Posts Tagged ‘Brasil’

Tentemos imaginar um filho (ou filha) problemático.
Que se envolveu com drogas ou com gastos excessivos em cartão de crédito e agiotas.
Esse filho nos convence que vai de alguma maneira parar e nos faz gastar o dinheiro que temos guardado. Nos faz também vender a casa, vender pertences como computadores, etc.
Mas, sem ajuda, muitas vezes já sem emprego, não consegue se reerguer. E vendemos também os carros da casa. Carros que eram essenciais para a manutenção da economia doméstica. Pois auxiliavam na obtenção dos recursos básicos da família.

Não é um conto.
Tentei fazer uma analogia com o que está acontecendo com o nosso Estado nesse momento.
Acuado e com um gasto deficitário em 159 bilhões de reais, o governo federal desistiu de cortar custos relevantes e agora está mirando na privatização; com foco inicial na Eletrobrás.

Quando um governo tem déficit, significa que a arrecadação de impostos e os bens produzidos pelas empresas estatais não são suficientes para suprir os gastos que o mesmo governo tem com sua estrutura, sua “máquina”.
Significa, por exemplo, que regalias devem ser cortadas, aumentos de salários minimizados, postergados ou, melhor ainda, suspensos. Nada de renovação da frota de veículos parlamentares, compra de mobiliário, emissão de passagens aéreas… extinção de cartões de crédito corporativo (bloqueado no site da transparência, nota no fim do post), entre outras medidas que a família descrita no primeiro parágrafo precisou fazer ainda antes de se desfazer da poupança.

Mas não é o que ocorreu.
Os gastos com cartão de crédito seguem subindo desde que Temer chegou ao poder (aqui e aqui). Totalmente contra ao que prega a austeridade, ão defendida pelo governo e Ministério da Fazenda.
A jornalista Juliana Cipriani, em reportagem no Estado de Minas, levantou gastos abusivos do poder público nesse período de crise (link aqui). Na reportagem existem absurdos de todo tipo, de licitação para jatinho para viagens do governador Luiz Fernando Pezão, ao custo de R$2,5 milhões por ano, a R$1 milhão em sofás e colchões para o Congresso Nacional.
É como se a família estivesse devendo enquanto planeja viagens de avião e compra móveis!

Quando a economia de um país está em crise, não se viaja para Noruega ou Rússia sem agenda oficial e sem assertividade (post nosso aqui). Sequer se usa o avião oficial, dado o custo operacional do mesmo. Não se utilizam aviões da FAB sem um propósito concreto e inadiável, pelo mesmo motivo.

Falar em vender a Eletrobrás, empresa estratégica, num ramo estratégico. É o mesmo que vender a Petrobrás, privatizar a Polícia Federal.
O que o Chile pensaria se propusessem comprar a empresa CODELCO (Corporación Nacional del Cobre de Chile), estatal que explora o cobre, principal recurso do país?
Que tal propor aos Estados Unidos a privatização da CIA ou da NASA?
Aliás, ocorreu-me uma ótima pergunta: por que será que esses órgãos precisam ser públicos, geridos pelo Estado?

Não posso dizer que sou contra qualquer movimento nesse sentido.
Não sou daqueles que nega os avanços da telefonia do Brasil após a “rifa” que foi feita das “Teles”. Mas questiono se precisava ser daquela maneira, naquela velocidade e naquele preço.
Uma empresa de capital misto, bem gerida, talvez chegasse a resultados melhores… e ainda deteria a tecnologia e os profissionais capacitados.
Se avançamos em conectividade e redes móveis, retrocedemos em satisfação quanto aos serviços prestados e no custo desses serviços. Afinal, todas as empresas que exploram telefonia e transmissão de dados no Brasil estão entre as mais problemáticas em reclamações e processos.

Me questiono se seria da mesma forma, caso a ANEEL participasse da diretoria de todas elas e soubesse das artimanhas e subterfúgios para burlar leis ou se adaptar a imposições. Por exemplo, por que é obrigatório somente 10% da velocidade das conexões de internet? Se há uma limitação técnica, a empresa poderia investir mais, satisfazendo os clientes. Se o problema é infraestrutura, a contrapartida poderia vir do governo, após decisão de investimento conjunta: governo e empresa privada.

De volta ao tema da Eletrobrás.
De acordo com a BBC (link aqui), são 233 usinas de geração de energia, incluindo Furnas – que opera 12 hidrelétricas e duas termelétricas – e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), além de seis distribuidoras e 61 mil quilômetros de linhas de transmissão, metade do total do país e o suficiente para dar uma volta e meia no planeta.
A Eletrobrás também controla 10 termelétricas, 70 parques eólicos… Mais de 70% de toda a transmissão e 30% de todo o potencial de geração de energia elétrica do país. Possui toda a tecnologia de interligação do grid.
Será que o comprador não se tornaria um “manipulador de preço”? O que o impediria?

Pergunta retórica ao governo? Por que se desfazer dos carros e computadores antes de mudar os hábitos de consumo?
Por que não passar a cozinhar em casa ao invés de levar toda a família em restaurantes? Por que não trocar o shopping center por um passeio no parque?

São tantas medidas que poderiam ser tomadas antes, como uma mudança do nosso ilustríssimo Presidente Temer para o Palácio oficial, deixando o Jaburu… que é até difícil lembrar de todas para enumerá-las.

Anunciar uma privatização rápida e “tosca”, através da venda dos títulos no mercado aberto (emissão de ações), compondo com outras cinquenta empresas um “pacote atrativo” é um sinal de fracasso anunciado.
Que tal identificar “pedaços” menos estratégicos e mais deficitários para começar?
Não que eu seja a favor. Sou contra! Mas seria possível diminuir o déficit da empresa Eletrobrás isoladamente (caso acredite-se que ela seja realmente um problema).
Repetindo… Empresas de controle misto podem ser bem administradas e não devem sofrer no jogo político de nomeações nepotistas.

No final, um valor de R$20 bilhões, nas estimativas atuais, entrando nas contas do governo uma única vez, não resolve o problema.
É como se o filho problemático pegasse os tênis mais novos da casa e as bolsas de grife e os vendesse por R$20 cada…

por Celsão revoltado

figura retirada do WhatsApp – numa piada sobre os chineses da State Grid assumirem o controle majoritário da Eletrobrás.

P.S.: Quando se consulta no Portal da Transparência (por exemplo, aqui) os gastos com cartão de crédito feitos por Michel Temer, o resultado da última linha chama a atenção. “Informações protegidas por sigilo, nos termos da legislação, para garantia da segurança da sociedade e do Estado. => R$14.162.667,38

temer-aeroporto-russia

Como se já não bastasse a corrupção já conhecida há décadas, e agora cada vez mais oficializada e comprovada; o trabalho como espião da CIA dentro do Brasil, revelado por documentos do Wikileaks; o desmanche do Governo, da política, da sociedade, das leis, do Estado de Direito; o desrespeito e as barbaridades feitas contra os interesses do povo brasileiro, e em prol da elite brasileira e internacional; o nosso atual tomador do Poder Executivo brasileiro mostra que diplomacia também não é sua área de domínio.

Temer inventou para a imprensa um almoço com Putin – Presidente Russo – almoço este que jamais existiu, durante o encontro dos BRICS.
Antes de viajar a Rússia, o Governo brasileiro lançou que iriam viajar à República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Uma mistura da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), com a atual Federação Russa (mais conhecida como Rússia), e criaram um Frankenstein. Uma lambança, inacreditável ao se pensar no departamento de mídia e comunicação de um Governo Federal.

Chegando à Rússia, Temer foi recebido pelo VICE-ministro de Relações Exteriores. Ou seja, não foi por ninguém de importância relativa do Governo Russo, muito menos por Putin. O “mínimo” a se esperar seria que o próprio Ministro das Relações Exteriores russo o recebesse, mas nem isso. Sinal mais claro de insignificância não há, e um grande vexame para nossa Pátria.

Em seus trajetos na Rússia, Temer foi acompanhado principalmente por grupos de pessoas em protesto e vaiando.
Na Embaixada brasileira na Rússia, somente metade dos convidados compareceram na cerimonia com o Presidente, e mesmo assim, poucos quiseram conversar com ele. Ele é quem se aproximava das pessoas.

Temer ainda disse a Putin que a cultura Russa está muito presente na sociedade brasileira!!!! (pausa para respirar). Algum de vocês conhecem algo russo que não seja Vodka e estrogonofe, quer dizer, stroganoff em russo? Inclusive, o stroganoff russo é bastante diferente do nosso.

Por fim, Temer saiu da Rússia sem qualquer acordo bilateral ou diplomático. Só gastou dinheiro e passou vergonha.

Em seguida foi para Noruega. O Governo norueguês é o maior financiador internacional da luta contra o desmatamento da Amazônia. E já estava flertando um corte neste financiamento, pois percebeu que este Governo não está nem aí para este assunto, pelo contrário, parece apoiar políticas pró-desmatamento.

Temer foi recebido pelo chefe interino do aeroporto, ninguém do Governo!
No encontro Temer ignorou o conflito diplomático na questão do desmatamento da Amazônia, e tentou encher a bola de seu Governo sobre os avanços econômicos e sobre seu apoio dentro do Congresso, e falou da “luta contra a corrupção” (nova pausa).

Quando chegou no assunto Amazônia, Temer deixou a responsabilidade para o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, o qual disse aos noruegueses “o problema é dos governos passados”. Sarney ignora que houve um aumento de 58% no ritmo do desmatamento da Amazônia nos últimos 2 anos, e que se o problema realmente estivesse nos Governos passados, ele também é responsável, pois foi também Ministro do Meio Ambiente no Governo de FHC entre 1999 e 2002, época onde Amazônia sofreu um dos maiores desmatamentos da história.

No fim, quando perguntado quando o desmatamento acabará, Sarney disse: “Só Deus pode garantir isso”.
Esta frase de Sarneyzinho nos diz muita coisa. Ela mostra a falta de responsabilidade pessoal do Ministro, a molecagem e pilantragem com a qual ele trata de um assunto de tamanha importância para o Mundo e para a humanidade, e também mostra a ortodoxia religiosa dentro da política brasileira; também percebemos a falta completa de conhecimento de Sarney quanto ao país visitado, pois a Noruega está entre os 5 países menos religiosos do Mundo, tem mais da metade de sua população não praticante de qualquer religião ou ateia, mais de 70% dos noruegueses dizem não acreditar em um Deus nos parâmetros cristãos, e menos de 20% dos noruegueses dizem que a religião tem um papel importante em suas vidas.
Jogar responsabilidades político-humanas para Deus, num país Europeu, ainda mais na Noruega, é a melhor demonstração de atraso civilizatório e intelectual que se pode dar.

Mas uma coisa eu preciso salientar: Sarney mostrou ao governo norueguês um retrato bastante real do nível de informação e preparo intelectual da sociedade brasileira.

Assim o governo brasileiro se despediu da Noruega, com um corte de 200 milhões de Reais na ajuda contra o desmatamento amazônico, mais da metade do dinheiro que era investido pela Noruega anualmente.
Parabéns!

E quando leio estas, e notícias locais aqui na Alemanha, e quando vejo o comentário dos alemães e estrangeiros (colegas de trabalho, amigos, conhecidos) sobre o Brasil atualmente, sempre num sentido pejorativo, negativo, pessimista, humorístico, desrespeitoso, preconceituoso; lembro-me de quando cheguei aqui em 2010, notícias, documentários, e o boca-a-boca do povo conhecido, todos impressionados com o papel de liderança que o Brasil havia assumido na América Latina e no Mundo durante o Governo Lula.

Todos diziam dos avanços econômicos, que o Brasil era super interessante para se investir, passar férias… era claro o respeito adquirido pelo Brasil frente aos governos Europeus e mundiais. Além dos dados e avanços claros que as sociedades internacionais notaram, ainda teve o importante trabalho feito por Lula e Celso Amorim na diplomacia brasileira, trazendo prestígio e respeito.

Naquela época, até as piadas sobre samba, bunda, carnaval e futebol haviam diminuído. Hoje todas elas voltaram, com uma diferença, depois dos 7×1, não somos mais o país do futebol; ufa, menos um estereótipo.
Os estereótipos brotam como peste, e eu digo, corrói ter que viver isso aqui fora, ouvir tantas falácias, e tentar ainda de alguma forma defender nosso moral, é difícil, pois muito do que é dito se justifica na prática política e da sociedade brasileira hoje em dia.

Voltando ao Temeroso; tem gente que ainda defende esse ser inescrupuloso!

Fico admirado, e acho que ficarei até o fim da minha vida, em ver a incapacidade e/ou falta de vontade da grande maioria da sociedade brasileira, de perceber que, este Ser, somado a Eduardo Cunha, e o limpinho e cheiroso Aécim das Neves, juntamente com outros do mesmo naipe, foram os chefiadores do Impeachment de Dilma.

Boicotaram e bloquearam seu segundo governo na Câmara até falir o mesmo, pagaram a imprensa para destruírem a sua imagem, financiaram grupos especializados em rebeliões para agitaram os protestos contra Dilma e PT, usaram de seu Poder no judiciário (como o capataz da direita brasileira, Gilmar Mendes, amigo íntimo de Aécim e de Temeroso), tramaram e organizaram tudo o possível para retirarem Dilma do Governo, e colocarem Temer como Presidente, trazendo com ele toda a base mais radical da oposição ao Governo Dilma para o seu des-Governo, e ainda se aliando ao PSDB no Congresso, sabidamente arque-rival do PT.

Um Impeachment que vestiu uma fantasia de luta contra corrupção do PT e de Dilma (mulher íntegra, contra a qual sequer existem acusações formais, quanto menos condenações), com um pouquinho de perfume de insatisfação para com os rumos econômicos do Governo Dilma; mas que na verdade, nada mais foi que um Golpe de Estado organizado e dirigido durante todo o tempo pelo o que há de mais sujo, bárbaro e vergonhoso na história brasileira, uma elite podre e antinacional que se arrasta desde nossa colonização até hoje, antigos escravagistas e herdeiros das capitanias hereditárias, hoje, corruptos, mafiosos, gangsters, com domínio sobre quase todos os meios de comunicação e com tentáculos em todas áreas do grande Capital, inclusive no tráfico de drogas.

Este grupo de vermes, derrubou a Presidente eleita democraticamente, e provavelmente a/o presidente mais ético e correto que o Brasil já viu em sua história, devido aos interesses daqueles em frear a Lava-Jato (para não serem pegos juntos com seus comparsas), e devido aos seus interesses econômicos, que nada têm a ver com proteção ambiental, avanços sociais, ou direitos humanos ao povo sofrido brasileiro, muito menos interessados no fortalecimento da Nação Brasileira, mas sim um desespero pelo resgate de políticas que privilegiem as elites, o sistema financeiro, o interesse internacional, seus próprios bolsos e coisas do tipo…

Para quem apostava que os dias de Temer estavam contados, e que ele não chegaria até 2018. Eu continuo esperando….. Quase acreditei em sua queda depois dos grampos e denúncias dos donos da Friboi, mas meus instintos funcionaram novamente.
Também continuo esperando sentado a prisão de Aécim; Gilmar Mendes diria: “só por cima do meu cadáver”.

Enquanto isso, outra aposta minha vem se concretizando. Bolsomico crescendo nas pesquisas de intenção de voto para 2018, e se encontra na segunda posição, somente atrás de Lula.
Mas este é outro assunto na república da Banana, Bunda, Samba e Futebol.

por Miguelito Nervoltado

figura daqui 
Links inspiradores:

O dia 17/05/2017 começou tenso pra mim.
Tinha muitos compromissos profissionais, mas queria de algum modo seguir ouvindo a assistindo às notícias após a “bomba” lançada do “colo” do Presidente Temer.

A noite anterior foi de jornais e memes sem fim.
Os programas televisivos tentavam detalhar o máximo da informação que possuíam, incompleta naquele momento, e ponderar os próximos passos do presidente, dos seus ministros e aliados, dada a gravidade do ocorrido.
Enquanto os “magos” da internet criavam e recriavam piadas compartilhadas intensamente no WhatsApp e Facebook. Famosos com camisetas, eximindo-se de uma culpa líquida

A primeira surpresa, compartilhada pela minha esposa, foi ver as pessoas surpreendidas… É um trocadilho cômico, se não fosse cruel.
Como podem achar que Michel Temer e Aécio Neves, já citados anteriormente por outros delatores fossem inocentes?!?
Depois de Jucá e do vazamento ocorrido, do Geddel, dos oito atuais ministros citados pela Odebrecht… Depois do avião com cocaína, de inúmeros favorecimentos em Minas Gerais…

Na rádio Jovem Pan ouvi um advogado que daria o tom da imoral defesa prévia: “o país não pode parar“.
Como se todos pudéssemos e devêssemos ignorar quaisquer atos indecentes e corruptos em nome da retomada da economia, do emprego e renda, que timidamente dava sinais.
Eu quero que tudo pegue fogo!
Que o Congresso seja dissolvido!
Que os áudios vergonhosos, de delatores indecorosos, de políticos indecentes, sejam tocados como introdução ao Hino Nacional; para que não os esqueçamos!
Que só restem Parlamentares íntegros (ou ao menos não-condenados)! Nem que tenhamos que convocar novas eleições. Nem que pra isso tenhamos de, nós mesmos, “pessoas normais”, entrar na política para mudar o status-quo de corrupção da mesma.
Pensar na simplicidade do “país não parar” e daí pra frente acobertar tudo e todos, me enojava.

Mas a Grande Mídia, até então, reagia bem: os jornais da manhã foram monotônicos e pareciam intermináveis.
E entre um Caiado, que lançou com certa lisura sua candidatura para 2018, aproveitando-se da crise, e um Carlos Marun, que defendia o vitimismo do Presidente Temer ante ao golpe político, ante a cilada… os comentários dos jornalistas e juristas convidados não deixavam dúvidas: tudo foi feito com anuência da Polícia Federal, num acordo de delação assinado pelos donos da JBS. Escutas, fotos, vídeos, rastreamento de dinheiro, depoimentos… tudo legitimamente legal!

A situação do presidente nacional do PSDB era pior.
Os mandatos de busca em casas de parentes foram seguidos de prisões dos mesmos, de declarações de correligionários contrárias, do afastamento do Senado e da presidência do partido tucano…

E eis que o anúncio de um pronunciamento de Temer as 16h fez surgir o furo-boato de renúncia.
E, as 16h, nervoso e quase sem companheiros para aplaudir, o temeroso Temer recusou-se a ceder. Disse ao povo que ficava! Também apelando à melhora da economia e às reformas. Disse que não precisava de foro privilegiado, falou de armação, mentindo sobre a legitimidade da escuta e terminou apelando para o STF.
Afinal, ele sabe que o “Gil” (Ministro Gilmar Mendes) já garantiu a vitória dele no TSE; com a não condenação da chapa de 2014. Conhece também o penoso trâmite do processo no judiciário.

E o PSDB?
Ah… o PSDB… Parece que decidiu sair de vez dos holofotes da política, abandonando o papel de oposição que estava desempenhando.
Poderia ter, numa única tacada, afastado o condenável Senador Aécio Neves e abandonar os quatro ministérios que possui no atual governo. Tiraria, ao meu ver, boa parte da mácula que obteve com a Lava Jato. E de quebra poderia lançar um novo “homem forte”, provável candidato a 2018. Não creio que Tasso Jereissati seja esse nome.
Se afastar da corrupção, no momento, não seria se afastar de todos os projetos e reformas que o governo quer aprovar nesse ano. Nem seria negar a esperança na recuperação econômica. Seria uma mensagem de intolerância à continuação da prática (mesmo que falsa).

O dia seguia agitado e os programas de rádio também.
E, com a evolução pós-pronunciamento e a decisão do PSDB em se manter ao lado de Temer, retornou a dicotomia direita-esquerda, vermelho-azul, bem-mal…
Reinaldo Azevedo defendeu que os promotores buscavam retornar o poder aos “pilantras da esquerda”. Que a delação foi “encomendada”, mirando o maior líder da oposição, Aécio, e o atual Presidente da República, Michel Temer.
Por que não podemos esquecer isso uma única vez e buscar a condenação de TODOS os culpados?
Por que delações só servem para um lado? Vazamentos só valem quando são contra o “meu lado”? Notícias e opiniões só prestam quando exprimem a “minha verdade” ou a minha opinião?
Sinto nessas horas que perco um pouco da minha utópica esperança. Não dá pra tolerar essa “religião” que defende políticos indefensáveis, acusados de inúmeros crimes, de qualquer lado politico-filosófico que este esteja.
Deixe que o judiciário julgue. Permita-se que o acusado se defenda. Só não incentive o ódio…

O dia terminou com os áudios e fotos da delação.
E, mesmo sendo uma conversa de mafiosos, de inegável cumplicidade e culpabilidade… Não é “tudo aquilo” que o furo jornalístico anunciava. Não é tão direto quanto foi o de Jucá, por exemplo.

E, como sabemos, a Justiça é como a mídia; e trocadilhos a parte, ambos são como pizza. Quando esfria, perde a graça.
Se não existem prisões preventivas decretadas, a Lava Jato leva as investigações no processo normal, que é lentíssimo.
Se a indignação do povo e da base aliada governista é comedida, novos conchavos são refeitos e talvez novas mesadas serão acordadas.
Rodrigo Maia não aceitará qualquer pedido de impeachment contra Temer.
E, no final… a montanha pariu apenas um rato, como diz a frase-título, atribuída ao próprio presidente Michel Temer.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui.

P.S.: Parabéns ao PTN e PPS, que saíram da base de apoio a Temer.

Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos.

Originalmente a palavra aplicava-se exclusivamente ao âmbito das relações do papa com seus parentes, mas atualmente é utilizado como sinônimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Distingue-se do favoritismo simples, que não implica relações familiares com o favorecido.

Nepotismo, ou “favorecimento simples”, é algo errado e condenável.
Mas é impossível não admitir que acontece a “torto e a direito” em nossa rotina. Especialmente na política.
Se tomarmos os interiores do país e o Coronelismo, ainda presente e latente, são inúmeros os exemplos. E o nosso jeito de fazer política, com conchavos, alianças escusas e troca de favores por votos; ou ainda, nomeações de conhecidos e aliados em cargos públicos trocadas por votos, é um favorecimento ainda pior que o nepotismo.

Mas… o que poderia ser ainda pior que o pior nepotismo ou favorecimento?

Nosso Presidente, Michel Temer, vindo do “Partido dos Coronéis”, vulgo PMDB, construiu uma nova “base aliada”. Abandonando a parceria com o PT e os partidos de centro-esquerda e guinando para a direita e centro-direita.
Então, seguindo a “rotina” já consagrada de contar os votos vencedores de um pleito antes do mesmo; “fez as contas” para o texto-base da Reforma Trabalhista, manipulou a Comissão especial e acelerou a colocação em votação no Congresso…
Achou que “já estava ganho”, mas teve algumas surpresas, sobretudo no próprio partido.
Resultado: pediu para ver a lista de votantes, por partido, a fim de analisá-la. E decidiu, sem meias-palavras ou meias-verdades, exonerar do cargo, indicados por deputados que votaram contra o governo.
A notícia pode ser lida aqui e aqui.

Será que aprovar reformas, não discutidas na intensidade e profundidade necessárias, é tão importante assim?
Não alarmo a importância das reformas. Sou a favor dessas e de outras, como a política e a midiática.
Destaco e alarmo a ausência de discussão plural, ouvindo prós e contras, e apresentando as possibilidades aos principais afetados: a população.
Discuto o “medo” desnecessariamente difundido pelo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que alarde a piora do quadro econômico caso essas reformas (Trabalhista e Previdência) não sejam aprovadas AGORA.
Acho um absurdo a interferência governamental no Legislativo, no voto, que é a principal expressão de um Deputado e é direito do mesmo.

Se a indicação de parentes e amigos a cargos públicos de confiança, se o favorecimento feito pelos políticos é moralmente ilícito e condenável… ameaçar essas pessoas favorecidas e exonerar os que não declararem abertamente o apoio à próxima votação é um estupro à Democracia!
Sanções deveriam ser aplicadas aos corruptos, aos políticos citados na Lava Jato, aos réus investigados, aos “fichas-suja”.
Mas esses viram Ministro no Governo Temer!

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

 

Tentei tirar férias e “sumir” no curto período das notícias, absurdos e desmandos do Brasil e do mundo.
Quase deu.
Descobri que o intento é bem difícil quando não se “some” realmente do Brasil ou mundo.
Mesmo sem buscar você acaba ouvindo algo, lendo comentários no whatsapp do celular, escutando sem querer uma conversa numa padaria ou metrô…

E nesse intervalo teve goleiro condenado aplaudido em estádio, teve prefeito viajando só para ser elogiado, depois demitindo secretária “ao vivo” na internet; uma quase declaração de Guerra via Twitter, ataque de gás químico, de Estado Islâmico, de terrorista…
E teve também a delação da Odebrecht, com seus oito ministros, 39 deputados, 24 senadores e até três governadores. Uma ferida tão feia e purulenta que acabou de vez com pompas e argumentos de “partido honesto”, “bancada decente”, “político honrado” que alguns insistiam em ostentar.

E um dos textos lidos em meu “retorno” à internet e às leituras me rememorou algo que coloquei aqui na descrição do “integrante” Celsão revoltado, a Dissolução do Congresso. O texto é do Wladimir Safatle, e está disponível aqui e aqui (para assinantes Folha)

Explicando as origens, penso nisso desde o escândalo dos anões, no início dos anos 90. (referência da Wikipedia aqui)
O deputado João Alves, em discurso na CPI disse com cara limpa que “Deus o ajudou e o fez ganhar na loteria”, seguidas vezes!
O rombo, segundo a Wikipedia foi de R$100 milhões. Dentre os envolvidos, temos nada menos que Geddel Vieira Lima, ex-Ministro do governo Temer.

Bem… Na época pensei na injustiça de termos mais de quinhentos sustentados parlamentares, com poder para aumentar o próprio salário e uma distância abissal do povo e de suas aspirações.
Já se fazia difícil e improvável a aprovação de medidas e reformas. Aliás, bem da verdade, qualquer pauta deveria “tramitar” algumas semanas antes de entrar em votação.
E esse “tramitar” possui aspas pois o governo de Fernando Collor tinha que negociar SEMPRE, e com todos os partidos, aliados ou não, cargos e favores.
Algo sujo e indigno.
Os analistas e cientistas políticos diziam que era o “preço” de pertencer a uma legenda pequena, na época; mas eu pensava diferente: mesmo que o presidente tenha boas ideias e queira aprovar leis que beneficiem os mais carentes, não conseguiria. Se essas leis forem contra direitos injustos e mamatas do Legislativo, pior ainda…
A solução?
Dissolver o Congresso!

Em meu sonho utópico, o então presidente (e aqui poderia ser Collor, Itamar, FHC, Lula, qualquer um) começaria um discurso em rede nacional com frases do tipo…
Temos tentado aprovar essa e essa medida, essa e essa reforma”, languidamente narra alguns feitos e os conchavos que precisou fazer para lograr o êxito obtido – “o Ministério tal foi trocado pelo projeto tal, a diretoria de estatal tal foi negociada pelo apoio aqui”…
E nos últimos dois minutos de um discurso de meia hora sentencia:

“Me vejo forçado a dissolver o Congresso Nacional por um período de 30 dias!
 Nesse ínterim convocarei um referendo popular para aprovação ou não dos seguintes pontos:
      – Redução do número de parlamentares
      – Redução do salário, dos benefícios e fim da legislação em causa própria; não será mais possível aumento próprio dos vencimentos
      – Fim do quórum eleitoral e dos ‘carregadores de votos’
      – (…) outros pontos importantes
 Certo de sua compreensão e apoio, aguardo os resultados e acatarei a decisão popular.
 Os pontos aprovados tornar-se-ão lei por decreto e voltaremos a ter um Poder Legislativo Nacional no final desse período”

Hoje eu acrescentaria outros pontos, como fidelidade partidária, atrelando a vaga à pessoa e ao partido; fim dos suplentes, fim da aposentadoria especial, extinção do foro privilegiado, limitaria o número de mandatos (em dois), etc., etc…

Mas na época pensava em resolver esses três pontos, que nunca seriam (nem nunca serão) aprovados pelo legislativo, sobretudo corrupto!

Agora temos legisladores comprovadamente corruptos, respondendo a processos e acusações, de crimes dos mais diversos, decidindo temas importantes para a sociedade e para as próximas gerações.
Um Congresso demasiadamente conservador, com interesses declaradamente escusos. De bancadas pré-estabelecidas, como a bancada chamada de BBB (Bala, Boi e Bíblia), que defende ideias e sugestões de grupos distantes das reais necessidades da população…
Independente de vermelho ou azul, penso que é hora de acabarmos com intermináveis abusos, como viagens em aviões da FAB…
E de quebra tornar todos os citados na Lava Jato e em outras operações, e os demais criminosos pertencentes às duas casas, inelegíveis por ao menos um período eleitoral.

Sim, é radical e anti-democrático. Ditatorial até.
Mas não vejo outra alternativa para realmente “limpar” parte da imunda e indecente lista de representantes políticos da atualidade.
A representatividade é baixa, pelas regras eleitorais, pelo modo como votamos, pelas substituições de legisladores nomeados a outros cargos… Que recomecemos!

Fora da utopia, se o Álbum de Figurinhas que circulou via WhatsApp for realmente lançado, e tem gente se empenhando para que a “brincadeira” se torne verdade (aqui), quem sabe nem precisemos de Ficha Limpa. Os políticos citados, investigados e condenados sairão automaticamente da vida pública…
É… foi utópico de novo…

por Celsão revoltado

figura recebida pelo WhatsApp, do portal de humor Kibe Loco.

laerte-os-pobres-e-os-ricos
Não bate em Francisco no Brasil. Infelizmente.

Aqui me refiro às leis e às punições que elas geram/criam. E num paralelo entre pobres e ricos, entre os que possuem recurso financeiro e os que não possuem e sequer conhecem os próprios direitos.

Começando pela lei recém aprovada no Congresso sobre a terceirização.
Já fui temporário, terceiro, funcionário “residente”, prestando serviço em outra empresa. Também já contratei empresas prestadoras para serviços dos mais diversos e digo com certa propriedade: é diferente.
O terceiro é um semi-escravo que pode ser trocado a qualquer momento, a qualquer deslize; como um carro alugado que apresenta ruído, ou sobremesa imperfeita num hotel all inclusive.
Um terceiro tem de fazer mais e melhor, tem de ir além, a todo momento.
E a empresa prestadora, mesmo quando possui boas intenções e é comandada por pessoas de caráter, sofre a cada renovação de contrato e pode ser trocada pelo simples argumento preço. Resultado: a esmagadora maioria dos terceiros recebem o piso da categoria, o mínimo da lei. E quando há a troca, uns poucos funcionários da empregadora terceirizada anterior são aproveitados, num período de adaptação.

Para quem não sabe, atualmente, o serviço terceirizado não pode ser usado para a atividade-fim, somente para atividades “intermediárias”. Ou seja, uma empresa de transporte coletivo não pode ter motoristas terceirizados, uma fábrica de cerveja não pode ter operadores de máquina terceirizados e por aí vai.
Mas ambas podem ter segurança, limpeza e manutenção feitas por funcionários contratados via terceirização. O perigo da mudança é passarmos a ter semi-escravos em todos os níveis…

Concordo que a legislação trabalhista brasileira está estagnada por décadas e “pesa” na conta de pequenos e microempresários. Mas o razoável aqui seria fazer uma transição, preparar empregados e empresas para uma nova realidade.
Sem educação básica é impensável que os novos profissionais tenham preparo para a nova realidade de mercado e as novas profissões. Tenham, por exemplo, controle dos próprios gastos e saibam se preparar para eventuais férias, emergências médicas e aposentadoria…

A aposentadoria, ou a reforma da previdência é mais um ponto discordante, quando tomamos ricos e pobres.
Os primeiros têm melhores empregos, possuem assistência médica, planos privados de aposentadoria e ainda conseguem adquirir bens durante a idade produtiva, gerando renda extra. Sem contar políticos, militares, juízes e outros funcionários públicos que não obedecem o teto da iniciativa privada e só oneram a folha e o rombo da previdência nacional.
Os outros, além de não alcançarem a comodidade dos ricos, possuem trabalhos mais pesados e desgastantes, menor expectativa de vida, piores condições sociais…

Sem considerar esse fator de diferenciação, estabelecendo 65 anos como idade mínima para advogados e estivadores, médicos e cortadores de cana, fazendeiros e pequenos agricultores… teremos o segundo grupo sem possibilidade de exercer o próprio trabalho após os 50 e sem emprego nos últimos quinze anos de trabalho obrigatório!
E é esse grupo que começa a trabalhar (e contribuir) mais cedo. E é esse grupo também que precisa de suporte público para atendimento medico-hospitalar. E coincidentemente é o grupo que mais precisa do valor da aposentadoria, saído dos cofres públicos.

Outro “pau” que não agride Francisco é a Justiça.
É incrível ver os processos intermináveis e recursos contestáveis que “gente rica” consegue.
Basicamente, todo rico tem direito ao STF. Enquanto o pobre sequer sabe que pode ter um defensor público. E muitas vezes é coagido para aceitar uma culpa que não é dele.

Um exemplo é o goleiro Bruno, ex-Flamengo, cujo recurso foi deferido pelo juiz do Supremo Marco Aurélio Mello, após pouco mais de seis anos de reclusão…
Será que um pedreiro ou operador de máquina teria as mesmas condições?
Certamente não teria dinheiro suficiente para arquitetar sua defesa e programar seus recursos até o STF. Mas a pergunta certa seria: ele teria emprego assim que saísse da penitenciária?

Não é que eu condene o Clube Boa Esporte pelo que fez.
Mas eu gostaria de ver a mesma atitude em relação a presos “comuns”.
Uma vez que o discurso é de reintegração social, que tal contratar roupeiros, gandulas, cozinheiras, enfim, outros funcionários com ficha criminal, vindos de reclusão ou Febem/CASA?
Isso não calaria a minha boca e outras,  mas traria um exemplo a ser seguido.

Mas…
Enquanto tivermos políticos aumentando o próprio salário e usando jatos da FAB para viagens particulares, no fim de semana, levando família e amigos (aqui).
Enquanto houver conchavos e nepotismo para cargos de confiança, ministérios, cargos no STF.
E enquanto a oposição no Legislativo se resumir a PSOL e Rede… fica difícil acreditar na ética e mais difícil ainda acreditar no fim dessas diferenças.
Lamentavelmente.

por Celsão correto

P.S.: figura retirada de um excelente quadrinho do Laerte, que achei aqui

Começo compartilhando um vídeo extraído do Youtube (aqui a entrevista completa, para quem quiser ver o original).
Quem fala no vídeo é Mano Brown, vocalista dos Racionais MCs, ícone do rap nacional, e de toda a periferia paulista, desde o início dos anos 90. A entrevista é sobre o novo disco, o “novo estilo” do músico que “brinca” com a carreira solo.

Meu destaque vai para a análise de Brown sobre o Brasil, em pergunta provocativa já no final da entrevista.
Faz sentido sermos um país hoje “de direita”, enfrentando tantos problemas sociais?
Faz sentido vislumbrarmos o radicalismo de Malafaias e Bolsonaros, na política, antes mesmo de evoluir socialmente e nos certificarmos que nossa nova democracia, nossas jovens instituições funcionam? Antes de assegurar que podemos evoluir em ética (comportamental, política, social)?

Independente do resultado da Lava Jato, da pizza que venha a surgir…
Independente das delações, das listas de Janot, dos conchavos dos políticos que tentarão até o fim safar-se…
Independente dos infindáveis processos do STF, que julga até brigas de trânsito dos ricos em última instância…
Independente do esvaziamento das manifestações pós-PT, como se todos os problemas já estivessem resolvidos…
É preciso continuar lutando!

Por mais ingrato que seja a luta, por mais longo que seja o processo, por mais improvável que seja a condenação, por mais absurda que seja a a lei de última hora, aprovada durante a noite…

É preciso ouvir. É necessário que prestemos atenção aos pequenos grupos, às opiniões pirata, aos pensadores que arriscam “fora da caixa”.
Que os vídeos do Bob Fernandes, que blogs como o do Josias, que revistas como a Piauí e que TVs como a Cultura, sejam lidos e vistos. Principalmente como alternativas ao conteúdo normal de Globo, Estado, Folha e das revistas mais lidas do país (aqui).

Que tenhamos mais Browns, Mandelas, Luther Kings, Mujicas, Angelas Davis, Fred Haptoms…
Mas que a internet nos traga também entidades coletivas, onde a multiplicação da opinião do indivíduo ecoe rapida- e eficazmente, como o Avaaz, o Greenpeace, o Change.org

O tal “Caixa 2” é mesmo crime; e não duas vezes um “Caixa 1”. Qualquer coisa que digam contra ou qualquer isenção que seja aprovada no Legislativo é manipulação das mais reles.
As medidas de combate à corrupção, apresentadas por Dilma no longínquo março de 2015 (avaliadas aqui), quase dois anos atrás, e foco de ação popular pouco depois, não serão adotadas. Não adianta ter esperança nesse ponto. Ao menos não serão aprovadas sem drásticas mudanças. Como já escrevemos recentemente, a Câmara prepara a pizza, pois ainda verifica as assinaturas da ação popular (aqui).
As investigações dos políticos e empresários delatados, sobretudo nessa fase da Operação Lava Jato, levarão muitos anos. E provavelmente não extinguirão a corrupção. Se houverem condenações e prisões, mesmo tardias, teremos iniciado REALMENTE um movimento positivo.
A reforma da previdência, ou reforma trabalhista, será aprovada. Não por ser melhor para o país, mas aproveitando a maioria confortável que o governo Temer tem no Congresso atualmente. Não que eu seja contra reformas, só acho que essa merecia ser exaustivamente discutida e avaliada; sobretudo ouvindo empregados e sindicatos.
As aposentadorias de “marajás”: militares, juízes e políticos, que trabalham por pouco tempo e ganham salários exorbitantes não vai acabar; por mais que queiramos e por mais que seja mais justo e efetivo.

Somos poucos. Mas somos inconformados e continuaremos lutando!
No Legislativo ainda temos PSOL, outros pequenos partidos de esquerda como PCB e PCdoB, parte da Rede, do PDT e o que sobrou do PT. Nas ruas temos os inconformados, os pensadores, os curiosos, os críticos…

Terminando com outra frase de Mano Brown…

Nunca foi fácil, junta seus pedaços e desce para arena, mas lembre-se: Aconteça o que acontecer, nada como um dia após um outro dia!

por Celsão revoltado, já que citei Racionais e Congresso. 🙂

P.S.: figura retirada daqui, mais por não saber se o vídeo apareceria como figura no Facebook

P.S.2: abaixo o mesmo trecho de vídeo, no formato MOV, caso alguém tenha dificuldade em abrir o MP4

aroeiramoraes2Agora está feito.
Alexandre Moraes foi nomeado, sabatinado e aprovado em votação do Senado. É o novo Ministro do STF e tomará posse em Março.
É aquela água que misturamos ao vinho. Indissociável. Estará lá por longos 26 anos…

A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça foi um “teatro de bonecos”, como escreveu curto e bem, Josias de Souza (aqui).
A começar pelo presidente, Senador Edison Lobão, investigado na Operação Lava Jato, passando por nove outros investigados fazendo parte da mesma sabatina e terminando com outros senadores “da base” elogiando Moraes, sua conduta, suas respostas, seu penteado…

As revistas Veja e Época, notoriamente de direita, portanto extremamente críticas aos governos petistas anteriores e esperançosos (quero crer que somente a princípio) em relação a Temer, divulgaram e divulgam abertamente nos últimos exemplares a verdadeira perseguição à Operação Lava Jato, o provável “estancamento” proposto há algum tempo por Jucá…
A capa da Veja que ilustra esse post é da edição 2517, de 15 de fevereiro.
Dentre as reportagens da Época, destaco essa, “O governo e o Congresso contra a Lava Jato“. São inúmeros os exemplos de medidas lícitas, porém imorais, que as entidades máximas da Nação estão tomando para se protegerem e para “afundar” o inédito combate à corrupção.

post_pizzaO colunista da também conservadora Folha de São Paulo, Jânio de Freitas, chega a propor aqui que as escolas de Direito devam parar de ensinar as leis e o modo correto de empregá-las, passando a ensinar truques jurídicos.
É isso que estamos vivenciando atualmente: “truques” em todas as esferas: Executivo, medidas e indicações do presidente Temer, Legislativo, com votações rápidas em pontos de interesse próprio, arquivamento de processos de interesses contrários, protelação em alguns casos, sabatinas “teatrais” e até do próprio Judiciário, que arquiteta quando lhe convém suspensões de processos e procrastinações, como o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e a atual “novela” da verificação das assinaturas do projeto popular de medidas anti-corrupção.
O “povo” propôs, com mais de 2 milhões de assinaturas. O Congresso alterou bastante, colocando punições a juízes por abuso de autoridade, o judiciário bloqueia o processo, cria liminar, assinaturas devem ser conferidas, TSE não consegue conferir… pizza a vista! (aqui)

Voltando ao nosso ilustríssimo mais novo Ministro do Supremo, Moraes…
Ele terá o papel de defender Eunício, Maia, Temer. “Defender” não seria a palavra judicialmente perfeita, seria o “truque jurídico”. Enfim… ele vai defender os principais artífices do Executivo e Legislativo atual e blindá-los certamente.
Talvez estenda sua benevolência também a Renan Calheiros e aos tucanos ex-colegas de partido, como Aécio, também citado nas delações da Odebrecht.
Quem tem dúvidas de que Alexandre de Moraes está mesmo “atado” ao PMDB e ao governo Temer, pesquise a primeira visita dele após a votação do Senado (aqui). Ele foi direto para a “casa do padrinho”, pedir a bênção e buscar as primeiras instruções. E essas, aposto, começaram com a sugestão de visita subsequente: Carmen Lúcia.

Tirando a já óbvia pizza da Lava Jato a caminho (está obvia até pra Veja e Época), me espantam os problemas de Ministério que nosso atual presidente enfrenta.
Já havíamos levantado alguns prováveis problemas quando os mesmos foram nomeados (aqui).
Mas os números seguem aumentando e surpreendendo. É difícil até de controlar a contagem: a maioria é de réus, enrolados em inquéritos e escândalos.
Moreira Franco, recém nomeado e Bruno Araújo (Cidades) são os ministros atuais citados pela Odebrecht. Que também conta com os já afastados Romero Jucá e Geddel Vieira. Isso no âmbito da Lava Jato.
Temos José Serra, recém saído do quadro, que responde por improbidade administrativa. A ele juntam-se Eliseu Padilha, Hélder Barbalho e nosso querido Kassab.
Mas tem também crimes “raros”, como fraude de licitação (Ricardo Barros – Saúde), desvio de merenda (Maurício Quintella – Transportes), falsidade ideológica (Marx Beltrão – Turismo), peculato (Raul Jungmann)…

É repetido aqui nesse espaço, mas repetirei.
Triste constatar que todo o movimento do “gigante” durante a pressão pró-impeachment era realmente contra Dilma e contra o PT. E não algo contra a corrupção, como muitos diziam.

E… obviamente… meu lado utópico espera estar errado!

por Celsão correto.

figuras retiradas daqui (por Aroeira) e da lista de capas da Veja, aqui

 

Ciro-Gomes-de-anel-560x250Compartilho uma entrevista recente do provável pré-candidato à presidência (adorei o termo!) Ciro Gomes.
Na entrevista concedida ao InfoMoney, Ciro fala de inverdades difundidas pela mídia, que é cúmplice de um “pacto de estupidez”, na tentativa de proteger o atual presidente e a esperada retomada do crescimento econômico. Cito como exemplo a reforma da previdência: o ex-ministro e ex-governador nega que haja déficit e propõe mudanças numa direção distinta da atual. Critica a disparidade de valores para juízes e políticos, e a punição ridícula aplicada a juízes, da aposentadoria compulsória integral. (pontos já criticados nesse blog aqui)
Há algum tempo Ciro fala da reforma da previdência, focando no modelo de poupança própria (ou capitalização) em oposição ao regime atual de repartição (achei duas referências de 2001: aqui, onde Ciro falou em Harvard sobre o seu plano de Governo e aqui, onde usaria as reformas tributária e previdenciária para elevar o valor do salário mínimo)

Ciro critica Temer, como vem fazendo desde que o mesmo assumiu a presidência e nomeou o seu primeiro escalão.
Está pessimista em relação a 2017. Tomando uma das frases dele, dita logo antes do impeachment: “vocês estão completamente equivocados em querer colher maracujá em pé de laranja. Dessa coalizão de corruptos, incompetentes e entreguistas, não sai nada senão corrupção, incompetência e entreguismo

Ciro também cita uma das ideais “pirata” defendida aqui nesse post: redução da taxa de juros. Mesmo não sendo brusca, a redução, segundo ele, faz todo o sentido. Inclusive daria para aproveitar que as economias do mundo estão praticando taxas negativas de juros, e transformar nossa dívida interna em externa (totalmente “fora da caixa”).

Enfim… no mínimo, vale a leitura e a reflexão.
Segue abaixo, na íntegra.


InfoMoney: O senhor defende que não há rombo na Previdência. As estimativas de que o déficit do INSS vai superar os R$ 180 bilhões em 2017 estão erradas?

Ciro Gomes: Todas as vezes em que se reflete sobre um problema complexo no Brasil, os oportunistas a serviço dos interesses prevalecentes acabam reduzindo opiniões que deveriam ser complexas. A grande questão hoje é que, se você tem as receitas destinadas pela lei versus as despesas para a Previdência, não há déficit. Se somarmos CSLL, PIS, Cofins, as contribuições patronais do setor privado e público e as contribuições dos trabalhadores, contra as despesas do presente exercício, temos ainda um pequeno superávit. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de decência e não esteja a serviço da manipulação de informações vê isso. Eles têm a audácia de falar em déficit, porque propõem uma DRU [Desvinculação de Receitas da União], que capta 30% de todas essas receitas e aloca para pagar os serviços da dívida, com a maior taxa de juros do mundo, no momento da pior depressão da história do Brasil.

Dito isso, a Previdência Social tem dois problemas. Um é estrutural, derivado de uma mudança da demografia. Tínhamos seis pessoas ocupadas para cada aposentado quando o sistema foi montado, com expectativa de vida de 60 anos. Hoje, temos 1,7 trabalhador ocupado por aposentado, para expectativa de vida superior a 73 anos. Para resolver estrategicamente a equação de poupança e formação bruta de capital do Brasil, precisamos avançar com prioridade em uma reforma, mas nunca na direção que estão propondo. E aí vem o segundo problema: o futuro ou potencial déficit da previdência brasileira se dá pelas maiores pensões, dos maiores rendimentos, que levam mais da metade das despesas. Juízes, políticos, procuradores precocemente aposentados e com pensões acima de qualquer padrão de controle do país. Isso é uma aberração. A maior punição a um juiz ladrão que vende uma sentença no Brasil é a aposentadoria compulsória com 100% de seus proventos.

IM – E o que fazer para resolver o problema?

CG – O superávit vai sumir em dois ou três anos. Temos que evoluir do regime de repartição [em que as contribuições dos trabalhadores em atividade pagam os benefícios dos aposentados] para o de capitalização [em que cada trabalhador poupa para sua aposentadoria], que é o que todos os países do mundo fazem. E fazer uma espécie de transição, que é o mais complexo mas há como fazer também, de maneira que, ao fim do processo, tenhamos uma previdência básica para 100% da população da transição, e a previdência complementar pública, porém sob controle de coletivos de trabalhadores e com regramentos de governança corporativa, com prêmios para um grupo de executivos recrutados por concurso e com coletivos de apuração dos riscos dos investimentos.

IM – Qual é sua avaliação sobre a fixação de uma idade mínima para aposentadoria?

CG – Sou a favor, desde que se compreenda as diferenças do país. Considero uma aberração estabelecer uma idade mínima igual para um trabalhador engravatado, como eu, e um professor, que, no modo como Temer vê as coisas, precisaria trabalhar ao menos 49 anos para ter aposentadoria integral. A expectativa de vida no semiárido do Nordeste, por exemplo, não chega a 62 anos. Um carvoeiro do interior do Pará também não. É preciso evoluir para um padrão que conheça o País. Há de se estabelecer uma idade mínima, mas não pode ser por um modo autoritário e elitista, ditado pelos setores privilegiados da sociedade.

IM – Há economistas que, assim como o senhor tem feito nessa discussão da reforma da Previdência, questionam os atuais termos do debate. Qual deveria ser a agenda econômica atual na sua avaliação, levando-se em consideração a força do governo e do mercado em conduzir as discussões?

CG – O setor financeiro está produzindo uma crise para si próprio, com a proporção dívida/PIB indo de 75% para 90% no ano que começou. É tão estúpido o modelo feito com [Henrique] Meirelles que agora estão produzindo o próximo ciclo de crise. É uma crise do setor bancário, cujas sementes estão dadas. Já são a maior inadimplência e o maior volume de reserva de crédito para recuperação duvidosa da história, e eles estão querendo compensar os prejuízos com a taxa de juros real, que simplesmente está fazendo despencar a receita pública. Nos estados, já é caricata a situação de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e mais 14 estados por conta desse receituário absolutamente estúpido do ponto de vista técnico.

Temos que inverter essa ideia boba de ganhos de confiança, que vai se deteriorar todo dia muito mais. Confiança depende de números práticos, e o mais relevante deles é proporção dívida/PIB para o setor financeiro, mas para o setor produtivo é emprego, renda. Tudo isso está se deteriorando. O que tem que ser feito é o oposto do que essa gente está fazendo. Em todo momento de depressão econômica, até os mais conservadores sabem, é preciso que o governo aja de forma anticíclica para liberar uma dinâmica de retomada de desenvolvimento. E não é com farra fiscal, porque quem está produzindo desequilíbrio é a queda substantiva da receita. Basta ver que as despesas que estão aumentando são todas de iniciativa do senhor Michel Temer. A saber: reajuste das maiores corporações, a forma descuidada com que negociou a dívida dos estados e municípios.

Enquanto isso, há uma porção de iniciativas semiprontas que eles estão descontinuando. Desencomendaram 17 navios da recém-retomada indústria naval brasileira e desempregaram 50 mil pessoas; descontinuaram as obras da Transnordestina, que tinha 7 mil homens trabalhando; descontinuaram as obras do Rio São Francisco, enquanto o Nordeste brasileiro amarga seu quinto ano de seca. Tem áreas importantes colapsando o abastecimento de água humano. Essa é a realidade do governo.

IM – Qual seria a taxa de juros ideal para a retomada do crescimento, na sua avaliação como crítico à atual política monetária?

CG – Todos os grandes mercados do mundo estão com juros negativos neste momento. Qual é a razão de o Brasil ter os maiores juros reais do planeta? Teoricamente, defende-se juro alto para desconjurar inflação, que é o princípio mobilizante desses enganadores há duas ou três décadas no Brasil. Qual é a inflação de demanda que temos no país? Qual setor de produção brasileiro está com hiato de produto (demanda maior que oferta)? Estamos com a maior capacidade instalada ociosa da história moderna do Brasil.

Quando a taxa de juros foi estabelecida pela Dilma em 14,25%, a inflação estimada era de 11,5%. Portanto, se aceitássemos para argumentar — o que é uma aberração, porque a inflação que se apresentou derivou-se de preços administrados pelo governo e das consequências da desvalorização do câmbio, ambos fenômenos sobre os quais os juros não têm efeito — que 14,25% é uma taxa correta para enfrentar inflação anualizada a futuro de 11,5%, hoje a inflação projetada para 12 meses está inferior a 5%. Qual é a explicação para o atual patamar a não ser a boçalidade com que o Banco Central serve o setor financeiro?

IM – Mas seria possível reduzir essa taxa tão rapidamente?

CG – Evidentemente que está interditada a ideia, mas nada justifica que o Brasil não traga a taxa de juros tão rapidamente o quanto possível, para não quebrar expectativas e nem causar prejuízos mais graves a ninguém, e de forma profunda.

IM – O senhor mesmo tem o diagnóstico de que haveria um confronto entre as coalizões, sobretudo no mercado financeiro, no caso de uma queda abrupta na taxa. Como sair disso?

CG – Não estou falando em ser abrupto. Mas acho que o Banco Central tem que acabar com a história de reunir o Copom a 45 dias. Tem que se reunir, reduzir em um ponto [percentual a Selic] agora e anunciar um viés de baixa, que o mercado inteiro entenda. Os bancos mais sóbrios sabem que tenho razão. O Bradesco, por exemplo, sabe que a taxa de juros está causando prejuízo aos bancos. Em São Paulo, ninguém está pagando ninguém. Hoje, o Brasil está proibido de crescer também, porque o passivo das 300 maiores empresas estrangulou. No último trimestre, nenhuma das grandes empresas de capital aberto do Brasil gerou caixa para pagar o trimestre de dívida.

Os bancos privados estão todos saindo da praça e os créditos de recuperação duvidosa estão todos de novo se concentrando no Banco do Brasil e na Caixa Econômica. Enquanto isso, ninguém abre a boca. Só no calote da Oi, foram R$ 65 bilhões espetados no Banco do Brasil e na Caixa Econômica — ouça-se: nas costas do povo brasileiro.

IM – Alguns especialistas chamam atenção para a situação de endividamento das empresas e seus efeitos sobre o sistema financeiro. Existe a percepção de um processo de deslavancagem em curso, que pode culminar em transferências de controle de companhias brasileiras a grupos estrangeiros. Qual é o seu entendimento sobre esse processo?

CG – É o passivo externo líquido explodindo. O desequilíbrio das contas externas brasileiras é outro fator que nos proíbe de crescer. Então, tem-se a depressão imposta, com o governo fazendo um processo restritivo, cíclico, as empresas com passivo estrangulado e o passivo externo líquido do país explodindo, inclusive com o governo fazendo desinvestimentos na Petrobras. É um crime, e o jornalismo brasileiro é cúmplice, por regra.

IM – O senhor se diz contrário às privatizações, ao passo que existem aqueles que veem nessa iniciativa a melhor saída, tendo em vista os recentes escândalos de corrupção revelados por operações como a Lava Jato…

CG – A Odebrecht é estatal?

IM – Não.

CG – Então está aí minha resposta.

IM – O senhor é um dos poucos candidatos que se define ideologicamente de esquerda e se dedica a um debate macroeconômico…

CG – O que eu advogo é uma grande aliança de centro-esquerda, que produza um projeto explícito, fora dos adjetivos desmoralizados gravemente pelo próprio PT, que malversou o conceito ‘esquerda’ e virou uma agremiação que cooptou setores organizados da sociedade para praticar uma agenda mista de alguma atenção ao consumismo popular, mas de absoluto conservadorismo nas estratégias de desenvolvimento do país. O que advogo é a coisa prática, que dê condição de novo da sociedade brasileira voltar a produzir e trabalhar.

IM – Quais são os riscos de sua candidatura não acabar vista como representante do eleitorado progressista e tampouco conquistar alguma adesão em um debate de maior controle da direita?

CG – No Brasil, infelizmente estamos olhando de forma rasa sobre problemas complexos. Não vou mudar minha posição, continuarei tentando pedagógica e pacientemente conscientizar o brasileiro sobre essas necessidades estratégicas do país.

IM – As esquerdas no mundo estão tendo um diagnóstico errado sobre o que representa a eleição de Donald Trump (e outros fenômenos globais), ao atribuí-la exclusivamente a um discurso reacionário e xenófobo? O pré-candidato Bernie Sanders, por exemplo, teve chances consideráveis de vencer o pleito e não poderia oferecer leitura mais antagônica.

CG – Acho que esse é um olhar superficial. Evidentemente, estamos com um debate em efervescência no mundo, com o colapso da Europa, a saída do Reino Unido [da União Europeia], vis-à-vis a tensão que a China está produzindo nas novas relações mundiais. Não sei o que Trump vai afirmar, mas ele foi eleito pela negação da perversão neoliberal e do rentismo prevalecendo sobre a produção. É o trabalhador branco, desempregado, do setor industrial americano a substância da base da eleição. Bernie Sanders sistematizou um pouco mais claramente esses valores, mas de forma dialeticamente difícil de ser engolida pelo grande sistema americano.

Mas o debate está fervendo na Europa, e todo mundo percebendo que a solução para o problema é recuperar os mecanismos de coordenação estratégica do governo e por interação com a iniciativa privada. Não é estatismo ao modo velho, muito menos esse liberalismo estúpido que produziu a maior agonia do capitalismo mundial com a crise de 2008, cujos escombros estamos vivendo ainda hoje.

IM – Muitos nomes favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff, pensando em uma retomada da economia, começaram a se ajustar a projeções mais negativas. O país ainda pode evoluir em 2017?

CG – Não vamos evoluir. É claro que você vai assistir o Banco Central correndo um pouco mais rapidamente na direção correta, mas ainda muito mais lentamente do que o necessário, de forma insuficiente para reverter expectativa. O ano de 2017 também já está comprometido.

Em uma palestra em um think tank em Washington, logo na iminência do impeachment, com todos muito animados, eu disse: “vocês estão completamente equivocados em querer colher maracujá em pé de laranja. Dessa coalizão de corruptos, incompetentes e entreguistas, não sai nada senão corrupção, incompetência e entreguismo”.

IM – O ajuste fiscal não seria uma saída?

CG – A única forma de o Brasil sair da profunda crise fiscal em que se encontra é aumentar a receita. Nessas circunstâncias, há duas condições — o que não quer dizer que não se tenha que impor a eficiência da despesa. Uma delas é, de forma segregada, imediatamente aumentar alguns tributos, como Cide e CPMF. Mas estrategicamente só há um jeito de fazer a receita voltar a crescer: o país assumir a decisão de crescer.

Para isso, é preciso fazer grandes movimentos de conjuntura, como consolidar o passivo do setor privado, descendo a taxa de juros aceleradamente. Mas também proponho que se possibilite a consolidação de passivo com US$ 50 a 70 bilhões extraídos das reservas e alocados em um fundo soberano, que pode ser feito nos BRICS ou em um fundo soberano que o Brasil crie. Seria trocada dívida interna no juro brasileiro por uma dívida externa, com câmbio razoavelmente estabilizado, correndo a taxa de juros negativa no exterior. Você pagaria o hedge e ainda compensaria dramaticamente, também sendo um grande coadjuvante para a retomada do investimento privado e da queda da taxa de juros pela consolidação dos passivos de grandes empresas brasileiras, que tinham plano de investimento quando esses estúpidos começaram a destruir a economia.

IM – Nesse cenário de dificuldades na economia, o senhor vê Michel Temer encerrando o mandato em 2018?

CG – Não consigo ver. A elite brasileira sabe que não dá para esperar tanto tempo e vai cavar o buraco para ele também.

IM – Levando-se em consideração sua experiência parlamentar e como ministro e governador, qual é a avaliação que tem da atual situação de governabilidade de Temer? Um forte apoio congressual, mesmo em meio às fraturas na base, e a contradição com o elevado nível de reprovação popular.

CG – Ele não tem forte apoio no Congresso. A elite brasileira, a plutocracia, o baronato que manda no país e que baseou o impeachment é quem controla, de fora para dentro, esses congressistas. Eles deram a Michel Temer, que é uma pinguela ou um trambolho, tarefas para serem cumpridas. Para elas, há apoio no Congresso. Mas basta rivalizar com qualquer outro tipo de assunto [que se observa a fragilidade do governo]. Por exemplo: a reforma trabalhista não vai acontecer. Pergunte a opinião de Paulinho da Força (SD-SP), que estava junto com ele no impeachment, sobre esse assunto. Outro exemplo é a negociação dos governadores sobre a dívida. Pergunte ao filho do César Maia [Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados] a qual senhor ele serviu quando agiu lá. Então, vivemos de ilusões. Também é tarefa minha pedir ao jornalismo brasileiro que saia desse pacto de estupidez.

IM – O senhor compartilha do entendimento de que houve um golpe contra Dilma Rousseff e que ele não se restringe ao nível doméstico. Qual é o seu desenho da geopolítica do processo?

CG – Basicamente, o impeachment foi provocado ancestralmente pela descontinuação do governo Dilma, em função da distância entre a marketagem de campanha e a prática no início do segundo governo. Isso criou um ambiente que desconstruiu muito precocemente seu laço com o povo brasileiro. Ela fez uma opção de, ao não politizar os problemas estratégicos na campanha, enganar o povo e achar que teria tempo para corrigir. Essa é a causa remota.

A causa que se organizou – fissura, inclusive, pronta nessa contradição de Michel Temer — tem três interesses bastante práticos:

1) Gerar excedentes fiscais, em ambiente de agonia fiscal, a qualquer preço para proteger a inflexão da proporção dívida/PIB, para o rentismo. Essa é a primeira grande razão e a tarefa de Temer, que tem que cumpri-la e não o está fazendo. O déficit primário vai se aproximar de R$ 200 bilhões, enquanto o nominal, R$ 450 bilhões.

2) O alinhamento internacional do Brasil completamente desmontado. [Apesar de] Contraditória e despolitizada, a presença do país em uma ordem internacional difusamente multipolar teve aproximações sensíveis com Rússia em uma hora de Crimeia, com a China, em uma hora em que a estratégia americana era o Tratado do Transpacífico (que Trump prometeu revogar). Em um momento estratégico como esse, os primeiros centrais princípios da política do império são não permitir uma ordem multipolar que não se renda ao monopólio do poder que ganhou na bala, na Segunda Guerra Mundial, e se sustenta na base do termo de troca (dólar) e na sofisticação tecnológica.

3) A entrega do petróleo. Observe a pressa com que [José] Serra apresentou um projeto para eliminar as restrições de acesso da Petrobras a reservas [do pré-sal], de eliminar o conteúdo nacional e a pressa como estão vendendo subfaturados vários dos investimentos da companhia. Na cara da imprensa brasileira, venderam o campo de Carcará por US% 1,35 o barril de petróleo para uma estatal norueguesa e agora venderam, por US$ 2 bilhões coisa que custou recentemente US$ 9 bilhões, para a empresa francesa Total. Tudo com muita pressa.

As três grandes demandas Temer está tentando entregar. Não vai conseguir a mais grave, e, por isso, vai cair.

IM – Se o senhor se candidatar à Presidência em 2018, como pretende governar com um Congresso tão conservador, fragmentado e empoderado como o atual?

CG – Digo de novo: vou pensar mil vezes em me candidatar. Meu partido vai definir e cumprirei minha obrigação. Mas, se for, irei para fazer história.

O presidencialismo tem mil desvantagens e a mais grave delas é essa lógica de impasses, em que o presidente tem as responsabilidades pela saúde dos negócios de Estado e um Congresso, que não tem, no sentido jurídico do tema, responsabilidade nenhuma, pode diminuir ou aumentar despesas, sem pagar qualquer consequência, enquanto, no Parlamentarismo, isso não acontece.

Mas o presidencialismo também tem sua vantagem, que é a capacidade que o presidente da República tem tido, na tradição brasileira, de se escorar na opinião pública e fazer a construção de uma maioria de forma qualitativa. Fui ministro da Fazenda no governo Itamar Franco. Ele não tinha partido, não tinha maioria orgânica — o que não é meu caso, que tenho experiência política e tenho um partido, onde as alianças políticas são perfeitamente praticáveis –, mas, ainda assim, conseguiu governar com força política imensa e, cada vez que precisou, apostou no povo, na mobilização da opinião pública, para que os grupos de pressão clandestinos não o esmagassem.

IM – Um entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e uma lei recentemente aprovada pelo Congresso, à revelia do que determina a Constituição Federal, apontam para chances de eleições diretas em caso de queda do governo Michel Temer. O senhor se vê apto a se candidatar se o processo eleitoral se iniciasse amanhã?

CG – Meu partido que vai resolver isso e cumprirei minha responsabilidade. Mas, se for, farei o que deve ser feito pelo País, para voltar para casa com a consciência tranquila. Tenho muita esperança e confiança de que é possível resolver o problema do país, não que seja simples ou fácil, mas é perfeitamente praticável fazer o Brasil retomar seu destino, que não é essa mediocridade corrupta que tomou conta.

Mas estou muito incomodado com esse estado de anarquia que as coisas têm acontecido. A Constituição diz que, se o presidente da República for cassado, o vice assume. Se o vice, por alguma razão, sair antes de dois anos de mandato, há eleições diretas. E, se ele sair depois de dois anos, a eleição é feita indireta pelo Congresso. Eu tenho nojo e pavor da ideia de que isso vá acontecer. Mais nojo e pavor tenho da ideia de se ficar manipulando a Constituição, desses juízes que fazem discursos políticos, porque isso é um estado de baderna e é muito pior do que qualquer outra coisa.

IM – A Operação Lava Jato é um tabu para a esquerda. Enquanto parte apoia, outra foge do debate, e uma terceira parcela critica abusos cometidos e os efeitos gerados para a economia do país e as empresas. Como promover um combate à corrupção sem provocar grandes fissuras na economia? O que o senhor proporia de diferente?

CG: Temos que olhar as coisas complexas com olhares complexos. A Lava Jato é uma coisa essencialmente importante para o Brasil, porque parece dar fim ao histórico de impunidades do baronato da política e do mundo empresarial. Por isso, ela merece todo o apoio e estímulo.

Isto dito, temos também alguns problemas, como o excesso de aplausos e exibicionismos de juízes e procuradores. Isso não é bom, mesmo para a Lava Jato, porque à medida que você extrapola, o risco de suspeições está dado. Várias sentenças que alçaram a segunda instância da Justiça foram anuladas, é só se lembrar da Operação Satiagraha. É isso que está fadado a acontecer se não forçarmos a mão com essa garotada de Curitiba. Eles têm que se lembrar que Justiça é severidade, modéstia e não ficar se exibindo.

Outra coisa gravíssima é que quem comete crime é a pessoa física. No ordenamento jurídico brasileiro, pessoa jurídica não comete crime. Então, as punições têm que ser severas, mas destinadas exclusivamente à pessoa física, que praticou o ato ilícito. O mundo inteiro salva a cara das empresas. A Construção Civil é um dos raros setores em que temos algum protagonismo global, mas eles estão destruindo as empresas. Isso, no entanto, não é culpa dos juízes, mas dos políticos, que não têm coragem de fazer acordo de leniência e não deixam que os juízes cumpram suas tarefas de dar a pena que for necessária para as pessoas. Mas salvar as empresas para que elas atuem é um imperativo de ordem pública no Brasil.


por Celsão correto

figura retirada de outro post nosso (aqui). A entrevista também pode ser lida aqui e aqui.

img_20161204_161853917Tinha de tudo…

Tinha muito “Fora Temer”, bordão já conhecido dos que frequentam a Avenida Paulista como espaço de lazer aos domingos.
A diferença é que haviam uns textos um tanto “ameaçadores” em distribuição: “Temer, você é o próximo!”, pregavam.

Tinha “Veta Temer” também.
E aqui tive alguma dificuldade para interpretar se a pessoa é a favor do presidente peemedebista ou se tem somente uma vã esperança de que este tome a reação popular e o problema causado pelas votações realizadas durante a semana passada na “calada da noite”, como problema da Nação Brasileira e vete todos os pontos alterados nas dez medidas anti-corrupção.
A manobra foi suja e indigna, mas não creio que o presidente vetaria a sua totalidade. No máximo distorcerá algum item para que fique ainda mais oblíqua a interpretação do texto final…
(É verdade. Não tenho esperança alguma em Michel Temer)

img-20161205-wa0001_Tinha “Fora Renan” e “Fora Maia”.
Mas poucos pareciam estar na manifestação para afastar os presidentes corruptos do Senado e da Câmara Federais. Os verdadeiros artífices do processo de alteração e votação das medidas contra a corrupção.
Renan, agora réu, aparecia mais. Havia inclusive um boneco dele, ao lado de um dos carros de som.
Tomando o que fizeram: durante a madrugada, sem aviso e com pouco alarde, na noite pós acidente aéreo da Chapecoense (post nosso aqui), em que todos estavam “concentrados” e consternados com o ocorrido, foi incabivelmente errado.
O mínimo a pedir, numa manifestação justa, é o afastamento (ou renúncia, melhor ainda), de Renan e Maia.

Mas as faixas mostravam mesmo era o apoio irrestrito à Lava Jato. Meu Deus, como tinha citação da Lava Jato.
E, como não poderia deixar de ser, vinculado, ligado à Lava Jato está o “Herói Nacional” Sérgio Moro. Tinha Sérgio Moro de Super-Herói, em estampas de múltiplas camisetas, em faixas… Arrisco a dizer que tinha mais Sérgio Moro, que Polícia Federal, Ministério Público e Lava Jato juntos…
Sou contra o endeusamento do juiz. Seus métodos são passíveis de discussão, visto que não são unanimidade sequer na classe jurídica (post nosso aqui).
Mas acho equivocada a determinação, ou a “abertura” criada pela lei de abuso de autoridade. O caminho, pra mim, é julgar cada ato dos juízes isoladamente. E punir em caso de real abuso.
Cercear juízes, Polícia Federal e Ministério Público, praticamente impedindo-os de julgar políticos, proferir sentenças e REALMENTE investigar os crimes cometidos por estes, é tolher a justiça. Ou, ao menos, direcionar os seus efeitos…
As reclamações sobre esse ponto, ou sobre essa alteração são justas. Só não precisava parar aí, ou focar demasiadamente aqui.

Tinha gente de verde a amarelo e gente de preto.
Tinha gente criticando os de preto e nos “alertando” sobre a real intenção desses. Diziam que eram a favor do PT e da Dilma, sem sequer perguntar minha opinião.
Mas o texto desses de preto, pedia a prisão do Lula e citava o governo PMDB como continuação do “desastre PT”.
Aquele velho problema de quem critica sem sequer ler a mensagem passada, sem pensar ou entender, sem pesquisar que o principal partido articulador da votação às pressas e “na miúda” foi o PSDB, queridinho do estado de São Paulo. (aqui notícia do Estadão a respeito)
Enfim… dá pra deduzir que tinha muita gente sem saber contra o quê protestar.

Tinha carro de som e artista falando.
Tinha presença de movimentos “apartidários”.

Tinha conhecido, encontrado por acaso, me perguntando que cartaz eu carregava.
E a esses, respondi refazendo a mesma pergunta.

Tinham cartazes pedindo intervenção militar. Alguns pediam isso e usavam o “já”, para dar intensidade.
Tinham cartazes pedindo o fim dos privilégios, pedindo o fim dos partidos, pedindo anarquia…

E tinha gente que só passeava. Ouvia boa música, aproveitava o domingo.
Coisas de paulista na Paulista…

Aliás, tal criação do petista Haddad (que propôs fechar a avenida mais famosa da cidade aos domingos para o lazer), fez-me lembrar que outra petista, Dilma, foi quem anunciou o tal “pacote” de medidas anticorrupção em Março do ano passado (aqui em nosso arquivo, e aqui citando uma fonte da mídia).
Pacote de medidas, destroçado e distorcido agora.
Coisas de Legislativo Brasileiro…

por Celsão correto

figuras de arquivo próprio