Conto da semente

Posted: May 11, 2016 in Outros
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robogamesEstávamos empolgados!
Agora daria certo!

Já havíamos investido bastante tempo em projetos extra-curriculares ou paralelos infrutíferos, como futebol de robôs e brinquedos para a Estrela.
E o insucesso independia da vontade dos que estavam ali, autodenominados Los Cuervos, que manejavam as obrigações estudantis, as festas e a vida fora da faculdade do melhor modo possível; a falta de recursos financeiros pesava muito.

A área utilizada para os trabalhos era a chamada “fabriquinha”. Montada para exercícios práticos de controle de processos e simulações industriais, estava abandonada após um trágico incidente do passado, que de certo modo “marcou” a mecatrônica da USP como um “curso de loucos”.
Não ligamos para eventuais “espíritos zombeteiros” ou vudus dali. A vontade de ter um espaço “nosso” e de aplicar os conhecimentos recebidos, expandindo-os em vários aspectos era maior, muito maior!

Voltando à empolgação, estavamos sendo “convocados” para a primeira equipe de Guerra de Robôs da POLI.
Seguiram-se reuniões de “convocação de bixos”, de brainstorming sobre ideias de robôs, de discussões de regras e categorias para os autômatos, de detalhes das “arenas”, em formato de Octógono, seguidas compras na Santa Ifigênia, infinitas usinagens na precária e burocrática oficina mecânica da faculdade, a compra de um motor de kart usado…
(E como aquele motor fazia barulho!)

Lembro-me também da tarde em que, após soldarmos a estrutura reforçada do robô, proveniente de cálculos realmente realizados, decidimos pesar o “bicho”.
A tristeza foi geral ao notarmos que, dos 35kg máximos, havíamos “consumido” 28kg na estrutura, não sendo possível colocar nem baterias, nem o motor de kart.
E eis que o nobre Filipe Dessen, bixo incansável e eficaz, sujo até os ouvidos de fuligem de solda, tomou o disco de corte e decidiu por todos, retomando o ânimo da equipe: “Basta cortarmos os braços. Vai dar certo!

E deu certo: quinze anos depois (mal dá pra acreditar que faz tanto tempo) e com outro nome, a equipe Los Cuervos, hoje Thunderatz, ganha três medalhas numa competição internacional, o Robogames 2016.
Sem esconder que a PUC RJ (equipe RioBotz) e seu robô Touro obtiveram resultados expressivos muito antes. Bem como os mineiros do Uai!rrior (faculdade UNIFEI), que são campeões seguidamente…
É que, bairrismo a parte, é indescritível a sensação de ver a semente plantada gerar fruto! Pensar nas madrugadas, nos xavecos que tivemos que passar no “seu Alceu” pra liberar as ferramentas e as máquinas após o horário comercial, nas reuniões tensas com o pessoal da EFEI, no 11 de Setembro que adiou (e quase cancelou) a primeira competição, na empolgação pura e também financeira do professor e amigo Marcos Barretto… é impossível não ser bairrista e agradecer a “bixarada” do Thunderatz… Valeu!

Que esse exercício de descobrir a faculdade fora da sala de aula continue movendo muitos. E que o equilíbrio entre vida social, centro acadêmico, conteúdos enriquecedores, matérias sacais e atividades extra-curriculares siga sendo o tom de um lugar endurecido pela teoria.

por Celsão correto

figura retirada da notícia veiculada no portal G1 (aqui). Outra notícia, com vídeo, foi divulgada pelo SBT (aqui)

P.S.: a propósito, a equipe Thunderatz tem página oficial, canal no Youtube e está na Wikipedia. Sinal dos novos tempos!
P.S.2: agradeço também aos companheiros de equipe Rodrigo de Deus, Léo Carnellos, Daniel Olioni, Eduardo Pasianot, Filipe Dessen, Daniel Nestrovsky e Rafael Tanaka. Aprendi horrores com vocês!

 

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