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O dia 17/05/2017 começou tenso pra mim.
Tinha muitos compromissos profissionais, mas queria de algum modo seguir ouvindo a assistindo às notícias após a “bomba” lançada do “colo” do Presidente Temer.

A noite anterior foi de jornais e memes sem fim.
Os programas televisivos tentavam detalhar o máximo da informação que possuíam, incompleta naquele momento, e ponderar os próximos passos do presidente, dos seus ministros e aliados, dada a gravidade do ocorrido.
Enquanto os “magos” da internet criavam e recriavam piadas compartilhadas intensamente no WhatsApp e Facebook. Famosos com camisetas, eximindo-se de uma culpa líquida

A primeira surpresa, compartilhada pela minha esposa, foi ver as pessoas surpreendidas… É um trocadilho cômico, se não fosse cruel.
Como podem achar que Michel Temer e Aécio Neves, já citados anteriormente por outros delatores fossem inocentes?!?
Depois de Jucá e do vazamento ocorrido, do Geddel, dos oito atuais ministros citados pela Odebrecht… Depois do avião com cocaína, de inúmeros favorecimentos em Minas Gerais…

Na rádio Jovem Pan ouvi um advogado que daria o tom da imoral defesa prévia: “o país não pode parar“.
Como se todos pudéssemos e devêssemos ignorar quaisquer atos indecentes e corruptos em nome da retomada da economia, do emprego e renda, que timidamente dava sinais.
Eu quero que tudo pegue fogo!
Que o Congresso seja dissolvido!
Que os áudios vergonhosos, de delatores indecorosos, de políticos indecentes, sejam tocados como introdução ao Hino Nacional; para que não os esqueçamos!
Que só restem Parlamentares íntegros (ou ao menos não-condenados)! Nem que tenhamos que convocar novas eleições. Nem que pra isso tenhamos de, nós mesmos, “pessoas normais”, entrar na política para mudar o status-quo de corrupção da mesma.
Pensar na simplicidade do “país não parar” e daí pra frente acobertar tudo e todos, me enojava.

Mas a Grande Mídia, até então, reagia bem: os jornais da manhã foram monotônicos e pareciam intermináveis.
E entre um Caiado, que lançou com certa lisura sua candidatura para 2018, aproveitando-se da crise, e um Carlos Marun, que defendia o vitimismo do Presidente Temer ante ao golpe político, ante a cilada… os comentários dos jornalistas e juristas convidados não deixavam dúvidas: tudo foi feito com anuência da Polícia Federal, num acordo de delação assinado pelos donos da JBS. Escutas, fotos, vídeos, rastreamento de dinheiro, depoimentos… tudo legitimamente legal!

A situação do presidente nacional do PSDB era pior.
Os mandatos de busca em casas de parentes foram seguidos de prisões dos mesmos, de declarações de correligionários contrárias, do afastamento do Senado e da presidência do partido tucano…

E eis que o anúncio de um pronunciamento de Temer as 16h fez surgir o furo-boato de renúncia.
E, as 16h, nervoso e quase sem companheiros para aplaudir, o temeroso Temer recusou-se a ceder. Disse ao povo que ficava! Também apelando à melhora da economia e às reformas. Disse que não precisava de foro privilegiado, falou de armação, mentindo sobre a legitimidade da escuta e terminou apelando para o STF.
Afinal, ele sabe que o “Gil” (Ministro Gilmar Mendes) já garantiu a vitória dele no TSE; com a não condenação da chapa de 2014. Conhece também o penoso trâmite do processo no judiciário.

E o PSDB?
Ah… o PSDB… Parece que decidiu sair de vez dos holofotes da política, abandonando o papel de oposição que estava desempenhando.
Poderia ter, numa única tacada, afastado o condenável Senador Aécio Neves e abandonar os quatro ministérios que possui no atual governo. Tiraria, ao meu ver, boa parte da mácula que obteve com a Lava Jato. E de quebra poderia lançar um novo “homem forte”, provável candidato a 2018. Não creio que Tasso Jereissati seja esse nome.
Se afastar da corrupção, no momento, não seria se afastar de todos os projetos e reformas que o governo quer aprovar nesse ano. Nem seria negar a esperança na recuperação econômica. Seria uma mensagem de intolerância à continuação da prática (mesmo que falsa).

O dia seguia agitado e os programas de rádio também.
E, com a evolução pós-pronunciamento e a decisão do PSDB em se manter ao lado de Temer, retornou a dicotomia direita-esquerda, vermelho-azul, bem-mal…
Reinaldo Azevedo defendeu que os promotores buscavam retornar o poder aos “pilantras da esquerda”. Que a delação foi “encomendada”, mirando o maior líder da oposição, Aécio, e o atual Presidente da República, Michel Temer.
Por que não podemos esquecer isso uma única vez e buscar a condenação de TODOS os culpados?
Por que delações só servem para um lado? Vazamentos só valem quando são contra o “meu lado”? Notícias e opiniões só prestam quando exprimem a “minha verdade” ou a minha opinião?
Sinto nessas horas que perco um pouco da minha utópica esperança. Não dá pra tolerar essa “religião” que defende políticos indefensáveis, acusados de inúmeros crimes, de qualquer lado politico-filosófico que este esteja.
Deixe que o judiciário julgue. Permita-se que o acusado se defenda. Só não incentive o ódio…

O dia terminou com os áudios e fotos da delação.
E, mesmo sendo uma conversa de mafiosos, de inegável cumplicidade e culpabilidade… Não é “tudo aquilo” que o furo jornalístico anunciava. Não é tão direto quanto foi o de Jucá, por exemplo.

E, como sabemos, a Justiça é como a mídia; e trocadilhos a parte, ambos são como pizza. Quando esfria, perde a graça.
Se não existem prisões preventivas decretadas, a Lava Jato leva as investigações no processo normal, que é lentíssimo.
Se a indignação do povo e da base aliada governista é comedida, novos conchavos são refeitos e talvez novas mesadas serão acordadas.
Rodrigo Maia não aceitará qualquer pedido de impeachment contra Temer.
E, no final… a montanha pariu apenas um rato, como diz a frase-título, atribuída ao próprio presidente Michel Temer.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui.

P.S.: Parabéns ao PTN e PPS, que saíram da base de apoio a Temer.

foto_miguel_apresentacao_01Ocorreu em Erlangen na Alemanha, de 12 a 15 de outubro de 2016, o IV Encontro Mundial de Escritores Brasileiros no Exterior, coordenado pela Drª Else R. P. Vieira, professora na Queen Mary University de Londres.

O evento reuni há 4 anos escritores brasileiros residentes no exterior. Neste ano tive a honra de ser convidado e participar, expondo o meu trabalho como articulista.

Para minha apresentação, refleti sobre possíveis temas e assuntos que melhor representassem minha linha de abordagem escrita. Escolhi assim como tema: filosofia, sociedade e senso crítico. Como gênero escolhi: texto expositivo e resenha crítica.
O título escolhido foi: A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal.

O amigo Celsão, coincidentemente de passagem por Erlangen, pôde estar presente no último dia do evento, sábado 15 de outubro, dia de minha apresentação. Para quem ainda não leu, clique AQUI para acessar o inspirador artigo dele, que contém uma perfeita dosagem lírica, expondo suas impressões sobre o evento.

Para preparar minha apresentação, redigi um texto base, com o conteúdo que eu desejava expor. Segue abaixo o texto.

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O conteúdo, assim como a mensagem a ser transmitida, estão resumidos no título da apresentação.

O título “A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”, une algumas ideias, conceitos e compreensões que penso serem de enorme importância para a formação de pessoas mais humanas e cidadãs.
Na medida em que eu for desenvolvendo o raciocínio, explicarei o significado de cada parte do título, e como elas se encontram formando uma proposta mais ampla.

“A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”

No livro O Mundo de Sofia, a garota Sofia começa a receber cartas de um misterioso “professor”, onde lhes vão sendo apresentadas gradativamente reflexões, perguntas críticas, e um resumo básico da história da filosofia, as principais correntes filosóficas que já existiram e os principais filósofos na perspectiva do professor. O Mundo de Sofia visa despertar o pensamento crítico no leitor, além de fornecer a oportunidade de entrar em contato com as belezas da filosofia. Penso que O Mundo de Sofia deveria ser material obrigatório na formação do caráter de qualquer cidadão. (Leia também AQUI outro artigo onde menciono O Mundo de Sofia e traço comparações entre passagens filosóficas e a situação política do Brasil no começo de 2016)

A palavra “filosofia” (philos = aquele que ama e sophia = sabedoria), tem origem no grego. A junção das duas expressões philos + sophia gera a palavra filosofia, que significa “aquele que ama a sabedoria”.

Portanto, a influência da filosofia nesta apresentação está principalmente, mas não somente, presente no nome Sofia em meu título.

“A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”

Bruma é o mesmo que nevoeiro, ou cortina de neblina. Como na fábula do Rei Arthur e as sacerdotisas da Ilha de Avalon, as brumas de Avalon, são uma cortina de fumaça que não permitem as pessoas enxergar a ilha de Avalon, escondida atrás das brumas do lago.

As Brumas indicam no título, portanto, a cortina de fumaça, o nevoeiro, que impede que as pessoas enxerguem a realidade. São os fatores que obstruem nossa melhor compreensão do mundo ao nosso redor, e causam uma cegueira interior, uma cegueira para com nosso autoconhecimento. É a alienação, que nos impede de alcançar Sofia, a sabedoria.
Além dos fatores pessoais, como o ego, nossos medos, traumas, inveja, etc, a nossa alienação é fruto de sistemas educacionais degradados e abandonados; fruto da manipulação feita pela grande mídia deteriorada, bandida, antidemocrática e a serviço de uma minoria absoluta da sociedade, mas detentora de todo o Poder, a elite; e fruto da histórica e eterna manipulação da forma de pensar das sociedades através das igrejas, que inserem seus dogmas em detrimento da ciência.
Estes três fatores são os principais responsáveis por uma sociedade alienada e praticamente desprovida de senso crítico. Uma sociedade imersa nas Brumas, e incapaz de alcançar Sofia.

A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”

Baseado num artigo postado neste blog em junho de 2014, A Era das Opiniões reflete uma sociedade pouco crítica, pouco intelectualizada, e muito alienada, que de repente se depara com um amontoado de informações caóticas de fácil e rápido acesso. Esta sociedade então, tendo disponível muita oferta de informações, valoriza pouco as mesmas, seguindo a lei econômica da Oferta X Demanda. Esta mesma sociedade também é incapaz, devido ao seu baixo senso crítico e baixa carga de conhecimento, de distinguir em meio a tantas informações, quais são valiosas e quais não; quais lhes agregam valor e conhecimento, e quais só lhes confundem e alienam.

Para entender melhor este termo que envolve algumas reflexões, sugiro a leitura do artigo de junho de 2014, “A Era das opiniões: direitos e deveres”, clicando AQUI.

“A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal

Há um documentário que me marcou muito, feito pelo filósofo Roger Scruton, chamado “Why Beauty Matters?” (por que a beleza importa?). Em uma das brilhantes passagens neste documentário, Scruton afirma o seguinte: “…Em nossa cultura democrática, as pessoas frequentemente pensam ser desrespeitoso julgar o gosto ou a opinião de outros. Alguns se sentem até ofendidos com a sugestão de que existe “gosto bom” e “gosto ruim”…”
Clique AQUI para acessar minha resenha sobre este documentário, postado também neste blog.

Tomando a liberdade de abrir o leque do que foi proposto por Scruton, da mesma maneira que é sim possível e prudente definir certas coisas como “bom” ou “ruim”, é também prudente diferenciarmos em muitas situações ou temas, o “certo” do “errado”, o “feio” do “bonito”, o “bem do “mal”.

É claro que nem sempre existe certo e errado, ou feio e bonito, e há muitas questões que são subjetivas, ou até mesmo tão complexas que é possível haver diversos caminhos de pensamento possíveis. Mas temos que analisar cada situação, cada tema, individualmente, para sabermos onde é, ou não, possível definir verdades e certezas.
Usar o argumento clichê de que “não existem verdades, tudo na vida é relativo”, é um sinal de pobreza intelectual e argumentativa, onde busca-se generalizar tudo, negando o conhecimento e valores ético-morais. Isso é ruim para o debate, atrasando o avanço intelectual das sociedades. Com essas generalizações vem a negação à ciência.

Nesta mesma linha, sabendo-se da desvalorização que as opiniões sofreram nos dias de hoje, estando inclusas aqui informações de cunho metodológico e com propriedade; e sabendo-se que existe um senso comum que afirma não existir “certo ou errado”, chegamos a algumas máximas dos tempos atuais: “Respeite minha opinião, pois não existe opinião certa ou errada”. Ou, “todo mundo tem direito de emitir opinião”.

“Eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo”. Essa frase foi escrita por Evelyn Hall em seu livro biográfico sobre o filósofo francês Voltaire.
Portanto, a proposta não é a censura das opiniões alheias, muito pelo contrário, a liberdade de expressão é um dos bens mais preciosos que uma sociedade pode alcançar.

A proposta é alertar a sociedade sobre a importância de um pensamento coletivo crítico no sentido de que, liberdade vem atrelada a responsabilidades. Se a sociedade, o governo, as leis lhe dão liberdade para agir ou falar como bem entender, isso significa que você, à partir deste momento, tem que conhecer os seus limites, os limites do próximo, e ter noção de cidadania e convivialidade. Senão, alguém vai precisar intervir contra você para garantir a liberdade e os direitos dos outros. Afinal, você tem liberdade sim, mas o que acontece quando ela invade a liberdade de outra pessoa? Quem tem mais direito à liberdade, você ou o outro?

Isso se aplica não só às afirmações que nós fazemos na forma falada, mas também naquilo que escrevemos. Também devemos nos atentar às correntes de e-mail e whatsapp que reenviamos a nossos conhecidos, assim como os posts que curtimos e compartilhamos no facebook, twiter, instagram, pois ao reenviar, curtir ou compartilhar algo, estamos dando nosso atestado de concordância, ou ao menos dando fortes indícios de que achamos aquilo importante, interessante, engraçado, etc.

Lembremos que meu foco é no bombardeio de informações que diluem o conhecimento epistemológico no meio do mar de opiniões; também da incapacidade da sociedade de separar o joio do trigo.
Claro que é importante analisar a importância do ego na sociedade atual, a superficialidade não só das informações, mas também das relações como bem trata o pensador polonês Zygmunt Bauman (nossas vidas são líquidas), o fortalecimento da elite e sua capacidade de manutenção do status quo, a intensificação do sistema capitalista selvagem que suga todo o tempo do ser humano em seus afazeres diários, sobrando pouco tempo para assuntos infelizmente secundários, como a cultura, intelectualidade, a reflexão e crítica do mundo ao seu redor; e tantas outras questões deveriam ser levadas em conta para entendermos melhor a proposta aqui apresentada.

Conclusão:

Resumindo tudo que foi apresentado, pode-se dizer que:

  • Há uma oferta demasiada de informações, e utilizando a lei da procura, oferta alta gera desvalorização do produto, ou seja, as informações perdem valor.
  • A grande quantidade de informações disponíveis, faz com que aquelas estruturadas numa metodologia científica, sejam diluídas no mar de opiniões e pontos de vista subjetivos.
  • A falta de senso crítico presente na sociedade, devido ao péssimo sistema educacional, uma mídia e igrejas manipuladoras, geram não somente mais cidadãos falando “pelos cotovelos” e emitindo suas opiniões aos quatro cantos do mundo, mas também geram uma incapacidade destes cidadãos de separarem o joio do trigo (separar o que é opinião daquilo que é fato/ciência).
  • Clichês se tornam máxima na sociedade: “respeite minha opinião”, “não existe certo e errado”, “isso é questão de opinião”, “isso é questão de gosto”, “tudo depende”. Esses clichês empobrecem o debate e atrasam o avanço e desenvolvimento intelectual das sociedades, pois ignoram e desrespeitam as ciências, o conhecimento epistemológico, a intelectualidade.
  • Não devemos censurar opiniões ou reduzir o direito das pessoas de emitir julgamento e se expressarem. Mas entender a Era das Opiniões, compreendendo e reconhecendo os problemas seríssimos que esta traz para a sociedade atual, é importante para que possamos debater sobre tais questões e adquiramos consciência da importância de um aumento de nosso senso crítico, e para que entendamos os perigos e prejuízos que as nossas opiniões (e as opiniões daqueles ao nosso redor) emitidas sem consciência, podem causar à sociedade e ao próximo.

Portanto, a proposta do trabalho “A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal” foi trazer a ideia de que vivemos na “Era das Opiniões”, onde a liberdade de expressão e os meios de comunicação modernos (internet, redes sociais) permitem a qualquer pessoa emitir opinião sobre tudo, tendo ele conhecimento ou não sobre o assunto, o que banaliza a informação, e esta perde seu valor, seguindo a lei da oferta x procura.
Este bombardeio de informações chega a uma sociedade alienada e manipulada, incapaz de enxergar as verdades devido a sua cegueira (as brumas), e por isso impedida de atingir o verdadeiro conhecimento, ou a sabedoria (Sofia). Por consequência, esta sociedade tem uma profunda dificuldade de fazer julgamentos críticos e racionais, e não consegue diferenciar o bom do ruim, a verdade da mentira, a crença da ciência, e “o bem do mal”.

Na Era das Opiniões, a sabedoria fica encoberta por um nevoeiro, dificultando a distinção entre o bem e o mal.

por Miguelito filosófico

figura: foto da própria apresentação

trump-4No próximo dia oito de novembro, a maior força política mundial elegerá o seu próximo presidente.
Republicanos com seu Donald Trump batalham contra Democratas e a ex-primeira dama, Hillary Clinton. O primeiro representa o conservadorismo extremo, a direita liberal, aquele americano médio, individualista, que tem a vida ganha e não precisa se preocupar com o resto do mundo; a segunda pertence ao partido de centro, ou centro-esquerda (sob a ótica capitalista daquele país), é o liberalismo social e a aceitação das diferenças e das imperfeições da sociedade.

Num ambiente globalizado, a preocupação com o destino dos gringos é compreensível. Talvez válida.
E, num momento de crise local, muita gente acompanha o desenrolar da campanha presidencial americana temendo uma piora, ou amarrando-se nessa “piora anunciada”, caso ganhe esse ou aquele.
E não é que descobrimos divertidamente que as campanhas americanas são parecidas com as nossas? Muito ataque gratuito, muita estória distorcida ou realçada para macular os projetos do adversário, ou o próprio como pessoa; como se o alto cargo a ser exercido dependesse simplesmente desta única pessoa. E não de um colegiado de legisladores.
O lado direito mistura fatores relevantes como emails privados tratando de assuntos governamentais confidenciais, com pouco relevantes casos extra conjugais e culpabilidade questionável de Hillary nas promessas de campanha não-cumpridas por Obama. E o lado centro-esquerda usa declarações polêmicas de Trump sobre racismo, sexismo, terrorismo misturado a sonegação de impostos e frases soltas há anos atrás…

Por um lado, sabemos que o “ataque” nos Estados Unidos é mais facilitado pela estrutura dos partidos. Um candidato Democrata só precisa “desmerecer” o Republicano e vice-versa.
O que torna mais fácil uma campanha midiática contra um partido ou candidato.
Traçando um paralelo crítico com o Brasil, na última campanha para a prefeitura de São Paulo, PMDB, PT e PRB digladiaram-se e atacaram-se mutuamente, entregando a vitória em primeiro turno ao PSDB.
O que talvez pudesse ser feito, mais assertiva- e efetivamente, no caso da prefeitura daqui, é um ataque coordenado dos três aspirantes ao segundo turno ao líder das pesquisas. Isso desconsiderando a influência da mídia paulista, pendente ao tucano e o próprio tempo disponibilizado ao PSDB de acordo com as leis eleitorais vigentes.

Agora… Além do “susto” de perceber que eles lá se atacam tanto quanto nós aqui, ainda pior é perceber que a mídia está influenciando, ou pode estar influenciando, o resultado das eleições. Como acontece por aqui.
No Brasil, o medo da mídia é perder o poder “modelador” ou “influenciador” da população. Era (ou é) sofrer uma reforma midiática, fortalecer canais alternativos de informação. E permitir, no fim, que surjam seres pensantes e críticos.
Nos Estados Unidos, também existe influência midiática na população, principalmente voltada ao consumo. A economia e o domínio econômico exercido em todo o Globo dependem disso. A ameaça ao status quo é o extremo do lado direito, é este extremo que pode derrubar os “direitos” de manipular ou o modo com que fazem isso, por mais estranho que possa parecer.

manchetometro_trump_hillaryPor isso, enquanto vimos no Brasil um direcionamento de críticas à esquerda, ou ao PT, como representante mais proeminente; vemos nos Estados Unidos o ataque da mídia direcionado ao Trump. Para cada matéria vinculada negativamente ao Republicano, existe outra neutra ou mesmo positiva em relação ao outro lado da disputa.
Um exemplo sobre essa manipulação nos Estados Unidos, pode ser visto num vídeo aqui. Pra quem quiser, em alguns de nossos posts, destacamos o manchetômetro, falando sobre o modo como a mídia brasileira divulgou notícias sobre o PT em 2014 especificamente (aqui para o Jornal Nacional exclusivamente). A figura ao lado mostra algo semelhante, uma espécie de manchetômetro comparando os emails vazados da democrata, com as frases ditas por Trump.

Assusta isso?
Claro!
É possível evitar isso?
Não. Na minha opinião.
E é saudável condenar e lutar contra isso?
A resposta “humana” é: depende do lado que se está. 🙂

Sou extremamente contra o republicano Trump.
Não gosto do jeito com que ele endereça os problemas existentes de terrorismo, desemprego e saúde pública precária correlacionando quase sempre com grave preconceito contra latinos, negros, muçulmanos e mulheres.
Acho ele um “Bolsonaro” com dinheiro e assustador apoio popular.
E as vezes, devo admitir, eu torço por ele. Torço para que ele ganhe e os americanos percebam o quão nocivo para si próprio é o conservadorismo… A torcida “passa” quando penso na influência que uma vitória de Trump teria aqui e em outras partes menos favorecidas do mundo.
Concluindo: eu também influenciaria beneficiando Hillary se eu pudesse (na realidade, minha preferência inicial era o ex-senador Bernie Sanders, um pouco mais a esquerda que Hillary). E me peguei pensando: é justo criticar a imprensa quando o “meu lado” é desfavorecido, não seria justo criticar também a “main stream media” no caso deste lado ser extremamente beneficiado?

Enfim… vale a pena assistir o vídeo e a análise do que é veiculado nele (link novamente aqui).

por Celsão correto

figuras retiradas daqui e do vídeo citado aqui.

P.S.: para quem quiser ler uma publicação nossa sobre a manipulação da mídia, sobretudo nas eleições brasileiras de 2014, segue link aqui, falando sobre o modo como o Jornal Nacional entrevistou os candidatos à presidência naquele ano.

doriaEleições municipais concluídas em São Paulo.
Vitória massacrante, em primeiro turno, da nova estrela da direita, ou centro-direita-anti-PT: João Dória Jr.
O candidato teve pouco mais que 53% dos votos válidos! Desbancando não só o ex-prefeito Haddad, como também o “herói do povo”, Celso Russomano e duas ex-prefeitas: Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Tenho algumas considerações a fazer, ou opiniões a compartilhar, do meu modo “pirata” pra variar. Como estamos no Opiniões em Sintonia Pirata, nada mais natural.

Decepção em relação ao PT e aos outros candidatos? Pode ser.
Falta de opção? Também uma resposta possível.
Afinal, Haddad carregava a estrela do PT, massacrada pela mídia, mesmo evoluindo a cidade com projetos interessantes, como as discussões sobre o zoneamento da cidade (exposto aqui); Marta tinha alta taxa de rejeição, por estórias como Ministra do Turismo, de ex-prefeita, de política polêmica que pensa pouco; e Russomano é aquela incógnita apoiada por evangélicos e radicais conservadores, que sempre começa bem por ser conhecido na mídia antes da campanha da TV…

Pra começar, sabiam que existe um estudo que correlaciona o dinheiro investido, o tempo na TV e o número de votos?
E, nem é tão surpresa assim se pensarmos um pouco, a relação é direta: mais tempo de exposição, maior votação. Aquela velha frase de avó: “quem é visto, é lembrado”.
O estudo está aqui, em PDF. É extenso, mas interessante. Os autores, Bruno Speck e Emerson Cervi, analisam as eleições para prefeito em 2012.
Copio abaixo um trecho da conclusão:

Nos maiores municípios a diferença [do desempenho eleitoral] é ainda maior, com quase nenhuma importância da “memória eleitoral”. O que importa nessas disputas são as condições mais imediatas dos candidatos: estarem em partidos ou coligações com força/tempo de horário eleitoral e conseguirem maior participação no montante de recursos destinados às finanças de campanha.

Ou seja, aquilo que o governador Geraldo Alckmin, padrinho político do nosso Dória, fez ao negociar uma secretaria com o PP em busca de tempo de horário eleitoral e exposição na TV, valeu muito a pena.
Expulsar uma professora da secretaria do Meio Ambiente fez com que a coligação de João Dória obtivesse um aumento de 25% para o seu sorriso.
Pra quem não leu, a manobra foi tão suspeita que o Ministério Público pediu a cassação da candidatura do peessedebista por desvio de finalidade (aqui e aqui)

Um outro contraponto à “acachapante” vitória de Dória (colei do UOL a rima) é a quantidade de abstenções. Quer seja por falta simples, 21,84% do total, quer seja pela quantidade de nulos (11,35% dos votantes) e brancos (5,3%), somando mais de um milhão, cento e cinquenta mil eleitores, negando todos os candidatos, em análise simples.
Só 65,15% dos eleitores votaram em algum candidato. E os 53% de Dória tornam-se apenas 34,72%…
É relevante? Eu diria que sim, uma vez que o voto é obrigatório em nosso país. Dá pra dizer, de forma distorcida, mas verdadeira, que 65% das pessoas não votaram em João Dória!
(os resultados podem ser obtidos do site do TRE – aqui. Aproveito para colar o link direto para as abstenções e para a votação)

Agora o que julgo ser mais grave: o governo Alckmin beneficiou empresas do “amigo” e afilhado João Dória Jr. em seu governo.
Foram anúncios nas revistas de Dória e eventos patrocinados pelo banco de fomento Desenvolve SP. Os “investimentos” somam R$4,5 milhões entre 2010 e 2015, período em que ambos se tornaram mais próximos.
E não é só nos governos do PSDB, o Grupo Doria usufruiu do “jeito petista de administrar”, de Lula a Dilma. Mesmo apartidário e apolítico, foi patrocinado pela Petrobrás e recebeu repasse dos Correios.
A fonte não é o pragmatismo político ou o Tico Santa Cruz, é a Folha de São Paulo (aqui).

Pra concluir, espero que nosso amigo “dazelite” cale minha boca, e realmente administre como um CEO.
Alguns amigos defendem a teoria de que uma cidade é como uma empresa. Sub-prefeitos são conselheiros, vereadores são diretores, secretários acionistas (não necessariamente nessa ordem). Dória pode provar que, racionalmente, há saída lucrativa (ou não-negativa) para uma cidade como São Paulo, terceiro orçamento da Nação.
Por falar em orçamento, se realmente acabar com a indústria da multa do Haddad, saída do petista para aumentar a arrecadação e diminuir a dívida municipal, já fará muito!
Sou contra as privatizações. Vejo o charmoso estádio do Pacaembu e seu clube tornarem-se prédios de alto padrão; e o mesmo pode acontecer com o Anhembi e o Autódromo de Interlagos… Esse último, inviabiliza de vez o GP Brasil de F1 no país, um dos eventos que mais atrai turistas para a cidade, após inúmeras adequações e reformas feitas em outros mandatos…

Quem viver verá!

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: sou contra o “esquema” de aumento de arrecadação através de multas aplicadas por guardas que deveriam ter outras funções, por armadilhas montadas nas ruas, por tocaias nos viadutos. Mas entendo o desespero de quem tinha uma grande dívida e pensava em fazer algo para a cidade…

P.S.2: atualizei o link do estudo sobre dinheiro e tempo em TV na campanha para prefeito de São Paulo em 02/11/2016. E coloco aqui outro link para download, passível de cadastramento no site, caso o anterior também mude ou “desapareça”.
Outra leitura que vale a pena, resenha feita por Gabriela Siqueira, da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre o tema, citando múltiplos estudos e textos está aqui

Post_9mesesNove meses. Reta final.
Dessa vez não é um bebê que vem ao mundo, mas uma presidente eleita que deve ser permanentemente afastada, sofrerá o quase certo impeachment.

Hoje pensei em exercitar a memória e me perguntar o que aconteceu no período.

Primeiro o processo foi iniciado pelo então (e provavelmente futuro) presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, exercendo o poder a ele concedido.
O senhor Cunha não precisa de apresentações. Procrastina o próprio processo de cassação há um bom tempo e articulou sabiamente até aqui para que o mesmo acabe em pizza.
Se alguém não mais acompanha, o atual presidente, Rodrigo Maia, marcou para 12 de Setembro a seção de votação do processo de cassação de Cunha. A data é propositalmente uma segunda-feira, historicamente sem grande movimento na casa, e o mais próximo possível da data das eleições municipais deste ano. Sem quórum, sem cassação.
Sem contar que ocorrerá depois da definição sobre Dilma, aumentando as chances do perdão ao peemedebista.
Além disso, não esqueçamos, que o pedido de impeachment de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal é de Setembro de 2015! Mais precisamente, 01/09/2015. E só foi aceito pelo ilustríssimo Eduardo Cunha em Dezembro (!) após a bancada do PT votar a favor da cassação de Cunha no Conselho de Ética.
Ou seja, tudo começou por birra e pelo fato de deputados do PT buscarem algo de ética no legislativo!
(referências aqui sobre o pedido de impeachment e aqui sobre o início do processo)

Depois vieram as reuniões e promessas da oposição (não querendo simplificar nem classificar aqui como direita).
Foi um período de discussões ácidas e acusações mútuas em redes sociais. Julgamentos. Dicotomia. Ou se era coxinha, ou petralha. Um lado precisava ser escolhido, como o sexo com que se nasce…
Foi o período também que as palavras golpe e democracia foram usadas pelos “dois lados” com interpretações e maquinações diversas.
Destaco que o lado coxinha, “apelou” de modo confuso e unilateral para o fim da corrupção, para a retomada do crescimento, da confiança dos empresários, do fim da crise.
O lado petralha acusava a oposição de fazer (e haver feito) o mesmo “crime”, das tais pedaladas fiscais.
Escrevemos sobre isso algumas vezes, destaco uma interpretação de americanos que estudam o Brasil e os chamados “golpes suaves”, aqui.

E, complementando, o período também foi de Lava Jato. De furor, de heroísmo do poder Judiciário, que vivia uma ganância por aparecer. Uma “ambição de vitrine” no ícone Sérgio Moro.
Este personagem dantesco, vivia um período de absolutismo. Deteu, coagiu, forçou delações premiadas. Aqui, o interessante foram as críticas de juristas e juízes aos seus métodos. E a comparação à uma operação semelhante ocorrida na Itália.
Naquele país, o juiz que condenou políticos e empresários, entrou para a política.
Aqui, o nosso herói deixava escapar sorrisos ao ser aclamado nas ruas e ao receber convites para filiações partidárias.
Os crimes também foram relativizados. Uma escuta clandestina pôde valer para um, mas não para outro. Uma acusação em delação, idem. A mídia execrou quem ela quis, apoiando a oposição e direcionando o brasileiro mediano a aceitar os caminhos que estavam em curso…
Um exemplo do que ocorreu, quando Jucá assume em gravação que participou da manipulação para o impeachment, pode ser lido aqui. Um exemplo dos contrapontos jurídicos do herói Moro pode ser lido aqui.

Temer assume.
Glória a Deus nas alturas! Nesse caso quase que literalmente, pois nosso interino se declarou católico e simpatizante dos evangélicos nas redes sociais. Além disso, fez aparecer que sua esposa, apesar de muito mais nova que ele, era “bela, recatada e do lar”. Segundo uma tal revista, apoiadora de todo o movimento (aqui).
A imagem estava em plena construção.

Ministros nomeados. Patética demonstração de rabo preso e desconstrução do passado recente.
Se toda a mudança é positiva, não é tudo o que se precisa mudar…
Muitos condenados na lista, nenhuma minoria: negro, mulher. Cortes de pastas em setores “pouco importantes”, como a Cultura (totalmente desinteressante quando se quer manipular) e a reforma agrária (afinal, quem quer terra é pobre aproveitador. Um pobre correto busca outro trabalho!)
A confusão se instaura quando muitas das decisões são revogadas e ministros afastados (como o próprio Jucá, citado em link acima). Nós publicamos a nossa análise do ministério, vindo de outra fonte, aqui.

E agora estamos aqui.
A Operação Lava-Jato, ícone para muitos do “combate à corrupção” caminha a passos de tartaruga. Como que se já tivesse cumprido a função pré-determinada…
A tal redução de gastos virou chacota. Um dos maiores aumentos de salários do STF e poder judiciário está em curso. Aumento, lembremos, vetado por Dilma no ano passado e adiado por Meirelles no momento da posse (para não correr o risco de causar problemas e revoltas no princípio da “retomada”).
Tal aumento, certamente desencadeará outros tantos. Pois os outros poderes terão prerrogativas de equiparação.
E o rombo, que seria de R$139 bilhões, pode passar facilmente dos 200!
E, ao meu ver, isso não preocupa o presidente interino, nem a sua equipe. Parodiando Ciro Gomes: “Cobrar austeridade de Temer é esperar maracujá em pé de maçã” (aqui)

Ainda espero a mágica do fim da corrupção, do fim da crise, do crescimento industrial, do Brasil rico!
Pois a mágica do Brasil igualitário, essa está cada dia mais distante…
Enquanto esperamos, vemos coisas como o plano de demissões voluntárias da Embraer. Numa economia em plena recuperação…

por Celsão revoltado

figura: composição entre figuras retiradas daqui e daqui

 

Baghdad

Peço a atenção de vocês para este desabafo longo. Penso ser de vital importância, e por isso convido nossos leitores a lê-lo até o fim.

Todos vocês já notaram, pelo menos superficialmente, como funciona propaganda e marketing em cadeia na internet, não é mesmo?

Por exemplo, você abre um site como Amazon, ou Mercado Livre, e olha computadores. Quando você abre o Facebook, tem propaganda de computador na lateral do Face sendo anunciado para você.
Essas empresas, como Amazon, Ebay, Mercado Livre, e qualquer outra de venda online, pagam ao Facebook para que os produtos deles sejam mostrados para os usuários, e claro, com uma inteligência de rastreamento ferrada, que direciona os produtos certos para as pessoas certas.

O mesmo acontece quando você abre o youtube, ou outros diversos sites da internet. Através de um Data Mining eficiente, a maioria dos sites podem te rastrear, analisam seu perfil e fazem chegar até você EXATAMENTE aquilo que você QUER !

Não é crítica, nem elogio. Tampouco é uma análise ideológica, ou de opinião. Estou relatando um fato concreto, matemática e inteligência digital sendo usada para fins de marketing e propaganda, consumo.

Da mesma forma, se você tem um blog ou um site, você pode pagar ao Facebook, ao google, etc, para que seus posts, artigos, fotos, etc, sejam “divulgados” como prioridade. Por exemplo, um blog que não paga pelo serviço, é difícil ser encontrado no google. Este é o caso do meu blog, Opiniões em Sintonia Pirata. Você pode digitar no google várias palavras-chave de algum artigo do meu blog, e com muita sorte, o artigo aparecerá na 4°, 5° página.
Diversos outros artigos, de outros sites, que nem possuem todas aquelas palavras-chave no texto, aparecerão antes do meu artigo, o qual você procura. Isso acontece, principalmente, por eles pagarem o serviço, e assim, o google empurra o site deles na frente da lista.

No Facebook eu posso pagar para aumentar o “alcance” dos meus posts do blog, ou até posts pessoais (nunca o fiz, pois meu blog não tem fins lucrativos, pelo contrário, temos uma despesa de 99 dólares por ano, num perfil “TOP”, que nos permite, basicamente, bloquear anúncios em nossa página, e não ganhamos 1 centavo – só fazemos isso, pois eu e Celsão temos a utopia e esperança de estarmos ajudando a sociedade).
Se eu pagar, o Facebook usará ferramentas inteligentes para que mais pessoas, com interesses parecidos, ou com amigos em comum, ou que curtam as mesmas páginas que eu, ou ou ou, tenham contato com o meu post. De repente, o meu blog começará a aparecer ao lado direito do Facebook alheio, ou o Facebook te sugerirá curtir meu artigo, ou minha página, mesmo você não sendo meu amigo no Face.
Isso se chama “impulsionar”.

Por que estou falando tudo isso?

Bom, na época do atentado em Paris, escrevi uma crítica bem diplomática, onde eu explicava porque as pessoas se comovem, mudam fotos, colocam as cores da bandeira, quando uma tragédia ocorre na França, na Alemanha, na Bélgica, nos EUA, etc…. mas quando a tragédia é na Síria, Iraque, Bangladesh, Nigéria, Venezuela, Afeganistão, etc, ou a pessoa nem fica sabendo, ou, se fica sabendo no máximo diz “nossa, que absurdo, que triste”, e no dia seguinte já esqueceu.

Na época expliquei que, a culpa direta não é do cidadão comum, apesar do cidadão comum também ter sua parcela de culpa indireta (explico no fim do texto). Mas o principal culpado para essa indignação e tristeza seletiva é a alienação, e a manipulação exercida por aqueles que detêm os meios de comunicação, e os usam em interesse próprio.

Explicando melhor.
Assim como quando alguém quer anunciar um produto, ele paga por isso, faz seu marketing, as notícias também precisam de financiamento. Quando terroristas islâmicos invadem um jornal francês e matam quase todos da redação, há centenas de diferentes interesses por trás de tal tragédia, por exemplo:
1) países poderosos e imperialistas veem neste episódio a oportunidade de conseguir comoção popular e assim, enfim, legitimar uma possível invasão militar em algum país de onde, “teoricamente”, vêm os terroristas.
2) Um atentado no metrô de Londres pode ser usado pelos grandes jornais do mundo ocidental para conseguir muito IBOPE. Ao encherem os noticiários com aquelas notícias, cobertura ao vivo, etc, lucrarão ainda mais com as propagandas.
3) Fabricantes de armas podem patrocinar a divulgação intensa de certo atentado, para que as pessoas se sintam inseguras, e comprem armas. E claro, no caso de uma invasão militar (item 1), eles irão vender mundos de armas – dinheiro fácil.
4) Políticos com popularidade baixa podem usar tais tragédias para criar um sentimento de “comoção nacional”, o que gera UNIÃO. O resultado desta união é o desvio do foco, fazendo a população esquecer a insatisfação para com o governo. Isso pode até aumentar sua popularidade.

Eu poderia citar muitos outros exemplos aqui, dos interesses que estão envolvidos por trás de tais episódios.
Outro ponto importantíssimo é que estes políticos, fabricantes de armas, meios de comunicação, empresas, etc, podem eles mesmos, armar, organizar e/ou financiar um atentado terrorista, para atingirem seus objetivos. Neste caso, eles podem fazer um acordo com algum grupo radical terrorista, e facilitar e organizar o atentado; como também podem eles mesmos praticarem o atentado com as próprias mãos, e depois adulterarem as provas e manipularem as informações, fazendo parecer que o atentado foi causado por um grupo de terroristas (por exemplo, islâmico). Isso já deixou de ser teoria da conspiração, afinal documentos do Wikileaks e da NSA mostram que essa prática é real, e corriqueira.

Onde quero chegar?

Se você não muda sua foto de Facebook para as cores da bandeira de Bangladesh. Tampouco escreve diariamente sua revolta para com os ataques à Síria. Nem traz para suas discussões em mesas de bar a guerra do Iraque, que perdura até hoje, justificada por presença de armas químicas, e posteriormente gerando um pedido de desculpas do próprio G. W. Bush dizendo que se enganou e que no Iraque não haviam armas químicas. Se você nunca parou para refletir por que a produção de drogas no Afeganistão quase triplicou desde que os EUA, França e Inglaterra invadiram aquele país, e por que eles até hoje não conseguiram implantar um sistema democrático e gerar paz, nem no Iraque, nem no Afeganistão, nem entre Israel e Palestina, nem, nem nem…..

Nunca parou para refletir que, nos últimos 50 anos, todas as guerras que ocidente iniciou na África e Ásia, sempre com o pretexto de levar “democracia” e “paz” para aqueles países, NUNCA geraram paz, nem democracia naqueles países, mas somente mais dor, mais pobreza, mais caos! (dê-me um exemplo como exceção, eu não conheço.)
Se você sequer toma conhecimento das quantas vezes por semana, grupos terroristas, lutas entre grupos de guerrilha, guerras e massacres (quase sempre financiados por empresas e governos das potências ocidentais), ataques de potências mundiais, geram centenas de mortes semanalmente em países da África, Ásia e América do Sul.

Se você pensa no máximo uma vez por mês, quiçá uma vez por semana, nos milhões de refugiados de guerra, que chegam em condições precárias na Europa, buscando fugir do inferno de suas vidas em seus países. Morrem nas fronteiras, por frio e por fome. Morrem afogados em naufrágios na tentativa de cruzar o mar. E quando alojados, vivem com uma esmola de ajuda de custo, e em muitos países, vivem somente com a ajuda de ONGs e doações.
E se, quando pensa nestes refugiados, logo diz “mas eles tem que resolver o problema nos países deles, Alemanha, Inglaterra, Holanda, França, EUA, não têm nada a ver com isso. A Europa não é OBRIGADA a aceitar essa imigração desenfreada. A Europa conquistou sua estabilidade, eles que conquistem a deles”.

Isso tudo não é culpa direta sua. A culpa disso é do SISTEMA.
O Sistema não se interessa em gerar uma comoção e revolta sua, quando o problema é num país pobre, pouco conhecido, e principalmente, quando este país tem uma política de resistência a este mesmo sistema ocidental. Por isso, os jornais e revistas não dão a devida cobertura. Por isso, o Facebook não disponibiliza aplicativos para você mudar a cor da foto. Por isso, ao procurar no google, os melhores artigos sobre tais fatos não serão listados no topo da lista. Por isso, seus amigos falarão pouco disso, o que gera pouca reação em cadeia, e tal notícia chegará de forma superficial e rala até você, se chegar.
Quem manda na informação e quem detêm o poder do Capital, não está interessado em “Impulsionar” tais verdades.

Tudo isso é assim, pois há motivos e interesses MUITO CLAROS por trás, interesses que determinam o que deve nos revoltar, e o que deve ser esquecido por nós. Determinam o que devemos ter conhecimento, e o que não deve chegar até nós.
E assim, manipulam o nosso saber, e nos fazem pensar exatamente da maneira que ELES querem que pensemos.

E por que temos culpa indireta?
Ora, pois somos seres pensantes. Se você tiver interesse, se você resolver conscientemente ativar o pininho do “humanismo”, da “ética”, da “solidariedade”, do “não-comodismo”, do “pensamento crítico”, da “sensibilidade generalizada”, do “auto-combate” contra o próprio orgulho, da “predisposição para construir novos valores” e “rever opiniões e formas de pensar”, dentro de você, e escolher por ABRIR SEUS OLHOS, você deixará de ser tão facilmente manipulado, e terá mais chances de entender o mundo, e fazer sua pequena parte para que este planeta se torne um lugar melhor no futuro, para nossos filhos, netos, bisnetos, etc…..

Mas enquanto você aceitar passivo que “ah, é assim, não posso mudar nada”, ou disser “ah, não é culpa minha, pelo menos demonstro minha tristeza e revolta com as mortes na França”; você estará abastecendo esse marketing predatório, imperialista, escravagista, que faz com que as riquezas do mundo, que são muitas, sejam concentradas nas mãos de menos de 0,001% da população do mundo, e que mais de 50% do mundo passe fome, ou viva em áreas de guerra.

E sim, junto com nossa falta de interesse, vem a questão do TEMPO. Sempre dizemos que “poxa, até entendo isso que você está dizendo, mas não tenho tempo de me informar a esse ponto”.
Eu digo: No mundo atual, globalizado e digital, ninguém tem tempo! Ninguém. Mas tempo a gente não tem, tempo a gente ARRUMA! Basta definir prioridades em sua vida, e bingo, achou tempo.

Obviamente, a falta de tempo é também um dos mecanismos do sistema para que não nos informemos, não nos preocupemos, não nos interessemos. Te sugam com cargas diárias de trabalho de 8 a 12 horas. Depois temos que malhar, fazer esporte, fazer compras, arrumar o equipamento estragado, visitar o amigo, cuidar da família, cozinhar, pagar impostos, resolver burocracias idiotas, pesquisar não sei o que na internet, programar as próximas férias, etc…. e nunca sobra tempo para pensar nas barbaridades do mundo.
A falta de tempo é uma das estratégias do opressor, para nos alienar. Simples assim!
Então, arrume tempo. Se interesse.
Sem sua participação, o mundo não vai melhorar, pelo contrário.

Sim, sinta-se mal, pois suas mãos estão sujas deste sangue.

* Aqui, um vídeo crítico sobre o ataque em Baghdad, e a ausência de solidariedade e revolta mundo afora com relação ao ocorrido. 
* E Aqui, um experimento muito bacana e didático, mostrando a força da publicidade e do dinheiro nas redes sociais. 

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio vídeo do youtube

 

Neste último sábado, 02 de julho de 2016, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, deu uma entrevista ao vivo para o jornal televisionado Upfront, da Al Jazeera.
Para assistir à entrevista com legenda em português, clique Aqui
Ou sem legenda, no próprio site da Al Jazeera (Aqui)

É inegável que FHC é um dos políticos mais importantes da história do Brasil, bastando para isso o fato de ter sido presidente por 8 anos. A partir do Plano Real, Fernando Henrique começou a fazer jogadas políticas, no mínimo, de cunho desleal, para chegar até o poder: a começar com o próprio Plano Real, onde FHC se auto-intitulou de “pai do Real”, como forma de chegar à Presidência.

Um homem que em meio a alguns acertos políticos e econômicos importantíssimos durante seu governo, carregará o legado das privatizações criminosas e da entrega de nossos recursos para o capital estrangeiro. Carregará o peso do trabalho tímido feito nas áreas humanas e sociais. Carregará o aumento da dívida pública, da dívida externa e da dívida com o FMI. Carregará escândalos, documentos revelados por Snowden e Wikileaks, que mostram que seu governo tinha um “pacto de sangue” com os EUA, e os interesses yankees eram priorizados, muitas vezes inclusive em detrimento dos interesses da própria Nação Brasileira e de seu povo. Portanto, ele carregará a mancha de ter feito um governo anti-soberano e anti-nacionalista.

FHC_AlJazeera

Entrevista

Dos méritos de FHC:
Ele apresenta um bom inglês, com bom vocabulário e bastante fluência (nada novo para mim, que já assisti a outras entrevistas dele em inglês).
O que mais me admira é a coragem de colocar a cara a tapa em um programa da Al Jazeera, mídia extremamente competente e profissional, de orientação de esquerda, e principalmente, anti-imperialismo ocidental (EUA/Europa), ou seja, uma empresa de mídia com ideologias bastante contrárias às de FHC.

Dos pecados de FHC:
Com mais de 80 anos, ao invés de caminhar para um final de vida maduro, brando, pacífico, transmitindo sabedoria e formando opiniões harmoniosas como um sábio idoso formador de opinião, prefere ele intensificar a hipocrisia e o cinismo, defendendo seus próprios interesses pessoais ao invés de pensar no futuro da sociedade brasileira. É incapaz de responder a algumas perguntas, e as evita, por vezes, por mais de 5 vezes, mesmo com a insistência do moderador. Uma máscara de falsidade, cara-de-pau, que eu, do fundo do meu coração, preferiria não assistir sendo vestida por um senhor como ele, que acumula anos de intensa história política e de experiências pessoais, certamente, riquíssimas.
Eu lamento termos que presenciar tais cenas.

Como seria aliviador, ver o Sr. Cardoso sendo sincero, e falando de forma serena, firme, ética, sem interesses pessoais, transmitindo uma sabedoria pura, e servindo de inspiração intelectual e moral para nosso povo.

Já sem expectativas políticas, devido a sua idade já avançada para tal, poderia praticar nos anos que lhe restam, atos e discursos valiosos para elucidar e desobscurecer a mente desta sociedade tomada pela alienação, fanatismo e ódio.

Eu lamento vê-lo gaguejando para defender monstros como Michel Temer, Eduardo Cunha, entre outros, e se manter firme na acusação retórica, cínica e hipócrita contra uma mulher de ética inabalável, que é a Dilma.
Do fundo do meu coração, é tanto desalento, que a vontade é de chorar.

* Para interessados, eu aconselha acompanhar o trabalho da mídia Al Jazeera. Extremamente profissionais, com corpo de colaboradores competente e com foco na informação e na criação de um pensamento crítico dos ouvintes/espectadores, numa batalha contra o senso comum. Possuem um posicionamento corajoso e rígido contra as atrocidades que as potências ocidentais praticam mundo afora, atrocidades essas omitidas ou amortecidas por todas as grandes mídias do mundo.

por Miguelito Nervoltado

figura retirada do próprio vídeo

Como nos últimos tempos todos nós brasileiros nos concentramos em demasia na questão do Impeachment da Presidente Dilma, acabamos dando pouca atenção a outras questões que correm em paralelo.

Resolvi dar minha contribuição para que o leitor possa se atualizar, tomando conhecimento de algumas notícias e fatos bizarros ocorridos nas semanas que antecederam ao Impeachment; ações de nosso Vice-Presidente (Michel Temer – hoje Presidente), do Presidente da Câmara (Eduardo Cunha – recentemente “temporariamente” afastado de seu mandato como deputado por decisão do STF), e do nosso Congresso Nacional (a voz do “povo”).
Vejam as últimas manchetes sobre estes, que buscam derrubar a Presidente Dilma Rousseff com a promessa de fazerem uma “limpeza ética” na política brasileira, e realizarem um Governo para o “povo”.

Obs: ressalto que essas notícias ocorreram antes da votação do impeachment pelo Senado. Pretendo fazer um post na mesma linha, ressaltando as notícias do pós-impeachment no Senado.

Senado_Composicao

  • GLOBO

O Globo, 19.04.2016
Cunha diz que não votará qualquer projeto enviado pelo Governo Dilma, a não ser que seja para “derrubar”
AQUI

O Globo, 26.04.2016
Temer promete aos ruralistas (Agronegócio) revisar desapropriações e demarcações
AQUI

O Globo, 26.04.2016
Eduardo Cunha foi derrotado na discussão sobre criação da Comissão da Mulher, que deveria ser adiada. Mas forçando nova votação, aprovou a criação do Colegiado
AQUI

Globo, 26.04.2016
Fernando Collor vai a Temer propor programa contra Crise
AQUI

Globo, 27.04.2016
Dilma vetou no passado, mas Câmara acelera votação do reajuste do judiciário
AQUI

O Globo, 29.04.2016
Após reprovar filha de Eduardo Cunha em exame de condução (Exame Nacional de Trânsito), em 2008, funcionário do Detran é acusado de extorsão e é suspenso. O mesmo tenta anular até hoje a punição dada em 2009
AQUI

O Globo, 29.04.2016
Documento de Temer prevê privatização de “tudo o que for possível”
AQUI

  • FOLHA

Folha, 08.04.2016
Cunha quer colocar parentes de Deputados no plenário durante votação do Impeachment, e ainda pretende evitar a presença de manifestantes
AQUI

Folha, 27.04.2016
Temer abre espaço na agenda para receber benção de Silas Malafaia
AQUI

Folha, 02.05.2016
Temer sonda Bispo da Igreja Universal para ser Ministro da Ciência e Tecnologia. (Nada melhor que alguém com a agenda mais retrógrada, conservadora e anti-científica, que trabalha com a mistificação, o obscurantismo e o charlatanismo para administrar toda a pesquisa científica do país)
AQUI

Folha de São Paulo, 02.05.2016
Bispo licenciado da Igreja Universal é cotado para o Ministério da Ciência e Tecnologia
AQUI

Folha, 02.05.2016
Em vídeo com Marco Feliciano, Michel Temer pede orações e prega “pacificação”
AQUI

Folha, 12.05.2016
Ministério de Temer deve ser o primeiro sem mulheres desde Geisel
AQUI

  • ESTADÃO

Estadão, 15.04.2016
Delator aponta propina de 56 milhões a Eduardo Cunha
AQUI

Estadão, 28.04.2016
Sem alarde, comissão do Senado aprovou PEC que derruba a legislação ambiental para licenciamento de obras públicas
AQUI

  • BRASIL 247

Brasil247, 12.04.2016
Roberto Jefferson pede a Temer linha dura com movimentos sociais
AQUI

Brasil247, 27.04.2016
Ministério Público do Maranhão pede prisão de até 29 para Roseana Sarney. Temer quer Roseana como Ministra da Educação
AQUI

Brasil247, 29.04.2016
Globo defende “reformas e ajustes” anunciados por Temer
AQUI

Brasil247, 01.05.2016
Base aliada de Temer é a mais Ficha Suja da história
AQUI

  • UOL

Uol, 25.04.2016
Bancada da Bala (armamentistas), Bíblia (evangélicos) e Boi (ruralista), que foram essenciais na votação do Impeachment, já começam a pressionar Temer
AQUI

Uol, 30.04.2016
Juíza proíbe estudantes da UFMG de discutir Impeachment de Dilma
AQUI

Uol, 03.05.2016
Câmara aprova caráter de urgência no reajuste salarial dos Ministros do STF e servidores do MPU
AQUI

  • OUTROS

O povo, 25.04.2016
Serra deve assumir Ministério da Educação em governo Temer
AQUI
(@ acabou assumindo o Ministério das Relações Exteriores, ainda mais apropriado, para um cidadão de lema: PRIVATIZAÇÃO)

Exame, 26.04.2016
Grupo de Temer quer cortes na saúde e educação
AQUI

Infomoney, 26.04.2016
Moro é eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time
AQUI

Infomoney, 27.04.2016
Ruralista, deputado Marcos Montes, vai propor a Temer mudar a Constituição para que Exército possa atuar com MST
AQUI

Pátria Latina, 27.04.2016
Temer diz que pedido de eleições diretas no caso de afastamento de Dilma é tentativa de Golpe
AQUI

Exame, 27.04.2016
Proposta de Emenda Constitucional, já apelidada de PEC anti-Lula, prevê proibição de candidatura a quem não tiver curso superior
AQUI

Revista Fórum, 28.04.2016
Em discurso contra a criação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, deputado afirma que mulheres “de verdade” não querem ser empoderadas, mas sim cuidadas. Ele ainda afirmou que feministas são mal amadas
AQUI

Expressão Sergipana, 28.04.2016
Projeto do deputado Laércio Oliveira proíbe que tempo no banheiro seja computado como horário de trabalho
AQUI

  • O que parece PIADA, mas não é

Globo, 09.05.2016
Waldir Maranhão, presidente em exercício da Câmara dos deputados federais, anula a votação do impeachment.
AQUI

Folha, 10.05.2016
Eis que misteriosamente, poucas horas mais tarde:
Waldir Maranhão revoga a anulação da sessão do impeachment
AQUI

  • Bônus: Quem tem CUNHA, tem medo – Old but gold

Temer-e-Cunha
Folha, 20.08.2015
Cunha recebeu propina por meio da Assembleia de Deus, acusa a Procuradoria Geral da República
AQUI

Pragmatismo Político, 09.10.2015
Jarbas Vasconcelos, fundador do PMDB, chama Cunha de “doente” e “psicopata”.
AQUI

Último Segundo,  04.11.2015
Bancada evangélica aprova PEC que dá à Igreja poder de questionar Supremo
AQUI

Estadão, 30.11.2015
Justiça Suíça multa Cunha por tentar criar obstáculos a investigação sobre contas
AQUI

por Miguelito Nervoltado

Imagens retiradas do Facebook e daqui, respectivamente

Impeachment

Nada tenho escrito, tamanha minha frustração e espanto com a sociedade brasileira. Parece-me em vão escrever para “analfabetos funcionais”.

Mas vou falar um pouco da mídia do país onde vivo, Alemanha.
A maior revista alemã, Spiegel, mais centro que esquerda, chama o processo do impeachment contra Dilma Rousseff de “Revolução dos hipócritas”.

Já no primeiro parágrafo eles dizem: “O Congresso brasileiro mostra sua verdadeira face. A maioria dos parlamentares não somente escolheram pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Estes parlamentares vem trazendo, através de artifícios no mínimo questionáveis, o Brasil a uma guinada para a direita”.

Lembrando que, quando um alemão fala de direita, ele não está a falar de capitalismo, EUA, etc…. ele está a falar de fascismo e nazismo.

A revista ainda lembra que a maioria daqueles que votaram a favor do impeachment, usando a palavra ética e combate à corrupção, são eles próprios políticos investigados por corrupção, enquanto contra Dilma, sendo afastada do cargo, nunca houve qualquer processo investigativo por corrupção!!!

Li nos últimos dias artigos alemães, espanhóis, portugueses (Portugal), e ingleses (EUA e Inglaterra), sempre na mesma linha.
Será que só os brasileiros não percebem a insanidade (hospício mesmo) que se passa em seu país? E pior, com a legitimação do próprio POVO!

Sequer sei como meus amigos de luta ainda têm alguma esperança. Pra mim, apesar de o brasileiro culpar a política, esta é o menor de nossos problemas. Cada um de nós é o maior dos problemas… somos reféns de uma cultura hipócrita, corrupta, individualista, mal educada, grosseira, agressiva, fútil, racista, machista, elitista, coronelista, vira-latista, e o pior, prepotente e arrogante, sendo essa última a responsável por não nos deixar enxergar todas as outras.

Será que estamos fadados ao fracasso e à barbárie eterna?

* Jornal brasileiro falando sobre o artigo da Spiegel: AQUI
* Artigo original da Spiegel: AQUI

* Artigo do The Economist, revista inglesa com orientação centro-direita, critica o processo de impeachment, e fala de cenas bizarras vistar no Congresso brasileiro: AQUI
* The Guardian, na mesma linha: AQUI

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio artigo da Spiegel

Post_02_Festa desdemocraciaNão sei como intitular o que está se passando…
Mas sei que a votação do impeachment será feita de forma declarada (cada deputado se dirigirá ao centro da casa e terá um tempo para explicar os porquês), iniciando-se as 14h de domingo.

Isso mesmo, DOMINGO. Num estabelecimento onde se trabalha normalmente três dias por semana, de terça a quinta.
Não haverá transmissão de partidas de futebol.
Aliás, sequer haverá partidas de futebol no dia mais tradicional para elas.
Mas, afinal, não é a Globo que manda (também) nos clubes de futebol e no calendário das confederações estaduais deste esporte?

Dizem que tampouco haverá Faustão. A rede televisiva “roubará” a melhor oportunidade de audiência que a TV Câmara terá nos últimos tempos.

E o que se espera de tudo isso?
Óbvio: que a votação chegue ao seu final ou ao menos já esteja definida no horário do Fantástico, a revista semanal do Brasil!
Parece piada, mas não é…

Estamos prestes a afastar uma presidente do poder. Uma presidente que teve (aceitando-se ou não) a maioria dos votos dos eleitores em pleito livre, há menos de dois anos.
E não há a seriedade que o ato de afastamento exige. Não há respeito!
Sequer respeito pelos que seguem contra o impeachment, por qualquer motivo que os leve a isso.
E se houverem confrontos na rua? Em frente ao Congresso em Brasília, na Avenida Paulista e em muitos outros lugares, haverá certamente populares pró- e contra-impeachment.

Ao invés da sociedade prestar um “luto democrático”, de conscientização de voto (imaginando que a esmagadora maioria dos votantes de Dilma tenha se arrependido do ato), teremos festas e celebrações.
(por falar em voto, não esqueçamos que, ainda neste ano, elegeremos representantes municipais, para os poderes Executivo e Legislativo)

Dentre as celebrações, haverá em São Paulo, em frente ao MASP, a apresentação do grupo “Carreta Furacão”, que tem os personagens Capitão América, Fofão, Mickey e Popeye como artistas (notícia aquilink alterado e funcionando).
De novo, não é piada!
O MBL (Movimento Brasil Livre) e seus apoiadores contratarão o grupo do interior de São Paulo para brindar (?), comemorar (?), achincalhar o momento, no melhor estilo “paulista golpista”.
Detalhe: o criador do personagem Fofão, Orival Pessini, é contra a utilização do personagem para esta festa de DESmocracia.

Mas não para por aí. A avacalhação segue…
O Partido Solidariedade, cujo líder é o deputado conhecido como Paulinho da Força, está organizando um bolão entre os deputados.
A meta é acertar o placar final da votação de domingo. E o prêmio vai somente para aquele que “cravar” o resultado. (notícia aqui)
Piada, ou palhaçada?
O Congresso não está preocupado com a repercussão desse fato, não está preocupado com sua própria imagem, nem com a governabilidade após o provável afastamento da presidente. Estão preocupados em qual deles acertará o número final do pleito.
É como se a instituição que melhor representa o povo (ao menos deveria), suas demandas e vontades, estivesse abandonado às chacotas!

Outra do Congresso: a ordem da declaração dos deputados.
Dizem que não seguirá critérios lógicos, como sorteio aleatório, ordem alfabética de nomes, de estados da federação ou ordem por partido (maiores bancadas iniciam, ou menor número de representantes primeiro)…
A ordem será definida pelo Sr. Eduardo Cunha e deve começar com representantes do Sul do país, em ordem “geográfica reversa”.
Como se entende e supõe que o Sul tem maior concentração de deputados contra o impeachment, é uma maneira clara de pressionar deputados que ainda não declararam seu voto e apoiadores. E também de reacender a estúpida disputa ou divisão observada logo após a reeleição de Dilma: Norte-Nordeste ignorante e Sul-Sudeste iluminado.
Como se já não bastasse a recente dicotomia que enfrentamos: direita = o bem, Deus; esquerda = o mau, Diabo, o PT.

Para completar a transmissão da Rede Globo no domingo, sugiro escalar o Galvão Bueno para narrar os votos entre 16h e 18h (com comentários de Casa Grande), Faustão assumir a programação na sequência, e William Bonner apresentar excepcionalmente o Fantástico. No final do programa, Pedro Bial pede que a Dilma renuncie, enquanto ouvimos ao fundo a música do Big Brother Brasil…

por Celsão revoltado

figura retirada de outro vídeo muito bom do pessoal da Porta dos Fundos (aqui). Afinal, nós aqui do blog também comemos caviar, defendemos bandidos e somos satanistas