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O dia 17/05/2017 começou tenso pra mim.
Tinha muitos compromissos profissionais, mas queria de algum modo seguir ouvindo a assistindo às notícias após a “bomba” lançada do “colo” do Presidente Temer.

A noite anterior foi de jornais e memes sem fim.
Os programas televisivos tentavam detalhar o máximo da informação que possuíam, incompleta naquele momento, e ponderar os próximos passos do presidente, dos seus ministros e aliados, dada a gravidade do ocorrido.
Enquanto os “magos” da internet criavam e recriavam piadas compartilhadas intensamente no WhatsApp e Facebook. Famosos com camisetas, eximindo-se de uma culpa líquida

A primeira surpresa, compartilhada pela minha esposa, foi ver as pessoas surpreendidas… É um trocadilho cômico, se não fosse cruel.
Como podem achar que Michel Temer e Aécio Neves, já citados anteriormente por outros delatores fossem inocentes?!?
Depois de Jucá e do vazamento ocorrido, do Geddel, dos oito atuais ministros citados pela Odebrecht… Depois do avião com cocaína, de inúmeros favorecimentos em Minas Gerais…

Na rádio Jovem Pan ouvi um advogado que daria o tom da imoral defesa prévia: “o país não pode parar“.
Como se todos pudéssemos e devêssemos ignorar quaisquer atos indecentes e corruptos em nome da retomada da economia, do emprego e renda, que timidamente dava sinais.
Eu quero que tudo pegue fogo!
Que o Congresso seja dissolvido!
Que os áudios vergonhosos, de delatores indecorosos, de políticos indecentes, sejam tocados como introdução ao Hino Nacional; para que não os esqueçamos!
Que só restem Parlamentares íntegros (ou ao menos não-condenados)! Nem que tenhamos que convocar novas eleições. Nem que pra isso tenhamos de, nós mesmos, “pessoas normais”, entrar na política para mudar o status-quo de corrupção da mesma.
Pensar na simplicidade do “país não parar” e daí pra frente acobertar tudo e todos, me enojava.

Mas a Grande Mídia, até então, reagia bem: os jornais da manhã foram monotônicos e pareciam intermináveis.
E entre um Caiado, que lançou com certa lisura sua candidatura para 2018, aproveitando-se da crise, e um Carlos Marun, que defendia o vitimismo do Presidente Temer ante ao golpe político, ante a cilada… os comentários dos jornalistas e juristas convidados não deixavam dúvidas: tudo foi feito com anuência da Polícia Federal, num acordo de delação assinado pelos donos da JBS. Escutas, fotos, vídeos, rastreamento de dinheiro, depoimentos… tudo legitimamente legal!

A situação do presidente nacional do PSDB era pior.
Os mandatos de busca em casas de parentes foram seguidos de prisões dos mesmos, de declarações de correligionários contrárias, do afastamento do Senado e da presidência do partido tucano…

E eis que o anúncio de um pronunciamento de Temer as 16h fez surgir o furo-boato de renúncia.
E, as 16h, nervoso e quase sem companheiros para aplaudir, o temeroso Temer recusou-se a ceder. Disse ao povo que ficava! Também apelando à melhora da economia e às reformas. Disse que não precisava de foro privilegiado, falou de armação, mentindo sobre a legitimidade da escuta e terminou apelando para o STF.
Afinal, ele sabe que o “Gil” (Ministro Gilmar Mendes) já garantiu a vitória dele no TSE; com a não condenação da chapa de 2014. Conhece também o penoso trâmite do processo no judiciário.

E o PSDB?
Ah… o PSDB… Parece que decidiu sair de vez dos holofotes da política, abandonando o papel de oposição que estava desempenhando.
Poderia ter, numa única tacada, afastado o condenável Senador Aécio Neves e abandonar os quatro ministérios que possui no atual governo. Tiraria, ao meu ver, boa parte da mácula que obteve com a Lava Jato. E de quebra poderia lançar um novo “homem forte”, provável candidato a 2018. Não creio que Tasso Jereissati seja esse nome.
Se afastar da corrupção, no momento, não seria se afastar de todos os projetos e reformas que o governo quer aprovar nesse ano. Nem seria negar a esperança na recuperação econômica. Seria uma mensagem de intolerância à continuação da prática (mesmo que falsa).

O dia seguia agitado e os programas de rádio também.
E, com a evolução pós-pronunciamento e a decisão do PSDB em se manter ao lado de Temer, retornou a dicotomia direita-esquerda, vermelho-azul, bem-mal…
Reinaldo Azevedo defendeu que os promotores buscavam retornar o poder aos “pilantras da esquerda”. Que a delação foi “encomendada”, mirando o maior líder da oposição, Aécio, e o atual Presidente da República, Michel Temer.
Por que não podemos esquecer isso uma única vez e buscar a condenação de TODOS os culpados?
Por que delações só servem para um lado? Vazamentos só valem quando são contra o “meu lado”? Notícias e opiniões só prestam quando exprimem a “minha verdade” ou a minha opinião?
Sinto nessas horas que perco um pouco da minha utópica esperança. Não dá pra tolerar essa “religião” que defende políticos indefensáveis, acusados de inúmeros crimes, de qualquer lado politico-filosófico que este esteja.
Deixe que o judiciário julgue. Permita-se que o acusado se defenda. Só não incentive o ódio…

O dia terminou com os áudios e fotos da delação.
E, mesmo sendo uma conversa de mafiosos, de inegável cumplicidade e culpabilidade… Não é “tudo aquilo” que o furo jornalístico anunciava. Não é tão direto quanto foi o de Jucá, por exemplo.

E, como sabemos, a Justiça é como a mídia; e trocadilhos a parte, ambos são como pizza. Quando esfria, perde a graça.
Se não existem prisões preventivas decretadas, a Lava Jato leva as investigações no processo normal, que é lentíssimo.
Se a indignação do povo e da base aliada governista é comedida, novos conchavos são refeitos e talvez novas mesadas serão acordadas.
Rodrigo Maia não aceitará qualquer pedido de impeachment contra Temer.
E, no final… a montanha pariu apenas um rato, como diz a frase-título, atribuída ao próprio presidente Michel Temer.

por Celsão revoltado

figura retirada daqui.

P.S.: Parabéns ao PTN e PPS, que saíram da base de apoio a Temer.

7jul2016---o-presidente-interino-michel-temer-participou-de-uma-reuniao-com-o-ministro-da-fazenda-henrique-meirelles-para-definir-a-meta-fiscal-de-2017-no-palacio-do-planalto-1467930077352_615x3Nosso querido ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, queridinho da mídia que o nomeou “Solução da Nação”, apareceu novamente no noticiário nacional.
Ele e sua equipe admitiram um déficit (ou rombo) de R$139 bilhões nos cofres públicos para o ano de 2017, mesmo com aumento de arrecadação previsto de R$55 bilhões. (aqui a notícia que também fala de provável aumento de impostos)

E não é estranho pra mim aparecer um rombo muito maior que o previsto anteriormente pela presidente Dilma.
Primeiro pois, em meio a crise, a presidente afastada havia vetado um reajuste salarial ao Ministério Público e Poder Judiciário. Reajuste que foi (re-)aprovado em novas seções das casas do Legislativo, nesse mês de Junho, pauta tratada assim que o presidente Temer assumiu interinamente (notícias aqui e aqui, para as aprovações na Câmara e Senado respectivamente)
O impacto calculado desse reajuste do funcionalismo é de R$58 bilhões nos próximos três anos, ou seja, consumindo boa parte do aumento de tributos previsto.

O segundo ponto da minha crítica, que é ainda mais grave,  é a propaganda vazia de redução de custos, alardeada por Meirelles e pela “nova equipe econômica” ao assumir a pasta da Fazenda.
O que aconteceu com aquela redução prometida de Ministérios e gastos públicos?
Fizeram o oposto com reajustes salariais, que, todos sabemos, serão facilmente “cascateados” aos outros poderes, que apelam para uma tal de “isonomia”, criada por eles próprios

Aparentemente o que fez Meirelles e a equipe aclamada pelo empresariado, foi “raspar” onde havia algum dinheiro, como fizeram com o chamado Fundo Soberano (aqui). Mas, ao meu ver, e agora chegamos ao porquê do post, todas as medidas são meramente paliativas, de baixo impacto e sem efeito duradouro.

De que vale um fundo de R$2 bilhões, provenientes de um superávit do petróleo, que seria usado (até onde me lembro) para a educação no meio de um problema de R$140 bilhões?
É menos de 2%!
E perde-se a chance de criar um “pulmão” financeiro estatal que um de nossos vizinhos regionais mais proeminentes, o Chile, criou através de reservas da exploração do cobre.

Outra medida paliativa citada ontem: revisão dos benefícios de aposentadoria por invalidez e auxílio-doença.
É paliativo! É pequeno!
A equipe do Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou que espera economizar R$6,3 bilhões! Quase R$4 bilhões cortando 30% dos benefícios de auxílio doença e pouco mais de R$2 bilhões eliminando 5% dos beneficiários aposentados por invalidez.
Comparando-os uma vez mais ao rombo anunciado, são menos que 5%.
E esse valor só virá se os cálculos estiverem corretos. E muitos velhinhos e incapacitados estiverem “de má fé” em casa evitando trabalhar…

Outra colocação a ser considerada é a afirmação defendida pelo ex-Ministro Ciro Gomes. Ciro sempre diz que reduzir Ministérios não é reduzir custos. Ao menos não drasticamente, na escala almejada e proclamada pelo atual governo.

Mas minha proposição “pirata” é: por que não mudar de verdade? Colocar as mãos inteiras no vespeiro?
Falando de aposentadorias e INSS…
Por que não limitar as aposentadorias do funcionalismo público no mesmo teto existente para os empregados da iniciativa privada? Incluindo aí deputados, senadores e juízes.
Ou melhor, por que não estabelecer os mesmos critérios para aposentadoria em todas as profissões e classes? Não é injusto um Senador aposentar-se após um único mandato?
Ou ainda, que tal se não houvessem aposentadorias acumulativas? Lula perderia talvez a de anistiado. FHC perderia a de professor universitário estadual.
E até se poderia permitir que o benefício recebido fosse o maior dentre os concedidos…
Será que essas medidas não trariam uma maior redução de despesas?

Pra finalizar, uma última pergunta: não era o anúncio do aumento de impostos que condenou a equipe econômica anterior?
Não sou totalmente contra. Creio até que não tenhamos muita alternativa dada a estrutura “engessada” do Estado Brasileiro.
Mas o problema de se fazer isso agora é a cara-de-pau de nem ao menos cumprir um “mínimo” da redução prometida…

por Celsão irônico

P.S.: figura retirada daqui. Eles não ficam bem lado a lado?

P.S.2: sou a favor de se revisar periodicamente todo e qualquer benefício concedido. Só não acho que isso deva ser apresentado como medida; por ser pequena, como citei, e por fazer parte de uma rotina mínima esperada de órgãos governamentais.

Dilma_Cabisbaixa
Privar o Palácio Alvorada de comida (comida para Dilma).
Restringir os voos de Dilma.
Proibir a TV pública de usar a palavra Presidenta.

Para qualquer pessoa com um mínimo de sanidade mental e honestidade intelectual, SÓ isso já é suficiente para entender que o Brasil está vivendo um golpe de Estado, com características presentes em qualquer ditadura da história.

E olha que nem mencionei o processo de impeachment, que ocorreu sem legalidade constitucional, pois faltaram os princípios geradores de Impeachment. Nem mencionei as conversas de Jucá, Sarney, Calheiros, etc, onde confessam tirar a Dilma para se livrarem da Lava-Jato, tampouco mencionei que, também nessas conversas gravadas, o Ministro da Transparência (órgão máximo anti-corrupção), Fabiano Silveira, dá dicas a Renan Calheiros de como driblar a Lava-Jato.

Não mencionei que a Transparência Internacional, maior organização do mundo no combate à corrupção, rompeu relações com o Brasil e o governo Temer, após o escândalo envolvendo o Ministro Fabiano Silveira. (Aqui)

Olha que não mencionei que documentos do Wikileaks e de Snowden (NSA) revelam SEM CHANCE DE REFUTAÇÃO, que Michel Temer serviu de informante para inteligência americana CONTRA os interesses nacionais do Brasil, o que configura o crime mais grave contra a soberania da nação.

Nem mencionei que, entre os ministros de Temer, não há 1 negro nem 1 mulher, e que mais de 70% dos ministros sofrem atualmente processos judiciais por corrupção e outros crimes até mais graves (esse corpo do Governo JAMAIS venceria uma eleição, e só é possível assim, tirando um presidente eleito democraticamente pelo voto, e se apoderando do Estado sem a menor legitimidade do povo)…..

Não mencionei que TODOS os ministérios extintos pelo Governo Temer, são ministérios que servem aos já poucos direitos de minorias, e/ou que servem à cultura e educação do povo. E que os cortes públicos que estão ocorrendo, todos eles, somente impactam o bolso e as vidas do povo pobre, já tão sofrido…. enquanto isso, servidores do judiciário e cargos políticos como os parlamentares, têm “gordo” aumento salarial aprovado pela Câmara em MEIO Á CRISE e a CORTES DE GASTOS PÚBLICOS.

Nem mencionei que José Serra, Ministro das Relações Exteriores, já anuncia medidas claras para abrir a exploração de nosso Petróleo para o capital estrangeiro, e já “abana o rabo” para a privatização total ou parcial da Petrobrás (os recursos advindos do Petróleo representa”va”m o nosso sonho de um país realmente melhor, e emancipado.

Eu nem mencionei….. Ah, nem mencionei um monte de coisa.

Mesmo que você não acredite, com toda essa boa/má-fé sua, que não houve golpe de Estado, pelo menos, o mínimo que você deveria aceitar e entender, é que o maior golpe está sendo dado contra o POVO brasileiro e em nossa soberania enquanto Nação.

* Assistam ao vídeo, de apenas 3 minutos, inspirador deste texto. Comentários de política com Bob Fernandes (Aqui)

por Miguelito Formador

figura daqui

Compartilhamos um texto originalmente publicado no viomundo (aqui) e assinado pelo jornalista Renan Quinalha.
Confesso que é estranho pra mim a palavra “brasilianista”, ainda mais quando este tal “estudioso do Brasil” é um americano, vulgo “gringo”.

São estes mesmos especialistas que variam as notas e brincam com o grau de investimento do país. E provavelmente os mesmos que, do outro lado, incentivam seus compatriotas a comprar ações da Petrobrás (aproveitando a temporária desvalorização irreal) e/ou filiar-se a empresários brasileiros da 3G Capital.

Mas a análise feita pelo especialista James Green (a esquerda na foto) é, no mínimo interessante. Principalmente por escancarar o apoio do governo de seu país à ditadura brasileira iniciada em 1964, correlacionando-a ao apoio dado em carta pelo Embaixador Michael Fitzpatrick (direita) sobre o impeachment da presidente Dilma em processo no Brasil.

Aproveito para traçar um paralelo com uma declaração mais recente, do Papa Francisco, sobre o que chamou de “golpes suaves” na América Latina (aqui)

Tirem suas próprias conclusões.

por Celsão correto e Miguelito Formador

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Green_embaixador

Um dos maiores brasilianistas da atualidade, o professor James N. Green da Brown University (EUA), enviou hoje uma carta aberta ao Embaixador Michael Fitzpatrick, representante dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA), contestando as declarações deste no sentido de que o processo de impeachment no Brasil seria legítimo por estar conforme os procedimentos constitucionais e as regras democráticas.

Green começa a carta afirmando: “Fiquei extremamente desapontado ao ler que você afirmou que, inequivocamente, o processo de impeachment atualmente em curso no Brasil é democrático e legítimo. Mesmo considerando os perigos existentes na comparação histórica de eventos ocorridos em diferentes períodos, digo que o governo dos EUA está correndo o risco de repetir o trágico erro feito em Abril de 1964, quando o Presidente Lyndon B. Johnson reconheceu a ditadura militar que havia tomado o poder e que terminou governando o país por 21 anos”.

Após examinar detidamente como o golpe de 1964 “respeitou” alguns procedimentos formais e legais para manter sua aparência de legitimidade, James Green analisa diversos aspectos do atual processo do impeachment que, guardadas as devidas proporções, em muito se aproximam do golpe que deu início à ditadura militar.

E conclui assim sua carta: “Em 1964, o governo dos EUA estava no lado errado da história. Ele nunca pediu desculpas para o povo brasileiro por ter apoiado uma ditadura militar. Agora, cinco décadas depois, eu receio que, mais uma vez, ele esteja endossando um processo ilegítimo. Aqueles que não aprendem com a história são levados a repeti-la”.

A íntegra da carta segue abaixo, traduzida em português, e na sua versão original, em inglês.

 Renan Quinalha é advogado, doutorando em Relações Internacionais pela USP e Visiting Research Fellow na Brown University, EUA.

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19 de maio de 2016.

Carta Aberta ao Embaixador Michael Fitzpatrick

Representante dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA)

Caro Embaixador Fitzpatrick,

Fiquei extremamente desapontado ao ler que você afirmou que, inequivocamente, o processo de impeachment atualmente em curso no Brasil é democrático e legítimo. Mesmo considerando os perigos existentes na comparação histórica de eventos ocorridos em diferentes períodos, digo que o governo dos EUA está correndo o risco de repetir o trágico erro feito em Abril de 1964, quando o Presidente Lyndon B. Johnson reconheceu a ditadura militar que havia tomado o poder e que terminou governando o país por 21 anos.

Você declarou o seguinte: “Há um claro respeito pelas instituições democráticas e uma clara separação de poderes. No Brasil, é claramente a lei que prevalece, emergindo com soluções pacíficas para as disputas”. Você também afirmou: “Nós não acreditamos que isso seja um exemplo de um “golpe brando” ou, para esse efeito, um golpe de qualquer tipo. O que aconteceu em Brasil cumpriu rigorosamente o procedimento legal constitucional e respeitou totalmente as regras democráticas”.

Esses são precisamente os argumentos que o Embaixador Lincoln Gordon usou 52 anos atrás, quando ele insistiu que a administração Johnson imediatamente endossou a tomada do poder pelos militares, que foi legitimada pela aplicação formal da Constituição e pela votação majoritária do Congresso.

Tenho certeza de que você esteja familiarizado com a história recente do Brasil. Mesmo assim, vale certamente a pena uma revisão, dada a situação atual. Peço desculpas se minhas observações são extensas. Eu sou um historiador e, honestamente, acredito que o entendimento do passado é importante para compreender o presente. E, como o compositor brasileiro Tom Jobim uma vez gracejou, “o Brasil não é para principiantes”.

Em 1960, Jânio Quadros, um candidato de centro-direita, foi eleito presidente. João Goulart, um político de centro-esquerda, tornou-se vice-presidente, porque se votava separadamente para presidente e vice-presidente. Sete meses depois, Quadros repentinamente renunciou do cargo. Setores militares tentaram, sem sucesso, impedir Goulart de assumir a presidência.

A direita, infeliz com o fato de que Goulart assumiu o cargo, organizou uma ampla coalização para retirá-lo do poder. Ela incluiu a Igreja Católica, empresários, grande mídia e grandes setores das classes médias. Esses eventos ocorreram em um contexto de uma crise econômica, inflação e movimentos de base de trabalhadores, camponeses e marinheiros clamando por maior inclusão econômica e social.

Como já foi largamente documentado e revelado pelos documentos liberados do Departamento de Estados dos EUA, o Embaixador Lincoln Gordon e o seu adido militar Vernon Walters ativamente apoiaram a conspiração para depor Goulart. Eles usaram os argumentos da Guerra Fria, segundo os quais Goulart estava sendo manipulado pelo Partido Comunista Brasileiro, que ele era corrupto e que ele queria assumir um poder ilimitado. Eles garantiram aos generais brasileiros que, caso eles forçassem a saída de Goulart do cargo, o governo norte-americano daria apoio ao novo governo que assumisse. A administração de Johnson chegou a organizar a Operação Brother Sam, que mandou porta-aviões, armas, suprimentos, para apoiar as tropas rebeldes caso uma guerra civil eclodisse.

Brasilianistas

No dia 31 de março, tropas marcharam no Rio de Janeiro para depor Goulart. No dia seguinte, o presidente voou do Rio de Janeiro para Brasília para mobilizar apoio político contra essa tomada ilegal do poder. Ele queria evitar o derramamento de sangue, então ele não convocou seus apoiadores a resistir ao golpe de Estado.

Assim que o avião decolou, o Presidente do Senado e o Presidente da Corte Suprema, argumentando que eles estavam seguindo os procedimentos constitucionais, empossaram Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados, como Presidente em exercício. De acordo com a Constituição, o Congresso tinha trinta dias para escolher um novo presidente. Hoje, todo mundo, exceto os que defendem a ditadura militar, chamam esses eventos de golpe de Estado, o golpe de 1964.

Em vários telegramas com a Casa Branca, o Embaixador Gordon argumentou que o que se passou no Brasil cumpria perfeitamente com os procedimentos legais constitucionais e respeitava totalmente as regras democráticas. Ele trabalhou duro para convencer o Presidente Johnson a reconhecer o novo governo, o que foi feito no dia 2 de abril, legitimando o golpe e colocando o selo de aprovação do governo dos EUA nessa mudança ilegal de poder que foi implementada de acordo com “os procedimentos legais constitucionais”.

No dia 11 de abril, os 295 membros do Congresso elegeram o General Castelo Branco como Presidente do Brasil. Isso completou a transição “democrática” de um governo legalmente eleito para uma ditadura militar ilegítima.

Imediatamente depois de reconhecer o governo de Mazzilli, no dia 3 de abril, o Presidente Johnson chamou os líderes do Congresso para a Casa Branca para convencê-los de que o governo dos EUA estava apoiando a democracia no Brasil. O senador democrata Wayne Morse, de Oregon, deixou o encontro e declarou para a imprensa: “os acontecimentos no Brasil não resultaram da ação de uma junta militar ou de um golpe. Ao invés disso, a deposição da presidência do Brasil resultou de um desenvolvimento no qual o Congresso do Brasil, agindo sob a Constituição, foi a força condutora e foi reforçado por um grupo militar que garantiu a preservação do sistema constitucional brasileiro”.

Em comentários para seus colegas senadores mais tarde naquele mesmo ano, Morse reiterou suas conclusões:“Nesta noite, nenhum senador pode citar o Brasil como um exemplo de ditadura militar, porque ele não é. O autogoverno por parte do povo brasileiro continua prosseguindo. Se alguém pensa que não, deixe-o olhar ao que está acontecendo no Brasil com o respeito ao intercâmbio de pontos de vista no Parlamento, na imprensa e em muitas fontes e forças da opinião pública”.

Um ano depois, em outubro de 1965, quando o governo militar aboliu as eleições presidenciais, Morse chegou a uma conclusão diferente. Percebendo que as armadilhas do regime democrático eram só para manter as aparências, ele afirmou: “novidades da captura do poder ditatorial pela junta militar brasileira assinala uma reversão para a liberdade na América Latina. O que é ainda pior é a continuidade do apoio financeiro americano a esse regime (…) As semânticas de Washington e da trama brasileira, buscando acalmar os receios pelas instituições democráticas naquela grande nação, não vão enganar qualquer um, mas aqueles que querem ser enganados”.

Muitos que lutaram contra o regime militar e muitos outros que lembram ou que estudaram sobre o regime autoritário têm sustentado que a manobra política em curso para expulsar o governo eleito democraticamente da Presidenta Dilma Rousseff é um outro golpe de Estado.

Você afirmou, vigorosamente, que “há um claro respeito pelas instituições democráticas e uma clara separação de poderes” no Brasil hoje. Mas será mesmo isso? Estaria você, como o Senador Wayne Morse em 1964, talvez sendo enganado pelas aparências de procedimentos democráticos e separação de poderes no processo de impeachment porque não há tanques nas ruas e nem generais no comando do governo?

Como pode ter havido procedimento democrático na Câmara dos Deputados quando Eduardo Cunha, que controlava totalmente essa instituição, foi afastado do seu cargo um semana após a votação de admissão do processo do impeachment? Um pedido para seu afastamento dessa posição havia sido feito em dezembro do ano passado por desvio de finalidade e abuso de poder, mas o membro da Suprema Corte sentou sobre esse pedido até que Cunha tivesse garantido que a oposição teria os dois terços necessários para aprovar o seguimento do processo do impeachment da Presidenta Dilma. Quantos congressistas Cunha e seus aliados compraram ou ganharam com suas promessas de um novo governo? Como um processo conduzido por uma pessoa que é processada por lavagem de dinheiro e por recebimento de suborno pode ser legitimado?

Como pode haver separação de poderes quando integrantes da Suprema Corte fazem afirmações públicas sobre casos que estão sob sua alçada, revelando suas opiniões políticas na mídia, pré-julgando casos e, com isso, influenciando o debate público e os atores políticos? Além disso, a Suprema Corte tem sido excessivamente arbitrária em decidir quais casos analisar, levando quase seis meses para julgar o afastamento de Eduardo Cunha e proferindo uma decisão veloz contra a indicação de Lula para um cargo no governo Dilma. Esses casos são exemplos, dentre tantos outros, das maneiras perversas como o Judiciário se enredou com a política, ao invés de permanecer separado dela.

Como você pode dizer que houve procedimentos democráticos quando agentes da polícia e do sistema de justiça vazam seletivamente informações da Operação Lava Jato para criar um clima hostil ao governo e aos seus aliados? Por que era um desvio de finalidade a Presidenta Dilma nomear o ex-Presidente Lula como seu ministro da Casa Civil sob alegação de que ele estaria supostamente esquivando-se das investigações, quando o Presidente interino Michel Temer indicou sete pessoas sob investigação para ministérios? Não estaria ele abusando do seu poder em um esforço para proteger seus aliados?

Por que a Presidenta Rousseff está sendo acusada de violação à Lei de Responsabilidade Fiscal pela prática de pedaladas, sendo que o Presidente interino Michel Temer fez exatamente a mesma coisa enquanto substituía a presidenta em viagens desta? E os antecessores, presidentes Lula e Cardoso, que também praticaram atos semelhantes, para não falar de pelo menos 16 governadores, incluindo Aécio Neves, que também fizeram as pedaladas?

Você também falhou em assinalar no seu discurso outra deficiência na situação política atual do Brasil, ou seja, a liberdade de imprensa (e das mídias de massa em geral) apenas para os que são proprietários delas. Hoje, as forças conservadoras que controlam os maiores jornais, revistas e canais de televisão sistematicamente apresentam visões parciais dos acontecimentos apenas para influenciar a opinião pública. É como se a Fox New pudesse controlar todos os canais da grande mídia dos EUA. Felizmente, as mídias sociais estão servindo como uma fonte alternativa de informação, mas elas não têm o mesmo peso da mídia hegemônica.

A primeira semana do novo governo revelou uma agenda radicalmente nova, mas verdadeiramente antiga, para o Brasil, que pretende retroceder todos os avanços sociais que tiveram lugar nos últimos 30 anos desde o fim da ditadura. Aqueles que se sentiram ultrajados pelo fato de Michel Temer não ter indicado nenhum mulher ou pessoa negra para posições ministeriais não estão clamando por demagogia. Esse ato não é trapalhada de relações públicas.

Isso simboliza a intenção desse governo. Temer culpou seus aliados por não indicarem nomes de mulheres e negros, em um esforço para se eximir da responsabilidade. Ao menos seus comentários falam alto sobre a natureza dos seus aliados que o levaram ao poder e sobre a natureza desse novo governo “democrático”. Na primeira semana de sua gestão, ele já anunciou que vai reduzir direitos sociais, com cortes no sistema de seguridade social, educação e moradia, que afetam largamente os setores mais pobres da sociedade brasileira.

Em 1964, o governo dos EUA estava no lado errado da história. Ele nunca pediu desculpas para o povo brasileiro por ter apoiado uma ditadura militar. Agora, cinco décadas depois, eu receio que, mais uma vez, ele esteja endossando um processo ilegítimo. Aqueles que não aprendem com a história são levados a repeti-la.

Respeitosamente,

James N. Green
Carlos Manuel de Céspedes Chair in Latin American History, Brown University
Director of the Brown-Brazil Initiative

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May 19, 2016

An Open Letter to Ambassador Michael Fitzpatrick

U.S. Representative at the Organization of American States

Dear Ambassador Fitzpatrick:

I was extremely disappointed to read today that you have unequivocally argued that impeachment process currently taking place in Brazil is democratic and legitimate. While acknowledging the dangers of comparing historical events from different time periods, the U.S. government is running the risk of repeating a tragic mistake it make in April 1964 when President Lyndon B. Johnson recognized the military dictatorship that had taken power, which ended up ruling the country for twenty-one years.

You have declared that: “There is a clear respect for democratic institutions and a clear separation of powers. In Brazil it is clearly the law that prevails, coming up with peaceable solutions to disputes.” You have also stated: “We don’t believe that this is an example of a ‘soft coup’ or, for that matter, a coup of any sort. What happened in Brazil complied perfectly with legal constitutional procedure and totally respected democratic norms.”

These are precisely the arguments that U.S. Ambassador Lincoln Gordon used fifty-two years ago when he insisted that the Johnson administration immediately endorse the seizure of power by the military, which was legitimized by the formal application of the Constitution and a majority vote in Congress.

I am sure that you are familiar with the recent history of Brazil; nevertheless, it is certainly worth reviewing, given the current situation. I apologize if my remarks are extensive. I am an historian, and I honestly believe that understanding the past is important for comprehending the present. And, as Brazilian composer Tom Jobim once quipped, “Brazil is not for beginners.”

In 1960, Jânio Quadros, a Center-Right candidate, was elected president. João Goulart, a Center-Left politician, became vice president on a split ticket. Seven months later, Quadros suddenly resigned from office. Sectors of the military unsuccessfully tried to block Goulart from assuming the presidency.

The Right, unhappy with the fact that Goulart had taken office, organized a broad coalition to overthrow him. It included the Catholic Church, entrepreneurs, the major media, and large sectors of the middle classes. These events took place within the context of an economic crisis, inflation, and grassroots movements of workers, peasants, and sailors clamoring for greater economic and social inclusion.

As has been widely documented and revealed in declassified U.S. State Department documents, U.S. Ambassador Lincoln Gordon and his military attaché Vernon Walters actively supported the conspiracy to overthrow Goulart. They used Cold War arguments that Goulart was being manipulated by the Brazilian Communist Party, that he was corrupt, and that he wanted to assume unlimited power. They assured Brazilian generals that if they forced Goulart out of office, the U.S. government would back the regime that replaced it. The Johnson administration even organized Operation Brother Sam, which sent aircraft carriers, arms, and supplies to back rebel troops should a civil war breakout.

On March 31, troops marched on Rio de Janeiro to overthrow Goulart. The next day, the president flew from Rio de Janeiro to Brasília to mobilize political support against this illegal seizure of power. Realizing that he would be unsuccessful, he took his family to his ranch in southern Brazil. He wanted to avoid bloodshed, so he did not call on his supporters to resist the coup d’état. As soon as his airplane took off, the President of the Senate declared that he had abandoned his office. The President of the Senate and the President of the Supreme Court, arguing that they were following constitutional procedures, swore in Ranieri Mazzilli, President of the Chamber of Deputies, as Acting President. According to the Constitution, Congress had thirty days to choose a new president. Today everyone, except defenders of the military dictatorship, call these events a golpe de estado, the coup d’état of 1964.

In numerous cables to the White House, Ambassador Gordon argued that what happened in Brazil complied perfectly with legal constitutional procedure and totally respected democratic norms. He lobbied hard for President Johnson to recognize the new government, which he did on April 2, legitimizing the golpe and placing the U.S. government’s seal of approval on this illegal change of power that was implemented with “legal constitutional procedures.”

On April 11, the 295 members of Congress elected General Castelo Branco as President of Brazil. This completed the “democratic” transition from a legally elected government to an illegitimate military dictatorship.

Immediately after recognizing the government of Mazzilli, on April 3, President Johnson called leaders of Congress to the White House to convince them that the U.S. government was supporting democracy in Brazil. Democratic Senator Wayne Morse of Oregon left the meeting and declared to the press: “The developments in Brazil did not result from action by a military junta or from a coup by a military junta. Instead, the overthrow of the presidency of Brazil resulted from developments in which the Congress of Brazil, acting under the Constitution of Brazil, was the guiding force, and was reinforced by a military group which backed up the preservation of the Brazilian constitutional system.”

In comments to his fellow Senators later that year, Morse reiterated his conclusions: “Tonight no Senator can cite Brazil as an example of a military dictatorship, because it is not. Self-government on the part of the Brazilian people continues to proceed. If anyone thinks not, let them look at what is happening in Brazil with respect to an exchange of points of view in Parliament, in the press, and in many sources and forces of public opinion.”

A year later, in October 1965, when the military government abolished direct presidential elections, Morse came to a different conclusion. Realizing that the regime’s democratic trappings were for appearances’ sake only, he stated: “News of the seizure of dictatorial power by the Brazilian military junta marks a disastrous reversal for liberty in Latin America. What is even worse is the continuation of American financial backing of such a regime. . . . The semantics from Washington and from the Brazilian cabal, seeking to allay fears for democratic institutions in that great nation, will not fool any but those who want to be fooled.”

Many who fought against the military regime and many others who remember or have studied about its authoritarian rule have argued that the current political maneuvers to oust the democratically elected government of President Dilma Rousseff is another coup d’état. You have forcefully argued that “there is a clear respect for democratic institutions and a clear separation of powers” in Brazil today. But is that the case? Are you, like Senator Wayne Morse in 1964, perhaps being fooled by appearances of constitutional procedures and separation of powers in the impeachment process when there are no tanks in the streets and no generals heading the government?

How can there have been a democratic procedure in the Chamber of Deputies, when Eduardo Cunha, the president of that body, who entirely controlled that house, was removed from his office a week after the vote to recommend to the Senate impeachment proceedings? An appeal had been made to remove him from that position last December for abuse of power, but a member of the Supreme Court sat on the request until it was clear that Cunha had ensured that the opposition had the necessary two-third vote to favor the impeachment of President Rousseff. How many Congresspersons did Cunha and his allies buy or win over with promises to be in the new government? How can a process overseen by a person who had been indicted for money laundering and taking bribes be legitimate?

How is there a separation of powers when members of the Supreme Court make public statements about cases that are under consideration, reveal their political opinions in the media, pre-judge cases that have not yet been tried, and with this influence the public debate and political actors? Moreover, the Supreme Court has been excessively arbitrary in deciding which cases to review, taking six months to issue an injunction against Eduardo Cunha and then making a speeding decision against the appointment of Lula to a post in Rousseff’s government. These cases are examples, among many, of a perverse ways in which the judiciary has become enmeshed in politics, rather than remaining separate from it.

How can you say that there have been democratic procedures when agents of the police and justice systems selectively leaked information from the Lava Jato (Car Wash) corruption investigations to create a climate hostile to the government and its allies? Why was it an alleged charge of a misuse of a function for President Rousseff to appoint ex-President Lula as her Chief of Staff because she was supposedly shielding him from corruption investigations, when Interim President Michel Temer has appointed seven people under investigation for corruption to ministerial positions? Isn’t he abusing his power in an effort to protect his allies?

Why is President Rousseff being charged with violating the Law of Fiscal Responsibility for pedaladas, when Interim President Michel Temer did the exactly the same thing when he was acting President during times that Rousseff was out of the country? And what about her predecessors, Presidents Lula and Cardoso, who engaged in similar budgetary actions, to say nothing of at least sixteen Brazilian governors, including Aécio Neves, President Rousseff’s rival in the 2014 election.

While you did not mention it in your declarations, you also failed to point out another shortcoming in the current political situation in Brazil, namely, a situation in which there is freedom of the press (and the mass media in general) only for those who own it. Today conservative forces, which control the major newspapers, magazines, and television stations, systematically present partial reporting on events in order to influence public opinion. It is as if Fox News were to control all of the major media outlets in the United States. Fortunately, social media has served as an alternative source of information, but it doesn’t have the weight of the mainstream media.

The first week of the new government has revealed a radical new, but actually old, agenda for Brazil that intends to rollback all of the progressive social changes that have taken place over the last thirty years since the end of military rule. Those who were outraged by the fact that Michel Temer did not appoint a single woman or a person of African-descent to ministerial positions were not clamoring for tokenism. That act was not a public relations blunder. It symbolized the intent of a government. Temer blamed his allies for not provided names of women and Afro-Brazilians, in an effort to free himself of responsibility for the appointments. Yet his comments speak loudly about the nature of his allies that brought him to power and the nature of the new “democratic” government. In the first week of his governance, he has already announced that he is going to reduce social rights in the countryside and introduce cutbacks in the social security system, education, and housing, all of which will largely affect the poorest sectors of Brazilian society.

In 1964, the U.S. government was on the wrong side of history. It never apologized to the Brazilian people for supporting a military dictatorship. Now, five decades later, I fear that it is once again endorsing an illegitimate process. Those who don’t learn from history are forced to repeat it.

Respectfully,

James N. Green

Carlos Manuel de Céspedes Chair in Latin American History, Brown University

Director of the Brown-Brazil Initiative

Como nos últimos tempos todos nós brasileiros nos concentramos em demasia na questão do Impeachment da Presidente Dilma, acabamos dando pouca atenção a outras questões que correm em paralelo.

Resolvi dar minha contribuição para que o leitor possa se atualizar, tomando conhecimento de algumas notícias e fatos bizarros ocorridos nas semanas que antecederam ao Impeachment; ações de nosso Vice-Presidente (Michel Temer – hoje Presidente), do Presidente da Câmara (Eduardo Cunha – recentemente “temporariamente” afastado de seu mandato como deputado por decisão do STF), e do nosso Congresso Nacional (a voz do “povo”).
Vejam as últimas manchetes sobre estes, que buscam derrubar a Presidente Dilma Rousseff com a promessa de fazerem uma “limpeza ética” na política brasileira, e realizarem um Governo para o “povo”.

Obs: ressalto que essas notícias ocorreram antes da votação do impeachment pelo Senado. Pretendo fazer um post na mesma linha, ressaltando as notícias do pós-impeachment no Senado.

Senado_Composicao

  • GLOBO

O Globo, 19.04.2016
Cunha diz que não votará qualquer projeto enviado pelo Governo Dilma, a não ser que seja para “derrubar”
AQUI

O Globo, 26.04.2016
Temer promete aos ruralistas (Agronegócio) revisar desapropriações e demarcações
AQUI

O Globo, 26.04.2016
Eduardo Cunha foi derrotado na discussão sobre criação da Comissão da Mulher, que deveria ser adiada. Mas forçando nova votação, aprovou a criação do Colegiado
AQUI

Globo, 26.04.2016
Fernando Collor vai a Temer propor programa contra Crise
AQUI

Globo, 27.04.2016
Dilma vetou no passado, mas Câmara acelera votação do reajuste do judiciário
AQUI

O Globo, 29.04.2016
Após reprovar filha de Eduardo Cunha em exame de condução (Exame Nacional de Trânsito), em 2008, funcionário do Detran é acusado de extorsão e é suspenso. O mesmo tenta anular até hoje a punição dada em 2009
AQUI

O Globo, 29.04.2016
Documento de Temer prevê privatização de “tudo o que for possível”
AQUI

  • FOLHA

Folha, 08.04.2016
Cunha quer colocar parentes de Deputados no plenário durante votação do Impeachment, e ainda pretende evitar a presença de manifestantes
AQUI

Folha, 27.04.2016
Temer abre espaço na agenda para receber benção de Silas Malafaia
AQUI

Folha, 02.05.2016
Temer sonda Bispo da Igreja Universal para ser Ministro da Ciência e Tecnologia. (Nada melhor que alguém com a agenda mais retrógrada, conservadora e anti-científica, que trabalha com a mistificação, o obscurantismo e o charlatanismo para administrar toda a pesquisa científica do país)
AQUI

Folha de São Paulo, 02.05.2016
Bispo licenciado da Igreja Universal é cotado para o Ministério da Ciência e Tecnologia
AQUI

Folha, 02.05.2016
Em vídeo com Marco Feliciano, Michel Temer pede orações e prega “pacificação”
AQUI

Folha, 12.05.2016
Ministério de Temer deve ser o primeiro sem mulheres desde Geisel
AQUI

  • ESTADÃO

Estadão, 15.04.2016
Delator aponta propina de 56 milhões a Eduardo Cunha
AQUI

Estadão, 28.04.2016
Sem alarde, comissão do Senado aprovou PEC que derruba a legislação ambiental para licenciamento de obras públicas
AQUI

  • BRASIL 247

Brasil247, 12.04.2016
Roberto Jefferson pede a Temer linha dura com movimentos sociais
AQUI

Brasil247, 27.04.2016
Ministério Público do Maranhão pede prisão de até 29 para Roseana Sarney. Temer quer Roseana como Ministra da Educação
AQUI

Brasil247, 29.04.2016
Globo defende “reformas e ajustes” anunciados por Temer
AQUI

Brasil247, 01.05.2016
Base aliada de Temer é a mais Ficha Suja da história
AQUI

  • UOL

Uol, 25.04.2016
Bancada da Bala (armamentistas), Bíblia (evangélicos) e Boi (ruralista), que foram essenciais na votação do Impeachment, já começam a pressionar Temer
AQUI

Uol, 30.04.2016
Juíza proíbe estudantes da UFMG de discutir Impeachment de Dilma
AQUI

Uol, 03.05.2016
Câmara aprova caráter de urgência no reajuste salarial dos Ministros do STF e servidores do MPU
AQUI

  • OUTROS

O povo, 25.04.2016
Serra deve assumir Ministério da Educação em governo Temer
AQUI
(@ acabou assumindo o Ministério das Relações Exteriores, ainda mais apropriado, para um cidadão de lema: PRIVATIZAÇÃO)

Exame, 26.04.2016
Grupo de Temer quer cortes na saúde e educação
AQUI

Infomoney, 26.04.2016
Moro é eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time
AQUI

Infomoney, 27.04.2016
Ruralista, deputado Marcos Montes, vai propor a Temer mudar a Constituição para que Exército possa atuar com MST
AQUI

Pátria Latina, 27.04.2016
Temer diz que pedido de eleições diretas no caso de afastamento de Dilma é tentativa de Golpe
AQUI

Exame, 27.04.2016
Proposta de Emenda Constitucional, já apelidada de PEC anti-Lula, prevê proibição de candidatura a quem não tiver curso superior
AQUI

Revista Fórum, 28.04.2016
Em discurso contra a criação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, deputado afirma que mulheres “de verdade” não querem ser empoderadas, mas sim cuidadas. Ele ainda afirmou que feministas são mal amadas
AQUI

Expressão Sergipana, 28.04.2016
Projeto do deputado Laércio Oliveira proíbe que tempo no banheiro seja computado como horário de trabalho
AQUI

  • O que parece PIADA, mas não é

Globo, 09.05.2016
Waldir Maranhão, presidente em exercício da Câmara dos deputados federais, anula a votação do impeachment.
AQUI

Folha, 10.05.2016
Eis que misteriosamente, poucas horas mais tarde:
Waldir Maranhão revoga a anulação da sessão do impeachment
AQUI

  • Bônus: Quem tem CUNHA, tem medo – Old but gold

Temer-e-Cunha
Folha, 20.08.2015
Cunha recebeu propina por meio da Assembleia de Deus, acusa a Procuradoria Geral da República
AQUI

Pragmatismo Político, 09.10.2015
Jarbas Vasconcelos, fundador do PMDB, chama Cunha de “doente” e “psicopata”.
AQUI

Último Segundo,  04.11.2015
Bancada evangélica aprova PEC que dá à Igreja poder de questionar Supremo
AQUI

Estadão, 30.11.2015
Justiça Suíça multa Cunha por tentar criar obstáculos a investigação sobre contas
AQUI

por Miguelito Nervoltado

Imagens retiradas do Facebook e daqui, respectivamente

Impeachment

Nada tenho escrito, tamanha minha frustração e espanto com a sociedade brasileira. Parece-me em vão escrever para “analfabetos funcionais”.

Mas vou falar um pouco da mídia do país onde vivo, Alemanha.
A maior revista alemã, Spiegel, mais centro que esquerda, chama o processo do impeachment contra Dilma Rousseff de “Revolução dos hipócritas”.

Já no primeiro parágrafo eles dizem: “O Congresso brasileiro mostra sua verdadeira face. A maioria dos parlamentares não somente escolheram pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Estes parlamentares vem trazendo, através de artifícios no mínimo questionáveis, o Brasil a uma guinada para a direita”.

Lembrando que, quando um alemão fala de direita, ele não está a falar de capitalismo, EUA, etc…. ele está a falar de fascismo e nazismo.

A revista ainda lembra que a maioria daqueles que votaram a favor do impeachment, usando a palavra ética e combate à corrupção, são eles próprios políticos investigados por corrupção, enquanto contra Dilma, sendo afastada do cargo, nunca houve qualquer processo investigativo por corrupção!!!

Li nos últimos dias artigos alemães, espanhóis, portugueses (Portugal), e ingleses (EUA e Inglaterra), sempre na mesma linha.
Será que só os brasileiros não percebem a insanidade (hospício mesmo) que se passa em seu país? E pior, com a legitimação do próprio POVO!

Sequer sei como meus amigos de luta ainda têm alguma esperança. Pra mim, apesar de o brasileiro culpar a política, esta é o menor de nossos problemas. Cada um de nós é o maior dos problemas… somos reféns de uma cultura hipócrita, corrupta, individualista, mal educada, grosseira, agressiva, fútil, racista, machista, elitista, coronelista, vira-latista, e o pior, prepotente e arrogante, sendo essa última a responsável por não nos deixar enxergar todas as outras.

Será que estamos fadados ao fracasso e à barbárie eterna?

* Jornal brasileiro falando sobre o artigo da Spiegel: AQUI
* Artigo original da Spiegel: AQUI

* Artigo do The Economist, revista inglesa com orientação centro-direita, critica o processo de impeachment, e fala de cenas bizarras vistar no Congresso brasileiro: AQUI
* The Guardian, na mesma linha: AQUI

por Miguelito Formador

figura retirada do próprio artigo da Spiegel

11050667_1140171285999582_7130393729177933607_nEstamos num período agitado.
Que nos bombardeia com intermináveis informações e ao mesmo nos força a tomar partido… a nos posicionarmos… a escolher um lado…
Será mesmo?

Dentre as inúmeros textos que li nos últimos dias, um dos notáveis segue abaixo.
Exprime um posicionamento neutro e explica alguns “porquês” das convicções, dos vieses, dos ânimos exaltados.

O texto é de autoria de Vinícius Waldow e pode ser lido em seu Facebook aqui.

Como é de costume em momentos de efervescência política, a razão fica escanteada.

O filósofo Bertrand Russell escreveu: “Todo homem, onde quer que vá, vive envolto por uma nuvem de confortantes convicções, que o acompanham como as moscas no verão.”

As pessoas geralmente acreditam que a sua mente é capaz de obter uma visão precisa da realidade. Contudo, as descobertas em relação ao que se chama de “cognição motivada” colocam por terra essa crença (pelo menos, deveriam colocar).

O viés confirmatório (do inglês, confirmation bias), por exemplo, é considerado o padrão mais robusto já descoberto pela psicologia cognitiva acerca do nosso raciocínio, e consiste na tendência dos indivíduos de procurar e interpretar evidências de maneira parcial em favor das suas crenças, convicções e expectativas prévias.

O viés confirmatório faz com que tenhamos uma predisposição fortíssima de ignorar ou então criticar veementemente as evidências contrárias às nossas convicções (por mais sólidas que sejam essas evidências), bem como aceitar de modo complacente e defender de modo ferrenho as evidências favoráveis às nossas convicções (por mais pífias que sejam essas evidências).

A ideia é que a nossa mente funciona mais como um advogado tentando defender uma causa pré-definida do que como um cientista buscando desinteressadamente a verdade.

Adicione a isso um outro ingrediente bem conhecido da cognição motivada: o grupismo. Essa é a tendência dos seres humanos a se dividirem em grupos-de-dentro e grupos-de-fora (“nós versus eles”) e sistematicamente perceberem e agirem como se os membros do grupo-de-dentro fossem muito diferentes e superiores em relação aos membros do grupo-de-fora.

Agora pense sobre os efeitos que a combinação explosiva entre viés confirmatório e grupismo exerce sobre qualquer debate político.

A visão grupista é a de que o nosso lado é inteligente e dotado de retidão moral, enquanto que o outro lado é composto por burros (que estão sendo ludibriados), mercenários (que foram comprados) e safados (que ludibriam os burros, compram os mercenários e querem acabar com o nosso lado). A partir daí, o viés confirmatório faz o trabalho de avaliar todas as evidências oferecidas de modo a sempre reforçar essa visão básica.

Além de apenas observar evidências, as redes sociais hoje permitem a você criar e distribuir suas próprias evidências, com todos os viéses possíveis.

Em toda manifestação pública de grandes proporções, se você buscar e selecionar bem, vai encontrar um bom número de pessoas com as opiniões e atitudes mais estapafúrdias, grosseiras e simplórias. Filme algumas delas, faça uma boa edição de vídeo e coloque uma manchete que funcione como isca para um público já propenso em concordar, e pronto: muita gente vai obter mais uma evidência de que o outro lado é burro, vendido e safado, e implicitamente de que o seu lado é inteligente e virtuoso.

Se você estiver com preguiça, então basta criar um meme.

Trazendo para o caso concreto do Brasil, se todo petista/tucano é burro, vendido ou safado, não há porque ficar perdendo tempo com os argumentos deles: a vitória é nossa de antemão. Estereotipar e desmerecer o outro lado é um caminho fácil demais para não ter que pensar de fato sobre os argumentos contrários.

“Os petralhas só querem continuar mamando na teta do governo.”

“Os coxinhas só querem manter seus privilégios de rico.”

“E ainda tem burro que defende esses safados.”

Achar que o principal problema do Brasil consiste em um único partido ou político é uma visão extremamente simplória para um problema complexo. Quem dera a solução para os nossos problemas políticos fosse apenas tirar o PT/PSDB/PMDB ou Dilma/Aécio/Cunha do jogo. Como uma hidra de Lerna, não adianta “cortar essas cabeças”: elas nascerão de novo, com outras faces, ou com a mesma face (Collor tá aí ainda).

A solução para problemas estruturais tem de ser estrutural também. Um exemplo: já passou da hora de reformar o nosso sistema eleitoral, que recruta parlamentares com base numa política altamente personalista (em contraste com uma focada em partidos); um sistema que é nitidamente distorcido pelo financiamento de campanha por grandes empresas (a corrupção também está na iniciativa privada).

Outro exemplo é o nosso sistema de governo baseado no presidencialismo de coalizão, o qual parece tornar quase obrigatória a relação fisiológica de “toma-lá-dá-cá” que se estabelece entre os poderes Executivo e Legislativo, e isso independentemente do partido que se encontra no poder.

Kwame Anthony Appiah, diretor do Centro para Valores Humanos da Universidade de Princeton, conta que às vezes lhe questionam com o que ele trabalha, e ele diz que é filósofo. Usualmente, a pergunta seguinte é: “Então, qual é a sua filosofia?” E a sua resposta padrão é: “Minha filosofia é de que tudo é mais complicado do que você pensa.”

Enfim, o convite é esse: que tal dar uma pausa no hábito de dar retruques automáticos, estereotipar o adversário e tratar partido político como se fosse clube de futebol para encarar a complexidade do mundo?

Lembre-se que aquele você tacha de “coxinha” ou “petralha” pode ser menos unidimensional do que você.

por Celsão correto (as vezes me confundo em meus alter-egos)

figura retirada da própria publicação original (aqui)

20160104_091753Vivemos a história todos os dias.
E na Argentina, que elegeu recentemente o direitista Mauricio Macri, podemos e poderemos observá-la bem de perto.

Nos primeiros meses de governo, Macri demitiu 12 mil empregados públicos e colocou em revisão outros 60 mil contratos.
Há acusações de perseguição política por parte dos demitidos e de “Kirchnerismo” por parte da vice-presidente Gabriela Michetti.
O fato é que, mesmo que todos os despedidos sejam militantes de esquerda, demissões em massa certamente não ajudarão o político a ser popular entre os mais carentes; e tampouco auxiliarão na importante soma dos “prometidos” um milhão e meio de novos postos de trabalho. Destacando ainda que, além dos novos postos de trabalho, o empresário-direitista prometeu também “pobreza zero” em campanha.

Além das demissões e revisões contestadas, Macri revogou a lei de médios aprovada por maioria do congresso argentino em 2009. Essa lei visa limitar o controle da mídia por grandes corporações e oligopólios familiares nesse ramo.
Ou seja, o movimento neo-liberal argentino tem a princípio mais cara de ditadura que a esquerda peronista.

Pensando num mundo ideal e perfeito, o presidente Macri pode ter sucesso. Desinchar a máquina pública, movimentando os trabalhadores para a iniciativa privada, dinamizará a economia trazendo dinheiro “novo”, ao mesmo tempo que deixa leve a máquina estatal.
O primeiro problema é jogar uma massa revoltada (e, muitas vezes, de oposição) nas ruas e na Argentina. Sem ter empregos garantidos, certamente essa massa descontente irá protestar.
O segundo é que retomadas econômicas são, geralmente, lentas. Mesmo que haja retomada de confiança, muito do dinheiro investido no país durante essa retomada sera especulativo. Capital que não gera emprego.
Ou seja, investimentos no país provenientes de empresas privadas, que geram emprego, resolveriam (ou acelerariam) os dois pontos. O problema é conseguir tais investimentos num curto espaço de tempo.

trabajos_jpg_1718483346Tive a sorte de viajar para o país do “novo milagre latinoamericano” no final do ano passado.
Acompanhei ao menos três protestos diários, ora por educação, ora por empregos e melhores condições, ora pelas falhas no fornecimento de energia elétrica.
Falando nisso, talvez seja hora de admitir que admiro muitos aspectos dos “hermanos”. E as principais delas são o nacionalismo e a tenacidade/perseverance na luta.
Vi pichações na rua contra o presidente Macri, antes mesmo que as demissões fossem anunciadas (primeira figura do post).
E conversei, como de costume, com diversas pessoas sobre política e as mudanças esperadas. É curioso, pois nesse ponto há muita coincidência com as opiniões que vejo no Brasil atual.
– Os apoiadores de Macri repetem a frase “não dá para piorar”, como se corrupção acontecesse somente em governos de esquerda e como se o governo dele não fosse formado por pessoas.
– Os peronistas (simplificando a classificação), assumem que as medidas do governo não trouxeram o desenvolvimento e que houve piora industrial, com consequente “achatamento” da classe média. A “magia social” aproximou pobres da classe média, mas não deu chance para a classe média enriquecer. Alguns desafiam Macri com: “vamos ver o que ele consegue fazer!”
Algo próximo do que acontece por aqui, pois muitos dos que votaram e acreditaram no PT “abraçaram” o discurso da oposição e não mais acreditam numa retomada da economia.

17877586Retomando às ações intepestivas do Macri, ele também decidiu interromper os subsídios governamentais presentes nas contas de energia elétrica e gás. As contas aumentaram em até 300% para o gás (aqui) e 700% para a energia elétrica (aqui).
Quem será que mais sofrerá com esses aumentos? O dono da mansão ou o funcionário público recém-demitido?
O perigo de prejudicar a camada mais baixa da população no afã de re-industrializar o país é altíssimo e está sendo ignorado. E arrisco a dizer que propositalmente.
O problema dele é que o povo seguirá nas ruas, promovendo protestos e pressionando o governo.

O que você acha que acontecerá com o governo Macri?
Reerguerá a Argentina levando-a de volta ao protagonismo regional e mundial ou sucumbirá à pressão popular, trazendo de volta ao poder o federalismo de esquerda?

Qualquer que seja o resultado, será interessante também observar os indicadores sociais e as mudanças na mídia em nosso país vizinho.
Quiçá tenhamos tempo de refletir e evitemos Trumps e Bolsonaros por aqui!

por Celsão irônico

figuras retiradas daqui, daqui e de arquivo pessoal

P.S.: para quem quiser ver um vídeo-resumo interessante sobre o começo do governo Macri (em espanhol), clique aqui.

Post_MAMAssisti, ou melhor, fui brindado com a presença do Ministro Marco Aurélio Mello no programa Roda Viva.
E já quero começar dizendo que ele é contra a denominação “Ministro” para os ocupantes da cadeira mais importante do Judiciário Brasileiro. Se fosse escolha própria, ele se intitularia (simplesmente) juiz.
Gosto de posturas que simplificam as coisas, principalmente vindo da classe dos que se dizem “doutores”, sem possuir o tal título acadêmico ou exercerem a medicina

Calmo, conciso e com um português invejável, Marco Aurélio não se intimidou com a “pressão” dos entrevistadores e dos ataques a Dilma, Eduardo Cunha e ao próprio Judiciário. É até engraçado como se pode perceber ligeiros sorrisos quando as perguntas são ataques claros. A bancada, formada integralmente pela corrente oposicionista da imprensa, segue exagerando no tempo das perguntas (talvez o principal motivo de muitos terem desistido do programa), expondo a própria opinião e “conduzindo” ou “induzindo” o entrevistado a concordar com as afirmações feitas. O juiz respondeu à todas as perguntas com objetividade e imparcialidade. Algo que me assombrou, já que esperava um posicionamento dele após as recentes declarações, que tratarei mais adiante.

Quando questionado sobre a provável parcialidade do Supremo, visto que atualmente a grande maioria dos ocupantes da casa foram nomeados no governo do PT, o Ministro foi direto: “não é com a capa que se agradece”. A nomeação deve ser agradecida antes da posse, pois após ela, a envergadura da posição deve ser respeitada, deve-se trabalhar com desassombro (adorei o termo) e buscar seguir o que ele chamou de “Lei Maior do Brasil”, se referindo à Constituição.
Eu achei louvável a defesa da instituição STF em meio a afrontas gratuitas dos que querem desmoralizar todo o aparato, do Executivo à Polícia Federal. E, como também sou romântico, me emocionei com a ingenuidade e romantismo de Marco Aurélio nas afirmações de apartidarismo dele e dos colegas.

Exemplos de imparcialidade foram citados nesse momento: como a recente derrota de Dilma pelo TCU em relação às contas de 2014 (aqui pra quem não leu sobre o caso) e também a derrota de Cunha (ou da oposição) com liminares de Rosa Weber e Teori Zavascki, que suspenderam o rito de impeachment da presidente  (aqui e aqui – colando notícias de lados políticos opostos).
Com clareza e argumentos, Marco Aurélio deixou claro que muitas vezes o STF tem de julgar e decidir contramajoritariamente. Sempre que a convicção dos juízes estiver consonante com a opinião pública ou corrente política, ótimo, haverão aplausos; caso a decisão dos juízes seja diferente dos anseios e das pressões populares, a imagem do Judiciário e sua imparcialidade serão questionados.
Novamente, meu lado utópico foi agraciado com a (suposta) independência do Poder Judiciário.

Afinal, se tomarmos pela função, cada juiz do Supremo é consciente do poder que tem e o faz independente de inclinações político-partidárias. Durante o programa, polida e politicamente, o Ministro não acusou nenhum colega. Não julgou Gilmar Mendes por fazer vista a um processo por um ano e meio (quando o prazo esperado é de duas semanas), nem o colega Lewandowski que supostamente encontrou políticos secretamente.
Parêntese para assumir que o lado utópico ficou triste ao constatar que o processo que o Ministro Gilmar Mendes “bloqueou” por 17 meses diz respeito ao financiamento privado a campanhas e partidos politicos (aqui e aqui). Mas entendo o porquê da defesa aos colegas que seguem a lei ipsis litteris: não jogar o próprio trabalho aos leões.
Infelizmente, o processo de vista a ações tem o prazo indicativo de duas semanas, mas não há sanção ou punição. Ou seja, Gilmar Mendes não infringiu lei alguma; mesmo que se possa afirmar que a usou em seu favor.

Voltando ao início do programa e às declarações recentes do Ministro que citei anteriormente, o magistrado recomendou em entrevista uma renúncia tripla: presidente Dilma, vice Michel Temer e presidente da Câmara Eduardo Cunha. Como consequência teríamos o senador Renan Calheiros no posto de presidente interino por 90 dias, enquanto se convocam, ou se deveriam convocar, novas eleições (notícia aqui).
Particularmente sou contra, mas aceito a opinião dele quando expõe que as renúncias seriam melhores que processos de impeachment e que seriam uma “solução menos traumática” para sair da crise política. Aceito também a afirmação de “utópica” para a ação dos políticos citados. É notável que os poderes Executivo e Legislativo estão digladiando e “se atrapalhando” quanto a aprovação de medidas contra-crise (quaisquer que sejam elas).
Para o Ministro, se Dilma, Temer e Cunha fossem Estadistas, e pensassem na Nação, certamente renunciariam.

Marco Aurélio também comentou sobre a Lava Jato. E para a minha tristeza, afirmou categoricamente ser contra o excessivo número de prisões preventivas e de delações premiadas.
Ele acredita que as prisões só devessem ocorrer após o processo judicial “normal”, ou seja, após acusação, recolhimento de provas e julgamento justo. Criticou assim a atuação de Sérgio Moro e a não observãncia das prerrogativas para se prender previamente; ressaltando o perigo à imagem da Justiça, por exemplo, caso os réus sejam liberados antes do término das investigações.
Aqui afirmo que vibrei com as prisões, mas que ouvindo o discurso dele, percebi que podem representar “tiros n’água” caso os bons advogados de defesa encontrem meios de impugnar ou desqualificar os feitos do juiz Moro.

O Ministro ainda reconhece que os processos do Judiciário são morosos e possuem (exagerados) três níveis de apelação possíveis. Disse que recebe semanalmente de 100 a 150 novos casos, incluindo Habeas Corpus que são escalados até o STF; e comparou esse número ao de processos julgados pela Suprema Corte americana: 90 no total, com nove juízes na corte.
Só que, encima de tudo isso, declarou claramente que só uma mudança na Constituição pode alterar a situação atual. É contra os processos de “tapetão”, onde se inicia o cumprimento de pena previamente, falou de embargos infringentes, que foram aquela parte “chata” da lei aplicada no Mensalão (corretamente, queiramos nós ou não)… Enfim, deu uma aula! De postura no cumprimento da lei e de perseverança nessa tarefa.

Alias, por entrar no assunto Mensalão, abro outro parêntese para fazer um mea culpa.
Eu torcia na época por uma condenação dos envolvidos, esperando um novo horizonte para o país. Acreditava que “cortando na carne” do Governo, teríamos um exemplo irrefutável para novas condenações e para o novo rumo de “justiça para todos”, de “julgar as pessoas e não os cargos”.
Mesmo tendo minha inclinação de esquerda, exigia punições exemplares querendo ver políticos na cadeia.
Não foi o que vi. Não houve Mensalão tucano, manobras continuam acontecendo aos montes (o que dizer do sigilo imposto pelo Governador de São Paulo aos contratos do metrô? – aqui) e nada (ainda) mudou!
Sequer temos a lei da Ficha Limpa plenamente empregada!

Enfim, para finalizar com uma frase do próprio Marco Aurélio após receber um elogio: “suas palavras são um estímulo para o proceder e o bem proceder”; essa entrevista foi um belo estímulo para não julgar previamente, aceitar que as mudanças têm processos e procedimentos, e para repensar alguns pré-conceitos sobre os meandros dos três poderes.

por Celsão correto

P.S.: figura retirada do vídeo do youtube – link aqui pra quem quiser assistir

Post_30_empresas_01Listas são coisas mágicas, que nos chamam a atenção.
Se alguém publica “dez coisas a fazer para conquistá-la” ou “oito medidas importantes para conseguir uma rápida recolocação” ou ainda “quinze apps que todos devem instalar no celular”, conseguirá certamente mais acessos que “como conquistar uma garota”, “dicas simples para arrumar emprego rapidamente” ou ainda “apps imprescindíveis para seu smart phone“.
Talvez seja a falta de tempo, ou a noção de praticidade ao nos depararmos com itens, ou argumentos enumerados. Não sei. Assumo aqui que muitas vezes “caio” nessa armadilha das listas.

Foi numa dessas armadilhas que recentemente entrei em duas listas curiosas. Ambas anunciando “30 empresas”, mas com relação oposta: a primeira mostrando empresas que muito se desvalorizaram no período do governo Dilma (aqui) e a segunda com empresas que muito se valorizaram no mesmo período (aqui). Aproveitei inclusive o antagonismo do tema e das figuras que estão nos dois links para ilustrar esse artigo.

Não quero eximir de culpa o governo nem a presidente Dilma dos atuais acontecimentos.
Porém, mesmo tendo os meus problemas com o modo da política atualmente praticada por ela e pelo seu partido, tenho consciência que nem tudo o que temos passado é culpa dela. E também que a oposição enfrentaria problemas bem semelhantes, muito provavelmente.
Meu intuito é “cutucar”, mostrando que se de um lado aparece um Bradesco, valorizado durante os quase cinco anos da presidente, do outro aparece outro banco, o Santander. E, notavelmente, uma coisa que o Estado não fez (e não faz) é incomodar bancos e banqueiros.

Empresas como Petrobrás, Vale e Eletrobrás, que tiveram seu valor diminuído neste período, sofreram com o efeito direto das investigações que acontecem via Ministério Público e Polícia Federal. Afinal, mesmo não acreditando que o “valor”, propriamente dito, da empresa Petrobrás não tenha se reduzido com a investigação Lava Jato, é claro que muitos acionistas foram afugentados.
(aqui vale um parêntese: muitos investidores internacionais compraram ações da Petrobrás após a queda do valor das mesmas – aqui o exemplo de George Soros – agindo contra o esperado em nosso país)

Post_30_empresas_02Mas a OGX, a MMX e a OSX do Eike Batista, investigado por crimes contra o mercado financeiro, também estão na lista das “perdedoras”. E não dá pra culpar o Governo pelas “manipulações” do ex-bilionário. Pelo contrário; o Governo e seus órgãos fomentadores colaboraram e muito com a ascenção e queda das empresas “X”.
Outras empresas que aparecem na lista, como Gerdau e Usiminas tiveram redução de vendas, produção e de número de funcionários ligadas aos baixos preços mundiais de commodities como o aço. E isso aconteceu no mundo inteiro. Não é exclusividade daqui!

Sem entrar no mérito de quem coloca valor nas empresas e como o faz, algo passível de infindáveis discussões, empresas de distribuição de energia como a Equatorial e a Tractebel estão entre as valorizadas, mesmo com CEMIG e CPFL Energia, responsáveis pela distribuição, entre as desvalorizadas. Na mesma linha temos a TIM valorizada e a OI desvalorizada; que mesmo com alguma variação de serviços ofertados: TV por assinatura, internet com fibra óptica, pacotes empresariais… poderiam estar “surfando do mesmo lado da onda”.

Frigoríficos, como BRF, JBS e Minerva em alta. Outras empresas do ramo de Alimentos e Bebidas seguem a valorização, como M. Dias Branco e ambev. Aqui eu arrisco concluir que a ascenção social da população ajudou, logicamente com estilos de gestão diferenciados e, quem diria, também a alta do dólar, uma vez que estas empresas exportam parte de sua produção.
Sem esquecer a WEG, empresa tecnológica catarinense, também presente na lista das empresas que aumentaram seu valor de mercado nos últimos anos. Juntamente com a Embraer e outras nacionais menores, contrariaram com louvor o estigma de país agrário e exportador exclusivo de matéria-prima.
Muito aqui se deve provavelmente a “encarar a crise de outra forma”, buscar alternativas, mercados, diferenciais e também inovação.

Não sei se já buscaram na internet dicas e macetes para vender… São inúmeros os vídeos, as palestras, os “lapidadores de talentos”, usando um termo que li num destes sites; e os cursos mágicos.
Mas uma coisa que todos concordam é que atitude é um fator decisivo.

Quem já me leu e me conhece sabe que positivismo e, por que não, romantismo são minhas bandeiras!

por Celsão correto.

figuras retiradas dos links já indicados aqui e aqui

P.S.: já escrevemos bastante sobre Petrobrás e Lava Jato. Confira aqui e aqui.