Filosofia corporativa

Posted: January 19, 2016 in Comportamento
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AAEAAQAAAAAAAAKEAAAAJGQ5Njk0MzViLTYzZWUtNGNhNC1iNTQyLWNlYTZjMDdmYjA0ZACheguei em casa com vontade de filosofar.
Na realidade, todo o caminho trabalho-casa foi de perguntas a mim mesmo. As principais circundavam o “por que mesmo?”, mas também tinha o “vale a pena?”, o “até quando?”, dentre outras.

Quem trabalha, muitas vezes se faz essas perguntas complicadas.
As tarefas executadas, o ambiente de trabalho, o pagamento aquém do que se julga merecido, são alguns exemplos de insatisfações que surgem diariamente e também suscitam auto-avaliações e “filosofias de final de tarde”.

Não só Karl Marx com o seu “mais valia”, mas também Adam Smith (que representava uma corrente de pensamento oposta), concluíram que o custo das horas empregadas em uma tarefa, um bem, um produto é inferior ao valor em si do bem. A diferença básica é que Marx por ser de esquerda “condena” o burguês, dono dos meios de produção; e Smith explica a discrepância como o lucro necessário, afirmando que este lucro é natural e não impelido pelo empresário, porque vem das leis de mercado (oferta e procura).
O fato trocando em miúdos é que uma empresa para ter lucro precisa ter custos de produção menores que os valores de venda dos produtos, projetos ou serviços. E, espero que isso não surpreenda pessoa alguma, o salário dos funcionários é um dos principais custos otimizáveis (ou minimizáveis nesse caso).

Uma boa empresa, “capitalisticamente” falando, é aquela que paga pouco e tem produtos desejados pelo mercado, que vendem independente da época do ano ou local geográfico, de valores absolutos elevados. Caso essa empresa mantenha os empregados de alguma maneira empolgados, seduzidos pelo que quer que seja, terá lucros por muito tempo. Uma empresa-grife pode atrair bons colaboradores, uma empresa de renome em determinado setor também.
Sob a mesma ótica, um bom chefe é aquele que mantém seus funcionários seduzidos por promessas daquilo que mais desejam (melhores salários, promoções, oportunidades de carreira, cursos), pelo máximo de tempo possível. Se um funcionário não reclama do salário ou não pede aumento, por exemplo, nunca fará parte de uma lista de “verba” para aumentos… E, assim que este reclamar, sua reclamação será avaliada e ele entrará na lista na posição que o chefe julgar inevitável, ou seja, dependendo do quão importante for para a organização e do tamanho da ameaça que a saída deste funcionário representar para o departamento ou para a empresa.
De novo trazendo para o português mais simples, um chefe bem visto pela empresa vai “cozinhar” todos os funcionários com o menor salário possível pelo maior tempo possível. E tentará não perder aqueles que trabalham bem, ou seja, muito e de forma assertiva.

E é essa mágica do capitalismo que as vezes me revolta.
É esse empenho que muitos bons funcionários “abraçam” a corporação onde trabalham, sem receber por isso, que me entristece.
As horas extras não remuneradas poderiam ser aproveitadas com a família, com amigos, um hobby, esporte, leituras, auto-conhecimento…
Quantas vezes reclamamos que “não temos tempo para nada”? Quantas vezes (não) pedimos desculpas àqueles que amamos por dedicar mais tempo do que o necessário ao trabalho? E aquele projeto de voltar a estudar, de praticar um esporte?

Espero que essa análise curta ajude os empregados-escravos a pesar seu tempo a mais na companhia, a pensar suas horas extras.
Parabenizo os que conseguem “burlar um pouco” o mais-valia, trabalhando somente o tempo estipulado no contrato de trabalho.

Eu (ainda) não consigo.

por Celsão correto (ou seria um novo Celsão filosófico?)

figura retirada daqui

Comments
  1. cindilab says:

    As vezes penso que têm erros dos “dois lados”. Uma empresa teria maior lucro se contratasse apenas funcionários que se identificassem com as metas e valores desta. As pessoas, por sua vez, se dedicariam mais se trabalhassem em um meio não só pelo dinheiro, mas também por amar o que fazem, o que não vejo muito acontecer.

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