O círculo vicioso da economia no Brasil

Posted: August 4, 2014 in Sociedade
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circulo vicioso_modificadoSaiu na semana passada uma nova previsão do crescimento do PIB no Brasil.
Agora, segundo economistas, teremos um crescimento pequeno, semelhante ao de 2012, de pouco menos de 1%. Atrelado a esse crescimento, está a previsão de “aumento” da inflação, que deve ficar no topo da meta do governo, em 6,5%.
(pra quem não sabe, o governo federal tem uma meta de inflação a cumprir, de 4,5%. Essa meta admite uma flutuação de 2%, ou seja, pode ficar entre 2,5 e 6,5% – informações da Wikipedia)

É a nona “queda” seguida desta previsão nesse ano. Mas como voltar a subir, se entramos num ciclo vicioso de desconfiança na economia?

Quero colocar uma estorinha com minha impressão sobre tais previsões e estimativas…
– Um escritório conceituado de estudos econômicos ouve que duas fábricas estão fechando no país
– Sem saber dos detalhes da ação, deduzem que haverá decréscimo de produção naquele setor da indústria
– Uma redução na indústrias faz com que empresas da cadeia (fornecedoras ou consumidoras) desistam de expandir, de investir
– Os empresários que “aplicariam” em capital produtivo, geração de emprego, etc., aplicam nos bancos, capital especulativo
– Sem produção não há oferta e o preço sobe
– Aumento de preço faz com que o público pare de comprar (pensando em mercado interno)
– Sobras de produção, pressão no governo para reduzir impostos e taxas e estimular o consumo
– Os que podem consumir não pararam, mas a redução de taxas não causa um aumento significativo do consumo e há demissões
– As demissões geram mais encolhimento em setores industriais e os índices voltam a cair…

Muito pode ser melhorado nesta análise simplista, obviamente. E muitos erros podem ser apontados em pontos específicos da minha análise.
Por exemplo, deduzir redução de produção industrial com o fechamento de fábricas, antes que a redução em si ocorra, é ignorar as leis de mercado. Muito provavelmente haverá mais oportunidades em outra empresa com o aumento da demanda deixada pelas empresas que sairam.
E, para determinados setores, como o automotivo, pouco importa se as vendas caem. A margem de lucro não pode cair! E é responsabilidade do governo (leitura deles) re-estabilizar a balança e assegurar os empregos e, consequentemente, os mercados consumidores.

Por outro lado, se tomarmos alguns dos nossos pontos mais frágeis não há solução no curto prazo… Sem educação não há facilidade pra recolocação de pessoas demitidas; sem incentivos para o empreendedorismo não surgem novas empresas; com a desindustrialização, insumos necessários passam a ser importados, quebrando toda a cadeia; há concorrência desleal sem proteção de mercado contra bens produzidos na China; sem construtivismo na política não se discutem ideias e alternativas, há apenas crítica.

É curioso, mas o jornal Valor Econômico divulgou há um mês que 46% das empresas brasileiras planejam ampliar investimentos em máquinas e equipamentos nos próximos meses (aqui). E expansões, construções de novas unidades estão nos planos de um quarto das empresas, segundo a mesma notícia; números muito maiores que os observados em países desenvolvidos, ou mesmo nos BRICs. Como pode? Será que o empresariado está na contra-mão do que pensam os especialistas? Ou será que há um certo “exagero” no pessimismo/conservadorismo gerando esse ciclo-vicioso?

Mas o que mais me aborrece com essa estória são as pessoas, muitas delas instruídas, que alimentam a especulação, que compram dólares “antes das eleições, pois… vai saber né?”, que preferem e optam por produtos importados quando há similiar nacional, gerando emprego e renda aqui, que criticam o país e reforçam a máxima de “Made in USA” (embora pouco não venha da China atualmente). Ouço de pessoas próximas que “ano de eleição não é ano para gastos. É ano para se preparar, pois algo pior pode vir” ou mesmo “vou gastar tudo o que tenho agora, comprando via internet em dólar, pois com inflação não mais farei isso”.

Não estou dizendo que a política monetária e econômica do país é perfeita. Quisera eu poder avaliar com propriedade e de forma contundente a taxa Selic, a nossa burocracia, as reservas em dólar, os empréstimos do BNDES; ou ter total transparência e ingerência sobre os gastos públicos.
O que quis expor aqui é o fato que, muitas vezes, nós mesmos retro-alimentamos a “máquina” da desconfiança, o ciclo vicioso do medo da inflação, terror da economia Brasileira…

por Celsão correto

figura: montagem a partir daqui

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