Posts Tagged ‘direitos humanos’

static1.squarespace.comGostaria de usar esse post para divulgar uma mensagem que muito me espantou.
(uns podem dizer que é uma fuga dos temas políticos da semana. Na realidade, quero “digerir” os acontecimentos e fugir dos memes e das conclusões já conhecidas e alarmadas outrora)

Voltando ao tema…
A prefeitura de São Paulo aceitou uma petição criada na página Change.org (aqui a petição e aqui a vitória comemorada no Facebook).
A tal petição pedia para que as bandeiras do orgulho LGBT permanecessem na praça, no caso, no Largo do Arouche, mesmo depois do dia do Orgulho LGBT. E o local já representa na cidade um símbolo de luta contra a homofobia.

Pra quem não conhece São Paulo, pode desmerecer esta vitória. Mas a nossa “megalópole” apresenta múltiplas variações de personagens e personalidades.
Há resistência de todas as minorias; sim, é verdade. E há organização por parte dessas, com pleitos, celebrações e ganhos marginais.
Mas há muito, mas muuuito preconceito (perdão pelo exagero disfarçado de neologismo). Sem mencionar a arrogância.
O preconceito era outrora estampado em célebres gazetas, como o “Notícias Populares”. E ainda segue sua sina em todo rincão ou esquina da cidade. Todo paulistano ou cidadão brasileiro que aqui vive tem a sua opinião distorcida, o seu “quê” problemático e discriminatório. Mas sempre com aquela frase distorcida…
“Nada tenho contra negros, mas…”
“Eu até entendo o problema dos usuários de drogas, na ‘Crackolândia’, só que…”
“O cunhado do meu genro é gay. Eu os aceito, porém…”

Nem é preciso citar exemplos, pois são inúmeros e recorrentes.
De gays agredidos e espancados ao caminhar na rua e em casas de show, a mulheres abusadas moral ou fisicamente todos os dias.

Achei importante a posição tomada pelo prefeito. Acho que este governo Haddad (que já critiquei e elogiei aqui no blog) primou por ouvir, por fazer valer as opiniões e, sobretudo, as diferenças.
Creio honestamente que precisamos, primeiro como cidadãos, “fincar bandeiras” contra as discriminações diversas que sofremos e/ou observamos. Educarmos os mais jovens para que não as pratiquem e reprimirmos os mais velhos para que não as repitam.
E como cidade, como um órgão público e vivo, que seja o princípio da obtenção do pleno direito de ir e vir. Aqui não importando gênero, credo, opção sexual, cor da pele ou condição social. Que sejamos exemplo em algo maior, mais importante e mais amplo que PIB, IDH e desenvolvimento industrial.

por Celsão correto

figura retirada do próprio Facebook do Change.org.

P.S.: da mesma forma que no Avaaz, na página do Change.org é possível iniciar uma petição ou abaixo-assinado a favor ou contra algo. É possível começar a mudança. Pra quem não conhece, sugiro entrar na página e observar o que eles têm feito. No Brasil e no exterior!

 

O palco é a Alemanha. Uma cidade de médio porte, com pouco mais de cem mil habitantes.

Deitado num ponto de ônibus, estava um senhor grisalho, gritando por ajuda. Pessoas passavam e o ignoravam, algumas iam além e riam dele, insultando-o e descarregando algumas de suas frustrações.

Chegando perto pude perceber que o senhor pedia por uma ambulância, na realidade por um médico de emergência (Notarzt), ele gritava.
Foi chegando perto que percebi que ele exalava álcool, havia urinado nas próprias calças e que a pequena cadeira-andador que ele utilizava continha várias garrafas de cerveja terminadas.
Ele explicou, bastante consciente: “Sei que estou bêbado, mas preciso de uma ambulância. Não consigo tirar meu braço do banco”

Outros jovens passaram por mim e me disseram para que não me importasse. Que o bêbado era um velho conhecido daquele ponto, onde sempre dormia.
Quase fui embora, mas algo me fez voltar. Ele continuava gritando por socorro! E não falando palavras desconexas nem xingando ou praguejando, como muitos fazem nessa condição.
Perguntei para alguns taxistas parados nas imediações, que assistiam à cena, o número da ambulância. Se recusaram a informar: “Pra ele? Ele não precisa!”

Voltei ao ponto e pedi ao homem paciência.
Fui até outro ponto de ônibus e expliquei para um homem que eu era estrangeiro e não conhecia o número de emergência, mas que queria auxiliar o bêbado que pedia por auxílio.
O desconhecido me acompanhou, tentamos ambos levantar o senhor e tirar o seu braço preso entre o bando e o vidro do ponto de ônibus, chamamos a emergência, que fez as perguntas de praxe e insistiu para que tentássemos por nós mesmos tirar o homem daquela posição.
Depois de alguma insistência, conseguimos!

E daí foi incrível a sensação!
A expressão de agradecimento em meio a dor, enquanto mexia o braço que provavelmente formigava.
A alegria do companheiro de empreitada, ao desligar o telefone informando que não precisaríamos de ambulância.
E as lágrimas daquele senhor bêbado, que juntou as mãos em agradecimento, enquanto insistíamos que não era necessário…

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humanos_inumanosPor que não tratamos seres humanos como tal?
Por que a aparência conta tanto aos nossos olhos e a nosso julgamento?

Ter preconceito contra bêbados é algo plausível. Cada um tem uma ou mais histórias que podem levar a odiar bebidas alcoólicas e, de tabela, aos que fazem uso abusivo delas.
Mas discriminação é algo que podemos controlar. E… ignorar o modo como interpretamos os seres humanos por serem bêbados inveterados, nordestinos, negros, gordos, mulheres, deficientes, asilados… é algo prejudicial a toda a sociedade!

Existem inúmeros vídeos no Youtube com o título “O que você faria?”. O próprio Fantástico da TV Globo investiu nesse formato algum tempo atrás.
Os vídeos tratam de temas como violência contra idosos, preconceito, bullying…
O vídeo que quero chamar a atenção foi publicado pela UNICEF. E correlaciona a complicada relação entre aparência, roupas e penteado, por exemplo, com a qualidade ou “classificação” da pessoa. E, no caso, da criança.
O vídeo está abaixo.


Por que o exterior faz tanta diferença?
Acredito ser impossível numa primeira olhadela ou primeiro julgamento não correlacionar aspecto geral de trajes e limpeza com perigo iminente de assalto, por exemplo. (não sejamos hipócritas)
Mas daí a ignorar pedidos de socorro ou empurrar uma criança que se parecia estar perdida e assustada… há uma grande diferença.

Cito o diretor geral da UNICEF, Anthony Lake, no prefácio de um relatório que aponta que 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030…

Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: as vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples fato de terem nascido num determinado país, comunidade, gênero ou circunstância

É a velha e interminável discussão do TER e SER.
Verbos independentes que insistimos em manter juntos. Ao menos para muitos, lamentavelmente, só se É, quando se TEM.

por Celsão correto.

figura retirada daqui, retirada certamente do próprio vídeo. Direto no Youtube, caso o vídeo aqui inserido não funcione, assista aqui

P.S.: detalhes dobre o relatório da UNICEF citado podem ser lidos aqui. O relatório em si também pode ser baixado.

revolução_francesa_esquerda_direitaHoje é meu aniversário.
Eu sou um cara de esquerda.

Fico pensando, quantas pessoas deixarão de me parabenizar por esse motivo. Fico pensando em quantos “amigos” já tive, e já não tenho mais, pelo simples fato de eu ser de esquerda, e por não esconder minhas ideias e ideologias. Fico pensando, inclusive, nos parentes que fizeram parte de minha caminhada, ás vezes me pegaram no colo, e hoje não irão me escrever, nem telefonar, e possivelmente, nem querem me olhar, por eu ser como sou, surpreendentemente (para eles), diferente da maioria dos do meu sangue.

No meio desta reflexão, fico pensando o que algumas pessoas entendem como “ser de esquerda”. Será que pensam realmente que comunistas comem criancinhas? Qual a motivação para discriminar, esnobar, menosprezar, desrespeitar, não tolerar, ou até mesmo, odiar alguém de esquerda? Realmente, isso não faz o menor sentido para mim, mas isso deve se dever, muito provavelmente, pela forma como eu conceituo a afirmação “ser de esquerda”. Vou explicar.

Ser de esquerda não significa: ser marxista, ser socialista, ser comunista, ser rebelde, ser ser ser…… Ser de esquerda significa simplesmente, ser de esquerda. E dentro da ideia de ser de esquerda, há uma infinidade de variantes, possibilidades, flexibilidades, ideologias. Assim como o há dentro do conceito “ser de direita”.

Para entender a complexidade disso, é preciso primeiramente entender de onde originam-se os termos “esquerda e direita”?
Bom, há diferentes levantamentos históricos que apontam para as possíveis origens. Aquele com o qual tive contato e mais me pareceu relevante e profissional é o seguinte: Na França, durante a Revolução Francesa, a Assembleia Nacional se dividia em partidários do Rei de um lado, e apoiadores da revolução do outro. Não é coincidência que os revolucionários estavam à esquerda, e os monarcas à direita.

Desde então, o conceito ideológico de “esquerda” indica uma pessoa que tende a ser contra o status quo, uma pessoa que luta por mais direitos ao povo, uma pessoa que se coloca contra a opressão, uma pessoa que levanta bandeiras iguais ou semelhantes à da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade).

Por que então definir alguém de esquerda como “socialista”, sendo que o termo tem origem mais antiga que a vida de Karl Marx?

Eu poderia aqui, inclusive, questionar os conhecimentos e preconceitos de quem considera algo “ruim” quando uma outra pessoa se diz admirador das teorias de Karl Marx. Inclusive, outro erro grotesco recorrente, é achar que o regime implantado por Stalin na Rússia, após a morte de Lenin em 1924, com o domínio militar dos arredores daquele país (URSS), ou o sistema vigente na Coréia do Norte, tem sincronia relevante com o trabalho intelectual feito por Marx. A complexidade teórica dos trabalhos de Marx, vai muito além do que qualquer sistema buscou implementar no mundo, e, em muitos aspectos, bem diferente. É o mesmo que criticar Adam Smith pelo fato dos EUA serem o país que mais geram guerras no mundo desde a segunda guerra mundial. Que culpa tem a teoria de Smith (capitalista)? Um simplismo lamentável, que enfraquece e deteriora o debate, gerando, ao invés de agregação de valor, um emburrecimento.

Mas mesmo assim, ser de esquerda, não é ser marxista, necessariamente. Até pode-se dizer, num geral, que ser marxista é ser de esquerda, mas não o contrário. Regra de conjuntos (lembram da matemática? A pertence a B, mas B não pertence a A.)

O conceito “esquerda”, inclusive, é um conceito mutável, variável, de acordo com a cultura, com o “tempo”, com o “espaço” em que se vive.

Por exemplo, há 50 anos no Brasil, eram de esquerda aqueles que lutavam pelos direitos dos mais pobres. Mas poucos de esquerda lutavam pelos direitos civis dos homossexuais. Há 150 anos no Brasil, dificilmente alguém de esquerda estaria lutando pelo fim da escravidão, pois a mentalidade da época, num geral, era atrasada para esse debate, a escravidão era algo completamente normal. Hoje em dia, até gente de direita, num geral, é contra a escravidão (apesar de bem criticarem os aumentos dos direitos trabalhistas e do salário mínimo de seus empregados).

Até mesmo num mesmo “tempo”, a aplicação do conceito “esquerda” pode variar dentro do “espaço”. Em Israel, poderíamos dizer que ativistas que lutam pelo fim do massacre contra a Palestina, e que protestam pelo respeito à vida dos muçulmanos palestinos, são pessoas de esquerda. Ou seja, em Israel, defender os direitos do muçulmanos, e se posicionar a favor dos mesmos, é ser de esquerda.
Já no Afeganistão, ser contra o Talibã, contra todo e qualquer tipo de radicalismo muçulmano, e se posicionar requerendo mais direitos aos católicos e adeptos de outras religiões naquele país, é ser de esquerda.
Portanto, defender muçulmanos pode ser uma ação de esquerda ou não, dependendo do espaço/cultura em questão.

Assim, se quisermos tentar generalizar algo, podemos dizer que ser de esquerda é: defender ideais e atitudes que visem diminuir as injustiças do mundo, que visem trazer direitos, liberdades e responsabilidades iguais a TODOS os seres humanos, independente de sua orientação sexual, cor de pele, religião, cultura, gênero, idade. É lutar por toda e qualquer minoria oprimida dentro de uma cultura naquele “espaço x tempo”. Ser de esquerda é não aceitar barbaridades, sendo elas uma vez identificadas. Ser de esquerda, é, antes de mais nada, sonhar com um mundo cada vez melhor para nós, e para os outros, entendendo limitações de perspectiva de “certo e errado” num determinado “espaço x tempo”.

Dentro destas perspectivas abordadas, penso naqueles que têm qualquer tipo de impressão ou sentimento ruim/negativo contra “pessoas de esquerda”. Há algumas explicações lógicas para esses sentimentos.

1)      Não concordar com as utopias que descrevi acima: Isso implicaria claramente na conclusão de que essa pessoa é desprovida de bondade e amor para com o próximo em seu coração. Portanto, se tem sentimentos ruins contra mim (ou alguém de esquerda), faz sentido, pois somos opostos no coração.

2)      Consideram ingênuos quem possui tais utopias: Bom, mesmo que fossemos ingênuos, seria ingenuidade motivo para dispensarmos más impressões e sentimentos ruins para com a pessoa? Seria, o fato de sonhar “ingenuamente” com um mundo melhor, um motivo para desgostar de alguém? Mesmo que na prática nossas ideologias fossem impraticáveis, não bastaria conhecer os sonhos e o bom coração de alguém para admirar-lhe, ou ao menos, respeitar-lhe?
E…. sabendo que há poucas verdades absolutas no mundo, e que estamos, num geral, buscando evoluir e aprendendo novas verdades, o que seria um erro mais grave: possuir boas e justas ideias, e, mesmo sabendo difícil, tentar buscar formas de aplicar-lhes na vida real; ou dar de ombros e simplesmente viver de acordo com a realidade existente, e aceitando o mal, inclusive, vivendo de parte dele para ganhar sua vida?

3)      Um desconhecimento completo do que o termo esquerda significa: se esse o caso, penso que lendo este meu texto, e possuindo um pinguinho de humildade, já seria suficiente para eliminar o ponto 3 de sua vida.

Mais explicações coerentes não consigo enxergar para explicar tais sentimentos.

Fico feliz por estar aumentando, diariamente, o número de pessoas pelas quais tenho carinho e sou retribuído, mundo a fora. E claro, lamento por aqueles que se foram, deliberadamente, de minha vida, ou aqueles que eu mesmo tive que retirar, por estarem presentes no ponto “1)” descrito acima, pois de pessoas perversas, realmente, eu busco me distanciar.

por Miguelito Formador

figura daqui

brasil-invasao-terreno-itaquera-20140507-001-size-598Há algum tempo vê-se em São Paulo um aumento estrondoso de ocupações de terrenos públicos e privados pelo movimento dos trabalhadores sem teto, ou MTST.
A reivindicação de ter uma moradia, totalmente justa e plausível na minha opinião, carece de organização e de planejamento por parte do governo, no caso, a prefeitura, e também do movimento.

Os proprietários, a imprensa e a elite criticam as invasões chamando-as de fantasmas; usando o fato real de que os acampamentos ficam quase vazios durante a noite. Ora, muitos dos integrantes vivem em imóveis alugados ou barracos de madeira em favelas; logo, têm uma moradia que apresenta melhores condições de higiene e segurança que as tendas montadas precariamente nos terrenos invadidos. E, sem ter a certeza de que o novo lar surgirá daquela ocupação, nem o prazo para isso, não dá pra abandonar o kitnet alugado.

Organização e Reurbanização

Do lado do governo, seria interessante um cadastro único e funcional, tanto de membros do MTST, quanto de futuros moradores incluindo os cadastrados para habitações populares, como o Minha Casa Minha Vida; não esquecendo de colocar na lista os terrenos de possível construção das moradias. Essas listas poderiam servir de base para uma reurbanização inteligente da cidade e até do estado.
Por exemplo, se a Mooca, Brás e Barra Funda passam a ser bairros estritamente residenciais; seria salutar para a cidade se terrenos comprados pela prefeitura ou abandonados por fábricas falidas, servissem ao menos em parte, para habitações populares.
Pensando mais macro, existem problemas de mão-de-obra em cidades médias do estado de São Paulo. Estas cidades, que demandam trabalhadores mas nem sempre os encontram, serviriam como base para “migrar” as grandes populações para fora da cidade de São Paulo.
Não é para segregar, mas para garantir ao mesmo tempo moradia, emprego e qualidade de vida; já que em São Paulo os pobres ocupam periferias cada vez mais longe do centro e têm de se deslocar cada vez mais.

Outro ponto importante pra mim é o comprometimento do cidadão beneficiado com uma moradia dessas (serve também para terrenos no caso do MST). Não é justo haver a doação ou benefício e, alguns meses depois, a venda do imóvel e o retorno do beneficiado ao grupo dos reivindicantes. Os bens seriam da prefeitura, portanto, intransferíveis. Isso ajudaria a conter ímpetos gananciosos. Os arruaceiros e os chamados de “zóião” pelo movimento, pessoas que dividem a família e se instalam em mais de um barraco, seriam contidos pelo cadastro unificado.

Compensações sociais

Uma outra medida, que ao meu ver seria eficiente para a recolocação de famílias seria a imposição de compensações sociais aos empreendimentos erguidos Brasil afora por grandes construtoras.
Uma Cirella precisaria aplicar parte do lucro obtido de um prédio comercial no Morumbi em construções populares em Itaquera, no terreno chamado Copa do Povo, por exemplo. Como os custos com a construção e os valores de venda estariam em outra escala de grandeza, não seria difícil para a incorporadora, ou mesmo para os clientes, arcar com parte dos valores das moradias populares.
A lei já prevê que haja compensação ambiental em caso de desmatamento e uma outra compensação nas vias e trânsito feita pela prefeitura, através do recolhimento do imposto sobre serviços (ISS). Imposto aliás, que foi tema recente de escândalo de sonegação por parte de fiscais. (aqui)

Passando há alguns meses por uma invasão perto de casa, fui questionado sobre minha opinião por um taxista.
Disse a ele que pode parecer cruel ao ricaço, que comprou um apartamento de duzentos e tantos metros quadrados por mais de um milhão de reais, ter vizinhos em apartamentos padrão Projeto Cingapura. Mais é no mínimo humano dividir um terreno gigante em torres de alto padrão e prédios populares. E, se a construtora preferir que a compensação social ocorra longe dali, tudo bem.

Mais radical ainda, pensando que 1% dos mais ricos de São Paulo recebem 20% da renda da cidade (link aqui), proponho doações desse povo para diminuir o déficit habitacional. Os menos radicais podem chamar de imposto sobre grandes riquezas. Os abastados poderiam escolher entre doar quantias em dinheiro ou terrenos e prédios. Tal ideia também seria aplicável à grandes fazendas, normalmente controladas por aqueles que detém incontáveis terras.

O que não dá mais pra fazer é ignorar o problema da falta de moradias e de condições para que trabalhadores a possuam; ou sucumbir a caprichos de líderes que buscam ascenção política e/ou financeira.

por Celsão correto

figura retirada daqui

Conservadorismo_Aborto_religiaoAnalisando a pesquisa Ibope da semana passada, podemos tirar algumas conclusões sobre a sociedade brasileira e sobre o perfil dos eleitores de Marina Silva e Dilma Rousseff.

 

 

Ibope delineia a sociedade brasileira: Assustadoramente conservadora!

Pena de morte: Os EUA é um dos únicos países desenvolvidos onde há pena de morte. Na Europa, não há. No Brasil, 46% da população defende a pena de morte. Um atraso mental e totalmente contra os ensinamentos de Jesus Cristo (mais de 80% da sociedade brasileira é Cristã), ou seja, contraditória.

Maioridade Penal: É quase unanimidade entre os países desenvolvidos, a maioridade penal acima de 18 anos, e para alguns efeitos, 21 anos. Mas o Brasil, na contramão da evolução mundial, quer retroceder e reduzir a maioridade penal para 16 anos, ou talvez, 14 anos, com 80% da população sendo a favor da redução.

Casamento Gay: Enquanto Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Canadá, Bélgica, Holanda, Uruguai, Argentina, entre outros, já oficializaram o casamento homossexual, 53% da sociedade brasileira rejeita o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quanta barbaridade!

Descriminalização do aborto e da maconha: Tópicos importantíssimos também já debatidos e aprovados constitucionalmente em diversos dos países desenvolvidos, entre eles muitos dos já citados acima. No Brasil porém, ambos os temas possuem rejeição de 79% da população. Um número assustador.

Aí percebemos como é difícil levantar bandeiras progressistas, num país tão conservador. Imaginem se um político, presidente, senador, prefeito, governador tentar assumir esses temas como prioridade: acabará sendo rejeitado e odiado pela maior parte da população.
Nessa perspectiva, só há uma solução viável: Uma revolução no sistema de ensino do Brasil, inserindo temas de interesse da sociedade, trabalhando o senso crítico e o interesse pela política, fortalecendo a sociologia e antropologia, trabalhando e dando liberdade às diversas culturas e formas de pensar, trabalhando o respeito às individualidades, e dando ênfase na formação do perfil ético-social do cidadão.

O Ibope delineia o perfil dos eleitores: mais pobres com Dilma, mais ricos com Marina.

Marina: Classe média alta e ricos. Regiões Sul e Sudeste. Evangélicos (num geral, religiosos mais radicais e mais manipulados pelas Igrejas). Jovens de 16 a 24 anos (normalmente despolitizados, sem conhecimento, sem malícia e sem bagagem histórica).

Dilma: Classe média baixa e pobres. Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Católicos. Adultos de mais de 34 anos (normalmente mais politizados, mais cientes de suas responsabilidades civis, e menos ingênuos devido a experiências passadas).

Pense nesses perfis e reflita sobre quem você está apoiando: o povo que necessita de suporte, ou a velha oligarquia que luta para voltar a ter todas vantagens possíveis, em detrimento dos direitos do pobre e das minorias.

Para ler mais sobre o assunto, clique AQUI

por Miguelito Formador

figura daqui

Palestina_devastadaDeixa eu ver se entendi direito…
Quase um mês de confronto em Gaza e agora me aparece o Obama dizendo que mandará 225 milhões de dólares para o sistema de defesa anti-aérea de Israel?
É isso mesmo?

Nem quero falar do passado, das invasões, da criação do Estado de Israel com o “deslocamento forçado” dos palestinos, falemos só dessa última etapa desta “luta contra o terror”.

Inúmeros alvos civis foram atingidos; de acordo com a versão oficial buscavam-se trinta e poucos túneis secretos que levariam ao território Israelense. Entre os alvos civis, 142 escolas foram bombardeadas, sendo 89 delas escolas-refúgio da ONU. Ou seja, mesmo que houvesse um túnel ali, saindo daquele ponto, este túnel não deveria necessariamente ser explodido numa escola, certo?
A própria Unicef calcula que 408 crianças morreram, 2500 ficaram feridas e mais de 370 mil precisarão de apoio psicológico para transpor o trauma (fonte: Unicef).
E isso só pra citar as crianças! Inocentes e indefesas crianças!
Na fonte da Unicef há uma curiosa comparação: pela extensão territorial e densidade populacional, se fosse feito nos EUA, seria como assassinar 200 mil crianças!

Como pedir que estes jovens sobreviventes a tais ataques não odeiem Israel, os Estados Unidos, e, generalizando, o Ocidente?

Como pode um país com a terceira força bélica do mundo, manter um cerco desumano em Gaza por quatro semanas e assassinar mais de 1800 pessoas? E ainda manter a cara-de-pau de bradar ao mundo que os palestinos também mataram israelenses? (a contagem oficial fala em 67, sendo somente três civis)

Como puderam atacar durante um cessar fogo combinado de sete horas para ajuda humanitária, atirando um míssil e matando mais de 50 pessoas?

Como podem os “pobres judeus” ainda se dizerem perseguidos e dependentes de apoio do “primo rico” Estados Unidos após tantas atrocidades?

232512_630x354Li nalgum lugar e repito aqui: é até cômico ver o povo judeu fechando um cerco a outro povo, deixá-lo sem energia elétrica, saneamento básico, comida, ou seja condições dignas e infringi-lo com mísseis de longo alcance a alto poder de destruição.
É o novo campo de concentração! E permito-me dizer: não deixa nada a desejar a Auschwitz! Dada a dessemelhança de condições, poderio bélico e financeiro.
Longe de mim pregar o anti-semitismo. Não odeio os judeus, nem Israel. Mas foi desproposital, desumano, desnecessário…

Uma professora especialista em Oriente Médio declarou que estamos diante do terceiro grande deslocamento populacional palestino da história. O primeiro foi na instituição de Israel (em 1948), a segunda com a ocupação dos territórios palestinos da Cisjordânia em 1967 e neste deslocamento, tem-se 400 mil pessoas deslocando-se da fronteira arrasada para o centro de Gaza.

Não creio que verei a paz entre esses povos, tampouco a devolução da Cisjordânia ou a legitimação do Estado e Povo Palestino por Israel. Mas o que me emputece é ver o apoio unilateral dos EUA a Israel; pois mesmo sabendo que toda ajuda humanitária se faz necessária em Gaza no mesmo momento (a agência das Nações Unidas pediu ajuda de US$187 milhões para reconstrução e suporte aos que se deslocaram – aqui), decidem enviar US$225 milhões para o sistema de defesa “Iron Dome” israelense (notícia aqui – em Inglês).

por Celsão revoltado

figuras retiradas do próprio vídeo sobre a ajuda solicitada pela ONU (aqui) e daqui

P.S.: dois links de leitura rápida: sobre o rompimento do cessar fogo de sete horas (aqui) e a opinião da ONU (infelizmente inoperante) sobre o ataque às escolas da própria ONU (aqui)

CaridadePretendo aqui tratar, de uma forma um tanto quanto dura, da caridade. Sei que a abordagem utilizada por mim é polêmica, desagradará a muitos, e estarei vulnerável para levar “pedradas”, mas o que se há de fazer? Certos assuntos geram dor, por tocarem nas nossas maiores fraquezas e disfarces.

Fazer caridade, doações, tirar férias para ir para África, Américas ou Ásia trabalhando em projetos sociais, e coisas do gênero, são ações bonitas e mostram ética e moral elevadas normalmente, mas de pouco adiantam para fazer do mundo um lugar realmente mais justo e mais igualitário.
Aproveito aqui para indicar um excelente artigo que sugere que boa parte das doações da Inglaterra, assim como do Mundo, para a África e países “subdesenvolvidos” num geral, acabam sendo redirecionadas não ao povo carente, mas sim às grandes corporações que atuam nestes países, principalmente as indústrias do agronegócio. Acesso o curto, porém excelente artigo clicando AQUI

O único caminho para realmente causar transformações duradouras no mundo é mudando nossa postura. Refletir sobre o nosso consumo, sobre nosso estilo de vida, nossas casas, o que nosso trabalho traz para o mundo. Refletir sobre a educação que damos aos nossos filhos e pessoas em nossa área de influência.
Temos que sair da zona de conforto intelectual(pois nos é ensinado que a vida é assim mesmo, o ser humano é mal de natureza, e algumas pessoas tem mais sorte, outras menos… e assim nos tornamos passivos, coniventes, “cúmplices” das desgraças e barbáries do mundo).
Nesta mesma linha de raciocínio gostaria de indicar-lhes um excelente vídeo, de somente 20 minutos, que faz uma explicação didática de como funciona nosso sistema vigente, tendo como base de sustento o consumo desenfreado, e como o mesmo é insustentável e catastrófico a médio e longo prazo. Clique AQUI

Temos que nos tornarmos mais críticos, questionadores. Entendermos de uma vez por toda que fomos educados para sermos alienados e manipulados, e assim sermos máquinas perfeitas de consumo e incapazes de criticar o sistema e mudar nossas posturas, seja pela alienação, seja pela nossa falta de tempo (o que também gera alienação), afinal, o sistema, nossos trabalhos, nos consomem por inteiro.

Temos que entender a seriedade do problema da degeneração do sistema educacional e da mídia. E tendo nosso interesse despertado para a crítica e por nos informarmos melhor, agiremos “politicamente” de forma ativa, direta- ou indiretamente, lutando para que ações políticas sejam tomadas visando melhorar a qualidade e os rumos da educação, visando reformar os valores das pessoas desde criança, e em paralelo outras ações devem ser tomadas garantindo mais direitos e mais justiça não para sua família, nem para o seu bairro, não para sua cidade, nem para seu país, mas para o Mundo como um todo, para todas as pessoas do Planeta.

A caridade sozinha, sem uma crítica político-social pesada em paralelo, é como tentar frear um rio com o próprio corpo. É como tentar apagar o incêndio de uma mata utilizando-se de copos de água. A intenção é boa, mas o impacto é pequeno.
Para resultados concretos, eficazes e duradouros, a única solução é a mudança de comportamento e atitudes, lutar por uma educação que seja ferramenta para gerar senso crítico e que ensine o ser humano a viver bem e de forma justa, ética e honesta; e lutar por interferência política em prol daqueles que mais necessitam de suporte e apoio.
Tudo que fugir muito disso, é mera tentativa de frear o rio. É bonito e nobre, mas pouco eficiente.

Se você pratica caridade, do fundo de meu coração, eu bato palmas para você. Continue, pois o resultado certamente é positivo. Mas busque em paralelo desenvolver este lado crítico em você, busque entender e levar a sério o poder de mudança que a política possui, seja ativo no processo de mudanças duradouras. Mas continue praticando a caridade, pois ela conforta, mesmo que provisoriamente, as dores do próximo, além de trazer a nós mesmos conforto espiritual.

por Miguelito Formador

figura daqui

 

Egypt_death_sentencesBaseados em especulações e preconceitos, e sem o menor embasamento científico, chove na mídia, no facebook, nas mesas de bares, ataques às “ditaduras” da Venezuela e de Cuba.
A imagem na cabeça vazia dos preconceituosos é que Fidel, Chávez, Maduro, seriam sanguinários, odiados pela população, ditadores que torturam, matam, não respeitam quaisquer direitos humanos.

Enquanto isso, ironicamente e assustadoramente, ninguém fala de Israel, Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes, Turquia, ou, atualmente, Egito. Já pararam para se perguntar “por que o mundo se preocupa tanto com Venezuela e Cuba, e tão pouco com esses outros países?”

Se você é um desses, sente-se e reflita sobre a questão.
Olhem o que está acontecendo neste momento no Egito, onde há um governo que ascendeu recentemente com um golpe militar aplicado contra o governo anterior, o qual havia sido eleito democraticamente. Este atual governo, assim como Arábia Saudita, Israel, entre outros, é apoiado pelo ocidente (Europa + EUA). Esta semana, 529 pessoas (todos opositores políticos ao governo e que reivindicam o restabelecimento do governo eleito democraticamente) foram condenados à morte!

Imaginemos se fosse Cuba ou Venezuela condenando 500 à morte numa bolada só! EUA invadiriam a ilha no mesmo instante, com todo o apoio da maioria das sociedades do mundo, e o facebook soltaria fogos em comemoração. Afinal, já chegou a hora de dar um basta nesta ditadura comunista onde come-se (no sentido gastronômico) criancinhas, e mandar para o inferno esse Fidel (onde Hugo Chávez lhes espera), Maduro e suas famílias, lugar de onde eles nunca deveriam ter saído, esses monstros!

Para assinar à petição do Avaaz que será enviada ao Governo egípcio pedindo para que esta decisão não seja executada, clique AQUI

A ONU diz que a decisão viola Leis Internacionais, por condenar à morte 529 pessoas em 2 dias de “julgamento”, sem respeitar, portanto, os direitos constitucionais de qualquer cidadão a um julgamento equitativo. Clique AQUI

Para ler a reportagem no site da Anistia Internacional, clique AQUI

por Miguelito Nervoltado

figura daqui

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Parte do que sou e do que admiro num ser humano, morreu ontem.

Líder, ético, engajado, inspirador. Um exemplo, um ícone de cidadania, perseverança, luta contra as desigualdades raciais e sociais.

São tantos adjetivos e superlativos que este post parecerá piegas demais.

Mas não havia como não fazê-lo…

 

Nossa geração não foi contemporânea de outros nomes importantes na luta contra o racismo, como Malcolm X, Martin Luther King ou Zumbi dos Palmares. E, como negro, impossível não identificar em Mandela um ídolo.

 

Ele abnegou da vida “confortável” (para um negro na África do Sul) de um advogado, abdicou da família, de sua própria vida por uma causa. E uma causa que não era só dele, mas também de seu povo sofrido, de seu país. Algo que serviria também de exemplo para o mundo!

E mais, depois de 27 anos de prisão, quando as pressões internacionais apertaram e sua liberdade estava próxima, escreveu ao então presidente Frederik de Klerk oferecendo uma aliança, uma transição pacífica, um governo de todos os habitantes sul-africanos e para todos: negros, mestiços e brancos.

Este movimento “secreto”, sem o aval ou o consentimento dos aliados do ANC (Congresso Nacional Africano), foi criticado por eles; mas pôde minimizar o que seria um “racismo às avessas” ou um “contra ataque” dos negros.

Ou seja, Nelson Mandela foi além de seu orgulho, de sua luta e quis, como resultado final, perdoar o seu inimigo e aliar-se a ele, para ter um governo pleno, sem distinções, sem racismo!

Me sinto sozinho. Creio que o mundo se sente um pouco mais sozinho.

Espero que descanse em paz e que surja em Johanesburgo, Pretória ou na vila em que nasceu um monumento em sua memória, para que eu tenha o prazer de visitá-lo um dia.

Adeus Madiba!

por Celsão correto

P.S.: já havíamos feito um post sobre o Mandela aqui.

P.S.2: figura retirada daqui

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Mas afinal, o que são os direitos humanos universais? Alguém sabe?

Assista a esse sucinto e esclarecedor vídeo de apenas 9 minutos feito pela “United for Human Rights”, clicando AQUI.

Para acessar a cartilha da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e conhecer quais são os 30 direitos fundamentais do ser humano, estipulados pela ONU, clique AQUI.

Para ler uma crítica ao desrespeito aos Direitos Humanos, clique AQUI.

por Miguel Formador