Posts Tagged ‘alienação’

Como nos últimos tempos todos nós brasileiros nos concentramos em demasia na questão do Impeachment da Presidente Dilma, acabamos dando pouca atenção a outras questões que correm em paralelo.

Resolvi dar minha contribuição para que o leitor possa se atualizar, tomando conhecimento de algumas notícias e fatos bizarros ocorridos nas semanas que antecederam ao Impeachment; ações de nosso Vice-Presidente (Michel Temer – hoje Presidente), do Presidente da Câmara (Eduardo Cunha – recentemente “temporariamente” afastado de seu mandato como deputado por decisão do STF), e do nosso Congresso Nacional (a voz do “povo”).
Vejam as últimas manchetes sobre estes, que buscam derrubar a Presidente Dilma Rousseff com a promessa de fazerem uma “limpeza ética” na política brasileira, e realizarem um Governo para o “povo”.

Obs: ressalto que essas notícias ocorreram antes da votação do impeachment pelo Senado. Pretendo fazer um post na mesma linha, ressaltando as notícias do pós-impeachment no Senado.

Senado_Composicao

  • GLOBO

O Globo, 19.04.2016
Cunha diz que não votará qualquer projeto enviado pelo Governo Dilma, a não ser que seja para “derrubar”
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O Globo, 26.04.2016
Temer promete aos ruralistas (Agronegócio) revisar desapropriações e demarcações
AQUI

O Globo, 26.04.2016
Eduardo Cunha foi derrotado na discussão sobre criação da Comissão da Mulher, que deveria ser adiada. Mas forçando nova votação, aprovou a criação do Colegiado
AQUI

Globo, 26.04.2016
Fernando Collor vai a Temer propor programa contra Crise
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Globo, 27.04.2016
Dilma vetou no passado, mas Câmara acelera votação do reajuste do judiciário
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O Globo, 29.04.2016
Após reprovar filha de Eduardo Cunha em exame de condução (Exame Nacional de Trânsito), em 2008, funcionário do Detran é acusado de extorsão e é suspenso. O mesmo tenta anular até hoje a punição dada em 2009
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O Globo, 29.04.2016
Documento de Temer prevê privatização de “tudo o que for possível”
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  • FOLHA

Folha, 08.04.2016
Cunha quer colocar parentes de Deputados no plenário durante votação do Impeachment, e ainda pretende evitar a presença de manifestantes
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Folha, 27.04.2016
Temer abre espaço na agenda para receber benção de Silas Malafaia
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Folha, 02.05.2016
Temer sonda Bispo da Igreja Universal para ser Ministro da Ciência e Tecnologia. (Nada melhor que alguém com a agenda mais retrógrada, conservadora e anti-científica, que trabalha com a mistificação, o obscurantismo e o charlatanismo para administrar toda a pesquisa científica do país)
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Folha de São Paulo, 02.05.2016
Bispo licenciado da Igreja Universal é cotado para o Ministério da Ciência e Tecnologia
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Folha, 02.05.2016
Em vídeo com Marco Feliciano, Michel Temer pede orações e prega “pacificação”
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Folha, 12.05.2016
Ministério de Temer deve ser o primeiro sem mulheres desde Geisel
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  • ESTADÃO

Estadão, 15.04.2016
Delator aponta propina de 56 milhões a Eduardo Cunha
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Estadão, 28.04.2016
Sem alarde, comissão do Senado aprovou PEC que derruba a legislação ambiental para licenciamento de obras públicas
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  • BRASIL 247

Brasil247, 12.04.2016
Roberto Jefferson pede a Temer linha dura com movimentos sociais
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Brasil247, 27.04.2016
Ministério Público do Maranhão pede prisão de até 29 para Roseana Sarney. Temer quer Roseana como Ministra da Educação
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Brasil247, 29.04.2016
Globo defende “reformas e ajustes” anunciados por Temer
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Brasil247, 01.05.2016
Base aliada de Temer é a mais Ficha Suja da história
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  • UOL

Uol, 25.04.2016
Bancada da Bala (armamentistas), Bíblia (evangélicos) e Boi (ruralista), que foram essenciais na votação do Impeachment, já começam a pressionar Temer
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Uol, 30.04.2016
Juíza proíbe estudantes da UFMG de discutir Impeachment de Dilma
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Uol, 03.05.2016
Câmara aprova caráter de urgência no reajuste salarial dos Ministros do STF e servidores do MPU
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  • OUTROS

O povo, 25.04.2016
Serra deve assumir Ministério da Educação em governo Temer
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(@ acabou assumindo o Ministério das Relações Exteriores, ainda mais apropriado, para um cidadão de lema: PRIVATIZAÇÃO)

Exame, 26.04.2016
Grupo de Temer quer cortes na saúde e educação
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Infomoney, 26.04.2016
Moro é eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time
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Infomoney, 27.04.2016
Ruralista, deputado Marcos Montes, vai propor a Temer mudar a Constituição para que Exército possa atuar com MST
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Pátria Latina, 27.04.2016
Temer diz que pedido de eleições diretas no caso de afastamento de Dilma é tentativa de Golpe
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Exame, 27.04.2016
Proposta de Emenda Constitucional, já apelidada de PEC anti-Lula, prevê proibição de candidatura a quem não tiver curso superior
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Revista Fórum, 28.04.2016
Em discurso contra a criação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, deputado afirma que mulheres “de verdade” não querem ser empoderadas, mas sim cuidadas. Ele ainda afirmou que feministas são mal amadas
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Expressão Sergipana, 28.04.2016
Projeto do deputado Laércio Oliveira proíbe que tempo no banheiro seja computado como horário de trabalho
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  • O que parece PIADA, mas não é

Globo, 09.05.2016
Waldir Maranhão, presidente em exercício da Câmara dos deputados federais, anula a votação do impeachment.
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Folha, 10.05.2016
Eis que misteriosamente, poucas horas mais tarde:
Waldir Maranhão revoga a anulação da sessão do impeachment
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  • Bônus: Quem tem CUNHA, tem medo – Old but gold

Temer-e-Cunha
Folha, 20.08.2015
Cunha recebeu propina por meio da Assembleia de Deus, acusa a Procuradoria Geral da República
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Pragmatismo Político, 09.10.2015
Jarbas Vasconcelos, fundador do PMDB, chama Cunha de “doente” e “psicopata”.
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Último Segundo,  04.11.2015
Bancada evangélica aprova PEC que dá à Igreja poder de questionar Supremo
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Estadão, 30.11.2015
Justiça Suíça multa Cunha por tentar criar obstáculos a investigação sobre contas
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por Miguelito Nervoltado

Imagens retiradas do Facebook e daqui, respectivamente

Post_02_Festa desdemocraciaNão sei como intitular o que está se passando…
Mas sei que a votação do impeachment será feita de forma declarada (cada deputado se dirigirá ao centro da casa e terá um tempo para explicar os porquês), iniciando-se as 14h de domingo.

Isso mesmo, DOMINGO. Num estabelecimento onde se trabalha normalmente três dias por semana, de terça a quinta.
Não haverá transmissão de partidas de futebol.
Aliás, sequer haverá partidas de futebol no dia mais tradicional para elas.
Mas, afinal, não é a Globo que manda (também) nos clubes de futebol e no calendário das confederações estaduais deste esporte?

Dizem que tampouco haverá Faustão. A rede televisiva “roubará” a melhor oportunidade de audiência que a TV Câmara terá nos últimos tempos.

E o que se espera de tudo isso?
Óbvio: que a votação chegue ao seu final ou ao menos já esteja definida no horário do Fantástico, a revista semanal do Brasil!
Parece piada, mas não é…

Estamos prestes a afastar uma presidente do poder. Uma presidente que teve (aceitando-se ou não) a maioria dos votos dos eleitores em pleito livre, há menos de dois anos.
E não há a seriedade que o ato de afastamento exige. Não há respeito!
Sequer respeito pelos que seguem contra o impeachment, por qualquer motivo que os leve a isso.
E se houverem confrontos na rua? Em frente ao Congresso em Brasília, na Avenida Paulista e em muitos outros lugares, haverá certamente populares pró- e contra-impeachment.

Ao invés da sociedade prestar um “luto democrático”, de conscientização de voto (imaginando que a esmagadora maioria dos votantes de Dilma tenha se arrependido do ato), teremos festas e celebrações.
(por falar em voto, não esqueçamos que, ainda neste ano, elegeremos representantes municipais, para os poderes Executivo e Legislativo)

Dentre as celebrações, haverá em São Paulo, em frente ao MASP, a apresentação do grupo “Carreta Furacão”, que tem os personagens Capitão América, Fofão, Mickey e Popeye como artistas (notícia aquilink alterado e funcionando).
De novo, não é piada!
O MBL (Movimento Brasil Livre) e seus apoiadores contratarão o grupo do interior de São Paulo para brindar (?), comemorar (?), achincalhar o momento, no melhor estilo “paulista golpista”.
Detalhe: o criador do personagem Fofão, Orival Pessini, é contra a utilização do personagem para esta festa de DESmocracia.

Mas não para por aí. A avacalhação segue…
O Partido Solidariedade, cujo líder é o deputado conhecido como Paulinho da Força, está organizando um bolão entre os deputados.
A meta é acertar o placar final da votação de domingo. E o prêmio vai somente para aquele que “cravar” o resultado. (notícia aqui)
Piada, ou palhaçada?
O Congresso não está preocupado com a repercussão desse fato, não está preocupado com sua própria imagem, nem com a governabilidade após o provável afastamento da presidente. Estão preocupados em qual deles acertará o número final do pleito.
É como se a instituição que melhor representa o povo (ao menos deveria), suas demandas e vontades, estivesse abandonado às chacotas!

Outra do Congresso: a ordem da declaração dos deputados.
Dizem que não seguirá critérios lógicos, como sorteio aleatório, ordem alfabética de nomes, de estados da federação ou ordem por partido (maiores bancadas iniciam, ou menor número de representantes primeiro)…
A ordem será definida pelo Sr. Eduardo Cunha e deve começar com representantes do Sul do país, em ordem “geográfica reversa”.
Como se entende e supõe que o Sul tem maior concentração de deputados contra o impeachment, é uma maneira clara de pressionar deputados que ainda não declararam seu voto e apoiadores. E também de reacender a estúpida disputa ou divisão observada logo após a reeleição de Dilma: Norte-Nordeste ignorante e Sul-Sudeste iluminado.
Como se já não bastasse a recente dicotomia que enfrentamos: direita = o bem, Deus; esquerda = o mau, Diabo, o PT.

Para completar a transmissão da Rede Globo no domingo, sugiro escalar o Galvão Bueno para narrar os votos entre 16h e 18h (com comentários de Casa Grande), Faustão assumir a programação na sequência, e William Bonner apresentar excepcionalmente o Fantástico. No final do programa, Pedro Bial pede que a Dilma renuncie, enquanto ouvimos ao fundo a música do Big Brother Brasil…

por Celsão revoltado

figura retirada de outro vídeo muito bom do pessoal da Porta dos Fundos (aqui). Afinal, nós aqui do blog também comemos caviar, defendemos bandidos e somos satanistas

DelaçãoA notícia dos últimos dias é (ou foi) o vídeo do canal Porta dos Fundos, intitulado “Delação”.
Pra quem não viu, seguem dois links aqui e aqui (pois vai que algum juiz ou desembargador maluco resolva tirar do ar)
O vídeo suscitou inúmeros outros, no próprio Youtube, contendo críticas ferrenhas ao canal, ao ator e diretor Gregório Duvivier e colocou todos os atores no mesmo “balaio” intitulado simplesmente de petralhas.

Mas… quem dissemina o ódio através de palavrões e argumentos difusos, só auxilia a desinformação. Só confunde àqueles que carecem de clareza ou que estão formando o seu caráter.
Infelizmente não é disso que precisamos hoje, dado o momento político delicado…

Então, para continuar o assunto de listas e “perseguidos” da atualidade, a última fase deflagrada da operação Lava Jato, chamada Carbono 14, divulgou estórias de empresas offshore, geralmente localizadas em paraísos fiscais e sempre fora do país de residência das pessoas, muito utilizadas para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal (pra encurtar o assunto).
Os tais “Panamá Papers” contém em sua primeira lista divulgada, 26 brasileiros; alguns do meio político, como o ex-ministro Delfim Neto e políticos como o nobre Eduardo Cunha, além de outros de PMDB, PP, PSD e PSDB.
Pois é… Eduardo Cunha aparece novamente numa lista de empresas quiçá lícitas no exterior. E não existem petralhas, ao menos nessa primeira lista. Como não existem políticos do PSOL, PCO e PSTU citados na Lava Jato até então. Para os que pregam a não-corrupção apartidária, segue como dica de prováveis candidatos para 2016 e 2018! (meu lado extrema esquerda não poderia deixar essa passar…)
Segue link para a lista dos brasileiros citados até aqui. Aliás, nela existem nomes de empresários já atolados em corrupção, de empresas condenadas na Lava Jato, como Odebrecht e Queiroz Galvão.
Existem estrangeiros também: russos ligados a Putin, parentes do primeiro ministro britânico, Maurício Macri, atual presidente argentino (óóóóó) e até o rei da Arábia Saudita (país já conhecido por aqui, dado o cerceamento de direitos, as manipulações, as condenações antidemocráticas, etc) – pra quem quiser a lista completa, de Lionel Messi a Jackie Chan, aqui está.
Adendo interessante: o primeiro ministro da Islândia também estava na lista. E renunciou 48 horas depois do vazamento da mesma. Ah… que inveja da hombridade dos outros…

Voltando a falar do Porta dos Fundos e citando outra lista “famosa” nas redes sociais: a lista de Constantino.
O senhor Constantino, economista e blogueiro de direita, também incitou o ódio ao divulgar uma lista de artistas e intelectuais que “defendem o indefensável PT”, usando palavras dele.
Nessa lista, prévia do AI-5 de 2017 (quem sabe?) constam nomes como Chico Buarque, Laerte, Tico Santa Cruz, Alcione e, também, Gregório Duvivier; ele mesmo!
E o mais espantoso: o Facebook teve a audácia de bloquear o cidadão, sem motivo algum, por sete dias. Ele próprio comenta o fato, chamando-o de “censura petista” (aqui)

Não comprem mais nada deles. Não assistam a seus programas, não leiam suas colunas, não comprem seus livros, não vão a suas peças de teatro, não comprem seus CDs. Eles precisam saber que não será impune atentar contra a democracia brasileira. Xô, petralhas!

Mais um exemplo não só de ódio, mas de polarização burra, resumindo a sociedade em bons e maus e generalizando a esquerda conduzindo-a pro lado mau da estória. (Afinal, Fidel Castro devora criancinhas até hoje!)
Olhando a lista, tá claro que o Porta dos Fundos se encontra nela. Porém, é uma lista, aliás, bem problemática de se seguir à risca, já que atores globais, jornalistas de diferentes meios e músicos de vários seguimentos têm seu nome citado. E… como assim boicotar a Folha e a Rede Globo!?!
A satirização da lista foi enorme, muitos comemorando a presença ou lamentando a ausência. A última versão do próprio blogueiro detinha 767 nomes! Aqui para quem quiser procurar o próprio nome 😉

Mas, diferente de querer somente difundir o ódio ou incitar a violência, termino citando Antônio Tabet, que publicou uma “defesa” do Porta dos Fundos, não só se posicionando politicamente, mas defendendo a liberdade (e o direito) de expressão.

Esse revanchismo bobo só fomenta o ódio. Incentivar a censura ou a intolerância nada mais é que um recibo de que você pode ser tão fascista quanto os fascistas que critica. Sejam eles imperialistas americanos ou comunistas cubanos. Sem falar na ignorância de quem coloca a Lei Rounet no bolo sem saber que não cobramos cachê que cobraríamos em outros filmes, mas pagamos com justiça uma equipe com centenas de profissionais trabalhando no país da crise.

O texto completo do Tabet, humorista sem muita noção e criador do portal Kibe Loco, pode ser lido na Veja, aqui.

por Celsão revoltado

figura retirada do vídeo do Youtube, aqui

P.S.: Há um site oficial (em Inglês) sobre o Panamá Papers (aqui); é um trabalho sério, de uma associação internacional de jornalistas investigativos

outro P.S.: compartilho um só link sobre a infrutífera discussão do vídeo “Delação” (aqui). São tantos comentários e vídeos-resposta absurdos, que me entristece e me faz temer Bolsonaros, Cunhas, Felicianos e Marchas da Família.

Coreografia_CavernaImagina uma caverna subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles.

Imagina homens que passem para além da parede, carregando objetos de todas as espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro.
Não julgariam eles que nada existiria de real além das sombras?

Pensa agora naquilo que naturalmente lhes aconteceria se fossem libertados das suas cadeias e se fossem elucidados acerca do erro em que estavam.
Se lhe mostrarem imediatamente as coisas à medida que se forem apresentando, e se for obrigado, à força de perguntas, a dizer o que é cada uma delas, não ficará perplexo e não julgará que aquilo que dantes via era mais real do que aquilo que agora se lhe apresenta?

Quando você vê uma sombra, Sofia, na mesma hora você pensa que alguma coisa deve estar projetando esta sombra. Por exemplo, pode acontecer de você ver a sombra de um animal. Talvez a de um cavalo, mas você não está bem certo. Então você se vira e vê o animal verdadeiro, que, naturalmente, é muito mais bonito e de contornos mais nítidos do que a imprecisa sombra. É por isso que Platão considera todos os fenômenos da natureza meros reflexos das formas eternas, ou ideias. Só que a maioria das pessoas está satisfeita com sua vida em meio a esses reflexos sombreados. Elas acreditam que as sombras são tudo o que existe, e por isso não as veem como sombras.

Os sentidos nos fornecem uma visão enganosa do mundo; uma visão que não está em conformidade com o que nos diz a razão.
Nós mesmos contribuímos para o que sentimos e percebemos, pois somos nós que escolhemos aquilo que nos é importante.
… saber que não se sabe também é uma forma de conhecimento.

Os homens embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram.
Para enxergar claro, basta mudar a direção do olhar.
Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe.
Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.

É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio.

Os que questionam são sempre os mais perigosos. Responder não é perigoso. Uma única pergunta pode ser mais explosiva do que mil respostas.
… perguntar é importante, mas não é preciso se apressar com uma resposta.


Acima está uma colagem, um tanto quanto aleatória, de passagens dos livros “O pequeno príncipe”, “O mundo de Sofia”, e da “Alegoria da Caverna” presente na obra “A República” de Platão.

Cada um em sua maneira, essas obras visam despertar o bom senso, o senso crítico, o interesse, a moral e ética, o discernimento no leitor, e automaticamente, na sociedade.

Diante dos acontecimentos recentes do Brasil, com uma intensificação da utilização da mídia e da justiça como ferramenta de caça partidária, com a radicalização, principalmente da parcela mais rica e “branca” da sociedade, no ato de condenar de forma “seletiva” atos de corrupção e/ou antiéticos (inaceitável quando praticado por um partido político específico, mas se praticado por outros, ignora-se ou alivia-se). Frente a protestos com direito a abadá, carros alegóricos, madame rica lançando garrafa de prosecco em caminhão da tropa de choque estacionado, “esquentas” para protestos em hotéis de luxo, passeatas regadas a muita cerveja, música e coreografia estilo carnaval.

Diante dos atos de um Juiz e seus comparsas do Ministério Público de São Paulo, em sua caça implacável e irredutível a um ex-presidente e aos integrantes de um partido, atos esses criticados por quase unanimidade dos juristas brasileiros mais respeitados, por ministros do STF, pela OAB, e até mesmo por políticos da oposição ao atual Governo.

Em meio a tudo isso, e ao notar a celebração, da maioria das pessoas pelas quais tenho apresso, comemorando e concordando com esses absurdos, essas aberrações; e notando assim a que grau de primitividade, insensatez, desonestidade intelectual, baixaria e agressividade o ser humano pode chegar, encontro-me sem palavras para expressar o tamanho de minha dor e frustração.
Sendo assim, ficam as passagens acima, algumas delas pensadas a milhares de anos, mas que hoje se fazem tão necessárias quanto antes, e outras destinadas a um público infantil, mas que podem ser aplicadas muito bem aos adultos das “Avenidas Paulistas” Brasil afora.

por Miguelito Filosófico

A figura é uma montagem de duas imagens, retiradas daqui e daqui

Post_Cuidar_Filhos_02Sem dúvida é inglória, complicada e extremamente imprevisível a tarefa.
Livros são escritos, exemplos bons e maus são compartilhados, e ainda assim sobra o tal sentimento de culpa, de que daria pra fazer diferente, e melhor!

Minha intenção aqui não é mandar uma receita de bolo. Até por ter um “teto de vidro” nesse caso, representado num pimpolho cheio de energia de dois anos.
A intenção também é mostrar exemplos: um bom e um mau. Opinando de forma pirata, só pra variar um pouco…

Começando de forma otimista, destaco o exemplo do vídeo do youtube mencionado no meu post-conto anterior (post aqui e vídeo aqui).
O escritor e radialista Marcos Piangers conta experiências de pai numa palestra do canal TED, relacionando o carinho impagável enquanto mostra a culpa sempre presente, mesmo quando as preocupações infinitas (com alimentação saudável, por exemplo) são focadas incessantemente. Destaco o trecho final, que é o título da palestra dele: do que as filhas precisam. As filhas (e filhos) não precisam de dinheiro, não precisam de coisas, de presentes, de bens materiais. Elas precisam de harmonia, de um mundo melhor, de menor desigualdade social, da extinção do machismo e do racismo, de uma igualdade plena entre cidadãos, entre homens e mulheres…
Precisam também de pais presentes (e mães, obviamente). De pais que queiram ser pais, que escolham ser pais; de momentos juntos, de qualidade de relacionamento. Me dói ver babás de branco em escolas e shoppings. Dói pelas babás, que trocam muitas vezes o carinho dos seus próprios filhos, para cuidar e educar outros, quase sempre por necessidade. E também dói pelos pais e mães que não estão vivendo o momento mágico da infância dos seus filhos, não estão acompanhando sorrisos e abraços.

Post_Como educar um filhoE, para exemplificar esse lado “ausente” dos pais, compartilho um comunicado fotografado em meu condomínio há um ano. Comunicado da pequena S. que perdeu brincando um IPhone 5S ganho no aniversário de 10 anos…
Destaquei a palavra brincando, pois é exatamente o que penso que crianças de dez anos devam fazer: brincar. Um celular de última geração é algo falso e forçado na inocência juvenil; traz a tônica do “ter algo para ser melhor” a uma idade que nem deveria se preocupar com isso. Se a marca do tênis, o estojo e as viagens de férias já mostram as diferenças sociais entre os alunos de uma escola, um IPhone aos dez anos inicia a competição gananciosa e escancara a desigualdade muito cedo!

Se eu pudesse falar com a menina, avisaria logo que a ameaça do pai é infundada.
Aquele IPhone é mais dele do que dela. É a ostentação do pai que planejou o presente (talvez numa viagem internacional), para dizer aos amigos do trabalho, do futebol, do clube que comprou um “IPhone último modelo” para dar de presente para a filha pré-adolescente.
É já que representa um sonho de consumo dele aos dez anos, transferido para a filha… ele seguirá realizando este sonho sempre que puder, já que conseguiu realizar tal sonho uma vez, independente das travessuras e do valor que a filha der aos presentes caros. Será assim com a viagem aos treze, a festa cara aos quinze e com o carro aos dezoito anos dela!

É um efeito compensatório, que troca o tempo com os filhos por mimos e IPhones caros. E essa busca da compensação não tem fim, uma vez que as crianças se acostumarão ao mecanismo e os adultos acreditarão ser a única maneira de curar as falhas como adultos cuidadores e responsáveis.
Se extrapolarmos o exemplo da jovem S. para outros adolescentes de classe média, há um enorme risco de toda a geração atingir a vida adulta sem conhecer a palavra “não”, sem ter passado por restrições, punições, castigos.

Mas, como disse no início, é um assunto “sem receita”, não há uma lista do “o quê fazer”.
Agradeço em nome dos filhos aos que deram o seu melhor; e desejo sorte aos que estão ou pretendem iniciar esse árduo intento.

por Celsão correto

P.S.: primeira figura retirada do vídeo do youtube citado acima (aqui). segunda figura de arquivo pessoal

1*_fWLZw19yrctwBOY5HyvWAO ambiente corporativo é ironicamente engraçado. Num conto que publiquei aqui, usei uma figura do “Mundo Dilbert”, pois sempre me lembro das máximas publicadas nas tirinhas. Nas estórias, a pessoa que menos conhece, que mais atrapalha, é colocada na posição de chefia; pois um chefe é exatamente quem menos atrapalha no dia-a-dia braçal e rotineiro de uma empresa ou departamento.
E são inúmeros os exemplos de chefes que possuem empáfia sem empatia, muita pose e pouco conteúdo, não estimulam nem exercem liderança, e ainda demonstram, a quem notar de verdade, que não conhecem o negócio que gerenciam.

Um colega tem uma teoria interessante, que chamarei de “dois anos”. Ele diz que um funcionário que anseia por carreira ou evolução no mundo corporativo deve ficar no máximo dois anos no mesmo departamento ou posição.
Nesse tempo é preciso começar um projeto de médio ou longo prazo. Explicar bem os objetivos em Power-Points coloridos, mesmo que os “meios” para se chegar aos fins propostos não estejam claros.
Enfatiza-se seguidamente a importância do projeto para todos os problemas existentes.
Daí inicia-se o processo de buscar uma nova posição ou mudança e, quando essa aparece, reúne-se a equipe, novamente exagerando a importância do projeto.
Pronto!
Se o projeto der certo após a saída do “criador”, ele será lembrado pelos resultados.
Se não der certo, atribuirão a falha à saída do tal carreirista; e este terá sempre um lugar “maior” garantido nesse departamento.

Parece ridículo. E é! Mas muito do que aparece de “moda” no comportamento corporativo é igualmente ridículo.
Os anglicanismos, o discurso igualitário do RH, os cortes que ocorrem sempre em setores produtivos, como vendas… Tudo isso é ridículo e forçado!

Houve um tempo que a moda estava nos MBA’s. Muitos surgiram e se tornaram mais e mais caros. Os cursos que possuíam estágio no exterior e networking com empresários famosos tornaram-se uma passagem direta para a diretoria de corporações.

Hoje a moda são livros e palestras sobre empreendedorismo.
E não é só o Steve Jobs que lucra no post-mortem com livros. Empresários brasileiros como Abílio Diniz, Eike Batista e os donos da ambev “surfam” ou “surfaram essa onda”. O que era auto-ajuda contra problemas emocionais na década passada, mudou para o mantra “sucesso e dinheiro agora” nas livrarias.
Esses “empreendedores de palco”, como classificou com maestria o redator publicitário Ícaro de Carvalho (texto dele aqui) não só deturpam o mundo corporativo, mas também ignoram os esforços dos que lutaram e venceram.

É o que esperam os preguiçosos da chamada geração Y: um atalho rápido e eficiente para a fama! (notem que não estou falando de todos os “Y”)

Você está a um único centímetro da vitória. Não pare! Se desistir agora, será para sempre. Tome, leia a estratégia do oceano azul. Faça mais uma mentoria, participe de mais uma sessão de coaching. O problema é que o seu mindset não está ajustado. Você precisa ser mais proativo. Vamos fazer mais um mastermind? Eu consigo um precinho bacana para você…

A citação do texto do Ícaro é repetida intensamente na literatura vazia e se transforma em verdade. Como se só vontade, orientação divina e ter conhecidos entre famosos empreendedores resolvesse tudo. Se o melhor dos três pontos apontados: o “ter conhecidos” ou networking (chamado de mastermind hoje em dia) é feita somente com pessoas na mesma situação, pessoas de discurso vazio, ainda pior. Quero dizer que, juntando empreendedores de palco com vontade, ternos e inglês impecáveis, mas sem experiência prática, sem capacidade para tornar real os Power-Points, nada acontece. É só geração de entropia.

O asco que sinto por estes materiais vazios, por essa filosofia de “chefes prontos” não cabe em palavras e não creio que consegui explicar nesse post. O mal que causam à uma sociedade acrítica, em lenta formação, que pouco ou nada lê, é incalculável!
Creio que só saberemos os reais impactos quando tivermos os mal-sucedidos da geração Y em tratamento anti-depressivo pelo SUS!

Não é disso que precisamos. Não é isso que queremos.
Só um desabafo…

por Celsão revoltado

figura retirada do texto do Ícaro Carvalho citado acima (aqui). Texto que recomendo a leitura

P.S.: outras implicâncias com a geração Y aqui; e com (contra) o mundo corporativo aqui, além do conto citado no texto

ColoniaNa cidade de Colônia – Alemanha, na noite de réveillon de 2015/2016, na praça principal da cidade, em frente à famosa catedral, houve uma série de acontecimentos lamentáveis.

Nos vídeos amadores disponíveis no Youtube, e que também foram utilizados em noticiários televisionados, era possível ver dezenas, talvez centenas de pessoas, em sua maioria homens jovens, aparentemente bastante alcoolizados, e atirando fogos de artifício em todas as direções, e com frequência, na direção de grupos de pessoas.

Rojões explodiam no meio da multidão, outros miravam os fogos na direção oposta da praça, e eram respondidos com outros fogos vindos do outro lado. Cenas de caos, falta de responsabilidade e cidadania completa. (Como exemplo, escolhi um vídeo: clique AQUI)

Contudo, não foi esse episódio que assombrou a sociedade alemã, mas sim algo bem mais polêmico, e ainda mais lamentável.
Segundo o relato de algumas dezenas de pessoas/vítimas, a maioria delas mulheres, grupos de homens com aparência árabe ou norte-africana, passaram a realizar, no meio deste caos, agressões sexuais contra mulheres e também assaltos. As agressões variavam de acordo com os relatos, e iam desde toques nos cabelos e braços, até chegando a tocar as partes íntimas da vítima por dentro da roupa. Houve até um relato de estupro.

Se realmente os relatos forem verdadeiros (muito provavelmente o são), esse episódio marca uma noite lastimável e bárbara na história da cidade de Colônia. Sequer me darei ao trabalho de debater machismo aqui, mas me limitarei a dizer o óbvio: o que aconteceu foi, acima de tudo, crime! Um crime bárbaro onde o criminoso não só desrespeita a lei, mas desrespeita, por completo, o próximo enquanto ser humano. É um crime que mostra um transtorno ético e desvio de conduta simplesmente inaceitáveis!

Dito tudo isso, vamos ao que se desenrolou após tal noite.

Esse acontecimento se popularizou e tomou os debates jornalísticos e nas redes sociais. Prós e contras rapidamente surgiram, alguns mais coerentes, outros mais bárbaros que o acontecimento em si.

Grupos de extrema-direita ou nazistas utilizaram-se do episódio para legitimar seus discursos racistas e xenófobos. Esses mesmos grupos passaram, mais que rapidamente, a escrever em seus jornais, blogs e redes sociais, que os autores dos delitos eram “refugiados”, e a partir desta afirmação especulativa e discriminatória, enfatizaram o discurso de “Alemanha para alemães, fora refugiados, fora estrangeiros”. E o que mais assusta não é ouvir nazista dizendo isso, mas sim ver grupos de pessoas mais neutras (em cima do muro), ou simplesmente mal informadas, passando a concordar com tais ideias. Gente que não participa de movimentos do Pegida, não aprova ideologias nazistas, etc, dizendo: agora esses refugiados passaram dos limites!

É incrível ver como as pessoas, quando se sentem ameaçadas, afrouxam seus valores, sua ética, e sua racionalidade, e passam a pensar e agir de forma emocional e reacionária (reação a uma ação). E não estou falando de gente com pouca escolaridade somente, estou falando de acadêmicos, com curso superior, mestrado, doutorado, pessoas que teoricamente leem jornais diariamente e se julgam não-alienados.

Na internet se lê: “Angela Merkel é culpada, queremos sua cabeça.” “Culpadas são as feministas, que gritam devido a piadas, mas nada fazem frente a algo grave como o episódio.”
Grupos de homens de direita propõem na internet, organizar ônibus de homens para irem a Colônia “defender as mulheres brancas”. Outros grupos planejam reação em massa ao ocorrido, com vingança e justiça com as próprias mãos, inclusive com ataques a abrigos de refugiados.

Muitos se perguntaram: e a polícia, por que não fez nada?
Eu também pergunto isso, afinal, segundo parecer policial, nos arredores da praça havia cerca de 200 policiais, cerca de 1000 pessoas festejando e aconteceram dezenas de delitos, praticados por aproximadamente 60 homens. Se nada foi visto por qualquer policial, há algo estranho, a conta não fecha. Porém eu prefiro esperar mais informações mais completas, antes de especular.
Já aqueles que querem tirar proveito da situação, começam a afirmar que “a polícia está entregue à máfia de estrangeiros”, ou “a polícia tem medo, e finge não ver”, etc. Argumentos, ao meu ver, absurdos, sem nexo, e desprovidos de qualquer vínculo com a realidade alemã.

Li, e ouvi da boca de conhecidas: “eu estou com medo, passarei a tomar mais cuidado nas ruas da Alemanha”, ou “a Alemanha sempre foi tão segura, agora tá assim”.
Tudo bem, entendo o receio, mas essa sensação de estado apocalíptico de segurança pública, é impulsivo e emocional. É como se em uma cidade do interior o Brasil, com 100 mil habitantes e com 20 homicídios/ano, acontece um atentado terrorista num baile de formatura e morrem 200 pessoas. Então alguém vem e diz: estou muito inseguro pois a criminalidade da cidade subiu 1000%.
Não, a criminalidade, ou número de homicídios, não subiu, só pelo fato de um maluco, uma vez na vida, ter resolvido explodir um clube.

Ouvi inclusive da boca de brasileiras o mesmo sentimento de insegurança. Então perguntei: “você pretende voltar ao seu país ainda? Pois se está com medo de andar nas ruas da Alemanha, é melhor construir uma fortaleza no Brasil”.

Conversando com dois irmãos alemães, que conheço destes bares da vida, escutei que esse acontecimento é uma prova de que chegamos no limite. Eles me disseram que em Berlim há bairros onde a polícia não pode entrar, dominados por estrangeiros (sério?). Em 20 anos a Alemanha será um país muçulmano, e eles pretendem fugir para o Uruguai em breve (ou seja, eles serão os estrangeiros).
Eu os indaguei, educadamente sobre alguns pontos. Mesmo recebendo respostas em tom agressivo, mantive-me calmo e pacífico. Num certo momento falaram de “adaptação à cultura alemã”. Eu disse concordar que um estrangeiro deveria se adaptar à cultura do país, mas que é preciso tomar cuidado, pois adaptar-se 100% é impossível. Um deles discordou e começou a gritar “se não for 100%, tem que ir embora!!!”. Então eu disse: Eu não me sinto 100% adaptado, no máximo uns 80%.
Ele ficou furioso, disse que eu estava falando besteira, e que eu estou sim 100% adaptado. Então perguntei se ele sabia mais de mim que eu mesmo. A conversa fugiu do controle, e entendi que era melhor eu ir para minha casa.

Um dos argumentos mais utilizados para justificar o discurso de que os delitos foram cometidos por estrangeiros (ou refugiados), foi o do “choque cultural”. Afirma-se que os muçulmanos entendem que uma mulher com roupa curta, ou apertada, está se oferecendo, e portanto, podem fazer o que quiserem com elas.
Se isso fosse verdade, deveríamos ter taxas de estupro e de assédio sexual aumentando progressivamente na medida em que mais muçulmanos chegam na Alemanha. Mas este não é o caso (pelo menos não conheço tais números). O que ocorreu, se ocorreu, não foi choque cultural, mas sim um acontecimento pontual, um crime premeditado e planejado por um grupo de “pessoas”.

Outra afirmação corriqueira é: “a lei deve ser aplicada para todos!” Ora, alguém espera algo diferente disso caso o resultado aponte das investigações aponte para estrangeiros? É óbvio que a lei de um país vale para todos que ali estão.

Resumindo: É preciso esperar o parecer da polícia e o resultado das investigações. Caso o narrado tenha realmente ocorrido da forma como colocado no depoimento das vítimas, e caso culpados sejam encontrados, a lei deve ser aplicada rigorosamente a eles, somando-se todos os tipos de crimes praticados durante estes delitos (roubo, atentado ao pudor, estupro, etc).

Se os culpados foram estrangeiros, ou refugiados, é preciso também investigar as motivações e entender como ela foi planejada, e o porquê da mesma. Exatamente o mesmo processo deve ocorrer, caso conclua-se que alemães também estão envolvidos.
Uma vez conhecidas as motivações e objetivos destes grupos, é preciso que as instituições públicas tomem atitudes rápidas para evitar que novos episódios como esses ocorram.

Qualquer coisa que fuja do descrito acima no último parágrafo, é uma tentativa de utilizar-se de um episódio para legitimar ideologias. Quem assim o faz, não está preocupado com as vítimas, não busca justiça, não tem empatia, não quer soluções racionais; eles só veem uma oportunidade de propagação de suas ideias radicais, uma oportunidade para legitimar seu racismo e sua xenofobia, uma oportunidade de conquistar adeptos, neste momento mais frágeis e carentes de proteção, para comporem o quadro de novos-nazistas europeus.

Sim, talvez a solução seja fugir para o Uruguai; quem sabe sim, fugindo dos muçulmanos, mas mais provavelmente, fugindo dos próprios alemães.

por Miguelito Formador

Algumas fontes de informação na mídia e em blogs alemães: Aqui, Aqui e Aqui

figura retirada do próprio link do Youtube

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Com 17 anos, após concluído o Ensino Médio, mudei-me para a Alemanha com o intuito de aprender o idioma, ter novas experiências, abrir a cabeça, e quem sabe, cursar a universidade naquele país. Após 7 meses, resolvi voltar ao Brasil, por sentir falta de muita coisa deixada na minha terra natal. Mas uma ideia ficou em minha mente: “durante a universidade quero fazer um intercâmbio na Alemanha, voltando mais maduro àquele país, e tentar ver a vida de lá com outra perspectiva, além de poder ter a oportunidade de absorver conhecimento do ensino superior brasileiro e alemão mutuamente.”

Já no Brasil, fiz 6 meses de cursinho preparatório para o vestibular. Fui aprovado, em 2002, optando pelo curso de Engenharia de Controle e Automação na UNIFEI, em Itajubá-MG.
Já no primeiro mês de aulas dirigi-me ao coordenador do meu curso e perguntei sobre a possibilidade de fazer um intercâmbio na Alemanha.
Sua resposta ficou gravada a ferrete na minha memória. Sorrindo, sarcasticamente, ele disse: “você e a torcida do Maracanã querem um intercâmbio na Europa, rapaz. Você passou aqui, e vai estudar aqui. Nós não temos convênios com qualquer universidade da Europa, isso é luxo.

São muitas as barreiras e dificuldades envolvidas na realização de um intercâmbio. Pontuando algumas delas:

  • Aceitação da Universidade no Brasil, para que o aluno possa ficar 1 ano ou até períodos mais longos fora da Universidade, e ao voltar, continue tendo sua vaga garantida.
  • Não só a garantia da vaga, mais sim o reconhecimento das disciplinas cursadas em outra instituição de ensino superior, aproveitando as mesmas em sua grade curricular, evitando demasiados atrasos para a conclusão do curso.
  • Conseguir uma vaga como intercambista numa Universidade no exterior, principalmente em países desenvolvidos. Há aqui pouca disponibilidade, uma enormidade de exigências e burocracias que tornam este processo quase impossível.
  • Solução das diversas burocracias envolvidas neste processo, como por exemplo: aquisição de visto de moradia e estudo no país de destino, busca de moradia, registro formal em órgão público da cidade onde se vai viver (como prefeitura, polícia), informações sobre transporte público, abertura de conta bancária, registro de água, luz, telefone, celular, etc.
  • Organização da viagem, assim como o pagamento das despesas envolvidas: passagens áreas, passagens de trem e ônibus, seguros, transporte de bagagens extras.

E não irei pontuar outras, para não me alongar ainda mais.
Por isso, apesar de insensível e inflexível, meu coordenador de curso tinha razão ao ironizar meu sonho, e chamar um intercâmbio na Europa de “luxo”.

Passados quase 9 anos após o episódio, mudei-me para Alemanha por motivos profissionais e aqui vivo até hoje.
Vivendo na Europa há 5 anos, tive a oportunidade de acompanhar o processo do programa Ciência sem Fronteiras, e conhecer diversos de seus beneficiados. Muitos dos que conheci viviam na mesma cidade que eu ou nos arredores, mas também conheci tantos outros jovens que residiam e cursavam universidades em outras regiões da Alemanha, e mesmo em outros países, como Bélgica, Portugal, França, etc.

Considerando as dificuldades, já pontuadas acima, para a realização de intercâmbios, o programa Ciência sem Fronteiras é um projeto sensacional! Afinal, o Governo se responsabiliza por resolver todas as burocracias envolvidas neste processo e ainda financia o aluno.

O valor da bolsa para Europa oscila de aproximadamente 1.000 Euros para bacharelandos, até aproximadamente 2.500 Euros para pós-doutorandos, valores que causam inveja e espanto em qualquer estudante alemão (imagine então um estudante português!?!). Eles ainda recebem diversos auxílios como: material didático (1.000  euros), compra de um computador (4.000 reais), auxílio instalação, seguro de saúde, despesas de viagem, curso de idioma durante o período de 6 meses antes do ingresso na universidade, entre outros, além do mais difícil: que é a burocracia para serem aceitos na universidade e no país por 1, 2 ou 3 anos, burocracia essa facilitada pelo governo brasileiro.
Leia Aqui os detalhes do programa no próprio site do Ciência sem Fronteiras. 

Muitos utilizam o excedente da bolsa, que em muitos casos não é pouco, para frequentarem festas e bares, além das viagens, quase em todos os finais de semana, para algum país diferente. Claro que diversão e passeios são necessários e importantes para otimização do processo de vivência, mas quando isso se torna a prioridade/intuito, e o mundo acadêmico é levado em segundo plano, então penso que há uma inversão de valores.
Literalmente, são férias pagas por um ano, ou mais, com a contrapartida de um pouquinho de estudo e conhecimento adquirido, e um idioma arranhado.

Em sua maioria, pertencentes à classe média tradicional/alta, esses jovens carregam os clichês e bordões de sua classe no Brasil. Ao notarem algo que funciona bem, ou que é interessante na cultura do outro país, preferem criticar, com o devido asco, o “atraso” do Brasil, ao invés de buscar entender porque e como o outro país chegou àquele resultado positivo, trazendo assim esse aprendizado para o Brasil.
Criticam, sem o menor pudor e desprovidos de conhecimento político, o Governo Brasileiro. Falar em Dilma e PT é garantia de muitas risadas, deboches e verborragias. Porém, se questionados sobre Dilma e o PT serem os responsáveis por eles estarem no exterior torrando o dinheiro do contribuinte brasileiro, eles respondem com mais ódio e deboche, usando algum argumento sem o menor nexo, como por exemplo: “o dinheiro é dos impostos, não é a Dilma que é responsável por estarmos aqui”, ou “CsF sempre existiu, não foi criação da Dilma/PT!”, ou “já que roubam tanto, o mínimo que têm que fazer é patrocinar nossos estudos aqui fora”, ou “se pagam bolsa família para vagabundo, então não é mais que obrigação pagar bolsa para nós estudantes”….


Recentemente, a presidente Dilma enviou ao Congresso uma proposta de redução do orçamento do programa Ciência sem Fronteiras para 2016, com o objetivo de contenção de gastos neste momento de fragilidade econômica. A redução, que ainda pode ser revista pelo Congresso, reduz em aproximadamente 40% o valor do orçamento em comparação com 2015. Desta forma, o novo valor seria assim suficiente para cobrir os contratos já em vigor, ou seja, os gastos dos estudantes que já estão no exterior em processo de bolsa. Novos contratos/bolsas estarão, por enquanto, suspensos.
Clique Aqui para ler notícia da Folha 

Enfim, espero que, passado esse momento de fragilidade financeira do Brasil, que o Governo volte a liberar verba para este programa, mas que aproveitem a oportunidade para rever algumas regras:
Atrevo-me até a palpitar sugestões:

  1. Para o ingresso no programa, além da prova de aptidão, onde o nível de idioma e o desempenho acadêmico são levados em consideração, também deveriam ser observados e avaliados os objetivos, expectativas e perspectivas do aluno para com o intercâmbio.
  2. Para definir o valor do auxílio/bolsa deveria levar-se em consideração o custo de vida real do país onde o aluno se hospedará. Hoje em dia há uma bolsa fixa para Europa, por exemplo, mesmo sendo o custo de vida de alguns países da Europa três vezes maior que o de outros.
    Sei que é muito trabalhoso definir valor específico para cada país separadamente. Então talvez uma solução justa e menos trabalhosa seria separar os países em grupos de custo de vida parecidos, e assim, definir um valor de bolsa fixo para cada um desses grupos. Não será 100% proporcional para todos os países, mas será bastante justo.
  3. Controle de faltas na universidade – atualmente não há controle de presença desses alunos, este só existe para o curso de idioma que eles fazem antes do ingresso na universidade.
  4. Limite de média curricular (nota) para aprovação, por exemplo 70%; e obrigatoriedade de aprovação nas matérias cursadas.
  5. Os alunos devem passar por uma avaliação séria ao regressarem ao Brasil. Essa avaliação não deveria somente verificar o aprendizado acadêmico do mesmo no exterior, mas sim medir também a sua absorção da cultura daquele país, avaliar seu aprendizado geral, seu amadurecimento, a expansão de sua forma de pensar e ver o mundo. Se o desempenho do aluno for ruim, ele poderá ser penalizado, por exemplo, com a perda do reconhecimento daquele ano em sua grade curricular, o que atrasará a sua graduação. Outra forma de penalização poderia ser o reembolso ao Governo, dos investimentos deste para com o aluno.
  6. O valor da bolsa deve ter um teto e um piso para um mesmo país. Para definir qual valor o aluno deve receber entre o teto e o piso, deve ser levado em consideração, no mínimo, as condições financeiras do mesmo e de sua família. Desta forma, um estudante pobre receberia o teto ou algo próximo do mesmo. Já um estudante pertencente a uma classe média receberia um valor entre o piso e o teto, enquanto alguém da classe média alta ou rico receberia o piso ou algo próximo do piso.
    O piso, inclusive, poderia ser 0,00 R$, ou seja, nada. Alguém de condição financeira elevada não precisa do dinheiro público para se sustentar no exterior. Porém, mesmo ele seria e muito beneficiado pela bolsa, uma vez que a dissolução das burocracias envolvidas num processo de intercâmbio são no mínimo tão problemáticas quanto a questão financeira (como explicado mais acima).
    Outra vantagem deste ponto é que, eventuais “filhinhos de papai” que queiram somente curtir seu período no exterior, sem se empenhar ou se preocupar com seu aprendizado, teriam então, muitas vezes, seu desempenho cobrado não só pelo Governo, mas também por seus pais, afinal estes também estariam pagando uma boa parte de sua estadia e iriam, normalmente, exigir resultados.

* Para ler outros 2 artigos nossos sobre o CsF, clique AQUI (Natal do Ciência sem Fronteiras) e AQUI (Tudo na Mesma)

por Miguelito Nervoltado

figura retirada daqui

Natal_GuerraE mais uma vez o Natal se aproxima, e traz com ele a virada de ano.

O Natal é tempo de união familiar, de demonstrar nosso amor aos nossos entes queridos, de dar um abraço gostoso no melhor amigo, nos nossos pais, nossos avós e nossos filhos. Também no Natal, devido ao que ainda resta de vínculo religioso desta data com o cristianismo, lembramos de Jesus, e com isso, lembramos do amor ao próximo. É neste momento que dedicamos pensamentos positivos e orações aos pobres, aos menos favorecidos, aos que sofrem de enfermidades, aos cidadãos de países em guerra.

O Réveillon carrega a esperança do novo. Novamente abraçamos com muito afeto os nossos entes e amigos mais queridos, nos emocionamos, agradecemos pelos maravilhosos momentos vividos juntos no ano que se vai, e desejamos momentos ainda mais maravilhosos para o ano que se inicia.

Aproveitamos essa data para fazermos algumas promessas, definirmos alguns objetivos, normalmente visando tornar nossa vida mais feliz, ou nos tornarmos uma pessoa melhor e/ou mais saudável e/ou mais bem sucedida.

Mas e o nosso cotidiano fora destas datas, como anda? Andamos fazendo nosso dever de casa para que o mundo seja um lugar melhor, e assim, necessite menos de nossas orações e pensamentos positivos? Afinal, o nosso voto em 2014 levou em consideração as propostas daquele político para reduzir a pobreza e a fome no Brasil, levou em consideração suas propostas a favor das minorias que mais sofrem (pobres, deficientes físicos, negros, homossexuais, mulheres, povos indígenas)?

Quantas vezes por ano cumprimentamos o mendigo que vive no nosso bairro? Com qual frequência convidamos o mesmo para tomar um café na padaria conosco? E aquele cobertor que está no armário há quatro anos sem utilização; já pensamos em descer as escadas e oferecer-lhe para o mendigo? Ou mesmo, alguma vez nos interessamos pela sua história de vida; já sentamos ao seu lado para bater um papo e ver o que ele tem a dizer?

Visitamos durante este ano alguma instituição que cuida de meninos de rua, órfãos, ou menores infratores? Será que estudamos ou buscamos nos interessar pelos principais motivos da criminalidade no Brasil, ou no mundo? Visitamos um asilo para perguntar se precisam de alguma ajuda? Fomos num abrigo de refugiados da Síria e Afeganistão para saber como podemos ser úteis e conhecer a forma como estas pessoas estão sendo tratadas?

Quantas vezes nos interessamos, enquanto brancos, em nos colocar no lugar do negro e entender sua dor; ou como hetero, no lugar do homossexual ou transexual; ou como homem, no lugar da mulher; ou como negro, no lugar do índio?

Quantas horas de nosso tempo dedicamos este ano a buscar informação de qualidade, para não nos deixarmos ser manipulados por grandes grupos de monopólio da mídia? Quantas vezes engolimos nosso orgulho, neste ano, quando um amigo, ou professor, ou parente, bem informado e preocupado com as questões do mundo, chegou até nós para nos alertar sobre nossa opinião equivocada sobre algo?

Quantas vezes nos preocupamos se aquilo que escrevemos, falamos, defendemos, argumentamos, realmente são ideias que visam promover um mundo mais justo e ético? Quantas vezes, ao invés de emitirmos rapidamente nossa opinião, não nos sentamos e ouvimos o que o outro tem a falar, e refletimos sobre a possibilidade dele estar certo, e enxergamos uma oportunidade de evoluirmos intelectualmente e espiritualmente?

Refugiados africanos, europeus e asiáticos na Europa; o Congresso mais conservador do Brasil desde 1964, eleito PELO POVO BRASILEIRO, aprovando projetos e leis sem fim que reduzem os já poucos direitos do povo sofrido brasileiro; este mesmo Congresso, com intenções parecidas com as anteriores, caça a Presidente Dilma e busca convencer o povo brasileiro, através da mídia, que a solução para o Brasil é um impeachment, mesmo que não haja argumentos legais para tal; homossexuais continuam a ser espancados e assassinados, enquanto a popularidade de Bolsonaros e Felicianos só aumenta;

Ataques terroristas em Paris justificam o bombardeio de todo um país, com a morte de milhares de civis; este mesmo país é estratégico no controle do petróleo no Oriente Médio pelos EUA e os países aliados da OTAN, mas acreditamos que o bombardeio à Síria se deve ao atentado em Paris; na Alemanha, movimentos como o Pegida crescem e ganham popularidade.

Alguém diz estar ciente que Eduardo Cunha é um bandido e mafioso inescrupuloso, mas defende o impeachment de Dilma, liderado e encabeçado por esse mesmo Cunha;

Afeganistão, Iraque, Egito, e dezenas de outros países da Ásia e África continuam em eterno estado de guerra, com milhares de mortes semanalmente, financiados por empresários e governos de países ricos, mas nós só nos indignamos pra valer quando 100 pessoas morrem num atentado terrorista em Paris, ou nos EUA, ou em Londres.

Eu já escrevi isso anteriormente, mas assim como o Natal e Réveillon se repetem, também irei me repetir: “eu desejo para o próximo ano, que todas as pessoas ajam como se Natal e Réveillon fossem todos os dias do ano”.

por Miguelito Filosófico

figura daqui

alienacao-futebolDevido a forças maiores, estou há aproximadamente dois meses afastado da internet. Tenho lido pouco, e escrito muito menos.
Mesmo assim, a Terra continua a rodar, e desconsiderando alguns casos pontuais, muda-se alguns atores coadjuvantes, mas o filme é o mesmo, se repetindo numa história mal contada.

Recentemente, na casa de um amigo meu, ele, eu e seus convidados começamos a conversar sobre o escândalo da Volkswagen. Eu mais que depressa já coloquei meu posicionamento não convencional: “não entendo todo o espanto, só porque é empresa alemã o pessoal acha que não tem corrupção, pilantragens e abusos. É uma gigante do capitalismo, eles visam lucro, por mais que existam programas esporádicos de ‘boa-conduta’, a grosso modo, a maior parte do jogo é sujo”.

Rapidamente alguém já tirou da gaveta dos clichês a palavra “Brasil”, com a frase: mas não queiramos comparar a Alemanha com o Brasil!
A partir daí foram duas horas de “mais do mesmo”, eu citando episódios, história, histórico de nossa mídia, colonização, cartéis de empresas e governos desenvolvidos em países em desenvolvimento, vassalagem de nossa política aos interesses internacionais, as inúmeras farsas e constante desconstrução ao governo e seus integrantes, etc.

Enquanto eu falava era possível ouvir os murmúrios: “faz sentido”, “é verdade”, “claro, isso todos sabem”, “sim sim, isso ninguém pode negar”, “ah, a reputação da Globo realmente é uma piada”…
Mas, mesmo com todas essas concordâncias, o resultado final era: “mas nada vai me convencer do contrário, o Brasil piorou muito com o PT”, ou “ah, mas vai me dizer que você acha que Lula é Santo”, ou “tudo bem que é mentira que o filho do Lula é dono da Friboi, mas como que ele ficou tão rico de repente, hein, hein?”, ou “mas já viu os discursos da Dilma? Ela fala tudo errado!”, ou “mas aquele Maduro da Venezuela é um louco, num discurso ele disse querer expulsar uma empresa da Venezuela, pois ela estava roubando mais que ele…”.

Intervi: “pessoal, é exatamente essa a ideia dos donos da informação; muitas das mentiras deles serão desvendadas e expostas, muitas informações não farão sentido para a população, muitas informações serão contraditórias, mas isso não importa, pois os detalhes serão esquecidos. O que importa é que no fim, fica uma concepção formada na cabeça do cidadão; ele ouviu e leu tantas coisas que visam criar uma verdade, que aquilo realmente se torna uma verdade incontestável, mesmo que uma grande parte das informações sejam posteriormente confirmadas como mentiras, ou mesmo que a idoneidade e ética daqueles que nos deram a informação (no caso a mídia) seja indubitavelmente inexistente”.
Eu ainda citei, uma vez que estamos na Alemanha, uma frase atribuída a Goebbels, ministro de Propaganda de Hitler: “uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade”.

A noite acabou sem consenso. Mas fica a esperança de que alguma semente tenha sido plantada para o futuro.

Antes de ir embora, o meu amigo ainda me disse: parece que agora há risco real de impeachment da Dilma, devido às pedaladas fiscais.
Eu pensei com meus botões: há risco real de impeachment desde quando ela assumiu. A cada tentativa falha, surge uma nova justificativa, teoricamente ainda mais plausível e concreta, que também acaba sendo tida, por fim, como infundada. Lembrei-me ainda que antes de me retirar da internet, o mês de agosto era o mês decisivo, e que se Dilma não caísse em agosto, não cairia mais. Já estamos no meio de outubro e a história se repete, e o povo vai esquecendo o que aconteceu na semana passada, numa repetição lamentavelmente débil dos mesmos erros. Se diversos argumentos e tentativas de impeachment eram vagos ou sem provas, isso indica com quase certeza absoluta que não há motivos para impeachment, e tudo que há é uma tentativa desesperada de cavucar até o fundo do poço buscando qualquer tipo de argumento que soe vagamente moral, e certamente hipócrita e redundante, para conseguirem aplicar o tão desejado golpe.

Num outro episódio, há poucos dias, num restaurante brasileiro em Erlangen, na mesa ao meu lado, tentei evitar, mas os ouvidos não obedeceram, e acabei ouvindo a conversa de seis jovens Cientistas sem Fronteira com um jovem alemão que falava português.

Entre deboches e críticas ao Governo, outros maldizendo a desvalorização do Real; alguém pergunta como funciona nosso câmbio, e uns três dizem “não sei” enquanto os outros se calam. Outros mencionam a avassaladora crise que enfrentamos e afirmam ser culpa do PT, e na sequência uma menina lança o assunto do Habeas Corpus para que Lula não fosse preso.
O alemão pergunta, o que é um Habeas Corpus. Todos se calam. A moça que trouxe o tema diz: “ah, não sei direito, mas é um negócio que você entrega pra justiça para evitar ser preso”; e termina com o pênalti sem goleiro: “não tenho certeza, mas ‘minha opinião’ é que eles iriam prender Lula por corrupção, e ele foi lá e entregou um Habeas Corpus para continuar livre”.

O papo continuou, com os mesmos clichês de sempre. Sobravam achismos, faltavam certezas. Sobravam notícias picadas, faltava conhecimento e crítica. Sobrava superficialidade, faltava estudo. Sobrava preconceito, faltava reflexão. Sobrava ego e vontade de aparecer, faltava interesse em aprender.

Depois a comida deles chegou (graças a Deus) e eles não falaram mais nada: comeram calados seus pratos fartos e caros, pagos pela bolsa do programa Ciências sem Fronteira da Dilma-PT.

por Miguelito Formador

figura retirada daqui