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Why Beauty MattersO filósofo Roger Scruton, autor do documentário Why Beauty matters, dissePenso que nós estejamos perdendo a beleza, e tenho medo que com ela, percamos o sentido da vida.

A beleza tem sido central para nossa civilização há 2000 anos. Na Grécia antiga, a filosofia refletiu sobre a arte, a música, a arquitetura e sobre o dia a dia, enchendo as vidas de beleza. Filósofos argumentavam que através da percepção da beleza, moldamos o mundo como um lar, e também passamos a compreender melhor a própria natureza e essência da vida. Os artistas usavam a beleza da arte como escape para a dor e o caos inerentes ao mundo.
A beleza era um valor tão importante quanto a verdade e bondade.

A partir do século XX, a beleza foi deixando gradativamente de ser importante, e seu espaço passou a ser ocupado pelo culto à “utilidade”. A criatividade passou a ser substituída pela “originalidade”, e assim a arte (em muito encabeçado por Marcel Duchamp) passou a ser uma ferramenta de quebra de tabus e de destituição da moral vigente, perdendo a sua essência bela e criativa; deixou de se colocar como um escape para as dores da alma e como agente gerador de alegria, e se tornou ferramenta legitimadora da concepção de que a vida humana é suja, triste e caótica, buscando constantemente representar fidedignamente estas características.

Mictório de Duchamp - Arte do século XX

Mictório de Duchamp – Arte do século XX

Esse impasse não se resume à arte, mas também está presente na arquitetura, que ficou sem alma e estéril. Vemos que a beleza das edificações passou a ser irrelevante, e a utilidade e praticidade das mesmas passaram a ser prioridade. Porém, essas edificações, com o passar do tempo, passam a ser antiquadas, fora de moda, e assim o que antes era útil torna-se inútil.

Essa degeneração vai ainda muito além. Nossa linguagem, costumes, maneiras, comportamentos estão cada vez mais rudes, autocentrados e ofensivos; nossos valores estão dando nó em inversões e distorções abismais.
A beleza, o bom gosto, a educação, as boas maneiras, a cordialidade, perderam seus valores e não tem mais lugar nas sociedades de hoje, e podem gerar até mesmo preconceitos e bullying para com aqueles que ainda buscam orientar suas vidas baseado nestes preceitos.

A percepção da beleza do coletivo e de tudo que está ao nosso redor, é substituída pelo individualismo, lucros, desejos, inveja, cobiça, prazeres momentâneos e irresponsáveis; e a beleza dos sentimentos, gestos e ações escorrem pelos nossos dedos. Isso colabora na geração de um sistema selvagem, um capitalismo predador onde quanto maior o poder financeiro de um indivíduo, empresa ou Nação, maior o seu valor e prestígio.

Vejamos, por exemplo, a representação da beleza do ser humano. Antigamente, muitos artistas e filósofos buscavam, através da contemplação, retratar e descrever o ser humano de forma pura e bela, em toda sua essência e perfeição (de acordo com Platão, a beleza é uma visitante de outro mundo. Não podemos fazer nada com ela, a não ser contemplá-la. Se tentarmos tocá-la acabaremos por profaná-la, destruí-la).
Hoje em dia a representação da beleza do ser humano, principalmente da mulher, está corrompida, degenerada. Uma sociedade machista e pervertida estimulada por todos os possíveis estímulos do marketing e dos costumes patriarcais, não é mais capaz de encantar-se com a leveza dos traços e movimentos femininos, pelo contrário, esta beleza foi assaltada pela pornografia e simbolização da mulher como objeto sexual de consumo masculino.
Esta representação se vê no cinema, na música, na televisão, nos cartazes e outdoors, nos programas de entretenimento de hotéis, bares, baladas, nos anúncios de internet, nos livros e até mesmo em pinturas e esculturas.

E qual a perspectiva pro futuro? Bom, não é nada boa.
Os sistemas educacionais estão cada vez mais degenerados, a Grande Mídia mundial cada vez mais zela pelo interesse dos grandes senhores da elite em detrimento dos interesses da maior parte da sociedade. Assim, uma sociedade paranoica, caótica, egoísta, rasa e amedrontada, ou como diria Zygmunt Bauman, uma sociedade de valores líquidos, é criada, e um buraco vazio é deixado no lugar onde antes habitavam naturalmente valores de ética, de moral, de espiritualidade, de coletividade e de beleza. Para ocupar esse espaço, entra em ação o Marketing, responsável por gerar necessidades sintéticas, guiando as pessoas a preencherem este espaço com a nova ordem: Consumo!

Em nome da manutenção deste Status Quo, toma-se de assalto a palavra “democracia” para acusar de ameaçador e desrespeitoso o fato de alguém julgar os gostos e opiniões de outros. Alguns até consideram ofensiva a sugestão de que possa haver “bom gosto” e “mau gosto” quanto ao que se lê, assiste ou escuta.
Assim, beleza e fealdade são colocadas em mesmo patamar de igualdade, e qualquer opinião, por mais preconceituosa, bárbara, retrógrada, desprovida de lógica racional ou fora de contexto com a realidade, deve ser “respeitada”.

Quando ignoramos a beleza, nos encontramos em um deserto espiritual, nossas vidas perdem o sentido, e a insatisfação sempre estará presente por melhores que nossas vidas possam parecer! Viveremos constantemente em estado de ansiedade e nervosismo, mas não saberemos a origem de tais sentimentos; teremos medo, mas não saberemos do quê.

Porém ao adotarmos a beleza como base cultural, a harmonia e paz nos invadem.

Contemplação

Imaginemos, por exemplo, um momento de contemplação, olhando fixamente para a natureza bela. A brisa leve nos sequestra da realidade dos apetites materiais e transporta nosso pensamento para um espaço-tempo sublime adormecido no fundo de nossa alma, e aí os raios de Sol tocam nosso rosto, e nos lembramos de uma melodia perdida em nosso subconsciente, que nos remete a uma recordação nostalgicamente alegre de algum momento mágico do passado, ou aos traços do rosto de uma pessoa amada, e de repente, como que num toque de mágica, somos preenchidos por uma alegria que transborda, e naquele exato momento percebemos indubitavelmente que nossa vida vale à pena.

por Miguelito Filosófico

Para assistir ao documentários Why Beauty Matters, clique AQUI

Este mesmo artigo foi publicado no blog Soul Negra, que aborda temas de todos os tipos relacionados à cultura, moda e beleza Negra. Clique AQUI

Caros leitores, gostaria de lhes desejar um 2014 muito produtivo na esfera intelectual. Desejo a todos vocês um despertar ainda mais aguçado do senso crítico, do poder de reflexão, da racionalidade em combinação com a sensibilidade, e que isso tudo gere o desenvolvimento de uma sabedoria cada vez mais concreta, pois afinal, a sabedoria traz todo o resto, inclusive saúde, paz, amor, equilíbrio, uma vez que todos estes são consequência, em muito, de nossos atos e comportamentos.

Para iniciar esse ano sacudindo a poeira, trago um documentário e uma entrevista, que se assistidos por completo e com bastante atenção têm o potencial de quebrar diversos paradigmas de nossa cultura e desmanchar crenças e preconceitos, que foram cravados em nossas almas através de nossa criação e educação.
Quase tudo o que somos é um reflexo de nosso meio, de nossa sociedade e da cultura da mesma. Poucos são aqueles que questionam seus próprios atos, crenças e costumes, pois afinal, não fomos educados para questionarmos, pois questionar é ruim para o Status Quo, e o Status Quo é bom para aqueles que detêm todo o Poder do mundo em suas mãos.
Agimos repetindo nossos pais, nossa família, nossos amigos, nossa televisão, nosso meio. E quase nunca paramos para nos perguntar: “Por que eu penso e ajo desta maneira? De onde veio este meu costume? É certo fazer isso que faço? Será que aquilo no qual acredito, é uma verdade absoluta, ou pode ser uma mentira ou uma bobagem que me foi ensinada como verdade?”

1) A primeira indicação deste blog é o documentário Zeitgeist. Este é composto por 3 filmes, mas aqui venho indicar, inicialmente, somente o primeiro. Obviamente, os outros 2 são altamente recomendáveis, mas não serão tratados neste post. (Para assistir, clique AQUI ou na figura abaixo)

Zeitgeist

Zeitgeist

Zeitgeist filme 1 é composto por blocos:

  • No Bloco 1 é abordado o fenômeno da religião. O foco é a igreja cristã, mais especificamente, a católica. Mostra-se com um resgate bibliográfico fantástico, como a maioria das religiões têm infinitas semelhanças metafóricas, e que todas essas semelhanças têm uma explicação astrológica bem definida. Resumindo, prova-se com dezenas de exemplos que, o cristianismo, em boa parte de sua essência, não passa de uma cópia de religiões “pagãs” antes de Cristo.
  • No Bloco 2 é abordado o atentado do World Trade Center. Fazendo um apanhado de depoimentos de quem estava dentro dos edifícios e sobreviveu, e realizando um estudo técnico combinado com muito bom senso e lógica trivial, busca-se mostrar que este atentado, obrigatoriamente, foi articulado deliberadamente por pessoas ligadas à CIA e ao exército norte-americano. Ainda mostram como atentados contra a própria nação são uma estratégia utilizada há muitas décadas pelos EUA, como forma de comover a população, buscando gerar um sentimento de patriotismo e com ele o apoio a empreitadas militares fora de seu território.
  • No Bloco 3 é feito um resgate histórico sobre os bancos e o Sistema Financeiro, até chegar os dias atuais. Com uma análise bem técnica, apontando diversos exemplos e dando “nome aos bois” o documentário visa, neste ponto, mostrar que o mundo é refém do Sistema Financeiro. Os poderosos fazem-nos crer que os políticos são responsáveis pelas atrocidades do mundo. Mas a verdade é que todos são vítimas e reféns dos grandes bancos do mundo, desde um cidadão normal até os próprios políticos. Enquanto o Sistema Financeiro continuar sendo o carro condutor, as sociedades não conseguirão prosperar de forma justa e digna.
  • No Bloco Final mostra-se a conexão entre o Sistema Financeiro, as Religiões e os Governos como um complexo bloco detentor do Poder e de quase todo o dinheiro do mundo. E, para conseguirem manter os cidadãos alienados, sem protestarem por mais direitos e mais justiça, utilizam-se da mídia para gerar medo, jogar uns contra os outros, e mantê-los entretidos com todo o tipo de futilidade. Ou seja, a Mídia é o meio utilizado pela alta elite (leia-se religiões, bancos, multinacionais e governos) para controlar toda a população mundial.
    E por fim concluem com uma teoria de controle total do mundo por parte dos poderosos. Teoria essa que se mostra a cada dia mais verdadeira, se observarmos bem ao nosso redor.

2) Entrevista no Roda Viva de 1996 com o intelectual americano Noam Chomsky. (Para assistir, clique AQUI ou na figura abaixo)

Noam_Chomsky

Noam Chomsky

Noam é um acadêmico linguista, mas atua em diversas áreas, como filosofia, política, sociologia, antropologia, entre outras. Durante a Guerra do Vietnã, Noam se destacou por suas críticas ao imperialismo americano.
Integrando o hall dos intelectuais mais respeitados do mundo, Noam explana no programa Roda Viva suas ideias e críticas ao sistema capitalista vigente, ao imperialismo americano/europeu, ao descaso para com aqueles marginalizados pelo sistema, e aponta aqueles que para ele são os responsáveis pelas grandes barbaridades, as guerras, desigualdades e injustiças existentes no mundo:  as empresas transnacionais, os grandes bancos, a mídia e a indústria armamentista.
Ele faz também críticas aos sistemas ditos “socialistas” que passaram pelo mundo, como o da União Soviética e China, além de falar do Marxismo.

Como grande intelectual e possuindo um discurso muito didático, num tom humilde e puro, Noam propõe também algumas soluções para o caminhar da humanidade.
Essa entrevista é imperdível, assim como o é toda a obra de Noam Chomsky.

Esses dois “vídeos” têm o potencial de abrir muito os nossos olhos para a podridão que rege nosso Planeta. Espero que essas verdades toquem cada um de vocês e que juntos possamos fazer nossa parte para mudar os rumos do mundo e das sociedades. Este é meu desejo para 2014 em diante.

por Miguelito Formador

papario1 No começo eu tinha dúvidas sobre o Papa Francisco. Mas a cada vez que ele abre a boca, as dúvidas se transformam em certeza. Esse cara não fala o tempo todo pela igreja, ele fala por si mesmo, muitas vezes. 
Mesmo que algumas de suas mensagens tenham a intenção de atrair fiéis para sua igreja, ao menos, são palavras nobres e que visam combater o que há de mais podre no mundo (a riqueza excessiva, a elite, a manipulação, a desigualdade social, as vidas inocentes como mercadoria, a fome, os preconceitos, etc). Ou seja, neste caso, os fins valem à pena. 

Alô mundo, acorde!!! Defender o capitalismo selvagem, o livre comércio, o liberalismo exacerbado e sem qualquer tipo de controle e regulamentação é o o nosso próprio suicídio. Basta substituirmos um pouquinho de nosso egocentrismo por um pouquinho de amor ao próximo, que veremos que o caminho para nossa sobrevivência e para que haja paz e menos violência, e para que mais pessoas possam VIVER (ao invés de SOBREVIVER) durante essa jornada por aqui neste planeta, é um pensamento mais coletivo, mais social, mais solidário, menos ganancioso, menos vaidoso, menos consumista, menos arrogante, menos “ego” e mais “nós”…. Nao precisamos aplicar o Socialismo/Marxismo/Comunismo ao pé da letra. Mas precisamos caminhar em direção a sistemas político-econômicos mais sociais e mais ecológicos e tender ao socialismo ou ao socialismo-democrático, é muito mais convergente com essa ideia que tender ao liberalismo ou ao capitalismo-selvagem. 

E chega de querermos colocar as culpas e responsabilidades nas costas de outros. Chega de falar que o problema é a política, ou a corrupção. O problema somos NÓS!!!! Olhemo-nos no espelho e digamos “mea culpa”. A política, a corrupção, as cotovelados no mundo profissional, etc, é um reflexo de nós mesmos. Afinal, políticos, empresários, banqueiros, não vieram de marte, mas de dentro da sociedade. Eles, somos nós, e nós somos eles. Façamos nosso papel exemplarmente, e depois cobremos do outro que também o faca!

E para enxergar tudo isso que estou a dizer, como eu já disse, é preciso querer. Abram os olhos, queiram!!!! E encham o coração de amor. 

por Miguelito Filosófico

figura e texto-base para este post retirados daqui.

 

Rei_Camarote

Vi o comentário do Jornalista Bob Fernandes sobre o vídeo do rei do camarote (vídeo aqui). Confesso que não tive saco de procurar o vídeo do cara no youtube. Alinhado ao comentário do Bob, reparei nas minhas poucas entradas no facebook, que este caso estava bombando por ali. Pois bem, nem vou me aprofundar no mesmo, pois ao perder tempo com ele especificamente, estarei afogando meu ego na mesma futilidade a qual desprezo.

Mas aproveitando as reações que vi a favor do magnata, dizendo que o dinheiro é dele, e por isso ele faz o que quiser com o mesmo, e coisas do tipo, resolvi escrever um breve conto, que segue abaixo:

Pedro Luis nasceu num berço de ouro, papai tinha uma fortuna de 400 milhões de Dólares. Pedro foi criado com muito mimo, nunca aprendeu a dar valor à essência da vida, ao amor, ao próximo, às tristezas e problemas ao seu redor, à pureza da natureza, à satisfação de realizar uma gentileza.

Papai morreu, Pedro herdou tudo, e torrou sempre do jeito que quis, com farras, baladas, drogas, mulheres, com mansões, carros (atropelando os outros em “pegas” nas ruas), etc.

João por sua vez, nasceu num casebre numa favela, à beira do esgoto. Quando chove, o esgoto entra dentro de casa. Ele divide um quarto com seus outros 3 irmãos, com os pais, e os dois cachorros de rua que a mãe adotou. O pai era trabalhador honesto, braçal e a mãe era empregada doméstica. Ambos juntos somavam 900 reais de salário. Justamente por isso, João e seus irmãos tiveram pouco estudo, pois tiveram que ajudar no lar, trabalhando de 6 a 10 horas por dia desde os 6 anos de idade. João tentou se dedicar aos estudos até, mas quando o pai morreu durante uma briga de gangues, com uma bala perdida, tudo ficou mais difícil. A mãe, 2 anos depois, teve uma inflamação muscular, e por falta de acesso a médicos e medicamentos mais caros, ficou praticamente inválida para o trabalho.

Assim João e seus irmãos se tornaram adultos, sem estudos. Por falta de qualificação foram obrigados a repetir as “carreiras” dos pais, trabalhadores braçais que ganham abaixo do salário mínimo.

Pedro, com toda sua fortuna, poderia sim esbanjar, gastar com futilidades, obviamente, é direito dele. Mas se ele fosse um ser humano com o mínimo de compaixão, sensibilidade , ética, moral, amor no coração, então ele pegaria 20%, 30%, 40%, ou até mais de seu dinheiro, e investiria em ONGs de ajudas sociais, ou faria doações, criaria empresas que fizessem projetos para educação ou distribuição de renda, ou coisas do tipo, e mesmo assim, ainda sobraria dinheiro para ele esbanjar, e pagar mulheres e homens para estarem artificialmente com ele.

Mas não, Pedro optou por um caminho, caminho este que é defendido por aqueles que foram alienados por um discurso de inversão de valores: Optou pelo seu magnânimo direito de ser um extremo egoísta, individualista, narcisista, para o qual o fato de milhões, bilhões estarem passando fome, sendo comidos vivos por urubus, e viverem dezenas de gerações no ciclo eterno da inércia da pobreza, assim como João e seus irmãos, não faz a menor diferença. Afinal, Pedro deu sorte, e ter sorte não é culpa dele, ora bolas!!! Ou talvez, Pedro tenha se esforçado e por isso merece tudo que tem, enquanto João não se esforçou suficientemente. Ou seja, culpa do João, incompetente!

por Miguelito nervoltado

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Quando vi esse vídeo a primeira vez, pensei na palavra fútil.

Depois me veio desonroso. Pois pensei num pai de família que “subiu” de classe recentemente e hoje pode não só comer melhor, mas prover educação para um filho pagando sua faculdade, por exemplo.

Façamos outra conta: se a média do salário do brasileiro é de R$1507 (dados divugados em Setembro, provenientes do PNAD 2012 – aqui), por ano, ganha-se R$20.000, tomando em valor bruto e arredondando o valor pra facilitar. Nessa linha, o assalariado precisa economizar por três anos para “curtir” um camarote, como o tal sujeito curte; e, lembrando, sem gastar mais nada com outra coisa.

Mas o que mais me incomodou foi a utilização do verbo agregar. Quando se fala em agregar, penso em algo que realmente traz benefícios, melhora, acresce de alguma forma. E, nem o vídeo, nem o comportamento, nem a utilização do termo “mandamentos” agrega!

O vídeo é tão patético, que inúmeras imitações e paródias surgiram e surgirão.

Ele mostra apenas a futilidade dele e das pessoas que usufruem do dinheiro dele. E, seguindo a cartilha capitalista, cria um ponto inatingível, de desconforto na sociedade, de desejo de consumo; para que o filho daquele cidadão que melhorou de vida e está feliz com suas conquistas, se revolte por ser “muito pobre” e se frustre por não atingir o nível do tal “Rei”.

É isso que a Veja quer. Aliás, não esperava nada diferente dessa revista.

por Celsão revoltado

P.S.: escrevemos nossos textos separadamente e os postamos sem adaptações.

figura retirada no vídeo do youtube da Veja SP (aqui)

Pensador ou marionete?

Pensador ou marionete?

Beethoven disse que Deus se comunica com o homem através da música.
O intelectual, filósofo, pesquisador e escritor, Roger Scruton disse que de todas as artes, a música é, certamente, a que mais lhe comove e encanta.

Mas e quando um artista, como que num momento de transe, vê sua alma repleta de inspiração, e com muita criatividade, talento, senso crítico, cria uma música, que além de música, é uma junção de outras artes, e ainda com um forte e delicioso toque crítico sobre uma realidade do mundo?
Muitos dizem que hoje em dia não se faz música e outras artes no Brasil, como se fazia em outros períodos, como no período da ditadura militar. Acusam a falta de ter “contra o quê lutar” como sendo o motivo da falta de inspiração na arte moderna brasileira. Isso faz todo o sentido! Mas será que estamos mesmo com carência de arte? Penso que não. Basta buscarmos no lado B, no mercado alternativo, que veremos muita coisa fantástica, tanto música, como pinturas, poesias e qualquer outro tipo de arte. Acho que o principal problema do momento, é que a arte de verdade, não se populariza hoje em dia, como se popularizava antigamente.
Mas porque isso acontece?

Bom, eu tenho minhas suposições:
Cada vez mais o mercado capitalista mostra suas garras. A cada ano que se passa, o dinheiro tem mais valor, e grandes empresas ampliam sua hegemonia/monopólios. No mercado da “arte” é a mesma coisa. O que vende mais, Michel Teló ou Cordel do Fogo Encantado (para quem não conhece, procurem essa fantástica banda no youtube)? Daí existe uma combinação de gravadoras querendo vender, com mídia querendo audiência e bestificar os espectadores, somado a um imenso grupo de cidadãos menos politizados e menos críticos (resultado da péssima educação tanto das escolas como a familiar + a influência da mídia alienadora), e bingo, temos uma falta de mercado para a arte de verdade, e cada vez um maior mercado para Michel Teló’s, Sertanejos Universitários, Funk carioca, Britney Spears, Restart.

Assim como a boa música tem pouco espaço nesse mercado moderno, também o têm a boa poesia, o bom jornalismo, a boa crônica, a boa informação, a filosofia crítica, a antropologia e sociologia com real utilidade pública, as boas pinturas, o bom artesanato, o bom teatro, a boa comédia, o bom cinema…… (*)

Esperemos que a internet se popularize cada vez mais, e que os artistas e profissionais de qualidade, que não têm espaço nos meios convencionais, possam atingir uma parcela maior da população através da internet. Também esperemos que os cidadãos se conscientizem cada vez mais de sua alienação, e percebam que não só a internet, mas qualquer meio de comunicação e informação têm, tanto porcarias quanto materiais de ótima qualidade.

Basta tentarmos sermos críticos e sensatos, termos interesse, e então filtrarmos tudo que não presta, e passarmos a valorizar tudo o que mostra ser feito com arte, com criatividade, com conhecimento, e com boa intenção, tendo como prioridade transparecer o interior da alma do autor e ainda de lambuja, se possível, trazer algo de útil para a população, seja um bom sentimento, seja a conscientização sobre algo importante.
Tem que estar claro para todos nós cidadãos que, o consumo determina o mercado. Consumamos qualidade, e a qualidade se popularizará! Nós temos a força e poder nas mãos, basta querermos ser pessoas mais conscientes, seletivas, profundas e críticas.

Aproveitem e cliquem (aqui) para terem contato com uma obra de arte do mundo musical, e que está escondida, como muitas outras, sem espaço para adentrar no “mercado de massa”.

(*) Sei que definir “bom” e “ruim” é um assunto complexo e muitas vezes, subjetivo. Por isso aproveito para indicar duas leituras nossas: 
1) Afinal, o que significa o termo “Cultura”? Clique AQUI
2) Será que é errado julgar algo como “bom” ou “ruim”, “verdade” ou “mentira”, “bonito” ou “feio”, “certo” ou “errado”? Clique AQUI

por Miguelito Formador