Archive for December, 2014

O que quero para 2015

Posted: December 30, 2014 in Comportamento, Outros
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ano novo e natalDiferente do que fiz um ano atrás, sobre os desejos para 2014 (post aqui), não usarei o futuro do pretérito. Ficarei no presente mesmo, quiçá consigo “forçar mais” o futuro a se transformar no que desejo.

Quero um país cada dia mais transparente, com menos impunidade, em todas as esferas, quero que todos percebam por si só que agir conforme a lei não só é natural, como é sadio para o bom relacionamento com outros indivíduos, e com a própria lei.

Quero que sigamos por aqui, com essa gana de escrever, partilhar nossas “opiniões piratas” por onde quer que elas sejam ouvidas; e que continuem nos lendo, que nosso eco se espalhe e que isso impulsione notícias em jornais, revistas e outros blogs por aí!

Quero um São Paulo mais humano, com paulistas mais pacientes e cidadãos. Como vivo na cidade, me preocupam os problemas e as mazelas da mesma, mas me preocupa mais o ser que vive nela, principalemente por viver em função do SI próprio e do TER.

Quero uma oposição política mais atuante. Pois, após toda a disputa das eleições presidenciais, pareceu-me que a oposição “queria mais não queria” ganhar. Será excelente para a Nação e para a própria democracia se toda a energia do pleito se deslocar para críticas construtivas, discussões importantes e diálogos fomentadores de ações, envolvendo as bases da sociedade; afinal, os políticos nos representam e é justo que trabalhem em nosso favor, dos pequenos problemas do bairro/cidade através das câmaras municipais ao Senado federal.
Aqui faço uma ressalva quanto aos protestos. Que eles sigam existindo, mas que gerem quórum alinhado e uníssono a ideias que possam ser discutidas, ou “levadas adiante”. Protestar a favor da legalização da maconha ou sem roupa pedindo por emprego, respeito ou ciclovias rotula os praticantes muito mais que atinge os objetivos iniciais.

Quero que a presidente e seu grupo de apoio entendam que reformas são mais que necessárias, são imprescindíveis para o bom andamento do país. Se no primeiro mandato, o governo pecou por não ouvir o que o mercado e os especialistas diziam (nesse aspecto), nesse segundo mandato pode pecar de forma pior se ouvir somente os mesmos (que agora querem mudanças mínimas, para que o impacto do governo na economia “instável” não seja percebido).
Aliás, continuo achando a reforma midiática mais urgente e importante que a política; mas começando pela segunda, “cortando na própria carne” dos que estão no poder, ganha-se a força necessária para aprovar a primeira, independente do que a imprensa dirá.

Quero que as pessoas com dinheiro percebam que ele não é o mais importante. Que reflitam sobre o como o conseguem, nesse nosso mundo capitalista, e que consigam dispor de parte dele em prol da caridade e do próximo.
Quero que cada profissional exerça sua função da melhor forma possível, não só pelo “mais valia” que recebem no final do dia ou mês, mas por fazer parte de toda uma “rede” intrinsecamente conectada, onde o mal se propaga com facilidade e rapidez. E, se acaso não for possível fazer o melhor, que haja coragem para buscar outras funções na empresa, outro emprego, outra profissão! Afinal, já que passamos mais horas no trabalho que com nossos amigos e família, deve haver prazer e satisfação para que o círculo virtuoso se feche.
E aos professores, mártires da formação dos futuros brasileiros (uma vez que há muito a tarefa lhes foi delegada), que sigam com a iluminação diária e a paciência para formar, educar e preparar.

por Celsão correto.

P.S.: Creio que deu pra perceber que os “queros” não se alteraram muito quanto aos “querias” pra 2014. O mais importante é seguir lutando, nem que seja no próprio “micro-cosmo” da família, escola, departamento, amizades. Se para uma pessoa, você fizer a diferença, missão cumprida!

P.S.2: Sim, um ano se passou e estou mais romântico e utópico que nunca, ou melhor, que sempre…

figura retirada daqui

478725-Frases-bonitas-sobre-caridade-2Falta-me inspiração. O objetivo era escrever algo relacionado ao Natal e Ano Novo.

Fiquei refletindo na cama ao deitar nos últimos dois dias: será que escrevo um conto, ou poema, ou uma crônica, ou dissertação? Será que escrevo algo crítico, como de costume, ou algo mais leve, para combinar com os anseios das pessoas nessa época? As ideias críticas que me vieram, pareciam muito clichês, os mesmos ataques de sempre ao consumismo, ou o porquê do Papai Noel se vestir de vermelho, etc. As ideias brandas, porém, me pareceram igualmente clichês e bregas.

Da minha cabeça não sai uma coisa: meu trabalho.
Vésperas de tirar férias longas, demanda-se deixar tudo organizado para que a firma não tenha dificuldades sem você. Os colegas, por saberem que estará ausente, passam a lhe pedir, de uma vez só, tudo que lhe pediriam ao longo dos próximos 30 dias.
Assim, a demanda profissional mais que dobra.

Em paralelo, há os preparativos para as festas. Sim, não teve como, terei que cair no consumismo.
Sentimos obrigação de presentearmos as pessoas que amamos. Não basta um abraço afetuoso, um sorriso, um olhar sincero, nem a palavra bem escolhida. 99,9% dos seres humanos (ao menos dos que celebram Natal) esperam ganhar um ou mais presentes nesta época. Casais, pais, filhos, bons amigos, amigos ocultos, afilhados, etc, sempre esperam algo, e se não ganham, ficam frustrados.
Então, depois de sair do serviço já as 19h, o roteiro de vários dias do mês de dezembro é: shopping, lojas, ou então, ir para casa para pesquisar preços na internet.

No meu caso, tenho o adendo de minha viagem ao Brasil que se aproxima, o que também exige muitos preparativos. Além de minhas próprias tarefas, também começam a surgir as encomendas: pode trazer isso para mim, aquilo, é baratinho, é pequeno, é fácil de achar… e nessas dezenas de coisinhas pequenas e fáceis de achar, lá se vão horas e horas dos meus dias, e minha única mala de 23kg (limite da companhia aérea) vai ficando cheia, de coisas para os outros, e faltando espaço para minha calça jeans.

Então, neste contexto, escrevendo aqui só para ver o que saía, me veio a brilhante reflexão: será que é só a mim que falta inspiração, ou será que a muitos, talvez, a maioria? Será que nossas expectativas e preparações para estas celebrações, acabam nos causando tanto estresse e desgaste, que talvez seria melhor nem as termos?
Pensando por esse lado do estresse, parece que minha afirmação é razoável.

Mas, inegavelmente, Natal e Ano Novo, apesar dos pesares, são datas que, quando chegam, enchem nossas casas de alegria. É a hora de estarmos com a família e pessoas amadas.
No Natal, muitas pessoas por todo o planeta se reúnem em mutirões para arrecadarem presentes, vestuários, comida, para em seguida, doá-los àqueles que menos possuem. Nas orações, ou envios de bons pensamentos, pessoas se lembram de desejarem aos desafortunados mais sorte, mais alegrias.
No Ano Novo, é hora de darmos três pulinhos e fazermos trocentas promessas, todas elas positivas. Mesmo que não as cumpramos, pelo menos, lembramos daquilo onde temos que melhorar.

Ideal seria termos os sentimentos do Natal com as metas do Ano Novo, durante os 365 dias do ano, e preferencialmente, sem o estresse que os antecede… hahaha
Mas isso é uma utopia, diria alguém, como se a utopia fosse algo ingênuo, bobo, ruim.
Eu então lembraria Eduardo Galeano, que nos diz didaticamente que: a utopia é como o horizonte, se damos dez passos em sua direção, ela se afasta dez passos. Sempre estaremos infinitamente distante dela. Então, para que serve a utopia? Ora, para que possamos caminhar, em frente.

A minha utopia de fim de ano, então, é simples: que cada vez mais, os presentes materiais sejam menos importantes, e que os abraços, olhares e palavras, sejam mais valorizados. Que cada vez mais, precisemos orar menos pelo próximo, o que significaria que a maioria das pessoas têm uma vida boa. Que cada vez mais, mais pessoas entendam que a caridade só é necessária, pois o mundo é repleto de injustiças e desigualdades, e que boa parte destas são causadas pelas nossas formas de pensar, de agir, e de fazer política, e que portanto, nós que praticamos caridade, somos muitas vezes, os próprios causadores da necessidade da caridade.
Que cada vez mais, o ser humano respeite o próximo em sua plenitude de Ser, com suas diferenças, um respeito íntegro e completo, sem hipocrisias, entendendo e aceitando que todos, independentemente da cultura, religião, cor de pele, crenças, gênero, estatura, peso, preferência sexual, nacionalidade, devem ter os mesmos direitos civis, e serem respeitados em sua plenitude. Que cada dia mais, mais pessoas entendam que a liberdade é uma benção, mas que ela tem limite, e que nossa liberdade acaba onde começa a do outro. Que cada dia mais, as pessoas entendam que sim, elas têm o direito de emitir opiniões, mas que suas opiniões geram impactos ao seu redor, causando sofrimento, e que portanto, é preciso termos noção, não só de nossos direitos, mas também de nossas responsabilidades e deveres.

Feliz Natal, com muito amor e paz. E um Ano Novo de mais sabedoria, mais empatia, mais respeito, mais interesse, mais leveza, e principalmente, mais amor a todos. Esses são meu votos. Ou seriam, minhas utopias? 🙂

por Miguelito Formador

figura retirada daqui

CSFDesde que se mudou para aquele país, Falco Xinhaldo já ficara cativado. Eram três meses de experiências magníficas, e uma vida tranqüila, sem grandes preocupações. Impressionou-se com o transporte público, quase sempre pontual e cobrindo quase todo o perímetro de todas as cidades, era raro precisar andar mais de 300 metros para pegar um ônibus ou um metrô. A limpeza das ruas lhe dava apetite 24h por dia. Achava incrível como tanto os carros, quanto os pedestres, respeitavam sinais e faixas de trânsito. Caminhar em uma avenida movimentada era quase como uma massagem Ayurveda para os ouvidos, afinal, ali era proibido buzinar, e os carros eram, em sua maioria, modernos, silenciosos. Depois de suas baladas e barzinhos, se sentia dentro de um condomínio de luxo ao voltar para casa, às 3h da manhã, sabendo que não haveria qualquer perigo.
Ele pensava: meu Deus, porque fui nascer naquele país maldito?

Como se já não bastasse, aquele mês de dezembro o surpreendera ainda mais. Desde o fim de novembro, até o final de dezembro, o país inteiro parecia um picadeiro com um mágico, a cada dia, uma nova surpresa. Eram tradições diversas que antecediam e preparavam o Natal. As crianças recebiam de seus pais um calendário onde, cada dia era aberta uma portinha, que continha um chocolate pequeninho. Só podiam abrir a porta do dia, e degustar aquele chocolate, até que chegasse o dia tão esperado, o dia 25. As cidades se enfeitavam, num capricho e carinho comoventes, com luzes e adornos em formato dos mais diversos símbolos natalinos. Quando o clima ajudava, a neve caía, e ele se sentia num filme de Natal da Disney. A felicidade lhe preenchia.

Mas uma de suas maiores diversões eram as feirinhas de Natal, chamadas de Weihnachtsmarkt ou Chriskindlesmarkt. Cada cidade e vilarejo da Alemanha tinha a sua. Sempre montadas com muito charme, essas feiras proporcionavam a oportunidade de degustar comidas e bebidas típicas daquela época, entre elas, seu preferido, o vinho quente, conhecido como Glühwein. Em diversos quiosques de madeira, lembrando estilo medieval, era possível também comprar artesanatos e produtos orgânicos. Em quase todas essas feirinhas havia um palco, onde tanto artistas profissionais, quanto pequenas orquestras de crianças carentes, ou corais de asilo, se apresentavam, divulgando seu trabalho e entretendo o público. Para Falco, aquilo tudo era fascinante.

Num certo dia, Falco estava em seu estágio, na maior empresa daquele país, quando ouviu um colega dizendo que a empresa havia falhado em seu intento de disponibilizar uma mansão para refugiados da Síria e do Afeganistão. Não se interessou muito, afinal, aquele não é seu país, e os refugiados vinham de cantões que pouco lhe interessavam. Mas, como as outras pessoas se interessaram, o colega prosseguiu:
– Pois é, já há mais de uma década a nossa empresa possui uma mansão no bairro da Montanha. A mansão era um dos benefícios de um ex-diretor, que foi demitido por corrupção. Desde então a mansão se encontra fechada. A empresa então teve a ideia de fornecer, gratuitamente, essa casa para famílias de refugiados que não têm onde morar. O problema é que os moradores do bairro da Montanha, bairro mais caro da cidade, não gostaram nada da ideia. Entraram com um processo judicial contra a tentativa, e, como possuem muito dinheiro, acabaram ganhando. Aproximadamente seis famílias sírias e quatro afegãs, totalizando 52 pessoas, já estavam preparadas para se mudarem para a casa. Agora elas precisam permanecer espalhadas em sete abrigos diferentes, alguns sequer possuem aquecimento, e dependem de doações de roupas da sociedade.

O debate continuou na mesa, mas Falco estava incomodado, afinal, era um papo desagradável, lhe tirava o sossego cotidiano que costumava desfrutar por ali.
Alguns diziam que era compreensível as pessoas não quererem refugiados ali, afinal, um bairro tão lindo, rico, charmoso, de pessoas finas, abrigar um monte de estrangeiro pobre, com seus costumes rudes, sem educação e sem noção de civilidade. E ainda, poderia significar um aumento de criminalidade.
Aquilo até fez sentido para Falco.

Outros discordavam, dizendo que os refugiados vivem com vários limites legais, não podem sair todo o tempo à rua, não podem trabalhar, recebem alimentos e auxílios do Estado e da sociedade dentro dos abrigos e casas, são monitorados constantemente, e caso desrespeitem qualquer regra ou lei, são deportados imediatamente.
Um dos que estava na mesa dizia trabalhar em projetos sociais com refugiados, e contou que estes se sentem acuados, sentem vergonha por precisar depender da ajuda das pessoas, e fazem de tudo para que as pessoas não os temam. Agradecem diversas vezes por dia àqueles que os ajudam, quase sempre aos prantos. E dizem entender que precisam ficar reclusos dentro das casas, salientando ser isso já magnífico, em comparação a viver em Guerra.
Esse discurso incomodava Falco, mas ele não se dava ao trabalho de refletir o porquê do incômodo. Continuava ali, de corpo presente, mas com a cabeça pensando: que horas eles vão acabar com esse papo e voltar a falar de futebol ou sobre nossa festa de fim de ano?

Mas para sua surpresa, Half, o rapaz que trabalha em projetos sociais, se direcionou a Falco e perguntou:
Sr. Xinhaldo, o senhor sabia que a Alemanha é o terceiro maior exportador de armas do Mundo? E que os maiores compradores são países africanos e asiáticos em guerra?
Falco responde que não sabia, e dá de ombros.

Half insiste:
– Imagine Sr. Xinhaldo, a venda de armas é um dos pilares de nossa economia, se há tantos ricos vivendo no bairro da Montanha, isso também se deve ao dinheiro das armas, que gira nossa economia e traz recursos de impostos para a sociedade. Além disso, as empresas que produzem armas, querem continuar vendendo, e cada vez mais, isso é óbvio. E para vender armas, é preciso haver guerras, certo? Então, é claro que para essas empresas, não é interessante que a guerra nestes países acabe, e por isso, eles investem na mídia, igrejas, governos, milícias daqueles países, para que os problemas e o ódio da sociedade nunca acabem, e assim, a guerra seja eterna.

Falco só consegue emitir um grunhido:
– “uhum…”

Half olha para os colegas e diz:
– Portanto, parte de nossa estabilidade, vem da desgraça destes países. O mínimo que deveríamos fazer é darmos abrigo ao povo sofrido de lá.

Half, assim como quase todo estudante alemão, não ganhava mais de 400 euros dos pais por mês. O dinheiro era suficiente para viver uma vida simples de estudante, como todos. Mas para sustentar seu hobby, a música, Half começou a fazer estágio para tirar um dinheiro a mais.

Falco ganhava 800 euros mensais da bolsa do Governo brasileiro. A empresa não tinha mais vagas para estágios remunerados de 20 horas. Como já ganhava um bom dinheiro (apesar de sempre reclamar que faltava para fazer todas as viagens que queria), Falco aceitou fazer o estágio de 10 horas sem remuneração, para incrementar seu curriculum.
Half e outros estudantes alemães tinham uma pontada de inveja da bolsa de Falco, e se espantavam com o fato de essa bolsa vir de um país “pobre”, segundo eles.

Após o almoço, Falco vai para casa. No caminho lembra-se que tem que enviar um cartão de natal para seus pais. Passa no correio, preenche o endereço do condomínio dos pais em Criciúma, e envia o cartão, onde já deseja feliz natal e se explica, com antecedência, que não poderá falar com eles no dia 25, o motivo: “como não tenho aula nem estágio, viajarei do dia 19 de dezembro ao dia 3 de janeiro, para Budapeste, Praga, Istambul, Viena, Füssen. Passarei o Reveillon em Paris, e voltarei para cá. Como de costume, ficarei sem telefone, pois é muito caro pagar o roaming no exterior. Mas podemos nos escrever pelo Whatsapp quando eu estiver em algum lugar que tenha Wireless.”
Cartão enviado. Dever cumprido.

No dia 22 de dezembro, os pais, voltando de um protesto pelo impeachment da presidente, abrem a caixa de correio, e se alegram ao ver o cartão do filho, há quase quatro meses na Alemanha, pelo programa Ciência sem Fronteiras. O Natal deles não será completo, mas o cartão lhes alivia, por saber que o filho querido, apesar de estar triste por não poder estar com os pais, fará viagens lindas, o que também lhe fará feliz.

por Miguelito Nervoltado

Petrobrás

Posted: December 19, 2014 in Política, Sociedade
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Plataforma_P-52Como começar esse post?
Escolhi começar pela definição da Wikipedia (aqui) que conta que a Petrobrás foi fundada em 1953 e seguiu monopolizando a extração, produção, refino e distribuição de petróleo no Brasil até 1997. Hoje é uma empresa mista, pois possui capital aberto (ações na Bolsa), porém o maior acionista é o Governo Federal.

A Petrobrás surgiu da necessidade do país em buscar petróleo, recurso imprescindível ao mundo em meados do século XX, e teve papel primordial no desenvolvimento de tecnologias e pesquisas brasileiras nesse campo, sendo pioneira na exploração marítima.

Pois bem, é sabido de todos que escândalos de corrupção estouraram há pouco tempo na Estatal (tomarei a liberdade de classificar a empresa dessa forma), expondo a fragilidade de uma gigante mal administrada e minando a confiança de investidores internos e externos na empresa e no próprio Governo que a geriu pelos últimos anos.
Corrupção não é coisa de empresas e sim de pessoas. Condenar a empresa ou generalizar para toda uma empresa é ignorar o Comportamento Humano.
Não quero com a frase acima ignorar o ocorrido, minimizá-lo, nem clamar pela inocência dos acusados. Inclusive prego e acredito que todas as ações individuais sejam passíveis de investigação e punição, se fora da lei. Mesmo parte de um programa de desestabilização e tendo sofrido vazamentos durante as eleições, as investigações são legítimas e devem ser levadas a conclusões, quaisquer que sejam!
O que quero ressaltar é o “perigo” da condenação da empresa Petrobrás nesse momento.

Ora, se toda a indústria de exploração de petróleo vem caindo de valor nos últimos meses devido à chamada “onda verde” de propagação de energias renováveis (referência aqui);
Se países como Rússia e Venezuela, inimigos de potências como os EUA têm sua economia baseada em petróleo;
Se as mesmas potências têm aliados no Oriente Médio como a Arábia Saudita, que pode ditar o preço sem grandes impactos econômicos, dadas as grandes reservas;
Se o Brasil e a Petrobrás descobrem uma grande reserva e divulgam que a nova tecnologia só é viável inicialmente com altos valores de venda do barril;
E se pra finalizar, se a empresa é um dos alicerces do atual governo, “perigoso” sob o ponto de vista das mesmas potências mundiais…
Ligando os pontos, o movimento de diminuição artificial do preço do barril que visava a Rússia, atingiu a frágil Venezuela e, de quebra, enfraqueceu a maior empresa de um país emergente, líder regional, a Petrobrás. Alguns analistas (globais por coincidência) dizem que os Sauditas visam inviabilizar o gás de xisto americano. Eu duvido!

Temos que punir as pessoas, não destruir as empresas.
À essa frase de Dilma, acrescentaria minhas palavras de “revoltado”, caso fosse presidente:
– Estamos congelando as negociações da Petrobrás na Bolsa
– Mas presidente, quer dizer que a empresa está saindo do pregão?
– Não disse saindo, mas se quiser entender assim, declaro que é temporário.
– Mas e os investidores?
– Se confiam na empresa, saibam que “limparemos a casa” antes de voltar. O valor normal de mercado será reestabelecido. Se são especuladores, não me importo.
– Mas isso não é bom para o mercado…
– O Mercado é meu, a Bolsa é no meu país e sou o maior acionista da empresa; logo, mando eu!

Pra mim, ser contra a Petrobrás é ser contra a Nação. Ponto!
Afinal, vender a Petrobrás como pedem alguns da oposição é, pra resumir, descabido.
Tão descabido que não consigo sequer imaginar uma outra empresa, estrangeira, retirando dinheiro do chão. E o pior… do nosso chão!

por Celsão revoltado

figura retirada do Wikipedia – aqui

De volta ao trabalho

Posted: December 18, 2014 in Outros
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powrót-do-pracy1Bem… As eleições ocorreram há quase dois meses e, após elas, dadas as problemáticas discussões da reta final, amizades se romperam, disfarces foram descobertos e máscaras caíram. Mesmo com muita informação e desinformação, ficou aquele sentimento de que faltou muito a ser dito. E o pior, de ambos os “lados” atuais da política brasileira.

Embora eu já previra que o modus operandi das campanhas seria dos mais torpes e sujos possíveis (ver post aqui), me surpreendi com acusações infundadas, declarações confusas e por programas de negação ao Brasil; onde famosos passaram a fazer alusão a outros países, dizendo que fugiriam caso este ou aquele resultado se concretizasse.
Não discutirei minha escolha, nem farei apologia política nesse momento, mas preciso pedir desculpas pela “ressaca” inevitável que o stress eleitoral me causou.Tal ressaca, aliada à problemas pessoais e a falta de tempo, fez com que sumisse (ou sumíssemos) deste espaço que nos é tão importante e necessário.

Pra tentar encurtar todas as estórias “pendentes” do período, me revoltei com o trânsito, que piora a cada dia em São Paulo para os automóveis particulares, sem melhorar significativamente para os que utilizam transporte público, pois não existe uma política de médio prazo focada e estruturada. Sem citar as ciclo-faixas que surgem aleatoriamente.
Me revoltei também com a falta de educação das pessoas e a inatividade de outras, que insistem em dizer que “não adianta” ao invés de buscar alternativas, como a participação no plano diretor da própria cidade.

Me empolguei com as prisões de empresários do “lava jato” e com todos os 33 indiciamentos do escândalo de trens em São Paulo; mesmo sabendo que tudo aconteceu em primeira instância e que mesmo condenados, levará tempo para que algo mude; pois infelizmente toda a nossa “estrutura” judicial é pesada e lenta e, além disso, existem advogados muito competentes em desconstruir processos com base em pequenas falhas.
Quanto à Petrobrás, que merece post a parte, é estranho como tentam desestabilizar o governo através da reputação de uma empresa problemática sim, mas longe de ser descartável.

Me surpreendi com os trâmites da aprovação da LDO pelo governo; e mais ainda com a reação da oposição (aqui, especificando claramente, o senhor Aécio Neves), que se absteve da votação e não compareceu na manifestação que convocou. Mas não me surpreendi com o Bolsonaro, ícone da direita burra, que insiste em pregar o mais tolo conservadorismo retrógrado.

Acompanhei a crise russa, iniciada pela crise na Crimeia e agora intensificada com as manobras do petróleo; manobras capitaneadas pelos Estados Unidos, que viram que o boicote inicial não surtiria o efeito desejado. Como polícia e protetores do mundo, os gringos seguem “passando pano” para expansões do território israelense, através de invasões ilegais a territórios palestinos.

Enfim… caríssimos leitores… esse pequeno post é mais um pedido de desculpas de um ser preocupado com o entorno, que passou por um período complicado, mas que está empolgado e pronto para “voltar ao trabalho”.
Que venham mais revoltas, empolgações e surpresas boas e ruins. Só assim seguiremos nos informando e crescendo!

por Celsão correto

figura retirada daqui

Reformas_Brasil_03As eleições passaram.
Para o Executivo, vitória de Dilma, o que me traz um pouco de esperança.
Para o Legislativo, o mal pior aconteceu (aumento de 40% da bancada conservadora). Agora, neste novo governo que se inicia, o debate simplista não levará a lugar algum, a não ser para trazer um mínimo de compreensão política para a cabeça da parcela da sociedade mais despolitizada.Mas se quisermos realmente trabalhar juntos com o Governo, fazer nosso papel civil de cidadão, participando do processo sociopolítico do país, entendendo os problemas, participando dos debates e propostas de soluções e exigindo decisões urgentes de nossos governantes; então o debate precisa ser aprofundado, e cada veia e artéria deve ser desobstruída, para evitar derrames.O cenário heróico e perfeito no qual foram desenhados, tanto Dilma quanto Aécio, pelos seus respectivos partidos durante a campanha, não condiz com a realidade destes, tampouco com o que eles podem/poderiam fazer dentro do sistema ao qual estão sujeitos.
Dilma é uma administradora eficiente, e uma mulher de integridade ética inquestionável. Mas se tornou, como outros presidentes, refém do nosso podre sistema político, das coligações prejudiciais com PMDB e outros partidos conservadores, e com alas bárbaras da elite. Com este novo Congresso eleito então, a situação tende a piorar. E Dilma não pode virar as costas para o Congresso. Por isso nós, o povo, precisamos surgir como um novo braço da política, para contrabalancear com o Congresso, que, em sua maioria, representa os interesses do Capital, e não da massa da sociedade.

Na economia, o mundo está sofrendo com a maior crise da história do planeta. Não adianta continuarmos esperando que o Brasil continue crescendo 5% ao ano, com taxa de desemprego de 4,5%, dívida pública caindo e salário mínimo aumentando da forma como aumentou com Lula, e ao mesmo tempo, continuarmos mantendo os banqueiros e multinacionais felizes com seus lucros.
É preciso tomar medidas duras, que desagradarão o povo, ou a elite, ou ambos. Eu espero que sejam medidas que desagradarão mais a elite, o capital especulativo, banqueiros, o capital estrangeiro, que as camadas mais necessitadas de nossa sociedade. Mas o certo é que algo deve ser feito.

É hora de bater de frente com a mídia golpista, é hora de bater de frente com as alas mais podres e conservadoras do capital, é hora de comunicar melhor com a sociedade e solicitar o apoio do povo, dos militantes e dos movimentos sociais. É hora de criar um projeto macro para nossa política-econômica, projeto esse que consiga unir o máximo possível de grupos e classes do Brasil num objetivo em comum.
Não dá para ficar mais 4 anos no banho Maria, negociando migalhas, e empurrando os nossos maiores problemas estruturais com a barriga.

Dilma sabe disso, mas ela governa com mais de 30 ministros, mais outras dezenas de secretários, mais de 500 deputados e mais de 80 senadores. Ela governa precisando representar o trabalhador braçal, o camponês, o latifundiário, o operário, o gerente, o dono da fábrica, o capital nacional e o capital internacional, o especulador, o banqueiro, o funcionário público, o professor, o médico… ela é a presidente de todos. É nosso dever participar e ajudá-la a vencer aqueles coronéis que não querem mudanças profundas no Brasil, com medo de perderem seus privilégios seculares.

Pessoal, tempos difíceis se aproximam, e faça o que fizer Dilma, e participemos nós ou não, efeitos colaterais duros nos esperam. Cabe a nós, ou ficarmos olhando, como sempre calados e conformados, e depois de tudo desandado sairmos reclamando que Dilma ferrou com tudo, que o Brasil é uma porcaria, isso e aquilo; ou então mexermos o nosso popozão, e participarmos, fazendo valer nossos direitos democráticos, e lutando por aquilo que realmente queremos.

Qual a postura que você vai tomar? Ficará passivo esperando a doença tomar conta de seu corpo, para depois entrar em depressão e tomar milhares de remédios para se curar? Ou vai fazer exames de rotina, e se comportando de forma preventiva, evitando que a doença se desenvolva?
Esses são os dois caminhos possíveis para você enquanto cidadão de uma sociedade democrática.

Participem, seja indo as ruas, seja lendo e se informando, seja perguntando ao amigo que entende mais que você, seja participando de conselhos populares, seja escrevendo no facebook e blogs e compartilhando informação. Vamos nos mobilizar.
Mas lembrem-se sempre, por favor: tudo isso tem que ser feito com muito juízo e sempre alerta, pois a elite escravagista e a mídia bandida estarão sempre caminhando ao nosso lado, tentando nos guiar para a contramão, corromper nossa ideologia e ideias, e nos fazer pensar que estamos lutando por algo que é bom para nós, mas que na verdade não é, é algo que só faz com que tudo se mantenha como está (mantendo o Status-Quo).
Disciplina, policiamento, humildade e perseverança nos nossos atos, só assim caminharemos na direção certa.

E pelo que precisamos lutar?
Pelas reformas mais urgentes que o Brasil precisa. São elas:

Reforma Política: fim do financiamento privado de campanhas, maior participação popular através de consultas, plebiscitos e referendos, revisão e limitação do número máximo de partidos políticos, discussão sobre voto aberto ou secreto no Congresso, valor de salários e benefícios de parlamentares, senadores, ministros do Executivo e do Judiciário, Presidente; Sistema Eleitoral: voto partidário, quociente eleitoral, voto majoritário, voto em lista, voto distrital ou não, entre outros. (Mais sobre a Reforma Política AQUI)

Reforma da mídia/Lei de Médios: a mídia brasileira é 95% privada. 75% da mídia de todo o país está concentrada nas mãos de 6 famílias. A mídia não é um mercado como outro qualquer, pois o produto que ela vende é “informação”. Portanto, não se trata de vestuário, ou imóvel, bens materiais, lazer; se trata do intelecto e forma de pensar de cada cidadão. Portanto, é inconcebível não haver, nesse mercado, regulamentação que vise garantir um serviço de excelente qualidade à sociedade.
Uma mídia democrática é uma mídia onde todas as camadas sociais são representadas em pé de igualdade. Por isso é preciso diminuir o poder da mídia privada, e ascender mídia governamental e mídia popular/pública. Assim, tanto o setor privado, quanto o Governo e a sociedade, teriam garantidas suas representações democráticas, e poderiam divulgar informações a partir de seus pontos de vista e seus interesses. O resultado: uma sociedade com acesso a informações diferentes e divergentes, podendo analisar sempre os dois ou os vários lados da moeda, e no fim, chegar a uma conclusão/opinião mais heterogênia, equilibrada e racional. Hoje, toda a informação é convergente/homogênea, pois toda a mídia é privada, e portanto, representam os interesses da elite, raramente os interesses da sociedade. Se a mídia só fornece uma versão dos fatos, obviamente, o cidadão só pode chegar a uma conclusão, aquela que a mídia passou, que foi a única com a qual ele teve contato. E nós sabemos que, ouvir somente uma versão de qualquer história, não é suficiente para chegarmos a conclusões, não é mesmo?.

Reforma Tributária: no Brasil, quanto mais rico se é, menos imposto “total” se paga. Somente revendo nossa pirâmide tributária, poderemos aliviar a carga de impostos da produção, e aliviar a carga tributária daqueles que têm menos dinheiro, mas sem causar efeito negativo no orçamento do Governo. Na maioria dos países capitalistas ricos, as taxações a grandes salários chegam a ultrapassar os 40%. Na Alemanha, Suécia e outros exemplos, chegam até a 50% do salário. No Brasil, abatendo os gastos dedutíveis, não se paga mais de 30%. Nos EUA e na Alemanha, o imposto sobre grandes heranças chegam a 40% do valor total. No Brasil, apenas 4%. (Entenda mais sobre os impostos do Brasil e do mundo, acessando esse artigo AQUI)

Reforma Agrária: ainda é lamentável a situação de concentração latifundiária no Brasil. Precisamos de projetos que garantam a alocação de famílias, e uma democratização das terras. Isso é ótimo para a sociedade e para o meio ambiente. Não é justo que famílias passem de geração em geração fazendas do tamanho da cidade de Belo Horizonte, só porque o tatataravô era um coronel das capitanias hereditárias, principalmente se essas terras são mal aproveitadas.

Reforma do Sistema Educacional: é óbvio que precisamos aumentar os investimentos em educação. Mas só isso não basta. Precisamos de um reforma estrutural completa, que gerará resultados a longo prazo. Precisamos reformar a grade curricular do ensino primário, ensino médio e ensino superior, inserindo de forma radical disciplinas voltadas à ética-social, ao respeito às pluriculturas e diferenças, reforçar a filosofia, sociologia, antropologia, despadronizar o ensino da história e geografia e inserir o ensino das ciências-políticas com ênfase em nossos direitos e deveres democráticos. É preciso maior valorização dos professores e trabalhadores do ensino, assim como tornar mais rigoroso e completo o preparo e formação dos mesmos. Na Alemanha, por exemplo, o professor é um dos profissionais com melhor salário, mas ao mesmo tempo, tem um dos vestibulares mais concorridos, além de ter um curso superior muito duro, que exige muito do estudante.

Sem essas reformas, vamos continuar tomando Banho Maria.

Para acessar o artigo-inspiração de Ciro Gomes na Carta Capital, clique AQUI.

por Miguelito Formador