Brasileira…

por Celsão correto

figura: montagem a partir daqui