Entrevista com o nosso candidato

Posted: August 27, 2014 in Política
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DISCUR~1Entrevistador – Boa noite candidato. Antes de mais nada gostaria de agradecer a sua presença.
Candidato – Eu que agradeço. Mas espero a compreensão do meu partido e dos meus eleitores sobre as respostas que darei.

Entrevistador – Como assim candidato?
Candidato – Serei sincero e verdadeiro nessa entrevista. Quero expor exatamente o que penso, sem rodeios ou respostas evasivas…

(E) – Ótimo. Começo então perguntando sobre a Previdência. O que o senhor acha do fator previdenciário e da desaposentação?
(C) – Boa pergunta! Infelizmente o nosso modelo previdenciário está condenado à falência e ao fracasso. Não temos como suprir salários dignos àqueles que trabalharam e contribuiram por tanto tempo. A medicina avançou, e com ela, a expectativa de vida da população. E agora, mesmo se aumentássemos a data mínima de aposentadoria para 75 anos, não conseguiremos pagar sequer um salário mínimo aos profissionais da iniciativa privada.

(E) – E qual seria a alternativa?
(C) – Não acho que a desaposentação seja. O único que me vem a cabeça é acabar com as aposentadorias integrais dos setores públicos. O teto deve valer pra todos, de pedreiros a juízes.

(E) – Seguindo na mesma linha, que reformas o senhor acredita serem necessárias?
(C) – Mais que necessárias, acho que as reformas tributária e política sejam essenciais nesse ponto. Chegamos no ápice da curva dos impostos e daqui pra frente, a maioria só buscará meios de burlar e sonegar. Vou taxar de verdade as fortunas e fazer uma “sociedade” com aquele 1% mais rico da população, se o Brasil crescer, eles também ganham, se não crescer muito, o dinheiro deles servirá para algo mais útil que iates e viagens caras. Acho que este é um bom momento para cobrarmos uma boa contribuiçào de quem tem muito a contribuir. Você sabia que 1% das pessoas em São Paulo tem 20% da renda da cidade (aqui)?

(E) – E a reforma política candidato, o senhor nada disse sobre ela.
(C) – Sou contra o financiamento de empresas, uma vez que já temos o fundo partidário e pessoas físicas podem doar e abater do imposto de renda. Sou contra as dezenas de partidos que temos e que se aninham para conseguir mais tempo, mais cargos e mais prestígios. É hora de cada um assumir suas ideologias e lutar por elas. Além disso, defendo o voto distrital misto, como forma de erradicar os “Tiriricas” e fazer com que cada “comunidade” seja representada e observe o seu próprio candidato. O problema é convencer os encostados dos parlamentares do meu partido, que teriam de mudar o modo como fazem política.

(E) – O que o senhor acha do crescimento do agronegócio em contrapartida com nossas florestas?
(C) – São questões imcompatíveis! Contraditórios! Ou bem temos floresta e somos o “pulmão do mundo”, ou bem produzimos safras recordes e suprimos todos os bifes comidos na China, sendo o “alimentador do mundo”. Se eu prometer expansão sustentável do agronegócio estarei mentindo! Acho que os Estados poderiam decidir se querem floresta ou soja, natureza ou pecuária. Ainda melhor seria que limitássemos ambos, estabelecendo um mínimo aceitável para floresta (incrementado ano a ano) e um máximo para produção de alimentos e pecuária (que, idealmente, diminuiria ano a ano, aumentando a produção com novas tecnologias). Mas, para isso, teremos de brigar com forças e famílias poderosas…

(E) – E o senhor lutaria pela reforma agrária?
(C) – Claro! Desde que as pessoas interessadas se comprometam a manter-se no campo e não emigrar para as complicadas áreas urbanas. Eu incentivaria a migração pro campo, mas manteria a posse da terra ao Estado, para proibir a venda afastando o latifundiário.

(E) – Plano de governo para a segurança pública, o senhor tem?
(C) – Essa é difícil. Achava que o aumento da renda diminuiria a violência diretamente… Creio que possamos contratar chefes do crime organizado para uma secretaria anti-crime. Da mesma forma como teremos hackers trabalhando na segurança digital, no meu governo.

(E) – E a educação, será prioridade em seu governo?
(C) – Com certeza! Tudo começa com a educação e deve ser pautado nela. Quero escolas públicas fortes, com processos de antigamente, provas, notas, repetência e até alguma evasão, inerente ao processo. Para os evadidos, escolas em tempo integral combinadas a esporte, música ou outro atrativo que os faça render, funcionando como recompensa. De nada adiantam porcentagens e números de alunos matriculados se formamos analfabetos funcionais e péssimos profissionais. Não podemos desistir da formação de profissionais e cidadãos. Embora seja preciso deixar claro pras famílias que escola sozinha não forma caráter!

(E) – Mas isso não é popular…
(C) – Não adianta manter vagabundo batendo na professora e passando de ano sem esforço. Cidadãos e profissionais, este é o objetivo da minha escola.

(E) – O que pretende fazer em infraestrutura?
(C) – Pretendo financiar as obras em estradas com o lucro das montadoras e demais obras com o lucro das construtoras e dos bancos.

(E) – Como? As montadoras reclamam dos impostos, dizendo que eles travam o desenvolvimento.
(C) – São um bando de chorões. Os bancos e construtoras lucram tanto que são os que mais doam para os partidos políticos.

(E) – Finalizando candidato, você acha que conseguirá aprovar alguma dessas leis no Congresso?
(C) – Minha vontade, prezado entrevistador, é dissolver esse Congresso, eleger um colegiado dez vezes menor, que seguiriam em seus empregos e votariam pela internet ou telefone. De quebra, economizaria uma bela quantia…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

Comments
  1. Ade says:

    Texto sensacional! Parabéns Celsao!

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