Posts Tagged ‘classe média’

Pins in Map

Com 17 anos, após concluído o Ensino Médio, mudei-me para a Alemanha com o intuito de aprender o idioma, ter novas experiências, abrir a cabeça, e quem sabe, cursar a universidade naquele país. Após 7 meses, resolvi voltar ao Brasil, por sentir falta de muita coisa deixada na minha terra natal. Mas uma ideia ficou em minha mente: “durante a universidade quero fazer um intercâmbio na Alemanha, voltando mais maduro àquele país, e tentar ver a vida de lá com outra perspectiva, além de poder ter a oportunidade de absorver conhecimento do ensino superior brasileiro e alemão mutuamente.”

Já no Brasil, fiz 6 meses de cursinho preparatório para o vestibular. Fui aprovado, em 2002, optando pelo curso de Engenharia de Controle e Automação na UNIFEI, em Itajubá-MG.
Já no primeiro mês de aulas dirigi-me ao coordenador do meu curso e perguntei sobre a possibilidade de fazer um intercâmbio na Alemanha.
Sua resposta ficou gravada a ferrete na minha memória. Sorrindo, sarcasticamente, ele disse: “você e a torcida do Maracanã querem um intercâmbio na Europa, rapaz. Você passou aqui, e vai estudar aqui. Nós não temos convênios com qualquer universidade da Europa, isso é luxo.

São muitas as barreiras e dificuldades envolvidas na realização de um intercâmbio. Pontuando algumas delas:

  • Aceitação da Universidade no Brasil, para que o aluno possa ficar 1 ano ou até períodos mais longos fora da Universidade, e ao voltar, continue tendo sua vaga garantida.
  • Não só a garantia da vaga, mais sim o reconhecimento das disciplinas cursadas em outra instituição de ensino superior, aproveitando as mesmas em sua grade curricular, evitando demasiados atrasos para a conclusão do curso.
  • Conseguir uma vaga como intercambista numa Universidade no exterior, principalmente em países desenvolvidos. Há aqui pouca disponibilidade, uma enormidade de exigências e burocracias que tornam este processo quase impossível.
  • Solução das diversas burocracias envolvidas neste processo, como por exemplo: aquisição de visto de moradia e estudo no país de destino, busca de moradia, registro formal em órgão público da cidade onde se vai viver (como prefeitura, polícia), informações sobre transporte público, abertura de conta bancária, registro de água, luz, telefone, celular, etc.
  • Organização da viagem, assim como o pagamento das despesas envolvidas: passagens áreas, passagens de trem e ônibus, seguros, transporte de bagagens extras.

E não irei pontuar outras, para não me alongar ainda mais.
Por isso, apesar de insensível e inflexível, meu coordenador de curso tinha razão ao ironizar meu sonho, e chamar um intercâmbio na Europa de “luxo”.

Passados quase 9 anos após o episódio, mudei-me para Alemanha por motivos profissionais e aqui vivo até hoje.
Vivendo na Europa há 5 anos, tive a oportunidade de acompanhar o processo do programa Ciência sem Fronteiras, e conhecer diversos de seus beneficiados. Muitos dos que conheci viviam na mesma cidade que eu ou nos arredores, mas também conheci tantos outros jovens que residiam e cursavam universidades em outras regiões da Alemanha, e mesmo em outros países, como Bélgica, Portugal, França, etc.

Considerando as dificuldades, já pontuadas acima, para a realização de intercâmbios, o programa Ciência sem Fronteiras é um projeto sensacional! Afinal, o Governo se responsabiliza por resolver todas as burocracias envolvidas neste processo e ainda financia o aluno.

O valor da bolsa para Europa oscila de aproximadamente 1.000 Euros para bacharelandos, até aproximadamente 2.500 Euros para pós-doutorandos, valores que causam inveja e espanto em qualquer estudante alemão (imagine então um estudante português!?!). Eles ainda recebem diversos auxílios como: material didático (1.000  euros), compra de um computador (4.000 reais), auxílio instalação, seguro de saúde, despesas de viagem, curso de idioma durante o período de 6 meses antes do ingresso na universidade, entre outros, além do mais difícil: que é a burocracia para serem aceitos na universidade e no país por 1, 2 ou 3 anos, burocracia essa facilitada pelo governo brasileiro.
Leia Aqui os detalhes do programa no próprio site do Ciência sem Fronteiras. 

Muitos utilizam o excedente da bolsa, que em muitos casos não é pouco, para frequentarem festas e bares, além das viagens, quase em todos os finais de semana, para algum país diferente. Claro que diversão e passeios são necessários e importantes para otimização do processo de vivência, mas quando isso se torna a prioridade/intuito, e o mundo acadêmico é levado em segundo plano, então penso que há uma inversão de valores.
Literalmente, são férias pagas por um ano, ou mais, com a contrapartida de um pouquinho de estudo e conhecimento adquirido, e um idioma arranhado.

Em sua maioria, pertencentes à classe média tradicional/alta, esses jovens carregam os clichês e bordões de sua classe no Brasil. Ao notarem algo que funciona bem, ou que é interessante na cultura do outro país, preferem criticar, com o devido asco, o “atraso” do Brasil, ao invés de buscar entender porque e como o outro país chegou àquele resultado positivo, trazendo assim esse aprendizado para o Brasil.
Criticam, sem o menor pudor e desprovidos de conhecimento político, o Governo Brasileiro. Falar em Dilma e PT é garantia de muitas risadas, deboches e verborragias. Porém, se questionados sobre Dilma e o PT serem os responsáveis por eles estarem no exterior torrando o dinheiro do contribuinte brasileiro, eles respondem com mais ódio e deboche, usando algum argumento sem o menor nexo, como por exemplo: “o dinheiro é dos impostos, não é a Dilma que é responsável por estarmos aqui”, ou “CsF sempre existiu, não foi criação da Dilma/PT!”, ou “já que roubam tanto, o mínimo que têm que fazer é patrocinar nossos estudos aqui fora”, ou “se pagam bolsa família para vagabundo, então não é mais que obrigação pagar bolsa para nós estudantes”….


Recentemente, a presidente Dilma enviou ao Congresso uma proposta de redução do orçamento do programa Ciência sem Fronteiras para 2016, com o objetivo de contenção de gastos neste momento de fragilidade econômica. A redução, que ainda pode ser revista pelo Congresso, reduz em aproximadamente 40% o valor do orçamento em comparação com 2015. Desta forma, o novo valor seria assim suficiente para cobrir os contratos já em vigor, ou seja, os gastos dos estudantes que já estão no exterior em processo de bolsa. Novos contratos/bolsas estarão, por enquanto, suspensos.
Clique Aqui para ler notícia da Folha 

Enfim, espero que, passado esse momento de fragilidade financeira do Brasil, que o Governo volte a liberar verba para este programa, mas que aproveitem a oportunidade para rever algumas regras:
Atrevo-me até a palpitar sugestões:

  1. Para o ingresso no programa, além da prova de aptidão, onde o nível de idioma e o desempenho acadêmico são levados em consideração, também deveriam ser observados e avaliados os objetivos, expectativas e perspectivas do aluno para com o intercâmbio.
  2. Para definir o valor do auxílio/bolsa deveria levar-se em consideração o custo de vida real do país onde o aluno se hospedará. Hoje em dia há uma bolsa fixa para Europa, por exemplo, mesmo sendo o custo de vida de alguns países da Europa três vezes maior que o de outros.
    Sei que é muito trabalhoso definir valor específico para cada país separadamente. Então talvez uma solução justa e menos trabalhosa seria separar os países em grupos de custo de vida parecidos, e assim, definir um valor de bolsa fixo para cada um desses grupos. Não será 100% proporcional para todos os países, mas será bastante justo.
  3. Controle de faltas na universidade – atualmente não há controle de presença desses alunos, este só existe para o curso de idioma que eles fazem antes do ingresso na universidade.
  4. Limite de média curricular (nota) para aprovação, por exemplo 70%; e obrigatoriedade de aprovação nas matérias cursadas.
  5. Os alunos devem passar por uma avaliação séria ao regressarem ao Brasil. Essa avaliação não deveria somente verificar o aprendizado acadêmico do mesmo no exterior, mas sim medir também a sua absorção da cultura daquele país, avaliar seu aprendizado geral, seu amadurecimento, a expansão de sua forma de pensar e ver o mundo. Se o desempenho do aluno for ruim, ele poderá ser penalizado, por exemplo, com a perda do reconhecimento daquele ano em sua grade curricular, o que atrasará a sua graduação. Outra forma de penalização poderia ser o reembolso ao Governo, dos investimentos deste para com o aluno.
  6. O valor da bolsa deve ter um teto e um piso para um mesmo país. Para definir qual valor o aluno deve receber entre o teto e o piso, deve ser levado em consideração, no mínimo, as condições financeiras do mesmo e de sua família. Desta forma, um estudante pobre receberia o teto ou algo próximo do mesmo. Já um estudante pertencente a uma classe média receberia um valor entre o piso e o teto, enquanto alguém da classe média alta ou rico receberia o piso ou algo próximo do piso.
    O piso, inclusive, poderia ser 0,00 R$, ou seja, nada. Alguém de condição financeira elevada não precisa do dinheiro público para se sustentar no exterior. Porém, mesmo ele seria e muito beneficiado pela bolsa, uma vez que a dissolução das burocracias envolvidas num processo de intercâmbio são no mínimo tão problemáticas quanto a questão financeira (como explicado mais acima).
    Outra vantagem deste ponto é que, eventuais “filhinhos de papai” que queiram somente curtir seu período no exterior, sem se empenhar ou se preocupar com seu aprendizado, teriam então, muitas vezes, seu desempenho cobrado não só pelo Governo, mas também por seus pais, afinal estes também estariam pagando uma boa parte de sua estadia e iriam, normalmente, exigir resultados.

* Para ler outros 2 artigos nossos sobre o CsF, clique AQUI (Natal do Ciência sem Fronteiras) e AQUI (Tudo na Mesma)

por Miguelito Nervoltado

figura retirada daqui

Minha amiga e nossa leitora, Jéssica Pereira, escreveu um texto brilhante. Apesar de muito crítico, o texto consegue ser suave e capaz de nos tocar no cerne dos sentimentos: a alma.

Reproduzimos então o texto aqui na íntegra:

por Miguelito Filosófico

figura daqui


por Jéssica Pereira

Meritocracia_CriancaVocê nasceu, cresceu, seus pais trabalharam, você estudou, e hoje tem um emprego.

Espero que este emprego lhe pague mais que um salário mínimo, talvez três, ou quatro, e que além de pagar o aluguel, você possa pagar um jantar pra sua namorada.

Espero que sua namorada tenha um emprego.
E que vocês juntos decidam se casar.

Espero que vocês se casem. E com o suor que cai em vossos rostos, consigam se livrar do aluguel.

Espero que ao comprar uma casa, vocês tenham filhos. E que juntando os salários que você e sua esposa ganham, vocês sejam capazes de incluir seus filhos no plano de saúde. O inverno chegou e as crianças ficam doentes com mais facilidade. E nós sabemos que o SUS não presta.

Espero que seus filhos cresçam com saúde e entrem na escola. Mas que seus salários sejam suficientes para pagar uma escola e dar educação de qualidade, porque o ensino público não presta.

Espero que seu filho se forme e ingresse na universidade. Mas numa universidade privada, porque o ensino básico público não presta e não sei o que lhe faz pensar que a faculdade pública é diferente.

Espero que seu filho deixe a vaga da faculdade pública pra mim, porque meu pai é pedreiro no interior, e ganharia só um salário se não me deixasse sozinha o dia inteiro pra colocar comida na mesa da nossa casa. Eu sou uma criança e não posso trabalhar, é crime.

Espero encontrar alguém que me dê amor em qualquer esquina, porque discurso de ódio eu escuto sair da televisão. Tô crescendo “abandonada”. Meus pais me deixam sozinha, porque precisam me sustentar. Mas sou criança, e choro quando vejo mães com seus filhos de mãos dadas, enquanto a minha corta o cabelo da madame do bairro nobre.

Passei o inverno com pneumonia, o ensino da minha escola é ruim, e o meio que vivo não colabora. Eu sou pobre.

Enxugaram meus recursos básicos e vão torcer pra que eu não mate o teu filho. Na verdade, vão torcer pra que eu mate. É pra isso que alguém vai na mídia e te convence que prisão é a solução. Você tem grana pra pagar por saúde e por educação pro seu filho, o meu pai não. É pra isso que ele trabalha, porque ele sabe que eu, criança, tenho um futuro pela frente. O meu pai acredita em mim.

Lhe fazem – de mim – sentir medo, enquanto lhe arrancam todo dinheiro.

Mas espero que seu filho tenha um emprego, e que este emprego lhe pague mais que um salário mínimo, talvez três, ou quatro, e que além de pagar o aluguel, ele possa pagar um jantar pra namorada.

* Jéssica possui um blog filosófico-poético, que também não deixa de ter seu conteúdo intimista e crítico. Para interessados, segue o link AQUI

Este post é um apelo: um apelo pelo amor, pela amizade, pela coletividade, pela humildade, e pela evolução pessoal de cada um de nós.
Eu apelo para que tentem se abrir para o que vou lhes dizer, reflitam.


Dilma_DiscursoDilma reaparece oficializando pacotes severos de combate à corrupção, para intensificar ainda mais as investigações já existentes, e novas que estarão por vir (a limpeza na corrupção está só começando).
De lambuja, ela lembra que é extremamente necessária uma Reforma Política, mas que ela, sozinha, não pode fazê-la, pois vivemos numa democracia com 3 Poderes, e não numa ditadura onde o Executivo faz tudo que bem entende.

Nem preciso falar que ouvir a Dilma falar é monótono. Ela é devagar, pouco didática, péssima oratória. Mas o conteúdo é o que importa, e desta vez, conteúdo havia.

Vocês que levantam a bandeira anti-corrupção, gostando da Dilma ou não, prestem atenção nas tentativas constantes de intensificar-se o combate à mesma. A lógica de vocês está errada, com todo o respeito. A corrupção não está aumentando, ela está é aparecendo. Abriram a tampa do caixão.
Vocês deveriam estar agradecendo ao Governo por isso.
É por isso que querem tanto tirar Dilma do Governo, para que o Brasil volte a fechar o caixão da corrupção, e engavetar todo e qualquer esquema, como sempre foi feito nos últimos 500 anos. As investigações não incomodam Dilma, senão ela daria um jeito de pará-las ou diminuí-las. As investigações incomodam aqueles que foram donos do Brasil desde as navegações, e por isso estes querem derrubar Dilma a todo custo.

Não se deixem enganar por aqueles que tentam lhe manipular. A Grande Mídia, não é pelo povo. Estudem sobre a história da mídia brasileira, suas parcerias históricas com o Poder, com a ditadura; estudem sobre a riqueza de seus donos (a família Marinho – Globo – é a família mais rica do Brasil, a família Civita – Editora Abril – é a 11ª mais rica).
Link da Forbes AQUI
Você que curte o perfil da Globo ou Veja no facebook, ou que só se informa pelo Estadão e Folha, não se esqueçam: os donos e diretores destes meios de comunicação estão atolados em esquemas de corrupção e sonegação de impostos, e para piorar, recentemente, muitos deles apareceram na lista de brasileiros com contas no HSBC da Suíça.
Vocês vão protestar contra corrupção, e curtem e seguem estas mídias? E pior, acreditam neles?

É hora de pararmos de dar força para golpistas, interesses internacionais, e essa elite que Governou o Brasil por 500 anos, e com Lula começou a perder um pouco de seus privilégios (eu digo um pouco, pois a elite brasileira continuou fazendo dinheiro com o Governo do PT, com a diferença de que a vida do pobre, pela primeira vez na história, também melhorou de forma visível).

Classe média, vocês estão mais perto dos pobres que da elite. Defendendo o interesse da elite, vocês só têm a perder. A sociedade só tem a perder. O pobre e o Governo popular, não são seus inimigos. O Brasil já há mais de 50 anos é um dos países mais desiguais do Planeta, com as mais altas taxa de violência, com os maiores índices de pobreza, com uma das piores educações e sistemas de saúde do mundo. Este é o Brasil de sempre, pois sempre esteve nas mãos de um pequeno grupo de pessoas extremamente poderosas, e pior, desinteressadas pela nação, e somente interessadas pelos seus ganhos individuais. Nestas famílias, que sempre mandaram no país, e que nos trouxeram atrasos centenários em quase todos os setores, não estão inclusas a família de Lula (pobre do sertão), nem da Dilma (classe média mineira), nem de Zé Dirceu, nem Genoíno, nem Haddad…..
Vocês podem achar que eles estão destruindo o Brasil, ou que são corruptos, mas a verdade incontestável é que: Eles chegaram em altos cargos políticos, antes sempre ocupados por pessoas de tradição poderosa, e isso, incomoda, e muito, esses poderosos.

Sim, o povo foi às ruas no dia 15 de março, mas infelizmente, a parcela mais rica do povo, pois era raro ver pessoas humildes, ou negras no meio da multidão.
Vocês acham legítimas causas que não aderem os pobres? Será que a classe média precisa mais de ajuda que o pobre faminto? De verdade? Cadê o cristianismo de vocês?

Por que não fugir do simplismo, estudar, buscar entender o sistema, e unirmos então os interesses da classe média com os interesses dos pobres e oprimidos, e assim, juntarmos uma nação contra um par de famílias que não querem dividir o bolo? As causas estão erradas pessoal! Há causas mais certeiras e mais eficientes para serem aderidas. O povo precisa se informar, para buscar algumas causas comuns, que tragam melhorias a todos, e não só a alguns, em detrimento de tantos outros.

Eu, assim como estudiosos da área, estamos sugerindo há tempos causas de extrema urgência: Reforma Política, Reforma Tributária, Lei de Médios, Reforma educacional, Reforma Agrária. Muitas destas causas vêm sendo carregadas desde de Jango.

Essas causas unem os interesses da Classe média e da Classe Pobre, une os interesses de todos nós oprimidos (classe média menos, classe pobre mais oprimida) pelos reais opressores (uma elite pequena, mas poderosa, composta por coronéis da mídia, grandes banqueiros, e grandes empresários – nacionais e internacionais).

Mais sanidade, menos alienação. Mais informação, menos manipulação. E principalmente, mais amor, e menos ódio. É tudo que desejo a todos nós.

Link para o discurso de Dilma AQUI

por Miguelito Formador

Miguel_CelsoCelso opa. Boa tarde pro senhor!

Miguel – Bom dia pra você, mano

Celsocomo você está hoje? Viu o pronunciamento da Dilma ontem (08.03.2015)?

Miguel – ainda não vi. tem um link aí?

Celsojá te passo o link.
ontem fiquei decepcionado. depois que você assistir, te explico os porquês
https://www.youtube.com/watch?v=2VrhIITgVQc
a qualidade não está boa, mas acho que consegue acompanhar…

(…)

Miguel – manda aí sua análise sobre a entrevista
ops, pronunciamento

Celsoeu acho que ela perdeu a chance de comentar sobre temas cascudos
tipo a lista do lava jato
eu proporia o afastamento dos envolvidos enquanto as investigações estivessem em curso
falaria de reforma política
e das outras, lembrando aquela declaração bacana dela anos atrás, durante/após as manifestações de junho (link de publicação nossa aqui)
ela estava a muito tempo “escondida” devido a baixa popularidade
daí decidiu aparecer com a “desculpa” de dia das mulheres
mas falou em classe média (pra fazer média) e omitiu os pobres
e falou difícil com termos de “ajuste fiscal”, ao invés de citar os casos reais
e talvez ganhar pontos com a classe média/brasileiro mediano
fiquei chateado, pois acho que ela perdeu uma bela chance

Miguel – eu sinceramente, nem palpito mais nisso
não sei qual a melhor estratégia de comunicação
tipo, em alguns exemplos que você deu, acho que se ela fizesse isso, pioraria ainda mais
sugerir afastamento de Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Fernando Collor, Anastasia, e os 450 envolvidos do PP, acabaria de vez com qualquer tipo de apoio que ela tenha dentro de sua base

Celsomas mano, se ela já está “impopular”, pioraria o que?

Miguel – PP e PMDB são coligados, apesar de sabermos que eles se dividem ao votar contra ou a favor o governo
Eduardo Cunha por exemplo é oposição ao Governo

Celsomas ganharia apoio popular

Miguel – Ganharia mesmo, Celso??? Ganharia apoio de quem?

Celsonão. está certo

Miguel – Você ainda tem esperança que a classe média vai apoiar a Dilma, dependendo do que ela falar?

Celsoo apoio popular, na minha citação ou meu caso, é o da “minha elite”. povo que se informa e ainda espera alguma coisa dela.

Miguel – mas…. sugerir afastamento dos caras, iria piorar a situacao dela dentro da Governabilidade

Celsoenfim…

Miguel – calma pô

Celsotenho esperança pois sou tonto

Miguel – tô te questionando

Celsoeu sei. Estou calmo

Miguel – não desista. eu não tenho certezas.
só dúvidas
é disso que to falando
você diz que ela talvez ganhassse apoio de uma parcela da população
eu desconfio muito disso

Celsomas aparecer pra “não falar nada”, só municia a oposição

Miguel – concordo. falar, ou não falar, essa é a questão.

Celsoacho que pouco a pouco ela perde ainda mais apoio/suporte. Eu e alguns dos que conheço, preferiria ver um posicionamento firme (e criticar depois os meios pra chegar nisso) do que posicionamento algum

Miguel – acho que a parcela anti-PT já é uma parcela perdida
o ódio só aumenta. faça a Dilma o que fizer, fale ela o que disser
pois se não falar, a galera cai matando (sumiu, tá com medo, bla bla bla)

Celsolembra daquele discurso das reformas?
pois é… jogue pro Congresso a responsa

Miguel – ela fala, a galera cai matando
lembro

Celsoé sofrido ver ela se afundando nas próprias palavras

Miguel – bom, eu acho que ela poderia ter seguido outros caminhos no discurso, não esse de sugerir afastamento, mas pegar outros pontos, que mostrassem para a população que ela quer evoluir com reformas, mas sem dar porrada no legislativo

Celso a dúvida é: foi ela que escreveu ou alguém do comitê

Miguel – cara…

Celsomeu primo e tio acham que foi ela, que ela não aceita pitacos. Eu acho que não foi ela

Miguel – certamente foi alguém do comitê, penso. Um assessor.

Celso – ela é inteligente pra cair num negócio “auto-fuck” desses

Miguel – mas, as palavras mal escolhidas com a lamentável oratória, transforma um discurso numa catástrofe.
não sei. só suponho

Celsoeu também suponho
certamente, num momento delicado desses, qualquer um sairia mais fragilizado
Aécio, Lula, FHC
a questão é: ganhar pontos com alguns ou perder com todos
mas sou muito radical nesse sentido. Não sei fazer política “do jeito certo” e “com as pessoas certas”.
mas aprendi que a verdade é a melhor maneira de dar uma notícia ruim

Miguel – o que me deixa louco é o seguinte: penso que a classe média média e a classe média alta sejam casos perdidos…. essa galera só aliviará o ódio a médio-longo prazo se houver uma diminuição do bombardeio da mídia e da oposição política. Então, a curto prazo, a Dilma só tem os pobres e os esquerdistas. Dos pobres ela tá cortando benefícios, elevando juros, aumentando bens de consumo e impostos….. isso não agrada os pobres. Para os esquerdistas, ela tá chamando ministros conservadores, e fazendo políticas de austeridade, que, numa primeira impressão, assusta….
Então, com isso, ela não conquistará os que já não gostam dela, e está afastando sua base de apoio popular

isso sim me entristece

Celsosim. O lance dos ministros e da “abertura” do espectro dos aliados é de doer

Miguel – mas…. entendo que a situação seja extremamente complicada, são muitas forças que brotaram, tentando empurrar o Brasil para vários lados, e no meio disso, tem lá “nós”, utópicos sonhadores….

Celsofoi um balde gigante de água fria

Miguel – se o Governo ficar o bicho pega, se correr o bicho come
para sair dessas armadilhas atuais, tem que haver jogadas geniais

Celsosim, deveria ter um cara phoda, estrategista do exército pra fugir dessa

Miguel – tanto políticas, quanto econômicas, quanto de comunicação, quanto de parcerias e coligações, etc

Celsoenfim… muito a discutir. E um horizonte não muito bom, dada a crise, a pressão sobre o governo só tende a aumentar

Miguel – eu tenho uma esperança
uns doentes super-estimarem seus poderes, uns militares de direita + um Aécio e PSDB da vida + convencerem uns americanos estrategistas que esta na hora do golpe + os loucos varridos da classe média se juntarem e tentarem um golpe, ou uma paralisação forte

algo que gere violência, atentados, com mais caos que em 2013

Celsoessa é sua esperança?

Miguel – e aí, minha utopia: o Governo decretar Estado de Sítio, e aproveitar para voltar às origens do PT, lançando mão de seu lado mais de esquerda

Celsoah tá

Miguel – prender os golpistas
dissolver temporariamente o Congresso

Celsobeleza. Entendi. Sabe o que penso sobre dissolver o Congresso. Resolveria vários problemas…

Miguel – Daí fazer reformas (midiática, política, tributária, agrária)
e pronto, restitui o congresso de novo após alguns meses
país novo

Celsodissolução, deixar as fronteiras livres pra galera que quiser sair do país e mudar o modo de governar
aí vira do povo e pro povo
mas… haja utopia!
vou colar esse texto num post. O que acha?

por Miguelito Nervoltado e Celsão revoltado

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013 Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013
Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Nos últimos 20 anos, a América Latina tem sido o sustentáculo do mundo na sobrevivência de políticas de esquerda, protecionistas, de luta pelos interesses da própria nação acima dos interesses estrangeiros/imperialistas.

A Europa vem presenciando sua democracia e os direitos do trabalhador enfraquecendo desde a década de 90. É a falência da social democracia nestes países, onde no cabo-de-guerra (povo X capital), vence novamente o capital.

Os países latino-americanos, quase todos, passaram por ditaduras de direita apoiadas e patrocinadas pelos EUA (até mesmo Cuba teve seu ditador aliado aos EUA, Fulgencio Batista, de 1952 a 1959, quando foi derrubado por Fidel Castro – leia sobre esse processo AQUI), do início da década de 60 até o início da década de 90. Foram 30 anos, aproximadamente, de ditaduras de direita por todos os cantos da América do Sul e Central. Ao término destes períodos de intervenção militar, estes países vieram passando por um acelerado processo de avanço da democracia.

Vencidas as ditaduras, nada mais normal que um processo progressivo de democratização. Sai a ditadura, entram governos parcialmente democráticos, normalmente de centro-direita ou de direita. Políticos conservadores, que se elegem devido à imaturidade democrática da sociedade, e por saberem aproveitar os resquícios do sistema elitista herdado da ditadura e da colonização, que privilegiam aqueles que mais têm.

Porém, na América Latina, grandes mentes surgiram, e souberem se organizar, se uniram para debater ideias e ideais, para trocar experiência e conhecimento. Assim, chegaram a conclusões parecidas em comum. Apoiaram-se mutuamente para chegarem aos Governos, e lutaram, alguns mais, outros menos, para acelerar o processo de democratização destes países, e fazer com que o povo, historicamente excluído e sem voz, pudesse ter mais direitos e ser mais respeitado. Além disso, lutaram pela nossa independência frente às grandes potências, não só no papel, mas na prática, seja na política, na economia, na cultura, militarmente ou diplomaticamente.

Assim vimos nos últimos anos uma ascensão de governos populares em muitos países da América Latina.

No Brasil, o processo ocorreu progressivamente. Sarney (Tancredo) foi eleito de forma indireta. Collor, frente a Sarney, foi um progresso, na minha opinião, e foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Brasil, depois da ditadura (vale lembrar que Lula teria vencido, se não fosse a armação que a Globo fez no último debate, fazendo edição do debate antes de transmiti-lo, o que também mostra imaturidade democrática da sociedade).
Depois veio FHC, que frente a Sarney e Collor, está anos-luz à frente no quesito democracia. Mas, aquele PSDB, de origens sociais-democratas, infelizmente, se direcionou ao neoliberalismo e consequentemente, a favor dos interesses imperialistas.

E depois veio o PT, com Lula. Lula concretizou a democracia no Brasil. Um grande avanço, comparado ao que veio antes, o que é normal, seguindo a lógica da evolução progressiva. Claro que, não foi perfeito, até porque perfeição não existe. Mas ainda há/havia MUITO a evoluir, melhorar, tanto na democracia, quanto na vida do cidadão.
Mas antes que isso fosse possível, as forças conservadoras começaram a “reagir”, chegando ao seu auge durante os governos Dilma.

A história se repete, desde a Grécia antiga, e fatos já observados naquela época, acontecem exatamente da mesma forma hoje.
Quando ideais/pensamentos/movimentos “A” avançam, ideais/pensamentos/movimentos “B” começam a crescer proporcionalmente, visando frear “A”. A isso dá-se o nome de “reação”, ou “reacionarismo”. Alguém age, outro alguém reage.

O que ocorre é que, enquanto o povo não tem voz nem direitos, a elite e os pensamentos conservadores ficam hibernando, escondidos. Quando o povo começa a ganhar força, as ideias e atitudes conservadores e opressoras ascendem, e com força bruta, e reagem visando impedir este avanço do progressismo.

Como os governos de esquerda estavam atingindo seus objetivos nas Américas: inclusão social, combate ao imperialismo, evolução da democracia, etc, as forças de direita começaram progressivamente a avançar em paralelo.

Peixes_piloto

Peixes_piloto

Essas forças são principalmente compostas por: EUA e seus principais aliados na Europa (Inglaterra, Alemanha, França), as elites locais (banqueiros, grandes empresários, a mídia privada, e claro, aqueles políticos que representam os interesses destes grupos), e os peixes pilotos (pessoas da classe média, que se acham de elite ou sonham em pertencer a ela, e aí defendem ideias conservadoras, sem perceberem que, na verdade, deveriam defender ideias progressistas, pois eles, classe média, estão muito mais próximos do povo, que da elite).
(Um pouco do ódio desenvolvido pela classe média do Brasil. Mantega recebe gritos e ofensas por médicos no hospital Albert Einstein. Clique AQUI)

Neste movimento, a América Latina está passando por um processo político muito delicado, que lembra os movimentos que se iniciaram na década de 60, e que geraram todos os golpes militares de direita, e afundou a América Latina num período de trevas.
Venezuela e Brasil são países líderes neste processo do avanço da esquerda. E são países riquíssimos em petróleo. Por isso, somos o maior alvo do golpe que se arma. (Venezuela se prepara para reagir contra Golpe e Guerra – Clique AQUI)

Se você é um dos que defende inocentemente o impeachment de Dilma. Se você é um dos que inocentemente acha que o escândalo da Petrobrás trata-se de “mais um esquema de corrupção”, sem perceber o golpe econômico e político que se arma em volta de NOSSO petróleo. Se você é um dos que há anos vem divulgando, espalhando, compartilhando, curtindo, toda e qualquer informação contra o PT, contra Lula, contra Dilma, contra Zé Dirceu, contra Chávez, contra Maduro, contra Fidel Castro, contra Evo Morales, etc. Se você acredita que ser de esquerda é simplesmente ser comunista, e acha que comunista come criancinhas (e não percebe que a esquerda tem um espectro político amplo, incluindo a social democracia, sistema vigente na maioria dos países europeus. E que ser de esquerda significa, basicamente, estar do lado do oprimido).

Se você pertence ou se aproxima destes grupos descritos acima, ou de qualquer outro parecido…. então VOCÊ é cúmplice dos golpes que se armam. VOCÊ joga contra o Brasil e contra os povos latino-americanos (mesmo que não saiba disso). VOCÊ está ajudando o planeta a escrever um novo capítulo de sua história, onde mais uma vez, uma Era de sombras pode estar se aproximando da humanidade, e você, que se acha bem informado ou bem intencionado, é responsável por esse fenômeno.
(Segue um excelente artigo didático sobre as várias facetas do golpe. Clique AQUI)

Sim, eu sei que o sistema educacional e a mídia nos corrompem, nos ludibriam, nos enganam, nos fazem jogar do lado que eles querem que joguemos. Mas no fundo no fundo, nós somos seres pensantes, e só não nos livramos dessas amarras e alienações, pois somos reféns de nossas fraquezas, nossas ambições, nosso orgulho, nossa arrogância, nosso ego. Se fossemos seres humanos melhores, como fingimos ou aspiramos ser, seria muito mais fácil sairmos dessa prisão ideológica, e fazermos desse mundo um lugar melhor para todos.
O culpado portanto é VOCÊ!

E se o pior acontecer, eu lamentarei, por mim e por você.

por Miguelito Formador

figura montagem própria (originais daqui + daqui + daqui + daqui)

CSFDesde que se mudou para aquele país, Falco Xinhaldo já ficara cativado. Eram três meses de experiências magníficas, e uma vida tranqüila, sem grandes preocupações. Impressionou-se com o transporte público, quase sempre pontual e cobrindo quase todo o perímetro de todas as cidades, era raro precisar andar mais de 300 metros para pegar um ônibus ou um metrô. A limpeza das ruas lhe dava apetite 24h por dia. Achava incrível como tanto os carros, quanto os pedestres, respeitavam sinais e faixas de trânsito. Caminhar em uma avenida movimentada era quase como uma massagem Ayurveda para os ouvidos, afinal, ali era proibido buzinar, e os carros eram, em sua maioria, modernos, silenciosos. Depois de suas baladas e barzinhos, se sentia dentro de um condomínio de luxo ao voltar para casa, às 3h da manhã, sabendo que não haveria qualquer perigo.
Ele pensava: meu Deus, porque fui nascer naquele país maldito?

Como se já não bastasse, aquele mês de dezembro o surpreendera ainda mais. Desde o fim de novembro, até o final de dezembro, o país inteiro parecia um picadeiro com um mágico, a cada dia, uma nova surpresa. Eram tradições diversas que antecediam e preparavam o Natal. As crianças recebiam de seus pais um calendário onde, cada dia era aberta uma portinha, que continha um chocolate pequeninho. Só podiam abrir a porta do dia, e degustar aquele chocolate, até que chegasse o dia tão esperado, o dia 25. As cidades se enfeitavam, num capricho e carinho comoventes, com luzes e adornos em formato dos mais diversos símbolos natalinos. Quando o clima ajudava, a neve caía, e ele se sentia num filme de Natal da Disney. A felicidade lhe preenchia.

Mas uma de suas maiores diversões eram as feirinhas de Natal, chamadas de Weihnachtsmarkt ou Chriskindlesmarkt. Cada cidade e vilarejo da Alemanha tinha a sua. Sempre montadas com muito charme, essas feiras proporcionavam a oportunidade de degustar comidas e bebidas típicas daquela época, entre elas, seu preferido, o vinho quente, conhecido como Glühwein. Em diversos quiosques de madeira, lembrando estilo medieval, era possível também comprar artesanatos e produtos orgânicos. Em quase todas essas feirinhas havia um palco, onde tanto artistas profissionais, quanto pequenas orquestras de crianças carentes, ou corais de asilo, se apresentavam, divulgando seu trabalho e entretendo o público. Para Falco, aquilo tudo era fascinante.

Num certo dia, Falco estava em seu estágio, na maior empresa daquele país, quando ouviu um colega dizendo que a empresa havia falhado em seu intento de disponibilizar uma mansão para refugiados da Síria e do Afeganistão. Não se interessou muito, afinal, aquele não é seu país, e os refugiados vinham de cantões que pouco lhe interessavam. Mas, como as outras pessoas se interessaram, o colega prosseguiu:
– Pois é, já há mais de uma década a nossa empresa possui uma mansão no bairro da Montanha. A mansão era um dos benefícios de um ex-diretor, que foi demitido por corrupção. Desde então a mansão se encontra fechada. A empresa então teve a ideia de fornecer, gratuitamente, essa casa para famílias de refugiados que não têm onde morar. O problema é que os moradores do bairro da Montanha, bairro mais caro da cidade, não gostaram nada da ideia. Entraram com um processo judicial contra a tentativa, e, como possuem muito dinheiro, acabaram ganhando. Aproximadamente seis famílias sírias e quatro afegãs, totalizando 52 pessoas, já estavam preparadas para se mudarem para a casa. Agora elas precisam permanecer espalhadas em sete abrigos diferentes, alguns sequer possuem aquecimento, e dependem de doações de roupas da sociedade.

O debate continuou na mesa, mas Falco estava incomodado, afinal, era um papo desagradável, lhe tirava o sossego cotidiano que costumava desfrutar por ali.
Alguns diziam que era compreensível as pessoas não quererem refugiados ali, afinal, um bairro tão lindo, rico, charmoso, de pessoas finas, abrigar um monte de estrangeiro pobre, com seus costumes rudes, sem educação e sem noção de civilidade. E ainda, poderia significar um aumento de criminalidade.
Aquilo até fez sentido para Falco.

Outros discordavam, dizendo que os refugiados vivem com vários limites legais, não podem sair todo o tempo à rua, não podem trabalhar, recebem alimentos e auxílios do Estado e da sociedade dentro dos abrigos e casas, são monitorados constantemente, e caso desrespeitem qualquer regra ou lei, são deportados imediatamente.
Um dos que estava na mesa dizia trabalhar em projetos sociais com refugiados, e contou que estes se sentem acuados, sentem vergonha por precisar depender da ajuda das pessoas, e fazem de tudo para que as pessoas não os temam. Agradecem diversas vezes por dia àqueles que os ajudam, quase sempre aos prantos. E dizem entender que precisam ficar reclusos dentro das casas, salientando ser isso já magnífico, em comparação a viver em Guerra.
Esse discurso incomodava Falco, mas ele não se dava ao trabalho de refletir o porquê do incômodo. Continuava ali, de corpo presente, mas com a cabeça pensando: que horas eles vão acabar com esse papo e voltar a falar de futebol ou sobre nossa festa de fim de ano?

Mas para sua surpresa, Half, o rapaz que trabalha em projetos sociais, se direcionou a Falco e perguntou:
Sr. Xinhaldo, o senhor sabia que a Alemanha é o terceiro maior exportador de armas do Mundo? E que os maiores compradores são países africanos e asiáticos em guerra?
Falco responde que não sabia, e dá de ombros.

Half insiste:
– Imagine Sr. Xinhaldo, a venda de armas é um dos pilares de nossa economia, se há tantos ricos vivendo no bairro da Montanha, isso também se deve ao dinheiro das armas, que gira nossa economia e traz recursos de impostos para a sociedade. Além disso, as empresas que produzem armas, querem continuar vendendo, e cada vez mais, isso é óbvio. E para vender armas, é preciso haver guerras, certo? Então, é claro que para essas empresas, não é interessante que a guerra nestes países acabe, e por isso, eles investem na mídia, igrejas, governos, milícias daqueles países, para que os problemas e o ódio da sociedade nunca acabem, e assim, a guerra seja eterna.

Falco só consegue emitir um grunhido:
– “uhum…”

Half olha para os colegas e diz:
– Portanto, parte de nossa estabilidade, vem da desgraça destes países. O mínimo que deveríamos fazer é darmos abrigo ao povo sofrido de lá.

Half, assim como quase todo estudante alemão, não ganhava mais de 400 euros dos pais por mês. O dinheiro era suficiente para viver uma vida simples de estudante, como todos. Mas para sustentar seu hobby, a música, Half começou a fazer estágio para tirar um dinheiro a mais.

Falco ganhava 800 euros mensais da bolsa do Governo brasileiro. A empresa não tinha mais vagas para estágios remunerados de 20 horas. Como já ganhava um bom dinheiro (apesar de sempre reclamar que faltava para fazer todas as viagens que queria), Falco aceitou fazer o estágio de 10 horas sem remuneração, para incrementar seu curriculum.
Half e outros estudantes alemães tinham uma pontada de inveja da bolsa de Falco, e se espantavam com o fato de essa bolsa vir de um país “pobre”, segundo eles.

Após o almoço, Falco vai para casa. No caminho lembra-se que tem que enviar um cartão de natal para seus pais. Passa no correio, preenche o endereço do condomínio dos pais em Criciúma, e envia o cartão, onde já deseja feliz natal e se explica, com antecedência, que não poderá falar com eles no dia 25, o motivo: “como não tenho aula nem estágio, viajarei do dia 19 de dezembro ao dia 3 de janeiro, para Budapeste, Praga, Istambul, Viena, Füssen. Passarei o Reveillon em Paris, e voltarei para cá. Como de costume, ficarei sem telefone, pois é muito caro pagar o roaming no exterior. Mas podemos nos escrever pelo Whatsapp quando eu estiver em algum lugar que tenha Wireless.”
Cartão enviado. Dever cumprido.

No dia 22 de dezembro, os pais, voltando de um protesto pelo impeachment da presidente, abrem a caixa de correio, e se alegram ao ver o cartão do filho, há quase quatro meses na Alemanha, pelo programa Ciência sem Fronteiras. O Natal deles não será completo, mas o cartão lhes alivia, por saber que o filho querido, apesar de estar triste por não poder estar com os pais, fará viagens lindas, o que também lhe fará feliz.

por Miguelito Nervoltado

preco-viagem-volta-ao-mundo-gastosVivemos numa total deterioração de valores.
Hoje, é possível dizer que família e escola, para citar dois exemplos, são instiuições que distam anos-luz daquilo que já representaram um dia na sociedade brasileira.

Não há moral ou preocupação com ela por onde se ande. Coisas impensáveis na minha infância, como o desrespeito a idosos, são assuntos rotineiros de noticiários e são presenciados sem muito esforço em diversos lugares.

E, numa de minhas divagações, estava eu me questionando sobre estes valores e o quão interessante seria se retomássemos ao menos parte deles, quando vi na TV a notícia da “família classe média feliz e golpista”.

O filho, muito inteigente, técnico em Informática, descobre uma maneira de acumular milhas aéreas infinitas e oferece aos familiares. Talvez tenha sido a própria ausência de valores, ou a falta de escrúpulos, ou mesmo a falta de noção…
Mas ao menos quinze pessoas da família embarcaram no “esquema” sem titubear e puderam curtir viagens mundo afora, com direito a hotéis, carros e passeios incluídos. Somente disfrutando da bondade do sistema de milhas aéreas!

Explicando sem ironia: o “gênio” da casa criava boletos fictícios, onde muitas vezes o credor e o pagador eram a mesma pessoa, no máximo um outro membro da família; todos da família tinham cartões de crédito verdadeiros e acumulavam milhas com esses pagamentos fantasmas. A família viajava com as milhas e ainda vendia as “restantes” para agências de turismo.
Perfeito, não? Afinal, disse o pai, não estamos roubando ninguém!

Como diz um amigo de BH: “Não é a geração da SUV. É a geração que quer a SUV agora!
Independente da possibilidade real, das condições para se obter o bem, da legalidade dos métodos…
Todos querem TER um carro do ano, TER uma casa na praia para o final de semana, TER grana pra viajar pros Estados Unidos e Europa…

Enfim, devaneios advindos de um juízo de valor e de consequências que, graças a minha família e a escola, eu posso dizer que tenho.

por Celsão correto

figura retirada daqui.

P.S.: para quem não acredita, seguem as notícias do começo da semana, do portal G1 (aqui) e do site do IG (aqui)

rolezinhonoleblonPois é… Rolezinhos. Aquilo que os jovens de férias pelo Brasil têm marcado via redes sociais, quem diria, está virando um problema político e social.

Político, pois alguns já sugerem que os governantes recebam alguns dos organizadores para entender o que eles querem com isso. (!?!)
Parodiando o grande Stanislaw Ponte Preta e sua personagem Tia Zulmira, a filósofa da Boca do Mato: “Mas os meninos só querem encontrar outros meninos, se divertir, conhecer garotas. Pra quê complicar?

Social, pois estamos diante de uma demonstração clara de preconceito e abuso do poder por parte de empresários.

Aqui vão algumas palavras minhas sobre o tema. Como tudo nesse blog, independentes e diretas…

– É fantástico como as redes sociais realmente pulverizam a informação. Um convite que começou com um “vamos dar uma volta no shopping tal” e “curta e compartilhe”, virou meme (pra quem não sabe o que é, segue o significado de meme) e atraiu milhares de confirmações.
– É incrível como existe um senso de competição entre os jovens. Sadio, quando controlado e sem abusos. O primeiro convite gerou outros e frases do tipo “nós aqui da zona norte(-oeste-sul-leste) temos de fazer melhor que eles!”
– Daí vem, claramente, a incapacidade dos centros de compras em receber de uma só vez alguns mil jovens, não há preparação possível. Muito menos treinamento para os seguranças
– Então entendo (só um pouco) o lado dos donos de shoppings. Sem estrutura e sem preparo, melhor tentar prevenir a “invasão” dessa galera, proibindo-os de entrar.

Pra quem acompanhou o pensamento. Até faz sentido…
Se… os jovens não fossem em sua grande maioria da periferia e negros
Se… esses jovens não chegassem ao shopping ouvindo funk ostentação num alto volume
Se… alguns desses jovens não tivessem a consciência do “choque de acessos” que estão causando
Se… a classe média não se sentisse agora acuada e preocupada com essa apropriação do espaço “dela” pelos desfavorecidos

Este choque entre ricos e pobres e, em menor grau, negros e brancos; entre os dois lados da marginal, entre os que têm e os que gostariam de ter, abre a ferida do preconceito velado. Mostra (aos que sabem ler) a mais nua e crua objeção da classe média aos ascendentes ou àqueles que (com muito esforço) usam as marcas badaladas da própria classe média.
Por quererem ser aceitos, ou melhor, para se sentirem incluídos, parte da sociedade, ou mais profundo ainda, para se sentirem GENTE, os jovens pobres lutam para comprar e ostentar as marcas da moda. 

E a resposta da elite é simples: é o “absurdo” de permitir que pessoas “sem cultura” invadam “nosso espaço”, o espaço das patricinhas dos Jardins (-Mooca-Santana-Leblon).
Se entrarmos no detalhe antropológico do movimento, a elite não vê os pobres nos shoppings, logo eles não existem; e os pobres não sabiam que podiam frequentar o shopping, pois aquele “mundo” não é o meu!
Embora eu não creia que haja real consciência disso na maior parte dos organizadores destes “passeios”, tenho visto isso: a invasão e o choque de acessos! Vejo donos de shoppings perdidos, que não querem perder os clientes, mas não sabem o quê fazer.
Todo jovem negro já foi “seguido” por um segurança (também negro) nos shoppings da elite Paulista (Iguatemi, por exemplo). O problema agora tornou-se maior e fora de controle, pois não é um grupo pequeno de garotos negros, mas milhares deles.

Importante salientar também que, em alguns casos, foram registrados roubos, entre correrias. Ninguém informou se as correrias foram provocadas por ação da polícia ou por própria iniciativa de alguns poucos jovens vândalos. Mas, para a elite, os roubos são um prato cheio…

Vejamos o que mais vem por aí.

por Celsão correto.

– Ao invés de colar links diversos da imprensa sobre o assunto, segue um texto de uma antropóloga – aqui.

– Encontrei também um vídeo-paródia hilário que retrata bem as duas interpretações do “fenômeno”, através dos olhos de um político – aqui.

– Se quiserem ler um pouco sobre Tia Zulmira, segue trecho de entrevista com a personagem. (link)

– figura retirada daqui. Rolezinho marcado no Shopping Leblon com mais de 8000 confirmados!

veja_1808

veja_1808

A Veja é a revista mais lida do Brasil. O número de exemplares da mesma distribuídos semanalmente é maior que o somatório de exemplares da 2°(Época) + 3°(IstoÉ) + 4°(Caras)….
Este alto índice de consumo da revista Veja certamente é influenciado pelo fato de que diversos governos estaduais e municipais compram assinaturas da revista para disponibilizarem nas escolas públicas. Como exemplo, temos o governo do estado de São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin contratou, sem licitação, 5.200 assinaturas da revista para distribuição em escolas públicas estaduais por todo o estado, gastando R$ 669.240,00 como forma de “investimento em educação”. Esse número é suficiente para abastecer praticamente todas as escolas públicas do estado. Leia mais aqui.

Além disso, entre as 10 revistas mais lidas (clique para ver a lista completa e número de assinaturas), temos essas 7: “Tititi”, “Contigo”, “Ana Maria”, “Minha novela”, “Caras”, “Viva Mais”, “Malu”. Essas revistas falam basicamente de Novela, moda, fofocas, celebridades, compras, entre outras futilidades. O que há de mais interessante nelas talvez sejam as dicas de culinária.

Daí, quando os blogs e veículos de esquerda escrevem e provam que o “brasileiro médio” é alienado e mal-informado, e que aceita de bom grado o que vem da mídia sem questionar; acabam sendo chamados de arrogantes, acusados (numa inversão de lógica) de manipularem com a mão invisível da esquerda radical e de tentarem provar “teorias conspiratórias”. Pois é, está aí uma das teorias da conspiração: os brasileiros leem muita porcaria…

Aposto aqui que a audiência do Jornal Nacional também deve ultrapassar o somatório dos jornais equivalentes no Gazeta, Cultura, e até mesmo os da SBT, Bandeirantes e Record. Mesmo “presos” à mídia brasileira, estes outros têm personagens que exprimem sua opinião de forma mais independente, como Bob Fernandes da TV Gazeta,  e os convidados rotativos do Jornal da Cultura.

Sem Lei de Médios, qualquer mudança cultural profunda em nosso país, rastejará.

por Miguelito Nervoltado

Figura daqui

Alberto Carlos Almeida - De Frente com GabiAo contrário do que muitos pensam, política não é algo simples de se entender.

Quando pensamos então em um país como o Brasil, a política se torna algo ainda mais complexo.
Temos uma história “delicada”, passando pela colonização, o praticamente extermínio dos índios, a escravização de índios e negros da África, um golpe militar com 21 anos de ditadura. Vivemos somente a 30 anos um período “democrático”. Vale lembrar que até 1930 somente homens alfabetizados podiam votar, e que 70% da população era analfabeta, o que significa que somente a elite do sexo masculino participava do processo político, os pobres e mulheres não tinham o direito de expor seus anseios nas urnas.

Temos uma elite que herdou o poder e toda uma inércia cultural oligárquica, dominadora e suprema. Uma classe média que devido à nossa heterogeneidade racial e cultural, tem vergonha de assumir seus reais pensamentos, posicionamentos e preconceitos, e temem sofrer um “baque” financeiro sendo “rebaixados” aos grupos sociais excluídos (os quais eles discriminam, porém de forma retórica).  E temos as classes excluídas, principalmente compostas pela classe trabalhadora (trabalhadores manuais qualificados,  não qualificados e rurais), que sofre com a inércia da pobreza, com os preconceitos e com a falta de educação formal, num ciclo vicioso que, muitas vezes, só pode ser quebrado com ações externas (ex.: políticas sociais).
Mesmo com toda nossa miscigenação humana, sofremos com questões de preconceito, como a homofobia, o racismo aos negros e aos índios, o machismo, a xenofobia contra os imigrantes de países pobres da América Latina (Bolívia, Peru), além dos preconceitos inter-regionais, por exemplo, Sudeste e Sul (como preconceituosos) X Nordeste e Norte (discriminados).

Devemos lembrar também, que nossa história “ocidental” é recente e praticamente começa à partir da colonização, há 500 anos. Pensemos ainda por quantas mudanças atravessamos nos últimos 100 anos.
As revoltas, como foram expostas por parte da população brasileira nas ruas em julho de 2013 e que também são visíveis diariamente nas redes sociais, são muitas vezes (mas nem sempre), revoltas válidas, com motivos claros. Porém, em certo momento, faz-se necessário propor soluções para os problemas, ao invés de simplesmente ficar a apontar os mesmos.  E para propor soluções, é preciso entender todo o contexto histórico, cultural, político, geográfico, racial.

Assistam a entrevista no “De Frente com Gabi” com o cientista político Alberto Carlos Almeida. Ele se denomina um cientista de centro, e por isso busca analisar de forma bastante imparcial a direita e esquerda;  a elite, a classe média, os trabalhadores e excluídos; a cultura política; a psicologia dos brasileiros; nossas questões sociais e históricas, e muito mais.
Entrevista sucinta, porém de grande eficiência no sentido de trazer informações concretas, profissionais, sem sentimentalismo e muito racionalismo sobre a política, sociologia e antropologia brasileira. Uma ótima possibilidade de se informar, principalmente para aqueles que lançam mão de seu direito de emitir opinião, mesmo possuindo pouco embasamento científico.

Para assistir à entrevista na íntegra, clique AQUI 

por Miguelito Formador