Archive for February, 2018

Na década de 80 eram os ex-combatentes.
Ouvia a conclusão do meu pai e das poucas notícias de televisão que vinculavam atentados ocorridos nos Estados Unidos com alguma causa.
A explicação era válida e aceitável. Como no filme do Rambo.
Ex-militares plausivelmente seriam marginalizados numa sociedade que buscava a paz, que condenou (supostamente) a guerra.
E… um marginalizado, sem emprego e sem ocupação, com porte de arma e pesadelos envolvendo guerra… é certamente uma das receitas para algum desvio psicológico.

Depois foi o cinema e a televisão.
Não sei se o número dos filmes violentos realmente aumentou nos anos 90. O western (popularmente bang-bang) já existia “desde sempre”.
A produção do cinema certamente ficou melhor, o “realismo” aumentou. Mas é dificílimo dizer se o número de armas aumentou.
A partir de então, ao menos pra mim, as explicações começavam a ficar sem sentido… como que forçadas.
Dizer que Charles Brownson e seu “Desejo de Matar” impeliam os cidadãos americanos para as armas e as ruas era um pouco demais pra mim. Talvez os já psicóticos…

Daí culparam os videogames.
Como se expor pessoas (jovens majoritariamente) a “realidades ampliadas”, no jogo, alterasse o discernimento de certo e errado, de realidade; fizessem com que eles acreditassem em capacidades sobre-humanas, em heróis…
Aconteceu até no Brasil. No caso do estudante de medicina que entrou num cinema armado em São Paulo. Mateus ganhou página no Wikipedia (aqui) e a explicação exagerada para o seu crime.

Os advogados de defesa tentaram, em vão, alegar insanidade mental de seu cliente e argumentar que Mateus havia sido influenciado pelo jogo “Duke Nukem 3D”, no qual há uma cena de tiroteio dentro de um cinema

De qualquer forma, também acho desproporcional culparmos jogos eletrônicos e videogames pelos atentados. Mesmo havendo estudos e casos onde o indivíduo “reproduz o jogo” em seu cérebro constantemente, não há deduções apontando para jogos específicos e nem deduzindo que o próximo passo seriam as armas.
Uma observação: eu defendo uma classificação etária dos jogos, como já existe. E uma certa censura em seu conteúdo, chegando à proibição, para casos extremos e exagerados. (por que não? Cada país pode decidir como educar seus jovens, ou o quê expor a eles)

Voltando ao tema…
Os atentados a arma nos Estados Unidos continuam ocorrendo. Talvez pelo maior alcance da mídia,
Quem será que temos que culpar agora?
Talvez os refugiados? “Estrangeiros” sem pátria que moram no país das oportunidades.
Os muçulmanos e a sua religião rígida e extremamente conservadora?
Os latinos que não se identificam inteiramente com o sonho americano e criam suas comunidades, mantendo o seu idioma?
Os negros e suas características violentas, seus problemas de comportamento?

A culpa é das armas.
Algo criado para matar não deve chegar às mãos de cidadãos de bem. Não deve se oferecer como “alternativa” para uma discussão de trânsito, para um problema entre vizinhos, para uma resposta ao bullying
E é claro pra mim que o país que mais disponibiliza armas à sua população será o país que mais terá problemas com elas.

Juntemos a isso um presidente hors concours no que diz respeito a noção e discernimento e o resultado é o que vemos: dizer que os professores e auxiliares devem estar armados em sala de aula (aqui).
Combater violência com mais violência, certamente, não terá sucesso.
Isso pensando que os professores aceitarão essa “tarefa” de defender os alunos de atentados.
Soa tão absurdo, tão irreal a proposta… Buscar aumentar as armas (colocando algumas dentro das escolas) ao invés de diminuir seu número e reprimir seu uso…

Enfim, só temo que essa “onda” armamentista mantenha-se distante daqui.
Nossos problemas com violência urbana são outros, porém presentes. E o passo dado ao armar a população pode representar uma piora considerável na segurança pública.
Que seja apenas devaneio político de quem quer se promover com essa ideia estapafúrdia.

por Celsão correto.

figura retirada daqui e daqui. Mesmo link onde estão outros infográficos interessantes sobre relações arma/população.

 

É Carnaval

Posted: February 9, 2018 in Comportamento, Outros
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“A maior festa do mundo” como é comumente chamada traz também um enorme e lamentável número de abusos.
Aqui foco em preconceitos e assédio. E não nos também conhecidos e esperados abusos de álcool, drogas e da falta de cidadania.

Um pouco tarde para que sirva de “alerta” pré-carnaval, pois o mesmo já começou com os blocos de rua e começa “oficialmente” nessa noite, compartilho uma excelente ideia do marketing da ambev (ou AB-InBev se pensarmos no grupo multinacional): eles pegaram o mote do “redondo”, símbolo da cerveja e expandiram para carnaval redondo, frases redondas, papo redondo… fazendo alusão ao “correto”.

Mas se engana quem pensa que parou nos comerciais de televisão com palavras “quadradas”  (o oposto de redondas pra eles) saindo da boca dos interlocutores, a ambev foi além e promoveu vídeos com Youtubers, promovendo a cerveja, é claro; mas promovendo um papo aberto e direto sobre rótulos, machismo, preconceito, homofobia, entre outros.
Os publiposts ou publi-vídeos, são vídeos pagos pela empresa. Contém em sua maioria a hashtag #paporedondo e podem ser buscadas no Youtube com esse termo de busca.

É tudo “um tanto” óbvio.
Eu até queria dizer que é tudo “muito” óbvio. Mas sabemos que não é redondo para todos.

O “não é não”, por exemplo, foi abordado por muitos Youtubers.
Talvez por saberem que o assédio é grave e está presente.
O pessoal do Manual do Homem Moderno começa o vídeo falando que qualquer abordagem que pareça um assalto ou arrastão, que lembre um ato criminoso, é errado. É assédio!

E tem de tudo, tem vídeo da Tia Má, negra e mulher, falando do preconceito dentro da fantasia da Negra Maluca.
É antigo, é preconceituoso e insulta.
É como se a cultura negra fosse resumida e estereotipada numa personagem de Carnaval. Que invariavelmente estará ou se fingirá de bêbada, ou de frívola.

Na mesma onda, estão outros comentários dentro das dicas da Maira Medeiros, da Hel Mother e da JoutJout.
Todos são recomendáveis, especialmente o da JoutJout. (minha preferência está mais na didática usada por ela. A ideia de DESENHAR as dicas foi excelente)
Novamente parece óbvio, mas fantasias que podem ofender culturas devem ser evitadas, mães podem curtir carnaval, as pessoas (especialmente as mulheres) devem se vestir como gostariam de se vestir, as opções sexuais devem ser respeitadas, etc…

Não esquecendo de citar o Muro Pequeno e a Lorelay Fox que exploram a temática da homofobia pela ótica própria. Algo que todos os “quadrados”, incluindo não só machistas deveriam decorar!

Não queria fazer o meu publipost, mas acabei fazendo.
Não por ter recebido algo da ambev, do blog, ou de outrem. Mas por saber que as companhias nada fazem por acaso e quase nada de boa intenção.
Aqui está claro pra mim que eles buscavam atingir a fatia da população mais jovem que se declara alheio à TV e ao rádio, meios de comunicação um tanto ultrapassados sob sua ótica. Focando em Youtubers já com seguidores e vídeos muito acessados, há a certeza de ampliação do atingimento da propaganda.

Mas… se é pra se vender, como diriam os mais radicais; por que não se vender com um propósito maior e bem construído ao fundo.
No caso, o propósito de “Carnaval melhor” ou “Brasil evoluído”, me pareceu justo o suficiente.

por Celsão correto.

P.S.: figura retirada do vídeo da JoutJout, propositalmente cortado com a caixa de Skol ao fundo.

Se quiserem ver todos os vídeos citados em sequência, acessem aqui.
Poderia baixar e publicar, mas acredito que ficaria um tanto chato…