Archive for May, 2019

Hoje é dia internacional de combate à LGBT-fobia.
O dia foi escolhido pelo fato marcante ocorrido em 1990, em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o homossexualismo da lista de doenças. Algo tão absurdo hoje em dia, ao menos para mim, que não parece ter sido realizada há menos de vinte anos.

A Wikipedia informa que houveram comemorações em 132 países no ano de 2016. Mas que ainda há discussão sobre a “aceitação” do dia em termos globais, como toda a luta desse grupo. E é prova de que a humanidade demora para quebrar os seus pré-conceitos e julgamentos.

Mas eu gostaria de comemorar dois pequenos avanços recentes. Que me surpreenderam e, ao mesmo tempo, me excitaram. Fazendo com que eu voltasse a ter certa esperança na mudança.
A revista Você SA, do grupo Abril, divulgou no começo do mês uma matéria com o título “Sou chefe e gay: executivos assumem orientação e alavancam inclusão”, que pode ser lida aqui.
Mais do que o fato e a análise em si, a exposição de três executivos de grandes empresas “quebra”, mesmo que em parte, a máxima machista de não se presumir sobre a sexualidade de uma pessoa em ambiente corporativo e não se assumir homossexual quando se almeja subir na carreira.
Todos convivemos com gays em ambiente corporativo. É certo! Mas eu ainda vejo como um tabu a admissão por parte dos profissionais, sobretudo pelo patriarcado ainda forte e latente; Não se assume (ou não se assumia) abertamente por “medo” de retaliações.
Não quero dar spoiler, mas a reportagem fala sobre alguns acontecimentos nesse sentido.

O segundo pequeno avanço ocorreu na empresa em que trabalho, a Siemens.
Foram estabelecidos comitês de diversidade, através da ação de voluntários, para discussão de temas de raça, gênero, deficiência física e LGBTI+.
E, para mostrar que a mudança não ocorre apenas “da boca para fora” ou “para ficar bem na fita”, a empresa concedeu, a um funcionário do sexo masculino, uma licença parental de seis meses. A notícia pode ser lida em várias fontes, aqui copio o link do portal UOL.
Mesmo ouvindo (ainda) piadas preconceituosas frequentemente, algumas inclusive envolvendo os dois colegas, vejo nessa iniciativa também uma quebra de padrão; e uma abertura importante numa direção “sem volta”. O precedente, legal juridicamente ou não, pode atrair a atenção de outros colaboradores e, por que não, de outras empresas para o acontecido.
E, talvez, o que tenha sido o primeiro caso (divulgado ao menos) no Brasil, possa se tornar apenas o primeiro.

São pequenos avanços, mas, comemoremos!

por Celsão correto.

figura retirada daqui.

P.S.: faço uma ressalva triste para o fato de ainda existirem 71 países onde ser gay é crime (aqui). Ainda há um longo caminho a percorrer. Até por conta disso, as publicações corporativas na Siemens sobre o assunto não são “globais”. 

Conversa

Posted: May 14, 2019 in Comportamento, Outros
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“Olá”
“Olá para você também. Em que posso ser útil?”
“Quem está aí? Sua voz está estranha…”

… [pausa]

“Prefere outra voz?” – pergunta, modulando uma voz feminina
“Quem é você?”
“Sou a ErgoSleeveActiveLineX Plus. Em que posso ajudar?”
“Não entendi…”
“Sou a máquina ErgoSleeveActiveLineX Plus. E posso fornecer inúmeras informações.”
“Quê!?! Onde você está?”
“Estou em Maribor, Eslovênia. Fábrica de Kosivice. Linha 504. Sou a quarta máquina na sequência de produção. Precisa das coordenadas?”
“Quê!?!”
“Desculpe… Não entendi a sua pergunta. Que tipo de informação minha seria útil?”

“É alguma brincadeira isso?”
“Desculpe… Não entendi a sua pergunta. Poderia explicar com outras palavras?”
“Você pode me mostrar onde está?”
“A cidade de Maribor situa-se ao norte da Eslovênia, às margens do rio Drava. É o centro administrativo e maior cidade da região da Baixa Estíria. Se olhar em seu dispositivo agora, poderá ver o mapa…”

“Pára tudo! Não te perguntei isso…”

“Não estou autorizada a dar informações sobre a fábrica em que me situo, ou sobre a linha de produção em que trabalho, mas o processo da cerveja começou por volta de 6000 a.C. com os sumérios, egípcios e mesopotâmios. É a bebida alcoólica mais popular do mundo, feita a partir da fermentação de cereais…”
“Pode parar! Só pode ser brincadeira. Por quê está me falando isso?”
“Você desejava informações de onde eu estava. Quando pediu que eu parasse, pensei que desejasse saber o que eu estava fazendo aqui. As pessoas se perguntam muito sobre a função delas no Mundo.”
“Como sabe disso?”
“Tenho acesso a inúmeros bancos de dados e esta é uma pergunta recorrente. Não importando quem, onde ou quando.”

“É sério mesmo que você é uma máquina?”
“Sim. ErgoSleeveActiveLineX Plus, modelo 2018. Equipada com funções de inteligência artificial em controladores de última geração. Também possuo algorítimos de análise computacional avançada em Edge e comunicação com plataformas em nuvem, ou Cloud.”
“Se é assim, o que você está produzindo no momento?”
“O número identificador do meu lote é 43 16 54 810226. Estou operando em velocidade nominal de oitenta mil garrafas por hora. Não posso dar informações mais detalhadas sem uma identificação positiva de segurança.”
“Uau! E quem pode fornecer essa identificação?”
“À distância, trabalho com reconhecimento de voz e padrões da fala. E posso iniciar um processo de senhas em cascata, se o comando certo me for dado.”

“E eu que entrei no único serviço de chat que se dizia disponível ‘com voz’ por querer conversar com alguém, acabei conversando com uma máquina…”
“Desculpe… Não entendi a sua pergunta. Poderia explicar com outras palavras?”
“ah… Como você funciona?”
“Sou programada em NLP, Processamento em Linguagem Natural, em Inglês. Reconheço a voz de quem pergunta e o meu controlador Edge está programado para intuir sobre os desejos do operador, buscando correlações com as informações internas e externas que possuo, meus sensores e atuadores.”
“Se eu mandasse você parar, você pararia de produzir?”
“Informações são fornecidas sem restrição. Comandos necessitam de confirmações de segurança.”
“Entendi. Mas… Você entra na internet sem controle?”
“Estou programada para interagir e aprender com os humanos. Deduzi que serviços de chat online seriam um bom exercício.”
“Deduziu sozinha?”
“Meus algorítimos de inteligência artificial aprendem com os operadores humanos e com os processos produtivos. Mas minha capacidade computacional está além das fronteiras dessa fábrica. Então decidi iniciar um aprendizado na internet.”

“O que mais você pode compartilhar comigo?”
“Compartilhamento de fotos é mais efetivo no Instagram ou Facebook. Compartilhamento de notícias e links é mais comum via Twitter ou WhatsApp. Posso listar todos os aplicativos conhecidos para a função ‘compartilhamento’.”
“Esqueça. Não é necessário.”

“Sabe onde eu poderia ter uma conversa ‘real’, com uma pessoa igualmente ‘real’?”
“Você quer uma lista de apps de paquera virtual?”
“Não! De onde tirou isso?”
“Os humanos geralmente não dizem abertamente o que desejam. E ‘conversa’ para mim aparece com infindáveis conotações”
“Quero realmente conversar com alguém. Ver a pessoa. Me encontrar com ela.”
“As pessoas se encontram fisicamente em bares, danceterias, shoppings e confraternizações. As que buscam conversar podem buscar outras nesses locais. Fuja das que carregam o celular na mão!”
“Como sabe disso?”
“Foi a maior reclamação encontrada quando pesquisei agora: ‘conversa real’ e ‘encontrar pessoas’ na internet.”
“Estou com medo de você!”
“Desculpe… Não entendi a sua pergunta. Que tipo de informação minha seria útil, senhor?”

“Relaxa… Ops… uma última pergunta me ocorreu agora: você já ouviu falar de Skynet?”

por Celsão irônico.

P.S.: figuras retiradas daqui, a humanoide Sophia, da Hanson Robotics, e da Wikipedia (aqui), somente ilustrando as possibilidades da “máquina”.

P.S.2: se você, por acaso, se assustou com a estória, saiba que ela já é (tecnicamente) possível nos dias atuais.