Fotos coloridas: empatia ou moda?

Posted: July 3, 2015 in Comportamento, Sociedade
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Colorido_conquista_homossexuaisMuitos de vocês leitores não sabem, mas eu e Celsão temos um acordo democrático: antes da publicação de qualquer artigo nosso, o outro tem que ler, tecer comentários, críticas, e depois aprovar (ou não) para que o outro possa postar. É uma das regras que criamos para melhorar a qualidade de nossos escritos, e evitar que nem um, nem o outro, num deslize, corra o risco de publicar algo que esteja contra os valores e a base ética do outro.

Pois bem, Celsão postou anteontem, no dia 01.07.2015, um artigo sobre os coloridos do facebook em homenagem à conquista dos homossexuais nos EUA (para acessar o post, clique AQUI). Como de costume, li o texto antes de sua publicação, e repliquei ao Celsão por e-mail, fazendo críticas construtivas, e mostrando meus receios quanto ao post. Concordamos então que ele publicaria o texto, e que eu deveria usar o e-mail que lhe enviei para fazer um “post resposta”.

Assim sendo, segue abaixo o e-mail enviado ao Celsão.


Mano, bom dia.

Estamos diante de um assunto complexo, pois está dividido de forma que, de um lado encontram-se posições profundamente progressistas e humanistas, e do outro, a futilidade da sociedade modista e escrava do senso comum.

Os modistas, muitos deles racistas e homofóbicos na prática, colorem suas fotos por ser moda, ou por terem amigos gays que eles gostariam que vissem seu apoio: hipócrita.

Os progressistas e humanistas, em sua maioria colorem suas fotos por verem o país mais poderoso do mundo, de tendência conservadora, extremamente religioso e ortodoxo, e que exerce demasiada influência cultural e ideológica sobre o povo brasileiro, dando um passo democrático e de justiça.

Ora, mas para esses, por que é mais importante os EUA darem um passo, que o Uruguai?
Pois simplesmente é!
Uma coisa é o que idealizamos como mundo ideal, outra coisa é o mundo que existe.

O professor Lopes, meu amigo e meu oráculo, queria um mundo sem igrejas. Assim, ele assume posturas críticas ao Papa e a qualquer membro representante de qualquer igreja, independente do que aconteça. Isso se deve à manipulação ideológica e intelectual que as igrejas exerceram e exercem sobre os povos durante toda a história da humanidade, e por serem elas as maiores responsáveis por guerras e holocaustos no mundo. 
Eu, aprendiz dele, tento passar-lhe meu raciocínio, que, atualmente, pensar em extinguir igrejas é uma utopia impraticável. Por isso, assumindo que o Papa VAI existir, então, melhor que seja um que teça palavras menos radicais e preconceituosas sobre homossexuais, melhor que seja um que ataque o capitalismo e o sistema financeiro, que critique o acúmulo de renda sem controle, e que diga que o problema da pobreza pode ser resolvido entre os homens, e não precise de Deus para tapar o buraco dos pobres.
Ele diz achar meu raciocínio interessante.

Analogamente, se é para haver uma nação imperialista, que domina militar- cultural- e economicamente o mundo, então que essa nação dê cada vez mais exemplos de evolução democrática, nem que seja internamente.

Imagine quantas centenas de milhares, ou milhões de pessoas não foram beneficiadas com esse passo do Governo Americano?!?! Pegando o exemplo onde você, e tantos críticos mencionam o fato de no Brasil já termos desde 2013 o casamento homoafetivo legalizado pelo judiciário, eu preciso te lembrar da simbologia: uma coisa é o pouco conhecido e pouco popular STF se adiantar ao Governo (Legislativo e Executivo) e bater o martelo provisoriamente. Outra coisa é o Presidente da República se pronunciar em nome de toda nação, oficializando uma conquista tanto legalmente quanto ideologicamente. Há aí um abismo, e esse abismo é a distância que existe entre um procedimento burocrático legal e um reconhecimento legal que venha acompanhado de toda a simbologia, coragem e visibilidade que o assunto merece. A simbologia, neste caso, é tão importante quanto a própria conquista, pois somente elas juntas podem levantar a bandeira da conquista. 

Penso que a conquista dos gays americanos deve ser comemorada sim. Tanto por eles, quanto por todos nós. Até porque, mesmo na superpotência há minorias (principalmente lá?), e vitórias como estas devem sempre ser comemoradas.

O seu post é bacana, mas meu medo é o mesmo medo de quase sempre: quem ler, entenderá a crítica seletiva e profunda, ou lerá de forma conservadora e reacionária? Afinal, a maioria das declarações contrárias e críticas à comemoração deste episódio, vieram de reacionários, fascistas, direitistas, e gente que tentou desqualificar essa comemoração, normalmente dizendo que haviam causas mais importantes esperando por nossa comoção, como a fome no mundo (lógico, as pessoas que usaram esses argumentos são classe média ou elite, eleitores de Aécio, e contrários ao Bolsa Família, assim como qualquer programa e ação governamental que visem distribuir renda e trazer dignidade ao povo carente).

Por isso, tenho medo de tais posts. Mas, não acho seu post extremo, nem reacionário. Acho inteligente, e a crítica, se lida da maneira correta, é muito válida. A crítica ao imperialismo e ao quanto algo que acontece nos EUA nos comove, mostrando que somos terreiro destes e precisamos sempre de seu “alvará”, também é super válida e certeira.

Mas….. o meu medo, como de costume, é dos olhos dos leitores, e se estão preparados para “lerem com os olhos certos”, e te entenderem.


por Miguelito Formador

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