Archive for February, 2017

aroeiramoraes2Agora está feito.
Alexandre Moraes foi nomeado, sabatinado e aprovado em votação do Senado. É o novo Ministro do STF e tomará posse em Março.
É aquela água que misturamos ao vinho. Indissociável. Estará lá por longos 26 anos…

A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça foi um “teatro de bonecos”, como escreveu curto e bem, Josias de Souza (aqui).
A começar pelo presidente, Senador Edison Lobão, investigado na Operação Lava Jato, passando por nove outros investigados fazendo parte da mesma sabatina e terminando com outros senadores “da base” elogiando Moraes, sua conduta, suas respostas, seu penteado…

As revistas Veja e Época, notoriamente de direita, portanto extremamente críticas aos governos petistas anteriores e esperançosos (quero crer que somente a princípio) em relação a Temer, divulgaram e divulgam abertamente nos últimos exemplares a verdadeira perseguição à Operação Lava Jato, o provável “estancamento” proposto há algum tempo por Jucá…
A capa da Veja que ilustra esse post é da edição 2517, de 15 de fevereiro.
Dentre as reportagens da Época, destaco essa, “O governo e o Congresso contra a Lava Jato“. São inúmeros os exemplos de medidas lícitas, porém imorais, que as entidades máximas da Nação estão tomando para se protegerem e para “afundar” o inédito combate à corrupção.

post_pizzaO colunista da também conservadora Folha de São Paulo, Jânio de Freitas, chega a propor aqui que as escolas de Direito devam parar de ensinar as leis e o modo correto de empregá-las, passando a ensinar truques jurídicos.
É isso que estamos vivenciando atualmente: “truques” em todas as esferas: Executivo, medidas e indicações do presidente Temer, Legislativo, com votações rápidas em pontos de interesse próprio, arquivamento de processos de interesses contrários, protelação em alguns casos, sabatinas “teatrais” e até do próprio Judiciário, que arquiteta quando lhe convém suspensões de processos e procrastinações, como o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e a atual “novela” da verificação das assinaturas do projeto popular de medidas anti-corrupção.
O “povo” propôs, com mais de 2 milhões de assinaturas. O Congresso alterou bastante, colocando punições a juízes por abuso de autoridade, o judiciário bloqueia o processo, cria liminar, assinaturas devem ser conferidas, TSE não consegue conferir… pizza a vista! (aqui)

Voltando ao nosso ilustríssimo mais novo Ministro do Supremo, Moraes…
Ele terá o papel de defender Eunício, Maia, Temer. “Defender” não seria a palavra judicialmente perfeita, seria o “truque jurídico”. Enfim… ele vai defender os principais artífices do Executivo e Legislativo atual e blindá-los certamente.
Talvez estenda sua benevolência também a Renan Calheiros e aos tucanos ex-colegas de partido, como Aécio, também citado nas delações da Odebrecht.
Quem tem dúvidas de que Alexandre de Moraes está mesmo “atado” ao PMDB e ao governo Temer, pesquise a primeira visita dele após a votação do Senado (aqui). Ele foi direto para a “casa do padrinho”, pedir a bênção e buscar as primeiras instruções. E essas, aposto, começaram com a sugestão de visita subsequente: Carmen Lúcia.

Tirando a já óbvia pizza da Lava Jato a caminho (está obvia até pra Veja e Época), me espantam os problemas de Ministério que nosso atual presidente enfrenta.
Já havíamos levantado alguns prováveis problemas quando os mesmos foram nomeados (aqui).
Mas os números seguem aumentando e surpreendendo. É difícil até de controlar a contagem: a maioria é de réus, enrolados em inquéritos e escândalos.
Moreira Franco, recém nomeado e Bruno Araújo (Cidades) são os ministros atuais citados pela Odebrecht. Que também conta com os já afastados Romero Jucá e Geddel Vieira. Isso no âmbito da Lava Jato.
Temos José Serra, recém saído do quadro, que responde por improbidade administrativa. A ele juntam-se Eliseu Padilha, Hélder Barbalho e nosso querido Kassab.
Mas tem também crimes “raros”, como fraude de licitação (Ricardo Barros – Saúde), desvio de merenda (Maurício Quintella – Transportes), falsidade ideológica (Marx Beltrão – Turismo), peculato (Raul Jungmann)…

É repetido aqui nesse espaço, mas repetirei.
Triste constatar que todo o movimento do “gigante” durante a pressão pró-impeachment era realmente contra Dilma e contra o PT. E não algo contra a corrupção, como muitos diziam.

E… obviamente… meu lado utópico espera estar errado!

por Celsão correto.

figuras retiradas daqui (por Aroeira) e da lista de capas da Veja, aqui

 

americafirst_oesp_v2Caro senhor presidente Donald Trump.
Essa é uma mensagem do blog Opiniões em Sintonia Pirata pra você.

Talvez você esteja se perguntando o porquê um blog do Brasil esteja entrando em contato dessa forma.
A ideia aqui é mostrar o quão próximos somos a você.

Nós também odiamos e disseminamos o ódio. Não através de mascarados da KKK ou de simbolismos pouco claros como bandeiras, confederações e afins.
Nós odiamos a elite e tudo o que ela representa em nosso país fragilizado social e economicamente.
Odiamos a manutenção do status quo e os golpes suaves que nossa elite aplica aqui, juntamente com os seus serviços de inteligência.
Pensando bem, se ainda não foi apresentado à nossa elite e aos nossos partidos de direita, não perca seu tempo!
Você os adorará ainda mais que à Marine Le Pen e aos demais ultranacionalistas europeus. E eles sequer darão trabalho… nada pedirão em troca e aceitarão de bom grado a condição de subalternos e subdesenvolvidos…

Nós odiamos a imprensa também. Nisso estamos de acordo.
Mas não da maneira como você os odeia, por publicarem os fatos maquiando um pouco a verdade. Sabia que publicamos uma estória sua com a imprensa americana aqui?
Nosso problema com a imprensa é um pouco pior. Eles buscam perpetuar o “pão e circo”, conhece isso?
Creio que não. É muito culto e muito “francês” pra você.
Bem… a imprensa brasileira promove acesso difuso à informações de baixo impacto no desenvolvimento do povo. A eles interessa que o povão não leia, não se informe, só reclame. Quem realmente não busca se informar por aqui, vive num universo paralelo, semelhante as “Brumas de Avalon“. Que julgo também que não conheça… É muito “Inglês” e muito “feminino” pra você.
E não é que essa odiada imprensa tem sido censurada pelo atual governo (outro ponto adorável, sob sua ótica, no Brasil). Veja aqui as ordens explícitas de censura sobre uma investigação pública da primeira dama

Voltando às mulheres, você não sabe, mas estamos no Brasil. Onde as mulheres são bonitas e bronzeadas…
Mas diferentemente de você e do que prega, queremos que as mulheres tenham mais liberdade, mesmas oportunidades e condições, tenham salários e benefícios equiparáveis aos dos homens.
E nós somos homens! Não é incrível isso?

Não temos mexicanos aqui. Nem no blog, nem no Brasil.
Corrigindo a informação, no Brasil existem mexicanos, americanos, angolanos, italianos, japoneses, libaneses e pessoas de muitas outras Nações. Nós os recebemos e sabemos de sua importância na construção da nossa Nação.
Ao menos nós aqui no blog reconhecemos isso e sabemos que muitos outros brasileiros também.
Ultimamente, tivemos a imigração de muitos Haitianos para o Brasil. Pessoas que escolheram deixar seu lar, sua família, sua história em busca de melhores alternativas para viver, de novas oportunidades.
Ignorá-los ou expulsá-los é algo impensável para nós. Integrá-los para que se sintam nosso país como um novo “lar” e contribuam para o desenvolvimento nacional é uma sugestão nossa para com os mexicanos, cubanos e demais latinos, bem como para os muçulmanos que vivem nos Estados Unidos.

Falando em muçulmanos, por que não proibiu a entrada em seu país dos muçulmanos da Arábia Saudita?
Eles cultuam o mesmo “Deus dos terroristas”, bem como os iranianos e sírios. São similares em cultura, possuem até, pasme, reservas de petróleo como os demais!

Enfim… pra terminar gostaria de entrar noutro tema polêmico: voto.
Você adoraria o nosso sistema! Aqui votam inclusive os negros (e negras) desde 1932. Acredite, eles também sofrem bastante aqui, até hoje. Mas podiam votar mais de trinta anos antes dos “afro-descendentes” daí!
Nosso voto é obrigatório. Deixamos opcional para maiores de 70 anos e para os analfabetos. Sim, isso mesmo! Nós temos analfabetos mas tentamos tratá-los como gente!
Nosso sistema é eletrônico, de contagem automática. Mas os derrotados, sobretudo quando semelhantes a você, sempre reclamam e dizem que todo sistema eletrônico é burlável.
E o atual presidente, o mesmo da censura, estava na chapa com aquela “inimiga” que ganhou a eleição, mas foi afastada. Usamos até uma palavra em inglês para isso: impeachment.
Pois bem, esse presidente e o partido dele, fantástico, incrível, “a sua cara”, estão envolvidos até o pescoço com corrupção. Aqui está rolando uma operação federal de combate a corrupção, ou estava… O fato é que a chapa do atual presidente está sendo acusada de receber dinheiro ilegal de campanha. Mas ele conseguiu, aparentemente, desvincular-se da própria eleição. Talvez consiga até desvincular sua imagem do partido. Não é realmente incrível?

Coisas que você, certamente, apoiaria!

Então, entendemos e aceitamos que você busque o “America First”. Mas… poderia (des-)considerar o nosso blog nessa briga?

por Celsão irônico

P.S.: Para quem não viu, a Holanda e outros países europeus lançaram vídeos no youtube satirizando o “America First” de Donald Trump. Eles puseram a maioria numa página (essa). Tem Alemanha, Portugal, Suiça, Namíbia, Austrália… Outros internautas fizeram montagens hilárias também, por exemplo: Marte e Mordor.

figura retirada do vídeo de Mordor no youtube e montada com o “nosso símbolo”. Achamos que Mordor representa bem Donald Trump

post_moraes_imoraisUm jurista exemplar, extremamente técnico e experiente, uma escolha independente.

Acho que nem o mais ingênuo dos brasileiros que têm acompanhado a Operação Lava Jato e as movimentações políticas dos últimos meses acredita nas palavras do presidente Michel Temer após a indicação do ex-secretário e agora ex-ministro da justiça Alexandre de Moraes para a vaga aberta do Supremo Tribunal Federal (STF).

E, por mais que defendamos que, naturalmente ou inconscientemente, as indicações para o STF, feitas pelo presidente da república em exercício, possuem o seu viés político, inevitável talvez, o jurista e professor Moraes não é uma dessas escolhas “desconfiáveis”, que geram “desconforto” na oposição política.
Pelo contrário: Alexandre de Moraes é mais um golpe à Democracia, o maior sinal de aparelhamento do Poder Judiciário dos últimos tempos, um “cuspe” na cara da esperança popular romântica de combate à corrupção, através da refinada casa de “imortais da Justiça”.

Alexandre é (ou era, pois terá de se desfiliar) filiado ao PSDB.
O fez por convicção, faz parte dos “protegidos” do governador Geraldo Alckmin. Foi Secretário de Justiça em seus governos e passou a Ministro da pasta de Temer logo após fazer um “favor” ao próprio presidente e à primeira dama, prendendo em tempo recorde um chantagista que havia hackeado o celular de Michele Temer.

Alexandre passará pela sabatina “café com leite” da CCJ e se tornará revisor da Lava Jato.
O que, mesmo não representando o papel principal, será ele, ex-Ministro de Temer, parte e influente no governo, filiado a um dos partidos com maiores indicações nas últimas delações… quem poderá atuar em disputas crucias para a continuidade da Lava Jato, como a condenação dos indiciados somente após a última instância, historica- e lamentavelmente longos anos após as primeiras condenações.
É Alexandre de Moraes também, ex-ministro, amigo, PSDB paulista, que atuará nos envolvimentos inevitáveis dos presidentes da República, da Câmara e do Senado nas delações da empreiteira Odebrecht.
É ele que “estancará a sangria”, ação proposta por Romero Jucá, ex-ministro e atual líder do governo no Senado, em gravação vazada há menos de um ano (aqui).

São tantas as correlações e tamanha a imoralidade, que é até difícil concatenar um texto que faça sentido!
Nas planilhas da Odebrecht, “Santo” é Geraldo Alckmin, padrinho político de Moraes. “Caju” é Romero Jucá, afastado do Ministério de Desenvolvimento após esdrúxula confissão de culpa. Outro político com relação direta ao presidente Temer, o “Angorá”, Moreira Franco, aparece como principal captador de recursos para Michel Temer junto à Odebrecht.
Agora Ministro da Secretaria Geral da Presidência, Temer fez aquilo que Dilma não conseguiu com Lula, quando o juiz Sérgio Moro vazou “acidentalmente” gravações entre a então presidente e Lula.
É o roto fazendo o que fez o esfarrapado, o sujo fazendo pior que o mal lavado…

Temer é citado mais de quarenta vezes na delação da Odebrecht. Moreira Franco mais de trinta.
Para “fechar o pacote de absurdos”, a provável indicação para o lugar de Moraes, no Ministério da Justiça será a de Antônio Cláudio Mariz de Oliveira (aqui), defensor de muitos acusados da Lava Jato e ferrenho crítico da mesma.
Chegou a ser cotado, anteriormente, para o cargo. Na época, Temer desistiu exatamente por conta das críticas feitas por Mariz à Lava Jato (aqui).
Agora, ao que parece, o circo e o fingimento não são mais necessários. A revolta do povo arrefeceu, cessou…

Para terminar, li que em sua tese de doutorado, o próprio Alexandre de Moraes defendeu que nomeações de filiados a partidos políticos e ocupantes de cargos de confiança aos tribunais de justiça, sobretudo ao STF, são imorais, não deveriam acontecer nos mandatos correntes para que não insinuassem prêmio por dedicação, agrado ou recompensação.
Até Alexandre é contra Alexandre!

por Celsão correto

figura retirada daqui

P.S.: sugiro o vídeo revoltado do Bob Fernandes, por representar parte do que sinto (aqui)
E uma indicação de leitura, do colunista Hélio Schwartsman sobre as duas últimas medidas do nosso patético presidente. Pra mostrar que mesmo alguém pró-Temer é contra a ridícula mediocridade (aqui)

Compartilho o vídeo acima, por achar (primeiramente) a propaganda criativa.
Conseguiram explorar um sonho de criança/adolescente fugindo do padrão “normativo-social” que temos atualmente. Mostraram a busca pelo sonho, a perseverança em atingir aquele objetivo, o apoio da família…

E me perguntei, assistindo o vídeo, se acreditamos que todo sonho é aceitável?
Se realmente apoiaríamos nossos filhos em qualquer desejo deles, em todas as “maluquices” que pensassem em fazer, em qualquer profissão que escolhessem.
Um “filho de pobre”, expressão que meu pai sempre usava, sofre mais intensamente dessa pressão em “ser alguém” e desistir de um sonho em prol de evolução econômica e social. Se escolher uma carreira artística, como o teatro, por exemplo, será persuadido na melhor das hipóteses a buscar essa realização profissional depois de conseguir uma “profissão”; e aqui uso aspas na palavra profissão, pois ela é específica, “profissão” para pobres se resume a advogado, médico e engenheiro, grosso modo.
Se o tal “filho de pobre” for gay então… o “ser alguém” engloba não só a profissão, mas um comportamento exemplar, desprovido de sexualidade, que esconda sua atração por pessoas do mesmo sexo, suas perguntas e negue, quase sempre, as estórias aventadas pela vizinhança.

Por que tudo isso?
Somos treinados, ou doutrinados socialmente, para o sucesso. Desde muito cedo, o bombardeio televisivo e midiático nos mostra que nosso brinquedo recém adquirido não é tão bom quanto aquele outro, que nossas roupas não ostentam os animais corretos no símbolo, que a TV da loja tem mais botões, que o carro do vizinho é mais confortável, espaçoso e tem motor maior…
Se a pessoa nasce fora deste estereótipo de “sucesso”, não é branco, homem, hétero, por exemplo; o atingimento deste “sucesso social” passa também por essas questões imutáveis de raça, credo e sexualidade. É como se o sucesso fosse preconceituoso.

Voltando ao vídeo, e sugiro que o vejam pela segunda vez, prestando atenção nos detalhes só percebidos após o conhecimento do seu desfecho, a sucessão de fatos entre a decisão de seguir o sonho e a realização do mesmo, sugere uma sociedade perfeita e utópica. Uma academia para o treino específico de “ring girl“, a viagem para Las Vegas, a chance real numa luta de boxe… seriam eventos praticamente impossíveis separadamente.
Qualquer paralelo com a realidade mostra o mesmo. Um menino pobre, se homossexual, terá barreiras ainda maiores para transpor se tiver o sonho de se tornar apresentador de TV. A família o desencorajaria prontamente, mesmo aceitando a sua sexualidade, e estereótipos “comuns” até o levariam para a TV, mas em funções secundárias como maquiador ou cabeleireiro, não desmerecendo-as, o intuito é falar sobre o nosso preconceito.

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post_sonhoNorberto decidiu passar a festa de Réveillon em casa.
Havia muito tempo que não voltava àquele bairro periférico de São Paulo e as razões eram muitas.

A infância e adolescência foram períodos difíceis. Havia a presença constante e inesquecível da família e dos vizinhos. A primeira em sua resistência em aceitar sua sexualidade e o medo constante de agressões verbais e físicas do segundo grupo.

Mas agora, acreditava Norberto, algo estava diferente. A sociedade havia evoluído de certa forma, tanto a TV quanto as redes sociais “aceitavam melhor” os gays e, legalmente, já era permitido até casar (quem diria?) com pessoas do mesmo sexo.
E lá foi Norberto com seu companheiro e sua saudade para o Jardim Santa Cruz.

Tantos sonhos reprimidos. Tantas oportunidades coibidas.
Não gostava de futebol, nem de pipas, nem de carrinhos de rolimã.
E era a capoeira, naquela lista de diversões acessíveis na periferia da sua época que o atraía. Mas não podia praticar capoeira, ou melhor, acreditava que lhe seria vedado, visto que muitos dos que lhe ofendiam verbalmente frequentavam aquele círculo.

Em casa, vieram olhares desconfiados para Alexandre, seu namorado, conforme esperado. Para os mais velhos, mesmo entendendo e aceitando a condição de Norberto, receber um namorado não era realmente uma tarefa fácil. Compreensivo, Norberto fingiu não notar os olhares e nem as discussões e pequenas brigas sem sentido que presenciou. É algo corriqueiro numa família grande e desestruturada, pensou, e sempre aconteceu aqui.
Seu objetivo era também apresentar sua família a Alexandre, que já lhe houvera apresentado a dele. E, rusgas a parte, havia sido uma boa experiência.

Aproveitou a noite quente e sem nuvens para sair. Uma certa coragem lhe aflorava, naquela rua de muitos medos e bullyings, palavra que na época nem existia.
Decidiu ir até àquela casa onde melhor lhe acolhiam, onde a alegria sobrepujava o sofrimento daqueles que ali viviam com poucos recursos.

Só que, lá chegando, percebeu que a nova geração que ali se encontrava, com seus modernos celulares, selfies e publicações instantâneas, comentava ostensivamente a sua presença e a de seu namorado. Chegava até a ridicularizar o anel que ambos usavam.
Eles mal se olhavam, mas sentiam o aperto desconfortável da situação, dos comentários direcionadamente perniciosos.
Não é possível que não haja evolução, pensou pra si, as cabeças são outras… muitos anos passaram!

Quando estavam prestes a sair, em busca de ar, ou refúgio, ou paz, ou carinho… receberam a esperança num copo de caipirinha. Um dos presentes da festa pareceu perceber o preconceito e os ofereceu o que podia naquele momento, numa aproximação tímida.
Após o primeiro gole, veio a dúvida se aquilo havia sido oferecido realmente em busca de integração, ou se era um ato inocente de alguém bem intencionado.
O estranho tentou puxar papo e perguntou se eles desejavam algo mais. O “eles” mostrou certo respeito, e aparente anuência com a presença deles, com o fato de serem um casal, de estarem juntos naquela festa.
“Vocês moram por aqui?”, perguntou ele.
Realmente ele percebeu o quê somos. E pareceu não se importar.

O álcool e a esperança na humanidade aliviaram a noite. E trouxeram, para o começo de 2017, uma confiança e uma fé renovadoras.

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por Celsão correto

vídeo recebido por whatsapp. Mas também disponível no Youtube aqui

figura retirada daqui

P.S.: o conto provém de uma estória real.