Nunca se roubou tão pouco

Posted: November 24, 2014 in Comportamento, Mídia, Sociedade
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Combate_CorrupçãoPara os que não leram ainda, o artigo-base deste post foi publicado na Folha de São Paulo no dia 21/11/2014 – link aqui.

Antes que falem: Uai Miguel, mas você critica tanto a mídia, e posta um artigo da Folha?
Explicação: Eu critico o “Editorial” da mídia, ou seja, as linhas gerais, a grande maioria das publicações, as capas, as chamadas, a ideologia da diretoria e conduta antiética da mesma.
Esse artigo aqui é uma coluna dentro da parte “opinião”. Ou seja, tem uma certa liberdade, e existe na maioria das mídias escritas, para transparecer um pouco mais de democracia. Percebam que no final da mesma tem uma nota do jornal, dizendo que a opinião ali exposta não condiz, necessariamente, com a opinião do jornal.
Portanto, é um espaço livre que o jornal disponibiliza para colaboradores. O mesmo não representa 5% do alcance que o editorial do jornal representa.

Bom, depois de separar alhos de bugalhos, já começo a segunda parte dizendo que lamento o fato de que, a maioria dos leitores que “divergem” de mim, não lerão até o fim (mesmo se tratando de um artigo de dois minutos de leitura). E caso leiam, interpretarão somente aquilo que querem, e ignorarão todo o resto, criando internamente em suas mentes desculpas e argumentos para desqualificar passagens do texto. Inclusive, ignorarão a importância do fato do autor mencionar claramente que é eleitor tucano.

E é justamente por não lerem, por pré-julgarem, por filtrarem só aquilo que lhes interessa, e de preferência, coisas simples e de rápida absorção, é que pensam como pensam. Antes de se informarem, estudarem a fundo, buscarem entender as problemáticas, analisarem com cuidado os dois lados, buscarem diversas formas de ver a mesma coisa, preferem sempre, antes de qualquer coisa, opinarem. Por menos informado que se esteja, pensa que o mais importante seja opinar, e garantir a defesa de suas convicções e do seu ego.

Sofro diariamente as mesmas acusações, que se repetem em ondas de clichês da maré do senso comum. É mais ou menos assim: Se o interlocutor está mais preparado que você, e tem mais informação que você, e aponta incoerências e falta de lógica em suas argumentações, não há problemas, basta acusar o interlocutor de ser arrogante, ou agressivo, ou contar algum “tropeço” dele há 20 anos, ou dizer que ele não respeita opiniões divergentes… E se nada disso causar o impacto que se deseja, não se preocupe, comece a debochar, ser sarcástico e fazer piadas, e depois dê a desculpa que você “só queria descontrair”. Para que aprender aquilo que não se sabe, para que evoluir, se é possível se sentir vitorioso assumindo uma postura desonesta intelectualmente, certo?

É o vale-tudo da retórica, para escapar da sua incapacidade de rever seus conceitos e valores.

Também existe a tentativa de acusar “nós” do lado mais à esquerda, de também sermos viciados em nossas leituras, e fecharmos os olhos para o “outro lado”. Esta é mais uma tentativa desesperada de colocar todo mundo no mesmo balaio. Mas ela própria já se auto-desqualifica, por não possuir fundamento lógico.

Todo e qualquer cidadão brasileiro, cresceu vendo Jornal Nacional, Novelas da Globo e do SBT, Boris Casoy, Fantástico, tendo nos bancos de consultórios Veja (Editora Abril) e Época (Globo) para lerem. Os jornais, quando os tinham, eram Estadão, Folha de São Paulo e Estado de Minas. Todos nós, sem exceção, fomos bombardeados por essa mídia que detêm mais de 80% da audiência brasileira, desde que nos entendemos por gente. E continuamos a ser bombardeados, pois mesmo não acreditando na maioria das coisas que eles escrevem, nós somos OBRIGADOS a ler e assistir diariamente à mesma, pois todo mundo tem TV em casa, todo mundo tem uma esposa, um esposo, um filho, um parente, um amigo, uma visita, que não quer perder o fantástico, ou leva na bagagem das férias uma Veja.

No facebook, apesar de eu assinar só revistas e jornais alternativos e/ou de esquerda, o que mais me salta na linha do tempo são artigos da Globo e da Folha. E muitos deles eu abro e leio até o fim.
Portanto, a afirmação de que somos “viciados” em nossas mídias, e não abrimos a cabeça para o diferente, é uma falácia. A diferença entre o cidadão que só tem contato com a Grande Mídia e o cidadão que busca outras fontes, é que o segundo teve um “click” durante a vida, e percebeu que há outras realidades, e que elas parecem, na maioria das vezes mais justas, mais honestas, mais éticas que a realidade fabulosa onde vive a maioria do senso comum.

O estudo liberta, e de uma maneira profunda. Estudem, larguem a preguiça de lado. Ou parem de se posicionar como se estivessem super bem informados, como se suas opiniões fossem de extrema confiabilidade. Isso não é legal, e acontece em países de sociedades desenvolvidas, muito menos que no Brasil. Na Alemanha, por exemplo, a maioria das pessoas, quando falam de algum assunto sobre o qual não estão bem informados, eles afirmam a cada 5 minutos de diálogo (não tenho certeza, não sou estudioso de política, isso é só o que eu ouvi, mas não posso afirmar se está certo ou errado… etc). E normalmente prestam muito atenção naquilo que você diz, caso percebam que você está bem informado e pode lhes agregar algo.
(Leiam também nosso artigo sobre opiniões, clicando A Era das Opiniões: direitos e deveres.)

por Miguelito formador


Meus dois centavos…

Tomei conhecimento do artigo/depoimento e logo pensei em publicá-lo aqui. Não somente por escancarar uma verdade conhecida, mas até então não assumida. Mais por mostrar o “dedão na lama” que a elite tem.

Aproveito pra responder à pergunta feita pelo autor: o pessoal do Bolsa Família não usou dessas artimanhas! Poderia colocar um “ainda” na frase, na esperança de que esse pessoal possa ainda ter carro, casa, dinheiro para optar ser atendido por médicos particulares, entre outros benefícios. Daí viria do livre arbítrio a escolha de ser mais um “Gerson”, querendo levar vantagem sobre tudo e todos.
Mas sabemos que a situação de hoje está bem longe dessa realidade. Apesar de representar a generalização da direita, são poucas as pessoas que viviam em condições tão palpérrimas que é mais digno “viver da Bolsa”; a esmagadora maioria realmente utiliza o benefício para morar, comer e se vestir dignamente.

Meu lado romântico, quer e espera que a operação Lava Jato siga abrindo as feridas no empresariado nacional e que leve consigo os políticos envolvidos, de que lado forem e em que lado estejam hoje!

por Celsão correto.

figura daqui

Comments
  1. Luã Veiga says:

    E essa história de “Realidades diferentes”??
    só uma questão de conceito

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