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Post_30_empresas_01Listas são coisas mágicas, que nos chamam a atenção.
Se alguém publica “dez coisas a fazer para conquistá-la” ou “oito medidas importantes para conseguir uma rápida recolocação” ou ainda “quinze apps que todos devem instalar no celular”, conseguirá certamente mais acessos que “como conquistar uma garota”, “dicas simples para arrumar emprego rapidamente” ou ainda “apps imprescindíveis para seu smart phone“.
Talvez seja a falta de tempo, ou a noção de praticidade ao nos depararmos com itens, ou argumentos enumerados. Não sei. Assumo aqui que muitas vezes “caio” nessa armadilha das listas.

Foi numa dessas armadilhas que recentemente entrei em duas listas curiosas. Ambas anunciando “30 empresas”, mas com relação oposta: a primeira mostrando empresas que muito se desvalorizaram no período do governo Dilma (aqui) e a segunda com empresas que muito se valorizaram no mesmo período (aqui). Aproveitei inclusive o antagonismo do tema e das figuras que estão nos dois links para ilustrar esse artigo.

Não quero eximir de culpa o governo nem a presidente Dilma dos atuais acontecimentos.
Porém, mesmo tendo os meus problemas com o modo da política atualmente praticada por ela e pelo seu partido, tenho consciência que nem tudo o que temos passado é culpa dela. E também que a oposição enfrentaria problemas bem semelhantes, muito provavelmente.
Meu intuito é “cutucar”, mostrando que se de um lado aparece um Bradesco, valorizado durante os quase cinco anos da presidente, do outro aparece outro banco, o Santander. E, notavelmente, uma coisa que o Estado não fez (e não faz) é incomodar bancos e banqueiros.

Empresas como Petrobrás, Vale e Eletrobrás, que tiveram seu valor diminuído neste período, sofreram com o efeito direto das investigações que acontecem via Ministério Público e Polícia Federal. Afinal, mesmo não acreditando que o “valor”, propriamente dito, da empresa Petrobrás não tenha se reduzido com a investigação Lava Jato, é claro que muitos acionistas foram afugentados.
(aqui vale um parêntese: muitos investidores internacionais compraram ações da Petrobrás após a queda do valor das mesmas – aqui o exemplo de George Soros – agindo contra o esperado em nosso país)

Post_30_empresas_02Mas a OGX, a MMX e a OSX do Eike Batista, investigado por crimes contra o mercado financeiro, também estão na lista das “perdedoras”. E não dá pra culpar o Governo pelas “manipulações” do ex-bilionário. Pelo contrário; o Governo e seus órgãos fomentadores colaboraram e muito com a ascenção e queda das empresas “X”.
Outras empresas que aparecem na lista, como Gerdau e Usiminas tiveram redução de vendas, produção e de número de funcionários ligadas aos baixos preços mundiais de commodities como o aço. E isso aconteceu no mundo inteiro. Não é exclusividade daqui!

Sem entrar no mérito de quem coloca valor nas empresas e como o faz, algo passível de infindáveis discussões, empresas de distribuição de energia como a Equatorial e a Tractebel estão entre as valorizadas, mesmo com CEMIG e CPFL Energia, responsáveis pela distribuição, entre as desvalorizadas. Na mesma linha temos a TIM valorizada e a OI desvalorizada; que mesmo com alguma variação de serviços ofertados: TV por assinatura, internet com fibra óptica, pacotes empresariais… poderiam estar “surfando do mesmo lado da onda”.

Frigoríficos, como BRF, JBS e Minerva em alta. Outras empresas do ramo de Alimentos e Bebidas seguem a valorização, como M. Dias Branco e ambev. Aqui eu arrisco concluir que a ascenção social da população ajudou, logicamente com estilos de gestão diferenciados e, quem diria, também a alta do dólar, uma vez que estas empresas exportam parte de sua produção.
Sem esquecer a WEG, empresa tecnológica catarinense, também presente na lista das empresas que aumentaram seu valor de mercado nos últimos anos. Juntamente com a Embraer e outras nacionais menores, contrariaram com louvor o estigma de país agrário e exportador exclusivo de matéria-prima.
Muito aqui se deve provavelmente a “encarar a crise de outra forma”, buscar alternativas, mercados, diferenciais e também inovação.

Não sei se já buscaram na internet dicas e macetes para vender… São inúmeros os vídeos, as palestras, os “lapidadores de talentos”, usando um termo que li num destes sites; e os cursos mágicos.
Mas uma coisa que todos concordam é que atitude é um fator decisivo.

Quem já me leu e me conhece sabe que positivismo e, por que não, romantismo são minhas bandeiras!

por Celsão correto.

figuras retiradas dos links já indicados aqui e aqui

P.S.: já escrevemos bastante sobre Petrobrás e Lava Jato. Confira aqui e aqui.

PostCorrelaçõesRecebi via WhatsApp (em tempos de hoje, também um bom meio de comunicação e diversão), uma interessante artigo sobre correlações estatísticas.
Os homens já se acostumaram a isso: em transmissões de futebol, quando há pouca ação por parte dos jogadores, comentaristas e repórteres entram para “entreter”, dizendo algo aleatório, quase sempre relacionado a correlações estatísticas. Quando há algo relevante e atrelado a causalidade, ótimo. Por exemplo: “O Flamengo não vence uma partida em Minas Gerais há oito anos” ou “O Atlético ainda não perdeu jogando em casa nesse campeonato”. Mas como falta assunto, as estatísticas espúrias aparecem… “O Figueirense tomou 80% dos seus gols a partir dos 30 minutos do primeiro tempo” ou até “A seleção brasileira nunca perdeu para equipes africanas jogando competições oficiais no continente europeu” (!).

As correlações ditas espúrias, mostram estatísticas que nos brindam com verdades mascaradas; quer seja para ludibriar diretamente ou para fazer parecer que alguma ação tomada surtiu efeito. Dentre as correlações apontadas na matéria (aqui), além da figura deste post, estão outras que “brilham” de tão absurdamente aleatórias!
“Quanto menos filme Nicolas Cage faz em um ano, mais gente morre em acidentes de helicóptero nos Estados Unidos” ou “Quanto menos se produz e vende mel nos mercados, mais jovens são apreendidos por porte de maconha nos Estados Unidos”.

O que nosso Brasil e principalmente nós temos a ver com isso?
Ora, dizer que a redução da velocidade das marginais reduziu em 25% ou 30% os acidentes, pode apresentar uma correlação dessas… Alguém se perguntou o que é definido como “acidente”? Existiram outras campanhas em paralelo de redução de vendedores ambulantes na marginal (que são as principais vítimas de atropelamentos)?

Outro exemplo é dizer que uma maioria de deputados e senadores estreantes traz renovação, novas ideias e novo fôlego para o Legislativo. Era de se esperar, pela lógica, que ao menos os “vícios” dos anteriores não fosse “carregado” pelos recém egressos. Mas sabemos que trocar por grupos específicos e bancadas já comprometidas com sua “turma” de ruralistas ou evangélicos pode ser ainda pior que manter as mesmas figurinhas.

Também gostaria de destacar a alta récorde do dólar. Obviamente a redução do poder do real como moeda, influencia bastante a nossa economia; principalmente após reduções consecutivas do poder da indústria nacional, que poderia exportar máquinas e equipamentos para contrabalancear o efeito. Mas daí a apontar a alta do momento como histórica sem considerar inflação e correções em ambas as moedas é forçar o povo a acreditar no fundo do poço… Aqui e aqui separei matérias (uma delas inclusive com vídeo) que descrevem o erro propositalmente alastrado.

Não menos importante é correlacionar diminuição da maioridade penal com diminuição direta de crimes. Certamente as estatísticas já estão prontas para apontar que esta foi a melhor solução para o problema da violência…

E não para por aí… Dizer que um governo de direita trará desenvolvimento e impulsionará a indústria nacional e que um governo de esquerda promoverá distribuição de renda e programas sociais é uma simplificação perigosa. O primeiro pode se focar em atrair investimentos puramente especulativos (bem como o segundo, infelizmente) e esquecer de fomentar as empresas locais; da mesma forma que um governo mais a esquerda pode cortar gastos com educação e programas sociais antes de cortar financiamentos a empresas e antes também de aumentar os impostos para banqueiros, por exemplo.

Meu recado direto é: desconfie! Buscar informações para entender se os números foram “forçados a dizer o que precisa ser dito” é importante; afinal, a estatística e a contabilidade podem ser usadas para o mal.

por Celsão correto.

figura retirada da matéria da Folha (aqui). Matéria original em inglês aqui.

pirata_downloadMuitas vezes tenho ideias tipicamente utópicas e impraticáveis, classificáveis como “revoltadas”, se tomarmos o pensamento linear da maioria.
Nesse post eu reuni quatro delas discorrendo rapida- e rasamente sobre os possíveis efeitos benéficos das ideias.

1) Redução da taxa de juros para 5% ao ano.
Aqui a proposta é quase uma aposta com o empresariado e com os “especialistas econômicos” que pregam que o aumento da taxa básica de juros freia o desenvolvimento e só atrai capital especulativo.
Não há como negar que juros altos direcionam os investimentos para os bancos e não para a produção industrial; mas ao mesmo tempo muitos defendem que um controle eficiente da inflação se dá através da redução de demanda, e esta é bem efetiva com aumento de juros. Ou seja, há uma “escola” na economia, uma “doutrina”, que defende os juros altos para manter a inflação em patamares razoáveis; além de outros pontos, como a manutenção de reservas em dólar (ou noutra moeda forte)
Minha ideia para o governo é “radicalizar”, reduzindo a taxa por um período de teste (de seis meses por exemplo), vinculada ao aumento da atividade industrial e consequente redução dos lucros bancários.
Os empresários não reclamam que os juros altos os atrapalham? Veremos como se saem com eles a quase um terço do valor atual!

2) Impostos para as montadoras proporcionais à margem aplicada
O setor automotivo está entre os que mais reclamam dos “altos impostos” e é o primeiro a demitir numa crise.
Algo inédito para eles são promoções. Não aquelas onde um ano de garantia é dado, sempre dependente de caras revisões nas concessionárias, ou aquelas em que um jogo de tapetes, um rádio ou a pintura metálica são oferecidas. Nunca vi uma real redução de preço, promoção daquelas comuns no comércio ou em linhas de produtos, como eletrodomésticos.
Proponho uma diminuição dos impostos incidentes nos veículos. Mas proporcional ao lucro obtido na venda.
As montadoras abrem a planilha de custos para o governo, sem máscaras, e quanto menor a margem, menor o imposto (ex. IPI) a ser recolhido. Uma mão lavando a outra!
Uma segunda “etapa” poderia taxar proporcionalmente os lucros dos banqueiros…

3) Redução verdadeira de cargos comissionados
Quando o governo fala em redução de gastos, sabe que há um limite para isso e sabe também “onde” é possível se fazer a redução.
Muitos órgãos, como os ministérios, tem 75% dos gastos com folha de pagamento. E a grande maioria dos empregados passou por concurso público e não pode ser demitida sem justa causa. Ou seja, não é puramente reduzindo o número de ministérios e ministros que surgirá a desejada redução de gastos públicos.
Obviamente as despesas de gabinete, viagens, carros, etc., serão sempre proporcionais ao número de ministros e, sim, serão reduzidas. Mas não o suficiente.
Proponho a redução drástica no número de funcionários indicados, os chamados “comissionados”. Algo como 50% ou eventualmente mais. Manteria apenas alguns especialistas, essenciais ao funcionamento das pastas. Demitir mil num universo de 120 ou 140 mil sequer elimina os “encostados”…

4) Teto para as aposentadorias
Ué… Mas já não há teto nas aposentadorias?
Sim, claro. Para a iniciativa privada.
Porém militares, juízes, políticos e até professores universitários têm sua aposentadoria integral, não importando o valor calculado no momento da aposentadoria. Daí vêm valores absurdos, acima de R$30mil, que oneram a previdência e premiam uma pessoa que já acumulou em vida bens e valores suficientes para desfrutar o merecido descanso.
Pode parecer radical e “esquerdista” demais, mas “um teto para todos” (parodiando um programa social) é ao meu ver o mais justo e algo que daria fôlego ao sistema vigente.
“É um bem adquirido! É algo imutável…” – podem dizer alguns.
“Lamento. Mas acaba hoje!” eu responderia. E poderia até completar romanticamente “para o bem da Nação!”

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

discurso“Ainda há muito espaço para criar gado no Brazil”
A frase foi dita numa conversa corriqueira, sobre preços, crise e situação do Brasil. Antes da afirmação do colega, eu havia dito que o gado já se tornara uma “praga”, que requeria muito espaço e que era contra a expansão da criação em prol de duas ou três empresas que lucram atualmente com a pecuária.
“Viajei para Chapecó esses dias, e daqui até lá há um sem-fim de terras inexploradas” (estávamos em Criciúma)
“Mas será que vale mesmo a pena usar essa terra toda para criar boi ou plantar soja? Queremos ser puramente exportadores de alimentos?” – perguntei.
Antes disso já havíamos falado sobre a difícil situação de mercado de empresas de autopeças e dos fornecedores de máquinas para estes; concluímos juntos, para minha surpresa, que fosse qual fosse o partido no governo, a situação não seria outra.

Eis que fomos interrompidos, por um dos participantes daquele almoço, interpelando uma mulher que passava entre as mesas, perguntando-a sobre a verba da obra do CAEP (foi uma sigla que não entendi, significando um centro de detenção provisória para menores).
Por não conhecer o assunto e estarmos numa mesa com outras seis pessoas, não me foquei aos detalhes, mas me atentei à frase seguinte.
“Devia é matar os delinquentes ao invés de prender!”
E outras como; “Viram que há menores aqui que já mataram oito, dez pessoas?” ou “Os vagabundos gostam da cadeia, pois são bem tratados, tem comida, local para dormir…”
A mulher alegou que não acreditava na melhora do cenário através da diminuição da maioridade penal, fazendo visível cara de descontentamento às afirmações de violência e descaso.
“Mas é muito dinheiro empregado nosso numa causa perdida. Não há recuperação!” – afirmava com veemência o mais “problemático” dos companheiros de mesa.
“E se os menores trabalhassem?” Tal frase criou um frenesi entre os presentes, que concordaram em ocupar presos adultos e juvenis. Lavoura, estradas e até as minas locais foram citados como exemplo.
Eu não sou contra, embora acredite que os menores possam ser treinados ou preparados profissionalmente. Sequer consegui colocar meu argumento. A senhora pagou e saiu, enquanto nosso interlocutor efusivo, falava sobre os prodígios dos EUA.

“Viram como a Colômbia está crescendo? É graças à intervenção americana lá. Eles estão acabando com as FARC, com a violência e há crescimento.”
Meu lado mais esquerdo coçou e, enquanto começava a montar na cabeça alguns argumentos, ele seguia.
“A Venezuela está uma bagunça. O Maduro e o PT acabaram com o país!”
Achei divertido a correlação, mas ainda tinha dúvidas se a pessoa tinha conhecimento ou só raiva.
“Por exemplo, os EUA poderiam ter invadido Cuba e acabado com a ditadura e o comunismo de lá se quisessem. Se eles entrassem na Venezuela, resolveriam o problema. E a Venezuela tem algo que os Estados Unidos querem: petróleo!”
Hein?!? Resolveriam o problema ou derrubariam o governo tomariam o petróleo que não é deles?
“Na Síria e Líbia, a situação está bem ruim, depois que o Kadafi caiu…”
“Mas quem colocou o Kadafi e outros ditadores africanos no poder?” atravessei perguntando, para tentar entender onde os argumentos nos levariam.
“Os Estados Unidos!”
“Ufa!”, pensei comigo mesmo aliviado e sorri restaurando a calma. “Não preciso mais levar o cara a sério…”
E, enquanto ele seguia explicando aos demais os excessos do ditador, que montou uma tenda numa conferência da ONU e só colocou mulheres como guardas, apareceu fardado e armado (segundo ele) na reunião principal, montei na mente uma série de perguntas cujas respostas não seriam tão diretas e não trariam sorrisos tão fáceis.

– O que faz a ditadura do Kadafi melhor que a ditadura cubana?
– Você tem ideia dos números sociais dos países do norte da África? Como IDH, educação, liberdades como cidadãos.
– Acha mesmo que os EUA intervêm num país ou governo em prol da liberdade, ou da população?

Respeito as pessoas de direita, que acreditam no capitalismo “romântico”, onde o desenvolvimento traz automaticamente uma “melhora geral”, pois coloca o dinheiro nas esferas superiores e estas “necessitam” das outras esferas para prestar serviços, quer sejam diretos (empregados, segurança) ou indiretos (o consumo emprega em lojas, restaurantes, shoppings)
Mas não consigo respeitar os que criticam a corrupção, mas assumem que fariam o mesmo se tivessem o poder; argumentam contra a distribuição de renda simplesmente porque os pobres agora têm smartphones ou carro zero e acessam os mesmos espaços antes restritos, como Cabo Frio ou Shopping JK.
Não dá pra analisar um assunto sob duas óticas distintas, usando sempre os argumentos mais interessantes naquele momento.

O almoço terminou e cada um seguiu o seu caminho. Por não sermos próximos, fiquei satisfeito por ter “segurado minha onda”, mas não resisti em “plantar” minha opinião no papo seguinte, durante a carona pro aeroporto, com um dos presentes.
Só recebi afirmativas concordando comigo…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

 

post_dilemasComo clamar por desenvolvimento e crescimento, sabendo que ele não é sustentável?
Todos pedem isso atualmente. Dizem que a saída da crise é a retomada do crescimento, é um novo ciclo de industrialização, de ganho de produtividade; que só diminuindo o desemprego e a informalidade, atingiremos verdadeiramente os índices buscados.
Ora, sabemos que o mundo é finito (aliás, bem finito). E que já o estamos degradando muito mais do que ele próprio consegue se recompor/refazer. Há muito tempo, relatórios da ONU alertam para o excesso de desmatamento, aumento de temperaturas globais, diminuição das reservas de água potável, entre outros problemas; trazendo todas as consequências, como diminuição de geleiras, aumento de tornados, desertificações, extinção de espécies…
Como seguir produzindo, por exemplo, automóveis em São Paulo?
Mesmo sabendo que ainda há demanda, que mais e mais pessoas alcançam este “benefício”, sei também que a cidade não está preparada, que não há zoneamento urbano eficiente, que os deslocamentos são cada vez maiores. Tudo leva a crer que a cidade vai “travar” em congestionamentos e saturar-se em monóxido de carbono!
É extremamente difícil pra mim querer o crescimento capitalista, sabendo que ele destruirá o planeta.

No outro lado, como fazer para me alegrar com a diminuição da igualdade e direto aumento de consumo, por exemplo, de carne vermelha nas famílias brasileiras?
Mais carne consumida no mundo, significa mais gado engordando, que precisam de bastante pasto e que geram desmatamento e gases de efeito estufa. (isso mesmo! O gado é o maior vilão das emissões brasileiras de efeito estufa!)
Como querer a evolução das empresas nacionais de carne bovina e de outras carnes processadas e o aumento das exportações se isso pode levar ao aumento do desmatamento?
Mas, com o Congresso atual e sua grande bancada “ruralista”, certamente seguiremos firmes na expansão dos números do setor de alimentos e bebidas, um dos poucos que seguem crescendo neste ano de “crise”.
Mas… meu dilema está em buscar o melhor pra população e para o planeta ao mesmo tempo… Sempre relembrando Malthus que, além de sua teoria demográfica de aumento de população descolada do aumento necessário de produção alimentícia, pregava que: “qualquer melhoria no padrão de vida de grande massa é temporária, pois ela ocasiona um inevitável aumento da população, que acaba impedindo qualquer possibilidade de melhoria“.

Pra finalizar, queria falar sobre a geração e o consumo de energia elétrica.
Somos o país desenvolvido com a maior porcentagem de energia “limpa” e renovável. Se não me engano, cerca de 80% da energia que geramos vem de fontes hídricas. Nossa Itaipu foi durante muito tempo a maior usina do mundo.
Mas agora, prestes a inaugurarmos Belo Monte, percebe-se que não há meio mais economicamente viável que seguir com as hidrelétricas, que, infelizmente, devem ser construídas na Amazônia, última “fronteira” inexplorada deste tipo de energia.
Oras, como negar aos usuários recém integrados ao grid, à rede de energia elétrica brasileira, o direito a uma TV? A um chuveiro elétrico, ou secador de cabelos? A ascenção social trouxe essas possibilidades, “abriu” o mundo antes inimaginável a brasileiros invisíveis. Mas… qual o preço que pagaremos por isso?
Será que queremos mesmo seguir o caminho da industrialização ininterrupta? De produzir bens de consumo para que as pessoas sigam desejando consumir? E, consequentemente, precisarmos de mais energia elétrica e mais devastação sem compensação?

É claro que os temas como: eficiência energética, reflorestamento, fazendas verdes, produção controlada e fontes de energia renováveis podem ser argumentos contra os dilemas discorridos aqui.
Mas são assuntos que tornam ou a produção mais custosa, ou mais trabalhosa/burocrática, e não interessam à grande maioria das empresas; ou seja, só funcionariam com muita pressão governamental.

Como sugestão, mais de reflexão que de solução para os problemas, deixo duas perguntar para concluir este post já repleto de interrogações:

– E se para comprar um carro novo as pessoas tivessem de levar o dobro do peso em materiais reciclados à montadora? (um Uno zero poderia custar R$15.000,00 e mais 300kg de alumínio, 200kg de plástico e 100kg de papel ou tecido)

– E se o governo investisse em energia eólica e solar no Brasil como investiu no pró-álcool na década de 70? Bancando mesmo o programa do próprio bolso e financiando uma parcela da diferença de tarifa? Será que a população toparia gastar mais em energia “verde”? Será que entenderia um endividamento do Estado em prol de algo tão nobre? Certamente não hoje em dia. O fato é que em alguns anos (talvez) não precisaríamos mais das usinas termelétricas a óleo e nem das futuras usinas no Rio Tapajós…

por Celsão correto

figura retirada do vídeo Story of Stuff ou História das Coisas onde a ambientalista Annie Leonard explica como funciona o sistema linear do capitalismo e os efeitos no planeta. Link para uma versão do youtube legendada em Português aqui

Frankfurt_Protest_04

Um dos males do povo brasileiro: Achar que vive sozinho, isolado do resto do planeta.

Em Frankfurt na Alemanha (fotos), cerca de 17.000 protestantes de diversas ideologias e “tribos” (inclusive Black Blocs) foram às ruas, na quarta-feira, dia 18.03.2015, protestar contra o sistema capitalista e a crise na Zona do Euro, com foco nas políticas do Banco Central Europeu. Frankfurt_Protest_02Os protestos ocorreram, em boa parte, de forma agressiva, com manifestantes depredando patrimônios privado e público, quebrando vitrines, ateando fogo em veículos (inclusive da polícia) e lojas, e com confronto entre civis e policiais.

A polícia teve que usar bomba de gás, canhões de água e cassetete. Os manifestantes usavam pedras e coquetel molotov. Centenas de pessoas foram detidas. Mais de 100 manifestantes, e quase 100 policiais ficaram feridos.

Frankfurt_Protest_01O fato é que, existe uma crise no sistema vigente, e o Brasil não é uma ilha. Até na Alemanha, país mais estável e desenvolvido da Europa, os ânimos estão à flor da pele. A economia da Alemanha desacelerou, tendo crescido, desde 2009, a uma taxa média de 0,7% ao ano, bem menos que a média de 2% do Brasil no mesmo período. O desemprego começa a subir, com grandes empresas fazendo demissões em massa. A sociedade se divide num debate sobre as possíveis soluções para a Zona do Euro. Já se estuda cortes de direitos dos trabalhadores. Ideologias e movimentos fascistas ganham força, e cada vez menos, estrangeiros e refugiados são bem recebidos, não só na Alemanha, como em toda Europa ocidental.

Frankfurt_Protest_03A diferença é que, na Europa, há realmente uma grave crise do Sistema Político-econômico-social e, segundo previsões de especialistas e intelectuais, é um sistema em decadência e a Europa vive um período de transição, onde muito está indefinido.

Já no Brasil, essa crise é principalmente induzida por interesses políticos de grupos que sempre tiveram enormes privilégios em nossa sociedade e viram seus privilégios serem levemente ameaçados ao longo dos últimos anos. E claro pelo clamor da Grande Mídia que pinta um cenário de caos para tentar desconstruir o Governo. Isso gera um pessimismo generalizado, o que resfria a economia, e causa sensação de insatisfação, principalmente com o Governo. Frankfurt_Protest_05E se a crise ainda não existe, é só questão de tempo para ela chegar.

Keynes e tantos outros estudiosos das sociedades e da economia já explicaram os efeitos deste pessimismo. Isso é estratégia conhecida, e pelo que pudemos perceber nos últimos dias, é eficiente.

por Miguelito Formador

Ps.: Clique aqui para uma das notícias da mídia alemã 

Ps2.: Notícia que mostra que o Brasil manteve recentemente seu grau de investimento avaliado pela Standard & Pools, ao contrário do que especulavam aqueles que querem gerar a crise, que diziam que seríamos certamente rebaixados. Clique AQUI
Mais uma prova de que nossa crise é, antes de mais nada, política. 

Imagens daqui e daqui

 

 

 

Miguel_CelsoCelso opa. Boa tarde pro senhor!

Miguel – Bom dia pra você, mano

Celsocomo você está hoje? Viu o pronunciamento da Dilma ontem (08.03.2015)?

Miguel – ainda não vi. tem um link aí?

Celsojá te passo o link.
ontem fiquei decepcionado. depois que você assistir, te explico os porquês
https://www.youtube.com/watch?v=2VrhIITgVQc
a qualidade não está boa, mas acho que consegue acompanhar…

(…)

Miguel – manda aí sua análise sobre a entrevista
ops, pronunciamento

Celsoeu acho que ela perdeu a chance de comentar sobre temas cascudos
tipo a lista do lava jato
eu proporia o afastamento dos envolvidos enquanto as investigações estivessem em curso
falaria de reforma política
e das outras, lembrando aquela declaração bacana dela anos atrás, durante/após as manifestações de junho (link de publicação nossa aqui)
ela estava a muito tempo “escondida” devido a baixa popularidade
daí decidiu aparecer com a “desculpa” de dia das mulheres
mas falou em classe média (pra fazer média) e omitiu os pobres
e falou difícil com termos de “ajuste fiscal”, ao invés de citar os casos reais
e talvez ganhar pontos com a classe média/brasileiro mediano
fiquei chateado, pois acho que ela perdeu uma bela chance

Miguel – eu sinceramente, nem palpito mais nisso
não sei qual a melhor estratégia de comunicação
tipo, em alguns exemplos que você deu, acho que se ela fizesse isso, pioraria ainda mais
sugerir afastamento de Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Fernando Collor, Anastasia, e os 450 envolvidos do PP, acabaria de vez com qualquer tipo de apoio que ela tenha dentro de sua base

Celsomas mano, se ela já está “impopular”, pioraria o que?

Miguel – PP e PMDB são coligados, apesar de sabermos que eles se dividem ao votar contra ou a favor o governo
Eduardo Cunha por exemplo é oposição ao Governo

Celsomas ganharia apoio popular

Miguel – Ganharia mesmo, Celso??? Ganharia apoio de quem?

Celsonão. está certo

Miguel – Você ainda tem esperança que a classe média vai apoiar a Dilma, dependendo do que ela falar?

Celsoo apoio popular, na minha citação ou meu caso, é o da “minha elite”. povo que se informa e ainda espera alguma coisa dela.

Miguel – mas…. sugerir afastamento dos caras, iria piorar a situacao dela dentro da Governabilidade

Celsoenfim…

Miguel – calma pô

Celsotenho esperança pois sou tonto

Miguel – tô te questionando

Celsoeu sei. Estou calmo

Miguel – não desista. eu não tenho certezas.
só dúvidas
é disso que to falando
você diz que ela talvez ganhassse apoio de uma parcela da população
eu desconfio muito disso

Celsomas aparecer pra “não falar nada”, só municia a oposição

Miguel – concordo. falar, ou não falar, essa é a questão.

Celsoacho que pouco a pouco ela perde ainda mais apoio/suporte. Eu e alguns dos que conheço, preferiria ver um posicionamento firme (e criticar depois os meios pra chegar nisso) do que posicionamento algum

Miguel – acho que a parcela anti-PT já é uma parcela perdida
o ódio só aumenta. faça a Dilma o que fizer, fale ela o que disser
pois se não falar, a galera cai matando (sumiu, tá com medo, bla bla bla)

Celsolembra daquele discurso das reformas?
pois é… jogue pro Congresso a responsa

Miguel – ela fala, a galera cai matando
lembro

Celsoé sofrido ver ela se afundando nas próprias palavras

Miguel – bom, eu acho que ela poderia ter seguido outros caminhos no discurso, não esse de sugerir afastamento, mas pegar outros pontos, que mostrassem para a população que ela quer evoluir com reformas, mas sem dar porrada no legislativo

Celso a dúvida é: foi ela que escreveu ou alguém do comitê

Miguel – cara…

Celsomeu primo e tio acham que foi ela, que ela não aceita pitacos. Eu acho que não foi ela

Miguel – certamente foi alguém do comitê, penso. Um assessor.

Celso – ela é inteligente pra cair num negócio “auto-fuck” desses

Miguel – mas, as palavras mal escolhidas com a lamentável oratória, transforma um discurso numa catástrofe.
não sei. só suponho

Celsoeu também suponho
certamente, num momento delicado desses, qualquer um sairia mais fragilizado
Aécio, Lula, FHC
a questão é: ganhar pontos com alguns ou perder com todos
mas sou muito radical nesse sentido. Não sei fazer política “do jeito certo” e “com as pessoas certas”.
mas aprendi que a verdade é a melhor maneira de dar uma notícia ruim

Miguel – o que me deixa louco é o seguinte: penso que a classe média média e a classe média alta sejam casos perdidos…. essa galera só aliviará o ódio a médio-longo prazo se houver uma diminuição do bombardeio da mídia e da oposição política. Então, a curto prazo, a Dilma só tem os pobres e os esquerdistas. Dos pobres ela tá cortando benefícios, elevando juros, aumentando bens de consumo e impostos….. isso não agrada os pobres. Para os esquerdistas, ela tá chamando ministros conservadores, e fazendo políticas de austeridade, que, numa primeira impressão, assusta….
Então, com isso, ela não conquistará os que já não gostam dela, e está afastando sua base de apoio popular

isso sim me entristece

Celsosim. O lance dos ministros e da “abertura” do espectro dos aliados é de doer

Miguel – mas…. entendo que a situação seja extremamente complicada, são muitas forças que brotaram, tentando empurrar o Brasil para vários lados, e no meio disso, tem lá “nós”, utópicos sonhadores….

Celsofoi um balde gigante de água fria

Miguel – se o Governo ficar o bicho pega, se correr o bicho come
para sair dessas armadilhas atuais, tem que haver jogadas geniais

Celsosim, deveria ter um cara phoda, estrategista do exército pra fugir dessa

Miguel – tanto políticas, quanto econômicas, quanto de comunicação, quanto de parcerias e coligações, etc

Celsoenfim… muito a discutir. E um horizonte não muito bom, dada a crise, a pressão sobre o governo só tende a aumentar

Miguel – eu tenho uma esperança
uns doentes super-estimarem seus poderes, uns militares de direita + um Aécio e PSDB da vida + convencerem uns americanos estrategistas que esta na hora do golpe + os loucos varridos da classe média se juntarem e tentarem um golpe, ou uma paralisação forte

algo que gere violência, atentados, com mais caos que em 2013

Celsoessa é sua esperança?

Miguel – e aí, minha utopia: o Governo decretar Estado de Sítio, e aproveitar para voltar às origens do PT, lançando mão de seu lado mais de esquerda

Celsoah tá

Miguel – prender os golpistas
dissolver temporariamente o Congresso

Celsobeleza. Entendi. Sabe o que penso sobre dissolver o Congresso. Resolveria vários problemas…

Miguel – Daí fazer reformas (midiática, política, tributária, agrária)
e pronto, restitui o congresso de novo após alguns meses
país novo

Celsodissolução, deixar as fronteiras livres pra galera que quiser sair do país e mudar o modo de governar
aí vira do povo e pro povo
mas… haja utopia!
vou colar esse texto num post. O que acha?

por Miguelito Nervoltado e Celsão revoltado

circulo vicioso_modificadoSaiu na semana passada uma nova previsão do crescimento do PIB no Brasil.
Agora, segundo economistas, teremos um crescimento pequeno, semelhante ao de 2012, de pouco menos de 1%. Atrelado a esse crescimento, está a previsão de “aumento” da inflação, que deve ficar no topo da meta do governo, em 6,5%.
(pra quem não sabe, o governo federal tem uma meta de inflação a cumprir, de 4,5%. Essa meta admite uma flutuação de 2%, ou seja, pode ficar entre 2,5 e 6,5% – informações da Wikipedia)

É a nona “queda” seguida desta previsão nesse ano. Mas como voltar a subir, se entramos num ciclo vicioso de desconfiança na economia?

Quero colocar uma estorinha com minha impressão sobre tais previsões e estimativas…
– Um escritório conceituado de estudos econômicos ouve que duas fábricas estão fechando no país
– Sem saber dos detalhes da ação, deduzem que haverá decréscimo de produção naquele setor da indústria
– Uma redução na indústrias faz com que empresas da cadeia (fornecedoras ou consumidoras) desistam de expandir, de investir
– Os empresários que “aplicariam” em capital produtivo, geração de emprego, etc., aplicam nos bancos, capital especulativo
– Sem produção não há oferta e o preço sobe
– Aumento de preço faz com que o público pare de comprar (pensando em mercado interno)
– Sobras de produção, pressão no governo para reduzir impostos e taxas e estimular o consumo
– Os que podem consumir não pararam, mas a redução de taxas não causa um aumento significativo do consumo e há demissões
– As demissões geram mais encolhimento em setores industriais e os índices voltam a cair…

Muito pode ser melhorado nesta análise simplista, obviamente. E muitos erros podem ser apontados em pontos específicos da minha análise.
Por exemplo, deduzir redução de produção industrial com o fechamento de fábricas, antes que a redução em si ocorra, é ignorar as leis de mercado. Muito provavelmente haverá mais oportunidades em outra empresa com o aumento da demanda deixada pelas empresas que sairam.
E, para determinados setores, como o automotivo, pouco importa se as vendas caem. A margem de lucro não pode cair! E é responsabilidade do governo (leitura deles) re-estabilizar a balança e assegurar os empregos e, consequentemente, os mercados consumidores.

Por outro lado, se tomarmos alguns dos nossos pontos mais frágeis não há solução no curto prazo… Sem educação não há facilidade pra recolocação de pessoas demitidas; sem incentivos para o empreendedorismo não surgem novas empresas; com a desindustrialização, insumos necessários passam a ser importados, quebrando toda a cadeia; há concorrência desleal sem proteção de mercado contra bens produzidos na China; sem construtivismo na política não se discutem ideias e alternativas, há apenas crítica.

É curioso, mas o jornal Valor Econômico divulgou há um mês que 46% das empresas brasileiras planejam ampliar investimentos em máquinas e equipamentos nos próximos meses (aqui). E expansões, construções de novas unidades estão nos planos de um quarto das empresas, segundo a mesma notícia; números muito maiores que os observados em países desenvolvidos, ou mesmo nos BRICs. Como pode? Será que o empresariado está na contra-mão do que pensam os especialistas? Ou será que há um certo “exagero” no pessimismo/conservadorismo gerando esse ciclo-vicioso?

Mas o que mais me aborrece com essa estória são as pessoas, muitas delas instruídas, que alimentam a especulação, que compram dólares “antes das eleições, pois… vai saber né?”, que preferem e optam por produtos importados quando há similiar nacional, gerando emprego e renda aqui, que criticam o país e reforçam a máxima de “Made in USA” (embora pouco não venha da China atualmente). Ouço de pessoas próximas que “ano de eleição não é ano para gastos. É ano para se preparar, pois algo pior pode vir” ou mesmo “vou gastar tudo o que tenho agora, comprando via internet em dólar, pois com inflação não mais farei isso”.

Não estou dizendo que a política monetária e econômica do país é perfeita. Quisera eu poder avaliar com propriedade e de forma contundente a taxa Selic, a nossa burocracia, as reservas em dólar, os empréstimos do BNDES; ou ter total transparência e ingerência sobre os gastos públicos.
O que quis expor aqui é o fato que, muitas vezes, nós mesmos retro-alimentamos a “máquina” da desconfiança, o ciclo vicioso do medo da inflação, terror da economia Brasileira…

por Celsão correto

figura: montagem a partir daqui

Leonardo_BoffUm dos mais conhecidos teólogos do Brasil, Leonardo Boff é um nome atualmente aclamado em todo o mundo. Aos 75 anos, Boff é um intelectual, escritor e professor premiado e respeitado no país, cuja opinião é ouvida por personalidades com o Papa Francisco e os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Já o acompanho e leio suas ideias há um bom tempo. Dificilmente tenho algo a criticar sobre o que ele diz, normalmente é impecável aos meus olhos. Pensador que possui muita sanidade, honestidade intelectual, sabedoria, bondade, vasto conhecimento, e muito, mas muito senso de justiça.

Nesta entrevista, porém, Boff se supera. Ele consegue, em poucas linhas, tratar laconicamente, mas nem por isso sem eficiência e/ou sem didática, de diversas questões que parecem, aos olhos de muitos, não estarem conectadas, mas na verdade muitas delas se encontram e se influenciam, direta- ou indiretamente, muitas vezes num jogo de “causa e efeito”.

Entre os assuntos tratados por ele estão: pobreza e riqueza, ética social, sistema capitalista selvagem baseado na especulação financeira, política no Brasil, PT e Dilma, candidatos e partidos de oposição, avanços sociais obtidos nos últimos anos e o que ainda falta para o povo. Fala ainda da igreja católica e cristã, passando por Jesus Cristo e chegando ao momento atual da Igreja Católica com o Papa Francisco. Fala do protestantismo e Lutero, critica os religiosos que fazem da religião um grande “negócio”, usando o evangelho para justificar ideias retrógradas, tirar dinheiro dos fiéis e manipular mentes. Tece comentários sobre a situação no Oriente Médio (Israel & Palestina), aborto, violência, crise econômica e social na Zona do Euro, América Latina como esperança para o futuro, e sobre a crise ecológica e econômica mundial.

Sobre essas últimas duas, Boff diz estarem profundamente conectadas, estando o capitalismo fundado na exploração dos povos e da natureza. Ele fala: “Esse sistema não é bom para a humanidade, não é bom para a ecologia e pode levar eventualmente a uma crise ecológica social com consequências inimagináveis, em que milhões de pessoas poderão morrer por falta de acesso à água e à alimentação”.

Para ler a entrevista, clique AQUI.

por Miguelito Filosófico

* figura retirada do perfil de facebook de Leonardo Boff

NazismoO resultado das últimas eleições do parlamento Europeu, nos trouxe preocupação. Pra quem não acompanhou, partidos de extrema direita, ou ultranacionalistas, conseguiram um número considerável de cadeiras, crescendo bastante em participação total desde as últimas eleições.

Na minha opinião é muito cedo para dizer se isto é uma tendência da política européia, abandonar a social-democracia e focar mais ainda no capitalismo/liberalismo ou se é algo momentâneo, reflexo da crise instaurada em toda a Zona do Euro; cuja palavra da moda, austeridade, vem tirando empregos e piorando condições sociais nos países menos desenvolvidos do bloco em prol do bloco em si. Aliás nem sei se minha classificação destes ultranacionalistas como capitalistas está correta.

De qualquer modo, é assustador pensar que uma sociedade altamente evoluída e um mercado livre, capitalista, estabelecido e tecnológico expulsarão imigrantes ou cercearão seus direitos legalmente.
Mesmo tomando este resultado inesperado como algo momentâneo, o que a alta abstenção nesta última eleição explica, como “trazer de volta” o povo que não votou? Como saber se as prováveis medidas e leis “nazistas” são aceitas por todos? E independente disso… Como seguir crescendo como mercado comum, anexando outros países, sem a participação destes (e do resto do mundo) na economia e ao mesmo tempo, diminuindo o desemprego e aumentando a renda?

por Celsão correto

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Esta ascensão do Nazismo na Europa é ainda mais preocupante, uma vez que se dá de forma institucional, dentro da política. Vários países viram uma elevação da representação nazista e/ou da extrema direita entre seus parlamentares no parlamento Europeu.
Em paralelo, uma crise econômica, política e social na Zona do Euro, gerando desemprego, insatisfações, reduções de direitos trabalhistas, e ferindo direitos humanos. Essas crises, como já é sabido, são fermento para inflar ainda mais ideologias e comportamentos extremistas, como o nazismo e fascismo, no caso. Portanto, a crise no Euro mostra que o nazismo provavelmente continuará crescendo.

Ainda devido ao ocorrido, podemos fazer uma crítica a abstenção política, a cruzar os braços, a não agir, a não participar do processo democrático, a não votar ou votar nulo. Claro, não pretendo aqui falar que os impactos de se votar nulo ou se isolar da política na Europa, é o mesmo impacto de quando se faz isso no Brasil. Tampouco quero colocar todos os que optam pelo voto nulo num mesmo balaio, pois sei que tem gente muito bem esclarecida com motivos para fazê-lo. Mas me entristece saber que, ao votar nulo, a pessoa, principalmente aquela provida de conhecimento político e de ética-social, está abrindo espaço para que o “mais pior” vença, pois se exatamente essa pessoa votasse, certamente, ela não escolheria o “mais pior”, o que enfraqueceria o mesmo e reduziria suas chances de vitória.

Outra reflexão que podemos fazer aqui é sobre a eficiência da democracia. Vemos aí países com mais de 20% de representação nazista. Imaginem se chegarem a 30 ou 40% (o que está bem próximo). Basta fazerem algumas coligações/alianças com outras alas radicais ou que comunguem de alguns interesses em comum, e boom, têm mais de 50% de representação no Parlamento. E aí, é ético, legal, democrático, justo, evoluído, termos governos nazistas em pleno século XXI ascendendo através de um processo “democrático”? Quais as consequências disso para nosso futuro?

A seguir, um texto com a análise detalhada das eleições, extraído do Facebook, na página chamada “Uma Página Numa Rede Social”

Na França, a Extrema-Direita foi a grande vencedora das eleições europeias. O Secretário Geral honorário da Frente Nacional – o partido vencedor – disse, há poucos dias atrás, que o vírus do Ébola resolveria o problema da imigração na França em três meses. O mesmo sujeito disse que as câmaras de gás na II Guerra Mundial foram apenas um pequeno detalhe do regime nazi.

Na Alemanha, o NPD, Partido Nacional Democrático, também conseguiu lugares no Parlamento Europeu. Este partido neo-nazi defende que a Europa é um continente de pessoas brancas, quer expulsar os estrangeiros que vivem e trabalham na Alemanha, e levam para os seus comícios bandeiras proclamando a ideologia nazi do “Nacional Socialismo”.


Na Grécia, os ultra-nacionalistas da Aurora Dourada também conseguiram lugares no PE. O porta-voz do partido enverga, orgulhosamente, uma suástica tatuada no ombro, exclamou que o país tem de libertar-se da escumalha, referindo-se aos imigrantes na Grécia, e vários dirigentes do partido estão actualmente detidos, condenados por crimes de ódio. Foi o terceiro partido mais votado na Grécia.

Na Finlândia, o Finns foi um dos partidos que também assegurou lugares no PE. Este partido defende que só os verdadeiros finlandeses têm o direito a viver no país, quer expulsar os muçulmanos do território nacional e quer proibir a união de casais do mesmo sexo.

Na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês teve quase 27% dos votos e duplicou o seu número de eurodeputados. A fundadora do partido defende que a imigração na Dinamarca não é natural nem bem-vinda e alega que os imigrantes na Dinamarca só poluem o país com guerras de clãs, assassinatos e violações.

Na Holanda, o Partido da Liberdade, da Extrema-Direita, conseguiu quatro lugares no PE. O líder do partido quer expulsar todos os muçulmanos do país e já tem tentado formar alianças com outros partidos ultra-nacionalistas de outros países, tentando promover leis europeias de maior controlo de fronteiras e restrição da livre-circulação de cidadãos europeus na Zona Euro.

O Jobbik, na Hungria, é um partido neo-nazi que defende que os judeus que vivem na Hungria devem estar sujeitos a um registo especial, que os sujeite a controlos regulares, pois consideram que os judeus constituem um risco para a segurança nacional. Vários dirigentes do partido também já referiram que gostariam de ver a raça cigana erradicada do planeta. Conseguiram 14,7% dos votos nestas eleições.

Na Áustria, o partido da Liberdade Austríaca aumentou a sua representação no PE para o dobro, conseguindo dois eurodeputados. Este partido, de ideologia ultra-nacionalista, defende que os estrangeiros na Áustria devem voltar para os seus países e que a Áustria não tem lugar para mais imigrantes.

Na Itália, os Lega Nord conseguiram 6% dos votos. Um dos seus eurodeputados disse que os negros são intelectualmente inferiores aos brancos.

Pela primeira vez, o Parlamento Europeu terá um bloco inteiro constituído por partidos da Extrema-Direita, ultra-nacionalistas, defensores da saída dos seus países da União Europeia.

O elemento comum a todos estes partidos é a ideologia fundamentada pelo preconceito racial e xenófobo. Agora, esses grupos têm uma representação europeia forte, que poderá ser decisiva durante os próximos anos, na aprovação e rejeição de muitas das leis que influenciarão a política dos Estados-Membro, incluindo Portugal.

A apatia em relação à política, que se traduziu em níveis massivos de abstenção por toda a Europa, abre espaço para estas dinâmicas eleitorais.
A todos os que se abstiveram, alegando que nenhum dos partidos do boletim de voto os representava, tenham o seguinte em mente: “democracia” não é escolher apenas o partido dos vossos sonhos, que irá realizar todas as políticas que vocês gostariam de ver realizadas. A democracia acontece quando a maioria escolhe o partido cujos valores que mais se aproximam dos valores que o eleitor gostaria de ver defendidos. Não estamos a escolher o partido perfeito, estamos a escolher o mal menor.

E o que acontece quando não nos damos ao trabalho de escolher um mal menor? Ganha o mal maior, como aquele representado pelos neo-nazis que, agora, passarão a influenciar a orientação política europeia.
Com quase 70% de abstenção em Portugal nestas eleições europeias, aqueles que ficam de braços cruzados, dizendo que votar nada irá resolver, têm mais é de abrir os olhos e ver o que está a acontecer à sua volta.

por Miguelito Formador

figura retirada da página Uma Página Numa Rede Social do facebook