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Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Lula: Pobres & Ricos = Justiça & Governabilidade

Desde que o PT, partido originário da interseção entre sindicatos, movimentos de base da igreja e intelectuais de esquerda, assumiu o Governo Federal, a economia brasileira cresceu fortemente (duas vezes mais rápido que durante governos de FHC). No total, 45 milhões de pessoas que pertenciam às classes D e E, ascenderam à classe C; 15 milhões da classe C ascenderam às classes B e A. O salário mínimo aumentou em 70% em seu valor REAL. Durante os 10 anos de governo, vimos ano após ano, uma redução do desemprego, e hoje temos uma das menores taxas de desemprego do Mundo, que oscila entre 5,5% a 6%.

Foram criadas mais de 20 Universidades Federais, e institutos de ensino e educação foram abertos às centenas! O índice de frequência escolar cresceu absurdamente, e hoje, comparado com que se tinha há 15 anos, praticamente não temos crianças fora das escolas. O Bolsa Família auxiliou mais de 15 milhões de famílias, complementando suas rendas, possibilitando as crianças a irem à escola, e permitindo aos pais colocarem comida na mesa. A miséria reduziu de forma considerável.
Muitas das estradas federais foram reformadas (não que sejam exemplo hoje, mas antes eram sucata, e hoje voltam a ser transitáveis). Podemos enumerar diversos programas federais, como Minha Casa Minha Vida, Ciências sem Fronteira, regulamentação da profissão “empregado doméstico”, entre outras ações positivas.

Aqui levantei somente alguns pontos positivos sobre os últimos 10 anos, mas poderia pontuar muitos outros. Obviamente, nem tudo são flores, e também poderia pontuar tantos outros negativos. Mas meu intuito aqui não é tecer elogios ou críticas, mas sim mostrar que, mesmo com muito esforço e muita má vontade, não é coerente, nem sensato dizer que, nos últimos anos o Brasil regrediu, retrocedeu, sucumbiu. Não é cabível dizer que a qualidade de vida do povo brasileiro piorou. Isso não pode ser dito de forma alguma, e somente o que mencionei acima já seria suficiente para dar embasamento a esse meu posicionamento. Quem afirma que o Brasil passou por um período de trevas, ou por um dos piores governos de sua história, precisa tomar um “chádética”, ou “chádesonestidadeintelectual”, ou então, um cafezinho mesmo já basta, para poder acordar e parar de ter pesadelos.

Contudo, as manifestações que aconteceram em julho deste ano (2013) e que ainda permanecem, porém menos intensamente, mostraram que havia/há uma insatisfação por parte de uma parcela da população brasileira. Como explicar essa insatisfação de milhões de cidadãos? Quais eram os objetivos dos manifestantes? Pelo quê lutavam?
Bom, sabemos que nas ruas havia todo o tipo de gente, lutando pelas mais diversas causas. Mas mesmo assim, é possível levantar estatísticas, e estas mostram que a maior parte dos que estavam nas ruas, pelo menos em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Sul do Brasil, eram estudantes universitários e a classe média num geral.
Neste ponto, vou resumir algo bem complexo, e por isso é essencial que o leitor leia o artigo que está em anexo no fim deste meu texto, para que possa entender melhor essa problemática, e para que não me interprete mal, ou de forma incompleta.

“Lula focou seu governo nos pobres, no proletariado. A maior parte dos programas federais se voltavam para essa população mais carente e necessitada de ajuda (vou ignorar aqui aqueles que acham que tudo não passa de assistencialismo, esmola, compra de votos. Se pensa assim, peço que leia meus primeiro e segundo parágrafos novamente, e depois tome um dos chás que aconselhei).

Mas seria um pouco de ingenuidade pensar que Lula governou o Brasil 8 anos, com tanto sucesso, popularidade e bons resultados, somente com o apoio das classes econômicas inferiores da sociedade. É fato que as eleições foram basicamente garantidas por esta classe. Porém, a governabilidade foi garantida pela elite. Sim, Lula, e principalmente a Dilma, se comprometeram com grandes grupos econômicos, como bancos, agronegócio, petróleo, entre outros. Assim, a base do governo estava garantida pelo proletariado (eleições e aprovação popular) e pela elite (estabilidade política no executivo e legislativo, além do suporte econômico).

Mas aqui está faltando uma fatia do bolo, não? Pois é, está faltando a classe média!
Esta foi a menos contemplada nos governos do PT. É fato que também tiveram seus ganhos, mas estes foram menores que aqueles obtidos pelo proletariado e pela elite. Além disso, as melhorias nos serviços  públicos pouco lhes trouxeram vantagens, afinal, os serviços públicos não melhoraram a ponto de se tornarem melhores que o serviço privado. Desta forma, a educação pública, o transporte público, a saúde pública, melhoraram a ponto dos pobres notarem diferença, mas não a ponto da classe média migrar do serviço privado para o público. E assim, de forma simplória, construímos um cenário onde as manifestações são mais facilmente compreendidas, pois essa mesma classe média, menos contemplada pelas melhorias dos governos Lula/Dilma, foi quem estava em peso nas ruas protestando”

Essas minhas palavras são um resumo do meu entendimento sobre o artigo que coloco em anexo logo abaixo. Este artigo, em minha singela opinião é, de todos artigos que já li sobre os governos Lula/Dilma, um dos que possui uma das análises mais imparciais e de mais alta qualidade técnica, além de explicar de forma muito didática e coerente as causas das manifestações de julho deste ano. Eu diria, imperdível!
Para lê-lo, clique AQUI

por Miguelito Formador

Figura: montagem minha. Base retirada daqui e daqui

Planalto Central

Planalto Central

O Gigante foi acordado.

O Brasil surpreendeu a todos com uma demonstração ao mundo de que sua democracia, e seu nível de patriotismo são exuberantes. Fomos às ruas, marchamos, enfrentamos balas de borracha e por fim derrotamos a polícia fascista e a repressão em SP.  Vencemos, reduzimos o preço das passagens que estes políticos que nos exploram nos fazem pagar.

Eu não fui à rua protestar. Não por ser contrário, pois teria ido se as condições físicas atuais me permitissem, protestaria sim, e com certeza agregaria pessoas à reforma política tão necessária para o país. É um workshop político onde partidos políticos não são bem-vindos, O que é um paradoxo para um manifestação democrática. Todas as causas estão presentes, inclusive a extrema direita, o movimento social brasileiro foi às ruas. O MPL foi o estopim de um levante que contaminou uma parte considerável do país. Há muitas causas, inclusive as antidemocráticas e conservadoras, e nenhum partido.

É fato que o MPL foi vitaminado pelos acontecimentos, a ação imbecil da PM e o oportunismo de uma parcela conservadora da sociedade fez crescer a causa de um transporte mais barato para o trabalhador da periferia. Causa justa. Causa que nunca antes na história deste país foi preocupação da classe média que foi ás ruas e exigiu um direito do pobre, mesmo sabendo que este subsídio sairia do bolso do contribuinte.

A sociedade brasileira não será como antes, a classe média conservadora paulista foi indutora de uma revolta política e com isso mostrou ao pobre que este tem direitos, mudou a sua conduta, pois é essa mesma classe média que sempre negou direitos aos pobres avalizando a conduta dos mais ricos.

A dita parcela pensante da sociedade abriu uma caixa de pandora ao deixar o peso dos impostos subir-lhe à cabeça e estourar de raiva ao ver tantos pobres melhorando de vida. Uma revolução conservadora cuja estratégia seria conseguir comprar o apoio do pobre por R$0,20 e com isso vencer Dilma, nas eleições ou derrubá-la antes. Dilma balança. A classe média enfim conseguiu colocar o povo contra o governo.

Quais os motivos para uma classe média tão revoltada? Impostos altos, segurança, trânsito… Sim o serviços são ruins isso é fato. A corrupção é disseminada isto também é fato. O Estado é repleto de corrupção. Obras, legislativo, justiça, polícia, MP, FUNAI… prefeituras e câmaras no Brasil inteiro. Está por todos os lados. Isto é causado por falhas das Instituições do Estado, sobretudo aquelas que não são eleitas pelo povo. Quem garante a impunidade permitindo que a lei não seja igual perante a todos? Quem não processa o empresário corruptor e criminaliza o movimento social?

Algo precisa mudar, isso é fato.

Quais seriam os caminhos pra encampar esta mudança? Existem vários. Todos passam pela reforma política. Porém, a classe média preferiu o caminho revolucionário, demonstrou o tamanho do seu repúdio às práticas da classe política e mostrou ao pobre que ele pode exigir seus direitos, fez algo mais, mostrou ao pobre que ele pode ser superior ao aparato repressivo do Estado.

A classe média, acabou acreditando na ideologia de que é possível não ter ideologias e com isso agiu de forma contrária aos fundamentos conservadores. E ainda não percebeu o que fez.

A classe média, sobretudo paulista, chorou orgulhosa, tão orgulhosa como em 64 quando 500 mil foram às ruas contra a corrupção e o comunismo, O Brasil acordou!! Muitos sentiram esse orgulho de ser brasileiro pela primeira vez na vida, coisa que o pobre nunca perde.

Alguns dizem que a revolta da classe média é contra os políticos.

Porém a própria revolta é política, todos somos políticos, fazemos política quando compartilhamos um meme numa rede social. Xingar políticos de forma generalizada equipara-se a xingar o espelho. Política é algo tão natural quanto o ódio.

Quebrou-se a prefeitura, física e financeiramente, por uma revolta contra a política partidária. A revolta é contra os políticos ligados a partidos. Apenas estes. Não é contra juiz corrupto, o procurador corrupto, o policial corrupto e principalmente não é contra os empresários corruptores.

O Estado é ineficiente e corrupto como um todo. Porque a culpa é única e exclusivamente de uma instituição da sociedade, o partido político?

Sendo o partido uma instituição da sociedade qualquer um pode filiar-se e participar de discussões. A classe média julga que eles não prestam e não vale à pena tomá-los de assalto de forma democrática, fazendo-se ouvir dentro dos partidos.

Ou poderia criar um novo, tá aí a REDE da Marina como prova disso. Mas não foi isso que aconteceu. A classe média não quer se envolver com política. Vota pra salvar o mundo do PT e acha isso um saco.

Ela espera que o Estado incompetente e corrupto torne-se eficiente sem que ela própria participe do processo. Espera que um salvador da pátria apareça no cenário, já escolheram um, e resolva tudo. Um conservador que consiga antes de tudo colocar o pobre em seu lugar, que transforme investimentos sociais em segurança pública, contenha os movimentos sociais que a própria classe média acordou.

O verdadeiro gigante acordou e isso não é nada bom do ponto de vista conservador. Historicamente criminalizado no Brasil, o movimento social ganhou força com as manifestações e a classe média conservadora espera usar a PM no futuro pós-PT, como sempre fez, pra colocar o movimento social onde estava antes do levante.

Dizia Einstein que uma mente quando expande nunca volta ao seu tamanho original. No rescaldo das manifestações os grandes derrotados serão os conservadores, pois acordaram o gigante que a elite fez dormir por mais de um século, e não há bala de borracha que consiga fazê-lo voltar ao sono.
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Texto escrito e enviado pelo nosso leitor Erick Nogueira

por Miguelito Formador

Rachel_SBT_Brasil

Rachel_SBT_Brasil

O vídeo do dia nas redes sociais é esse aqui: Rachel Sheherazade – parcialidade, hipocrisia, mentira.
Vejam primeiro o vídeo, depois vejam meus comentários abaixo.

Teve uma galera compartilhando e curtindo, concordando com as palavras dessa jornalista de má índole, a serviço da grande mídia, para variar.
Aos que concordam com as palavras dela, e automaticamente, acreditam na grande mídia, levanto alguns pontos para reflexão.

  1. Ela fala que não adianta ter bolsa família e ter milhões de desempregados:
    Minha gente, o Brasil tem as menores taxas de desemprego de nossa história, oscilando em torno de 5%. Sem considerar que estamos atravessando uma das maiores crises econômicas mundias da história, e boa parte dos países do mundo estão sofrendo com altíssimo desemprego, taxas maiores que 10 ou 15%.
  2.  Ela fala que não adianta bolsa família e não aumentar o salário das famílias:
    Meu Deus, isso dói no duodeno. É informação conhecida, oficial, reconhecida pelos órgão internacionais, que no governo Lula/Dilma o salário mínimo aumentou mais de 70% em valor REAL (onde já se desconta a inflação)!!!! É de muita má fé da repórter fazer essa afirmação, pois ela sabe que está mentindo com cara lavada. Já quem acredita, muitas vezes nem é por má fé, mas é por falta de conhecimento e senso crítico mesmo.
  3. Ela pergunta, o que seria dessas pessoas se acabasse a bolsa família:
    Ora, é fácil saber. Basta olhar como era o Brasil antes dos governos Lula/Dilma.  Aproximadamente 50% da população vivendo na linha da pobreza ou abaixo dela.
    Mas se acabasse a bolsa, não voltaríamos a estes patamares, pois a bolsa já trouxe muitos resultados permanentes. As famílias que conseguiram vingar em seus negócios com a ajuda do governo, as crianças que foram às escolas, pois não precisavam mais trabalhar para ajudar a família, etc, são ganhos que mesmo que a bolsa acabe, não regridem. Dados do governo mostram que mais de 1,7 milhões de famílias já abriram mão do bolsa família voluntariamente, pois se consideram capazes de caminhar com os próprios pés. Ou seja, não me parece que a Bolsa família seja igual a Bolsa miséria.
  4. Ainda sobre a hipótese da extinção da Bolsa Família:
    Não esqueçamos também que não foi somente o Bolsa Família que tirou 40 milhões de brasileiros da pobreza e miséria, mas sim um conjunto de ações, como geração de emprego, expansão da CLT a regiões precárias, aumento do salário mínimo, crescimento econômico, maior fiscalização governamental, entre outros.
    E outra, o que seria do Brasil se acabasse o Bolsa Família? Bom, eu pergunto: O que seria do Brasil se fosse extinto o salário mínimo? O que seria do Brasil se fosse extinto o SUS? O que seria do Brasil se caísse um meteoro? Vamos analisar cada uma dessas hipóteses e falar então que, na verdade, não estamos preparados, ou que o governo é uma farsa???? Bom senso minha gente, bom senso. Não se vive de “se”, mas sim do “é”.
  5. Ela diz: o que seria das famílias que não trabalham, o que seriam das crianças que não estudam….
    A bolsa família incentiva exatamente as famílias a trabalharem, a poderem vingar nos seus pequenos negócios. E incentiva e monitora a escolaridade das crianças. Os dados mostram que o Brasil evoluiu e muito, devido ao Bolsa Família e outros programas do governo, no quesito “taxa de crianças frequentando a escola” e analfabetismo.
  6. Ela acusa a bolsa como um paradoxo, dizendo que os milhões que saíram da miséria dependem da bolsa.
    Cara Rachel, sair da pobreza não significa obrigatoriamente sair por si só. Quem disse isso??? Estar na miséria é uma condição econômica. Se a pessoa deixa aquela condição econômica, independentemente da fonte que a libertou daquela condição, ela saiu da miséria! Essa jornalista é uma toupeira!
  7. Ela ainda afirma que não há fórmula mágica para sair da miséria: 
    Não Rachel, não há fórmula mágica para sair da miséria. Há sim, ações certeiras governamentais, e é isso que o governo brasileiro fez. Não é milagre! É vontade, determinação, foco e técnica! Agora, para você, que teve e tem uma vida de princesa, com salários altíssimos como âncora do SBT, é fácil dizer que só com trabalho duro que se sai da miséria! Hipócrita imbecil. Tente nascer no sertão, passar pela fome, desnutrição, não ter acesso a um mínimo de escolaridade, e mesmo assim, vencer na vida, sem que venha alguém (o governo por exemplo) e intervenha por você, lhe trazendo facilidades para atingir um mínimo que a vida não lhe propiciou. Isso se chama: governo intervindo para quebrar o ciclo vicioso da pobreza. E isso dói na elite e na classe média, pois o governo destina parte de nossos impostos para ajudar esses marginalizados (que a classe média e a mídia gostam de chamar de preguiçosos, bandidos, vagabundos, fracassados, etc).
  8. Ela diz que assistência tem que ser provisória, senão gera parasitismo:
    Sabe, eu acho que ela deveria largar o trabalho de ancora, e virar consultora de governos de países desenvolvidos, talvez ela consiga ensinar algo a estes. Afinal, o bolsa família e outros auxílios do governo, são ou copiados, ou inspirados, à partir dos mesmos programas usados pela Alemanha, França, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, etc etc etc….. Ela precisa ir nestes países alertá-los e dizer-lhes que os auxílios geram parasitas, e é exatamente por isso, que estes países desenvolvidos sofrem com TANTOS problemas sociais.

Resumindo: Esse vídeo representa com integridade irreparável como a mídia brasileira funciona. E a reação das pessoas no facebook aprovando (curtindo e compartilhando), representa irreparavelmente como o povo brasileiro é alienado, principalmente a classe média, que além de alienada, é individualista e retrógrada.

por Miguelito Nervoltado

Capa falsa da Veja

Capa falsa da Veja

Cada vez mais fui percebendo um fenômeno interessantíssimo que vem acontecendo comigo, e tem se tornado cada vez mais claro para mim: Eu sou capaz de criticar o atual governo federal do Brasil, liderado pelo PT. Porém, me pego já há anos, 99% das vezes defendendo este mesmo governo, seja nas mesas de bares, seja nas rodas com minha família, seja nas redes sociais e por e-mail.
Recentemente tenho me questionado mais intensamente qual o porquê disso. Penso que tenha chegado a uma conclusão, a qual me espanta pelo fato de eu ter demorado tanto tempo para percebê-la, pois afinal, é muito simples e óbvia: A oposição brasileira é burra!

Vamos falar a verdade. A grande maioria das críticas aos governos PeTistas, vêm através de montagens de fotos mentirosas, ou através de e-mails sensacionalistas, ou farsas, boatos, HAOX. O mesmo ocorre nas conversas ao vivo, nas rodas de amigos, onde as críticas levantadas são quase sempre essas críticas sem pé nem cabeça, que partem de uma mentira inventada por alguém entendiado no sofá de sua casa e que resolve então criar uma mentira, com uma foto polêmica de Lula, e publicar no facebook, ganhando em questão de horas, milhares de “curtir” e “compartilhar”.
Não é brincadeira isso, e não é opinião, são mentiras cabeludas e sem qualquer lógica. Vou somente dar um exemplo aqui, que ilustra bem isso, mas eu seria capaz de citar centenas de farsas que eu já rebati pelo facebook, e-mail, e nas rodas com amigos, este constante combate já me fez conquistar algumas inimizades de pessoas que preferem se manter na ignorância plena defendendo-se por orgulho, a assumir um erro grotesco e aproveitar para evoluir, aprender.
Outro dia foi criada uma capa falsa da Veja (Foto ao lado) e publicada no facebook. A criação era muito bem feita, parecia de verdade. Porém, bastava ler as chamadas da capa que já era possível perceber que se tratava de uma brincadeira. Algumas chamadas:
1) Pesquisa IBOPE mostra que Barbosa tem 65% de intenção de votos para 2014.   (Sendo que bastava olhar as pesquisas IBOPE oficiais na internet e veríamos que Dilma tinha mais de 50% de intenção, e Barbosa tinha algo em torno de 10%, caso ele, Barbosa, se candidatasse)
2) Globo é investigada por fraude milionária no pagamento de impostos.  (Ai ai ai, no dia em que a Veja colocar uma chamada acusando a Globo, eu mudo de nome. Estes dois órgãos são aliados/parceiros minha gente)
3) Pesquisa mostra que 90% dos brasileiros aprovam a saúde pública brasileira.   (Sem comentários!)
4) 18 integrantes do PT são investigados pela Interpol por desvio de 500 bilhões de Dólares. (Gente, 500 bilhões!!!!!!! Isso é 25% do PIB brasileiro. Desviar isso significa quebrar por completo o Brasil por décadas. Um desvio desses até nos EUA os quebraria).

Pois é, daí eu rastreei essa capa e cheguei na publicação original, onde o cara que a criou fala que sua intenção foi mostrar como a classe média acredita e divulga qualquer besteira, por mais absurda e caricata que ela seja. Basta que a informação confirme seus preconceitos, e infle seus egos. Se tem ou não lógica, tanto faz. A maioria da classe média sequer lê, muito menos tenta compreender.  É uma falta completa de interesse, mas uma necessidade tremenda de participar, emitir opinião. Como diz Marilena Chauí: O papel da classe média na luta das classes, é o papel ideológico.

E assim abraçamos 99% das críticas feitas ao PT. E essas críticas não se resumem somente ao PT, mas se expandem em qualquer linha que seja contrária e ameaçadora à classe média. Seja nas críticas a Cuba, ou à Hugo Chávez ou a seu sucessor Maduro. Sejam nas críticas feitas ao socialismo/comunismo. Seja nas críticas feitas a qualquer bolsa estatal com intuito de auxiliar cidadãos marginalizados e/ou excluídos. Seja criticando qualquer ação que busque trazer benefícios reais para essas classes menos privilegiadas. Seja criticando qualquer país, governo, ou grupo de pessoas que se posicionem de forma questionadora quanto ao sistema ocidental padrão (Capitalismo, EUA, consumismo, imperialismo, neo-liberalismo).
A classe média, num geral, é reacionária, hipócrita, mal informada, individualista, manipulada, e a forma que criticam segue essas mesmas linhas de adjetivos.

Este lado (chamarei de lado A), é composto por grupos que, em sua maioria, ainda não acordaram – talvez nunca acordem – para perceberem que estão vivendo num mundo ilusório, fabuloso, muiiiiiiito aquém da realidade. Esse grupo está debilitado, carente de intelectualidade, carente de informação, de conhecimento, carente de bom senso, carente de boas intenções e de solidariedade, carente de pensamento coletivo, e por isso, apela para a ideologia barata, apela para as farsas e sensacionalismos sem fundamento, e boatos para tentar desmoralizar o governo (como este recente sobre o fim da bolsa família).

Ainda é possível perceber que a maior parte dos intelectuais, os acadêmicos das áreas de humanas, e alguns gatos pingados que, apesar de não serem especialistas das áreas de humanas, nem grandes intelectuais, mas que se preocupam em desenvolver o senso crítico, estão do outro lado (chamarei de lado B). O lado B elogia e critica com sensatez. Muitos integrantes desse grupo, são pessoas de renome e admirados muitas vezes até pelo lado A.
Daí, quando reflito sobre onde me posicionar, parece-me muito óbvia a resposta: Não quero viver num mundo de fábulas. Prefiro a realidade, crítica e sensata.

Para exemplificar que, se o lado A criticasse de forma embasada, o lado B tenderia a aceitar essas críticas, em anexo segue um artigo (*) muito bom de crítica ao Lulismo e ao governo PT federal.
Em tempo: Enviei este artigo para alguns amigos do lado B e todos gostaram do mesmo. Ou seja, o lado B está aberto a moldar suas opiniões. O que falta é bons argumentos e seriedade na crítica pelo lado A.

(*)   http://www.viomundo.com.br/politica/maringoni-a-fala-ambigua-sofisticada-e-conservadora-de-lula.html

por Miguel Formador

Depois de acompanhar várias postagens de meus “amigos” do Facebook, e de ler algumas “curtas notícias” (pleonasmo no mais profundo sentido da palavra) que apareceram e continuam surgindo na mídia televisiva e escrita, sobre a possibilidade do governo Federal do Brasil fechar um acordo com o governo cubano, onde estes exportariam 6 mil médicos Cubanos para o Brasil, resolvi escrever um pouco sobre o assunto e indicar algumas leituras.

Inicialmente, tive contato com um artigo de uma das minhas fontes de informação mais visitadas. Li por alto, e não dei muita atenção, pois achei o assunto trivial (ou seja, julguei ser legal, fiquei satisfeito, e bola para frente). Mas daí começaram a surgir os movimentos em ondas nas redes sociais, os quais também me direcionaram às notícias da “grande mídia” (para quem não sabe, o presidente do Wikileaks, Julian Assange, aponta que 70% da mídia brasileira está nas mãos de 6 famílias  (*) ). Ao começar a ver esse movimento, comecei a me preocupar, mas não me surpreendi, pois afinal, envolve mais uma ação positiva do governo do PT, e para agravar ainda mais, envolve Cuba como parceiro, ou seja, a maior parte da classe média e da mídia convencional só poderia ser avassaladoramente contrária e crítica.
Mas ainda assim, deixei as águas rolares, sem entrar mais a fundo no assunto. Foi então que fui contactado por um parente da área da saúde, que pediu-me para abrir dois links sobre o assunto, e sugeriu-me a postagem no meu blog. Os dois links eram de petições públicas dos conselhos de Medicina, exigindo maior rigorosidade na avaliação e controle dos médicos estrangeiros que almejam adentrar no mercado brasileiro.
Esse meu parente, não viu relação direta com o caso de Cuba, mas eu vi, pois há! Ou então é mais uma daquelas coincidências que as pessoas insistem em fingir que acreditam, onde duas petições do conselho de medicina brasileiro são criadas justamente quando explode um movimento social contra a vinda de médicos cubanos para o Brasil. É coincidência demais para meu bom senso, ainda mais sabendo como as coisas funcionam (mídia derruba, classe média chuta, pobres pedem pênalti, e a elite come pipoca e se diverte).

Os argumentos do grupo de pessoas que são contrárias à vinda dos cubanos ao Brasil, seguem um padrão estereótipo, por parte deste mesmo grupo, de reação contrária a qualquer ação voltada para o social (tendência de esquerda). Os argumentos são:

  1. Não tem nada a ver com os cubanos, mas sim uma necessidade geral de se regular e controlar a entrada de médicos estrangeiros no Brasil, sem que os médicos brasileiros sejam injustamente prejudicados.
  2. Os cubanos irão adentrar no mercado sem o devido preparo, sem realizar os mesmos testes exigidos aos brasileiros.
  3. Que o governo Federal prefere trazer cubanos despreparados para cá, a tentar solucionar os problemas do Brasil com os muitos profissionais que já possuímos.
  4. Que o governo Federal prefere trazer cubanos despreparados, que melhorar as condições para que os médicos brasileiros queiram trabalhar em regiões carentes.
  5. Que esse governo sempre encontra uma maneira de fazer alianças com países atrasados, e de política ditatorial e autocrata, gastando dinheiro com pactos medíocres com estes países, ao invés de investir nas áreas que são realmente importantes para a sociedade.
  6. Que trazer médicos de fora, ainda mais despreparados, não irá ajudar em nada.
  7. Que a vinda deste médicos piorará a qualidade da medicina do país.
  8. Que a medicina cubana é atrasada e ineficiente.
  9. Que essa é uma ação parecida com as tantas bolsas que o governo oferece, que em nada melhora realmente, só coloca panos quentes nas feridas.
  10. Que esses estrangeiros que vêm dos países em crise (Espanha, Portugal, etc), ou de países pobres como Cuba, se sujeitam a trabalhar por salários mais baixos, e assim prejudicam os profissionais locais, roubando seus postos de trabalho (veja minha análise no nível 8 abaixo).

E eu poderia continuar estendendo minha lista de argumentos e reclamações corriqueiras.

Porém, se analisarmos mais friamente, usando dados internacionais, de órgãos responsáveis por medir e avaliar sociedades, ou pensarmos de forma racional, tentando enxergar a realidade como ela realmente é, sem utopias, veremos que existem diversos equívocos nestas formas de condução do raciocínio expostas acima.
Vejamos alguns pontos:

  1. Sim, o movimento de reação contrária é, principalmente, por causa dos cubanos, pois quase não se vê reclamações contra os médicos portugueses e espanhóis, entre outros, que também vêm às centenas ou milhares para o Brasil. Mas obviamente, o conselho de Medicina jamais citaria especificamente os cubanos, pois daí ficaria clara a discriminação e o preconceito, então, fazem uma petições que abranja todos.
  2. Cuba exporta médicos para 69 países do mundo, no total são 32 mil médicos pelo mundo. Em alguns destes países, onde estes médicos já atuam por mais tempo, os resultados destes programas já são conhecidos, e sempre, extremamente positivos, melhorando radicalmente as estatísticas relativas à saúde nestes países, como taxa de mortalidade e expectativa de vida.
  3. Cuba é o país que mais tem médicos distribuídos pelo mundo, e graças a isso várias catástrofes sociais já foram evitadas nos últimos 40 anos.
  4. Segundo a OMS (Organização Mundial de saúde), Cuba tem o melhor sistema de saúde da América Latina (apesar de muitos dizerem que os médicos de lá são despreparados, e os equipamentos são rudimentares).
  5. Os médicos cubanos que possivelmente virão ao Brasil, virão para atuar em áreas carentes. É isso que eles fazem pelo mundo. E pelo que os dados dizem, eles o fazem por ideologia, pois querem prestar um serviço grandioso aos países mais necessitados nessa área. Os cubanos não vêm ao Brasil para trabalhar no sírio-libanês ou no Albert Einstein.
  6. Como eles vão para regiões carentes, eles vão tratar principalmente de problemas corriqueiros, mas que tiram milhares de vidas anualmente devido a inexistência de um sistema de saúde MÍNIMO nessas regiões. Problemas como diarreia, verminoses, inflamações, infecções simples, desidratação, febre, gripe, etc, parecem simples para quem tem um mínimo de acesso, mas lá, tiram vidas!
  7. Os médicos brasileiros não vão para lá, pois não veem nestes lugares um local com um mínimo de condições para exercerem seu trabalho. Então, argumenta-se que o governo deveria melhorar as condições ao invés de trazerem gente de fora que se sujeite a fazer isso, certo? Bom, quais as opções?
    A) Acabar com a pobreza e miséria, pois só assim daríamos condições para que os médicos possam trabalhar nestes locais com um mínimo de dignidade. Mas não se acaba com a pobreza e miséria dum dia para o outro!!! Isso demora décadas, séculos, ou às vezes, nunca acaba. Ou seja, vamos dizer para essas famílias aguentarem uns séculos, até o governo conseguir extinguir a miséria no país, né?  Vejam o artigo (***) que mostra a distribuicao de médicos pelo nosso país, e vejam que, enquanto Sao Paulo, DF, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul tem média de 3 médicos para cada 1000 habitantes, enquanto Maranhao, Pará, Amapá, Amazonas, Acre, tem média menor que 1 médico para cada 1000 habitantes. 
    B) Ou seria “Melhores condições para os médicos” = “maiores salários”? Pois isso já existe. Mas mesmo assim, é relativo. Digamos que um médico que ganha 10 mil reais no Rio de Janeiro, tem a possibilidade de ir para o Acre ganhar 13 mil reais. Será que ele vai? Aí diz-se: pô, mas então pague 20 mil para o cara! Caramba, que governo sustenta isso? Não dá gente! Os cubanos se sujeitam a fazer o que os brasileiros não querem. E não é porque o Fidel é impiedoso! Eles fazem, pois são treinados para isso, foram educados formalmente e academicamente para fazer isso, por salários normais, sem exigirem fortunas, pois acreditam que estão fazendo um bem para as populações carentes do mundo, e estão de fato!
  8. Engraçado como o brasileiro pensa. Ficam indignados quando países europeus e EUA estabelecem forte controle e burocracia para brasileiros que querem trabalhar nestes países. Mas daí, quando estrangeiros querem vir para o Brasil, esses mesmos que gostariam de ter-lhes aplicado menor controle no exterior, exigem mais controle do Brasil aos estrangeiros. Sempre olhando para o próprio umbigo!
  9. E o controle feito sobre esses estrangeiros no Brasil, será que é realmente fraco? Os dados mostram exatamente o contrário. Que no Brasil, reprova-se muito mais médicos estrangeiros que em Portugal, por exemplo. (**) 

Por fim, a diferença de linhas de raciocínio se resume em:
De um lado as pessoas que aspiram melhorias sociais como um todo, e consideram o problema do próximo, como também seu problema, e sonham por viver em um mundo mais igualitário e justo.
De outro lado, grupo de pessoas que não tratam dessas questões como prioridade em suas vidas, e vivem principalmente dentro de seu individualismo, e tudo que possa trazer qualquer tipo de ameaça para si, por menor que seja essa ameaça  mesmo que traga um grande benefício para a sociedade como um todo, receberá sua crítica fervorosa e repulsiva, e buscarão argumentos retóricos para defenderem sua posição individualista.
obs.: Poderíamos também criar um terceiro grupo, de pessoas que são consumidas pela rotina capitalista, trabalham como loucos, e devido à falta de tempo, se informam pouco, e mal, sempre consumindo o que vem na mídia convencional, e assim, acabam por apoiar estes movimentos. Mas eu ainda prefiro unir este grupo, ao segundo grupo, ou seja, dos individualistas.

(*) http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,e-bom-que-os–governos-tenham-medo-das-pessoas-,992367,0.htm (entrevista com Julian Assange – Wikileaks)

(**) http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-questao-da-vinda-dos-medicos-cubanos-para-o-brasil (médico brasileiro que vive em Portugal, fala com conhecimento de causa sobre o assunto, desmitificando alguns argumentos usados no Brasil)

(***) http://www.viomundo.com.br/politica/pedro-porfirio-por-que-os-medicos-cubanos-assustam.html (Inúmeros dados e verdades sobre a medicina de Cuba, e sobre a política de Cuba de exportar médicos para ajudas sociais. Além disso, dados de distribuição do acesso à medicina no Brasil)

por Miguelito Formador