Filosofia da “longa estrada da vida”

Posted: October 10, 2016 in Comportamento, Sociedade
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post-estrada-da-vidaNessa longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar
Na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar

Ouvi essa música acidentalmente num uber.
E me deparei com sua (talvez real) intenção. Era uma semana difícil, semana em que a filosofia não me deixava…

Quem falou isso?
Quem estabeleceu que só o primeiro lugar interessa? Que precisamos ganhar sempre?

E que maldito modo de comparar a nossa mísera e comum vida com a de outrem, que é a internet, com seus Facebooks e demais aplicativos acessíveis e acessados donde quer que estejamos!
Não basta viajar pra Europa. É preciso registrar, divulgar e “compartilhar”.
Não seria esse compartilhar uma tentativa quase desesperada de se sobrepor nalgum aspecto sobre outras pessoas igualmente frustradas?

Frustração.
É aquilo que nos atinge quando não podemos realizar algo.
Quando não podemos trocar de carro, quando não conseguimos pagar a melhor escola para nossos filhos, quando o salário não dá para esbanjar em restaurantes e coisas fúteis.
Mas tal sentimento também está presente quando não nos entendemos com familiares, quando não podemos ajudar quem precisa e também quando não nos sobra tempo para os filhos e para amigos que gostamos.

Primeira pergunta importante: por que não podemos nos sentir frustrados somente com os “itens” subjetivos citados no segundo parágrafo?
Por que sempre o material (ou a falta dele) nos frustra?
E a segunda pergunta que me atormentou: por que compensamos a falta de tempo com a família e amigos, a falta de paciência e a impotência ante a situações desagradáveis com o que listei no primeiro parágrafo?
Por que imaginamos que presentes caros substituíram carinho e apreço, que lembrancinhas de outros países ou marcações na internet substituirão o tempo não investido? Que compartilhar notícias e vídeos revoltantes do youtube ajudarão na redução desse sentimento de impotência em relação aos males do mundo?

Ouvi estórias tristes ultimamente.
De homens que não fizeram amigos no colégio ou faculdade, mas que fizeram contatos.
Como se conhecer o filho do dono da empresa “X” ou escritório “tal”, fosse mais importante que risadas inocentes num churrasco; ou mais importantes que empatia e respeito mútuo.
As crianças mimadas, treinadas para competir sempre, não aceitam negativas e usam essa ambição agressiva para atingir seus objetivos, galgando sobre outros, incluindo aqueles que poderiam ser seus amigos!

De pais superprotetores que desenham pros filhos um futuro “deles”, com objetivos imputados, passando por caminhos e etapas que eles não gostariam de trilhar.
Tolhem a liberdade de escolha. E ainda pioram a realidade, pois ensinam que a felicidade está ligada ao TER e independe de outras pessoas. Cada um que a busque e a consiga.
Ah… essa meritocracia danada que premia poucos…

E dentre os problemas desse raciocínio está o fato de que quase toda empresa possui apenas um presidente; e um sempre reduzido corpo diretivo.
E… nem todo mundo alcança a possibilidade de andar de Ferrari, de morar nos Jardins, de ter seus filhos estudando num Colégio Porto Seguro…
E a frustração reaparece. Mais forte do que nunca. Até para esse que não atingiu o almejado 0,1% do topo da pirâmide, e se encontra “apenas” na faixa do 1% mais rico.

Quem se preocupa consigo hoje em dia?
Com a própria saúde, com as emoções, com controlar o próprio eu?
E acho que o número de respostas positivas diminui mais ainda se estendermos essa análise para as pessoas próximas, para o que merecem (e demandam) nossa atenção.

Pessoalmente, a frustração do não ter sempre me mostra o quão longe estou daqueles que gostaria de estar perto.
Escancara a verdade irrefutável. Tenho o suficiente, mas me falta tempo para usufruí-lo. Para compartilhar, compartir e retribuir.
E isso, sim, aumenta bastante essa inquietude em mim, esse sentimento estranho de frustração, me fazendo evoluir.

por Celsão filosófico

figura retirada daqui

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