Posts Tagged ‘direitos humanos’

CaridadePretendo aqui tratar, de uma forma um tanto quanto dura, da caridade. Sei que a abordagem utilizada por mim é polêmica, desagradará a muitos, e estarei vulnerável para levar “pedradas”, mas o que se há de fazer? Certos assuntos geram dor, por tocarem nas nossas maiores fraquezas e disfarces.

Fazer caridade, doações, tirar férias para ir para África, Américas ou Ásia trabalhando em projetos sociais, e coisas do gênero, são ações bonitas e mostram ética e moral elevadas normalmente, mas de pouco adiantam para fazer do mundo um lugar realmente mais justo e mais igualitário.
Aproveito aqui para indicar um excelente artigo que sugere que boa parte das doações da Inglaterra, assim como do Mundo, para a África e países “subdesenvolvidos” num geral, acabam sendo redirecionadas não ao povo carente, mas sim às grandes corporações que atuam nestes países, principalmente as indústrias do agronegócio. Acesso o curto, porém excelente artigo clicando AQUI

O único caminho para realmente causar transformações duradouras no mundo é mudando nossa postura. Refletir sobre o nosso consumo, sobre nosso estilo de vida, nossas casas, o que nosso trabalho traz para o mundo. Refletir sobre a educação que damos aos nossos filhos e pessoas em nossa área de influência.
Temos que sair da zona de conforto intelectual(pois nos é ensinado que a vida é assim mesmo, o ser humano é mal de natureza, e algumas pessoas tem mais sorte, outras menos… e assim nos tornamos passivos, coniventes, “cúmplices” das desgraças e barbáries do mundo).
Nesta mesma linha de raciocínio gostaria de indicar-lhes um excelente vídeo, de somente 20 minutos, que faz uma explicação didática de como funciona nosso sistema vigente, tendo como base de sustento o consumo desenfreado, e como o mesmo é insustentável e catastrófico a médio e longo prazo. Clique AQUI

Temos que nos tornarmos mais críticos, questionadores. Entendermos de uma vez por toda que fomos educados para sermos alienados e manipulados, e assim sermos máquinas perfeitas de consumo e incapazes de criticar o sistema e mudar nossas posturas, seja pela alienação, seja pela nossa falta de tempo (o que também gera alienação), afinal, o sistema, nossos trabalhos, nos consomem por inteiro.

Temos que entender a seriedade do problema da degeneração do sistema educacional e da mídia. E tendo nosso interesse despertado para a crítica e por nos informarmos melhor, agiremos “politicamente” de forma ativa, direta- ou indiretamente, lutando para que ações políticas sejam tomadas visando melhorar a qualidade e os rumos da educação, visando reformar os valores das pessoas desde criança, e em paralelo outras ações devem ser tomadas garantindo mais direitos e mais justiça não para sua família, nem para o seu bairro, não para sua cidade, nem para seu país, mas para o Mundo como um todo, para todas as pessoas do Planeta.

A caridade sozinha, sem uma crítica político-social pesada em paralelo, é como tentar frear um rio com o próprio corpo. É como tentar apagar o incêndio de uma mata utilizando-se de copos de água. A intenção é boa, mas o impacto é pequeno.
Para resultados concretos, eficazes e duradouros, a única solução é a mudança de comportamento e atitudes, lutar por uma educação que seja ferramenta para gerar senso crítico e que ensine o ser humano a viver bem e de forma justa, ética e honesta; e lutar por interferência política em prol daqueles que mais necessitam de suporte e apoio.
Tudo que fugir muito disso, é mera tentativa de frear o rio. É bonito e nobre, mas pouco eficiente.

Se você pratica caridade, do fundo de meu coração, eu bato palmas para você. Continue, pois o resultado certamente é positivo. Mas busque em paralelo desenvolver este lado crítico em você, busque entender e levar a sério o poder de mudança que a política possui, seja ativo no processo de mudanças duradouras. Mas continue praticando a caridade, pois ela conforta, mesmo que provisoriamente, as dores do próximo, além de trazer a nós mesmos conforto espiritual.

por Miguelito Formador

figura daqui

 

Egypt_death_sentencesBaseados em especulações e preconceitos, e sem o menor embasamento científico, chove na mídia, no facebook, nas mesas de bares, ataques às “ditaduras” da Venezuela e de Cuba.
A imagem na cabeça vazia dos preconceituosos é que Fidel, Chávez, Maduro, seriam sanguinários, odiados pela população, ditadores que torturam, matam, não respeitam quaisquer direitos humanos.

Enquanto isso, ironicamente e assustadoramente, ninguém fala de Israel, Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes, Turquia, ou, atualmente, Egito. Já pararam para se perguntar “por que o mundo se preocupa tanto com Venezuela e Cuba, e tão pouco com esses outros países?”

Se você é um desses, sente-se e reflita sobre a questão.
Olhem o que está acontecendo neste momento no Egito, onde há um governo que ascendeu recentemente com um golpe militar aplicado contra o governo anterior, o qual havia sido eleito democraticamente. Este atual governo, assim como Arábia Saudita, Israel, entre outros, é apoiado pelo ocidente (Europa + EUA). Esta semana, 529 pessoas (todos opositores políticos ao governo e que reivindicam o restabelecimento do governo eleito democraticamente) foram condenados à morte!

Imaginemos se fosse Cuba ou Venezuela condenando 500 à morte numa bolada só! EUA invadiriam a ilha no mesmo instante, com todo o apoio da maioria das sociedades do mundo, e o facebook soltaria fogos em comemoração. Afinal, já chegou a hora de dar um basta nesta ditadura comunista onde come-se (no sentido gastronômico) criancinhas, e mandar para o inferno esse Fidel (onde Hugo Chávez lhes espera), Maduro e suas famílias, lugar de onde eles nunca deveriam ter saído, esses monstros!

Para assinar à petição do Avaaz que será enviada ao Governo egípcio pedindo para que esta decisão não seja executada, clique AQUI

A ONU diz que a decisão viola Leis Internacionais, por condenar à morte 529 pessoas em 2 dias de “julgamento”, sem respeitar, portanto, os direitos constitucionais de qualquer cidadão a um julgamento equitativo. Clique AQUI

Para ler a reportagem no site da Anistia Internacional, clique AQUI

por Miguelito Nervoltado

figura daqui

Nelson-Mandela-Soweto-Soc-001

Parte do que sou e do que admiro num ser humano, morreu ontem.

Líder, ético, engajado, inspirador. Um exemplo, um ícone de cidadania, perseverança, luta contra as desigualdades raciais e sociais.

São tantos adjetivos e superlativos que este post parecerá piegas demais.

Mas não havia como não fazê-lo…

 

Nossa geração não foi contemporânea de outros nomes importantes na luta contra o racismo, como Malcolm X, Martin Luther King ou Zumbi dos Palmares. E, como negro, impossível não identificar em Mandela um ídolo.

 

Ele abnegou da vida “confortável” (para um negro na África do Sul) de um advogado, abdicou da família, de sua própria vida por uma causa. E uma causa que não era só dele, mas também de seu povo sofrido, de seu país. Algo que serviria também de exemplo para o mundo!

E mais, depois de 27 anos de prisão, quando as pressões internacionais apertaram e sua liberdade estava próxima, escreveu ao então presidente Frederik de Klerk oferecendo uma aliança, uma transição pacífica, um governo de todos os habitantes sul-africanos e para todos: negros, mestiços e brancos.

Este movimento “secreto”, sem o aval ou o consentimento dos aliados do ANC (Congresso Nacional Africano), foi criticado por eles; mas pôde minimizar o que seria um “racismo às avessas” ou um “contra ataque” dos negros.

Ou seja, Nelson Mandela foi além de seu orgulho, de sua luta e quis, como resultado final, perdoar o seu inimigo e aliar-se a ele, para ter um governo pleno, sem distinções, sem racismo!

Me sinto sozinho. Creio que o mundo se sente um pouco mais sozinho.

Espero que descanse em paz e que surja em Johanesburgo, Pretória ou na vila em que nasceu um monumento em sua memória, para que eu tenha o prazer de visitá-lo um dia.

Adeus Madiba!

por Celsão correto

P.S.: já havíamos feito um post sobre o Mandela aqui.

P.S.2: figura retirada daqui

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Mas afinal, o que são os direitos humanos universais? Alguém sabe?

Assista a esse sucinto e esclarecedor vídeo de apenas 9 minutos feito pela “United for Human Rights”, clicando AQUI.

Para acessar a cartilha da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e conhecer quais são os 30 direitos fundamentais do ser humano, estipulados pela ONU, clique AQUI.

Para ler uma crítica ao desrespeito aos Direitos Humanos, clique AQUI.

por Miguel Formador

Às  vezes me pego pensando em coisas que me parecem surreais.

Parece-me surreal saber que ainda nos dias de hoje, existem milhões de pessoas exercendo trabalho escravo em vários cantos do mundo.
Parece-me surreal saber que milhares de mulheres morrem anualmente pelo mundo à fora, por causa de agressões oriundas de comportamento machista e discriminatório contra o sexo feminino.
Parece-me surreal alguém ainda pensar que os negros são inferiores aos brancos.
Parece-me surreal discriminar um ser humano, ou tentar impedi-lo de gozar de direitos que são assegurados a todos os seres humanos, somente pela “escolha”/”natureza” de sua sexualidade.

Parece-me surreal a existência de milhões de crianças que não vão às escolas, pois precisam trabalhar o dia inteiro para ajudar os pais, ou talvez por não terem pais, ou talvez por não existir uma escola a uma distância menor que 300 km de sua casa, e estão assim, sucumbidas a uma vida marginalizada, de migalhas.
Parece-me surreal que religiões que já existem a milhares de anos, ainda não evoluíram ao mínimo ponto de recriminar duramente quando um sacerdote abusa sexualmente de uma criança.
Parece-me surreal pensar que tantas pessoas desfrutam de luxos que não são necessários para uma vida digna, justa e saudável, enquanto outras tantas milhões de pessoas pelo mundo não tem sequer água para beber, muito menos o que comer, quem dirá então ter uma cama, um teto, acesso à saúde, a um sabonete, pasta de dentes, a um prato e talheres, coisas que nunca viram na vida.

Parece-me surreal pensar que enquanto escrevo este texto, uma grande parcela do mundo está pensando, neste exato momento, em como gastar suas fortunas, comprando casacos de pele, ou comprando o maior iate do mundo, ou comprando o lançamento da Ferrari para o filhinho que passou no vestibular, ou viajando com toda a família de primeira classe luxo para uma paraíso artificial construído na  Turquia, ou Egito, ou Tailândia, que mais parecem fortalezas dentro de zonas de guerra; enquanto milhares de crianças estão caídas nos chãos da África sem conseguirem sequer se mover, neste exato momento, pois já não possuem mais qualquer energia, devido a falta de nutrientes e de água no corpo, expostas ao Sol de 50 graus, e com os urubus rodeando esperando que elas sucumbam.

Parece-me surreal que, enquanto escrevo este texto, todas atrocidades que citei acima, e várias tantas outras que não mencionei para não prolongar ainda mais o texto, estão acontecendo neste exato momento. Sacerdotes estuprando crianças e mulheres, homossexuais sendo espancados até a morte, torturados, ou simplesmente sendo privados de seus direitos legais, como o de contraírem matrimônio. Índios sendo expulsos de suas terras para a entrada de grandes empresas do agronegócio, de extração de madeira, ou de mineração.

Após  um longo caminho traçado durante nossa história, muitas lutas, muito sofrimento, muito progresso, muita evolução, e muito diálogo, muito estudo, muita técnica e muita reflexão, após o aprendizado sequencial com os erros já cometidos pelas sociedades no passado, ainda numa mistura de solidariedade, direito legal, bom senso, humanismo, respeito, ética, AMOR, foram definidos os direitos universais para todo o ser humano. E aí, surgem ainda hoje em dia, grupos de pessoas, de mentalidade pré-histórica, atrasadas, pouco evoluídas, que tem a prepotência de querer balbuciar pela revogação ou não cumprimento destes mesmos direitos universais, à partir de seus próprios julgamentos e preconceitos sem qualquer embasamento lógico ou racional.

por Miguelito Filosófico

Em tempo: Entenda o que são dos Direitos Humanos clicando AQUI

->Figura retirada da página