Mais real que a realeza

Posted: July 24, 2015 in Política
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eduardo_cunha_em_house_of_cards_2Imagine um reino.
Imagine que nesse reino houvesse um conselho e que o chefe do tal conselho fosse popular, inteligente e apoiado por boa parte de seus colegas.
Agora imaginemos que o rei tenha perdido o apoio dos seus súditos, por diferentes motivos; dentre eles falta de apoio do seu próprio conselho para aprovar leis necessárias e urgentes.
A crise no reino aumenta pois o chefe do conselho contratou bobos da corte para espalhar mentiras e supervalorizar problemas existentes; minando ainda mais qualquer tratativa do rei perante seu povo, vassalos e conselheiros.
Com a situação difamatória supostamente sob controle, o conselheiro chefe passa ele próprio a criticar o monarca e a defender investigações mais duras aos problemas conhecidos, sugerindo também outros possíveis problemas a investigar.

Criemos também um cenário onde o chefe do conselho faça conchavos e aprove tudo o que quer; e, caso não consiga, possa desavergonhadamente, repetir a votação até que o resultado lhe agrade. Sem importar com o que pensam súditos e vassalos.
Com as inevitáveis críticas começando a criar corpo, o conselheiro chefe decide conversar com toda a população, uma vez que tem poder pra isso. Na mensagem, exalta os seus feitos maquiando-os; diz, por exemplo, que tem ajudado o rei nas reformas necessárias, cita que a independência do conselho corre perigo e chama pra si a responsabilidade de trabalhar duro para o bem dos súditos.

Ampliemos agora o universo deste reino inserindo um juri, que foi constituido e designado para apurar denúncias contra o rei e seus vassalos.
O juri cumpre bem o seu papel, investigando e acusando poderosos partidários, mas também opositores do rei. Há apoio de todos, até dos bobos da corte.
Daí surge o inesperado na trama: o juri descobre irregularidades do chefe do conselho e o acusa de receber posses e castelos ilegalmente.
De modo repentino o líder do juri é descredenciado, as testemunhas difamadas e o defensor delas ameaçado de morte. “Que absurdo! Alegar sem provas e num juri formado pelo conselho que o próprio chefe é um bandido!” – bradam os apoiadores. “Eu exijo uma retratação do juri, pois um chefe de conselho deveria ser tratado de uma forma real!” – conclama o pretenso ditador.
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1429885700charge-eduardo-cunha-capaVivemos a história todos os dias.
E infelizmente os conflitos políticos e picuinhas do Legislativo remam contra as urgências atuais da Nação.

O que Cunha vem fazendo parece ter saído de um roteiro de filme.
Independente dos casos de corrupção a investigar, das CPIs a abrir, é importante que os processos sejam concluídos lícita- e transparentemente.
Que venha uma nova investigação após a conclusão da primeira. E, caso não reste nenhum representante para defender o interesse popular, que novas eleições sejam convocadas, sem os candidatos cassados ou impugnados.
Intervir através de “pau mandado”, buscando alterar o curso de um trabalho sério feito por órgãos (ainda) sérios é um inegável absurdo. E não foi somente contra o doleiro delator, que agiu um deputado peemedebista nos últimos dias; o mesmo deputado chamou para depor a advogada de outros réus delatores… para fazê-la revelar segredos da profissão garantidos por lei? Falar sobre conteúdos que não podem ser revelados? Ou somente para desviar o foco da sequência das investigações? (leia notícias aqui e aqui)
Exigir retratação do juiz do caso ou acusar uma testemunha de mentir é leviandade. Não há poder no Legislativo para julgar; para isso existe o Judiciário. E sendo no STJ ou não, todas as denúncias são passíveis de esclarecimento.

O pronunciamento não foi uma preocupação pelo coletivo. Foi propaganda de quem quer ser primeiro ministro. De quem planeja se aproveitar do período de crise e incertezas para sobrepujar os demais ocupantes de uma casa que tem a mais conservadora bancada dos últimos anos.

Não adianta dizer que o Congresso tem trabalhado e produzido “muito mais” se a produtividade não reflete na sociedade.
De nada adiantou, na minha visão, discutir e aprovar a reforma política, se o financiamento de empresas segue possível. Todo o financiamento direcionado de empreiteiras (pra citar um exemplo) continuará ocorrendo.
E, pior ainda, de que vale colocar em pauta um assunto se o mesmo seguirá em “votação contínua” até que o resultado desejado apareça? (post nosso aqui)
Seria mais fácil (e mais barato para o país), nomear o Sr. Eduardo Cunha “Legislador Oficial do Estado” e pronto!

por Celsão revoltado

figuras retiradas daqui e daqui.
quem quiser assistir o pronunciamento do deputado Eduardo Cunha – aqui com texto ou aqui no youtube.

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