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laerte-os-pobres-e-os-ricos
Não bate em Francisco no Brasil. Infelizmente.

Aqui me refiro às leis e às punições que elas geram/criam. E num paralelo entre pobres e ricos, entre os que possuem recurso financeiro e os que não possuem e sequer conhecem os próprios direitos.

Começando pela lei recém aprovada no Congresso sobre a terceirização.
Já fui temporário, terceiro, funcionário “residente”, prestando serviço em outra empresa. Também já contratei empresas prestadoras para serviços dos mais diversos e digo com certa propriedade: é diferente.
O terceiro é um semi-escravo que pode ser trocado a qualquer momento, a qualquer deslize; como um carro alugado que apresenta ruído, ou sobremesa imperfeita num hotel all inclusive.
Um terceiro tem de fazer mais e melhor, tem de ir além, a todo momento.
E a empresa prestadora, mesmo quando possui boas intenções e é comandada por pessoas de caráter, sofre a cada renovação de contrato e pode ser trocada pelo simples argumento preço. Resultado: a esmagadora maioria dos terceiros recebem o piso da categoria, o mínimo da lei. E quando há a troca, uns poucos funcionários da empregadora terceirizada anterior são aproveitados, num período de adaptação.

Para quem não sabe, atualmente, o serviço terceirizado não pode ser usado para a atividade-fim, somente para atividades “intermediárias”. Ou seja, uma empresa de transporte coletivo não pode ter motoristas terceirizados, uma fábrica de cerveja não pode ter operadores de máquina terceirizados e por aí vai.
Mas ambas podem ter segurança, limpeza e manutenção feitas por funcionários contratados via terceirização. O perigo da mudança é passarmos a ter semi-escravos em todos os níveis…

Concordo que a legislação trabalhista brasileira está estagnada por décadas e “pesa” na conta de pequenos e microempresários. Mas o razoável aqui seria fazer uma transição, preparar empregados e empresas para uma nova realidade.
Sem educação básica é impensável que os novos profissionais tenham preparo para a nova realidade de mercado e as novas profissões. Tenham, por exemplo, controle dos próprios gastos e saibam se preparar para eventuais férias, emergências médicas e aposentadoria…

A aposentadoria, ou a reforma da previdência é mais um ponto discordante, quando tomamos ricos e pobres.
Os primeiros têm melhores empregos, possuem assistência médica, planos privados de aposentadoria e ainda conseguem adquirir bens durante a idade produtiva, gerando renda extra. Sem contar políticos, militares, juízes e outros funcionários públicos que não obedecem o teto da iniciativa privada e só oneram a folha e o rombo da previdência nacional.
Os outros, além de não alcançarem a comodidade dos ricos, possuem trabalhos mais pesados e desgastantes, menor expectativa de vida, piores condições sociais…

Sem considerar esse fator de diferenciação, estabelecendo 65 anos como idade mínima para advogados e estivadores, médicos e cortadores de cana, fazendeiros e pequenos agricultores… teremos o segundo grupo sem possibilidade de exercer o próprio trabalho após os 50 e sem emprego nos últimos quinze anos de trabalho obrigatório!
E é esse grupo que começa a trabalhar (e contribuir) mais cedo. E é esse grupo também que precisa de suporte público para atendimento medico-hospitalar. E coincidentemente é o grupo que mais precisa do valor da aposentadoria, saído dos cofres públicos.

Outro “pau” que não agride Francisco é a Justiça.
É incrível ver os processos intermináveis e recursos contestáveis que “gente rica” consegue.
Basicamente, todo rico tem direito ao STF. Enquanto o pobre sequer sabe que pode ter um defensor público. E muitas vezes é coagido para aceitar uma culpa que não é dele.

Um exemplo é o goleiro Bruno, ex-Flamengo, cujo recurso foi deferido pelo juiz do Supremo Marco Aurélio Mello, após pouco mais de seis anos de reclusão…
Será que um pedreiro ou operador de máquina teria as mesmas condições?
Certamente não teria dinheiro suficiente para arquitetar sua defesa e programar seus recursos até o STF. Mas a pergunta certa seria: ele teria emprego assim que saísse da penitenciária?

Não é que eu condene o Clube Boa Esporte pelo que fez.
Mas eu gostaria de ver a mesma atitude em relação a presos “comuns”.
Uma vez que o discurso é de reintegração social, que tal contratar roupeiros, gandulas, cozinheiras, enfim, outros funcionários com ficha criminal, vindos de reclusão ou Febem/CASA?
Isso não calaria a minha boca e outras,  mas traria um exemplo a ser seguido.

Mas…
Enquanto tivermos políticos aumentando o próprio salário e usando jatos da FAB para viagens particulares, no fim de semana, levando família e amigos (aqui).
Enquanto houver conchavos e nepotismo para cargos de confiança, ministérios, cargos no STF.
E enquanto a oposição no Legislativo se resumir a PSOL e Rede… fica difícil acreditar na ética e mais difícil ainda acreditar no fim dessas diferenças.
Lamentavelmente.

por Celsão correto

P.S.: figura retirada de um excelente quadrinho do Laerte, que achei aqui

Compartilho o vídeo acima, por achar (primeiramente) a propaganda criativa.
Conseguiram explorar um sonho de criança/adolescente fugindo do padrão “normativo-social” que temos atualmente. Mostraram a busca pelo sonho, a perseverança em atingir aquele objetivo, o apoio da família…

E me perguntei, assistindo o vídeo, se acreditamos que todo sonho é aceitável?
Se realmente apoiaríamos nossos filhos em qualquer desejo deles, em todas as “maluquices” que pensassem em fazer, em qualquer profissão que escolhessem.
Um “filho de pobre”, expressão que meu pai sempre usava, sofre mais intensamente dessa pressão em “ser alguém” e desistir de um sonho em prol de evolução econômica e social. Se escolher uma carreira artística, como o teatro, por exemplo, será persuadido na melhor das hipóteses a buscar essa realização profissional depois de conseguir uma “profissão”; e aqui uso aspas na palavra profissão, pois ela é específica, “profissão” para pobres se resume a advogado, médico e engenheiro, grosso modo.
Se o tal “filho de pobre” for gay então… o “ser alguém” engloba não só a profissão, mas um comportamento exemplar, desprovido de sexualidade, que esconda sua atração por pessoas do mesmo sexo, suas perguntas e negue, quase sempre, as estórias aventadas pela vizinhança.

Por que tudo isso?
Somos treinados, ou doutrinados socialmente, para o sucesso. Desde muito cedo, o bombardeio televisivo e midiático nos mostra que nosso brinquedo recém adquirido não é tão bom quanto aquele outro, que nossas roupas não ostentam os animais corretos no símbolo, que a TV da loja tem mais botões, que o carro do vizinho é mais confortável, espaçoso e tem motor maior…
Se a pessoa nasce fora deste estereótipo de “sucesso”, não é branco, homem, hétero, por exemplo; o atingimento deste “sucesso social” passa também por essas questões imutáveis de raça, credo e sexualidade. É como se o sucesso fosse preconceituoso.

Voltando ao vídeo, e sugiro que o vejam pela segunda vez, prestando atenção nos detalhes só percebidos após o conhecimento do seu desfecho, a sucessão de fatos entre a decisão de seguir o sonho e a realização do mesmo, sugere uma sociedade perfeita e utópica. Uma academia para o treino específico de “ring girl“, a viagem para Las Vegas, a chance real numa luta de boxe… seriam eventos praticamente impossíveis separadamente.
Qualquer paralelo com a realidade mostra o mesmo. Um menino pobre, se homossexual, terá barreiras ainda maiores para transpor se tiver o sonho de se tornar apresentador de TV. A família o desencorajaria prontamente, mesmo aceitando a sua sexualidade, e estereótipos “comuns” até o levariam para a TV, mas em funções secundárias como maquiador ou cabeleireiro, não desmerecendo-as, o intuito é falar sobre o nosso preconceito.

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post_sonhoNorberto decidiu passar a festa de Réveillon em casa.
Havia muito tempo que não voltava àquele bairro periférico de São Paulo e as razões eram muitas.

A infância e adolescência foram períodos difíceis. Havia a presença constante e inesquecível da família e dos vizinhos. A primeira em sua resistência em aceitar sua sexualidade e o medo constante de agressões verbais e físicas do segundo grupo.

Mas agora, acreditava Norberto, algo estava diferente. A sociedade havia evoluído de certa forma, tanto a TV quanto as redes sociais “aceitavam melhor” os gays e, legalmente, já era permitido até casar (quem diria?) com pessoas do mesmo sexo.
E lá foi Norberto com seu companheiro e sua saudade para o Jardim Santa Cruz.

Tantos sonhos reprimidos. Tantas oportunidades coibidas.
Não gostava de futebol, nem de pipas, nem de carrinhos de rolimã.
E era a capoeira, naquela lista de diversões acessíveis na periferia da sua época que o atraía. Mas não podia praticar capoeira, ou melhor, acreditava que lhe seria vedado, visto que muitos dos que lhe ofendiam verbalmente frequentavam aquele círculo.

Em casa, vieram olhares desconfiados para Alexandre, seu namorado, conforme esperado. Para os mais velhos, mesmo entendendo e aceitando a condição de Norberto, receber um namorado não era realmente uma tarefa fácil. Compreensivo, Norberto fingiu não notar os olhares e nem as discussões e pequenas brigas sem sentido que presenciou. É algo corriqueiro numa família grande e desestruturada, pensou, e sempre aconteceu aqui.
Seu objetivo era também apresentar sua família a Alexandre, que já lhe houvera apresentado a dele. E, rusgas a parte, havia sido uma boa experiência.

Aproveitou a noite quente e sem nuvens para sair. Uma certa coragem lhe aflorava, naquela rua de muitos medos e bullyings, palavra que na época nem existia.
Decidiu ir até àquela casa onde melhor lhe acolhiam, onde a alegria sobrepujava o sofrimento daqueles que ali viviam com poucos recursos.

Só que, lá chegando, percebeu que a nova geração que ali se encontrava, com seus modernos celulares, selfies e publicações instantâneas, comentava ostensivamente a sua presença e a de seu namorado. Chegava até a ridicularizar o anel que ambos usavam.
Eles mal se olhavam, mas sentiam o aperto desconfortável da situação, dos comentários direcionadamente perniciosos.
Não é possível que não haja evolução, pensou pra si, as cabeças são outras… muitos anos passaram!

Quando estavam prestes a sair, em busca de ar, ou refúgio, ou paz, ou carinho… receberam a esperança num copo de caipirinha. Um dos presentes da festa pareceu perceber o preconceito e os ofereceu o que podia naquele momento, numa aproximação tímida.
Após o primeiro gole, veio a dúvida se aquilo havia sido oferecido realmente em busca de integração, ou se era um ato inocente de alguém bem intencionado.
O estranho tentou puxar papo e perguntou se eles desejavam algo mais. O “eles” mostrou certo respeito, e aparente anuência com a presença deles, com o fato de serem um casal, de estarem juntos naquela festa.
“Vocês moram por aqui?”, perguntou ele.
Realmente ele percebeu o quê somos. E pareceu não se importar.

O álcool e a esperança na humanidade aliviaram a noite. E trouxeram, para o começo de 2017, uma confiança e uma fé renovadoras.

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por Celsão correto

vídeo recebido por whatsapp. Mas também disponível no Youtube aqui

figura retirada daqui

P.S.: o conto provém de uma estória real. 

jesus-rosto-realTodo o alvoroço de fim de ano, agregado a alguns prazeres que o dinheiro pode comprar, coisas fúteis e exageradas em qualquer cultura, me fizeram pensar na razão disso tudo.
E então vieram as mensagens de final de ano via whatsapp… e um amigo me lembrou que Jesus era de esquerda.

É inacreditável o quanto se consome, se gasta, se desperdiça, nas duas principais datas do cristianismo: Natal e Páscoa. Coincidentemente, ambas têm relação com o mais famoso dentre os cristãos: Jesus Cristo.

“Se o aniversário é de Jesus, por que você quer presente?” – dizia uma piadinha em meu celular – enquanto eu me perguntava quantos realmente sabiam que era aniversário “dele”, e quantos, mesmo sabendo, se importavam com o fato.
Percebo, infelizmente, que aquele “espírito natalino”, que nos toma e nos acomete de bondade, caridade e boas ações para com o próximo, está um tanto raro. E, num desperdício de “all inclusive”, imagino quantas famílias seriam abastecidas pelo que se consome aqui; e por quanto tempo…

Todo aquele que teve educação cristã, mesmo não sendo um católico ou protestante praticante, sabe que Jesus pregava a igualdade. Condenava a usura, a desigualdade e a exploração do homem por si próprio.
Mesmo que não acredite em toda essa “inclinação política”, sabe também que Jesus pregava contra o domínio irrestrito dos romanos e da elite judaica do seu tempo em Israel. E… andar, sentar-se a mesa com “impuros”, quer sejam eles mendigos, prostitutas e leprosos, era uma afronta às classes dominantes (e por que não dizer), ao imperialismo da época.

Numa das passagens mais famosas da Bíblia, Jesus, criticando o comércio exploratório nas portas do templo de Jerusalém, durante a Páscoa, quebra as barracas e condena aquela exploração; até os historiadores que pesquisam o “Juses real” (link no final do post), acreditam que essa arruaça existiu mesmo e foi causada por um judeu pobre, provavelmente descontente com a desigualdade social e o excesso de tributos.

Citando parte de um texto do comediante Gregório Duvivier (aqui), que escreveu como Jesus em primeira pessoa, fazendo crítica direta ao pastor evangélico Silas Malafaia, como outro exemplo do Jesus-esquerda:

(…) eu sou de esquerda. Tem uma hora do livro [Bíblia] em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

(…) Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin — esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica. Distribuo pão e multiplico peixe -só depois é que ensino a pescar.
Mesmo para os que não acreditam, em Deus, Jesus, na “Força” do Star Wars ou em qualquer entidade-pai à qual atribuimos as coisas que não explicamos… Fazer o bem, repartir, compartilhar é esquerda!
E é disso que precisamos para o futuro. É isso que desejo para o ano vindouro: mais esquerda para o mundo!
Se essa “revolução da esquerda” virá através da Alemanha revogando a “devolução” dos refugiados que entraram na Europa nesse 2016, na erradicação da fome, na devolução das terras palestinas ocupadas por assentamentos de Israel, através de mais empregos com salários justos, da doação de fortunas de bilionários, de melhores condições sociais nos países em desenvolvimento, de campanhas de melhoria no saneamento básico, proporcionando melhor saúde para populações carentes, ou, simplesmente de nós próprios, ajudando àqueles que precisam e estão bem próximos… não sei.
Sei que o ser humano, como tal, precisa evoluir. Darwin, na contramão da espiritualidade e da religião, provou que há evolução e ela é constante.
E EVOLUIR, ou ser melhor, na minha opinião, não é possuir mais, comprar mais, mostrar ao outro o que fez e faz…
É, sim, SER mais, no sentido puro, de evolução pessoal, principalmente evolução moral e intelectual. Sem descartar possíveis evoluções espiritual, física e material, que não impedem nem atrapalham necessariamente as citadas primeiramente.

Estou há dias encucado com essa filosofia cristã-consumista-cara-de-pau que temos adotado e atormentado com maneiras de irromper isso em palavras.
Ei-las aqui.

Que os ensinamentos cristãos do primeiro esquerdopata, Yeshua de Nazaré, ou que a evolução de Darwin nos guiem para um 2017 de ensinamentos, evolução e consequentes realizações.

por Celsão correto

figura retirada daqui. É a foto aproximada do Jesus real. Sem o romantismo Europeu que o transformou num ser bonito e mais aceitável…

P.S.: quem quiser disfrutar de duas leituras sobre o tema Jesus e sua real existência, a revista Super Interessante escreveu em 2003 e 2013 dois artigos aqui e aqui.  Outro texto que recomendo, principalmente ao que acreditam em Deus e criticam as instituições que o “amarram” a preceitos e dogmas, é o atribuido ao filósofo Espinoza, chamado “Deus segundo Espinoza” (aqui um link que apresenta ao fim uma breve biografia do autor)

P.S.2: Valeu Fabinho!

img_20161204_161853917Tinha de tudo…

Tinha muito “Fora Temer”, bordão já conhecido dos que frequentam a Avenida Paulista como espaço de lazer aos domingos.
A diferença é que haviam uns textos um tanto “ameaçadores” em distribuição: “Temer, você é o próximo!”, pregavam.

Tinha “Veta Temer” também.
E aqui tive alguma dificuldade para interpretar se a pessoa é a favor do presidente peemedebista ou se tem somente uma vã esperança de que este tome a reação popular e o problema causado pelas votações realizadas durante a semana passada na “calada da noite”, como problema da Nação Brasileira e vete todos os pontos alterados nas dez medidas anti-corrupção.
A manobra foi suja e indigna, mas não creio que o presidente vetaria a sua totalidade. No máximo distorcerá algum item para que fique ainda mais oblíqua a interpretação do texto final…
(É verdade. Não tenho esperança alguma em Michel Temer)

img-20161205-wa0001_Tinha “Fora Renan” e “Fora Maia”.
Mas poucos pareciam estar na manifestação para afastar os presidentes corruptos do Senado e da Câmara Federais. Os verdadeiros artífices do processo de alteração e votação das medidas contra a corrupção.
Renan, agora réu, aparecia mais. Havia inclusive um boneco dele, ao lado de um dos carros de som.
Tomando o que fizeram: durante a madrugada, sem aviso e com pouco alarde, na noite pós acidente aéreo da Chapecoense (post nosso aqui), em que todos estavam “concentrados” e consternados com o ocorrido, foi incabivelmente errado.
O mínimo a pedir, numa manifestação justa, é o afastamento (ou renúncia, melhor ainda), de Renan e Maia.

Mas as faixas mostravam mesmo era o apoio irrestrito à Lava Jato. Meu Deus, como tinha citação da Lava Jato.
E, como não poderia deixar de ser, vinculado, ligado à Lava Jato está o “Herói Nacional” Sérgio Moro. Tinha Sérgio Moro de Super-Herói, em estampas de múltiplas camisetas, em faixas… Arrisco a dizer que tinha mais Sérgio Moro, que Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato juntos…
Sou contra o endeusamento do juiz. Seus métodos são passíveis de discussão, visto que não são unanimidade sequer na classe jurídica (post nosso aqui).
Mas acho equivocada a determinação, ou a “abertura” criada pela lei de abuso de autoridade. O caminho, pra mim, é julgar cada ato dos juízes isoladamente. E punir em caso de real abuso.
Cercear juízes, Polícia Federal e Ministério Público, praticamente impedindo-os de julgar políticos, proferir sentenças e REALMENTE investigar os crimes cometidos por estes, é tolher a justiça. Ou, ao menos, direcionar os seus efeitos…
As reclamações sobre esse ponto, ou sobre essa alteração são justas. Só não precisava parar aí, ou focar demasiadamente aqui.

Tinha gente de verde a amarelo e gente de preto.
Tinha gente criticando os de preto e nos “alertando” sobre a real intenção desses. Diziam que eram a favor do PT e da Dilma, sem sequer perguntar minha opinião.
Mas o texto desses de preto, pedia a prisão do Lula e citava o governo PMDB como continuação do “desastre PT”.
Aquele velho problema de quem critica sem sequer ler a mensagem passada, sem pensar ou entender, sem pesquisar que o principal partido articulador da votação às pressas e “na miúda” foi o PSDB, queridinho do estado de São Paulo. (aqui notícia do Estadão a respeito)
Enfim… dá pra deduzir que tinha muita gente sem saber contra o quê protestar.

Tinha carro de som e artista falando.
Tinha presença de movimentos “apartidários”.

Tinha conhecido, encontrado por acaso, me perguntando que cartaz eu carregava.
E a esses, respondi refazendo a mesma pergunta.

Tinham cartazes pedindo intervenção militar. Alguns pediam isso e usavam o “já”, para dar intensidade.
Tinham cartazes pedindo o fim dos privilégios, pedindo o fim dos partidos, pedindo anarquia…

E tinha gente que só passeava. Ouvia boa música, aproveitava o domingo.
Coisas de paulista na Paulista…

Aliás, tal criação do petista Haddad (que propôs fechar a avenida mais famosa da cidade aos domingos para o lazer), fez-me lembrar que outra petista, Dilma, foi quem anunciou o tal “pacote” de medidas anticorrupção em Março do ano passado (aqui em nosso arquivo, e aqui citando uma fonte da mídia).
Pacote de medidas, destroçado e distorcido agora.
Coisas de Legislativo Brasileiro…

por Celsão correto

figuras de arquivo próprio

img-20161130-wa0001Me pareceu que, ontem, a Terra parou.

A brevidade da vida. A imprevisibilidade de um acidente aéreo. A fragilidade do ser humano.

Paramos ontem para lamentar um acidente de uma equipe de futebol que voava para um sonho.
Mas que isso, paramos para analisar a própria vida. E o impacto que a inevitável morte traz, sobretudo aos que ficam.
Impossível não pensar em familiares, amigos e até nos desconhecidos de Chapecó, e no sentimento de perda deles. Improvável não lembrar paralelamente da NOSSA fragilidade e repensar nossas ações e objetivos de ultimamente…
Somos felizes?
Quanto tempo será que ainda temos de vida?

A fatalidade de ontem interrompeu o post quase concluído, sobre a morte de Fidel Castro.
Coincidentemente, fiz quarenta anos ontem. A idade daquela marca de “começo” ou “recomeço” segundo o ditado.
Mas subjetivo impossível.

Donde no puedas amar, no te demores” – roubo a citação de Frida Khalo para lamentar consoante não só a perda e a impotência em mudar certas coisas; mas também lamentar o desperdício de tempo, do dia-a-dia que nos consome atrás daquilo que não sabemos se conseguiremos, nem sempre temos a certeza que o queremos e as vezes nem sabemos ao certo ser correto sob a ótica moral.
Lamentar também, sobretudo, o desperdício de amor!
Com ou sem uma religião ou credo que explique o inexplicável e traga conforto, no amor todos cremos; e muitas vezes é ele, apesar de estranho e desconhecido, que preenche os vazios e dá sentido.
Se o pequeno clube catarinense mostrava grandeza em sua breve história, movia e comovia uma cidade em prol de suas conquistas, o fazia também por amor, pela sensação boa de dever cumprido, pela busca do “algo mais” na incessante batalha diária.
É possível afirmar que todo o país adotou a “Chape” por representar essa busca, por ter a superação como lema, por ver muitas vezes no esporte o espelho da vida. E em suas improváveis e vibrantes vitórias o reconforto desejado.

img-20161130-wa0002E as homenagens do mundo, principalmente as feitas por desportistas de diferentes nacionalidades e esportes, reforçaram o choque da perda e a sensação de que não existem super-homens, não há livramento para tudo, por mais que sejamos famosos e bem sucedidos.
O minuto de silêncio memorável, proporcionado na partida do Liverpool (vídeo aqui), e o símbolo da Chapecoense projetado nos telões da NBA, antes dos jogos dessa terça, deram a proporção do ocorrido. Mostraram que realmente “paramos”, em choque…

Foi como uma “sacudidela” impossível de ignorar. Aquele “toque” para mostrar que nós não somos seres superiores.

por Celsão filosófico

figuras recebidas por whatsapp no dia de ontem. Desconheço a autoria

6jan2016-o-candidato-a-presidencia-dos-eua-donald-trump-fala-durante-comicio-de-campanha-em-nashua-new-hampshire-trump-ameacou-retirar-investimentos-previstos-na-escocia-no-valor-de-945-milhoes-de-1Péssimo-realismo.

Com a já por mim esperada vitória de Trump, fica ainda mais nítida a gravidade das sombras que pairam sobre este Planeta.

Se eu tivesse a crença em algo grandioso, tipo Deus e Diabo. Se eu tivesse a crença em conspirações do Universo. Se eu tivesse a crença que somos reféns de outros seres vivos, ou alienígenas, ou da natureza.
Se eu tivesse a crença de que somos escravos de enfermidades mentais causadas por vírus, bactérias, ou má formações anatômicas no cérebro, que não nos permitem raciocinarmos nem sermos quem realmente poderíamos ser.
Se ainda me restasse a crença ou me ocorresse qualquer explicação que causasse alívio…..

Mas a realidade que percebo é outra, e ela é cada vez mais assustadora, não só porque ela parece estar a piorar, mas também por ela se revelar cada vez mais clara para mim.
E é por ser assustadora que sinto cada vez mais gosto e necessidade da reclusão.
O duro da realidade, é que o problema somos nós mesmos. Somos nossos próprios demônios. Somos nossos algozes. Não tem vírus, não tem Deus, nem Demônio, nem ninguém. Quem manipula é o ser humano. Quem se deixar ser manipulado, é o ser humano. Quem escolhe o fascismo, o ódio, o individualismo absoluto, é o próprio ser humano. E assim o escolhe por que é falho, frágil, débil, e por que não dizer, mau?

É difícil achar conforto. Na verdade, quanto mais o procuro, menos encontro.
Artes e música se mostram uma boa fuga, onde por breves momentos, nos esquecemos que também estamos nesta ilha.

Sendo nós os próprios algozes do Mundo, não resta sequer o alívio do clichê conformista: “pobre de nós”.
No máximo resta um: “pobre da vida”.

por Miguelito Filosófico

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O que posso dizer?

As insinuações racistas, sexistas, preconceituosas e intolerantes venceram.
O tal do americano “redneck” ou americano médio mostrou-se tão perigoso quanto o terrorista armado, agindo por ódio, egoísmo exacerbado e autodestruição.

A hegemonia não é a resposta para o mundo. Um Trump como líder de uma nação hegemônica é ainda pior.
Queria que não houvesse influência no resto do mundo.
Ou que realmente o discurso de alguns “Ele só disse isso por estar em campanha. Da boca pra fora!” fosse verdade. Difícil de acreditar que uma pessoa que comunga de tal pensamento há anos, mude de ideia exatamente depois de ser escolhido para governar o país mais poderoso do Mundo…
Compartilho abaixo uma carta da Avaaz, disponível aqui para assinatura.

Caro Sr. Trump,

Não há grandeza no que o senhor está fazendo.

O mundo inteiro rejeita seu discurso de medo, ódio e intolerância. Rejeitamos seu apoio à tortura, seu clamor à morte de civis e a forma como o Sr. incita a violência em geral. Rejeitamos seu menosprezo às mulheres, muçulmanos, mexicanos e milhões de outras pessoas que não se parecem com você, não falam como você e não rezam para o mesmo deus que você.

Decidimos enfrentar seu medo com compaixão. Frente a sua desesperança, escolhemos a confiança. E, em vista de sua ignorância, escolhemos a compreensão.

Como cidadãos globais, nós resistimos à sua tentativa de separar-nos uns dos outros.

Atenciosamente,

Celsão correto


figura retirada daqui
P.S.: o link da figura contém alguns argumentos explicando alguns porquês do ódio mundial ao senhor Donald Trump. Vale a pena a leitura.

foto_miguel_apresentacao_01Ocorreu em Erlangen na Alemanha, de 12 a 15 de outubro de 2016, o IV Encontro Mundial de Escritores Brasileiros no Exterior, coordenado pela Drª Else R. P. Vieira, professora na Queen Mary University de Londres.

O evento reuni há 4 anos escritores brasileiros residentes no exterior. Neste ano tive a honra de ser convidado e participar, expondo o meu trabalho como articulista.

Para minha apresentação, refleti sobre possíveis temas e assuntos que melhor representassem minha linha de abordagem escrita. Escolhi assim como tema: filosofia, sociedade e senso crítico. Como gênero escolhi: texto expositivo e resenha crítica.
O título escolhido foi: A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal.

O amigo Celsão, coincidentemente de passagem por Erlangen, pôde estar presente no último dia do evento, sábado 15 de outubro, dia de minha apresentação. Para quem ainda não leu, clique AQUI para acessar o inspirador artigo dele, que contém uma perfeita dosagem lírica, expondo suas impressões sobre o evento.

Para preparar minha apresentação, redigi um texto base, com o conteúdo que eu desejava expor. Segue abaixo o texto.

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O conteúdo, assim como a mensagem a ser transmitida, estão resumidos no título da apresentação.

O título “A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”, une algumas ideias, conceitos e compreensões que penso serem de enorme importância para a formação de pessoas mais humanas e cidadãs.
Na medida em que eu for desenvolvendo o raciocínio, explicarei o significado de cada parte do título, e como elas se encontram formando uma proposta mais ampla.

“A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”

No livro O Mundo de Sofia, a garota Sofia começa a receber cartas de um misterioso “professor”, onde lhes vão sendo apresentadas gradativamente reflexões, perguntas críticas, e um resumo básico da história da filosofia, as principais correntes filosóficas que já existiram e os principais filósofos na perspectiva do professor. O Mundo de Sofia visa despertar o pensamento crítico no leitor, além de fornecer a oportunidade de entrar em contato com as belezas da filosofia. Penso que O Mundo de Sofia deveria ser material obrigatório na formação do caráter de qualquer cidadão. (Leia também AQUI outro artigo onde menciono O Mundo de Sofia e traço comparações entre passagens filosóficas e a situação política do Brasil no começo de 2016)

A palavra “filosofia” (philos = aquele que ama e sophia = sabedoria), tem origem no grego. A junção das duas expressões philos + sophia gera a palavra filosofia, que significa “aquele que ama a sabedoria”.

Portanto, a influência da filosofia nesta apresentação está principalmente, mas não somente, presente no nome Sofia em meu título.

“A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”

Bruma é o mesmo que nevoeiro, ou cortina de neblina. Como na fábula do Rei Arthur e as sacerdotisas da Ilha de Avalon, as brumas de Avalon, são uma cortina de fumaça que não permitem as pessoas enxergar a ilha de Avalon, escondida atrás das brumas do lago.

As Brumas indicam no título, portanto, a cortina de fumaça, o nevoeiro, que impede que as pessoas enxerguem a realidade. São os fatores que obstruem nossa melhor compreensão do mundo ao nosso redor, e causam uma cegueira interior, uma cegueira para com nosso autoconhecimento. É a alienação, que nos impede de alcançar Sofia, a sabedoria.
Além dos fatores pessoais, como o ego, nossos medos, traumas, inveja, etc, a nossa alienação é fruto de sistemas educacionais degradados e abandonados; fruto da manipulação feita pela grande mídia deteriorada, bandida, antidemocrática e a serviço de uma minoria absoluta da sociedade, mas detentora de todo o Poder, a elite; e fruto da histórica e eterna manipulação da forma de pensar das sociedades através das igrejas, que inserem seus dogmas em detrimento da ciência.
Estes três fatores são os principais responsáveis por uma sociedade alienada e praticamente desprovida de senso crítico. Uma sociedade imersa nas Brumas, e incapaz de alcançar Sofia.

A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal”

Baseado num artigo postado neste blog em junho de 2014, A Era das Opiniões reflete uma sociedade pouco crítica, pouco intelectualizada, e muito alienada, que de repente se depara com um amontoado de informações caóticas de fácil e rápido acesso. Esta sociedade então, tendo disponível muita oferta de informações, valoriza pouco as mesmas, seguindo a lei econômica da Oferta X Demanda. Esta mesma sociedade também é incapaz, devido ao seu baixo senso crítico e baixa carga de conhecimento, de distinguir em meio a tantas informações, quais são valiosas e quais não; quais lhes agregam valor e conhecimento, e quais só lhes confundem e alienam.

Para entender melhor este termo que envolve algumas reflexões, sugiro a leitura do artigo de junho de 2014, “A Era das opiniões: direitos e deveres”, clicando AQUI.

“A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal

Há um documentário que me marcou muito, feito pelo filósofo Roger Scruton, chamado “Why Beauty Matters?” (por que a beleza importa?). Em uma das brilhantes passagens neste documentário, Scruton afirma o seguinte: “…Em nossa cultura democrática, as pessoas frequentemente pensam ser desrespeitoso julgar o gosto ou a opinião de outros. Alguns se sentem até ofendidos com a sugestão de que existe “gosto bom” e “gosto ruim”…”
Clique AQUI para acessar minha resenha sobre este documentário, postado também neste blog.

Tomando a liberdade de abrir o leque do que foi proposto por Scruton, da mesma maneira que é sim possível e prudente definir certas coisas como “bom” ou “ruim”, é também prudente diferenciarmos em muitas situações ou temas, o “certo” do “errado”, o “feio” do “bonito”, o “bem do “mal”.

É claro que nem sempre existe certo e errado, ou feio e bonito, e há muitas questões que são subjetivas, ou até mesmo tão complexas que é possível haver diversos caminhos de pensamento possíveis. Mas temos que analisar cada situação, cada tema, individualmente, para sabermos onde é, ou não, possível definir verdades e certezas.
Usar o argumento clichê de que “não existem verdades, tudo na vida é relativo”, é um sinal de pobreza intelectual e argumentativa, onde busca-se generalizar tudo, negando o conhecimento e valores ético-morais. Isso é ruim para o debate, atrasando o avanço intelectual das sociedades. Com essas generalizações vem a negação à ciência.

Nesta mesma linha, sabendo-se da desvalorização que as opiniões sofreram nos dias de hoje, estando inclusas aqui informações de cunho metodológico e com propriedade; e sabendo-se que existe um senso comum que afirma não existir “certo ou errado”, chegamos a algumas máximas dos tempos atuais: “Respeite minha opinião, pois não existe opinião certa ou errada”. Ou, “todo mundo tem direito de emitir opinião”.

“Eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo”. Essa frase foi escrita por Evelyn Hall em seu livro biográfico sobre o filósofo francês Voltaire.
Portanto, a proposta não é a censura das opiniões alheias, muito pelo contrário, a liberdade de expressão é um dos bens mais preciosos que uma sociedade pode alcançar.

A proposta é alertar a sociedade sobre a importância de um pensamento coletivo crítico no sentido de que, liberdade vem atrelada a responsabilidades. Se a sociedade, o governo, as leis lhe dão liberdade para agir ou falar como bem entender, isso significa que você, à partir deste momento, tem que conhecer os seus limites, os limites do próximo, e ter noção de cidadania e convivialidade. Senão, alguém vai precisar intervir contra você para garantir a liberdade e os direitos dos outros. Afinal, você tem liberdade sim, mas o que acontece quando ela invade a liberdade de outra pessoa? Quem tem mais direito à liberdade, você ou o outro?

Isso se aplica não só às afirmações que nós fazemos na forma falada, mas também naquilo que escrevemos. Também devemos nos atentar às correntes de e-mail e whatsapp que reenviamos a nossos conhecidos, assim como os posts que curtimos e compartilhamos no facebook, twiter, instagram, pois ao reenviar, curtir ou compartilhar algo, estamos dando nosso atestado de concordância, ou ao menos dando fortes indícios de que achamos aquilo importante, interessante, engraçado, etc.

Lembremos que meu foco é no bombardeio de informações que diluem o conhecimento epistemológico no meio do mar de opiniões; também da incapacidade da sociedade de separar o joio do trigo.
Claro que é importante analisar a importância do ego na sociedade atual, a superficialidade não só das informações, mas também das relações como bem trata o pensador polonês Zygmunt Bauman (nossas vidas são líquidas), o fortalecimento da elite e sua capacidade de manutenção do status quo, a intensificação do sistema capitalista selvagem que suga todo o tempo do ser humano em seus afazeres diários, sobrando pouco tempo para assuntos infelizmente secundários, como a cultura, intelectualidade, a reflexão e crítica do mundo ao seu redor; e tantas outras questões deveriam ser levadas em conta para entendermos melhor a proposta aqui apresentada.

Conclusão:

Resumindo tudo que foi apresentado, pode-se dizer que:

  • Há uma oferta demasiada de informações, e utilizando a lei da procura, oferta alta gera desvalorização do produto, ou seja, as informações perdem valor.
  • A grande quantidade de informações disponíveis, faz com que aquelas estruturadas numa metodologia científica, sejam diluídas no mar de opiniões e pontos de vista subjetivos.
  • A falta de senso crítico presente na sociedade, devido ao péssimo sistema educacional, uma mídia e igrejas manipuladoras, geram não somente mais cidadãos falando “pelos cotovelos” e emitindo suas opiniões aos quatro cantos do mundo, mas também geram uma incapacidade destes cidadãos de separarem o joio do trigo (separar o que é opinião daquilo que é fato/ciência).
  • Clichês se tornam máxima na sociedade: “respeite minha opinião”, “não existe certo e errado”, “isso é questão de opinião”, “isso é questão de gosto”, “tudo depende”. Esses clichês empobrecem o debate e atrasam o avanço e desenvolvimento intelectual das sociedades, pois ignoram e desrespeitam as ciências, o conhecimento epistemológico, a intelectualidade.
  • Não devemos censurar opiniões ou reduzir o direito das pessoas de emitir julgamento e se expressarem. Mas entender a Era das Opiniões, compreendendo e reconhecendo os problemas seríssimos que esta traz para a sociedade atual, é importante para que possamos debater sobre tais questões e adquiramos consciência da importância de um aumento de nosso senso crítico, e para que entendamos os perigos e prejuízos que as nossas opiniões (e as opiniões daqueles ao nosso redor) emitidas sem consciência, podem causar à sociedade e ao próximo.

Portanto, a proposta do trabalho “A Era das Opiniões: As Brumas de Sofia entre o bem e o mal” foi trazer a ideia de que vivemos na “Era das Opiniões”, onde a liberdade de expressão e os meios de comunicação modernos (internet, redes sociais) permitem a qualquer pessoa emitir opinião sobre tudo, tendo ele conhecimento ou não sobre o assunto, o que banaliza a informação, e esta perde seu valor, seguindo a lei da oferta x procura.
Este bombardeio de informações chega a uma sociedade alienada e manipulada, incapaz de enxergar as verdades devido a sua cegueira (as brumas), e por isso impedida de atingir o verdadeiro conhecimento, ou a sabedoria (Sofia). Por consequência, esta sociedade tem uma profunda dificuldade de fazer julgamentos críticos e racionais, e não consegue diferenciar o bom do ruim, a verdade da mentira, a crença da ciência, e “o bem do mal”.

Na Era das Opiniões, a sabedoria fica encoberta por um nevoeiro, dificultando a distinção entre o bem e o mal.

por Miguelito filosófico

figura: foto da própria apresentação

post-estrada-da-vidaNessa longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar
Na esperança de ser campeão, alcançando o primeiro lugar

Ouvi essa música acidentalmente num uber.
E me deparei com sua (talvez real) intenção. Era uma semana difícil, semana em que a filosofia não me deixava…

Quem falou isso?
Quem estabeleceu que só o primeiro lugar interessa? Que precisamos ganhar sempre?

E que maldito modo de comparar a nossa mísera e comum vida com a de outrem, que é a internet, com seus Facebooks e demais aplicativos acessíveis e acessados donde quer que estejamos!
Não basta viajar pra Europa. É preciso registrar, divulgar e “compartilhar”.
Não seria esse compartilhar uma tentativa quase desesperada de se sobrepor nalgum aspecto sobre outras pessoas igualmente frustradas?

Frustração.
É aquilo que nos atinge quando não podemos realizar algo.
Quando não podemos trocar de carro, quando não conseguimos pagar a melhor escola para nossos filhos, quando o salário não dá para esbanjar em restaurantes e coisas fúteis.
Mas tal sentimento também está presente quando não nos entendemos com familiares, quando não podemos ajudar quem precisa e também quando não nos sobra tempo para os filhos e para amigos que gostamos.

Primeira pergunta importante: por que não podemos nos sentir frustrados somente com os “itens” subjetivos citados no segundo parágrafo?
Por que sempre o material (ou a falta dele) nos frustra?
E a segunda pergunta que me atormentou: por que compensamos a falta de tempo com a família e amigos, a falta de paciência e a impotência ante a situações desagradáveis com o que listei no primeiro parágrafo?
Por que imaginamos que presentes caros substituíram carinho e apreço, que lembrancinhas de outros países ou marcações na internet substituirão o tempo não investido? Que compartilhar notícias e vídeos revoltantes do youtube ajudarão na redução desse sentimento de impotência em relação aos males do mundo?

Ouvi estórias tristes ultimamente.
De homens que não fizeram amigos no colégio ou faculdade, mas que fizeram contatos.
Como se conhecer o filho do dono da empresa “X” ou escritório “tal”, fosse mais importante que risadas inocentes num churrasco; ou mais importantes que empatia e respeito mútuo.
As crianças mimadas, treinadas para competir sempre, não aceitam negativas e usam essa ambição agressiva para atingir seus objetivos, galgando sobre outros, incluindo aqueles que poderiam ser seus amigos!

De pais superprotetores que desenham pros filhos um futuro “deles”, com objetivos imputados, passando por caminhos e etapas que eles não gostariam de trilhar.
Tolhem a liberdade de escolha. E ainda pioram a realidade, pois ensinam que a felicidade está ligada ao TER e independe de outras pessoas. Cada um que a busque e a consiga.
Ah… essa meritocracia danada que premia poucos…

E dentre os problemas desse raciocínio está o fato de que quase toda empresa possui apenas um presidente; e um sempre reduzido corpo diretivo.
E… nem todo mundo alcança a possibilidade de andar de Ferrari, de morar nos Jardins, de ter seus filhos estudando num Colégio Porto Seguro…
E a frustração reaparece. Mais forte do que nunca. Até para esse que não atingiu o almejado 0,1% do topo da pirâmide, e se encontra “apenas” na faixa do 1% mais rico.

Quem se preocupa consigo hoje em dia?
Com a própria saúde, com as emoções, com controlar o próprio eu?
E acho que o número de respostas positivas diminui mais ainda se estendermos essa análise para as pessoas próximas, para o que merecem (e demandam) nossa atenção.

Pessoalmente, a frustração do não ter sempre me mostra o quão longe estou daqueles que gostaria de estar perto.
Escancara a verdade irrefutável. Tenho o suficiente, mas me falta tempo para usufruí-lo. Para compartilhar, compartir e retribuir.
E isso, sim, aumenta bastante essa inquietude em mim, esse sentimento estranho de frustração, me fazendo evoluir.

por Celsão filosófico

figura retirada daqui

Portas Fechadas

Posted: September 5, 2016 in Sociedade
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Porta-fechadaJosé saiu de casa muito cedo.

Mulher e três filhos ainda dormiam nos dois cômodos que fez nos fundos da casa de sua sogra. Sem tempo e zelo para o café ralo e puro, caminhou apresado rumo ao ponto da única linha de coletivos que serve sua comunidade. O bruto veio atrasado, lotado e mal cuidado, tarifado pela ida e pela volta por meio dia de serviço que José nem tem.

Horas intermináveis com fumaça e buraco, pigarros e bocejos. Parecia uma coreografia mal ensaiada com bailarinos como  ele.

Fim do primeiro trecho, numa Central do Brasil muito longe de ser holywoodiana. José entre centenas, milhares talvez de outros josés, manés e bonés. As portas fechadas por preocupação, o dia começando lá fora e a cidade descobrindo seus sons e sonhos urbanos. Camelôs e prostitutas, menores abandonados, ladrões e trabalhadores, todos em um mesmo fundo de tela. Vários josés, centenas de marias, outros tantos anônimos, disputando uma corrida sem chegada, sem podium, sem nada.

José confere o recorte de jornal: “Temos vagas”. Sonha novamente, pensa na mulher, nos filhos, na cachaça e no farto almoço. Na marmita, nada de novo. Mais lotação, mais condução, mais confusão. De novo lotado, de novo mais caro, José sacudindo rumo ao endereço recortado, mal cortado. No ônibus, um grito, um susto, um assalto, um beijo, um pastor e duas putas. Um motorista rude, um cobrador sem alma, um ponto final longe da calçada. Desce José com o papelzinho na mão e uma esperança na cabeça. Fosse ele um cineasta do cinema novo, faria um daqueles filmes que não são compreendidos.

Desembola o papel e confirma o endereço. “Há Vagas”. José sorri, mas nem percebe.  Tempo não tem, mas lhe deram. Porta fechada. Reabre depois, quando o chefe quiser. José vê a obra, José olha as horas, caminha na calçada pro tempo passar, mas a fome não passa.

Espera na banca, lendo manchetes com outros josés, algumas marias: Palestinos  e atentados,  Congo e campos da morte, Argentina e desespero, preços sobem com o dólar, demissão de metalúrgicos, assassinatos de sem-terra, mandantes absolvidos, hipocrisia e Bolsonaro, Wack e Hulk, corrupção  e impunidade, crime organizado e polícia desorganizada, seca malvada, chuvas ingratas, padres pedófilos e comunistas ungidos, políticos canalhas, descuido e descaso, maracutaias e deputados, besteiras e mulheres peladas.

Os sons da rua, uma rua do Centro, ambulância e pedintes, freadas e discussão, vitrines e ofertas, estudantes e secretárias, gravatas e apertos. José confere a porta fechada, fila de dez, 12 talvez. Mais uma vez, a porta fechada se abre pro aviso – “ficha só depois do almoço! – procurem o dotô!”, que vai ver, nem formou, mas é doutor. José ganhou tempo sem pedir, pensa na mulher, pensa nos meninos, dois na escola sem professor, um com a avó. A mulher na lida, na luta, faxinando o sustento em casas vizinhas. Lembrou-se da promessa: “Só volto empregado!” Perdeu meio dia, mas não a marmita. Almoça sentado, é abordado por um PM fardado, os documentos mostrados, a dúvida, o esculacho, o desrespeito, a vergonha e a porta fechada.

José pensa no bairro, na rua, na vila. Lembra do barro, do mato, dos ratos. Imagina ambulância, hospital, doutor, vacina, saneamento, escola, condução, jornal, prefeito e polícia no seu bairro distante, feudo de traficante. Ri sozinho do dengo, do Mengo e da vida. Vasculha a memória, se lembra  de um sorriso que deu na infância, doce lembrança no sal da avenida cinzenta que mantém  portas fechadas.

Porta aberta, José se assanha, se apressa e se apresenta pro mestre de obras que tem  emprego e afilhado, José chegou tarde. Porta fechada. Mais uma na cara. José desde cedo na rua, procurando trabalho, não quer ser bandido, não quer sem mendigo, não quer ver seus filhos chorando ou no crime, quer trabalho e cidadania, quer respeito e cafuné na nuca. José chora pra dentro, soluça escondido.

Seis da tarde, hora de ir embora, gente com pressa andando ligeiro, esse é o Rio de Janeiro. Na volta pra casa, o pensamento distante, a promessa quebrada, um guarda safado, um bandido estirado, dois ônibus lotados, os últimos trocados,  o santo xingado, sua rua esburacada, sem poste, sem ambulância, sem segurança, um cachorro enjoado lhe morde o calçado, José chuta o bicho pro lado. Nesse instante surge a vizinha: “Não chuta o cachorro, José, violência não!”

José nem responde. Não tem nem por onde.

Em casa, outra porta fechada.

por Raul Filho

figura retirada daqui

Post_RafaelaTodos a querem. Agora.
Todas querem estar ao seu lado e mostrar-se parte da conquista.
A direita fala do militarismo, do esforço próprio, da não necessidade de cotas nem de patrocínio público…
A esquerda fala sobre as críticas ácidas feitas na Olimpíada anterior e sobre o estereótipo negra-mulher-suburbana tão odiado pela elite nacional.

É fato que muitas medalhas conquistadas em jogos olímpicos e pan americanos são conquistados por atletas militares. E isso desde o começo do século XX, quando as medalhas vinham exclusivamente das competições de tiro.
Independente do grau de sucateamento, a estrutura militar oferece tempo e disciplina, itens raramente exibidos em clubes nacionais e programas de financiamento ao esporte.
Então…  é (sempre) esperado que algum atleta do exército ou marinha seja laureado com o pódio e, também, por que não, com o hino.

Outro fato, inegável, mas talvez de mais complexa compreensão, é a exceção de uma medalha para atletas brasileiros.
Uma Rafaela, um Diogo Silva, um João do Pulo, um Claudinei Quirino no revezamento do atletismo são exceções.
Até mesmo atletas com melhores condições sociais, como César Cielo e Flávio Canto são exceções.
Não há estrutura para atletas profissionais. Sobretudo longe de modalidades como futebol e vôlei (esse nos últimos vinte anos). E mesmo que haja um patrocínio, aderido a ele há sempre uma ameaça de cancelamento, um atraso de pagamento, um prejuízo emocional dificilmente calculável…
E, pior ainda, se não há estrutura para o atleta de hoje, tampouco há futuro para ex-atletas profissionais!

Voltando ao cerne da questão, afirmar que Rafaela ganhou sem cotas e sem feminismo é ignorar o país onde vivemos. Que não gosta de mulher, de negros, de pobres.
E que não tolera fracassos, sobretudo de mulheres, negros e pobres.
A bolsa-atleta é um benefício que não pode ser concedido a todos. E Rafaela a possui.
É parte de um assistencialismo necessário quando a sociedade não oferece as mesmas “condições iniciais” a estudantes, profissionais e atletas. Quando não há ISONOMIA.
Sem isonomia e sem auxílio para se chegar em condições semelhantes a outros atletas no mundo, não há como mensurar deste atleta a MERITOCRACIA, palavra tão adorada pela elite que não percebe o ambiente, as cercanias em que se encontra o nosso Brasil.

O mérito existe. Não há dúvida.
É da Rafaela. É da equipe dela. É da marinha que a treinou. É do governo petista que a ajudou.

Ela venceu. Mas venceu hoje!
O resto da vida terá de aturar comentários machistas, sofrer assédios indesejados, enfrentar discriminação nos mais diversos locais, como em restaurantes, responder questionamentos obtusos sobre as favelas do Rio e a Cidade de Deus…

Coisas que o Faustão e o Luciano Huck de hoje, da festa pós-olímpica, não farão surgir novos patrocínios no amanhã.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: como citei João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, ex-recordista mundial e medalhista olímpico do salto triplo, coloco também o link da Wikipedia do ex-atleta (aqui). João foi exceção em seu tempo e virou a triste regra da falta de oportunidades na carreira de atleta: teve depressão e sofreu com alcoolismo, morrendo solitário e com problemas financeiros.