Archive for September, 2014

manifestação_2013_02Tem uma teoria que repito há alguns anos, não sei se li de algum filósofo/intelectual, ou se aprendi com algum sábio amigo, ou se fui eu mesmo que cheguei até ela a partir de minhas observações. Ela consiste no trato do amor e do ódio.

O amor e o ódio são tratados pela maioria das pessoas como o oposto um do outro. Isso é uma falácia enorme. O amor e ódio são irmãos, são dois lados da mesma moeda. Uma pessoa, num momento de ciúmes, decepção, sentimento de ingratidão, acaba facilmente confundindo o amor com o ódio.

Não é à toa que as brigas entre parentes próximos são tão intensas e constantes. Marido e mulher que se amavam tanto, da noite para o dia, passam a se odiar, muitas vezes gerando até agressões verbais e físicas, e algumas vezes originando até mesmo a morte de um dos dois, ou de ambos. É o amor imaturo, doentio, se transformando em ódio.

E podemos nos lembrar do contrário, quando crianças que eram iguais a cão e gato na escola, futuramente acabam se relacionando, e até se casando, o que deixa então claro que toda aquela repulsa de um pelo outro, era na verdade um amor, paixão, atração mal compreendido(a) devido à imaturidade.

Portanto, o oposto tanto do amor, quanto do ódio, na verdade, é a indiferença. Sentir indiferença é sentir nada. Não há espaço para amor, nem ódio. É a ausência de sentimento. Já o amor e o ódio indicam a presença dos mais intensos dos sentimentos.

Na política, a história é bem parecida.

Vivenciamos em 2013 uma sequência de manifestações de cunho político. E interessantemente muitos dos manifestantes levantavam bandeiras “anti-políticas”, de ódio e negação à política.

Ora, existe algo mais político que ir às ruas protestar contra a política? A negação à política é por si só, um ato extremamente político. Mas muitos dos manifestantes, em sua maioria jovens de 16 a 25 anos, não se deram conta disso, talvez por falta de conhecimento, talvez por ingenuidade, talvez por falta de reflexão, ou uma combinação disso tudo.

O ódio à política está muito próximo do amor à mesma. O que os separa é uma linha tênue.

Exemplificando:
Imagine um jovem, que pintou a cara, foi à rua com cartazes dizendo “Impeachment da Dilma”, “Impeachment de Alckmin”, “Cassação de Renan Calheiros”, “Dissolução do Congresso”, “Político é tudo pilantra”(sic), “vamos tirar essa corja de bandidos do poder”. Todas essas frases carregam uma mensagem de ódio à política. 

Então, imagine que cheguemos a este jovem e lhes mostremos que estamos querendo fundar um novo partido: O “Jovens Contra a Política Suja” (JCPS). Explicamos a este jovem que somos contra “esses partidos”, essa “roubalheira”, essa “safadeza”. Queremos limpar nossa política, lutar por mais ética, mais compromisso com o povo, por um Brasil mais justo. 

Provavelmente esse discurso lhe agradaria, e ao ser convidado, esse jovem provavelmente aceitaria participar do projeto, integrando então o novo partido político.

Pronto, de ódio à política, aquele jovem passou “a ser a própria política”. Foi tanto “amor” que acabou trazendo a política para sua própria vida

Já uma pessoa indiferente à política, não tem qualquer sentimento, não sente raiva de políticos, nem de partidos, muito menos amor ou empatia. Conversas, artigos, livros, debates políticos lhe causam somente um sentimento, o tédio.  Essa pessoa, dificilmente aceitaria participar de um projeto político, jamais irá às ruas protestar, provavelmente continuará justificando sua ausência nas eleições, ou no máximo, votando nulo. Portanto, a indiferença e o ódio à política são muito distintos.

A negação à política, o ódio mostrado por uma parcela dos brasileiros, é algo muito forte, interessantíssimo, mas também perigoso. O envolvimento político é uma das consciências mais importantes para o desenvolvimento de uma sociedade enquanto democracia saudável e para o progresso da Nação. Porém, é preciso muito, mas muito cuidado. O envolvimento imaturo, carregado de emoções não refletidas, não digeridas, originando inclusive o pensamento de estar negando exatamente aquilo que se está fazendo, pode ser uma ferramenta perigosíssima nas mãos daqueles com maior compreensão, experiência e ambições.

Temos nessas eleições de 2014 um grupo político, composto por dinossauros/anciãos da política, pessoas que já participam do processo político em seu mais alto grau há muitas décadas. Políticos, marqueteiros, publicitários, empresários, economistas envolvidos até a cueca, há décadas, neste mesmo processo político atacado pelos manifestantes.

Esse grupo é exatamente igual aos outros grupos. Têm as mesmas intenções, mesmos objetivos, mesmas ambições, porém com uma diferença: O discurso é diferente.

Eles, de forma muito “astuta” e “sagaz”, adentraram numa campanha política, utilizando-se da negação da política, com o claro intuito de conquistar a confiança daqueles milhões de jovens que foram às ruas ano passado. Portanto, é o mais do mesmo, vestido com roupa nova.

Esse grupo é uma repetição do que já aconteceu algumas vezes na história do mundo. Eles representam a Terceira Via. E as experiências que o mundo já teve com tais discursos ludibriadores, não foi nada boa.

Portanto, é muito importante que desempenhos nosso papel em outubro com muita consciência. Não há heróis, não há milagres. Não nos ceguemos pelas emoções. Tragamos o racional á tona e saibamos identificar incoerências. Saibamos identificar mentiras, aplicando um simples toque de lógica. Não deixemos que as manifestações do ano passado tenham servido para colocarmos no poder pessoas que estão utilizando os mais sujos dos jogos psicológicos para com a sociedade. Colocar essas pessoas lá é jogar no lixo a legitimidade dos protestos de 2013 e colocar o Brasil em uma situação de enorme risco, com grandes chances de retrocessos, tanto econômico quanto social.

Sejamos cidadãos responsáveis, eleição não se trata de protesto, de birra, de ódio irracional, sequer se trata de jogos de risco numa mesa de cassino, ou investimento em bolsa de valores. Eleição é o que há de mais sério em nosso papel de cidadania. Saibamos escolher o projeto mais coerente, mais sensato, mais praticável, e mais soberano para nosso país.

* Para ler mais um artigo nosso, que relaciona a opção política com o caráter do eleitor, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui + montagem minha

Ainda falando sobre eleições 2014, numa discussão sobre política via WhatsApp fui avisado por um camarada sobre o “Acordei”, aplicativo que prometia ajudar eleitores na escolha, indicando possíveis “roubadas”.
Gostei da ideia, principalmente porque para deputados e, muitas vezes, senadores, pouco é o tempo na TV e não há como saber quem é aquele vizinho do amigo de infância ou cunhado do filho de fulana, que agora é candidato.
E, basta perguntar pra colegas mais próximos que uma verdade cruel aparece: ninguém lembra em quem votou para vereador ou deputado nas últimas eleições. O que dificulta, em muito, cobrar atitude e comprometimento dos mesmos…

Pensando nisso, resolvi fazer um apanhado dos aplicativos mais baixados.

apps_acordei_31-icone-app-acordei-600x600Acordei
A primeira versão era simples demais, mas foi atualizado há algum tempo para se equiparar aos outros. Tem uma breve biografia da maioria dos candidatos, lista os principais processos enfrentados pelo mesmo (não havia na primeira versão), lista de bens, link para download de propostas e certidões negativas direto do TSE.

Na busca por candidatos a deputados, é possível filtrar por partido ou por nome, mas não por número.
Uma vez escolhido o Estado, fica gravado. O que é legal, economiza clics…

Ainda é possível favoritar candidatos e escrever a eles, caso estejam cadastrados no aplicativo.

Os links de processo levam direto ao site do tribunal em que o processo se encontra, seja o TSE, TCE, Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, etc., mas as informações estão em Advoguês… É mais fácil buscar a informação no próprio resumo se o processo já foi julgado ou está em recurso do que acompanhar todo o blá-blá-blá.

app_votecerto_unnamedVote Certo
O Vote Certo já traz na primeira aba a mini-biografia, com cargos ocupados e processos daquele candidato, também com link para o tribunal em questão, TJ dos Estados, STF, TSE, etc.

Em outras abas, está a lista de bens, uma lista interessantíssima de doadores (normalmente de campanhas anteriores, o que não deixa de ser interessante), outras candidaturas com número de votos e recursos gastos e uma estatística simples daqueles que estão em exercício na Câmara ou Senado.

Essa estatística mostra faltas, emendas atendidas e evolução patrimonial. Infelizmente depende do ano em que os bens foram declarados ao TSE, ou seja, não reflete em 100% a realidade, principalmente durante o mandato (durante os 4 ou 8 anos dá pra mudar os bens de titularidade ou deixar de declará-los)
Como pontos ruins, dá pra dizer que não há soma de bens e que a base das eleições anteriores não é clara; pois para o senador Suplicy só aparece a eleição de 2006. É como se começasse a contar em 2002.
(Aqui valem aspas, o Suplicy tem falta zero em plenárias)

Mas dá pra saber, por exemplo, que o candidato Aprígio (da minha região) já concorreu e ganhou em dois pleitos para vereador e perdeu em 2012 para prefeito de Taboão da Serra.

Outro fator que poderia ser melhor é a busca: pode ser feita por nome e número, mas sempre com nomes ou números completos, ou seja, não dá pra buscar “apri” para achar o Aprígio, nem “malu” pra chegar ao Maluf; nem colocar os primeiros dígitos para obter uma lista… Tampouco é possível filtrar por partido, ou seja, nesse aspecto o “Acordei” é bem melhor.

Mas sabendo o nome ou número, a aba dos doadores e candidaturas mostra a linha do político, a quantas eleições insistem, quem são as pessoas ou empresas que os apóiam, etc.
Por exemplo, vi que a candidata a Deputada Estadual Analice Fernandes, também da minha região, que já foi eleita três vezes, recebeu cerca de R$36.000 em doações da candidata a Deputada Federal Bruna Furlan. Talvez para aparecerem juntas, “colando” um nome ao outro. Só que Bruna recorre a um processo de 2011 por improbidade administrativa em Barueri, sua cidade.
Outro problema: as doações feitas a Bruna em 2010 foram basicamente construtoras e empresas de Engenharia. Fato que sou bem contra.

app_politbook_proteste_ja_unnamedPolitbook e Proteste Eleições 2014
Ainda fiz mais dois downloads, pensando em programas que representassem um diferencial em relação aos anteriores, mais completos e interessantes.

O “Politbook” é fraco. Tem uma avaliação dos internautas logados no facebook, totalmente tendenciosa e pouco presente. Mostra as pessoas que votaram, como uma avaliação de aplicativo, o que  tolhe a coragem dos mais tímidos…

O mesmo vale para o “Proteste”, onde é possível “curtir” candidato a candidato. Ideia boa e válida, mas deturpada pelos usuários.

O primeiro também tem mini-biografia, histórico de cargos e processos, candidaturas anteriores e estatísticas, como o “Voto Certo”. Mas peca, na minha opinião, exatamente na interação, que poderia ser o diferencial.

Porém, pude ver, graças ao “Politbook” que o candidato Aprígio tinha pouco menos de dois milhões em bens declarados em 2008 e passou de seis milhões em 2014!

app_uol_mzl.ukdijmov.175x175-75App da UOL
O UOL também tem um app, chamado UOL Eleições.

Longe de conter as mesmas informações dos analisados anteriormente, congrega noticias, fotos, vídeos, pesquisas e posts em blogs ligados ao portal.

Na aba candidatos é possível filtrar por nome e número, separando ou não o cargo, estado ou partido. Porém, traz nenhuma informação relevante para a tomada de decisão por parte de eleitores.

O que também me decepcionou foi a inexistência de busca por notícias deste ou daquele candidato, o que não necessariamente seria bom, dado a parcialidade e superficialidade da mídia; mas é uma pena não integrar o serviço de informações dos candidatos com as notícias divulgadas.

app_excelencias-parlamentares1Site da Transparência Brasil
Já havíamos falado sobre esse site, num post do ano passado (aqui).

Não há como dizer que é menos importante que os aplicativos até aqui mostrados. No site há uma a página específica sobre o desempenho dos políticos em exercício, chamada “Excelências” (link aqui).

Nela, com número ou nome e estado é possível consultar rapidamente processos judiciais, histórico de eleições anteriores e verificar os principais doadores de 2014! (disponível também no site, na seção chamada “às claras”)

Medidores de fácil interpretação mostram os principais indicadores de um mandato, como faltas, matérias irrelevantes e emendas atendidas.

 

Fica a dica: um dos apps acima, dando preferência a um dos dois primeiros para pesquisar candidatos e depois faça uma verificação no site do Transparência Brasil!

Lembrando que ainda temos mais de 15 dias para as eleições, muitos ataques e acusações, e muita água por correr “por debaixo da ponte”.

por Celsão correto

figuras retiradas da “loja virtual” da google (aqui) e do portal “Excelências” do Transparência Brasil (aqui).

Não há como negar.
A maioria dos brasileiros critica políticos e juízes corruptos, mas assume que roubaria também, ou, sendo mais polido, “jogaria o jogo” se estivesse no poder ou tivesse a chance.

Usar vagas para deficientes, sonegar imposto de renda ou buscar meios ilícitos de aumentar a restituição, dirigir após dois chopps ou uma taça de vinho, são apenas alguns exemplos de maus comportamentos aceitáveis socialmente.

Abaixo, compartilhamos um excelente texto do leitor e amigo Erick Nogueira.
Boa leitura!


cidadania_éticaSempre foi hora de acabar com a hipocrisia e a corrupção neste país, e de tempos em tempos aparece um herói prometendo este milagre.

As práticas condenáveis no setor público, dentre elas a corrupção, são exatamente, ou em sua grande maioria, réplicas de práticas antigas e atuais do setor privado e, para existir, precisam atuar em conjunto com o setor privado.

Apadrinhamento, bola, sonegação, desvios, caixa 2, lavagem de dinheiro, suborno, assédios, puxada de tapete, panelinhas, corporativismo e camaradagens nas relações comerciais tais como carteis, acabam sendo práticas comuns, ora no setor público, ora no privado, ou até em ambos.

Temos atualmente TODAS as maiores e médias empreiteiras do país envolvidas com propina e caixa 2 eleitoral, temos Siemens, Alston, Petrobras, temos toda a mídia corporativa que loteia a informação a serviço do anunciante ou políticos, temos as históricas trocas e disputas entre a Globo e governos de ocasião, temos CBF, os crimes da Veja, envolvida com o bicheiro Carlinhos Cachoeira num esquema político e de corrupção com Demóstenes, senador cassado e procurador do MP, temos os julgamentos de Gilmar Dantas…

Tudo isso nos mostra o quanto a coisa é abrangente e encrustada na sociedade, e essas práticas também são nossas, na carteirinha falsa da UNE ou ao trafegar pelo acostamento quando a estrada está engarrafada, o gato de TV. A nossa sociedade é assim, temos em nós o gene da flexibilidade moral, não é apenas o governo, ou justiça, ou polícia, são todas as instituições brasileiras em algum grau.

Está em mim, e em vc. O desafio hoje é aceitar que o brasileiro, principalmente aquele que detém o poder, o dinheiro, do topo para baixo na pirâmide, carrega um perfil moral que precisa ser corrigido.

Isso seria um bom começo.


por Celsão Correto e Miguelito Formador

brasil-invasao-terreno-itaquera-20140507-001-size-598Há algum tempo vê-se em São Paulo um aumento estrondoso de ocupações de terrenos públicos e privados pelo movimento dos trabalhadores sem teto, ou MTST.
A reivindicação de ter uma moradia, totalmente justa e plausível na minha opinião, carece de organização e de planejamento por parte do governo, no caso, a prefeitura, e também do movimento.

Os proprietários, a imprensa e a elite criticam as invasões chamando-as de fantasmas; usando o fato real de que os acampamentos ficam quase vazios durante a noite. Ora, muitos dos integrantes vivem em imóveis alugados ou barracos de madeira em favelas; logo, têm uma moradia que apresenta melhores condições de higiene e segurança que as tendas montadas precariamente nos terrenos invadidos. E, sem ter a certeza de que o novo lar surgirá daquela ocupação, nem o prazo para isso, não dá pra abandonar o kitnet alugado.

Organização e Reurbanização

Do lado do governo, seria interessante um cadastro único e funcional, tanto de membros do MTST, quanto de futuros moradores incluindo os cadastrados para habitações populares, como o Minha Casa Minha Vida; não esquecendo de colocar na lista os terrenos de possível construção das moradias. Essas listas poderiam servir de base para uma reurbanização inteligente da cidade e até do estado.
Por exemplo, se a Mooca, Brás e Barra Funda passam a ser bairros estritamente residenciais; seria salutar para a cidade se terrenos comprados pela prefeitura ou abandonados por fábricas falidas, servissem ao menos em parte, para habitações populares.
Pensando mais macro, existem problemas de mão-de-obra em cidades médias do estado de São Paulo. Estas cidades, que demandam trabalhadores mas nem sempre os encontram, serviriam como base para “migrar” as grandes populações para fora da cidade de São Paulo.
Não é para segregar, mas para garantir ao mesmo tempo moradia, emprego e qualidade de vida; já que em São Paulo os pobres ocupam periferias cada vez mais longe do centro e têm de se deslocar cada vez mais.

Outro ponto importante pra mim é o comprometimento do cidadão beneficiado com uma moradia dessas (serve também para terrenos no caso do MST). Não é justo haver a doação ou benefício e, alguns meses depois, a venda do imóvel e o retorno do beneficiado ao grupo dos reivindicantes. Os bens seriam da prefeitura, portanto, intransferíveis. Isso ajudaria a conter ímpetos gananciosos. Os arruaceiros e os chamados de “zóião” pelo movimento, pessoas que dividem a família e se instalam em mais de um barraco, seriam contidos pelo cadastro unificado.

Compensações sociais

Uma outra medida, que ao meu ver seria eficiente para a recolocação de famílias seria a imposição de compensações sociais aos empreendimentos erguidos Brasil afora por grandes construtoras.
Uma Cirella precisaria aplicar parte do lucro obtido de um prédio comercial no Morumbi em construções populares em Itaquera, no terreno chamado Copa do Povo, por exemplo. Como os custos com a construção e os valores de venda estariam em outra escala de grandeza, não seria difícil para a incorporadora, ou mesmo para os clientes, arcar com parte dos valores das moradias populares.
A lei já prevê que haja compensação ambiental em caso de desmatamento e uma outra compensação nas vias e trânsito feita pela prefeitura, através do recolhimento do imposto sobre serviços (ISS). Imposto aliás, que foi tema recente de escândalo de sonegação por parte de fiscais. (aqui)

Passando há alguns meses por uma invasão perto de casa, fui questionado sobre minha opinião por um taxista.
Disse a ele que pode parecer cruel ao ricaço, que comprou um apartamento de duzentos e tantos metros quadrados por mais de um milhão de reais, ter vizinhos em apartamentos padrão Projeto Cingapura. Mais é no mínimo humano dividir um terreno gigante em torres de alto padrão e prédios populares. E, se a construtora preferir que a compensação social ocorra longe dali, tudo bem.

Mais radical ainda, pensando que 1% dos mais ricos de São Paulo recebem 20% da renda da cidade (link aqui), proponho doações desse povo para diminuir o déficit habitacional. Os menos radicais podem chamar de imposto sobre grandes riquezas. Os abastados poderiam escolher entre doar quantias em dinheiro ou terrenos e prédios. Tal ideia também seria aplicável à grandes fazendas, normalmente controladas por aqueles que detém incontáveis terras.

O que não dá mais pra fazer é ignorar o problema da falta de moradias e de condições para que trabalhadores a possuam; ou sucumbir a caprichos de líderes que buscam ascenção política e/ou financeira.

por Celsão correto

figura retirada daqui

Conservadorismo_Aborto_religiaoAnalisando a pesquisa Ibope da semana passada, podemos tirar algumas conclusões sobre a sociedade brasileira e sobre o perfil dos eleitores de Marina Silva e Dilma Rousseff.

 

 

Ibope delineia a sociedade brasileira: Assustadoramente conservadora!

Pena de morte: Os EUA é um dos únicos países desenvolvidos onde há pena de morte. Na Europa, não há. No Brasil, 46% da população defende a pena de morte. Um atraso mental e totalmente contra os ensinamentos de Jesus Cristo (mais de 80% da sociedade brasileira é Cristã), ou seja, contraditória.

Maioridade Penal: É quase unanimidade entre os países desenvolvidos, a maioridade penal acima de 18 anos, e para alguns efeitos, 21 anos. Mas o Brasil, na contramão da evolução mundial, quer retroceder e reduzir a maioridade penal para 16 anos, ou talvez, 14 anos, com 80% da população sendo a favor da redução.

Casamento Gay: Enquanto Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Canadá, Bélgica, Holanda, Uruguai, Argentina, entre outros, já oficializaram o casamento homossexual, 53% da sociedade brasileira rejeita o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanta barbaridade!

Descriminalização do aborto e da maconha: Tópicos importantíssimos também já debatidos e aprovados constitucionalmente em diversos dos países desenvolvidos, entre eles muitos dos já citados acima. No Brasil porém, ambos os temas possuem rejeição de 79% da população. Um número assustador.

Aí percebemos como é difícil levantar bandeiras progressistas, num país tão conservador. Imaginem se um político, presidente, senador, prefeito, governador tentar assumir esses temas como prioridade: acabará sendo rejeitado e odiado pela maior parte da população.
Nessa perspectiva, só há uma solução viável: Uma revolução no sistema de ensino do Brasil, inserindo temas de interesse da sociedade, trabalhando o senso crítico e o interesse pela política, fortalecendo a sociologia e antropologia, trabalhando e dando liberdade às diversas culturas e formas de pensar, trabalhando o respeito às individualidades, e dando ênfase na formação do perfil ético-social do cidadão.

O Ibope delineia o perfil dos eleitores: mais pobres com Dilma, mais ricos com Marina.

Marina: Classe média alta e ricos. Regiões Sul e Sudeste. Evangélicos (num geral, religiosos mais radicais e mais manipulados pelas Igrejas). Jovens de 16 a 24 anos (normalmente despolitizados, sem conhecimento, sem malícia e sem bagagem histórica).

Dilma: Classe média baixa e pobres. Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Católicos. Adultos de mais de 34 anos (normalmente mais politizados, mais cientes de suas responsabilidades civis, e menos ingênuos devido a experiências passadas).

Pense nesses perfis e reflita sobre quem você está apoiando: o povo que necessita de suporte, ou a velha oligarquia que luta para voltar a ter todas vantagens possíveis, em detrimento dos direitos do pobre e das minorias.

Para ler mais sobre o assunto, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui

coerencia-e-coesaoO texto a seguir foi escrito pelo amigo e leitor Ênio Mendes, perfil de Facebook AQUI.

Projeto para se tornar coerente:

1- Em qualquer assunto científico, aceitar sem falsa rebeldia a obviedade do fato à partir de comprovação segura e credibilizada, tornando-a impreterivelmente verossímil.

2- Diante dos fatos, aceitar “o não saber” sem invejar, sem sentir-se menosprezado por “quem sabe”… Quem sabe “sofreu” a dor do descobrimento e desfruta merecidamente a estabilidade da verdade possível. Quem não sabe “sofre” a constante dor da negação deste “sofrer libertador”, o que é muito pior.

3- Mesmo que os fatos esfreguem na cara alguma “porção-sombra de si”, que antes não se imaginava existir, não permitir que o choque faça manter-se endurecido, pelo susto do vazio de saber que “não se alcança!” Aceitar que apesar dos fatos ainda “não se alcança” evita manipulações doentias do ego. Iluminar a sombra.

4- Ter coragem de não estar em cima do muro. Quem não tem lado não se responsabiliza pelo fracasso, mas não toma parte também do acerto que glorifica! Imparcialidade e neutralidade é na maioria das vezes sinônimo de covardia e fraqueza!

5- Quando alguém argumentar algo baseando-se em religião, lembrar que Jesus repugnava qualquer tipo de neutralidade, se posicionando sempre, colocando-se sempre de um lado. Isto custou historicamente sua morte, mas deu-o o sentido da vida!

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Aproveitando o excelente texto do amigo Ênio Mendes, creio que valha a pena adicionar algumas palavras sobre o método e postura deste blog.

Desde o início deste projeto, nosso intuito primitivo e essencial é o de difundir conhecimento/informação, e às vezes expor nossa opinião, que nem de longe é a mais “enquadrada” em padrões.

Esta “opinião” porém, surge geralmente à partir de estudos, busca de dados, leituras de fontes selecionadas rigorosamente, lógica, racionalidade, senso crítico e humildade para revisão e reflexão, visando sempre dar preferência a informações que tenham sido geradas usando métodos científicos de pesquisa, aumentando assim a confiabilidade das mesmas.
Outros desdobramentos que advém do intuito inicial e também são importantes passam pelo crescimento próprio com as leituras e textos e a geração de uma “entropia positiva do pensar”, baseada no compartilhamento desses textos.

Claro que, vez ou outra, nós dois sócios deste blog discordamos um do outro em nuances. No entanto, temos um lado político bem definido, onde nosso lado direito é canhoto.

Porém, mesmo tendo como princípio a coerência, ética, embasamento e honestidade intelectual durante a formulação de nossos escritos, sabemos que não teremos sempre o mesmo comportamento de todos nossos caros leitores. Mesmo assim,  não pretendemos fazer moderação ideológica nos comentários, abrindo espaço para discussões e opiniões diferentes, e sempre carregando a esperança de que apareçam comentários ricos e/ou críticas construtivas embasadas cientificamente, gerando engrandecimento através da troca de ideias.

Pra quem não conhece ou não lembra mais, segue link para a “ideia do blog

por Celsão correto e Miguelito Formador.

figura retirada daqui

Gilmar_MendesO ministro Gilmar Mendes foi o único ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que votou contra a cassação da candidatura de José Roberto Arruda ao Governo do DF.

Arruda se envolveu em diversos escândalos durante sua carreira, como a adulteração do painel de votação do Senado, em 2001, juntamente com Antônio Carlos Magalhães; o Mensalão do DEM no Distrito Federal, em 2010; foi preso em 2010 por 2 meses, configurando o primeiro Governador preso na história do Brasil; teve seu mandato cassado pelo TRE por infidelidade partidária; sofreu processo de impeachment enquanto governador do DF.

Arruda foi cassado pela Lei da Ficha Limpa, o que impede sua candidatura a Governador do DF. Dos 7 Ministros do TSE a votarem no processo, Gilmar Mendes foi o único a votar a favor de Arruda. Clique (AQUI).

Gilmar Mendes é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2002, quando indicado pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Acumula também o cargo de Ministro do TSE onde é atualmente vice-presidente.
Mendes foi Procurador Geral da República (1985 – 1988 / José Sarney), consultor jurídico da Secretaria Geral da Presidência da República (1991-1992 / Fernando Collor), subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil (1996 – 2000 / Fernando Henrique Cardoso), e Advogado Geral da União (2000 – 2002 / Fernando Henrique Cardoso).

O Ministro Gilmar Mendes é aquele que concedeu, em 2010, Habeas Corpus para o médico estuprador, Roger Abdelmassih, que violentou pelo menos 37 mulheres (pacientes), soltando o mesmo e possibilitando sua fuga para o exterior. (AQUI)
O Médico foi preso em agosto deste ano. Estava vivendo luxuosamente numa mansão no Paraguai. (AQUI).

Também esse ministro soltou, mais de uma vez, o banqueiro Daniel Dantas, envolvido em escândalos de corrupção e operações ilícitas, entre elas a Operação Satiagraha (AQUI). Próximo de diversos políticos, de empresários poderosos e do poder público, além do setor financeiro, Dantas é tido como uma das pessoas mais influentes do Brasil.
Leia mais sobre o Habeas Corpus concedido por Gilmar Mendes a Daniel Dantas, clicando (AQUI)

Joaquim Barbosa uma vez proferiu em plenário as seguintes palavras a Gilmar Mendes: “Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso“.

Quando a Constituição/Lei está a favor de seus interesses, ele a usa, e é irredutível para com exceções. Porém, quando esta está contra seus interesses, ele a ignora, e abre exceções.

Vale também lembrar que ele foi rigoroso com os réus do Mensalão, ignorando provas a favor e acatando todas as provas contra os mesmos; ainda apoiou Joaquim Barbosa na inversão do ônus da prova para com os réus.

Agora, não vale ficar gritando que Mendes é um escroto por ter soltado o médico estuprador, o banqueiro sujo ou o político corrupto, mas é um herói por ter condenado os réus do mensalão. Sejamos coerentes, assim como ele o é.
Há uma linha clara de raciocínio a ser seguida aqui, onde podemos observar uma postura bem definida deste Ministro na maioria de suas ações. Se posiciona a favor de Arruda, Dantas e Abdelmassih, e contra José Genoíno e José Dirceu.

por Miguelito Formador

figura daqui