Archive for May, 2018

Funda-se a partir de hoje o país Oduduwa.
Em sua carta de fundação, pode ser lido o hino Akotun Oweré (Nova Luta) e o ideal de liberdade religiosa para os oprimidos umbandistas.

O seu território compreende a região de Pelotas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Brasil, e as regiões cercanas da província de Vergara e Treinta y Tres, seguindo pelo litoral próximo à cidade de Lascano, no Uruguai.
A sua capital está no distrito de Cassino, onde se encontra a imagem de Iemanjá e se realiza, anualmente, a maior festa conhecida dedicada a essa importante entidade da religião Umbanda.
Os parques nacionais de Taim e Curral Alto prestarão a devida homenagem a Oxóssi, Deus das florestas, Oxum e Obá, Deusas das águas e rios e Iemanjá, Deusa dos mares.
A península setentrional chamada Punta del Diablo servirá como base para rituais de cura e equilíbrio.

O Estado da Bahia aceita a proclamação de independência de Oduduwa em relação ao Brasil e declara seu total apoio à causa da religião afro-brasileira. Inclusive com apoio militar, se assim for necessário.
Já está agendada uma última declaração no Congresso Nacional Brasileiro, em português, comunicando a independência e separação territorial, ideológica, religiosa e de idioma, uma vez que a língua oficial de Oduduwa será o Iorubá.

Seguidos os protocolos oficiais, convidaremos umbandistas de todo o mundo a vir morar em Oduduwa.
De forma igualitária, os seguidores de outras regiões que desejarem abandonar a nova Nação Umbandista terão livre acesso para sair; desde que abandonem residências, terrenos, bens móveis e contas bancárias à Akotun Oweré. Não haverá reembolso ou ressarcimento de qualquer natureza.

Se houver, como esperado, o sucesso estimado inicialmente, muitos serão os fiéis e praticantes que buscarão em Oduduwa o seu refúgio espiritual e religioso.
Ocuparemos espaços nas vicindades de Uruguai e Brasil; respeitando, a princípio, as capitais Montevidéu e Brasília.
Se estatisticamente já somos 8% da população brasileira, tomando a porcentagem declaradamente Umbandista, acreditamos que 20-30 milhões de pessoas possam viver confortavelmente no espaço ocupado hoje pelo Estado do Rio Grande do Sul, lar atual da maior população umbandista brasileira.
Caso o futuro Conselho Nacional de Oduduwa decida por ocupar preferencialmente áreas litorâneas, podemos expandir o território pela costa, no sentido norte, mudando a capital de Oduduwa para Florianópolis, ou mesmo, Rio de Janeiro.

Declaramos guerra, desde já, a qualquer invasor que pretenda dirimir nosso propósito ou questionar a nossa fé!
Contamos com apoio irrestrito, financeiro e bélico de apoiadores de religiões indígenas e africanas em todo o Mundo, bem como do Estado da Bahia, lar de tantos orixás e ritos.

(…)

É cômico.
Mas essa é a minha visão, discriminatória talvez, do que aconteceu na criação do Estado de Israel, meio século atrás.
Não sou contra a sua criação, embora acredite que a localização e disposição poderiam ser melhor discutidas, a fim de evitar situações delicadas no tocante às relações internacionais.
A própria ONU e seus conselhos, seriam a meu ver o melhor palco para essas discussões.

O apoio dos Estados Unidos, financeiro e bélico, transformou a região que já era palco de conflitos seculares.
A “ilha” Israel transformou-se numa potência regional. E passou a ameaçar não só os palestinos, mas outros países da região.
As ocupações através de construções não autorizadas são injustas, para dizer o mínimo (post nosso sobre o assunto aqui).
E a mudança da capital para Jerusalém é simplesmente absurda! Só têm apoio americano pelo interesse estadunidense na região e pela aliança escusa entre os dois países.
É o apropriamento de algo inapropriável!

Lamentável que vejamos massacres de civis, tolhimento de direitos, imposição de condições sub-humanas em prol de um Deus que não apregoa essas diferenças.

Se Israel e sua política não choca você, Oduduwa tampouco deveria chocar…

por Celsão irônico

 

figura: montagem de recortes retirados do Google Maps. 

P.S.: peço perdão aos praticantes da Umbanda, Candomblé e demais religiões africanas pela apropriação de nomes e termos. A intenção não foi ridicularizar nem ofender.

P.S.2: para quem quiser assinar uma petição do Avaaz, contra a chacina impiedosa de vidas palestinas, segue o link

 

Ontem foi 13 de Maio.
Não me lembro qual foi a última vez que “comemorei” a data.
Para nós negros, Zumbi dos Palmares e o 20 de Novembro suplantaram a única data onde éramos lembrados na escola; onde o professor nos apontava e afirmava que a escravidão era um “problema do passado”.

Enfim… o post não visa falar da discriminação racial, racismo ou cotas.
Visa discutir a infeliz desistência da candidatura à presidência, de Joaquim Barbosa.

Passados cinco anos (!) de um post nosso a respeito do então Ministro (aqui), ainda não sabemos o que ele quer, pretende ou anseia.
À luz da época, durante e logo após o julgamento do Mensalão, Joaquim era endeusado e mitificado pela mídia e por partidos “de oposição”: PSDB e DEM.
A popularidade do Ministro era tremenda. E ele a usava de forma pouco ortodoxa, pois criticava outros partidos, além do acusado PT, o sistema eleitoral, juízes, a Polícia Federal, entre outros.
Palco recebido, popularidade gozada, Joaquim se retirou. Aposentou-se em 31/07/2014 (data da publicação no Diário Oficial).

Passou silenciosos e resignados anos em seu apartamento em Miami.
Poucas eram as interações e intervenções políticas do ex-Ministro. Tudo dava a entender que aquele bravo Joaquim se havia ido e rendido ao poder do Capitalismo e ao deleite que anos de avantajados salários proporcionam.
Nada contra o apartamento em Miami ou ao deleite dos benefícios do Capitalismo.
Também os desfruto e, por conhecer a mais-valia, sei que trabalhamos efetivamente mais que ganhamos, via de regra.

Mas, permitam-me criar uma expressão, “apolitizar-se” em tal período: com impeachment, Lava Jato, culpa da chapa com absolvição de Temer no TSE, inúmeras denúncias, algumas envolvendo até o STF… foi demasiado covarde.
Estar na política (ou desejar entrar nela) e se esconder, se omitir, é irritante e inquietante. Ao meu ver é uma das principais falhas da novamente candidata Marina Silva.

Esse é o meu problema com o que Joaquim Barbosa fez: o ingresso na política.
Por que da filiação ao PSB (agora) se o objetivo não era alçar voo tão singular?
Por que oferecer-se como opção em tão complexo cenário e, mesmo obtendo boa intenção inicial, abdicar-se como postulante?

Joaquim tinha muito potencial.
É negro daqueles que não se pode negar a negritude.
Alguns podem dizer que tivemos “Marronzinho” na eleição de 1988 (aqui). Mas os míseros 17 segundos de propaganda eleitoral e a alcunha não o fizeram conhecido ou representante dos negros.
Joaquim, letrado e culto, não só poderia “carregar a bandeira” esplendidamente, como mostraria um negro além do estereótipo padrão.
Joaquim teria nas mãos armas que ainda não experimentamos na política. Ou que timidamente temos experimentado em câmaras a nível municipal e estadual.
Joaquim, talvez, se tornaria o nosso Obama! 🙂

Voltando à realidade…
Não dá pra afirmar que votaríamos nele. Não sei ainda em quem votarei.
A oposição (do PSB) afirmou, ao saber da candidatura de Barbosa, que ele é instável e arrogante. Teria pouca paciência e se complicaria sozinho.

O fato é que Joaquim Barbosa teria ainda mais palco.
Entrevistas. Tempo na TV. Mídia gratuita. Citações em redes sociais.
Que trariam, claro, explícita e inescrupulosa devassa em seu passado e em sua vida particular.
Preço alto, talvez, para quem é realmente sério. O que não sabemos se é o caso do senhor Ministro…

por Celsão irônico

figura retirada daqui