Banalização da corrupção

Posted: May 21, 2015 in Política, Sociedade
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rn188844_0Na semana passada, fomos surpreendidos (ou nem tanto) com uma declaração infeliz de um vereador paraense.
O principal erro do ilustríssimo Sr. Odilon Rocha de Sanção foi ser sincero (a seu modo), considerando que a população, já anestesiada com desmandos e abusos, encontrasse normal a declaração escancarada de corrupção no meio político; “Se não for corrupto, mal se sustenta!” – disse ele.
O político sequer considerou que a cidade de parauapebas, onde legisla, tem renda per capita de R$400; que trabalha quando muito duas vezes por semana; que seus vencimentos ultrapassam os R$10 mil ou 17 salários mínimos considerando despesas com combustível, viagens e telefones; sem contar a nomeação de acessores, que costumam render gordas quantias nos ermos do coronelismo do norte-nordeste brasileiro…
“Se for para eu sobreviver apenas com esse salário, com certeza absoluta eu não passaria o padrão de vida que eu levo hoje” – completou ele.
É triste, é pesado ler isso!
Sobretudo num país como o nosso, onde poucos levam a sério a disparidade de condições dos mais ricos comparados aos mais necessitados. Os “de cima” criticam programas sociais e duvidam das reais necessidades e intenções dos “de baixo”, enquanto estes últimos criam antipatias.

Perseguimos aqui e aqui, os médicos, que reclamaram de um piso bem semelhante, por terem muitas outras oportunidades na constante demanda e carente atualidade brasileira. E analisamos aqui alguns salários brasileiros, comparando-os com o resto do mundo.

Ou seja, se o vereador tivesse algum conhecimento de mundo, ou a decência de buscar informação, saberia que está na estreita faixa dos felizes 1% mais ricos do Globo, dado o salário recebido na Câmara de Parauapebas. Desconsiderando outras funções assalariadas que venha a exercer.
Falar em sobreviver é descabido e absurdo. É desconhecer desde a condição humana, passando pela própria comunidade que o elegeu, pelo entorno onde vive e trabalha e chegando à etmologia da palavra. É um insulto!

fotopg5boxMDNa mesma seara está a notícia recente atribuída à Câmara de Blumenau, município catarinense com histórica imigração européia. Os vereadores estudam proposta de aumentar o número de cadeiras em quase 50%, aumentando a casa de 15 para 23 componentes e o gasto público com pagamento de folha de R$400 mil para R$612 mil.
Igualmente abusiva, a medida não para por aí; os gastos aumentariam além das despesas com pessoal, carros, celulares… um novo prédio deverá ser construído, já que o imóvel alugado foi projetado para os atuais 16 gabinetes! (notícia aqui)

Um alento para a população de Blumenau está no protesto de empresários locais, que publicaram frases em outdoors, “provocando” os legisladores, que agora reavaliam a medida. Uma audiência pública sobre este tema foi marcada (provavelmente as pressas) para essa semana.

É inconcebível para mim que haja na lei a possibilidade de definir o próprio salário.
É como se fôssemos contratados para definir nós mesmos o que fazer… Cada um faria o que melhor lhe aprouvesse e no prazo determinado pelas necessidades pessoais. Deixar nas mãos de políticos as definições de salários e benefícios é pedir para que haja problema.

No fim, creio que nem uma drástica reforma política, nem o fim do político profissional, resolveriam tudo. Estes resquícios de “Gerson”, certamente passariam como “brinde” ou “praga” por algumas gerações; até que fossem vistos como imorais ou penalizados exemplarmente.

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui (onde pode ser lida a notícia sobre o nobre vereador Odilon) e daqui. Há um filme sobre a campanha contra o aumento do número de cadeiras em Blumenau aqui.

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