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São 11h do dia 06 de Abril de 2018 e eu me pergunto o que acontecerá agora.

Lula teve prisão decretada por Sérgio Moro e tem de se apresentar à Polícia Federal de Curitiba até as 17h de hoje.
Será que ele se apresenta espontaneamente?
Será que os simpatizantes deixarão a polícia entrar no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo, caso ele decida ficar por lá?
E se ele não sair? Teremos um status de foragido e agravamento de pena imputado ou teremos um confronto polícia vs simpatizantes de Lula?

Sou de esquerda, como sabem, e acabei de publicar um post onde escrevo que a esquerda é maior que o Lula (aqui). O erro é primário, mas insistem em dizer e extrapolar que Esquerdista é Petista, que é “Lulista”…

Como escreveu o amigo Caio Silvestre, numa acalorada discussão via WhatsApp hoje, sobre a polarização dos últimos acontecimentos, processo célere da prisão de Lula e outros temas políticos:

A comoção, de ambos os lados, movida por paixão/ódio, iguala a todos. Uns exageram por amar demais (e se cegam diante dos roubos), enquanto outros se dedicam somente contra o odiado (e são tolerantes com todos os outros).
Sempre com a razão deixada um tanto de lado. Fica incoerente para todo mundo

E completou:

Se há um limite para a questão [corrupção], o limite muda, porque trata-se de movimentação política e não republicana, como querem fazer parecer.
Se havia razão para movimentação quando o nome do Lula surgiu na delação do Delcídio, deveria ter havido razão, também, quando surgiu o nome do Temer.
Se houve razão para indignação quando da nomeação de Lula ministro, deveria ter havido quando se nomeou o Moreira Franco, por exemplo.

 

Retomando o título…
Será que agora veremos celeridade em outros casos, como o de Aécio Neves?
Será que viveremos para ver Eduardo Azeredo, psdbista condenado em segunda instância no chamado “Mensalão Tucano” após quase oito meses do julgamento e reafirmação de condenação (ocorrida em Agosto de 2017), preso?
Detalhes de Azeredo que valem a lembrança: a denúncia foi feita há mais de 11 anos, no longínquo 2007 (aqui) e em Setembro há prescrição, uma vez que Azeredo completará 70 anos… 
Quando será que o STF colocará em pauta, “furando fila”, o tema da prisão em segunda instância, estancando a Lava Jato como previu e pediu há algum tempo Romero Jucá? (post sobre a gravação do peemedebista e estancamento da sangria aqui)

Se Rosa Weber falou a verdade durante a votação e se Gilmar Mendes realmente “mudou de lado” para defender seus interesses e de suas “aves”, teremos muito em breve o retrocesso à impunidade, a justiça para pobres, pretos e “ladrões de galinha” que não podem pagar advogados caros, o cenário de até pouco tempo atrás.

Será que teremos revolta popular, passeatas e protestos em Brasília?
Ou somente aquele sentimento de indignação tupiniquim, que vem acompanhado de regozijo pela desgraça do outro?
Será que a procuradora Raquel Dodge terá pulso firme para exercer seus deveres ou seguirá apenas ajudando os “amigos de Temer”, como fez ao interceder na operação Skala? (aqui)
Será que o Supremo Tribunal Federal seguirá gozando da popularidade e palco para aparecer mais que para julgar?

A corrupção é danosa, nociva à Nação e ao povo, sem se importar com ideologia político-partidária.
Ela deve acabar. Sem dúvida!

Mas… e agora? O que virá a seguir? Mais do mesmo ou realmente uma evolução?
Hoje estou mais realista. Fico com a primeira opção…

por Celsão irônico

figura retirada daqui. O objetivo simples é lembrarmos do rosto de Eduardo Azeredo

 

Sabe quando uma seleção de futebol tem um craque?
Como a seleção de Portugal, com Cristiano Ronaldo, ou mesmo a seleção brasileira atual, com Neymar.
Cria-se uma certa dependência. Atrelada a um sempre certo e iminente “perigo”: no dia em que o craque não joga bem, se machuca ou decide se aposentar, aquela seleção se vê “acabada”, sem referência…

Peço perdão pelo trocadilho futebolístico, mas eu vejo da mesma forma a esquerda com o Lula.

Não há como negar os avanços sociais do Brasil em seus governos. Sobretudo das camadas mais baixas.
A elevação do poder de compra, da escolaridade, do acesso a crédito, foram notáveis e levaram o país a outro patamar social, falando em índices como Coeficiente GINI (aqui evolução de 1976 a 2009 – Wikipedia) e IDH (site do G1 mostrando aumento durante governo Lula/Dilma e a estagnação em 2014-2015, aqui).
Até os céticos têm de admitir isso. E não ligo para os argumentos como: “época boa”, “terreno preparado por FHC”, etc.
Lula estava no planalto e fez!

Porém se ampliamos a definição de “esquerda” além da justiça social: com distribuição de renda e pensamento no coletivo; para a mudança, o combate aos abusos do status-quo e a igualdade na sociedade (aqui entendo como igualdade total de condições, por exemplo, para concorrer a um emprego: mulheres, negros, pobres, gays e outras minorias com a mesmas chances reais da elite), o PT não representou, em seu período de Governo, de situação, os ideais da esquerda.
Meus colegas e leitores que me perdoem, mas as alianças em prol da “governabilidade”, com o PMDB de Sarney e Temer e com o PP/PPS de Paulo Maluf, afastaram (e muito) o que eu esperava de governos do PT.
Entendo que sou demasiadamente romântico para insistir num governo possível sem o PMDB, sem conchavos e sem troca de votos por Ministérios e cargos.

Peço vênia para lembrar que, nas últimas eleições, mesmo desencantado com o PT e a “nova esquerda” de Lula e companhia, apoiei a reeleição de Dilma, usando argumentos e entrevista do deputado Jean Wyllys (aqui).
Toda escolha é uma renúncia, parodiando o próprio deputado Jean; e renunciei algumas vezes à “minha esquerda” para votar no PT.

Parêntese feito e voltando ao tema, o ponto é que a “esquerda” é maior que o PT. E maior, consequentemente, que Lula.
Entendo os que defendem o “indefensável” e acreditam que a votação do STF que pode acabar com a condenação em segunda instância, ou habeas corpus preventivo de Lula, deixará que o mesmo dispute as eleições e gerará (?) uma justiça tardia ou troco ao golpe impetrado à democracia com o impeachment de Dilma.
Entendo, mas não estou no mesmo barco.
O benefício de ter Lula nas eleições de 2018 é menor que o veneno de termos Eduardo Cunha, por exemplo, em seu jogo politico nocivo.

Discuti bastante com o Miguelito, logo no início da Operação Lava Jato, sobre a (então) provável extinção dos partidos políticos citados nas delações, e consequentemente envolvidos com corrupção.
Se naquele momento o PT tivesse acabado e o seu quadro se recolocado, ou refundado um novo partido, talvez já tivéssemos melhores opções nessas eleições. Não no tocante às opções em si, mas à força dos nomes…
Miguel sempre me dizia à época que leva-se tempo para construir um PT, nos termos da representatividade Nacional alcançada pelo mesmo, ou transformar um PSOL em PT. E que o país não tinha esse tempo; a esquerda, fatalmente, ficaria de fora novamente.

O doloroso fato, pra mim, é que nessa luta da candidatura de Lula, estamos apenas “empurrando” o problema, postergando a inevitável inelegibilidade do ex-presidente.
Mesmo o Lula representando os anseios de boa parte dos brasileiros (suposição construída pela intenção de voto divulgada até aqui), sofro antecipadamente ao não ver esses anseios transformados em votos para Ciro Gomes do PDT, ou Manuela D’Avila, do PCdoB, por exemplo.
Como seria bom se Lula se afastasse do cenário político, fizesse sua defesa, cumprisse (se condenado) a pena imposta e voltasse ao panorama “zerado”…
Como seria bom se o “pobre” se visse na esquerda…
Como seria bom também, se imprensa e Facebook permitissem uma eleição justa…

Rogo à esquerda brasileira que esqueça Lula.
Que tente jogar futebol sem Neymar, sem CR7. Que busque alternativas…
Que entenda que a bandeira vermelha, o ideal igualitário, a renda mínima, os programas sociais, podem existir sem Lula.
Afinal, como disse José Mujica, ex-presidente do Uruguai, recentemente (aqui), nós não o teremos para sempre!

por Celsão correto

figura retirada daqui. Post de Alberto Cantalice que vai no sentido oposto ao que escrevi. Vale a leitura para exercitar o espírito crítico e o contra-argumento. 😉

P.S.: aproveito o período pós-Páscoa para pedir também (por que não?) um renascimento da esquerda. A Deus, Oxalá, Alá ou quem estiver disposto a me ouvir…

Já faz mais de uma semana.
E eu não poderia deixar de comentar aqui o caso.

Pra começar, eu gostaria que, independente de ter acontecido com uma mulher, negra, lésbica e de esquerda, a execução bárbara, amplamente noticiada, chocasse a todos!
Mas… dado o planejamento dos detalhes do atentado (a área do crime não possui câmeras de monitoramento), a frieza e a precisão da execução (tiros certeiros na cabeça), é difícil não relacionar ao posicionamento politico da vereadora Marielle.

Quando ouço nas manchetes, repetidamente difundidas na semana: “Polícia ainda não tem pistas dos assassinos de Marielle Franco”, me acomete a incerteza: estaria a mesma polícia, denunciada pela vereadora, investigando o crime?
Quero crer que não.
Ou melhor, é o mínimo que se espera em um caso que atingiu repercussão internacional, pronunciamento no parlamento Europeu, denúncia do Brasil por parte de cem ONGs à ONU (aqui). O mínimo é que se busque uma investigação independente, por órgão federal ou mesmo por empresa privada especializada.

Outra coisa que intriga e instiga é saber que Marielle era a relatora da comissão parlamentar que avaliava a intervenção militar carioca.
Negra, ex-favelada, defensora dos direitos humanos, como relatora de uma intervenção talvez travestida de campanha eleitoral? Perigo iminente!
É claro que mudar a relatoria do PSOL para o MDB, da esquerda para o “centrão”, beneficia os proponents da mesma, antes mesmo do relatório concluído. Beneficia o governo do Rio (em todas as esferas), beneficia o Governo Federal que quis/quer usar a intervenção para tirar o foco da corrupção e das reformas que se diz interessado…

Relembrando também que militarismo, historicamente, não combina com defesa de direitos humanos, sobretudo a negros e pobres.
Um argumento bradado nas redes sociais por aqueles que defendem tais intervenções é dizer que Marielle “defende bandidos”. Emendando um sarcástico comentário no sentido: “foi ferida pela mão que alimenta”.
Mas quem convive com a periferia das grandes cidades, sofreu na pele ou conheceu os abusos policiais recorrentes, sabe que não é simples mimimi. A truculência e o despreparo dos que “protegem” muitas vezes encontram o medo e condições paupérrimas dos “protegidos”, tornando-os “suspeitos” automaticamente.
Marielle criticava essa abordagem violenta da polícia. E destacava que a truculência havia piorado no curto período pós-intervenção…

A corrente do “bandido bom é bandido morto”, do fascismo disfarçado de opção política, difundiu algumas notícias sobre a vereadora.
Família, amigos e seguidores politicos organizaram uma página que contrapõe tais afirmações (link aqui).
Usei a página para conhecer um pouco sobre os projetos e as ideias de Marielle. Afirmo que concordo com quase tudo o que vi ali

Concluindo, é triste saber que uma “voz das minorias” por essência e experiência foi calada.
Não vou usar nenhuma hashtag #MariellePresente, #NãoFoiAssalto ou #MarielleVive.
Mas ao menos sigo revoltado, atordoado e chocado com o crime bárbaro da execução da vereadora. E espero ter passado, de alguma forma, minha revolta adiante…

por Celsão revoltado 

figuras retiradas daqui: reunião que Marielle participou antes de ser assassinada. “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, que perderam um de seus pontos de apoio.
A segunda daqui, registro do UOL da Avenida Paulista no dia seguinte ao assassinato de Marielle.

 

Começo o post explicando o título.
Ele veio de uma frase proferida por Torquato Jardim, atual Ministro da Justiça, em entrevista concedida à Folha no último dia 11.
O Ministro se refere ao Presidente Michel Temer e o imbróglio das investigações em que este está enredado.

Mas por que um cidadão, quer seja político, pedreiro, Presidente, porteiro, precisa de tratamento diferenciado?
Talvez se não estiver em pleno uso/domínio de suas faculdades mentais… Ou se possuir algum desvio psicológico, como transtorno de conduta… Ou ainda se sofrer de doença mental comprovada…
Penso que todo cidadão fora de exceções como as listadas, deva ser tratado com igualdade perante a lei. E um cidadão letrado e culto, promotor de justiça aposentado e professor, político de carreira, se inclui naturalmente nessa lista.
(não entrarei no mérito aqui do poder financeiro, sabido elemento que muda totalmente a equidade de justiça e julgamento)

Outra exceção, já gozada pelo Presidente e por outros políticos quando em mandato, é o foro privilegiado, ou “julgamento especial”, feito na última instância da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal.
E é exatamente esse foro que abriu o inquérito para apurar a alteração do decreto dos portos.
É o relator desse inquérito, Ministro Luis Roberto Barroso, que conheceu os fatos, rechaçou a declaração de resultado antecipado do ex-diretor-geral da Polícia Federal Fernando Segóvia e requereu a quebra de sigilo ainda “estudada” pelo investigado Temer.

Retomando o tema… se existe razão para que seja solicitada a quebra de sigilos bancário, telefônico, fiscal, etc., a mesma deve ser acatada.
Sobretudo se existem indícios de favorecimento a empresas, recebimento de propinas e outras falcatruas. Negar-se a fornecer os dados é, bem da verdade, aproximar-se da culpa.
Embora reconheça que algumas “áreas cinzentas” do Direito sejam complicadas, como: não poder gerar provas contra si mesmo, que o ônus da prova seja da acusação…

Daí a dizer que “o presidente merece tratamento diferenciado em comparação aos outros cidadãos em caso de corrupção” – link da notícia aqui – é blindar demasiadamente “o chefe”, ocupante de um cargo que deveria ser irrepreensível (principalmente!) nesse quesito: corrupção.
Tão inócuo e desesperado quanto, foi a declaração de outro subordinado Ministro, Carlos Marun, da Secretaria de Governo.
Ele aumentou o tom de voz para mostrar indignação, exagerou na interpretação clamando por justiça e independência de poderes, chegou até a aventar apresentar um pedido de impeachment; como se errado estivesse o Ministro Luis Roberto Barroso, do STF (aqui).
Enfim… Marun manteve o pão-e-circo midiático e o jogo emedebista. Dramático e patético.

Mas… o que será que descobriríamos nos dados bancários de Michel Temer de 2013 a 2017?
Se há receio de exposições de gastos familiares e de pequeno montante, o que será que escondem Marcela Temer e o pequeno Michelzinho?

Talvez descobramos supérfluos incompatíveis ao trinômio “bela, recatada e do lar”.
Talvez saibamos o quanto se pagou aos advogados no caso do hacker que invadiu o celular da primeira dama.
Ou talvez veremos depósitos feitos diretamente a Alexandre de Moraes, hoje Ministro do STF, mas secretário de Segurança Pública à época.
Há ainda possibilidade de encontrarmos o pagamento do suborno, mote da ação… (aqui para quem não lembra do caso)
Após a censura feita aos meios que divulgaram o conteúdo do vazamento, não me espantaria se o extrato de Temer viesse repleto de dizeres como o “informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado” da figura ao lado.

Sem precisar ampliar muito o alcance do “desconfiômetro”, talvez tenhamos operações de transferência dos/aos assessores/amigos: Rocha Loures e Coronel João Lima. Ambos suspeitos de intermediar propinas e ambos com quebra de sigilos telefônico e telemático (emails) decretado.

Me pergunto até quando teremos encontros fora de agenda oficial, quer sejam noturnos furtivos (aqui) ou nos finais de semana (aqui).
Me pergunto também se a Justiça, no sentido maiúsculo de princípio moral, prevalecerá.

Talvez só o tempo possa responder à essas inquietudes.

por Celsão correto

figura retirada daqui e do portal Transparência aqui

Piada pronta.
Um dos eventos, ou uma das pessoas que nos faz ter vergonha do país.
A provável futura Ministra do Trabalho segue sendo o Donald Trump brasileiro: divulgações vexaminosas e bombásticas diárias, por vezes nas redes sociais, por vezes em “descobertas” feitas pela emprensa que insiste em dar-lhe palco.

A última (ou mais recente) é um video que apresento abaixo:

Já não bastasse ter os processos trabalhistas que maculam o cargo que foi pateticamente nomeada a ocupar, Cristiane grava o vídeo numa lancha, cercada por ditos empresários.

A declaração, igualmente patética (quero crer que conscientemente jocosa), ataca o brio de trabalhadores que sofrem nas mãos de patrões como ela. Ataca aos dois motoristas não registrados.
Dizer que as pessoas pedem na justiça coisas “abstratas”, quando o motivo da ação é o registro em carteira professional… Desdenhar o pleito manobrando a frase “o que pode passar na cabeça das pessoas  que entram contra a gente em ações trabalhistas?” é, bem dizer, no mínimo, anti-ético para a postulante ao ministério que defende esse direito dos trabalhadores.
Direito esse muitas vezes abnegado por medo de represálias, de “sujar a carteira” e não mais conseguir emprego. (Para quem não sabe, há meios de pesquisar junto ao órgãos públicos se um trabalhador já moveu ação trabalhista, “filtrando-o”).

Voltando ao vídeo, dizer que foi divulgação fora de contexto é ridículo!
Duvido até que tenha sido algo espontâneo do amigo… Arrisco-me a dizer que foi planejado, para criar talvez “comoção”.
O problema é que a ética da deputada é quase tão flexível quanto a noção de honra, de bem e mal, de honestidade da elite. Se todos os empresários do vídeo possuem mesmo ações trabalhistas contra suas empresas… quem será o errado ou incongruente dessa estória? Patrão ou empregado?

Mesmo que instantânea e focada na comicidade, a reação da imprensa e da população foi positiva, mostrando à deputada e à equipe de governo o disparate dessa indicação para o Ministério do Trabalho.
Porém, como nada de positivo pode-se esperar de Michel Temer e seu governo chafurdado em conchavos, e como a nossa memória tem sido curta e seletiva, creio lamentavelmente que veremos Cristiane tomar posse.

Que a vergonha transforme-se um dia em revolta!

por Celsão correto.

figura retirada daqui de um dos “escândalos midiáticos” em que se envolveu Cristiane nos últimos dias

P.S.: busquei um link para pesquisa de ações trabalhistas movidas por trabalhadores. E ei-lo para São Paulo (aqui). Descobri que não possuo qualquer ação no momento… 🙂

Corrupção. Definitivamente a palavra mais ouvida e comentada no país no ano de 2017.
A corrupção esteve em todas as pautas jornalísticas, em todas as análises empresariais e de mercado, nas redes sociais, nas famílias, nas conversas de bar. Definiu investimentos, diminuiu a classificação do país frente à agências regulatórias internacionais, aprofundou a crise, influenciou economia, sociedade, opinião pública.

Foram dezenas os casos absurdos que vieram à tona, “esfregando na cara” da Nação a podridão e a cumplicidade da classe política, e também escancarando a passividade da população.
Mesmo filtrando as palavras não há como evitar adjetivos pesados. Foi horrendo, vergonhoso, indecente!

Citando alguns dos casos, começando por aqueles onde o nosso atual presidente Michel Temer foi citado, em pleno mandato, nosso governante maior foi acusado e “se livrou” dos processos, graças ao apoio político do Congresso.
Só relembrando, Temer foi gravado combinando propina com os empresários donos da JBS. A delação desses empresários, somam a grandiosa quantia de 1829 políticos!
Se lembrarmos também que os irmãos da JBS são acusados de enriquecimento ilícito, graças à benesses concedidas por políticos, junto ao banco de fomento BNDES, dá pra dizer que “tudo está errado”! Ou que “ladrão que rouba ladrão”…
O operador de Temer, para recebimento da propina, Rocha Loures, foi igualmente gravado e filmado saindo de um restaurante com uma mala que tinha o montante de R$500 mil. A mala foi devolvida em seguida, primeiro com conteúdo faltante, depois com toda a totalidade do dinheiro extorquido dos empresários.
Resumindo rapidamente o caso, o presidente Temer recebeu empresários fora da agenda oficial, foi gravado combinando propina com empresários de conduta duvidosa, combinou também o meio de recebê-la, a propina foi preparada, filmada, devolvida em seguida para a justiça.

Na mesma linha, o Senador e ex-presidenciável Aécio Neves foi gravado exibindo palavrões, ameaças de morte e conversas perniciosas. Foi afastado das funções no Senado Federal pelo STF, mas re-incorporado após um acordo indecoroso na “nobre” casa. Tal acordo incluiu carta de apoio do PT, partido que outrora fazia oposição direta.
É como se o cenário político tivesse acordado com medo de mais denúncias e represálias. Decidiram sem meias palavras proteger-se, ignorando uma decisão da Corte Suprema.
E como assistimos à essa “guerra de egos” entre Legislativo e Judiciário! Como aplaudimos decisões de um, sendo revogadas ou desafiadas pelo outro… como engolimos as canetadas de Gilmar Mendes.

Gilmar foi precursor do mais estapafúrdio movimento “abolicionista” de 2017. No final do mês de Dezembro, nos primeiros dias de seu plantão durante o recesso do STF, Gilmar soltou Adriana Anselmo, ex-primeira dama do Rio de Janeiro, esposa de Sérgio Cabral; Anthony Garotinho que já havia se beneficiado de uma transferência penitenciária sem explicação plausível; Antônio Carlos Rodrigues, foragido da Justiça após a condenação, ex-presidente do PR e acusado (também) de receber propina da JBS.
Sem contar as três liberações concedidas a Jacob Barata Filho, mega-empresário do setor de transportes. A Eike Batista. E a tantos outros…

Os mais atentos viram a mais clara tentativa de “estancar a sangria”, parodiando Romero Jucá, também acusado na Lava Jato, entre outras operações da PF.
A nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, teve apoio de políticos envolvidos com a Lava Jato.
O Ministro da Justiça, Torquato Jardim, junto ao recém nomeado diretor-geral da PF, Fernando Segovia, afastaram delegados da PF que faziam parte da Lava Jato, como Rosalvo Franco, além de transferirem equipes para outras funções, mudarem processos de fóruns…
E pra não dizer que estou vendo “pelo em ovo”, ou inventando moda, apresento uma frase do próprio Segovia, em seu primeiro pronunciamento, falando de Rodrigo Rocha Loures e da mala da JBS recebida em nome de Temer:

“…uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se havia ou não corrupção…”

Seguindo e citando outro caso obsceno, tivemos ano passado a apreensão de 51 milhões de reais num apartamento, ou bunker, de Geddel Vieira Lima.
Falamos bastante do ex-Ministro nos últimos dois anos. Aqui um exemplo opinando sobre a denúncia do então Ministro da Cultura, Marcelo Calero, que acusou Geddel de intervenção indevida (pra dizer pouco).

Usando uma expressão cunhada pelo médico Paulo Saldiva, se a corrupção tem duas filhas: indignação e desesperança, vivemos ambas intensamente em 2017.
Quero dizer… a maioria da população deve ter vivido quando muito somente uma: a desesperança. Minha análise é que para essas, “o Brasil não está bem e é um país ruim para se viver”, ponto. Sequer há uma análise própria para enxergar a corrupção do dia-a-dia e dos pequenos atos, que permeia a todos.
Por mais estranho e anormal que possa parecer, tudo isso não causa mais indignação. Os “tapas na cara” foram fortes e seguidos o suficiente para amortecer a face e esmorecer as reações. Um político, um presidente, um advogado podem ter regalias, roubar, aumentar o próprio salário. Há reprovação, mas pouca ou nenhuma irritação ou repugnância a respeito. Parece que nos acovardamos…

E é curioso que hoje, dia 24 de Janeiro de 2018, data marcada para o julgamento de Lula, justamente hoje, seja marcado e valorizado como uma virada de página, uma mudança de atitudes, de mentalidade.
Não deveríamos pensar melhor após tudo o que foi (des-)feito em 2017?

Quanta compra de votos, quanto favorecimento, quanto conchavo vimos nos últimos meses?
Tudo foi em prol de uma melhora da economia – é o que dizem. Balela! – é o que digo.
E mesmo que houvesse melhora clara da economia… Valeria a pena? E os índices de desenvolvimento, de industrialização, índices sociais, porcentagem de desmatamento…?
Eu respondo: mesmo que todos estivessem excelentes, que tivessem melhorado por conta do presidente Temer e de sua equipe, não valeria. A ética deve(ria) prevalecer, a justiça vencer a corrupção, a coragem o medo…

Difícil crer que haja melhora quando as próprias agências internacionais de investimento, como a Standard & Poor’s, seguem rebaixando suas notas de crédito do país.
Temer prometeu e se comprometeu por votos no Congresso. Para se livrar das acusações que pesam. Matemática simples!

Lula, se condenado, recorrerá quantas instâncias forem possíveis.
E, se preso, apelará para o STF, apelará para Gilmar Mendes…
Assim como faria e fará Temer, Aécio, Jucá, Cabral, Garotinho, e outros pilantras.

Só adianto desde já que as manifestações que virão após a não-prisão de Lula serão politicamente manipuladas. (Sem querer usar o jargão da dicotomia esquerda-direita)
Por que simplesmente não aconteceram até agora? Onde estiveram em 2017?
Bem como serão politicamente manipulados os meios de comunicação que pouco falaram de Gilmar Mendes, Cabral, Garotinho, Rodrigo Rocha Loures, mas que exigirem a prisão do ex-presidente.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui. Essa é a pessoa no Brasil mais correlata ao título. 🙂

P.S.: para quem quiser assistir à Retrospectiva 2017 da TV Cultura, o vídeo está disponível no youtube aqui. O bloco sobre corrupção foi o primeiro. Vai de 3’20” até 11’10”, aproximadamente.

P.S.2: outras indicações de leitura: os estragos de Gilmar Mendes à Lava Jato (aqui) e a análise, feita pela revista Época, da vitória da elite política sobre a Lava Jato (aqui)

 

 

Tentemos imaginar um filho (ou filha) problemático.
Que se envolveu com drogas ou com gastos excessivos em cartão de crédito e agiotas.
Esse filho nos convence que vai de alguma maneira parar e nos faz gastar o dinheiro que temos guardado. Nos faz também vender a casa, vender pertences como computadores, etc.
Mas, sem ajuda, muitas vezes já sem emprego, não consegue se reerguer. E vendemos também os carros da casa. Carros que eram essenciais para a manutenção da economia doméstica. Pois auxiliavam na obtenção dos recursos básicos da família.

Não é um conto.
Tentei fazer uma analogia com o que está acontecendo com o nosso Estado nesse momento.
Acuado e com um gasto deficitário em 159 bilhões de reais, o governo federal desistiu de cortar custos relevantes e agora está mirando na privatização; com foco inicial na Eletrobrás.

Quando um governo tem déficit, significa que a arrecadação de impostos e os bens produzidos pelas empresas estatais não são suficientes para suprir os gastos que o mesmo governo tem com sua estrutura, sua “máquina”.
Significa, por exemplo, que regalias devem ser cortadas, aumentos de salários minimizados, postergados ou, melhor ainda, suspensos. Nada de renovação da frota de veículos parlamentares, compra de mobiliário, emissão de passagens aéreas… extinção de cartões de crédito corporativo (bloqueado no site da transparência, nota no fim do post), entre outras medidas que a família descrita no primeiro parágrafo precisou fazer ainda antes de se desfazer da poupança.

Mas não é o que ocorreu.
Os gastos com cartão de crédito seguem subindo desde que Temer chegou ao poder (aqui e aqui). Totalmente contra ao que prega a austeridade, ão defendida pelo governo e Ministério da Fazenda.
A jornalista Juliana Cipriani, em reportagem no Estado de Minas, levantou gastos abusivos do poder público nesse período de crise (link aqui). Na reportagem existem absurdos de todo tipo, de licitação para jatinho para viagens do governador Luiz Fernando Pezão, ao custo de R$2,5 milhões por ano, a R$1 milhão em sofás e colchões para o Congresso Nacional.
É como se a família estivesse devendo enquanto planeja viagens de avião e compra móveis!

Quando a economia de um país está em crise, não se viaja para Noruega ou Rússia sem agenda oficial e sem assertividade (post nosso aqui). Sequer se usa o avião oficial, dado o custo operacional do mesmo. Não se utilizam aviões da FAB sem um propósito concreto e inadiável, pelo mesmo motivo.

Falar em vender a Eletrobrás, empresa estratégica, num ramo estratégico. É o mesmo que vender a Petrobrás, privatizar a Polícia Federal.
O que o Chile pensaria se propusessem comprar a empresa CODELCO (Corporación Nacional del Cobre de Chile), estatal que explora o cobre, principal recurso do país?
Que tal propor aos Estados Unidos a privatização da CIA ou da NASA?
Aliás, ocorreu-me uma ótima pergunta: por que será que esses órgãos precisam ser públicos, geridos pelo Estado?

Não posso dizer que sou contra qualquer movimento nesse sentido.
Não sou daqueles que nega os avanços da telefonia do Brasil após a “rifa” que foi feita das “Teles”. Mas questiono se precisava ser daquela maneira, naquela velocidade e naquele preço.
Uma empresa de capital misto, bem gerida, talvez chegasse a resultados melhores… e ainda deteria a tecnologia e os profissionais capacitados.
Se avançamos em conectividade e redes móveis, retrocedemos em satisfação quanto aos serviços prestados e no custo desses serviços. Afinal, todas as empresas que exploram telefonia e transmissão de dados no Brasil estão entre as mais problemáticas em reclamações e processos.

Me questiono se seria da mesma forma, caso a ANEEL participasse da diretoria de todas elas e soubesse das artimanhas e subterfúgios para burlar leis ou se adaptar a imposições. Por exemplo, por que é obrigatório somente 10% da velocidade das conexões de internet? Se há uma limitação técnica, a empresa poderia investir mais, satisfazendo os clientes. Se o problema é infraestrutura, a contrapartida poderia vir do governo, após decisão de investimento conjunta: governo e empresa privada.

De volta ao tema da Eletrobrás.
De acordo com a BBC (link aqui), são 233 usinas de geração de energia, incluindo Furnas – que opera 12 hidrelétricas e duas termelétricas – e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), além de seis distribuidoras e 61 mil quilômetros de linhas de transmissão, metade do total do país e o suficiente para dar uma volta e meia no planeta.
A Eletrobrás também controla 10 termelétricas, 70 parques eólicos… Mais de 70% de toda a transmissão e 30% de todo o potencial de geração de energia elétrica do país. Possui toda a tecnologia de interligação do grid.
Será que o comprador não se tornaria um “manipulador de preço”? O que o impediria?

Pergunta retórica ao governo? Por que se desfazer dos carros e computadores antes de mudar os hábitos de consumo?
Por que não passar a cozinhar em casa ao invés de levar toda a família em restaurantes? Por que não trocar o shopping center por um passeio no parque?

São tantas medidas que poderiam ser tomadas antes, como uma mudança do nosso ilustríssimo Presidente Temer para o Palácio oficial, deixando o Jaburu… que é até difícil lembrar de todas para enumerá-las.

Anunciar uma privatização rápida e “tosca”, através da venda dos títulos no mercado aberto (emissão de ações), compondo com outras cinquenta empresas um “pacote atrativo” é um sinal de fracasso anunciado.
Que tal identificar “pedaços” menos estratégicos e mais deficitários para começar?
Não que eu seja a favor. Sou contra! Mas seria possível diminuir o déficit da empresa Eletrobrás isoladamente (caso acredite-se que ela seja realmente um problema).
Repetindo… Empresas de controle misto podem ser bem administradas e não devem sofrer no jogo político de nomeações nepotistas.

No final, um valor de R$20 bilhões, nas estimativas atuais, entrando nas contas do governo uma única vez, não resolve o problema.
É como se o filho problemático pegasse os tênis mais novos da casa e as bolsas de grife e os vendesse por R$20 cada…

por Celsão revoltado

figura retirada do WhatsApp – numa piada sobre os chineses da State Grid assumirem o controle majoritário da Eletrobrás.

P.S.: Quando se consulta no Portal da Transparência (por exemplo, aqui) os gastos com cartão de crédito feitos por Michel Temer, o resultado da última linha chama a atenção. “Informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado. => R$14.162.667,38

Quase três meses sem escrever aqui…
E mais de 70 dias desde o último post (aqui) que descrevia desapontamento após as denúncias graves contra Temer e Aécio Neves. Delações (ou vazamento de delações) de executivos da JBS.

Retorno de uma letargia…
Daquelas que sentimos nas noites de domingo… no momento em que percebemos que o final de semana, significando uma tola porém verdadeira “liberdade”, acabou.
O período de letargia coincide com um período complicado para o governo Federal, teve mala de dinheiro, negação de autenticidade de gravação, autenticidade comprovada, declaração sendo contradita, teve corte de orçamento da Polícia Federal e subsequentemente da Lava Jato… teve uso da agência de inteligência brasileira (ABIN) para investigar Fachin e para instalar dispositivo antigrampo no Palácio do Jaburu e em diversos gabinetes da “base” (aqui)…

Mas não teve uma definição por parte do PSDB. Definição que podia ser crucial, dado o apoio deste partido ao impeachment de Dilma e ao governo interino de Michel Temer.
Não teve manifestação na rua. Apesar de algumas tentativas. As panelas não saíram da cozinha e nem as camisetas amarelas deixaram o armário. (Com exceção de um arremedo, na condenação em primeira instância do Lula, pelo juiz Sérgio Moro)

O povo fala de política e de crise em conversas rasas, “de elevador”.
O habitual questionamento “quebra-gelo” numa conversa mudou de assunto. Se antes era o tempo, ou o trânsito, constantemente carregado para Paulistas,  hoje é a crise política e econômica.
Mas não se iludam os que pensam que o aumento das citações e das conversas rasas é benéfico. Muito pelo contrário. Quando um assunto entra nesse “estágio”, letárgico como as noites de domingo, o que mais se quer é furtar-se a ele, é fingir preocupação evitando a segunda ou terceira perguntas. Ou, no máximo, “testar o alinhamento” do interlocutor ao próprio pensamento, antes de seguir o discurso.
Denúncias através de grampos pararam de surpreender, gastos exorbitantes de dinheiro público pararam de estarrecer, malas de dinheiro, laranjas, empresas fantasmas saíram das páginas criminais para os quadrinhos do final do jornal.
É triste, mas a maneira mais realista e segura de manter-se informado sobre os desmandos e desmazelos da corrupção e dos corruptores do atual governo está nos programas de comédia noturno, em formato stand-up.
Escrachado e cômico, sim, trágico até, porém pura verdade! Casos reais são apresentados para fazer rir. E obtêm sucesso, pois são verdadeiros absurdos mesmo! Pena não obterem resultados concretos de punição ou sanção…

No momento do “estouro” das delações da JBS, do encurralamento de Temer e do afastamento de Aécio, aproximei o contato com o Miguel, compartilhando as impressões daqui e os desdobramentos prováveis.
Quando ele me perguntou sobre o desfecho que eu previa, afirmei que Temer escaparia por ter base (comprada) no Congresso; mas que acreditava na prisão de Aécio, ao menos a sua cassação já era certa pra mim.
Pouco tempo depois, “fugi” de Miguel quando Aécio voltou ao Senado. Ainda não queria acreditar na pizza, ainda estava em estado letárgico…

E a letargia chegou ao fim ontem, com um episódio crasso: a votação pela suspensão da investigação do presidente Temer. Acusado em pleno exercício do governo por atos de corrupção.
O show dantesco terminou com transmissão ao vivo dos votos na TV. Mas não em sua totalidade, como fora no impeachment ansiado pela mídia; apenas no clímax, quando do atingimento do quórum necessário para impedimento da abertura de processo no STF.
Pela primeira vez na história um presidente foi acusado em pleno mandato.
Talvez pela primeira vez tenhamos invertido um crime legislativo, a compra de votos de parlamentares, em algo normal e aprovado por mídia e sociedade.
Nosso presidente Temer comprou diversos votos com emendas. Licenciou ministros para que voltassem às funções no Congresso e auxiliassem na negociação dos indecisos, fizessem o chamado “corpo-a-corpo” (aqui um exemplo feito momentos antes do pleito de ontem), pressionassem partidos da base e deputados indecisos. Chegou a pedir a lista dos votantes contrários na CCJ para atuar diretamente neles (aqui). Pediu também aos partidos de base para trocarem suas bancadas da CCJ, a fim de garantir um relatório e uma votação prévia favoráveis (aqui).
Houve também um acordo com os ruralistas, um dia antes da votação. (aqui)
Preciso citar como votou o deputado Alan Rick do Acre, assediado pelo Ministro Imbassahy? E o resultado da bancada ruralista?

Para quem não lembra, o Mensalão do PT, único que teve investigações concluídas, criminalizou e condenou exatamente a prática de compra de votos. Isso mesmo! A compra de votos de parlamentares levou a condenação de tesoureiros, doleiros, políticos e assessores.
O que vimos de Maio pra cá, foi uma possível letargia na memória das pessoas, embaladas por discursos eloquentes e por frases de efeito.

“O Brasil não pode parar!” – se a classe empresarial da iniciativa privada, dependesse unicamente de decisões governamentais, já teria parado. A corrupção assola e precisa (ou precisava) acabar. Não está parado, mas caminhamos mais lentos do que poderíamos e deveríamos.

“Estamos superando a maior crise que esse país já viu” – sem voltar muito no tempo, eu diria que o período de super-inflação foi pior. E, “superando” é hipérbole. O capital especulativo pode voltar, uma vez que o governo deve completar o seu mandato. Só isso. Crescimento orgânico e recuperação industrial estão fora de cogitação.

“Tudo feito no Estado Democrático de Direito” – sem entrar no cerne, por não ser jurista, impossível dizer que TODOS estão sob a mesma tutela e a mesma régua post nosso aqui). Muitos dos parlamentares que votaram ontem “SIM” (que era a favor de Temer e do relatório da CCJ e contra a investigação da denúncia de corrupção pelo STJ), disseram que a investigação de Temer será feita após o governo, após 2018.
Creio que nem o mais letárgico admirador de William Bonner acredita em tal possibilidade.

Enfim…
De volta ao blog, de volta da letargia, de volta ao nosso país e aos problemas dele.
O que fazer? Como fazer? Quando fazer? Que batalhas escolher?
São as perguntas difíceis de responder nesse momento…

por Celsão correto

figura retirada daqui

P.S.: indicações de vídeos no Youtube – Bob Fernandes e Josías de Souza

P.S.2: indicação de leitura – aqui – pode ser propaganda própria, mas não deixa de ser verdade. Ministro do STF Luis Roberto Barroso fala sobre a operação “abafa” contra a corrupção

temer-aeroporto-russia

Como se já não bastasse a corrupção já conhecida há décadas, e agora cada vez mais oficializada e comprovada; o trabalho como espião da CIA dentro do Brasil, revelado por documentos do Wikileaks; o desmanche do Governo, da política, da sociedade, das leis, do Estado de Direito; o desrespeito e as barbaridades feitas contra os interesses do povo brasileiro, e em prol da elite brasileira e internacional; o nosso atual tomador do Poder Executivo brasileiro mostra que diplomacia também não é sua área de domínio.

Temer inventou para a imprensa um almoço com Putin – Presidente Russo – almoço este que jamais existiu, durante o encontro dos BRICS.
Antes de viajar a Rússia, o Governo brasileiro lançou que iriam viajar à República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Uma mistura da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com a atual Federação Russa (mais conhecida como Rússia), e criaram um Frankenstein. Uma lambança, inacreditável ao se pensar no departamento de mídia e comunicação de um Governo Federal.

Chegando à Rússia, Temer foi recebido pelo VICE-ministro de Relações Exteriores. Ou seja, não foi por ninguém de importância relativa do Governo Russo, muito menos por Putin. O “mínimo” a se esperar seria que o próprio Ministro das Relações Exteriores russo o recebesse, mas nem isso. Sinal mais claro de insignificância não há, e um grande vexame para nossa Pátria.

Em seus trajetos na Rússia, Temer foi acompanhado principalmente por grupos de pessoas em protesto e vaiando.
Na Embaixada brasileira na Rússia, somente metade dos convidados compareceram na cerimonia com o Presidente, e mesmo assim, poucos quiseram conversar com ele. Ele é quem se aproximava das pessoas.

Temer ainda disse a Putin que a cultura Russa está muito presente na sociedade brasileira!!!! (pausa para respirar). Algum de vocês conhecem algo russo que não seja Vodka e estrogonofe, quer dizer, stroganoff em russo? Inclusive, o stroganoff russo é bastante diferente do nosso.

Por fim, Temer saiu da Rússia sem qualquer acordo bilateral ou diplomático. Só gastou dinheiro e passou vergonha.

Em seguida foi para Noruega. O Governo norueguês é o maior financiador internacional da luta contra o desmatamento da Amazônia. E já estava flertando um corte neste financiamento, pois percebeu que este Governo não está nem aí para este assunto, pelo contrário, parece apoiar políticas pró-desmatamento.

Temer foi recebido pelo chefe interino do aeroporto, ninguém do Governo!
No encontro Temer ignorou o conflito diplomático na questão do desmatamento da Amazônia, e tentou encher a bola de seu Governo sobre os avanços econômicos e sobre seu apoio dentro do Congresso, e falou da “luta contra a corrupção” (nova pausa).

Quando chegou no assunto Amazônia, Temer deixou a responsabilidade para o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, o qual disse aos noruegueses “o problema é dos governos passados”. Sarney ignora que houve um aumento de 58% no ritmo do desmatamento da Amazônia nos últimos 2 anos, e que se o problema realmente estivesse nos Governos passados, ele também é responsável, pois foi também Ministro do Meio Ambiente no Governo de FHC entre 1999 e 2002, época onde Amazônia sofreu um dos maiores desmatamentos da história.

No fim, quando perguntado quando o desmatamento acabará, Sarney disse: “Só Deus pode garantir isso”.
Esta frase de Sarneyzinho nos diz muita coisa. Ela mostra a falta de responsabilidade pessoal do Ministro, a molecagem e pilantragem com a qual ele trata de um assunto de tamanha importância para o Mundo e para a humanidade, e também mostra a ortodoxia religiosa dentro da política brasileira; também percebemos a falta completa de conhecimento de Sarney quanto ao país visitado, pois a Noruega está entre os 5 países menos religiosos do Mundo, tem mais da metade de sua população não praticante de qualquer religião ou ateia, mais de 70% dos noruegueses dizem não acreditar em um Deus nos parâmetros cristãos, e menos de 20% dos noruegueses dizem que a religião tem um papel importante em suas vidas.
Jogar responsabilidades político-humanas para Deus, num país Europeu, ainda mais na Noruega, é a melhor demonstração de atraso civilizatório e intelectual que se pode dar.

Mas uma coisa eu preciso salientar: Sarney mostrou ao governo norueguês um retrato bastante real do nível de informação e preparo intelectual da sociedade brasileira.

Assim o governo brasileiro se despediu da Noruega, com um corte de 200 milhões de Reais na ajuda contra o desmatamento amazônico, mais da metade do dinheiro que era investido pela Noruega anualmente.
Parabéns!

E quando leio estas, e notícias locais aqui na Alemanha, e quando vejo o comentário dos alemães e estrangeiros (colegas de trabalho, amigos, conhecidos) sobre o Brasil atualmente, sempre num sentido pejorativo, negativo, pessimista, humorístico, desrespeitoso, preconceituoso; lembro-me de quando cheguei aqui em 2010, notícias, documentários, e o boca-a-boca do povo conhecido, todos impressionados com o papel de liderança que o Brasil havia assumido na América Latina e no Mundo durante o Governo Lula.

Todos diziam dos avanços econômicos, que o Brasil era super interessante para se investir, passar férias… era claro o respeito adquirido pelo Brasil frente aos governos Europeus e mundiais. Além dos dados e avanços claros que as sociedades internacionais notaram, ainda teve o importante trabalho feito por Lula e Celso Amorim na diplomacia brasileira, trazendo prestígio e respeito.

Naquela época, até as piadas sobre samba, bunda, carnaval e futebol haviam diminuído. Hoje todas elas voltaram, com uma diferença, depois dos 7×1, não somos mais o país do futebol; ufa, menos um estereótipo.
Os estereótipos brotam como peste, e eu digo, corrói ter que viver isso aqui fora, ouvir tantas falácias, e tentar ainda de alguma forma defender nosso moral, é difícil, pois muito do que é dito se justifica na prática política e da sociedade brasileira hoje em dia.

Voltando ao Temeroso; tem gente que ainda defende esse ser inescrupuloso!

Fico admirado, e acho que ficarei até o fim da minha vida, em ver a incapacidade e/ou falta de vontade da grande maioria da sociedade brasileira, de perceber que, este Ser, somado a Eduardo Cunha, e o limpinho e cheiroso Aécim das Neves, juntamente com outros do mesmo naipe, foram os chefiadores do Impeachment de Dilma.

Boicotaram e bloquearam seu segundo governo na Câmara até falir o mesmo, pagaram a imprensa para destruírem a sua imagem, financiaram grupos especializados em rebeliões para agitaram os protestos contra Dilma e PT, usaram de seu Poder no judiciário (como o capataz da direita brasileira, Gilmar Mendes, amigo íntimo de Aécim e de Temeroso), tramaram e organizaram tudo o possível para retirarem Dilma do Governo, e colocarem Temer como Presidente, trazendo com ele toda a base mais radical da oposição ao Governo Dilma para o seu des-Governo, e ainda se aliando ao PSDB no Congresso, sabidamente arque-rival do PT.

Um Impeachment que vestiu uma fantasia de luta contra corrupção do PT e de Dilma (mulher íntegra, contra a qual sequer existem acusações formais, quanto menos condenações), com um pouquinho de perfume de insatisfação para com os rumos econômicos do Governo Dilma; mas que na verdade, nada mais foi que um Golpe de Estado organizado e dirigido durante todo o tempo pelo o que há de mais sujo, bárbaro e vergonhoso na história brasileira, uma elite podre e antinacional que se arrasta desde nossa colonização até hoje, antigos escravagistas e herdeiros das capitanias hereditárias, hoje, corruptos, mafiosos, gangsters, com domínio sobre quase todos os meios de comunicação e com tentáculos em todas áreas do grande Capital, inclusive no tráfico de drogas.

Este grupo de vermes, derrubou a Presidente eleita democraticamente, e provavelmente a/o presidente mais ético e correto que o Brasil já viu em sua história, devido aos interesses daqueles em frear a Lava-Jato (para não serem pegos juntos com seus comparsas), e devido aos seus interesses econômicos, que nada têm a ver com proteção ambiental, avanços sociais, ou direitos humanos ao povo sofrido brasileiro, muito menos interessados no fortalecimento da Nação Brasileira, mas sim um desespero pelo resgate de políticas que privilegiem as elites, o sistema financeiro, o interesse internacional, seus próprios bolsos e coisas do tipo…

Para quem apostava que os dias de Temer estavam contados, e que ele não chegaria até 2018. Eu continuo esperando….. Quase acreditei em sua queda depois dos grampos e denúncias dos donos da Friboi, mas meus instintos funcionaram novamente.
Também continuo esperando sentado a prisão de Aécim; Gilmar Mendes diria: “só por cima do meu cadáver”.

Enquanto isso, outra aposta minha vem se concretizando. Bolsomico crescendo nas pesquisas de intenção de voto para 2018, e se encontra na segunda posição, somente atrás de Lula.
Mas este é outro assunto na república da Banana, Bunda, Samba e Futebol.

por Miguelito Nervoltado

figura daqui 
Links inspiradores:

O dia 17/05/2017 começou tenso pra mim.
Tinha muitos compromissos profissionais, mas queria de algum modo seguir ouvindo a assistindo às notícias após a “bomba” lançada do “colo” do Presidente Temer.

A noite anterior foi de jornais e memes sem fim.
Os programas televisivos tentavam detalhar o máximo da informação que possuíam, incompleta naquele momento, e ponderar os próximos passos do presidente, dos seus ministros e aliados, dada a gravidade do ocorrido.
Enquanto os “magos” da internet criavam e recriavam piadas compartilhadas intensamente no WhatsApp e Facebook. Famosos com camisetas, eximindo-se de uma culpa líquida

A primeira surpresa, compartilhada pela minha esposa, foi ver as pessoas surpreendidas… É um trocadilho cômico, se não fosse cruel.
Como podem achar que Michel Temer e Aécio Neves, já citados anteriormente por outros delatores fossem inocentes?!?
Depois de Jucá e do vazamento ocorrido, do Geddel, dos oito atuais ministros citados pela Odebrecht… Depois do avião com cocaína, de inúmeros favorecimentos em Minas Gerais…

Na rádio Jovem Pan ouvi um advogado que daria o tom da imoral defesa prévia: “o país não pode parar“.
Como se todos pudéssemos e devêssemos ignorar quaisquer atos indecentes e corruptos em nome da retomada da economia, do emprego e renda, que timidamente dava sinais.
Eu quero que tudo pegue fogo!
Que o Congresso seja dissolvido!
Que os áudios vergonhosos, de delatores indecorosos, de políticos indecentes, sejam tocados como introdução ao Hino Nacional; para que não os esqueçamos!
Que só restem Parlamentares íntegros (ou ao menos não-condenados)! Nem que tenhamos que convocar novas eleições. Nem que pra isso tenhamos de, nós mesmos, “pessoas normais”, entrar na política para mudar o status-quo de corrupção da mesma.
Pensar na simplicidade do “país não parar” e daí pra frente acobertar tudo e todos, me enojava.

Mas a Grande Mídia, até então, reagia bem: os jornais da manhã foram monotônicos e pareciam intermináveis.
E entre um Caiado, que lançou com certa lisura sua candidatura para 2018, aproveitando-se da crise, e um Carlos Marun, que defendia o vitimismo do Presidente Temer ante ao golpe político, ante a cilada… os comentários dos jornalistas e juristas convidados não deixavam dúvidas: tudo foi feito com anuência da Polícia Federal, num acordo de delação assinado pelos donos da JBS. Escutas, fotos, vídeos, rastreamento de dinheiro, depoimentos… tudo legitimamente legal!

A situação do presidente nacional do PSDB era pior.
Os mandatos de busca em casas de parentes foram seguidos de prisões dos mesmos, de declarações de correligionários contrárias, do afastamento do Senado e da presidência do partido tucano…

E eis que o anúncio de um pronunciamento de Temer as 16h fez surgir o furo-boato de renúncia.
E, as 16h, nervoso e quase sem companheiros para aplaudir, o temeroso Temer recusou-se a ceder. Disse ao povo que ficava! Também apelando à melhora da economia e às reformas. Disse que não precisava de foro privilegiado, falou de armação, mentindo sobre a legitimidade da escuta e terminou apelando para o STF.
Afinal, ele sabe que o “Gil” (Ministro Gilmar Mendes) já garantiu a vitória dele no TSE; com a não condenação da chapa de 2014. Conhece também o penoso trâmite do processo no judiciário.

E o PSDB?
Ah… o PSDB… Parece que decidiu sair de vez dos holofotes da política, abandonando o papel de oposição que estava desempenhando.
Poderia ter, numa única tacada, afastado o condenável Senador Aécio Neves e abandonar os quatro ministérios que possui no atual governo. Tiraria, ao meu ver, boa parte da mácula que obteve com a Lava Jato. E de quebra poderia lançar um novo “homem forte”, provável candidato a 2018. Não creio que Tasso Jereissati seja esse nome.
Se afastar da corrupção, no momento, não seria se afastar de todos os projetos e reformas que o governo quer aprovar nesse ano. Nem seria negar a esperança na recuperação econômica. Seria uma mensagem de intolerância à continuação da prática (mesmo que falsa).

O dia seguia agitado e os programas de rádio também.
E, com a evolução pós-pronunciamento e a decisão do PSDB em se manter ao lado de Temer, retornou a dicotomia direita-esquerda, vermelho-azul, bem-mal…
Reinaldo Azevedo defendeu que os promotores buscavam retornar o poder aos “pilantras da esquerda”. Que a delação foi “encomendada”, mirando o maior líder da oposição, Aécio, e o atual Presidente da República, Michel Temer.
Por que não podemos esquecer isso uma única vez e buscar a condenação de TODOS os culpados?
Por que delações só servem para um lado? Vazamentos só valem quando são contra o “meu lado”? Notícias e opiniões só prestam quando exprimem a “minha verdade” ou a minha opinião?
Sinto nessas horas que perco um pouco da minha utópica esperança. Não dá pra tolerar essa “religião” que defende políticos indefensáveis, acusados de inúmeros crimes, de qualquer lado politico-filosófico que este esteja.
Deixe que o judiciário julgue. Permita-se que o acusado se defenda. Só não incentive o ódio…

O dia terminou com os áudios e fotos da delação.
E, mesmo sendo uma conversa de mafiosos, de inegável cumplicidade e culpabilidade… Não é “tudo aquilo” que o furo jornalístico anunciava. Não é tão direto quanto foi o de Jucá, por exemplo.

E, como sabemos, a Justiça é como a mídia; e trocadilhos a parte, ambos são como pizza. Quando esfria, perde a graça.
Se não existem prisões preventivas decretadas, a Lava Jato leva as investigações no processo normal, que é lentíssimo.
Se a indignação do povo e da base aliada governista é comedida, novos conchavos são refeitos e talvez novas mesadas serão acordadas.
Rodrigo Maia não aceitará qualquer pedido de impeachment contra Temer.
E, no final… a montanha pariu apenas um rato, como diz a frase-título, atribuída ao próprio presidente Michel Temer.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui.

P.S.: Parabéns ao PTN e PPS, que saíram da base de apoio a Temer.