Archive for the ‘Outros’ Category

Funda-se a partir de hoje o país Oduduwa.
Em sua carta de fundação, pode ser lido o hino Akotun Oweré (Nova Luta) e o ideal de liberdade religiosa para os oprimidos umbandistas.

O seu território compreende a região de Pelotas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Brasil, e as regiões cercanas da província de Vergara e Treinta y Tres, seguindo pelo litoral próximo à cidade de Lascano, no Uruguai.
A sua capital está no distrito de Cassino, onde se encontra a imagem de Iemanjá e se realiza, anualmente, a maior festa conhecida dedicada a essa importante entidade da religião Umbanda.
Os parques nacionais de Taim e Curral Alto prestarão a devida homenagem a Oxóssi, Deus das florestas, Oxum e Obá, Deusas das águas e rios e Iemanjá, Deusa dos mares.
A península setentrional chamada Punta del Diablo servirá como base para rituais de cura e equilíbrio.

O Estado da Bahia aceita a proclamação de independência de Oduduwa em relação ao Brasil e declara seu total apoio à causa da religião afro-brasileira. Inclusive com apoio militar, se assim for necessário.
Já está agendada uma última declaração no Congresso Nacional Brasileiro, em português, comunicando a independência e separação territorial, ideológica, religiosa e de idioma, uma vez que a língua oficial de Oduduwa será o Iorubá.

Seguidos os protocolos oficiais, convidaremos umbandistas de todo o mundo a vir morar em Oduduwa.
De forma igualitária, os seguidores de outras regiões que desejarem abandonar a nova Nação Umbandista terão livre acesso para sair; desde que abandonem residências, terrenos, bens móveis e contas bancárias à Akotun Oweré. Não haverá reembolso ou ressarcimento de qualquer natureza.

Se houver, como esperado, o sucesso estimado inicialmente, muitos serão os fiéis e praticantes que buscarão em Oduduwa o seu refúgio espiritual e religioso.
Ocuparemos espaços nas vicindades de Uruguai e Brasil; respeitando, a princípio, as capitais Montevidéu e Brasília.
Se estatisticamente já somos 8% da população brasileira, tomando a porcentagem declaradamente Umbandista, acreditamos que 20-30 milhões de pessoas possam viver confortavelmente no espaço ocupado hoje pelo Estado do Rio Grande do Sul, lar atual da maior população umbandista brasileira.
Caso o futuro Conselho Nacional de Oduduwa decida por ocupar preferencialmente áreas litorâneas, podemos expandir o território pela costa, no sentido norte, mudando a capital de Oduduwa para Florianópolis, ou mesmo, Rio de Janeiro.

Declaramos guerra, desde já, a qualquer invasor que pretenda dirimir nosso propósito ou questionar a nossa fé!
Contamos com apoio irrestrito, financeiro e bélico de apoiadores de religiões indígenas e africanas em todo o Mundo, bem como do Estado da Bahia, lar de tantos orixás e ritos.

(…)

É cômico.
Mas essa é a minha visão, discriminatória talvez, do que aconteceu na criação do Estado de Israel, meio século atrás.
Não sou contra a sua criação, embora acredite que a localização e disposição poderiam ser melhor discutidas, a fim de evitar situações delicadas no tocante às relações internacionais.
A própria ONU e seus conselhos, seriam a meu ver o melhor palco para essas discussões.

O apoio dos Estados Unidos, financeiro e bélico, transformou a região que já era palco de conflitos seculares.
A “ilha” Israel transformou-se numa potência regional. E passou a ameaçar não só os palestinos, mas outros países da região.
As ocupações através de construções não autorizadas são injustas, para dizer o mínimo (post nosso sobre o assunto aqui).
E a mudança da capital para Jerusalém é simplesmente absurda! Só têm apoio americano pelo interesse estadunidense na região e pela aliança escusa entre os dois países.
É o apropriamento de algo inapropriável!

Lamentável que vejamos massacres de civis, tolhimento de direitos, imposição de condições sub-humanas em prol de um Deus que não apregoa essas diferenças.

Se Israel e sua política não choca você, Oduduwa tampouco deveria chocar…

por Celsão irônico

 

figura: montagem de recortes retirados do Google Maps. 

P.S.: peço perdão aos praticantes da Umbanda, Candomblé e demais religiões africanas pela apropriação de nomes e termos. A intenção não foi ridicularizar nem ofender.

P.S.2: para quem quiser assinar uma petição do Avaaz, contra a chacina impiedosa de vidas palestinas, segue o link

 

Parto de homem

Posted: March 28, 2018 in Comportamento, Outros
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Se existe um momento mágico em nossa vã existência, um momento que aproxima o terreno do divino, algo que nem o mais profícuo dos poetas consiga relatar precisamente… esse “momento”, esse “algo” para mim é um parto.
O nascer. Essa chegada de um ser e os seus primeiros momentos. A áurea que cerca a família que o recebe é indescritível.

Compartilho um texto repleto do “sentir” de um pai.
Não parimos, ainda ou infelizmente.
Mas muitos de nós compartilhamos dos medos, anseios, dor e agruras do período. Não menor é o número dos que sofrem sem dizer palavra; capricho da natureza, característica ou formação relegada aos “sentimentos”. Coisa difícil de curar…

Que esse machismo bobo, muitas vezes pensado como inerente ou intrínseco do homem, desapareça e dê lugar a experiências como a descrita abaixo.
Nós seres humanos e o mundo certamente ganharíamos.

O texto foi publicado aqui. De onde também usei a imagem…

João Valadares não sabia nada sobre partos. Até a sua mulher, Cecília, engravidar e decidir que queria um parto em casa. Nesse relato de tirar o fôlego, João narra o que viu, o que sentiu e como foi trazer ao mundo o filho Francisco.

“Parto de homem. É sobre isso que quero falar. E é para eles que escrevo. Então vou começar do começo. Ela estava no avião, foi ao banheiro e me telefonou: ‘estou grávida‘. Não teve tempo de falar mais nada. As portas já estavam em automático. Desligou. Fui buscá-la no aeroporto e, no caminho para o laboratório mais perto, completou a frase interrompida pela aeromoça: ‘quero ter o nosso filho em casa‘. A cabeça dura-sertão do macho pernambucano, dos miolos encaretados pelo sol, desinformado e suposto senhor das ações, travou. ‘Em casa? Você é maluca?‘. Ela não falou mais nada. Nem eu. Segui calado, com aquela angústia-catapora, que faz tudo coçar por dentro.

No outro dia, comecei a pesquisar sobre nascer em casa. Em apenas um dia, li muito. Um turbilhão gigantesco de informações. No outro dia, li mais ainda. E assim seguiu. Fui a todos os encontros e consultas. Ouvi depoimentos lindos sobre o nascimento. Escutei também um relato de uma mulher decepcionada, pessimamente atendida num hospital público de Brasília porque apenas queria que o filho nascesse na hora que ele quisesse nascer. Ouvi muito mais. Com três meses de gestação, não tinha absolutamente mais nenhuma dúvida. Meu filho nasceria aqui, no seu quarto, com o cheiro da nossa casa, num ambiente afetuosamente preparado para tentar parecer o escurinho quente da morada onde viveu por nove meses. E assim aconteceu.

Mulher foi feita para parir. Homem não. Mas homem também foi feito para sentir. E o parto em casa me proporcionou isso. Eu pari junto. Eu eu Cecilia viramos um só dentro da água. É sobre isso que quero falar. Sou um homem que senti o corpo da minha mulher tremer a cada contração. Sou um homem que senti os músculos da minha mulher esticar e relaxar numa dança perfeita. Sou um homem que emprestei meu corpo para minha mulher beliscar e aliviar a dor do nascimento. Choramos muito. Ela de dor. Eu de outro tipo de dor. Parimos.

É isso. Eu não estava num baby-lounge, longe do meu filho, olhando tudo por uma televisão. Também não estava separado por um pano verde, impossibilitado de perceber o olhar do meu filho na primeira vez que viu o mundo. Eu estava ali, do lado, sentindo e vendo a natureza no seu estágio mais verdadeiro. Vendo minha mulher virar um bicho, gritando e se contorcendo para proporcionar ao nosso filho uma chegada sem nenhum tipo de intervenção. Uma chegada sem luz forte no rosto, sem mãos estranhas, sem aquela higienização terrorista de manual, sem a impessoalidade de um quarto frio com objetos que não são nossos, que não foram colocados por nós.

Desajeitado que sou, descobri que sei fazer massagem. Ah como foi bom perceber o alívio imediato quando apertava as costas de Cecília e ela mudava de som. Fiz isso por duas horas seguidas. Na verdade, posso dizer que era uma espécie de automassagem. Quando percebia que, de alguma maneira, era ator ativo do parto da minha mulher, do nosso parto, descobri que era mais do que pai. Muito mais.

Não escrevo para encorajar mulheres. Escrevo para encorajar os homens. Se puderem, passem por isso. A experiência mais incrível de toda minha vida. Francisco demorou cinco horas para nascer. Não houve nenhum tipo de intervenção. Ninguém sequer tocou em Cecília. Ele nasceu quando queria nascer. Passou dez minutos com a cabeça dentro da água. Ninguém o puxou. A natureza o empurrou quando achava que deveria empurrar. E ele saiu direto para os nossos braços. Ficamos ali por uns 20 minutos acarinhando o nosso filhote, tentando ainda entender como uma pessoa sai de dentro de outra. E foi lindo. Esperamos a placenta sair, cortamos o cordão umbilical e pronto. Cecilia se levantou, eu me levantei e fomos conversar na cama. Ficamos ali por horas, olhando o nosso filho. O melhor: na nossa casa.”

 

Tive a sorte de poder participar do parto de meus dois filhos.
Para gozar de uma licença maior, no segundo, fiz um curso de paternidade ativa ou “pai presente”. Foi lá que encontrei esse esplêndido depoimento.

Ambos os meus filhos escolheram o dia de nascer. Pude cortar os cordões após “murcharem”. Ficamos com eles o tempo todo em nosso “alojamento compartilhado” no curto período hospitalar.
Não quero criticar outras escolhas ou processos.
Apenas compartilhar… e agradecer…

por Celsão ele mesmo

figura retirada daqui

para os que desejarem fazer o curso, gratuito, o link está aqui

Na década de 80 eram os ex-combatentes.
Ouvia a conclusão do meu pai e das poucas notícias de televisão que vinculavam atentados ocorridos nos Estados Unidos com alguma causa.
A explicação era válida e aceitável. Como no filme do Rambo.
Ex-militares plausivelmente seriam marginalizados numa sociedade que buscava a paz, que condenou (supostamente) a guerra.
E… um marginalizado, sem emprego e sem ocupação, com porte de arma e pesadelos envolvendo guerra… é certamente uma das receitas para algum desvio psicológico.

Depois foi o cinema e a televisão.
Não sei se o número dos filmes violentos realmente aumentou nos anos 90. O western (popularmente bang-bang) já existia “desde sempre”.
A produção do cinema certamente ficou melhor, o “realismo” aumentou. Mas é dificílimo dizer se o número de armas aumentou.
A partir de então, ao menos pra mim, as explicações começavam a ficar sem sentido… como que forçadas.
Dizer que Charles Brownson e seu “Desejo de Matar” impeliam os cidadãos americanos para as armas e as ruas era um pouco demais pra mim. Talvez os já psicóticos…

Daí culparam os videogames.
Como se expor pessoas (jovens majoritariamente) a “realidades ampliadas”, no jogo, alterasse o discernimento de certo e errado, de realidade; fizessem com que eles acreditassem em capacidades sobre-humanas, em heróis…
Aconteceu até no Brasil. No caso do estudante de medicina que entrou num cinema armado em São Paulo. Mateus ganhou página no Wikipedia (aqui) e a explicação exagerada para o seu crime.

Os advogados de defesa tentaram, em vão, alegar insanidade mental de seu cliente e argumentar que Mateus havia sido influenciado pelo jogo “Duke Nukem 3D”, no qual há uma cena de tiroteio dentro de um cinema

De qualquer forma, também acho desproporcional culparmos jogos eletrônicos e videogames pelos atentados. Mesmo havendo estudos e casos onde o indivíduo “reproduz o jogo” em seu cérebro constantemente, não há deduções apontando para jogos específicos e nem deduzindo que o próximo passo seriam as armas.
Uma observação: eu defendo uma classificação etária dos jogos, como já existe. E uma certa censura em seu conteúdo, chegando à proibição, para casos extremos e exagerados. (por que não? Cada país pode decidir como educar seus jovens, ou o quê expor a eles)

Voltando ao tema…
Os atentados a arma nos Estados Unidos continuam ocorrendo. Talvez pelo maior alcance da mídia,
Quem será que temos que culpar agora?
Talvez os refugiados? “Estrangeiros” sem pátria que moram no país das oportunidades.
Os muçulmanos e a sua religião rígida e extremamente conservadora?
Os latinos que não se identificam inteiramente com o sonho americano e criam suas comunidades, mantendo o seu idioma?
Os negros e suas características violentas, seus problemas de comportamento?

A culpa é das armas.
Algo criado para matar não deve chegar às mãos de cidadãos de bem. Não deve se oferecer como “alternativa” para uma discussão de trânsito, para um problema entre vizinhos, para uma resposta ao bullying
E é claro pra mim que o país que mais disponibiliza armas à sua população será o país que mais terá problemas com elas.

Juntemos a isso um presidente hors concours no que diz respeito a noção e discernimento e o resultado é o que vemos: dizer que os professores e auxiliares devem estar armados em sala de aula (aqui).
Combater violência com mais violência, certamente, não terá sucesso.
Isso pensando que os professores aceitarão essa “tarefa” de defender os alunos de atentados.
Soa tão absurdo, tão irreal a proposta… Buscar aumentar as armas (colocando algumas dentro das escolas) ao invés de diminuir seu número e reprimir seu uso…

Enfim, só temo que essa “onda” armamentista mantenha-se distante daqui.
Nossos problemas com violência urbana são outros, porém presentes. E o passo dado ao armar a população pode representar uma piora considerável na segurança pública.
Que seja apenas devaneio político de quem quer se promover com essa ideia estapafúrdia.

por Celsão correto.

figura retirada daqui e daqui. Mesmo link onde estão outros infográficos interessantes sobre relações arma/população.

 

É Carnaval

Posted: February 9, 2018 in Comportamento, Outros
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“A maior festa do mundo” como é comumente chamada traz também um enorme e lamentável número de abusos.
Aqui foco em preconceitos e assédio. E não nos também conhecidos e esperados abusos de álcool, drogas e da falta de cidadania.

Um pouco tarde para que sirva de “alerta” pré-carnaval, pois o mesmo já começou com os blocos de rua e começa “oficialmente” nessa noite, compartilho uma excelente ideia do marketing da ambev (ou AB-InBev se pensarmos no grupo multinacional): eles pegaram o mote do “redondo”, símbolo da cerveja e expandiram para carnaval redondo, frases redondas, papo redondo… fazendo alusão ao “correto”.

Mas se engana quem pensa que parou nos comerciais de televisão com palavras “quadradas”  (o oposto de redondas pra eles) saindo da boca dos interlocutores, a ambev foi além e promoveu vídeos com Youtubers, promovendo a cerveja, é claro; mas promovendo um papo aberto e direto sobre rótulos, machismo, preconceito, homofobia, entre outros.
Os publiposts ou publi-vídeos, são vídeos pagos pela empresa. Contém em sua maioria a hashtag #paporedondo e podem ser buscadas no Youtube com esse termo de busca.

É tudo “um tanto” óbvio.
Eu até queria dizer que é tudo “muito” óbvio. Mas sabemos que não é redondo para todos.

O “não é não”, por exemplo, foi abordado por muitos Youtubers.
Talvez por saberem que o assédio é grave e está presente.
O pessoal do Manual do Homem Moderno começa o vídeo falando que qualquer abordagem que pareça um assalto ou arrastão, que lembre um ato criminoso, é errado. É assédio!

E tem de tudo, tem vídeo da Tia Má, negra e mulher, falando do preconceito dentro da fantasia da Negra Maluca.
É antigo, é preconceituoso e insulta.
É como se a cultura negra fosse resumida e estereotipada numa personagem de Carnaval. Que invariavelmente estará ou se fingirá de bêbada, ou de frívola.

Na mesma onda, estão outros comentários dentro das dicas da Maira Medeiros, da Hel Mother e da JoutJout.
Todos são recomendáveis, especialmente o da JoutJout. (minha preferência está mais na didática usada por ela. A ideia de DESENHAR as dicas foi excelente)
Novamente parece óbvio, mas fantasias que podem ofender culturas devem ser evitadas, mães podem curtir carnaval, as pessoas (especialmente as mulheres) devem se vestir como gostariam de se vestir, as opções sexuais devem ser respeitadas, etc…

Não esquecendo de citar o Muro Pequeno e a Lorelay Fox que exploram a temática da homofobia pela ótica própria. Algo que todos os “quadrados”, incluindo não só machistas deveriam decorar!

Não queria fazer o meu publipost, mas acabei fazendo.
Não por ter recebido algo da ambev, do blog, ou de outrem. Mas por saber que as companhias nada fazem por acaso e quase nada de boa intenção.
Aqui está claro pra mim que eles buscavam atingir a fatia da população mais jovem que se declara alheio à TV e ao rádio, meios de comunicação um tanto ultrapassados sob sua ótica. Focando em Youtubers já com seguidores e vídeos muito acessados, há a certeza de ampliação do atingimento da propaganda.

Mas… se é pra se vender, como diriam os mais radicais; por que não se vender com um propósito maior e bem construído ao fundo.
No caso, o propósito de “Carnaval melhor” ou “Brasil evoluído”, me pareceu justo o suficiente.

por Celsão correto.

P.S.: figura retirada do vídeo da JoutJout, propositalmente cortado com a caixa de Skol ao fundo.

Se quiserem ver todos os vídeos citados em sequência, acessem aqui.
Poderia baixar e publicar, mas acredito que ficaria um tanto chato…

 

Lady Buddha

Posted: January 12, 2018 in Comportamento, Outros
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No alto de uma península localizada na área central do Vietnã, fica uma estátua de 67 metros de altura, de pé sob uma flor de lótus de 35 metros de diâmetro. Destaca-se desde uma grande distância pela tamanho, pela impassível altivez e pela cor branca que a constituem.

A estátua apoia-se na montanha, encarando o mar, seus olhos meigos olham para baixo, uma mão abençoa enquanto que a outra segura uma garrafa de água benta, como que espalhando paz aos pescadores.

A tradução livre foi feita a partir do site oficial da atração turística (aqui). E representa bastante bem o “todo” da atração turística.
Abaixo vê-se uma praia e barcos pequenos de pesca completando o bucólico cenário.
Impossível não correlacionar com outras religiões, deusas protetoras, cenários…

A Umbanda é tida como uma religião brasileira por excelência. Suas origens sintetizam o Brasil e as crenças africana e cristã trazidas ao país com rituais e entidades indígenas originários daqui (para saber um pouco mais, leiam).
Jesus pode ser representado no congá (altar da Umbanda) em sua forma ocidental: aloirado e cabeludo, mas geralmente com o nome de Oxalá. Ele divide espaço com outros orixás do candomblé africano e com santos conhecidos e cultuados no cristianismo, como São Jorge.

Iemanjá é a deusa das águas ou rainha do mar. Tem sua origem em uma deusa nigeriana (Yemọjá). É a protetora dos pescadores, a grande mãe.
A “nossa” Lady Buddha é a mais celebrada dentre as divindades da Umbanda, talvez por ser identificada também como Nossa Senhora da Conceição, uma das manifestações católicas da Virgem Maria, mãe de Jesus.

Mas… Por que não temos uma estátua de Iemanjá nas mesmas proporções no Brasil?
Por que não oferecer ao turista, local ou estrangeiro, um pouco da nossa cultura, um pouco do sincretismo religioso nacional?

Conservadorismo? O popular complexo de vira-latas que impede a valorização nacional? Laicidade disfarçada de cristianismo neo-pentecostal?

Onde quero chegar com isso?

Nos países do sudeste asiático, lista que tem o Vietnã, o budismo é a religião predominante. Como tantas outras religiões, possui vertentes e diferenças regionais. E, mesmo pregando a harmonia, não há consenso sobre as “ladies Buddha“; não são todos os países (ou vertentes) que vêm com bons olhos a presença de mulheres, quer seja como sacerdotes, no caso, monjas, ou como entidades a cultuar.
Mesmo assim Lady Buddha está lá, abençoando os pescadores e recebendo turistas.

 

Como primeiro post do novo ano, proponho a reflexão.

Que em 2018 sejamos críticos e provocadores, exercitemos o diferente, pensemos mais no improvável!
Que a indignação e o inconformismo façam parte da nossa rotina.
Que a política entre de vez nas discussões do dia-a-dia, não como exercício de queixa, mas como mal necessário à evolução cidadã.
Que os abusos de poder: político, sexual, racial, etc., em todos os níveis, sejam punidos de alguma forma. Nem que seja de forma moral. E, consequentemente, que diminuam.

E, para aqueles que creem, que Lady Buddha, Iemanjá, a Força, Krishna, Gaia ou Nossa Senhora Aparecida nos abençoe nesse novo recomeço.
Para os que não creem, que a auto motivação e a força de vontade sejam suficientemente grandes para fazer a diferença.


por
Celsão correto.

figuras retiradas daqui e daqui.

 

A comida

Posted: October 24, 2017 in Outros
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Comecei tentando negociar.
Chamei até à cozinha, discorri sobre o cardápio, disse que eu também comeria.

Até que era esperado… Sempre que estamos sozinhos os dois, ele apronta comigo.
Sou muito bonzinho? Uma criança de quatro anos já consegue disputar poder? Provocar deliberadamente?
Afasto os pensamentos da cabeça.

Deduzo que ele terá fome e sigo a brincadeira.
Assim que a fome apertar e ele pedir um biscoito, penso logicamente, jantamos.
Mas… quando já se está com fome, fica mais difícil. Esse jogo eu sei que vou perder.

Eis que acho na geladeira um final de macarrão em formato de dinossauro com carne moída. Perfeito!
O “Olha o que achei!” atraiu a atenção e funcionou a princípio. Esquento o macarrão no microondas e faço o meu prato.
Sentamos ambos na mesa da sala, pois, “aqui é muito melhor”, segundo ele.
TV desligada, garfo e faca nas mãos, começa o desafio…

O primeiro round é marcado pela separação dos legumes, que ele docemente intitula “verduras”: pedaços minúsculos de cenoura, cebola e até alguns pedaços de tomate do molho são encontrados e separados. Sob muito protesto.
Auxilio visando acabar com as desculpas. E como, fazendo aquela cara de gostoso, mas sendo observado com incredulidade.

O shoyo que coloco na salada é solicitado por ele, pois afinal, “ele gosta”.
Pingo aqui e ali, dizendo que só fica gostoso com um garfo bem cheio. A resposta é imediata e desanimadora para o pai que segue o seu martírio: “Assim também está gostoso”.

A competição segue; agora com garfo e faca em mãos opostas.
E, naturalmente, a confusão é grande. Comida que cai na mesa, no colo, na cadeira, no chão.
Não aguento e sugiro a troca dos talheres. Sem sucesso.
Um “Eu quero assim!” faz com que eu termine meu prato. Melhor não mostrar impaciência.

O garfo agora percorre o prato sem destino nem sentido, tenta sem sucesso espetar um macarrão bem cozido. E falha.
“Eu não quero tudo isso”
Sabia que essa hora chegaria. Mas não tão cedo. Sequer vi uma boa garfada, toda a comida está aí…
“O prato é pequeno filho. Você tem de comer tudo.”

Para estimular, proponho um acordo: “Se eu dividir o prato ao meio, você come tudo e sozinho?”
O movimento afirmativo da cabeça me dá esperança. Melhor comer metade sem muito stress, a rolar briga e choro, sem sequer conseguir alimentá-lo.
Divido o prato, prontamente. E daí percebo que o fiz em metades desiguais.
O óbvio acontece e ele escolhe a “menor metade”. Negociamos carnes moídas de um lado a outro, apontando qual é a metade “mais gostosa”. Minha metade continua perdendo da metade dele, que escolhe agora girando o prato.
Giro novamente a comida, aproveitando uma desatenção, e ficamos com a “minha” metade. Jogo duro!

Seria mais fácil ligar a TV, sim.
Seria mais fácil colocar a comida em sua boca.
Até se eu trocasse o garfo por uma colher, haveria avanços.
Mas… “não tá morto quem peleia”, diriam os gaúchos. Ele cresce quando se torna mais independente e eu cresço sendo mais paciente.

O garfo balança no ar. E o reprimo.
Me arrependo, pois, mostrando descontrole, posso perder todo o avanço até então.
Explico a importância da comida e informo que ele pode sair dali ao terminar o prato.

O garfo passa a arranhar o prato, num ruído irritante, arranha o suporte, a mesa, a própria blusa.
Decido só observar, fazendo a melhor “cara séria” que conseguir; mesmo louco pra ralhar.
Lembro de um vizinho, que na minha infância ficava horas em frente à comida fria. Íamos chamá-lo pra brincar, brincávamos com seu irmão, voltávamos pra casa, e ele entre lágrimas lutava contra o castigo e a lógica.
“Não quero isso para o meu filho. Mas… e se ele se recusar a comer?”

“Você colocou muita comida. Eu não quero tudo!”
Parece que adivinhou meu pensamento. E minha hesitação.
“Só vai sair daí se comer tudo” – fui firme – “O prato já está pela metade e você gosta desse macarrão.”
All in. Vamos esperar a reação.

O garfo no ar, parado. A boca a contar “1, 2, 3, 4” e depois “1, 2, 3”.
Suponho que ele conta os dentes e o espaço entre eles. Titubeio pensando em exercitar essa percepção espacial. Mas me contenho.
Agora ele observa a lâmpada pelos vãos do garfo, com um olho fechado.
Na sequência começa a balançar o garfo, para a esquerda e para a direita, mantendo o rosto parado.
Não resisto e pergunto o que é aquilo. “Garfo veloz”, ele responde. “Ele está muito veloz”

Tomando novamente ar, apelo dizendo que estou triste.
Que eu só queria que ele terminasse o prato e que fôssemos brincar um pouco.
40 minutos já se passaram desde que começamos nossa “contenda”.

A comida já está mais que fria.
Mas julgo que não possa sair da minha cadeira com o intuito de requentar o prato, sem que ele também saia.
Com as mãos e depois os pés, ele se afasta da mesa. Vai se afastando aos poucos, enquanto me olha…
No limite do seu alcance, passa a tocar nos itens do aparador.

O golpe de misericórdia vem quando ele começa a esticar as pernas, quase tocando o chão.
“Eu disse que você não pode descer enquanto não comer a sua comida”
“Eu não estou descendo…”

50 minutos e contando.
Se eu não tivesse olhando o relógio constantemente, não acreditaria.
Estou feliz por minha paciência chegar até aqui. Mas incerto de quanto tempo ainda posso resistir.

“Eu acho que três garfadas acabam com esse prato”, arrisco, “quer tentar?”
Ele então volta a cadeira para junto da mesa, pega garfo e faca com uma destreza que ainda não tinha visto, enche o garfo sem olhar os pedaços de cebola, coloca na boca um após outro, até finalizar o combinado.

Quase hora de dormir, mas ainda comemos melancia. E sem reclamação.

por Celsão ele mesmo ou Celsão “pai”

figura retirada daqui

P.S.: pra quem não leu, segue outro conto-peripécia (aqui)

Um sopro

Posted: September 26, 2017 in Outros
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Somos um sopro diante da imensidão do universo, pequenos, minúsculos eu diria.
Temos nosso papel e significado, mas no todo somos quase nada.
Mas um quase nada importante para muitos, muitas vezes, familiares, amigos, amores… E como todos, partiremos um dia, como um sopro, pode ser que ninguém veja, somente nós saberemos… quem sabe?
Enquanto isso, difícil dizer, curtir a vida, que não se sabe quão longa será, deixar de lado o consumismo, o apego material, a falta de tempo para nós mesmos e para com aqueles que nos amam. Difícil viver num mundo capitalista e conseguir desapegar daquilo que nos é imposto,
Quero poder ver mais sorrisos das minhas crianças, pois amanhã, não mais serão. Amanhã, já não serei prioridade, meu valor e importância serão reduzidos, gradativamente. Como é difícil saber que nada é para sempre, que num sopro, tudo pode ruir.
(…)

Um Sopro

Apenas um sopro
Fuuuuuuuu…
É o que somos

Um longo sopro
e apagam-se as velas de comemoração
um suspiro…
seguido de outro longo sopro
e tomamos coragem,
para aquela
tão ensaiada declaração

Um forte sopro
para diminuir o sofrimento
daquele filho que se ralou
por andar desatento

Um curto sopro
até um cisco se vai
em um piscar de olhos

Somos um sopro,
oxigênio “puro”
e continuamos pouco,
minúsculos…

Um sopro
pra dizer Eu Te Amo
um sopro
pra deitar e dormir
um sopro
e os filhos crescem
um sopro
pra vê-los seguir

Um sopro
fazemos planos,
entusiasmados
noutro sopro
mudamos o rumo,
drasticamente

Somos um sopro
vivemos aqui por um sopro
partiremos
sabe-se lá quando…
com certeza, num sopro

Flávio Augusto Ramos de Souza

___________________________________________________________________
Os textos são do meu irmão e leitor, Flávio.
Eles se completam, se complementam, se explicam.
Creio que outros comentários sejam dispensáveis…

por 
Flávio Augusto Ramos de Souza

figura retirada daqui

P.S.: outra sugestão de leitura, aqui

Tentemos imaginar um filho (ou filha) problemático.
Que se envolveu com drogas ou com gastos excessivos em cartão de crédito e agiotas.
Esse filho nos convence que vai de alguma maneira parar e nos faz gastar o dinheiro que temos guardado. Nos faz também vender a casa, vender pertences como computadores, etc.
Mas, sem ajuda, muitas vezes já sem emprego, não consegue se reerguer. E vendemos também os carros da casa. Carros que eram essenciais para a manutenção da economia doméstica. Pois auxiliavam na obtenção dos recursos básicos da família.

Não é um conto.
Tentei fazer uma analogia com o que está acontecendo com o nosso Estado nesse momento.
Acuado e com um gasto deficitário em 159 bilhões de reais, o governo federal desistiu de cortar custos relevantes e agora está mirando na privatização; com foco inicial na Eletrobrás.

Quando um governo tem déficit, significa que a arrecadação de impostos e os bens produzidos pelas empresas estatais não são suficientes para suprir os gastos que o mesmo governo tem com sua estrutura, sua “máquina”.
Significa, por exemplo, que regalias devem ser cortadas, aumentos de salários minimizados, postergados ou, melhor ainda, suspensos. Nada de renovação da frota de veículos parlamentares, compra de mobiliário, emissão de passagens aéreas… extinção de cartões de crédito corporativo (bloqueado no site da transparência, nota no fim do post), entre outras medidas que a família descrita no primeiro parágrafo precisou fazer ainda antes de se desfazer da poupança.

Mas não é o que ocorreu.
Os gastos com cartão de crédito seguem subindo desde que Temer chegou ao poder (aqui e aqui). Totalmente contra ao que prega a austeridade, ão defendida pelo governo e Ministério da Fazenda.
A jornalista Juliana Cipriani, em reportagem no Estado de Minas, levantou gastos abusivos do poder público nesse período de crise (link aqui). Na reportagem existem absurdos de todo tipo, de licitação para jatinho para viagens do governador Luiz Fernando Pezão, ao custo de R$2,5 milhões por ano, a R$1 milhão em sofás e colchões para o Congresso Nacional.
É como se a família estivesse devendo enquanto planeja viagens de avião e compra móveis!

Quando a economia de um país está em crise, não se viaja para Noruega ou Rússia sem agenda oficial e sem assertividade (post nosso aqui). Sequer se usa o avião oficial, dado o custo operacional do mesmo. Não se utilizam aviões da FAB sem um propósito concreto e inadiável, pelo mesmo motivo.

Falar em vender a Eletrobrás, empresa estratégica, num ramo estratégico. É o mesmo que vender a Petrobrás, privatizar a Polícia Federal.
O que o Chile pensaria se propusessem comprar a empresa CODELCO (Corporación Nacional del Cobre de Chile), estatal que explora o cobre, principal recurso do país?
Que tal propor aos Estados Unidos a privatização da CIA ou da NASA?
Aliás, ocorreu-me uma ótima pergunta: por que será que esses órgãos precisam ser públicos, geridos pelo Estado?

Não posso dizer que sou contra qualquer movimento nesse sentido.
Não sou daqueles que nega os avanços da telefonia do Brasil após a “rifa” que foi feita das “Teles”. Mas questiono se precisava ser daquela maneira, naquela velocidade e naquele preço.
Uma empresa de capital misto, bem gerida, talvez chegasse a resultados melhores… e ainda deteria a tecnologia e os profissionais capacitados.
Se avançamos em conectividade e redes móveis, retrocedemos em satisfação quanto aos serviços prestados e no custo desses serviços. Afinal, todas as empresas que exploram telefonia e transmissão de dados no Brasil estão entre as mais problemáticas em reclamações e processos.

Me questiono se seria da mesma forma, caso a ANEEL participasse da diretoria de todas elas e soubesse das artimanhas e subterfúgios para burlar leis ou se adaptar a imposições. Por exemplo, por que é obrigatório somente 10% da velocidade das conexões de internet? Se há uma limitação técnica, a empresa poderia investir mais, satisfazendo os clientes. Se o problema é infraestrutura, a contrapartida poderia vir do governo, após decisão de investimento conjunta: governo e empresa privada.

De volta ao tema da Eletrobrás.
De acordo com a BBC (link aqui), são 233 usinas de geração de energia, incluindo Furnas – que opera 12 hidrelétricas e duas termelétricas – e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), além de seis distribuidoras e 61 mil quilômetros de linhas de transmissão, metade do total do país e o suficiente para dar uma volta e meia no planeta.
A Eletrobrás também controla 10 termelétricas, 70 parques eólicos… Mais de 70% de toda a transmissão e 30% de todo o potencial de geração de energia elétrica do país. Possui toda a tecnologia de interligação do grid.
Será que o comprador não se tornaria um “manipulador de preço”? O que o impediria?

Pergunta retórica ao governo? Por que se desfazer dos carros e computadores antes de mudar os hábitos de consumo?
Por que não passar a cozinhar em casa ao invés de levar toda a família em restaurantes? Por que não trocar o shopping center por um passeio no parque?

São tantas medidas que poderiam ser tomadas antes, como uma mudança do nosso ilustríssimo Presidente Temer para o Palácio oficial, deixando o Jaburu… que é até difícil lembrar de todas para enumerá-las.

Anunciar uma privatização rápida e “tosca”, através da venda dos títulos no mercado aberto (emissão de ações), compondo com outras cinquenta empresas um “pacote atrativo” é um sinal de fracasso anunciado.
Que tal identificar “pedaços” menos estratégicos e mais deficitários para começar?
Não que eu seja a favor. Sou contra! Mas seria possível diminuir o déficit da empresa Eletrobrás isoladamente (caso acredite-se que ela seja realmente um problema).
Repetindo… Empresas de controle misto podem ser bem administradas e não devem sofrer no jogo político de nomeações nepotistas.

No final, um valor de R$20 bilhões, nas estimativas atuais, entrando nas contas do governo uma única vez, não resolve o problema.
É como se o filho problemático pegasse os tênis mais novos da casa e as bolsas de grife e os vendesse por R$20 cada…

por Celsão revoltado

figura retirada do WhatsApp – numa piada sobre os chineses da State Grid assumirem o controle majoritário da Eletrobrás.

P.S.: Quando se consulta no Portal da Transparência (por exemplo, aqui) os gastos com cartão de crédito feitos por Michel Temer, o resultado da última linha chama a atenção. “Informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado. => R$14.162.667,38

Reuniões intermináveis. Cada qual com sua carga de deployments e follow-ups.
Como se não bastasse, demandas proveniente de clientes e colegas ocupam o restante dos minutos de forma a concluir que dez, doze horas trabalhadas são asseguradamente insuficientes para entregar as tarefas.
Tarefas que se acumulam. Prazos que se atropelam.
Equipes reduzidas. Cooperação dificultada.
Aquele sentimento de culpa acompanhando o trânsito do final do dia. Aquela carga de responsabilidade que não permite soltar o celular, que faz surgir até tarde da noite novas e constantes mensagens de WhatsApp. O tal “comichão” que faz o computador ser ligado “só por uma hora” para adiantar o trabalho do dia seguinte, que na realidade nada mais é que a tentativa vã e infrutífera de finalizar o trabalho acumulado dos dias anteriores.

Duvido que seja exclusividade desse que vos escreve.
O mundo corporativo atual demanda mais do que o possível de se entregar dia após dia.
Os chavões e clichés que ajudavam num passado próximo, hoje causam risadas.
“Matar um leão por dia”
“Aprender a ser o máximo possível de mim mesmo”
“Tomar as pedras do caminho para fazer a escada do sucesso”

E contrastam com o equilíbrio pregado na sociedade moderna.
Onde é preciso cuidar bem da família, investindo tempo de qualidade; e da saúde, praticando esportes e balanceando a alimentação.
Ser voluntário. Ser sustentável e ecologicamente correto. Ser ético e engajado socialmente.
Estar antenado. Participar de todas as redes sociais com comentários inteligentes e pertinentes…

Quem entra em toda essa pilha?
Quem realmente consegue balancear corporativo e pessoal sem se atrapalhar ou sem comprometer um dos dois?

Os que se dedicam ao mundo corporativo, fatalmente se arrependem.
Ou via cobrança da família, ou via auto-reflexão. Que até pode tardar, mas respeita o cliché, e não falha.
Os mais “frios” estabelecem metas, de idade-limite, de posição na carreira, de salário.
Todos falham.
Pois a idade traz a pressão da experiência. O mundo corporativo cobra uma entrega melhor dos mais experientes.
As posições hierárquicas vêm trazendo implicitamente a dedicação exclusiva, a liderança inspiradora e engajadora e o “algo mais” em termos de esforço pessoal e da equipe.
E o salário também é um inimigo perigoso. O capitalismo exige que um profissional “se pague” com o próprio esforço e tarefas bem realizadas.

Os que se dedicam à família não atingem os objetivos cobrados no capitalismo.
Não viajam para Miami todos os anos. Não trocam de carro com frequência. Não colocam os filhos nos melhores colégios. Não frequentam os melhores restaurantes.
E, fatalmente, vez ou outra, se cobram por isso.
Reiterando a cobrança do “sucesso social” que não possuem. Que o “sistema capitalista”, jargão que odeio, cobra com todas as suas forças.

Solução? Desconheço.
A rápida análise filosófica dessa noite concluiu que nos dedicamos tanto ao trabalho por ego. É como se nosso ego fosse massageado com cada meta batida, com cada hora extra “investida” corporativamente, com o reconhecimento.
Eu arriscaria dizer que é também um vício.
Como o vício de ir à academia malhar. O ego faz com que o tempo investido aumente a medida em que os resultados começam a aparecer, ou a esperança nestes.
Só que, no caso do fisiculturismo, pode-se classificar o vício como saudável.

Me encontrando na situação e filosofando sobre ela, o que decidi fazer? Um post…
Filosofia ajuda. Sempre. Talvez só a desopilar, mas a ajuda é inegável.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

P.S.: atualizo o post adicionando uma sugestão de leitura, enviada por um amigo e leitor. O que nos faz mais felizes: tempo ou dinheiro?

Dia dos pais

Posted: August 14, 2017 in Comportamento, Outros
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Pai é quem cria. Pai é quem sustenta. Pai é quem educa. Pai é quem decide.

Independente da carga de responsabilidade dos verbos acima, não há como negar, após uma análise rápida, que os mesmos carregam certo machismo, ou paternalismo, de décadas atrás. De uma época e sociedade conservadoras. (ou mais conservadoras, para os que negam que o conservadorismo seja exclusividade de outro período)

Convido a todos, após a comemoração do dia dos pais, a assistir ao vídeo abaixo. Aos que não conseguirem acompanhar diretamente por aqui, o mesmo está disponível no link.

O conceito de família mudou. E não dá pra afirmar mais que não há amor, não há carinho ou não há proteção na “nova família”, no “novo conceito” de “pai e mãe”.
A classificação da primeira frase do post já não servia há um bom tempo. Soa tão absurdo hoje em dia, por exemplo, pais que não trocam fraldas e que não ajudam nos cuidados diários, quanto soará (espero), num futuro próximo, o “dia dos pais”.

Por que comemorar especificamente dias para pais e mães e não dia da família? (ouvi a ideia recentemente e achei perfeita!)
Afinal, se as crianças são criadas por avós, por somente um dos pais biológicos, por um casal homossexual, ou por amigos que decidem adotar menores carentes… Pode-se afirmar que não mereçam um dia especial, mesmo que extremamente comercial?
Essas pessoas não seriam exemplos para os seus filhos? Não os educariam de forma satisfatória? Não ensinariam, sustentariam, criariam e decidiriam com “sim’s e não’s”?

A resposta é sim para todas as perguntas. O resto é preconceito!

por Celsão correto

figura de arquivo pessoal. Eu na (linda) interpretação do meu filho.

P.S.: como alternativa, insiro também o vídeo em formato MOV, aqui abaixo…