Posts Tagged ‘cultura’

figura_SargentErotização, hipersexualismo, machismo, sexismo, racismo. Tudo isso me vêm à cabeça quando ouço o termo “Globeleza”.
Mais que um jargão ou “elogio racista” (me apropriando de um termo cunhado pela blogueira Charô Nunes), ser Globeleza é ser a “negra gostosa” para a Globo, para o deleite da classe média, que comparará os detalhes dos corpos, desta e das anteriores, ignorando tudo o que a mulher representa na sociedade e, além disso, os desafios ainda maiores que uma mulher negra enfrenta dia após dia.
A competição pra se tornar uma Globeleza e ter sucesso (?!?), me lembra o Sargentelli apresentando suas mulatas na década de 80 e 90: sentado como um senhor de escravos a negociar sua mercadoria. (pra quem não lembra, achei um vídeo do programa do Clodovil)

Quando ouço comentários em corredores e ambientes públicos, a lá Michel Teló, sinto vergonha e lamento pela mulher vítima daquela ofensa, evito ser complacente a esta cultura machista enraizada, pois entendo (ao menos tento entender) a fragilidade e impotência femininas frente aos costumes e regras vigentes na sociedade e encarados como “normais” por quase todos.
Já que citei a internacionalmente famosa música “Ai se eu te pego!”; ela, alguns filmes e até mesmo o Carnaval, atrapalham bastante o intuito de desvencilhar o hipersexualismo explorado nas mulheres negras. E é triste constatar que,muitos dos que sofrem tais preconceitos (seja na própria, ou na pele de uma companheira, filha, parente), são também felizes consumidores dessa cultura… Quando é pra eles é bom; quando é contra eles, é ruim. O que mostra uma profunda incoerência, ou até mesmo, hipocrisia.

Sou completamente a favor do “Brasil menos Globeleza” apregoado no blog Soul Negra.
Proponho refletirmos, homens e mulheres, nas pequenas atitudes machistas e racistas que temos no dia-a-dia; em palavras como “denegrir”, expressões como “ovelha negra” e “cor do pecado”, comentários sobre roupas e cabelos.
Falando especificamente aos homens agora, proponho também que nossos comentários não sejam feitos na frente de mulheres, expondo-as ainda mais a este machismo degenerativo; ou que sejam substituídos. Por exemplo, ao invés de:
– Tem coragem, fulano?
– Não tenho é sorte, beltrano!
Que usemos:
– Tem coragem, fulano?
– Ela é bonita, mas porque falar sobre ela na frente dela?

Dessa forma, ofensas e comportamentos impróprios não se propagam.

Que as mulheres sejam cultuadas e homenageadas não só no dia ou no mês dedicado a elas, mas todos os dias e todos os meses, mas sem excessos, sem machismo.

por Celsão correto

figura montagem feita daqui

P.S.: artigo publicado também no blog Soul Negra, que aborda temas relacionados à cultura, moda e beleza Negra. Clique AQUI

Why Beauty MattersO filósofo Roger Scruton, autor do documentário Why Beauty matters, dissePenso que nós estejamos perdendo a beleza, e tenho medo que com ela, percamos o sentido da vida.

A beleza tem sido central para nossa civilização há 2000 anos. Na Grécia antiga, a filosofia refletiu sobre a arte, a música, a arquitetura e sobre o dia a dia, enchendo as vidas de beleza. Filósofos argumentavam que através da percepção da beleza, moldamos o mundo como um lar, e também passamos a compreender melhor a própria natureza e essência da vida. Os artistas usavam a beleza da arte como escape para a dor e o caos inerentes ao mundo.
A beleza era um valor tão importante quanto a verdade e bondade.

A partir do século XX, a beleza foi deixando gradativamente de ser importante, e seu espaço passou a ser ocupado pelo culto à “utilidade”. A criatividade passou a ser substituída pela “originalidade”, e assim a arte (em muito encabeçado por Marcel Duchamp) passou a ser uma ferramenta de quebra de tabus e de destituição da moral vigente, perdendo a sua essência bela e criativa; deixou de se colocar como um escape para as dores da alma e como agente gerador de alegria, e se tornou ferramenta legitimadora da concepção de que a vida humana é suja, triste e caótica, buscando constantemente representar fidedignamente estas características.

Mictório de Duchamp - Arte do século XX

Mictório de Duchamp – Arte do século XX

Esse impasse não se resume à arte, mas também está presente na arquitetura, que ficou sem alma e estéril. Vemos que a beleza das edificações passou a ser irrelevante, e a utilidade e praticidade das mesmas passaram a ser prioridade. Porém, essas edificações, com o passar do tempo, passam a ser antiquadas, fora de moda, e assim o que antes era útil torna-se inútil.

Essa degeneração vai ainda muito além. Nossa linguagem, costumes, maneiras, comportamentos estão cada vez mais rudes, autocentrados e ofensivos; nossos valores estão dando nó em inversões e distorções abismais.
A beleza, o bom gosto, a educação, as boas maneiras, a cordialidade, perderam seus valores e não tem mais lugar nas sociedades de hoje, e podem gerar até mesmo preconceitos e bullying para com aqueles que ainda buscam orientar suas vidas baseado nestes preceitos.

A percepção da beleza do coletivo e de tudo que está ao nosso redor, é substituída pelo individualismo, lucros, desejos, inveja, cobiça, prazeres momentâneos e irresponsáveis; e a beleza dos sentimentos, gestos e ações escorrem pelos nossos dedos. Isso colabora na geração de um sistema selvagem, um capitalismo predador onde quanto maior o poder financeiro de um indivíduo, empresa ou Nação, maior o seu valor e prestígio.

Vejamos, por exemplo, a representação da beleza do ser humano. Antigamente, muitos artistas e filósofos buscavam, através da contemplação, retratar e descrever o ser humano de forma pura e bela, em toda sua essência e perfeição (de acordo com Platão, a beleza é uma visitante de outro mundo. Não podemos fazer nada com ela, a não ser contemplá-la. Se tentarmos tocá-la acabaremos por profaná-la, destruí-la).
Hoje em dia a representação da beleza do ser humano, principalmente da mulher, está corrompida, degenerada. Uma sociedade machista e pervertida estimulada por todos os possíveis estímulos do marketing e dos costumes patriarcais, não é mais capaz de encantar-se com a leveza dos traços e movimentos femininos, pelo contrário, esta beleza foi assaltada pela pornografia e simbolização da mulher como objeto sexual de consumo masculino.
Esta representação se vê no cinema, na música, na televisão, nos cartazes e outdoors, nos programas de entretenimento de hotéis, bares, baladas, nos anúncios de internet, nos livros e até mesmo em pinturas e esculturas.

E qual a perspectiva pro futuro? Bom, não é nada boa.
Os sistemas educacionais estão cada vez mais degenerados, a Grande Mídia mundial cada vez mais zela pelo interesse dos grandes senhores da elite em detrimento dos interesses da maior parte da sociedade. Assim, uma sociedade paranoica, caótica, egoísta, rasa e amedrontada, ou como diria Zygmunt Bauman, uma sociedade de valores líquidos, é criada, e um buraco vazio é deixado no lugar onde antes habitavam naturalmente valores de ética, de moral, de espiritualidade, de coletividade e de beleza. Para ocupar esse espaço, entra em ação o Marketing, responsável por gerar necessidades sintéticas, guiando as pessoas a preencherem este espaço com a nova ordem: Consumo!

Em nome da manutenção deste Status Quo, toma-se de assalto a palavra “democracia” para acusar de ameaçador e desrespeitoso o fato de alguém julgar os gostos e opiniões de outros. Alguns até consideram ofensiva a sugestão de que possa haver “bom gosto” e “mau gosto” quanto ao que se lê, assiste ou escuta.
Assim, beleza e fealdade são colocadas em mesmo patamar de igualdade, e qualquer opinião, por mais preconceituosa, bárbara, retrógrada, desprovida de lógica racional ou fora de contexto com a realidade, deve ser “respeitada”.

Quando ignoramos a beleza, nos encontramos em um deserto espiritual, nossas vidas perdem o sentido, e a insatisfação sempre estará presente por melhores que nossas vidas possam parecer! Viveremos constantemente em estado de ansiedade e nervosismo, mas não saberemos a origem de tais sentimentos; teremos medo, mas não saberemos do quê.

Porém ao adotarmos a beleza como base cultural, a harmonia e paz nos invadem.

Contemplação

Imaginemos, por exemplo, um momento de contemplação, olhando fixamente para a natureza bela. A brisa leve nos sequestra da realidade dos apetites materiais e transporta nosso pensamento para um espaço-tempo sublime adormecido no fundo de nossa alma, e aí os raios de Sol tocam nosso rosto, e nos lembramos de uma melodia perdida em nosso subconsciente, que nos remete a uma recordação nostalgicamente alegre de algum momento mágico do passado, ou aos traços do rosto de uma pessoa amada, e de repente, como que num toque de mágica, somos preenchidos por uma alegria que transborda, e naquele exato momento percebemos indubitavelmente que nossa vida vale à pena.

por Miguelito Filosófico

Para assistir ao documentários Why Beauty Matters, clique AQUI

Este mesmo artigo foi publicado no blog Soul Negra, que aborda temas de todos os tipos relacionados à cultura, moda e beleza Negra. Clique AQUI

Gentileza_Gera_GentilezaPassados 8 meses após minha última estadia na minha pátria amada Brasil, cá estou eu novamente.
Alguns amigos perguntaram-me quais eram minhas impressões sobre o Brasil e nossa sociedade. Ora, são as mesmas de sempre, pois afinal não estamos a falar de 20 anos corridos, onde gerações inteiras se cruzam, mas sim de singelos 8 meses. Mas mesmo assim, penso que estes questionamentos acabaram me despertando uma curiosidade ainda maior que a aquela já existente em mim, e peguei-me por diversas vezes observando e refletindo sobre as coisas que eu via, ouvia e sentia.

Já na minha primeira tarde na cidade de São Paulo, sentado no segundo andar de um restaurante da Rua Augusta, fiquei observando um cruzamento, durante 2 horas. Neste período, centenas de pedestres e de veículos passaram por ali.
Os automóveis, até que oscilavam entre aqueles que paravam para os pedestres na faixa, e os que passariam por cima dos mesmos, casos estes não corressem.
Já os pedestres, estes se sentiam “Highlanders”, imortais! Não vi sequer um pedestre esperando o sinal verde de pedestre para poder cruzar a rua. Quando muito, cruzavam sobre a faixa.
Brigas foram aos montes. Pedestre cruzando no vermelho, fora da faixa, percebendo claramente que vários carros virariam no cruzamento, e mesmo assim, desfilavam pela rua, vagarosamente. E quando neste momento um motorista ou motociclista “lascava” a mão na buzina, o pedestre virava um galo, enchia o peito, usava todas as palavras chulas presentes em seu vocabulário, além de todos os gestos mais obscenos que ele deveria conhecer.

Sei também que na minha terra natal, Ubá – MG, respeitando o peso das devidas proporções populacionais, a situação não é nada melhor. Ao que dizem, e também já pude observar, os pedestres se sentem no direito de cruzar as ruas em quaisquer lugares, ignorando a existência de uma faixa de pedestre a meros 3 metros dele.
Uma vez questionei a um primo meu o porquê dele ter cruzado a rua fora da faixa de pedestre, a qual estava a alguns passos do mesmo, fato que fez com que o carro que seguia tivesse que frear bruscamente, pois não estava esperando que o pedestre fosse cruzar repentinamente fora da faixa. A resposta do meu primo: “Ahh Miguel, ninguém respeita, por que eu respeitaria?”
Isso se chama “total falta de senso de cidadania”. Danem-se as responsabilidades individuais, vou repetir o que a sociedade faz.   

Ao passar 3 semanas dirigindo diariamente em São Paulo, lembrei-me que quando resolvi sair “corrido” daquela cidade há 3 anos, o trânsito havia sido um dos principais motivos. Os engarrafamentos estressam, isso é fato. Perder de 2 a 4 horas por dia no trânsito é algo extremamente lamentável. Você passa 1/8 da sua vida sem fazer nada de produtivo, sentado dentro do carro, ou no ônibus e metrô.
Mas o que mais revolta é a falta de educação dos motoristas. Tem os espertões, que ao avistarem qualquer lacuna tratam logo de preenchê-la, costurando o trânsito do início ao fim. Tem os espaçosos, que não percebem que estão dirigindo no meio de duas pistas constantemente, não dão seta, andam muito abaixo da velocidade permitida, e coisas do tipo. E tem os ignorantes, que qualquer situação é motivo para esquentar a buzina, ou fazer um gesto obsceno com palavras do mesmo calibre, ou até mesmo perseguir seu automóvel com faróis altos e dirigindo colado em você como uma forma de medida intimidadora.

Nos bares e restaurantes a história é parecida. Cada um fala mais alto que o outro, e ao invés de diálogos, parece que estamos no meio de uma fanfarra. Mas o que ainda mais me incomoda é a falta de gentileza com os garçons. Raramente percebi alguém dizendo um “muito obrigado” ao garçom quando era atendido pelo mesmo. Olhar nos olhos deste então ao agradecer…. isso penso nunca ter visto. A impessoalidade e individualismo fazem com que o atendido não tenha qualquer interesse em olhar nos olhos do garçom, como se ele não fosse uma pessoa, mas sim uma máquina que está ali para servi-lo a todo custo.

Um dia fui ao cinema assistir ao Thor em 3D. Nem ao menos 1 minuto havia se passado do início do filme, e uma mulher a duas fileiras na minha frente ligou o celular e começou a olhar algo no facebook, mesmo com os avisos extremamente nítidos do cinema “Favor Desligar seu celular durante toda esta sessão!”.
Aquela atividade durou mais de 1 minuto. Foi quando uma moça que estava logo a minha frente pediu educadamente para que a outra desligasse o celular, pois a claridade do mesmo estava atrapalhando a enxergar as imagens 3D.
Pronto, começou a algazarra. Uma troca de “belas palavras” durou por uns 10 minutos. A turma que estava com a mal-educada também ligou o celular em forma de provocação. Mesmo com as ameaças da moça de chamar o segurança a turma não desligou os celulares. Muito bem, o segurança foi chamado, e para meu ainda maior espanto, houve bate-boca com o mesmo. Os “vândalos” diziam: Quero ver quem vai tirar a gente daqui!!!
E assim se seguiu, até que resolveram desligar o celular, aos murmúrios de revolta.

Ainda na mesma sessão de cinema, o casal atrás de mim inicia um diálogo em voz alta. “Porque nossa geladeira não tá fechando…. o gato fez xixi hoje no tapete…. ouvi no jornal que amanhã vai chover… posso comprar a viagem para Atibaia mês que vem?”…..
E eu me pergunto: Será que não poderiam conversar sobre isso no caminho de volta para casa, ou em qualquer outro momento? Tinha que ser no cinema? Se não gostam de filme de ação, ou qualquer outro tipo de filme, para que ir ao cinema?

Nas minhas experiências pessoais, bom, nestas espanta-me o fato de eu ainda me espantar. Com somente 3 a 4 semanas de estadia no Brasil, sendo que 3 semanas seriam em São Paulo e 1 semana seria de férias em Ubá, fiz o possível para já deixar compromissos pré-agendados com a maioria das pessoas com as quais eu gostaria de me encontrar.
De todas aquelas com as quais combinei algo, encontrei com talvez 60% delas, estatística até razoável. Mas tenho que considerar o fato de que eu tinha que insistir, remarcar, adaptar minha agenda, mesmo toda corrida e fora de rotina, à da pessoa. Os “bolos” foram diversos e diários. Em inúmeras oportunidades, eu reservava uma noite ou um sábado à tarde para encontrar uma pessoa, ou uma turma de amigos em comum, e justamente por isso, não marcava mais nada para aquele momento, e lá chegando, estes chegavam extremamente atrasados, ou simplesmente, não compareciam, sem nem mesmo avisar, ou dando uma desculpa esfarrapada.
Com muito otimismo, posso dizer que cumpri de forma eficiente e conforme programado, aproximadamente 30 a 40% de meus compromissos pessoais.
A falta de compromisso, responsabilidade e compreensão são de chocar, e até, traumatizar.

Chegando a Ubá, tive a sorte de estar ocorrendo o Festival Ary Barroso. Eram diversos artistas, com belas composições, belas interpretações, e muita qualidade musical. Além dos artistas pouco conhecidos, também houve dois grandes shows: Ed Motta e Milton Nascimento.
Ao adentrar no Horto Florestal, local do evento, percebi que ali não havia mais que algumas mil pessoas, talvez duas mil? Para piorar a situação, o ingresso era adquirido doando 1 quilo de alimento. Ou seja, comprava-se um pacote de feijão, fazia-se uma caridade, e assistia ao show do Milton Nascimento ou do Ed Motta, além de todas as outras belas músicas em disputa. Mas ali estavam singelas 2 mil pessoas. Isso não me indigna, nem me deixa raivoso. A única coisa que sinto é uma profunda tristeza que rompe os nervos da minha alma.
Como me disse um amigo de causas ontem à noite: Miguel, e essas músicas nunca tocarão nas rádios, pois lá só toca música de cultura de massas, como sertanejo universitário e coisas do gênero. Realmente, lamentável!

Claro que o Brasil é um país de maravilhas e nosso povo tem diversas qualidades. Estar no meu país é fantástico, e não dá vontade de ir embora novamente. Mas por trás da beleza disso tudo, realizar o exercício de lançar olhares críticos sobre as entrelinhas de nossos costumes, cultura e comportamentos, é um exercício doloroso e o resultado não é nada estimulante.

por Miguelito Nervoltado

Isso é cultura?

Posted: August 23, 2013 in Outros
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post_moda_MartaA Lei Federal de Incentivo à Cultura, também conhecida como Lei Rouanet, tem como base a promoção, proteção e valorização das expressões culturais nacionais. Existem incentivos fiscais que permitem a empresas e cidadãos aplicarem parte do imposto de renda em ações culturais (fonte: Wikipedia).

Acontece que nossa ministra da Cultura, a ilustríssima Marta Suplicy “permitiu” a utilização da Lei Rouanet em desfiles de moda a serem realizados na França (aqui).

E, pasmem, os desfiles, de um estilista paulistano, serão feitos na semana de moda de Paris, em Outubro e Março de próximo ano, para um público elitista de somente 300 pessoas!

Ou seja, não bastava qualificar um desfile de grife de luxo como “manifestação cultural” e tirar dos cofres públicos quase 3 milhões de reais (isso mesmo! Dona Marta liberou a isenção fiscal de R$2,8 milhões!). Essa “promoção” da cultura brasileira na França abrangerá singelos 300 expectadores.

Faltam exclamações para expressar minha indignação e revolta!

E mais… O pedido do estilista havia sido recusado por unanimidade (sete votos a zero) pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic). Ou seja, dona ministra “passou por cima” de um julgamento qualificado, ignorando outras prioridades do país em prol de um provável favor a amigos da elite Paulista.

“Quer conhecer o caráter de uma pessoa, dê poder a ela.” Viva a ética e o caráter de Marta Suplicy!

por Celsão Revoltado

Figura retirada daqui

Cultura

Cultura

A palavra “cultura” possui ampla abrangência. Um debate mais rico sobre sua origem histórica, possíveis significados linguísticos, sociológicos e antropológicos, pode levar horas, ou pode gerar temas de mestrado e doutorado, como já gerou diversas vezes.
Portanto, pretendo aqui, de forma lacônica, definir essa palavra em somente um dos sentidos onde ela pode ser aplicada. No caso, refiro-me ao conjunto de atividades e manifestações, principalmente as artísticas, da sociedade. Como exemplo temos a música, dança, cinema, pintura, teatro, poesia, arquitetura e por aí vai.

Neste sentido, a cultura pode ser dividida em diversos subconjuntos, e aqui apresento três deles:

Alta cultura ou Cultura Erudita, que a grosso modo, é a arte com alta carga intelectual agregada, com conhecimento científico e muita qualidade técnica. Vai desde peças de teatro, música clássica, até a arquitetura do interior de uma catedral da Renascença. É uma cultura que normalmente visa a elite e a classe média alta, não somente pelos valores financeiros normalmente elevados para lhe acessar, mas também pela frequente necessidade de carga acadêmica, de informação, de conhecimento científico, para a compreensão da mesma.

Cultura popular, que seria o conjunto de manifestações mais simples e espontâneas de uma sociedade ou comunidade. Aqui não está presente necessariamente um alto teor intelectual, mas sim um reflexo dos sentimentos do cidadão e de suas observações e interpretações sobre os eventos do dia a dia. Está presente na capoeira, no samba de morro, ou nas músicas folclóricas de festa de cerveja na Alemanha.

Cultura de massa, que é aquela pensada e desenvolvida para ser vendida, com o intuito de atingir ao máximo possível de pessoas, a “massa”. Aqui está, por exemplo, o Michel Teló, filmes da sessão da tarde da Rede Globo, ou as novelas.

Claro que, nem sempre é tão fácil identificar a qual subdivisão pertence uma certa expressão cultural. Mas a grosso modo, essas subdivisões são bem eficientes.

Clicando AQUI vocês encontrarão um pouco mais de detalhes.
Para ler o nosso post sobre a Cultura na Europa/Alemanha, e um parêntese de breve comparação e crítica à cultura no Brasil, clique AQUI (Em construção. Disponível ainda esta semana).
Para acessar nosso post que critica a falta de espaço que a cultura e a arte encontram no mercado brasileiro, clique AQUI.

por Miguelito Formador

Figura retirado do Link

Pensador ou marionete?

Pensador ou marionete?

Beethoven disse que Deus se comunica com o homem através da música.
O intelectual, filósofo, pesquisador e escritor, Roger Scruton disse que de todas as artes, a música é, certamente, a que mais lhe comove e encanta.

Mas e quando um artista, como que num momento de transe, vê sua alma repleta de inspiração, e com muita criatividade, talento, senso crítico, cria uma música, que além de música, é uma junção de outras artes, e ainda com um forte e delicioso toque crítico sobre uma realidade do mundo?
Muitos dizem que hoje em dia não se faz música e outras artes no Brasil, como se fazia em outros períodos, como no período da ditadura militar. Acusam a falta de ter “contra o quê lutar” como sendo o motivo da falta de inspiração na arte moderna brasileira. Isso faz todo o sentido! Mas será que estamos mesmo com carência de arte? Penso que não. Basta buscarmos no lado B, no mercado alternativo, que veremos muita coisa fantástica, tanto música, como pinturas, poesias e qualquer outro tipo de arte. Acho que o principal problema do momento, é que a arte de verdade, não se populariza hoje em dia, como se popularizava antigamente.
Mas porque isso acontece?

Bom, eu tenho minhas suposições:
Cada vez mais o mercado capitalista mostra suas garras. A cada ano que se passa, o dinheiro tem mais valor, e grandes empresas ampliam sua hegemonia/monopólios. No mercado da “arte” é a mesma coisa. O que vende mais, Michel Teló ou Cordel do Fogo Encantado (para quem não conhece, procurem essa fantástica banda no youtube)? Daí existe uma combinação de gravadoras querendo vender, com mídia querendo audiência e bestificar os espectadores, somado a um imenso grupo de cidadãos menos politizados e menos críticos (resultado da péssima educação tanto das escolas como a familiar + a influência da mídia alienadora), e bingo, temos uma falta de mercado para a arte de verdade, e cada vez um maior mercado para Michel Teló’s, Sertanejos Universitários, Funk carioca, Britney Spears, Restart.

Assim como a boa música tem pouco espaço nesse mercado moderno, também o têm a boa poesia, o bom jornalismo, a boa crônica, a boa informação, a filosofia crítica, a antropologia e sociologia com real utilidade pública, as boas pinturas, o bom artesanato, o bom teatro, a boa comédia, o bom cinema…… (*)

Esperemos que a internet se popularize cada vez mais, e que os artistas e profissionais de qualidade, que não têm espaço nos meios convencionais, possam atingir uma parcela maior da população através da internet. Também esperemos que os cidadãos se conscientizem cada vez mais de sua alienação, e percebam que não só a internet, mas qualquer meio de comunicação e informação têm, tanto porcarias quanto materiais de ótima qualidade.

Basta tentarmos sermos críticos e sensatos, termos interesse, e então filtrarmos tudo que não presta, e passarmos a valorizar tudo o que mostra ser feito com arte, com criatividade, com conhecimento, e com boa intenção, tendo como prioridade transparecer o interior da alma do autor e ainda de lambuja, se possível, trazer algo de útil para a população, seja um bom sentimento, seja a conscientização sobre algo importante.
Tem que estar claro para todos nós cidadãos que, o consumo determina o mercado. Consumamos qualidade, e a qualidade se popularizará! Nós temos a força e poder nas mãos, basta querermos ser pessoas mais conscientes, seletivas, profundas e críticas.

Aproveitem e cliquem (aqui) para terem contato com uma obra de arte do mundo musical, e que está escondida, como muitas outras, sem espaço para adentrar no “mercado de massa”.

(*) Sei que definir “bom” e “ruim” é um assunto complexo e muitas vezes, subjetivo. Por isso aproveito para indicar duas leituras nossas: 
1) Afinal, o que significa o termo “Cultura”? Clique AQUI
2) Será que é errado julgar algo como “bom” ou “ruim”, “verdade” ou “mentira”, “bonito” ou “feio”, “certo” ou “errado”? Clique AQUI

por Miguelito Formador

El Efecto

El Efecto

E quando você se depara, de repente, com uma obra que é uma mistura de drama, comédia, suspense, cunho social, trovadorismo, emoção. Mais ainda, tudo isso exterioriza-se através da música, passando pelo Rock, pop, baião, xaxado, frevo, fado e muito mais, tudo combinado de forma harmônica, parecendo que um ritmo foi feito para o outro!!!!!!!!!
Combinar tudo isso é para poucos, raros.

Estou falando da banda El Efecto. A música pela qual os conheci se chama “O encontro de Lampião com Eike Batista”, imperdível!!!!  (aqui)  Ou se preferirem a versão ao vivo, desta mesma música, no Show Livre cliquem (aqui).

Para quem se interessar pela banda, que concorre ao 24º PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA na categoria Rock/Pop/Reggae/Hip-Hop/Funk, contra Titãs e Nação Zumbi, segue (aqui) o site deles, onde é possível ler um pouco sobre sua história, dar uma olhada na agenda, assim como baixar suas músicas. 

Deliciem-se com a arte no mais alto nível!

obs.: Eis que você se pergunta: porque uma banda dessas não faz o sucesso que faz Restart?
Quer saber? Clique (aqui).

por Miguelito Filosófico