Archive for November, 2014

Combate_CorrupçãoPara os que não leram ainda, o artigo-base deste post foi publicado na Folha de São Paulo no dia 21/11/2014 – link aqui.

Antes que falem: Uai Miguel, mas você critica tanto a mídia, e posta um artigo da Folha?
Explicação: Eu critico o “Editorial” da mídia, ou seja, as linhas gerais, a grande maioria das publicações, as capas, as chamadas, a ideologia da diretoria e conduta antiética da mesma.
Esse artigo aqui é uma coluna dentro da parte “opinião”. Ou seja, tem uma certa liberdade, e existe na maioria das mídias escritas, para transparecer um pouco mais de democracia. Percebam que no final da mesma tem uma nota do jornal, dizendo que a opinião ali exposta não condiz, necessariamente, com a opinião do jornal.
Portanto, é um espaço livre que o jornal disponibiliza para colaboradores. O mesmo não representa 5% do alcance que o editorial do jornal representa.

Bom, depois de separar alhos de bugalhos, já começo a segunda parte dizendo que lamento o fato de que, a maioria dos leitores que “divergem” de mim, não lerão até o fim (mesmo se tratando de um artigo de dois minutos de leitura). E caso leiam, interpretarão somente aquilo que querem, e ignorarão todo o resto, criando internamente em suas mentes desculpas e argumentos para desqualificar passagens do texto. Inclusive, ignorarão a importância do fato do autor mencionar claramente que é eleitor tucano.

E é justamente por não lerem, por pré-julgarem, por filtrarem só aquilo que lhes interessa, e de preferência, coisas simples e de rápida absorção, é que pensam como pensam. Antes de se informarem, estudarem a fundo, buscarem entender as problemáticas, analisarem com cuidado os dois lados, buscarem diversas formas de ver a mesma coisa, preferem sempre, antes de qualquer coisa, opinarem. Por menos informado que se esteja, pensa que o mais importante seja opinar, e garantir a defesa de suas convicções e do seu ego.

Sofro diariamente as mesmas acusações, que se repetem em ondas de clichês da maré do senso comum. É mais ou menos assim: Se o interlocutor está mais preparado que você, e tem mais informação que você, e aponta incoerências e falta de lógica em suas argumentações, não há problemas, basta acusar o interlocutor de ser arrogante, ou agressivo, ou contar algum “tropeço” dele há 20 anos, ou dizer que ele não respeita opiniões divergentes… E se nada disso causar o impacto que se deseja, não se preocupe, comece a debochar, ser sarcástico e fazer piadas, e depois dê a desculpa que você “só queria descontrair”. Para que aprender aquilo que não se sabe, para que evoluir, se é possível se sentir vitorioso assumindo uma postura desonesta intelectualmente, certo?

É o vale-tudo da retórica, para escapar da sua incapacidade de rever seus conceitos e valores.

Também existe a tentativa de acusar “nós” do lado mais à esquerda, de também sermos viciados em nossas leituras, e fecharmos os olhos para o “outro lado”. Esta é mais uma tentativa desesperada de colocar todo mundo no mesmo balaio. Mas ela própria já se auto-desqualifica, por não possuir fundamento lógico.

Todo e qualquer cidadão brasileiro, cresceu vendo Jornal Nacional, Novelas da Globo e do SBT, Boris Casoy, Fantástico, tendo nos bancos de consultórios Veja (Editora Abril) e Época (Globo) para lerem. Os jornais, quando os tinham, eram Estadão, Folha de São Paulo e Estado de Minas. Todos nós, sem exceção, fomos bombardeados por essa mídia que detêm mais de 80% da audiência brasileira, desde que nos entendemos por gente. E continuamos a ser bombardeados, pois mesmo não acreditando na maioria das coisas que eles escrevem, nós somos OBRIGADOS a ler e assistir diariamente à mesma, pois todo mundo tem TV em casa, todo mundo tem uma esposa, um esposo, um filho, um parente, um amigo, uma visita, que não quer perder o fantástico, ou leva na bagagem das férias uma Veja.

No facebook, apesar de eu assinar só revistas e jornais alternativos e/ou de esquerda, o que mais me salta na linha do tempo são artigos da Globo e da Folha. E muitos deles eu abro e leio até o fim.
Portanto, a afirmação de que somos “viciados” em nossas mídias, e não abrimos a cabeça para o diferente, é uma falácia. A diferença entre o cidadão que só tem contato com a Grande Mídia e o cidadão que busca outras fontes, é que o segundo teve um “click” durante a vida, e percebeu que há outras realidades, e que elas parecem, na maioria das vezes mais justas, mais honestas, mais éticas que a realidade fabulosa onde vive a maioria do senso comum.

O estudo liberta, e de uma maneira profunda. Estudem, larguem a preguiça de lado. Ou parem de se posicionar como se estivessem super bem informados, como se suas opiniões fossem de extrema confiabilidade. Isso não é legal, e acontece em países de sociedades desenvolvidas, muito menos que no Brasil. Na Alemanha, por exemplo, a maioria das pessoas, quando falam de algum assunto sobre o qual não estão bem informados, eles afirmam a cada 5 minutos de diálogo (não tenho certeza, não sou estudioso de política, isso é só o que eu ouvi, mas não posso afirmar se está certo ou errado… etc). E normalmente prestam muito atenção naquilo que você diz, caso percebam que você está bem informado e pode lhes agregar algo.
(Leiam também nosso artigo sobre opiniões, clicando A Era das Opiniões: direitos e deveres.)

por Miguelito formador


Meus dois centavos…

Tomei conhecimento do artigo/depoimento e logo pensei em publicá-lo aqui. Não somente por escancarar uma verdade conhecida, mas até então não assumida. Mais por mostrar o “dedão na lama” que a elite tem.

Aproveito pra responder à pergunta feita pelo autor: o pessoal do Bolsa Família não usou dessas artimanhas! Poderia colocar um “ainda” na frase, na esperança de que esse pessoal possa ainda ter carro, casa, dinheiro para optar ser atendido por médicos particulares, entre outros benefícios. Daí viria do livre arbítrio a escolha de ser mais um “Gerson”, querendo levar vantagem sobre tudo e todos.
Mas sabemos que a situação de hoje está bem longe dessa realidade. Apesar de representar a generalização da direita, são poucas as pessoas que viviam em condições tão palpérrimas que é mais digno “viver da Bolsa”; a esmagadora maioria realmente utiliza o benefício para morar, comer e se vestir dignamente.

Meu lado romântico, quer e espera que a operação Lava Jato siga abrindo as feridas no empresariado nacional e que leve consigo os políticos envolvidos, de que lado forem e em que lado estejam hoje!

por Celsão correto.

figura daqui

CriacionismoReproduzo aqui o artigo do Professor Doutor José de Sousa Miguel Lopes, e publicado no blog Navegações nas Fronteiras do Pensamento. Para acessar o artigo original, clique AQUI.

Também não deixem de clicar no link do Youtube indicado no fim do artigo. Trata-se de um vídeo didático e divertido, feito pelo vlogueiro Pirula.


Criacionismo – Modus Operandi

O objetivo da ciência é moldar as nossas crenças à realidade. Não é um processo infalível nem acabado, mas tende a melhorar gradualmente a sintonia entre aquilo que julgamos ser e aquilo que realmente é. Para esse fim, não se pode, por exemplo, abordar a geologia a partir da crença de que a Terra é plana ou a astronomia a partir da crença de que a Lua é feita de queijo. Seja qual for a crença ou problema, não é científico comprometer-se à partida com uma crença, de forma firme e persistente, porque o que se quer com a ciência é explorar as possibilidades e procurar as crenças que melhor correspondam aos dados que se vão acumulando. Para isso exige-se uma atitude cética no sentido de adotar ou rejeitar crenças sempre conforme o peso das evidências e nunca por vontade pessoal. O que é exatamente o contrário da crença religiosa, carente de fé e apregoada como resultando do exercício da vontade livre do crente.

Esta diferença é evidente em várias posições criacionistas. A idade do universo estimada atualmente está muito além do que um cientista criacionista típico aceitaria. Em resposta, muitas cosmologias criacionistas de universo jovem têm sido propostas para discutir a questão da idade. É consensual na cosmologia que o universo tem quase catorze mil milhões de anos. Este valor já foi revisto várias vezes, porque valores anteriores revelaram-se incompatíveis com a informação que se ia obtendo, mas a ciência progride precisamente por encontrar alternativas que se ajustam melhor aos dados. O “cientista” criacionista faz o contrário. Primeiro decide em que hipóteses acredita “a partir da crença de que o universo foi criado por Deus” e depois limita-se a escolher as evidências que forem mais favoráveis a essas crenças.

Noutro exemplo das posições criacionistas, a “criação biológica é basicamente o estudo dos sistemas biológicos, sob a suposição de que Deus criou vida na Terra. A disciplina é estabelecida sob a ideia de que Deus criou um número finito de espécies”. Quando se usa a ciência para estudar algo não se pode estabelecer disciplinas “sob ideias” pré-concebidas nem fixar qualquer suposição. Afinal, o objetivo é perceber o que se passa e não cultivar preconceitos. Por isso, o tal “criacionismo científico” não é ciência, mas apenas uma de muitas trapaças que abusam da ciência para fazer parecer que a sua doutrina tem fundamento.

Se bem que muitos crentes concordem com este juízo acerca do criacionismo, porque rejeitam a interpretação literal dos escritos religiosos, normalmente recusam-se a reconhecer que este conflito entre religião e ciência não depende dessa interpretação literal nem é evitável enquanto a religião professar a fé em alegações acerca da realidade. Quer leiam a Bíblia à letra, quer a leiam como metáfora, a fé firme na “crença de que o universo foi criado por Deus” torna-os todos criacionistas e põe-nos todos em contradição com a ciência. Nem é só pelos indícios, cada vez mais fortes, de que o universo não foi criado com inteligência nem há ninguém encarregue disto tudo que se preocupe minimamente com o que nos acontece ou com o que fazemos. É, principalmente, porque a ciência exige que se tratem todas as crenças como equivalentes à partida e se faça distinção entre elas apenas pelo que objetivamente revelam corresponder à realidade. Isto é incompatível com qualquer fé, dogmatismo ou crença pré-concebida da qual não se queira abdicar.

Como vimos, estas são algumas tentativas,  entre muitas outras, de dar ao criacionismo a aparência de ser científico. Para aprofundar um pouco mais a problemática do criacionismo veja a forma didática como ele é apresentado, clicando no vídeo aqui

Leia o texto “Por que é quase certo que deus não existe” de Richard Dawkins clicando aqui


por Miguelito Formador