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a-origem-das-armas-de-fogo-3Pra começar vou expor minha opinião. Romântica para variar…
Eu acho que arma de fogo deve estar em posse da polícia e dos que têm poder de polícia (forças armadas e alguns correlatos da função de segurança pública, como investigadores). E só. Qualquer outro cidadão que portar uma arma é bandido por exclusão e deve responder criminalmente por esse porte.

Aqui, logicamente, muitos falarão do mundo de Poliana em que me imagino, onde não existiriam meios ilícitos para que bandidos arranjassem armas, da ótima segurança pública e sensação de segurança no Brasil, etc.
Admito que aceito (para deixar claro, eu não apoio, mas aceito) o argumento daqueles que defendem o direito de posse de arma de fogo como mecanismo necessário à autodefesa e como máxima liberdade individual.
Aproveito para afirmar que, no estatuto do desarmamento discutido até então, de 2003, a posse era concedida por tempo determinado, controlada, havia uma idade mínima razoável para a mesma, critérios que proibiam a obtenção da posse e alguns subjetivos que a dificultavam; como por exemplo, o crivo de um delegado analisando o perfil do “candidato” e os seus porquês escritos num formulário. Eram avanços mínimos e ainda passíveis de subterfúgios para a concessão do porte de armas, mas eram avanços!

Pessoas que morem em lugares remotos e/ou que recebam treinamento adequado com reciclagem periódica, profissionais do ramo de segurança privada e outros casos especiais, poderiam ser discutidos como exceções e tratados como tal. Sempre consonante a critérios rígidos de concessão e controle numérico de armamento e munições.

Porém, se o texto aprovado pela tal Comissão passar na íntegra, teremos num futuro próximo uma posse definitiva ao invés de temporária, uma idade mínima reduzida de 25 para 21 anos de idade, o direito de carregar armas nas ruas em contracenso à atualidade, onde o porte é permitido em casa; e outros absurdos.

Deputados e Senadores, por exemplo, ganham status de super-heróis, pois terão direito “automático” ao porte de armas!
Ou seja, salve-se quem puder! Ameaçar deputado pode matar, pois eles poderão matar.
Não bastasse imunidade parlamentar e foro privilegiado, agora teremos políticos alvejando gratuitamente e alegando provavelmente “legítima defesa contra populares”…

Mais um “ou seja”: não é mais necessário reduzir a maioridade penal; basta matar qualquer pessoa com cara de suspeita, ou qualquer um que se oponha aos ilustríssimos deputados e senadores!

Voltando ao texto absurdo recém aprovado, em breve até as pessoas respondendo a inquérito policial e processo criminal, poderão comprar e portar armas, o que hoje é proibido; e… o porte máximo de munições também aumentou: de 120 para 600! Estamos prontos para a Guerra Civil. Azar daquele que não se armar…

Mais uma vez estamos na contramão do Mundo civilizado (e até do “não-tão” civilizado). Os maiores fabricantes e “consumidores” do planeta, os Estados Unidos, avaliam mudanças na lei armamentista, caminhando para um controle mais rígido e o cerceamento de alguns direitos mesmo nos estados onde há legalidade de porte e posse. Isso para não citar Austrália, Canadá, Finlândia que insistem, corretamente a meu ver, no desarmamento da população civil.

Fiquei tão revoltado quando soube da notícia hoje cedo, que acompanhei comentários em jornais televisivos, programas de rádio e portais na internet.
Enquanto uns criticam sem medo a decisão, como o Boechat na Rádio Bandeirantes, outros se mostram esperançosos da não-aprovação do texto no Congresso. Não acredito nisso! Pode ser que existam pequenas alterações no que foi proposto, mas não acredito no veto a esse absurdo (vale lembrar o que fizeram com a proposta do fim do financiamento privado a partidos e campanhas).
E existem aqueles que apoiam o novo estatuto (e não são poucos). As vezes disfarçando esse apoio no que já citei, como direito constitucional de escolha ou autodefesa contra o crime; as vezes aplaudindo, independentemente do preparo do cidadão comum para o uso da arma de fogo. Pasmem, cheguei a ler que o crime será reduzido pois o bandido ficará em dúvida e não assaltará mais!
Em algum dos textos, citaram “bancada da bala”, apelidando a parcela do Congresso que é a favor deste “endurecimento” contra a violência. Será mesmo que isso é endurecer? Fazendo outras perguntas: quem seriam os deputados dessa parcela? Seriam eles de direita ou esquerda? Seriam os Bolsonaro’s, apoiadores da ditadura, da volta dos militares e os preconceituosos?

Um último dado: o jornalista Ricardo Boechat citou em seu programa um dado interessante proveniente de um estudo de 2007 sobre o tema; Em 80% dos casos onde o assaltado reage, o mesmo é baleado. Ou seja, até as estatísticas apontam para a piora no quadro de violência e criminalidade, caso partamos para esse ridículo processo de armar a população.

Decepção com os que nos representam!

por Celsão revoltado.

figura retirada daqui

P.S.: para quem quiser ver o vídeo onde o Boechat no programa Café com Jornal fala sobre o tema, está aqui. Nem sempre concordo com ele, mas nessa eu assino embaixo!

P.S.2: aqui alguns detalhes do texto e a foto do político peemedebista Laudivio Carvalho, autor desse verdadeiro crime

18jun2015---comitiva-formada-por-senadores-de-oposicao-no-brasil-foi-cercada-por-manifestantes-em-caracas-capital-da-venezuela-quando-estava-a-caminho-do-presidio-para-visitar-leopoldo-lopez-preso-por-1434669132064_300x300– E não é que deu certo mesmo essa viagem pra Venezuela, com avião da FAB? – pergunta o colega do DEM
– Eu te falei Senador. Era só colocar pressão e falar em “luta pela democracia” que a liberação viria bem rápido. Ironizou um dos tucanos a bordo
– Mas aposto que uma parte da mídia vai questionar o valor dessa nossa brincadeira! – profetizou o senador do PMDB

– Como está a nossa agenda? Teremos tempo para compras?
– Começaremos com fotos para a imprensa diretamente do aeroporto com esposas de presos políticos, de lá seguiremos para um presídio e fecharemos protocolando uma moção em nome do Brasil no Senado deles, pedindo a libertação dos políticos de oposição.
– Em nome do Brasil? Eles engoliram essa? Todos sabem que a Dilma, o PT e o restante da base aliada, contando também com parte do meu partido foram contra essa viagem e são contra esse tipo de intervenção em países independentes.
– Nós temos é que exercer nossa liderança regional, deixarmos de ser “bunda-moles” e ganhar uns pontinhos com os EUA!
– Acha mesmo que isso será notícia por lá?
– Receberemos certamente os parabéns do Obama e da Merkel. Acho até que devemos marcar a próxima “comitiva” para a Grécia. Austeridade é bom e eu gosto!

No aeroporto…
– Viu que fácil? Pousamos sem problemas. Ninguém nesse submundo barraria senadores do Brasil em visita oficial!
– Mas e se a população for contra nós?- Você não assiste o jornal, colega, não lê os jornais? A população daqui está acuada há anos; clama por um golpe de Estado que os liberte, precisa de uma intervenção americana e o mais breve possível! E isso sem o apoio da imprensa, que foi duramente caçada pelo governo, só no boca a boca. Ações e apoio populares invejáveis para a nossa direita brasileira.
– Sei não. Teve gente que divulgou que as eleições foram justas…

– Que beleza! As viúvas, digo, as esposas já estão nos aguardando. Vai ser bem rápido e poderemos talvez até nos encontrar com empresários ou banqueiros locais.
– Mas… aqui não é tudo estatal?
– Ah é…
– Os batedores também já estão aqui. Estamos blindados!

Já no ônibus
– Que absurdo de trânsito. Parece São Paulo! Vou atualizar meu twitter. Quem sabe o nome daqui?
– Caracas!
– Verdade… a capital da Venezuela é Caracas. Beleza. Deixa comigo!
– E esse movimento aí na frente, o que é?
– Parece uma manifestação. Deve ser de uma minoria, contratada pelo PT
– Eles estão armados? Tem enxadas ou foices? Morro de medo desses radicais.
– É bom olhar mesmo.
– Ai meu Deus, por que é que eu embarquei nessa loucura! E olha que eu faço parte da coalisão… Meu partido apoia o Governo
– Tarde demais, Senador.
– Tarde demais uma ova. Se cercarem o ônibus eu desço e declaro apoio incondicional ao governo deles, à esquerda brasileira. Conto o que é o meu partido e toda a história recente do PMDB
– Se eles te deixarem falar…

– Olha, estão se aproximando
– Motorista, desvia, déssssvia. – carregou no sotaque nordestino um dos tripulantes.
– Amigo, esta es la ruta principal hacia Caracas. No conosco a ninguna vía llamada Diez!
– Sabem quem somos! E estão batendo no veículo!
– Por que eu topei essa loucura, meu Deus, por quê?
– Calma que tudo se resolve. Vamos ligar pro Itamaraty!
– Eles têm bandeiras vermelhas.
– Liga pro Eduardo Cunha e pede pra ele chamar a imprensa!
– Mas a Globo está aqui no ônibus conosco, esqueceu?
– Só que o equipamento ficou no bagageiro. Vocês disseram que não havia perigo, que tudo estava sob controle. – esbravejou o repórter angustiado
– Filma com o celular. Se atirarem pedras é bom termos provas.
– Será que seremos presos?
– Ou linchados?
– Eu falei que o povo estava do lado do Maduro. São tontos. Iguais aos brasileiros. Ficam do lado de quem faz mal a eles. Povo burro!
– Calma. Vamos pedir para conversar com o líder deles e informar que estamos voltando. Esqueçamos a visita aos presos.
– Mas isso vai pegar muito mal. Viemos até aqui, em avião do governo, para voltar?
– A gente fala em boicote, faz carta pra ONU, reclamação oficial, exige retratação do governo daqui, força a presidente a falar com eles e obter um pedido formal de desculpas…
– Isso. Exagera no ocorrido, no nosso sofrimento, na missão de paz e “bota a boca no trombone” lá no Brasil.
– Se der certo, voltamos aqui na semana que vem e ainda seremos escoltados pelos Federais!
Eu não volto pra cá nem pra receber prêmio. Vocês estão é malucos.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

P.S.: Este post não reflete a realidade, nem a nossa opinião. É uma obra de ficção com o intuito único de divertir (ou seja, não me processem!). Nós costumamos citar bastante a Venezuela em nossos posts; mas, para algo mais diretos sobre nossa opinião sobre a perseguição à Venezuela, clique aqui e aqui

P.S. 2: aqui uma opinião forte do Hugo Chávez sobre o Senado do Brasil

P.S. 3: copio abaixo (para finalizar) uma pesquisa divertida do site conversa afiada, sobre os reais objetivos do Senador Aécio Neves nessa excursão à Venezuela

O que Aécio foi fazer na Venezuela?

  • tentar vencer a eleição lá
  • se o Maduro sair, é ele que assume
  • procurar terreno para construir aeroporto
  • queria ir para o Rio, mas errou o voo
  • já que não deu no Brasil, vai tentar o impeachment lá

revolução_francesa_esquerda_direitaHoje é meu aniversário.
Eu sou um cara de esquerda.

Fico pensando, quantas pessoas deixarão de me parabenizar por esse motivo. Fico pensando em quantos “amigos” já tive, e já não tenho mais, pelo simples fato de eu ser de esquerda, e por não esconder minhas ideias e ideologias. Fico pensando, inclusive, nos parentes que fizeram parte de minha caminhada, ás vezes me pegaram no colo, e hoje não irão me escrever, nem telefonar, e possivelmente, nem querem me olhar, por eu ser como sou, surpreendentemente (para eles), diferente da maioria dos do meu sangue.

No meio desta reflexão, fico pensando o que algumas pessoas entendem como “ser de esquerda”. Será que pensam realmente que comunistas comem criancinhas? Qual a motivação para discriminar, esnobar, menosprezar, desrespeitar, não tolerar, ou até mesmo, odiar alguém de esquerda? Realmente, isso não faz o menor sentido para mim, mas isso deve se dever, muito provavelmente, pela forma como eu conceituo a afirmação “ser de esquerda”. Vou explicar.

Ser de esquerda não significa: ser marxista, ser socialista, ser comunista, ser rebelde, ser ser ser…… Ser de esquerda significa simplesmente, ser de esquerda. E dentro da ideia de ser de esquerda, há uma infinidade de variantes, possibilidades, flexibilidades, ideologias. Assim como o há dentro do conceito “ser de direita”.

Para entender a complexidade disso, é preciso primeiramente entender de onde originam-se os termos “esquerda e direita”?
Bom, há diferentes levantamentos históricos que apontam para as possíveis origens. Aquele com o qual tive contato e mais me pareceu relevante e profissional é o seguinte: Na França, durante a Revolução Francesa, a Assembleia Nacional se dividia em partidários do Rei de um lado, e apoiadores da revolução do outro. Não é coincidência que os revolucionários estavam à esquerda, e os monarcas à direita.

Desde então, o conceito ideológico de “esquerda” indica uma pessoa que tende a ser contra o status quo, uma pessoa que luta por mais direitos ao povo, uma pessoa que se coloca contra a opressão, uma pessoa que levanta bandeiras iguais ou semelhantes à da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade).

Por que então definir alguém de esquerda como “socialista”, sendo que o termo tem origem mais antiga que a vida de Karl Marx?

Eu poderia aqui, inclusive, questionar os conhecimentos e preconceitos de quem considera algo “ruim” quando uma outra pessoa se diz admirador das teorias de Karl Marx. Inclusive, outro erro grotesco recorrente, é achar que o regime implantado por Stalin na Rússia, após a morte de Lenin em 1924, com o domínio militar dos arredores daquele país (URSS), ou o sistema vigente na Coréia do Norte, tem sincronia relevante com o trabalho intelectual feito por Marx. A complexidade teórica dos trabalhos de Marx, vai muito além do que qualquer sistema buscou implementar no mundo, e, em muitos aspectos, bem diferente. É o mesmo que criticar Adam Smith pelo fato dos EUA serem o país que mais geram guerras no mundo desde a segunda guerra mundial. Que culpa tem a teoria de Smith (capitalista)? Um simplismo lamentável, que enfraquece e deteriora o debate, gerando, ao invés de agregação de valor, um emburrecimento.

Mas mesmo assim, ser de esquerda, não é ser marxista, necessariamente. Até pode-se dizer, num geral, que ser marxista é ser de esquerda, mas não o contrário. Regra de conjuntos (lembram da matemática? A pertence a B, mas B não pertence a A.)

O conceito “esquerda”, inclusive, é um conceito mutável, variável, de acordo com a cultura, com o “tempo”, com o “espaço” em que se vive.

Por exemplo, há 50 anos no Brasil, eram de esquerda aqueles que lutavam pelos direitos dos mais pobres. Mas poucos de esquerda lutavam pelos direitos civis dos homossexuais. Há 150 anos no Brasil, dificilmente alguém de esquerda estaria lutando pelo fim da escravidão, pois a mentalidade da época, num geral, era atrasada para esse debate, a escravidão era algo completamente normal. Hoje em dia, até gente de direita, num geral, é contra a escravidão (apesar de bem criticarem os aumentos dos direitos trabalhistas e do salário mínimo de seus empregados).

Até mesmo num mesmo “tempo”, a aplicação do conceito “esquerda” pode variar dentro do “espaço”. Em Israel, poderíamos dizer que ativistas que lutam pelo fim do massacre contra a Palestina, e que protestam pelo respeito à vida dos muçulmanos palestinos, são pessoas de esquerda. Ou seja, em Israel, defender os direitos do muçulmanos, e se posicionar a favor dos mesmos, é ser de esquerda.
Já no Afeganistão, ser contra o Talibã, contra todo e qualquer tipo de radicalismo muçulmano, e se posicionar requerendo mais direitos aos católicos e adeptos de outras religiões naquele país, é ser de esquerda.
Portanto, defender muçulmanos pode ser uma ação de esquerda ou não, dependendo do espaço/cultura em questão.

Assim, se quisermos tentar generalizar algo, podemos dizer que ser de esquerda é: defender ideais e atitudes que visem diminuir as injustiças do mundo, que visem trazer direitos, liberdades e responsabilidades iguais a TODOS os seres humanos, independente de sua orientação sexual, cor de pele, religião, cultura, gênero, idade. É lutar por toda e qualquer minoria oprimida dentro de uma cultura naquele “espaço x tempo”. Ser de esquerda é não aceitar barbaridades, sendo elas uma vez identificadas. Ser de esquerda, é, antes de mais nada, sonhar com um mundo cada vez melhor para nós, e para os outros, entendendo limitações de perspectiva de “certo e errado” num determinado “espaço x tempo”.

Dentro destas perspectivas abordadas, penso naqueles que têm qualquer tipo de impressão ou sentimento ruim/negativo contra “pessoas de esquerda”. Há algumas explicações lógicas para esses sentimentos.

1)      Não concordar com as utopias que descrevi acima: Isso implicaria claramente na conclusão de que essa pessoa é desprovida de bondade e amor para com o próximo em seu coração. Portanto, se tem sentimentos ruins contra mim (ou alguém de esquerda), faz sentido, pois somos opostos no coração.

2)      Consideram ingênuos quem possui tais utopias: Bom, mesmo que fossemos ingênuos, seria ingenuidade motivo para dispensarmos más impressões e sentimentos ruins para com a pessoa? Seria, o fato de sonhar “ingenuamente” com um mundo melhor, um motivo para desgostar de alguém? Mesmo que na prática nossas ideologias fossem impraticáveis, não bastaria conhecer os sonhos e o bom coração de alguém para admirar-lhe, ou ao menos, respeitar-lhe?
E…. sabendo que há poucas verdades absolutas no mundo, e que estamos, num geral, buscando evoluir e aprendendo novas verdades, o que seria um erro mais grave: possuir boas e justas ideias, e, mesmo sabendo difícil, tentar buscar formas de aplicar-lhes na vida real; ou dar de ombros e simplesmente viver de acordo com a realidade existente, e aceitando o mal, inclusive, vivendo de parte dele para ganhar sua vida?

3)      Um desconhecimento completo do que o termo esquerda significa: se esse o caso, penso que lendo este meu texto, e possuindo um pinguinho de humildade, já seria suficiente para eliminar o ponto 3 de sua vida.

Mais explicações coerentes não consigo enxergar para explicar tais sentimentos.

Fico feliz por estar aumentando, diariamente, o número de pessoas pelas quais tenho carinho e sou retribuído, mundo a fora. E claro, lamento por aqueles que se foram, deliberadamente, de minha vida, ou aqueles que eu mesmo tive que retirar, por estarem presentes no ponto “1)” descrito acima, pois de pessoas perversas, realmente, eu busco me distanciar.

por Miguelito Formador

figura daqui

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013 Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Marcha da Família com Deus 1964 x 2013
Ditadura década de 60,70,80 x Cenas do próximo Capítulo

Nos últimos 20 anos, a América Latina tem sido o sustentáculo do mundo na sobrevivência de políticas de esquerda, protecionistas, de luta pelos interesses da própria nação acima dos interesses estrangeiros/imperialistas.

A Europa vem presenciando sua democracia e os direitos do trabalhador enfraquecendo desde a década de 90. É a falência da social democracia nestes países, onde no cabo-de-guerra (povo X capital), vence novamente o capital.

Os países latino-americanos, quase todos, passaram por ditaduras de direita apoiadas e patrocinadas pelos EUA (até mesmo Cuba teve seu ditador aliado aos EUA, Fulgencio Batista, de 1952 a 1959, quando foi derrubado por Fidel Castro – leia sobre esse processo AQUI), do início da década de 60 até o início da década de 90. Foram 30 anos, aproximadamente, de ditaduras de direita por todos os cantos da América do Sul e Central. Ao término destes períodos de intervenção militar, estes países vieram passando por um acelerado processo de avanço da democracia.

Vencidas as ditaduras, nada mais normal que um processo progressivo de democratização. Sai a ditadura, entram governos parcialmente democráticos, normalmente de centro-direita ou de direita. Políticos conservadores, que se elegem devido à imaturidade democrática da sociedade, e por saberem aproveitar os resquícios do sistema elitista herdado da ditadura e da colonização, que privilegiam aqueles que mais têm.

Porém, na América Latina, grandes mentes surgiram, e souberem se organizar, se uniram para debater ideias e ideais, para trocar experiência e conhecimento. Assim, chegaram a conclusões parecidas em comum. Apoiaram-se mutuamente para chegarem aos Governos, e lutaram, alguns mais, outros menos, para acelerar o processo de democratização destes países, e fazer com que o povo, historicamente excluído e sem voz, pudesse ter mais direitos e ser mais respeitado. Além disso, lutaram pela nossa independência frente às grandes potências, não só no papel, mas na prática, seja na política, na economia, na cultura, militarmente ou diplomaticamente.

Assim vimos nos últimos anos uma ascensão de governos populares em muitos países da América Latina.

No Brasil, o processo ocorreu progressivamente. Sarney (Tancredo) foi eleito de forma indireta. Collor, frente a Sarney, foi um progresso, na minha opinião, e foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Brasil, depois da ditadura (vale lembrar que Lula teria vencido, se não fosse a armação que a Globo fez no último debate, fazendo edição do debate antes de transmiti-lo, o que também mostra imaturidade democrática da sociedade).
Depois veio FHC, que frente a Sarney e Collor, está anos-luz à frente no quesito democracia. Mas, aquele PSDB, de origens sociais-democratas, infelizmente, se direcionou ao neoliberalismo e consequentemente, a favor dos interesses imperialistas.

E depois veio o PT, com Lula. Lula concretizou a democracia no Brasil. Um grande avanço, comparado ao que veio antes, o que é normal, seguindo a lógica da evolução progressiva. Claro que, não foi perfeito, até porque perfeição não existe. Mas ainda há/havia MUITO a evoluir, melhorar, tanto na democracia, quanto na vida do cidadão.
Mas antes que isso fosse possível, as forças conservadoras começaram a “reagir”, chegando ao seu auge durante os governos Dilma.

A história se repete, desde a Grécia antiga, e fatos já observados naquela época, acontecem exatamente da mesma forma hoje.
Quando ideais/pensamentos/movimentos “A” avançam, ideais/pensamentos/movimentos “B” começam a crescer proporcionalmente, visando frear “A”. A isso dá-se o nome de “reação”, ou “reacionarismo”. Alguém age, outro alguém reage.

O que ocorre é que, enquanto o povo não tem voz nem direitos, a elite e os pensamentos conservadores ficam hibernando, escondidos. Quando o povo começa a ganhar força, as ideias e atitudes conservadores e opressoras ascendem, e com força bruta, e reagem visando impedir este avanço do progressismo.

Como os governos de esquerda estavam atingindo seus objetivos nas Américas: inclusão social, combate ao imperialismo, evolução da democracia, etc, as forças de direita começaram progressivamente a avançar em paralelo.

Peixes_piloto

Peixes_piloto

Essas forças são principalmente compostas por: EUA e seus principais aliados na Europa (Inglaterra, Alemanha, França), as elites locais (banqueiros, grandes empresários, a mídia privada, e claro, aqueles políticos que representam os interesses destes grupos), e os peixes pilotos (pessoas da classe média, que se acham de elite ou sonham em pertencer a ela, e aí defendem ideias conservadoras, sem perceberem que, na verdade, deveriam defender ideias progressistas, pois eles, classe média, estão muito mais próximos do povo, que da elite).
(Um pouco do ódio desenvolvido pela classe média do Brasil. Mantega recebe gritos e ofensas por médicos no hospital Albert Einstein. Clique AQUI)

Neste movimento, a América Latina está passando por um processo político muito delicado, que lembra os movimentos que se iniciaram na década de 60, e que geraram todos os golpes militares de direita, e afundou a América Latina num período de trevas.
Venezuela e Brasil são países líderes neste processo do avanço da esquerda. E são países riquíssimos em petróleo. Por isso, somos o maior alvo do golpe que se arma. (Venezuela se prepara para reagir contra Golpe e Guerra – Clique AQUI)

Se você é um dos que defende inocentemente o impeachment de Dilma. Se você é um dos que inocentemente acha que o escândalo da Petrobrás trata-se de “mais um esquema de corrupção”, sem perceber o golpe econômico e político que se arma em volta de NOSSO petróleo. Se você é um dos que há anos vem divulgando, espalhando, compartilhando, curtindo, toda e qualquer informação contra o PT, contra Lula, contra Dilma, contra Zé Dirceu, contra Chávez, contra Maduro, contra Fidel Castro, contra Evo Morales, etc. Se você acredita que ser de esquerda é simplesmente ser comunista, e acha que comunista come criancinhas (e não percebe que a esquerda tem um espectro político amplo, incluindo a social democracia, sistema vigente na maioria dos países europeus. E que ser de esquerda significa, basicamente, estar do lado do oprimido).

Se você pertence ou se aproxima destes grupos descritos acima, ou de qualquer outro parecido…. então VOCÊ é cúmplice dos golpes que se armam. VOCÊ joga contra o Brasil e contra os povos latino-americanos (mesmo que não saiba disso). VOCÊ está ajudando o planeta a escrever um novo capítulo de sua história, onde mais uma vez, uma Era de sombras pode estar se aproximando da humanidade, e você, que se acha bem informado ou bem intencionado, é responsável por esse fenômeno.
(Segue um excelente artigo didático sobre as várias facetas do golpe. Clique AQUI)

Sim, eu sei que o sistema educacional e a mídia nos corrompem, nos ludibriam, nos enganam, nos fazem jogar do lado que eles querem que joguemos. Mas no fundo no fundo, nós somos seres pensantes, e só não nos livramos dessas amarras e alienações, pois somos reféns de nossas fraquezas, nossas ambições, nosso orgulho, nossa arrogância, nosso ego. Se fossemos seres humanos melhores, como fingimos ou aspiramos ser, seria muito mais fácil sairmos dessa prisão ideológica, e fazermos desse mundo um lugar melhor para todos.
O culpado portanto é VOCÊ!

E se o pior acontecer, eu lamentarei, por mim e por você.

por Miguelito Formador

figura montagem própria (originais daqui + daqui + daqui + daqui)

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É incrível como interesses individuais podem ser colocados a frente do interesse comum/social.
É incrível também como a desinformação das mídias sociais intensifica o julgamento raso e rápido e o apoio a campanhas esdrúxulas de tão absurdas.
Recebi há algumas semanas uma figura-poster falando sobre a Marcha da Família (figura ao lado). Achei tão non sense, que duvidei de sua veracidade.

Mas… alguns dias e pesquisas depois, comprovei que é real!
A marcha que “deu início” ao período de ditadura militar no Brasil, pós renúncia de Jânio e governo do “comunista” João Goulart será reeditada em várias cidades do Brasil, seguindo o mesmo percurso de 50 anos atrás!
Porém, comprovei também pra minha tristeza, que seus organizadores desconhecem (ou ignoram propositalmente) os impactos deste período (a Ditadura Militar) no país.

Defendo a liberdade de expressão. Defendi aqui os protestos de Junho, os “rolezinhos”, defendo a abertura também àqueles que pedem a legalização do aborto, da diminuição da maioridade penal…
Falando em política, acho salutar, inclusive, que haja direita no país e que ela se manifeste abertamente; penso que precisamos disso, de alternativas aos discursos monotônicos centro-esquerda que dão as cartas ultimamente.
Mas daí a maquiar a verdade, falando de “intervenção militar provisória” e “limpeza nos três poderes” sem plano efetivo é babaquice!
Como faríamos para efetivamente governar sem políticos, legislar sem deputados, ou julgar sem ministros do Supremo? Por pior que essas instituições possam estar aos olhos de muitos, são os meios que temos hoje para fazer e cumprir as leis.
Queremos um ditador, governando através de decretos, independente da aprovação da Câmara e do Senado? Seria uma solução, certamente. Mas… não seria esse o modelo criticado pela direita e pelo mundo dito “democrático”? Não seriam Cuba e Venezuela criticadas exatamente por terem uma ditadura?

Reiterando: defendo a marcha como forma de protesto, legítimo de quem tem opiniões diversas e quer se expressar. Defendo também alguns pontos da direita, como a soberania nacional. Mas defendo com mais afinco uma maior transparência da imprensa e proponho que os “marcheiros” (seguindo a onda de nomear os que apoiam determinado movimento) avaliem as prováveis consequências do ato que estão a divulgar e apoiar.

Pra finalizar e complementar a informação, sugiro que vejam o vídeo veiculado pela Folha (aqui), onde alguns organizadores do movimento mostram a cara e expõe seus argumentos. Achei interessantíssimo, mesmo para os que discordam dos argumentos de “todos terem Ferrari é impossível”, “isso vai virar uma Venezuela”, etc.
Recomendo também, um vídeo em que o analista político Bob Fernandes critica a Marcha (aqui). Bem mais enfático e direto, ele “pega pesado” com a galera que se reunirá no próximo sábado.

por Celsão revoltado

figura retirada do Jornal GGN – aqui

Marina_SilvaEncontrei num desses consultórios uma revista Veja, que mostrava na capa a “importante” notícia sobre chocolates e em quadros menores o anúncio do especial de 25 anos da Constituição e o título “Eleições 2014 – A escolha de Marina”.

Como uso bastante a máxima “Conheça o teu inimigo” do livro “A Arte da Guerra”, decidi abrir a revista e ler a reportagem.

A revista mostra uma Marina emotiva (sempre aos prantos) e indecisa; talvez para desacreditá-la de uma vez como candidata. Porém, algumas coisas positivas da reportagem e do Roda Viva que vi recentemente com a ex-senadora são passíveis de análise.

Começando pelo subtítulo da matéria: “A hesitação da ex-senadora em definir a candidatura a presidente repete o conflito que marca sua carreira: manter intocáveis os seus princípios ou ceder ao pragmatismo?

Na minha opinião, a posterior (em relação a reportagem) filiação de Marina ao PSB, de Eduardo Campos, mostra uma desistência (ao menos temporária) dos princípios. Ceder, nesse caso foi desistir da brilhante campanha “quase que independente” pelo PV nas últimas eleições presidenciais. Aliar-se a um outro partido/candidato foi algo refutado pela senadora nas últimas eleições que disputou. E não foi por falta de “cantadas”, pois os quase 20 milhões de voto conquistados por Marina atraíam ambos os candidatos do segundo turno.

Essa neutralidade, que chamou a atenção de muitos brasileiros, foi por terra agora.

Daí vêm algumas frases de Marina Silva destacadas na revista, como: “Já somos partido político, sim. Se agora não temos o registro legal, temos o registro moral perante a sociedade brasileira” e “Muitos partidos se institucionalizam para depois ganhar representação social. Nós fizemos exatamente o contrário. Ganhamos representação social no país inteiro e depois buscamos a institucionalização

Aqui quero comentar que embora contra a suruba de partidos no Brasil (ver post anterior aqui), assinei eletronicamente há algum tempo um abaixo-assinado para a criação do Rede Sustentabilidade. Não sei se essa assinatura via internet contou. Sei que assinatura “no papel” não houve (ao menos de minha parte) e achei estranho a aprovação ter falhado justamente no ponto mais “fácil” do processo.

Alguns blogueiros escreveram na época que foi um plano proposital, de clamar a atenção da mídia após estar ausente das eleições de 2012, para depois unir forças ao pré-candidato Eduardo Campos. Não acredito nisso, ou melhor, não quero acreditar nisso.

Pra finalizar, uma frase estranha: “Nem direita, nem esquerda. Estamos à frente

Pra início de conversa, negar a existência da dicotomia direita-esquerda é papo da direita. Que há algum tempo foca nesse discurso para despolitizar e “emburrecer” de argumentos as campanhas, projetos e plataformas de governo.

E, cá pra nós, Marina Silva negar a clara convicção de esquerda, trazida desde a fundação do PT e das origens no Acre defendendo a floresta Amazônica é negar a si mesma! Talvez o discurso tenha mudado para atrair políticos como Heloísa Helena e Walter Feldman, que entrariam no Rede. Mas, creio que mesmo o ex-tucano aceitaria uma clara definição social e radical do partido que seria criado.

Uns podem dizer que as influências e apoios recentes de Marina, como o banco Itaú, disfarçado de “empresa responsável e sustentável” a impeçam de ser o que realmente é (ou foi).

Se por um lado, ela não fugiu de temas como corrupção, reforma política, casamento gay e black blocs durante a entrevista ao Roda Viva; por outro creio que falta nela, pra mim, algo de Plínio, Heloísa, de radicalismo (ou de PSOL) para abarcar de vez os insatisfeitos com os dois (ou três) maiores partidos que governam o país há duas décadas.

por Celsão correto

figura retirada do site oficial de Marina Silva (aqui)

link para vídeo do programa Roda Viva (aqui)