Archive for December, 2016

jesus-rosto-realTodo o alvoroço de fim de ano, agregado a alguns prazeres que o dinheiro pode comprar, coisas fúteis e exageradas em qualquer cultura, me fizeram pensar na razão disso tudo.
E então vieram as mensagens de final de ano via whatsapp… e um amigo me lembrou que Jesus era de esquerda.

É inacreditável o quanto se consome, se gasta, se desperdiça, nas duas principais datas do cristianismo: Natal e Páscoa. Coincidentemente, ambas têm relação com o mais famoso dentre os cristãos: Jesus Cristo.

“Se o aniversário é de Jesus, por que você quer presente?” – dizia uma piadinha em meu celular – enquanto eu me perguntava quantos realmente sabiam que era aniversário “dele”, e quantos, mesmo sabendo, se importavam com o fato.
Percebo, infelizmente, que aquele “espírito natalino”, que nos toma e nos acomete de bondade, caridade e boas ações para com o próximo, está um tanto raro. E, num desperdício de “all inclusive”, imagino quantas famílias seriam abastecidas pelo que se consome aqui; e por quanto tempo…

Todo aquele que teve educação cristã, mesmo não sendo um católico ou protestante praticante, sabe que Jesus pregava a igualdade. Condenava a usura, a desigualdade e a exploração do homem por si próprio.
Mesmo que não acredite em toda essa “inclinação política”, sabe também que Jesus pregava contra o domínio irrestrito dos romanos e da elite judaica do seu tempo em Israel. E… andar, sentar-se a mesa com “impuros”, quer sejam eles mendigos, prostitutas e leprosos, era uma afronta às classes dominantes (e por que não dizer), ao imperialismo da época.

Numa das passagens mais famosas da Bíblia, Jesus, criticando o comércio exploratório nas portas do templo de Jerusalém, durante a Páscoa, quebra as barracas e condena aquela exploração; até os historiadores que pesquisam o “Juses real” (link no final do post), acreditam que essa arruaça existiu mesmo e foi causada por um judeu pobre, provavelmente descontente com a desigualdade social e o excesso de tributos.

Citando parte de um texto do comediante Gregório Duvivier (aqui), que escreveu como Jesus em primeira pessoa, fazendo crítica direta ao pastor evangélico Silas Malafaia, como outro exemplo do Jesus-esquerda:

(…) eu sou de esquerda. Tem uma hora do livro [Bíblia] em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

(…) Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin — esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica. Distribuo pão e multiplico peixe -só depois é que ensino a pescar.
Mesmo para os que não acreditam, em Deus, Jesus, na “Força” do Star Wars ou em qualquer entidade-pai à qual atribuimos as coisas que não explicamos… Fazer o bem, repartir, compartilhar é esquerda!
E é disso que precisamos para o futuro. É isso que desejo para o ano vindouro: mais esquerda para o mundo!
Se essa “revolução da esquerda” virá através da Alemanha revogando a “devolução” dos refugiados que entraram na Europa nesse 2016, na erradicação da fome, na devolução das terras palestinas ocupadas por assentamentos de Israel, através de mais empregos com salários justos, da doação de fortunas de bilionários, de melhores condições sociais nos países em desenvolvimento, de campanhas de melhoria no saneamento básico, proporcionando melhor saúde para populações carentes, ou, simplesmente de nós próprios, ajudando àqueles que precisam e estão bem próximos… não sei.
Sei que o ser humano, como tal, precisa evoluir. Darwin, na contramão da espiritualidade e da religião, provou que há evolução e ela é constante.
E EVOLUIR, ou ser melhor, na minha opinião, não é possuir mais, comprar mais, mostrar ao outro o que fez e faz…
É, sim, SER mais, no sentido puro, de evolução pessoal, principalmente evolução moral e intelectual. Sem descartar possíveis evoluções espiritual, física e material, que não impedem nem atrapalham necessariamente as citadas primeiramente.

Estou há dias encucado com essa filosofia cristã-consumista-cara-de-pau que temos adotado e atormentado com maneiras de irromper isso em palavras.
Ei-las aqui.

Que os ensinamentos cristãos do primeiro esquerdopata, Yeshua de Nazaré, ou que a evolução de Darwin nos guiem para um 2017 de ensinamentos, evolução e consequentes realizações.

por Celsão correto

figura retirada daqui. É a foto aproximada do Jesus real. Sem o romantismo Europeu que o transformou num ser bonito e mais aceitável…

P.S.: quem quiser disfrutar de duas leituras sobre o tema Jesus e sua real existência, a revista Super Interessante escreveu em 2003 e 2013 dois artigos aqui e aqui.  Outro texto que recomendo, principalmente ao que acreditam em Deus e criticam as instituições que o “amarram” a preceitos e dogmas, é o atribuido ao filósofo Espinoza, chamado “Deus segundo Espinoza” (aqui um link que apresenta ao fim uma breve biografia do autor)

P.S.2: Valeu Fabinho!

2Herói ou tirano?
Ditador sanguinário ou ultra-protetor nacionalista?
Creio que a primeira avaliação passa, infelizmente, pelo “lado político” que nos últimos tempos classifica as pessoas.
E hoje, infelizmente para um “esquerdopata” convicto, como eu, creio que a História absolveria Recep Erdogan e Bashar al-Assad, usando como trocadilho um dos textos mais conhecidos de Fidel.

Pra mim, Fidel Castro foi ambos: herói e tirano.
É impossível negar avanços sociais em Educação, Saúde e Segurança.
Principalmente para a parte mais carente da população cubana: até hoje o sistema de saúde é referência na América Latina e os índices estudantis também o são (aqui uma notícia da UNESCO. Cuba não participa do PISA).
O herói Fidel mudou a realidade de um país que, a menos de 150 quilômetros de distância dos Estados Unidos, servia há anos como “bordel” à cidadãos americanos. Antes da revolução, Cuba era conhecida por seus cassinos, hotéis de luxo e pela prostituição, diversão completa com praias deslumbrantes em mar caribenho…
Fidel e sua revolução mudaram a condição de milhares em Cuba.

O tirano Fidel, tomou propriedades, bens e meios de produção, nos anos seguintes à tomada do poder, para efetivar as melhorias, para fazer valer a revolução.
E obviamente isso não agradou aos burgueses e proprietários roubados. Que, aos muitos, deixaram o país nos êxodos observados nas décadas de 60 e 80, sobretudo para os Estados Unidos.
Difícil governar sem tirania e transformar o futuro dos compatriotas (ou companheiros) com o “peso” e a “pressão” dos outrora donos e mandantes americanos, com a própria irmã como informante da CIA, com um mundo dividido entre esquerda e direita (ou bem e mal).

1Mas o tirano venceu.
Enfrentou a maior potência mundial, seu boicote, seu bloqueio, seus golpes e assédios contra cidadãos.
Talvez pela extrema preocupação, o entusiasta do Nacionalismo negou-se ao permanecer no comando e tornar-se ditador, título que criticava nos primeiros anos de golpe e contestou como rótulo enquanto pode.
Escolheu o lado “mau”, a esquerda, representada pelo apoio soviético, não por afinidade direta; viu-se cercado de ameaças do lado “bom” e foi forçado a buscar uma saída para a produção agrícola da ilha. Arrisco dizer que após a escolha, percebeu o alinhamento com as teorias anunciadas na União Soviética e nos países sob sua influência.

O erro de Fidel, pra mim, foi exatamente esse: permanecer no poder por tempo demais.
Alguns estudiosos citam que o carisma e a firmeza o impediram de deixar o poder. Passando de General Comandante no período de transição a Primeiro Ministro e a Presidente no governo.
Mas não seria o mesmo carisma populista que vemos hoje em Ângela Merkel, que vai para o seu quarto mandato como chanceler Alemã e provavelmente passará de 15 anos no poder?
E não é o mesmo carisma buscado por muitos brasileiros que falam em intervenção militar ou num governante “salvador” e sobre-humano, ora Joaquim Barbosa, ora Sérgio Moro?
(Parêntese importante: será que não elegeríamos Sérgio Moro presidente? E que poderes ele teria como presidente-juiz-supremo do Brasil?)

“Lutar pela liberdade ou contra ela. Não é a mesma coisa”.
Fulgêncio Batista, o presidente anterior, ex-militar, perseguia dissidentes e usava de métodos severos de tortura aos oposicionistas. Fidel fez o mesmo, não na mesma intensidade, mas o fez como parte de um serviço de (contra-)inteligência necessária naquele momento.
Difícil defender isso hoje, eu sei.
Nem se lembrássemos que houve apoio popular, em toda a campanha da Sierra Maestra (ou guerrilha)? E o mesmo apoio não ocorreu anos depois, quando rebeldes apoiados e financiados pelos Estados Unidos invadiram a ilha?
Fidel e os revolucionários lutaram pela liberdade de um povo!

Aproveito e cito outra frase, dessa vez do filósofo e ativista Noam Chomsky: “A necessidade de possuir Cuba é a mais antiga questão da política externa norte-americana”.
Treinar e armar rebeldes, planejar atentados, bloquear todo e qualquer negócio de parceiros comerciais, mesmo contra a OMS e ONU, tomar parte de um território soberano e reconhecido internacionalmente para construir uma prisão, para presos políticos e terroristas… foram apenas alguns dos atos patrocinados pelos Estados Unidos a Cuba.
E, evidentemente, a mídia americana também contribuiu para a difamação e para a distorção. Alguém lembra de notícias falsas sobre a morte do ex-presidente cubano? (aqui uma notícia de 2015, aqui uma confusão de 2013)

Fidel era classe média alta.
Filho de um migrante espanhol, fazendeiro, produtor de cana-de-açúcar. Estudou em bons colégios, aprendeu inglês. Fatalmente seria bem-sucedido na Cuba-Americana, no país de Fulgêncio, dada a condição social e as oportunidades aproveitadas.
“Somos pessoas pobres num país rico”, frase dele, mostra a preocupação, então nova no continente, no terreno da justiça social, da distribuição de renda, da isonomia ansiada.

“Patria o Muerte!”
Isonomia atingida, mas aplastada.
A Revolução Social foi feita, mas depois do pão, o povo pede, fatalmente, o circo!
E a cobrança desse circo tirou um pouco o brilho das conquistas. Da ideologia. Da resistência. Da luta contra o imperialismo.

Abraço carinhoso entre os amigos Fidel e Mandela

Adeus Fidel!
Se nacionalizar companhias de eletricidade, de telefonia, fazendas, indústrias e até postos de gasolina não trouxe a integridade e a soberania nacional tão preconizadas por Marx… Se alcançar e distribuir o básico para o seu povo, incluindo uma educação de qualidade que os fez críticos… Se reduzir a desigualdade social gerou ainda desejos além do possível e atingível a todos… Paciência!
Certamente, valeu a intenção da semente*.

por Celsão correto

figuras retiradas do documentário da Fox – “Especial Fidel” e de post publicado aqui

(*) frase do escritor brasileiro Henfil (aqui)

 

img_20161204_161853917Tinha de tudo…

Tinha muito “Fora Temer”, bordão já conhecido dos que frequentam a Avenida Paulista como espaço de lazer aos domingos.
A diferença é que haviam uns textos um tanto “ameaçadores” em distribuição: “Temer, você é o próximo!”, pregavam.

Tinha “Veta Temer” também.
E aqui tive alguma dificuldade para interpretar se a pessoa é a favor do presidente peemedebista ou se tem somente uma vã esperança de que este tome a reação popular e o problema causado pelas votações realizadas durante a semana passada na “calada da noite”, como problema da Nação Brasileira e vete todos os pontos alterados nas dez medidas anti-corrupção.
A manobra foi suja e indigna, mas não creio que o presidente vetaria a sua totalidade. No máximo distorcerá algum item para que fique ainda mais oblíqua a interpretação do texto final…
(É verdade. Não tenho esperança alguma em Michel Temer)

img-20161205-wa0001_Tinha “Fora Renan” e “Fora Maia”.
Mas poucos pareciam estar na manifestação para afastar os presidentes corruptos do Senado e da Câmara Federais. Os verdadeiros artífices do processo de alteração e votação das medidas contra a corrupção.
Renan, agora réu, aparecia mais. Havia inclusive um boneco dele, ao lado de um dos carros de som.
Tomando o que fizeram: durante a madrugada, sem aviso e com pouco alarde, na noite pós acidente aéreo da Chapecoense (post nosso aqui), em que todos estavam “concentrados” e consternados com o ocorrido, foi incabivelmente errado.
O mínimo a pedir, numa manifestação justa, é o afastamento (ou renúncia, melhor ainda), de Renan e Maia.

Mas as faixas mostravam mesmo era o apoio irrestrito à Lava Jato. Meu Deus, como tinha citação da Lava Jato.
E, como não poderia deixar de ser, vinculado, ligado à Lava Jato está o “Herói Nacional” Sérgio Moro. Tinha Sérgio Moro de Super-Herói, em estampas de múltiplas camisetas, em faixas… Arrisco a dizer que tinha mais Sérgio Moro, que Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato juntos…
Sou contra o endeusamento do juiz. Seus métodos são passíveis de discussão, visto que não são unanimidade sequer na classe jurídica (post nosso aqui).
Mas acho equivocada a determinação, ou a “abertura” criada pela lei de abuso de autoridade. O caminho, pra mim, é julgar cada ato dos juízes isoladamente. E punir em caso de real abuso.
Cercear juízes, Polícia Federal e Ministério Público, praticamente impedindo-os de julgar políticos, proferir sentenças e REALMENTE investigar os crimes cometidos por estes, é tolher a justiça. Ou, ao menos, direcionar os seus efeitos…
As reclamações sobre esse ponto, ou sobre essa alteração são justas. Só não precisava parar aí, ou focar demasiadamente aqui.

Tinha gente de verde a amarelo e gente de preto.
Tinha gente criticando os de preto e nos “alertando” sobre a real intenção desses. Diziam que eram a favor do PT e da Dilma, sem sequer perguntar minha opinião.
Mas o texto desses de preto, pedia a prisão do Lula e citava o governo PMDB como continuação do “desastre PT”.
Aquele velho problema de quem critica sem sequer ler a mensagem passada, sem pensar ou entender, sem pesquisar que o principal partido articulador da votação às pressas e “na miúda” foi o PSDB, queridinho do estado de São Paulo. (aqui notícia do Estadão a respeito)
Enfim… dá pra deduzir que tinha muita gente sem saber contra o quê protestar.

Tinha carro de som e artista falando.
Tinha presença de movimentos “apartidários”.

Tinha conhecido, encontrado por acaso, me perguntando que cartaz eu carregava.
E a esses, respondi refazendo a mesma pergunta.

Tinham cartazes pedindo intervenção militar. Alguns pediam isso e usavam o “já”, para dar intensidade.
Tinham cartazes pedindo o fim dos privilégios, pedindo o fim dos partidos, pedindo anarquia…

E tinha gente que só passeava. Ouvia boa música, aproveitava o domingo.
Coisas de paulista na Paulista…

Aliás, tal criação do petista Haddad (que propôs fechar a avenida mais famosa da cidade aos domingos para o lazer), fez-me lembrar que outra petista, Dilma, foi quem anunciou o tal “pacote” de medidas anticorrupção em Março do ano passado (aqui em nosso arquivo, e aqui citando uma fonte da mídia).
Pacote de medidas, destroçado e distorcido agora.
Coisas de Legislativo Brasileiro…

por Celsão correto

figuras de arquivo próprio