Refugiados pelo mundo

Posted: September 22, 2015 in Outros, Sociedade
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borussia-dortmund-hannover-96-0-1Eu não queria colocar nenhuma das figuras tristes e drásticas dos acontecimentos recentes para dar uma ênfase dramática ao assunto. Mesmo descobrindo ser bem difícil encontrar uma figura que não seja trágica sobre o tema.
Apelei para o futebol…
Quer seja entrando na Grécia, quer seja invadindo o Eurotunel para Londres, em barcos apertados no Mediterrâneo tentando entrar na Itália ou mesmo embarcando em ônibus no Acre para chegar a São Paulo, inúmeros são os refugiados que saem de seus países forçadamente, fugindo de perseguições políticas, religiosas ou mesmo de guerras.

E para os que de prontidão são contra, mostrando uma detestável xenofobia, friso que é forçosamente que as viagens desses refugiados ocorrem. Não são férias, nem aquela oportunidade que muitos têm de vivenciar uma experiência noutro país e voltar enriquecido culturalmente. Impossível também comparar com os que migram em busca de melhores empregos e condições financeiras, como o exemplo dos nordestinos que vão para São Paulo ou os brasileiros de todas as partes que foram para Brasília nos anos 60; esses tinham família e lar em outras partes e podiam com uma simples ajuda de um bilhete de ônibus ou avião, voltar para o aconchego de parentes e conhecidos.
Os refugiados deixam para trás o seu passado, sua profissão e suas crenças; abandonam a família, o idioma e a própria cultura por correrem real perigo de vida. Por estarem á mercê de uma Guerra Civil, de uma invasão terrorista, de Boko Haram’s e Estado Islâmico’s. Não é comparável às tentativas de cruzar o mar do Caribe em balsas como fazem os Cubanos, ou a fronteira do Texas com “coiotes” que levam Mexicanos e outros latinos ao sonho americano… É sair para não morrer, sabendo que o tentar e falhar, mesmo morrendo no caminho, é melhor que o ficar e esperar o sofrimento sem fim.

Acho que todos já leram distintas notícias que circulam pela rede nesses tempos. O que me chocou numa delas foi saber que apenas uma pequena parcela é a que aparece na mídia, pois é a que cruza grandes distâncias. Por exemplo, a maioria dos Sírios se refugiou da guerra interminável dentro do próprio país e nos países fronteiriços como Jordânia e Líbano. O caos Sírio tem mais de cinco anos e segue indefinido, pois contra as forças do presidente Bashar Al-Assad, lutam rebeldes contra o regime ditadorial e, contra ambos, está o “califado” terrorista do Estado Islâmico.

Todos também leram que os países mais buscados pelos que enfrentam as largas distâncias são Alemanha, França e Reino Unido. E a razão é clara: oportunidade.

No capitalismo perfeito, a concentração de renda gera “lacunas” de necessidades que os “já ricos” não querem executar e aceitam pagar por isso. E é nessas lacunas que os pobres recém-egressos ao sistema se encaixam perfeitamente: cozinheiros, garçons, babás, lixeiros, pedreiros, empregados domésticos estão na base da pirâmide e só por isso (lembrando que estou falando idealmente), aceitam estes empregos. O pós-guerra europeu recebeu vários povos que se mesclaram aos desenvolvidos pela falta de mão-de-obra e também em busca dessas oportunidades.
Porém ao mesmo tempo, provocativamente falando, o capitalismo perfeito não possui assistencialismo; já que as oportunidades apareceriam independentemente do Estado…

Podemos discutir se o sistema de cotas proposto pela Chanceler Angela Merkel é justo, principalmente para os países “pobres” da zona do Euro (notícia aqui). Só não acho correto discutir o fechamento das fronteiras e alguns argumentos absurdos de perda de empregos ou violência iminente… vale lembrar que muitos dos países europeus financiaram e financiam, junto aos Estados Unidos, as guerras separatistas, os regimes totalitaristas e indiretamente (ou não) o terrorismo advindo desses regimes.
Promover a paz nos países dos refugiados certamente levaria muitos destes de volta ao lar. Negar assistência a essa gente é negar o passado bélico, é deixar de ser humano. Um milhão de pessoas representa menos de 1,5% da população alemã hoje. É muito se pensarmos no número como um todo, mas muito pouco proporcionalmente. Ignorar o fato e bloquear os acessos, como tentaram fazer os ingleses no início da onda migratória, é impossível!
(pra quem não leu, seguem dois posts nossos relacionados com o tema aqui, onde Merkel responde diretamente a uma menina sonhadora Palestina e aqui, onde um conto aborda ludicamente o assunto).

O desejo aqui é que sejamos mais abertos e menos xenófobos. Que abramos um sorriso àquele garçom negro que nos atende com sotaque, àquele taxista… que os respeitemos e busquemos aprender com eles.
Termino com duas indicações de leitura. A primeira é a estória de um refugiado Sírio, professor, que trabalhou na Copa do Mundo graças à ajuda de um bom coração – aqui. E a segunda apresenta opções de ajuda a esses refugiados, seja no Brasil ou no exterior, pra quem quer sair da página 2 (link aqui). Detalhe: nas entidades e ONGs aparecem outras entidades e ONGs.

por Celsão correto.

figura “positiva” retirada daqui. Foram muitas as torcidas alemãs de futebol que fizeram faixas pró-refugiados.

 

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