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Dormi cansado.
A rotina de quem está com um familiar internado definitivamente não é fácil. O stress mental se junta ao cansaço físico e “desmonta” até os mais resilientes.

Eis que passos me despertam.
Como o apartamento é daqueles com piso de madeira antigo, que se expande e retrai, surrado pelo tempo, é quase impossível andar ser sem percebido.
Pensei comigo: “receberei uma visita do filho mais velho. É abraçá-lo e seguir dormindo.”

Mas então o ouvido encontra a razão real de haver despertado: os passos são bruscos, noutro apartamento, e estão acompanhados de gritos.
Como um que não quer se deixar despertar completamente, forço a consciência a esquecer o episódio ou incorporá-lo num sonho qualquer.

Não dá certo. E sem querer crer no que ouço, escuto a palavra “Bolsonaro“.
Tento mais uma vez (re-)dormir. Mas as vozes falam alto…
“Chega! Sai daqui!”
“É uma vergonha essa discussão numa hora dessas” – o relógio marcava 1:30.
“Eu não quero mais ouvir falar em Bolsonaro nessa casa” – pausa com um som inaudível, provavelmente em resposta – “Nem Bolsonaro, nem Haddad. Chega!”

Nossa! É um casal de namorados repreendido pelo pai de um deles… certo?
“Vá já para o seu quarto!”
Irmãos! Corrijo a subjeção anterior.
“Enquanto morarem nessa casa vocês tem que me respeitar e respeitar o que eu disser…”
O suposto pai fala mais alto que os demais. Está tão exaltado que a voz já se encontra rouca e muita raiva, ódio até, pode ser percebida em seus berros.

Como pudemos chegar nesse ponto? A privação de raciocínio e o ódio alimentado e retroalimentado estão causando irracionalidades.
Não é privilégio dessa família. Cada um tem o seu caso para contar nessas eleições 2018. Alguns envolvendo parentes e amigos bem próximos.

A mente desperta de vez e repenso a definição de democracia, talvez esquecida pelo próprio povo, que a compõe.
Democracia vem do grego: demos é o povo e kratos significa poder. (Wikipedia)
E embora na Grécia antiga fazia oposição à aristocracia. E embora tenha representado um contraste à monarquia e à oligarquia posteriormente… hoje se define como o regime oposto a ditaduras e tiranias. Prega-se que há liberdade de trocar os líderes na democracia, pelo clamor ou decisão popular.

Pois bem, como favorável a democracia que sou, aceito e aceitarei a escolha das urnas do próximo dia 28/10. (mesmo tendo escrito aqui, que ambos os postulantes sejam as piores escolhas possíveis no momento).
Me é estranho ver reclamações do PSL sobre as urnas eletrônicas, como em aqui. Foram essas urnas que contabilizaram número recorde de votos para seus deputados federais e estaduais.
Da mesma forma como me serão estranhos e condenáveis as passeatas e manifestações que virão pós-pleito, motivado pelo lado derrotado.
Se estamos numa democracia. Se a prezamos. O que a maioria escolher deve ser acatado por todos!

Parêntese para uma pesquisa divulgada recentemente.
Foi perguntado a brasileiros qual o melhor regime e a democracia teve aprovação recorde: 69%. (notícia aqui)
As outras opções eram ditadura (12%) e tanto faz (13%). Mesmo que, dentre os eleitores de Bolsonaro, 22% prefiram a ditadura, a maioria, 64%, diz preferir a democracia.

Por que então as cenas de ódio e a polarização estúpida se repetem e certamente se repetirão nas ruas e nas famílias?

Achei um excelente artigo publicado no Nexo em 2016, em plena polarização de impeachment ou pós-eleição de 2014; polarização esta entre PT e PSDB ou entre Dilma e Aécio (artigo aqui).
Sociólogos, psicólogos e cientistas sociais enumeram os elementos que podem trazer o comportamento violento relacionado a manifestações políticas. Tristemente temos, novamente, todos estes elementos presentes:
– Descrença na eficiência da política tradicional – há tempos não temos confiança no modo como fazemos política no Brasil: os conchavos e favorecimentos, as nomeações, os partidos de aluguel, o fundo partidário advindo da reforma política mal feita, etc.
Polarização de opiniões – o voto de ódio fez os eleitores esquecerem-se das propostas dos demais candidatos. E eram muitos, de todo o espectro de orientações políticas.
– Choque moral – corrupção e desvios (acusação ao PT) versus homofobia, racismo, sexismo, entre outros (contra o PSL e Jair Bolsonaro)
Um alvo específico – ambos os lados têm um: Lula versus o próprio Bolsonaro.
Desigualdade social – é um grave problema. Ignorado como elemento de conflito por muitos, até então. Ricardo Azevedo escreveu sobre os motivos que fizeram e fazem os mais necessitados votarem no PT (aqui). Criticando a elite, que preferiu “tiro, porrada e bomba” ao diálogo e avanço pragmático de médio prazo.

O radicalismo não trará qualquer avanço necessário e imprescindível à Nação.
Se pararmos para ouvir, conseguimos (até) encontrar pontos positivos nas duas propostas de governo. O PT fala em combate à corrupção. O PSL fala agora em expansão de investimentos em programas sociais.

Difícil de acreditar? Talvez.
O que penso é que nosso papel seja o de, apenas, aceitar o desejo do povo e protestar sobre o que não concordamos. Sem destilar ódio.
Que o protesto seja, antes de tudo, possível, depois sadio e constante. É impossível concordar com tudo! E é igualmente impossível rejeitar tudo!

Para acabar: eleição sem Lula não é fraude.
E, de forma semelhante, caso o PT ganhe nas urnas [eletrônicas], não será fraude.
E que todos os argumentos do vídeo abaixo sejam abnegados e rechaçados.

por Celsão revoltado.

P.S.: figura e vídeo recebidos por whatsapp. Difícil determinação de autoria.

Decido começar o texto lamentando os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto à presidência da República.
Lamentavelmente, na minha opinião, os líderes das pesquisas são os piores candidatos de esquerda e direita, se tomarmos essa dicotomia ou polarização em consideração.
E, ao contrário do que os opositores pregam, Fernando Haddad, do PT, está longe de ser o extremo da esquerda. O PT está bem mais próximo do centro e, fatalmente (também infelizmente), fará acordos com o MDB e o chamado para governar…

A corrupção escrachada na Lava Jato e a descrença em toda a política gera o perigo do analfabetismo político, da apolítica, do ódio destilado em banho maria contra todos os avanços dos últimos anos.
A descrença gera votos de revolta, de protesto. Gera Tiriricas, Enéas, Levys Fidélix, Bolsonaros…
A intolerância ao diálogo faz com que boas ideias de ambos os lados sequer sejam ouvidas. Geram homofobia, por exemplo, freiam investimentos em desenvolvimento através de parcerias privadas; geram reformas que beneficiam poucos. Leis para os legisladores!
A falta de confiança na politica e nos políticos afastam o povo e a própria Nação das decisões.
E, se não escolhemos, alguém escolherá por nós.


Pausa para uma propaganda excelente do Burger King. (aqui o vídeo no Youtube, para quem não conseguir assistir o vídeo no post)
A marca entrega um sanduíche a quem diz que votará em branco ou nulo com ingredientes “surpresa” e incompletos. Aludindo à máxima que acabei de escrever:
“Se você não escolhe, alguém escolhe pra você!”
Uma das conclusões é sensacionais:
“Quatro anos desse lanche aqui, hein!?!” – Traduzindo: quatro anos de uma escolha que não é minha… é algo difícil de encarar.

Isso posto e, uma vez que temos 13 candidatos a Presidente, doze candidatos a governador e vinte ao senado em São Paulo…
(Consulte aqui os candidatos do seu estado e Distrito Federal.)

Que tal se escolhêssemos o candidato que melhor represente as nossas ideias hoje?
Que tal se abandonássemos a ideia de voto útil? De votar em “x” para retirar “y” ou de tentar focar nos primeiros das pesquisas…
Aliás, as pesquisas vêm errando há bastante tempo. Desde eleições municipais de Erundina (1988) e Celso Pitta (1996) até João Dória em 2016, citando novamente o estado e a cidade de São Paulo, onde vivo… há vencedores que sequer estavam cotados para o segundo turno. Dória, ganhou em primeiro turno numa eleição em que sequer aparecia na terceira posição um mês antes do pleito.
Deixemos para o segundo turno o eventual dilema, ou mesmo a anulação do voto.
Dou a mão a palmatória dessa vez e aceito, independente do que escrevi em 2014 (aqui); que, talvez seja impossível escolher entre dois candidatos ruins, o menos pior.

Outro ponto a considerar: é normal repensar o voto quando se escuta uma notícia sobre o candidato, seu vice, quando te lembram os detalhes de seu plano de governo, suas ações no passado, ou mesmo quando citam os demais partidos da coligação.
Se não há dúvida alguma, cuidado! Você pode estar confundindo política e eleição com religião!
É um jogo de prós e contras e, perfeição, não há.
Voltando ao assunto religião, muitos dizem que houve um ser perfeito, mandado dos céus à Terra por Seu Pai; e teve a vida terrena encerrada com algo próximo a um linchamento público seguido de uma crucificação…

Para ajudar até os que já se acham decididos, indico dois sites interessantes, onde a opinião do eleitor é comparada à dos candidatos.
No primeiro, com os candidatos a presidente, responde-se perguntas e há comparação com citações dos candidatos e seus planos de governo.
O segundo é focado em Senadores e Deputados Federais. As perguntas que o internauta responde foram feitas aos candidatos e a correlação nas respostas, junto com o “peso” do tema traz o alinhamento em porcentagem.
Vale a pena fazer os dois. Vale responder novamente o questionário e depois estudar onde não houve correspondência na resposta. As vezes, mesmo que exista 75% de compatibilidade, a contradição pode estar num tema chave e gerar repúdio.
O primeiro é a Calculadora de Afinidade Eleitoral, na página do “O Iceberg” (aqui). Note que alguns presidenciáveis responderam com mais detalhe às perguntas que o eleitor responde.
O segundo está hospedado no UOL e Folha. Chamado Match Eleitoral. Link aqui.

Finalizo com o que acho mais importante, coincidentemente é o meu maior medo no momento: é preciso aceitar o resultado dessa eleição!
Quem quer que seja eleito, o será com base em um processo democrático; e na opinião da maioria da população brasileira.
O método pode ser discutido, a urna pode ser impugnada num futuro próximo; porém, até então, é uma ferramenta elogiada noutros países, parte de um processo independente e pátrio.
Aceitarei, por mais que me doa, o resultado advindo das urnas. E torço para que o lado derrotado, sobretudo, aceite e faça uma oposição inteligente…

por Celsão correto

figura retirada daqui. Não sei o porquê escolheram as cores dos candidatos como tal.
[…]
em 02/10 – alteração para inserção de vídeo da propraganda do Burger King citado 

A constante desconfiança de quem te vê e se assusta ao saber que é engenheiro, advogado, universitário.
O mesmo “susto” ocorre quando vêm que você tem condições financeiras razoáveis, casa, carro, pode viajar nas férias…
Daí, invariavelmente, te “clareiam”, como se um tom de pele mais claro o fizesse digno do lugar ou situação. Te chamam e classificam como “moreno”, como se “negro” fosse pejorativo, impróprio, sujo até.

“Mas… você não é negro!”
É uma frase de quem busca aproximação, elogio. A pessoa que a diz geralmente quer causar aquela impressão de que você “é gente”, de que “pertence” a um grupo mais aceito. E não ao grupo dos negros.
Se há contestação de nossa parte, a emenda do interlocutor fica invariavelmente pior que o soneto.
“Tá bom. Eu só quis dizer que você não é negro, neeeegro!”

Os heróis demoraram a aparecer.
Me lembro na década de 80, de Zezé Motta, do Thaide, dos gêmeos Os Metralhas com sua frase inesquecível: “Se hoje eu pareço um vilão pra você é porque antes não me deram chance de vencer”

Só que… Zezé tinha que dividir as oportunidades com Neusa Borges, Ruth de Souza e Chica Xavier.
Na época, quando apareciam oportunidades, não fazia sentido para a TV inserir mais de uma atriz negra como personagem. E só eram atrizes principais quando a estória pedia, como no Xica da Silva de Cacá Diegues.
Na música, igualmente, mesmo aceitos e de certa forma vangloriados, o espaço nas gravadoras e na mídia era maior para rappers como Gabriel, o Pensador, branco.
As acanhadas brechas para se falar abertamente sobre racismo, por exemplo, surgiam fora dos canais e dos horários mais assistidos.

“Verdadeiros heróis, somos nós” – dizia uma letra de um grupo de rap que não chegou a fazer sucesso.
O que Lecão, Xandão e Lord aludiam na época é realidade até hoje. Os periféricos, majoritariamente pardos e negros, acordam mais cedo, por morarem mais longe do trabalho, ganham menores salários e têm de se esforçarem mais (que o normal) para merecerem promoções e melhores condições.
Falar em meritocracia na periferia é pregar uma condição igualitária que não existe.
Não digo que precisamos desistir. Longe disso. Sigo, aliás, contrário às políticas de cotas que consideram somente a cor da pele como critério.

Houve evolução. Gradativa e lenta, porém inegável.
Graças principalmente ao esforço dos verdadeiros heróis, que surgem e se multiplicam.
A segmentação da revista Raça e da internet, provaram que pode haver desenvolvimento no mercado específico.
A faculdade Zumbi dos Palmares abriu as perspectivas de um grupo que acreditava (arrisco dizer que ainda acredita) que não poderia sequer pisar, usar o espaço de uma USP e de outras Universidades públicas.
Hoje, com ou sem cotas, seguimos na batalha diária de transcender o senso comum, deixando frases como: “É você o Engenheiro/a dentista/a professora da minha filha”, cada vez mais artificiais e ridículas.

Mas a evolução segue esbarrando em Tais Araujo, Lázaro Ramos, Maju Coutinho, Preta Gil.
Provando aos descrentes que o racismo está aí, claro como água, mesmo para quem tem sucesso e é “Global”.
Muitos se incomodam com esse sucesso.
Muitos atravessam a rua quando nos aproximamos pela calçada, independente dos trajes e modos.
Muitos se levantam quando sentamos ao seu lado, sobretudo em ambientes “premium“, como restaurantes caros e salas VIP; e quando não o fazem por impossibilidade, nota-se o indisfarçável desconforto.
Muitos não aceitam que o Mano Brown faça shows na Vila Olímpia; muitos não aceitam Emicida e os seus no São Paulo Fashion Week.

E foi um texto do Emicida que desencadeou esse post.
Não de revolta, daquelas que destilam veneno e esperam passivamente que o mal não atinja a si mesmo. De análise.
São tantas as recordações, tantos exemplos e obstáculos…
A grande maioria igualmente vivido por amigos na mesma condição. Muitas vezes compartilhado. Muitas vezes excluído da memória ou negado pra si mesmo, ora por não querer ver o óbvio, ora esquecido intencionalmente por proteção própria.
“Levanta e Anda” é daqueles hinos que me renovam as energias.

Irmão, você não percebeu
Que você é o único representante
Do seu sonho na face da terra
Se isso não fizer você correr, chapa
Eu não sei o que vai

Juntamente com “Sou mais você”, dos Racionais MC:

Olha aí, mais um dia todo seu
(…)
A preguiça é inimiga da vitória, o fraco não tem espaço e o covarde morre sem tentar

Emicida lançou um clipe recentemente: “Inácio da Catingueira”, enaltecendo um daqueles heróis desconhecidos enquanto conta a própria história, enaltece o que atingiu e “prepara” os detratores para suportar um sucesso, dele, ainda maior.
Inácio foi letrista e poeta, cantor de cordel, escravo iletrado do século XIX.
Emicida é hoje mais um herói, exemplo de sucesso a seguir para os que não desejam a ascensão rápida e perigosa de “Soldado do Morro”. O crime e o tráfico não precisam ser a realidade.

Finalizo como Emicida fez em seu texto, que pode ser lido aqui.

(…)
Acalme seus ânimos e volte pro front com uma mira melhor. De nada adianta ser uma metralhadora giratória se você estiver mirando em seu próprio pé.

Sejamos mais. Sempre.

por Celsão correto

links para letras das músicas citadas. Escolho todas do Vagalume, por constarem também os clipes, para quem interessar…
Sou mais você, Levanta e Anda, Soldado do Morro e Inácio da Catingueira, de onde tirei a figura.

Obviamente, a maioria delas está também no YouTube. Aqui o link para o “Rap da Abolição”, dos gêmeos “Os Metralhas” e aqui uma aparição dos mesmos no programa da Angélica em 1989.

 

Após a eleição, muito se comentava e especulava sobre as primeiras medidas do eleito.
Assim como Collor em 1990, bloqueando investimentos visando reduzir a moeda em circulação e frear a inflação, esperava-se algo igualmente radical de Jair Bolsonaro.
O mesmo se divertiu nos quase sessenta dias entre o resultado do segundo turno e a posse.
Ironizava os repórteres com os trocadilhos de sempre; dizendo que o “seu emprego”, referindo-se ao repórter, estava garantido. E invariavelmente chamava as mulheres que o abordavam com microfone de “querida”.

O dia chegou e, após receber a faixa de Michel Temer, com um largo sorriso no rosto, declarou a extinção do PSOL.
A justificativa é que o partido cria “ignorantes” e os treina para o “mal”.
Foi do PSOL o autor da facada que tomei durante a campanha. Foi do PSOL o atentado moral da cusparada de Jean Wyllys. E se alguém se der ao trabalho de procurar, verá que tudo o que há de errado nesse país tem a presença do PSOL – declarou o presidente.

A reação foi de júbilo dos apoiadores e risos nos círculos de conversas pelo Brasil.
Apesar de absurda, a medida era leve e inofensiva, na opinião da maioria.
A imprensa questionava a efetividade, consultando juristas e cientistas políticos. Uns poucos protestavam nas redes sociais.

Mas os dias se seguiram ao melhor estilo Donald Trump, do qual Jair declarava-se agora, abertamente, fã: uma surpresa diferente a cada dia. E muitas delas estapafúrdias.
“Imponho ao TSE e ao STF que renomeie o PT para ‘Partido dos Trambiqueiros’ no lugar de ‘Partido dos Trabalhadores’. Não existem mais trabalhadores naquele partido; são todos trambiqueiros“. Sentenciou certa vez.
Aplausos e novo júbilo e aquele sentimento de “troco” por parte dos críticos de Lula e Dilma.

O que é respaldo, querida?“, perguntou a uma repórter que o questionava sobre a atribuição e jurisdição das medidas impostas e promulgadas, “Eu faço a lei pois conheço os desejos da população e o que é melhor para o Brasil! Se depois de falado, escrito e encaminhado não houver ação do órgão competente, temos que mudar esse órgão!” – concluiu em ameaça.

Quando pressionado a cumprir o prometido de redução da máquina pública logo no primeiro mês de mandato, foi a público em rede Nacional.
– Declaro extinta a Defensoria Pública da União e dos Estados da Federação. E também vou diminuir drasticamente o Ministério Público!
– A Defensoria Pública no Brasil tem mais de 8000 cargos existentes, com altos salários! Como estes advogados visam orientar juridicamente bandidos e ouvir as reclamações incabíveis do pessoal dos Direitos Humanos, não precisamos deles. Basta andar na linha e pronto! Se um cidadão se sentir injustiçado, procure os seus direitos com os advogados. Mas não com defensores pagos pelos impostos de quem cumpre as leis… (!)
– O segundo está muito inchado e tem muitos funcionários inativos. Só em São Paulo são mais de 600 servidores inativos para 5000 ativos. Colocarei como meta uma redução de 20% no quadro, começando com os inativos. tem muito vagabundo! Por que o carinha está inativo? O que ele faz no Ministério Público? Hoje em dia, as contas públicas estão declaradas na internet… não precisa de Ministério Público pra isso…
– Como o meu governo não tem corrupto, o trabalho do Ministério Público, de todos os órgãos criados para a corrupção pelo PT, vai diminuir!

No fim do primeiro mês, o presidente Jair Bolsonaro resolve reformar a educação…
– Onde houver professores e membros da diretoria da escola filiados ou simpatizantes de partidos políticos de esquerda, em escolas públicas das esferas federal, estadual e municipal, teremos exoneração! E, se houver falta de professores, num primeiro momento oficiais da reserva das forças armadas e das polícias militares e civis serão convocados para substituí-los. Antes uma educação com base na moral, que uma educação com viés político…

E a vida segue no país dos bananas…


Será que meu cenário fictício é muito descolado de uma provável realidade?
Não há dúvida que o discurso de ódio gera, apenas, mais ódio.

Uma amiga disse, sabiamente, que sequer temos maturidade para usar setas ao realizarmos conversões ou mudarmos de faixa de rolagem no trânsito; estaríamos mesmo aptos a portar armas de fogo?
Há muita correlação entre trânsito e armas para os que defendem o armamentismo.
Mas pra mim a estória que “carro também mata” é rebatida facilmente com “arma só serve para matar”. Não se pode explicar uma decisão ruim com opções contrárias igualmente ruins. É um círculo vicioso e perigoso de irracionalidade.

A mesma amiga, em tom sarcástico, vaticinou que somos como dinossauros votando no meteoro, ao votarmos em Jair Bolsonaro. :))
Não há expectativa de melhora real, em campo algum.
Pior pra mim é quando vejo mulheres e outras minorias defendendo o candidato.
Será mesmo que tudo o que ele disse no passado foi efeito de ações mal pensadas e/ou reflexo de uma personagem?

Talvez a Sociedade Brasileira precise mesmo passar por um governo mais a direita, para vislumbrar a realidade da desigualdade social que vive. E descobrir, a duras penas, que meritocracia sem igualdade de condições de partida é utopia.
Não falo em Social Democracia, bandeira do PSDB e de outros que, na realidade, estão mais ao centro. Falo em Novo e no discurso de renovação real.
No entanto, migrar para uma ditadura conservadora, ou mesmo religiosa, dependendo dos apoios conseguidos da grande “bancada da Biblia” no Congresso, é algo que definitivamente não precisamos, nem merecemos.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

 

No começo da semana, fui interpelado por um colega me perguntando sobre a propaganda da Boticário, se eu a havia visto.
Ele completou com o adjetivo “ousadia”, referindo-se à mesma.
Depois, noutro círculo, ouvi a palavra “coragem” direcionada ao mesmo comercial. Um comercial feito pela primeira vez com uma família negra, para o dia dos pais.

Confesso que, dada a repercussão e os comentários que colavam em meu WhatsApp, achava que o Boticário houvesse realmente “provocado” uma situação sui generis, que eles haviam por exemplo exposto o tema racismo, ou uma situação discriminatória durante a propaganda.
E, ontem, quando vi o vídeo “viralizado” do Youtube, tive a surpresa de se tratar somente de uma família negra.
Simples assim: uma família negra sendo representada como consumidora de perfumes. Um pai negro, trapalhão, ganhando um perfume de dia dos pais.

O comercial está aqui (de onde tirei a figura). Mas recomendo também que assistam os comentários do influenciador Spartakus Santiago (aqui). Ele explica para os que tiveram dificuldade de assimilar, os termos diversidade e representatividade melhor do que eu conseguiria fazer com palavras nesse texto.
Pois bem, a propaganda está “no ar”, como eles costumam dizer, e no canal da marca no Youtube.
Vale colar a citação deles no Youtube, sobre o vídeo e a repercussão do mesmo:

Já faz bastante tempo que trazemos representatividade e diversidade para as nossas campanhas. E temos muito orgulho disso ❤. Mas as reações que o nosso filme gerou só mostram pra nós que temos muito trabalho a fazer. A gente acredita no respeito a todas as pessoas e deseja que, em breve, isso não seja mais motivo de desconforto pra ninguém.

Voltando aos termos do título desse post, interpreto “ousadia” como algo negativo.
A explicação decorrente do comentário foi que a marca ousou colocar negros e fugir do padrão (acho que se referia àquela “felicidade padrão Doriana”) numa campanha nacional; por conta disso, perderá clientes e poderá, consequentemente, também perder mercado.

Já “coragem” veio num contexto de enfrentamento.
A marca decidiu expor a baixa (ou ausente) representatividade de negros na mídia e mostrar que TAMBÉM faz perfumes para esse público.
Talvez com um certo sentimento premonitório de que uma eventual discussão faria alavancar a propaganda e os produtos por conseguinte.

Obviamente as palavras podem ser interpretadas de outra forma. Ao revés inclusive.
Mas se outro alguém me perguntasse sobre o comercial, eu perguntaria de volta: “Você achou ousadia ou coragem por parte do Boticário?”

Recentemente tive uma experiência na Africa do Sul.
Foi uma viagem a trabalho, curta demais para tirar conclusões, mas longa o suficiente para observações interessantes.

Um colega branco, sul-africano, afirmou não ter mais oportunidades de crescimento no país.
E culpou uma tal BBBEE, que, segundo a leitura dele, traz obrigatoriedade de promoção e desenvolvimento de carreira a não-brancos no país.

BBBEE vem de “Broad-Based Black Economic Empowerment“, algo como “Empodeiramento Econômico Negro em Larga Escala” em minha tradução livre. É uma extensão de um programa anterior, o “Black Economic Empowerment
As medidas foram instituídas em 2001 e 2003 (links do Wikipedia aqui e aqui).  E tem um sistema interessante (ao meu ver) de tabela de “pontuação” para medidas adotadas nas empresas.
As empresas somam pontos por terem negros em cargos de liderança, por terem salários equivalentes, desenvolvimento de habilidades, pelo balanço entre brancos e não-brancos empregados ali.
Não é livre de críticas, obviamente. Alguns falam da evasão de conhecimento, através da emigração de mão-de-obra qualificada branca.

Mas, até onde pude ver na visita curta e na análise rasa, de um negro…
Se o programa é feito para todos os não-brancos, discriminados no longo período de Apartheid: negros, indianos e mestiços.
Se as empresas não precisam contratar 100% de negros nem promover sempre um negro a líder ou gerente.
O que há é uma condição de competição igualitária. Uma melhora real e geral de empregabilidade do país e, em médio prazo, de equidade nas condições sociais.

Reclamar da empregabilidade sendo branco na Africa do Sul, morando em “Alphaville” e conduzindo uma BMW…
É como reclamar quando um entre duzentos comerciais de TV, oferecendo produtos para o dia dos pais, tem uma família negra.

por Celsão revoltado

figura retirada do vídeo-propaganda do Youtube.

P.S.: um colega comentou num dos grupos de WhatsApp onde o link do vídeo foi compartilhado: “Acho que não entendi. Por que a repercussão?” e depois de cinco minutos: “Ah, ok. Vi os comentários no Youtube!”

Eu gosto de Copa do Mundo de futebol.
Gosto de ver a Bandeira e o verde e amarelo enfeitando ruas, praças, sacadas e bares.
Mesmo que a pintura da rua não seja unânime e que a vizinha não tenha contribuído para os enfeites coloridos.

Gosto do corre-corre, do trânsito pré-jogo, dos encontros furtivos, dos churrascos improvisados.
Mesmo quando perdemos o hino, parte da partida, ou mesmo toda ela, cuidando da carne e dos convidados.

Gosto da imprevisibilidade dos resultados e do arranjo apressado das empresas, que sabem ser improdutiva a manutenção dos funcionários na companhia na hora dos jogos.
Mesmo quando alguns patrões pregam uma falsa amizade e promovem integrações na empresa visando minimizar o impacto da Copa.

Gosto dos preparativos, da escolha da roupa, maquiagem, de adereços como perucas, chapéus e gorros.
Mesmo dos exagerados, que pintam a pele e se esquecem que o suor e o tumulto no ônibus espalham e sujam, acabando com a alegria de muitos, de empolgados a moderados.

Gosto das superstições, dos lugares marcados em cada casa, dos trajes corretos a usar, dos rituais.
Mesmo sabendo que pouco influenciam no resultado de um jogo de futebol (aqui eu deveria dizer “nada influenciam”, mas não consegui 😉 )

Gosto dos que enfeitam carros, sobretudo com a bandeira, mostrando seu patriotismo e sua torcida.
Mesmo que seja um brinde recebido em posto de combustível ou uma insistência do filho mais novo, ainda embevecido de nacionalismo. Mesmo que seja uma bandeira puída e maltratada pelo tempo.

Ah… A nossa Bandeira.
Símbolo máximo de reconhecimento internacional, de “pertencimento”, de orgulho… É ostentada não somente pelos filhos da Pátria, como por estrangeiros, que vêm e viram o algo “a mais” dessa terra varonil.

Gosto do hino. Que mesmo com palavras complexas e versos de pouco sentido cotidiano, causa o arrepio difícil de explicar e segue a multiplicar-se de boca em boca, ano após ano (ou Copa após Copa).
Mesmo quando não cantado, mesmo quando erroneamente entoado… Pouco importa. O recado é claro e retumbante: somos brasileiros e amamos do nosso país!

Gosto de ver os torcedores no Estádio. O choro e a alegria estampados em rostos que não conseguiriam fingir naquele momento.
Mesmo sabendo que representam desigualdades latentes da nossa Nação. Pois os negros, por exemplo, aparecem somente no campo.

Sou daqueles que curte o excesso de nacionalismo e patriotismo desse período.
Sem esquecer dos problemas e mazelas, do dantesco jogo político e da crítica situação social atual… A torcida pelo Brasil na Copa é o oásis de Nação que poderíamos ter o ano todo, e ano após ano.
A seriedade com que discutimos a escalação dos jogadores, as decisões do técnico Tite, do juiz no campo (atualmente dos juízes, uma vez que temos o novíssimo VAR) e até a seriedade com que comentamos os comentários que ouvimos na TV, poderia ser a seriedade de discutir política, citando um único exemplo.

A Copa acabou. Principalmente para nós, que saímos da competição sem o título e adoramos criar heróis e principalmente vilões.
É assim desde 1950, onde atribuímos o fracasso no Maracanã ao goleiro Barbosa.
Na Copa passada, novamente aqui no Brasil, e após a derrota acachapante para a Alemanha, vimos cenas lamentáveis, incluindo a queima da, aqui no texto exaltada, Bandeira Nacional (post nosso, já com quatro anos de “idade”, aqui).

O triste pra mim não é perder a Copa.
O que torna o futebol apaixonante é a “certa” imprevisibilidade do resultado. Fazendo com que o “melhor”, nem sempre vença.
E perder… perder é parte do jogo, da vida!

O triste é falharmos como Nação!
Triste foram os comentários racistas sobre o Mbappé, os vídeos sexistas repetindo palavrões em Português por mulheres russas, perseguições eletrônicas a jogadores…
Enquanto seguirmos apregoando e exaltando essas práticas, seremos apenas uma Nação que desempoeira camisetas amarelas e bandeiras a cada quatro anos.
Não há derrota maior que perdermos a noção de humanidade e a capacidade de acreditar.

por Celsão correto

figura retirada daqui

Ontem foi 13 de Maio.
Não me lembro qual foi a última vez que “comemorei” a data.
Para nós negros, Zumbi dos Palmares e o 20 de Novembro suplantaram a única data onde éramos lembrados na escola; onde o professor nos apontava e afirmava que a escravidão era um “problema do passado”.

Enfim… o post não visa falar da discriminação racial, racismo ou cotas.
Visa discutir a infeliz desistência da candidatura à presidência, de Joaquim Barbosa.

Passados cinco anos (!) de um post nosso a respeito do então Ministro (aqui), ainda não sabemos o que ele quer, pretende ou anseia.
À luz da época, durante e logo após o julgamento do Mensalão, Joaquim era endeusado e mitificado pela mídia e por partidos “de oposição”: PSDB e DEM.
A popularidade do Ministro era tremenda. E ele a usava de forma pouco ortodoxa, pois criticava outros partidos, além do acusado PT, o sistema eleitoral, juízes, a Polícia Federal, entre outros.
Palco recebido, popularidade gozada, Joaquim se retirou. Aposentou-se em 31/07/2014 (data da publicação no Diário Oficial).

Passou silenciosos e resignados anos em seu apartamento em Miami.
Poucas eram as interações e intervenções políticas do ex-Ministro. Tudo dava a entender que aquele bravo Joaquim se havia ido e rendido ao poder do Capitalismo e ao deleite que anos de avantajados salários proporcionam.
Nada contra o apartamento em Miami ou ao deleite dos benefícios do Capitalismo.
Também os desfruto e, por conhecer a mais-valia, sei que trabalhamos efetivamente mais que ganhamos, via de regra.

Mas, permitam-me criar uma expressão, “apolitizar-se” em tal período: com impeachment, Lava Jato, culpa da chapa com absolvição de Temer no TSE, inúmeras denúncias, algumas envolvendo até o STF… foi demasiado covarde.
Estar na política (ou desejar entrar nela) e se esconder, se omitir, é irritante e inquietante. Ao meu ver é uma das principais falhas da novamente candidata Marina Silva.

Esse é o meu problema com o que Joaquim Barbosa fez: o ingresso na política.
Por que da filiação ao PSB (agora) se o objetivo não era alçar voo tão singular?
Por que oferecer-se como opção em tão complexo cenário e, mesmo obtendo boa intenção inicial, abdicar-se como postulante?

Joaquim tinha muito potencial.
É negro daqueles que não se pode negar a negritude.
Alguns podem dizer que tivemos “Marronzinho” na eleição de 1988 (aqui). Mas os míseros 17 segundos de propaganda eleitoral e a alcunha não o fizeram conhecido ou representante dos negros.
Joaquim, letrado e culto, não só poderia “carregar a bandeira” esplendidamente, como mostraria um negro além do estereótipo padrão.
Joaquim teria nas mãos armas que ainda não experimentamos na política. Ou que timidamente temos experimentado em câmaras a nível municipal e estadual.
Joaquim, talvez, se tornaria o nosso Obama! 🙂

Voltando à realidade…
Não dá pra afirmar que votaríamos nele. Não sei ainda em quem votarei.
A oposição (do PSB) afirmou, ao saber da candidatura de Barbosa, que ele é instável e arrogante. Teria pouca paciência e se complicaria sozinho.

O fato é que Joaquim Barbosa teria ainda mais palco.
Entrevistas. Tempo na TV. Mídia gratuita. Citações em redes sociais.
Que trariam, claro, explícita e inescrupulosa devassa em seu passado e em sua vida particular.
Preço alto, talvez, para quem é realmente sério. O que não sabemos se é o caso do senhor Ministro…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

São 11h do dia 06 de Abril de 2018 e eu me pergunto o que acontecerá agora.

Lula teve prisão decretada por Sérgio Moro e tem de se apresentar à Polícia Federal de Curitiba até as 17h de hoje.
Será que ele se apresenta espontaneamente?
Será que os simpatizantes deixarão a polícia entrar no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo, caso ele decida ficar por lá?
E se ele não sair? Teremos um status de foragido e agravamento de pena imputado ou teremos um confronto polícia vs simpatizantes de Lula?

Sou de esquerda, como sabem, e acabei de publicar um post onde escrevo que a esquerda é maior que o Lula (aqui). O erro é primário, mas insistem em dizer e extrapolar que Esquerdista é Petista, que é “Lulista”…

Como escreveu o amigo Caio Silvestre, numa acalorada discussão via WhatsApp hoje, sobre a polarização dos últimos acontecimentos, processo célere da prisão de Lula e outros temas políticos:

A comoção, de ambos os lados, movida por paixão/ódio, iguala a todos. Uns exageram por amar demais (e se cegam diante dos roubos), enquanto outros se dedicam somente contra o odiado (e são tolerantes com todos os outros).
Sempre com a razão deixada um tanto de lado. Fica incoerente para todo mundo

E completou:

Se há um limite para a questão [corrupção], o limite muda, porque trata-se de movimentação política e não republicana, como querem fazer parecer.
Se havia razão para movimentação quando o nome do Lula surgiu na delação do Delcídio, deveria ter havido razão, também, quando surgiu o nome do Temer.
Se houve razão para indignação quando da nomeação de Lula ministro, deveria ter havido quando se nomeou o Moreira Franco, por exemplo.

 

Retomando o título…
Será que agora veremos celeridade em outros casos, como o de Aécio Neves?
Será que viveremos para ver Eduardo Azeredo, psdbista condenado em segunda instância no chamado “Mensalão Tucano” após quase oito meses do julgamento e reafirmação de condenação (ocorrida em Agosto de 2017), preso?
Detalhes de Azeredo que valem a lembrança: a denúncia foi feita há mais de 11 anos, no longínquo 2007 (aqui) e em Setembro há prescrição, uma vez que Azeredo completará 70 anos… 
Quando será que o STF colocará em pauta, “furando fila”, o tema da prisão em segunda instância, estancando a Lava Jato como previu e pediu há algum tempo Romero Jucá? (post sobre a gravação do peemedebista e estancamento da sangria aqui)

Se Rosa Weber falou a verdade durante a votação e se Gilmar Mendes realmente “mudou de lado” para defender seus interesses e de suas “aves”, teremos muito em breve o retrocesso à impunidade, a justiça para pobres, pretos e “ladrões de galinha” que não podem pagar advogados caros, o cenário de até pouco tempo atrás.

Será que teremos revolta popular, passeatas e protestos em Brasília?
Ou somente aquele sentimento de indignação tupiniquim, que vem acompanhado de regozijo pela desgraça do outro?
Será que a procuradora Raquel Dodge terá pulso firme para exercer seus deveres ou seguirá apenas ajudando os “amigos de Temer”, como fez ao interceder na operação Skala? (aqui)
Será que o Supremo Tribunal Federal seguirá gozando da popularidade e palco para aparecer mais que para julgar?

A corrupção é danosa, nociva à Nação e ao povo, sem se importar com ideologia político-partidária.
Ela deve acabar. Sem dúvida!

Mas… e agora? O que virá a seguir? Mais do mesmo ou realmente uma evolução?
Hoje estou mais realista. Fico com a primeira opção…

por Celsão irônico

figura retirada daqui. O objetivo simples é lembrarmos do rosto de Eduardo Azeredo

 

Sabe quando uma seleção de futebol tem um craque?
Como a seleção de Portugal, com Cristiano Ronaldo, ou mesmo a seleção brasileira atual, com Neymar.
Cria-se uma certa dependência. Atrelada a um sempre certo e iminente “perigo”: no dia em que o craque não joga bem, se machuca ou decide se aposentar, aquela seleção se vê “acabada”, sem referência…

Peço perdão pelo trocadilho futebolístico, mas eu vejo da mesma forma a esquerda com o Lula.

Não há como negar os avanços sociais do Brasil em seus governos. Sobretudo das camadas mais baixas.
A elevação do poder de compra, da escolaridade, do acesso a crédito, foram notáveis e levaram o país a outro patamar social, falando em índices como Coeficiente GINI (aqui evolução de 1976 a 2009 – Wikipedia) e IDH (site do G1 mostrando aumento durante governo Lula/Dilma e a estagnação em 2014-2015, aqui).
Até os céticos têm de admitir isso. E não ligo para os argumentos como: “época boa”, “terreno preparado por FHC”, etc.
Lula estava no planalto e fez!

Porém se ampliamos a definição de “esquerda” além da justiça social: com distribuição de renda e pensamento no coletivo; para a mudança, o combate aos abusos do status-quo e a igualdade na sociedade (aqui entendo como igualdade total de condições, por exemplo, para concorrer a um emprego: mulheres, negros, pobres, gays e outras minorias com a mesmas chances reais da elite), o PT não representou, em seu período de Governo, de situação, os ideais da esquerda.
Meus colegas e leitores que me perdoem, mas as alianças em prol da “governabilidade”, com o PMDB de Sarney e Temer e com o PP/PPS de Paulo Maluf, afastaram (e muito) o que eu esperava de governos do PT.
Entendo que sou demasiadamente romântico para insistir num governo possível sem o PMDB, sem conchavos e sem troca de votos por Ministérios e cargos.

Peço vênia para lembrar que, nas últimas eleições, mesmo desencantado com o PT e a “nova esquerda” de Lula e companhia, apoiei a reeleição de Dilma, usando argumentos e entrevista do deputado Jean Wyllys (aqui).
Toda escolha é uma renúncia, parodiando o próprio deputado Jean; e renunciei algumas vezes à “minha esquerda” para votar no PT.

Parêntese feito e voltando ao tema, o ponto é que a “esquerda” é maior que o PT. E maior, consequentemente, que Lula.
Entendo os que defendem o “indefensável” e acreditam que a votação do STF que pode acabar com a condenação em segunda instância, ou habeas corpus preventivo de Lula, deixará que o mesmo dispute as eleições e gerará (?) uma justiça tardia ou troco ao golpe impetrado à democracia com o impeachment de Dilma.
Entendo, mas não estou no mesmo barco.
O benefício de ter Lula nas eleições de 2018 é menor que o veneno de termos Eduardo Cunha, por exemplo, em seu jogo politico nocivo.

Discuti bastante com o Miguelito, logo no início da Operação Lava Jato, sobre a (então) provável extinção dos partidos políticos citados nas delações, e consequentemente envolvidos com corrupção.
Se naquele momento o PT tivesse acabado e o seu quadro se recolocado, ou refundado um novo partido, talvez já tivéssemos melhores opções nessas eleições. Não no tocante às opções em si, mas à força dos nomes…
Miguel sempre me dizia à época que leva-se tempo para construir um PT, nos termos da representatividade Nacional alcançada pelo mesmo, ou transformar um PSOL em PT. E que o país não tinha esse tempo; a esquerda, fatalmente, ficaria de fora novamente.

O doloroso fato, pra mim, é que nessa luta da candidatura de Lula, estamos apenas “empurrando” o problema, postergando a inevitável inelegibilidade do ex-presidente.
Mesmo o Lula representando os anseios de boa parte dos brasileiros (suposição construída pela intenção de voto divulgada até aqui), sofro antecipadamente ao não ver esses anseios transformados em votos para Ciro Gomes do PDT, ou Manuela D’Avila, do PCdoB, por exemplo.
Como seria bom se Lula se afastasse do cenário político, fizesse sua defesa, cumprisse (se condenado) a pena imposta e voltasse ao panorama “zerado”…
Como seria bom se o “pobre” se visse na esquerda…
Como seria bom também, se imprensa e Facebook permitissem uma eleição justa…

Rogo à esquerda brasileira que esqueça Lula.
Que tente jogar futebol sem Neymar, sem CR7. Que busque alternativas…
Que entenda que a bandeira vermelha, o ideal igualitário, a renda mínima, os programas sociais, podem existir sem Lula.
Afinal, como disse José Mujica, ex-presidente do Uruguai, recentemente (aqui), nós não o teremos para sempre!

por Celsão correto

figura retirada daqui. Post de Alberto Cantalice que vai no sentido oposto ao que escrevi. Vale a leitura para exercitar o espírito crítico e o contra-argumento. 😉

P.S.: aproveito o período pós-Páscoa para pedir também (por que não?) um renascimento da esquerda. A Deus, Oxalá, Alá ou quem estiver disposto a me ouvir…

Começo o post explicando o título.
Ele veio de uma frase proferida por Torquato Jardim, atual Ministro da Justiça, em entrevista concedida à Folha no último dia 11.
O Ministro se refere ao Presidente Michel Temer e o imbróglio das investigações em que este está enredado.

Mas por que um cidadão, quer seja político, pedreiro, Presidente, porteiro, precisa de tratamento diferenciado?
Talvez se não estiver em pleno uso/domínio de suas faculdades mentais… Ou se possuir algum desvio psicológico, como transtorno de conduta… Ou ainda se sofrer de doença mental comprovada…
Penso que todo cidadão fora de exceções como as listadas, deva ser tratado com igualdade perante a lei. E um cidadão letrado e culto, promotor de justiça aposentado e professor, político de carreira, se inclui naturalmente nessa lista.
(não entrarei no mérito aqui do poder financeiro, sabido elemento que muda totalmente a equidade de justiça e julgamento)

Outra exceção, já gozada pelo Presidente e por outros políticos quando em mandato, é o foro privilegiado, ou “julgamento especial”, feito na última instância da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal.
E é exatamente esse foro que abriu o inquérito para apurar a alteração do decreto dos portos.
É o relator desse inquérito, Ministro Luis Roberto Barroso, que conheceu os fatos, rechaçou a declaração de resultado antecipado do ex-diretor-geral da Polícia Federal Fernando Segóvia e requereu a quebra de sigilo ainda “estudada” pelo investigado Temer.

Retomando o tema… se existe razão para que seja solicitada a quebra de sigilos bancário, telefônico, fiscal, etc., a mesma deve ser acatada.
Sobretudo se existem indícios de favorecimento a empresas, recebimento de propinas e outras falcatruas. Negar-se a fornecer os dados é, bem da verdade, aproximar-se da culpa.
Embora reconheça que algumas “áreas cinzentas” do Direito sejam complicadas, como: não poder gerar provas contra si mesmo, que o ônus da prova seja da acusação…

Daí a dizer que “o presidente merece tratamento diferenciado em comparação aos outros cidadãos em caso de corrupção” – link da notícia aqui – é blindar demasiadamente “o chefe”, ocupante de um cargo que deveria ser irrepreensível (principalmente!) nesse quesito: corrupção.
Tão inócuo e desesperado quanto, foi a declaração de outro subordinado Ministro, Carlos Marun, da Secretaria de Governo.
Ele aumentou o tom de voz para mostrar indignação, exagerou na interpretação clamando por justiça e independência de poderes, chegou até a aventar apresentar um pedido de impeachment; como se errado estivesse o Ministro Luis Roberto Barroso, do STF (aqui).
Enfim… Marun manteve o pão-e-circo midiático e o jogo emedebista. Dramático e patético.

Mas… o que será que descobriríamos nos dados bancários de Michel Temer de 2013 a 2017?
Se há receio de exposições de gastos familiares e de pequeno montante, o que será que escondem Marcela Temer e o pequeno Michelzinho?

Talvez descobramos supérfluos incompatíveis ao trinômio “bela, recatada e do lar”.
Talvez saibamos o quanto se pagou aos advogados no caso do hacker que invadiu o celular da primeira dama.
Ou talvez veremos depósitos feitos diretamente a Alexandre de Moraes, hoje Ministro do STF, mas secretário de Segurança Pública à época.
Há ainda possibilidade de encontrarmos o pagamento do suborno, mote da ação… (aqui para quem não lembra do caso)
Após a censura feita aos meios que divulgaram o conteúdo do vazamento, não me espantaria se o extrato de Temer viesse repleto de dizeres como o “informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado” da figura ao lado.

Sem precisar ampliar muito o alcance do “desconfiômetro”, talvez tenhamos operações de transferência dos/aos assessores/amigos: Rocha Loures e Coronel João Lima. Ambos suspeitos de intermediar propinas e ambos com quebra de sigilos telefônico e telemático (emails) decretado.

Me pergunto até quando teremos encontros fora de agenda oficial, quer sejam noturnos furtivos (aqui) ou nos finais de semana (aqui).
Me pergunto também se a Justiça, no sentido maiúsculo de princípio moral, prevalecerá.

Talvez só o tempo possa responder à essas inquietudes.

por Celsão correto

figura retirada daqui e do portal Transparência aqui