Posts Tagged ‘eleições 2014’

DISCUR~1Entrevistador – Boa noite candidato. Antes de mais nada gostaria de agradecer a sua presença.
Candidato – Eu que agradeço. Mas espero a compreensão do meu partido e dos meus eleitores sobre as respostas que darei.

Entrevistador – Como assim candidato?
Candidato – Serei sincero e verdadeiro nessa entrevista. Quero expor exatamente o que penso, sem rodeios ou respostas evasivas…

(E) – Ótimo. Começo então perguntando sobre a Previdência. O que o senhor acha do fator previdenciário e da desaposentação?
(C) – Boa pergunta! Infelizmente o nosso modelo previdenciário está condenado à falência e ao fracasso. Não temos como suprir salários dignos àqueles que trabalharam e contribuiram por tanto tempo. A medicina avançou, e com ela, a expectativa de vida da população. E agora, mesmo se aumentássemos a data mínima de aposentadoria para 75 anos, não conseguiremos pagar sequer um salário mínimo aos profissionais da iniciativa privada.

(E) – E qual seria a alternativa?
(C) – Não acho que a desaposentação seja. O único que me vem a cabeça é acabar com as aposentadorias integrais dos setores públicos. O teto deve valer pra todos, de pedreiros a juízes.

(E) – Seguindo na mesma linha, que reformas o senhor acredita serem necessárias?
(C) – Mais que necessárias, acho que as reformas tributária e política sejam essenciais nesse ponto. Chegamos no ápice da curva dos impostos e daqui pra frente, a maioria só buscará meios de burlar e sonegar. Vou taxar de verdade as fortunas e fazer uma “sociedade” com aquele 1% mais rico da população, se o Brasil crescer, eles também ganham, se não crescer muito, o dinheiro deles servirá para algo mais útil que iates e viagens caras. Acho que este é um bom momento para cobrarmos uma boa contribuiçào de quem tem muito a contribuir. Você sabia que 1% das pessoas em São Paulo tem 20% da renda da cidade (aqui)?

(E) – E a reforma política candidato, o senhor nada disse sobre ela.
(C) – Sou contra o financiamento de empresas, uma vez que já temos o fundo partidário e pessoas físicas podem doar e abater do imposto de renda. Sou contra as dezenas de partidos que temos e que se aninham para conseguir mais tempo, mais cargos e mais prestígios. É hora de cada um assumir suas ideologias e lutar por elas. Além disso, defendo o voto distrital misto, como forma de erradicar os “Tiriricas” e fazer com que cada “comunidade” seja representada e observe o seu próprio candidato. O problema é convencer os encostados dos parlamentares do meu partido, que teriam de mudar o modo como fazem política.

(E) – O que o senhor acha do crescimento do agronegócio em contrapartida com nossas florestas?
(C) – São questões imcompatíveis! Contraditórios! Ou bem temos floresta e somos o “pulmão do mundo”, ou bem produzimos safras recordes e suprimos todos os bifes comidos na China, sendo o “alimentador do mundo”. Se eu prometer expansão sustentável do agronegócio estarei mentindo! Acho que os Estados poderiam decidir se querem floresta ou soja, natureza ou pecuária. Ainda melhor seria que limitássemos ambos, estabelecendo um mínimo aceitável para floresta (incrementado ano a ano) e um máximo para produção de alimentos e pecuária (que, idealmente, diminuiria ano a ano, aumentando a produção com novas tecnologias). Mas, para isso, teremos de brigar com forças e famílias poderosas…

(E) – E o senhor lutaria pela reforma agrária?
(C) – Claro! Desde que as pessoas interessadas se comprometam a manter-se no campo e não emigrar para as complicadas áreas urbanas. Eu incentivaria a migração pro campo, mas manteria a posse da terra ao Estado, para proibir a venda afastando o latifundiário.

(E) – Plano de governo para a segurança pública, o senhor tem?
(C) – Essa é difícil. Achava que o aumento da renda diminuiria a violência diretamente… Creio que possamos contratar chefes do crime organizado para uma secretaria anti-crime. Da mesma forma como teremos hackers trabalhando na segurança digital, no meu governo.

(E) – E a educação, será prioridade em seu governo?
(C) – Com certeza! Tudo começa com a educação e deve ser pautado nela. Quero escolas públicas fortes, com processos de antigamente, provas, notas, repetência e até alguma evasão, inerente ao processo. Para os evadidos, escolas em tempo integral combinadas a esporte, música ou outro atrativo que os faça render, funcionando como recompensa. De nada adiantam porcentagens e números de alunos matriculados se formamos analfabetos funcionais e péssimos profissionais. Não podemos desistir da formação de profissionais e cidadãos. Embora seja preciso deixar claro pras famílias que escola sozinha não forma caráter!

(E) – Mas isso não é popular…
(C) – Não adianta manter vagabundo batendo na professora e passando de ano sem esforço. Cidadãos e profissionais, este é o objetivo da minha escola.

(E) – O que pretende fazer em infraestrutura?
(C) – Pretendo financiar as obras em estradas com o lucro das montadoras e demais obras com o lucro das construtoras e dos bancos.

(E) – Como? As montadoras reclamam dos impostos, dizendo que eles travam o desenvolvimento.
(C) – São um bando de chorões. Os bancos e construtoras lucram tanto que são os que mais doam para os partidos políticos.

(E) – Finalizando candidato, você acha que conseguirá aprovar alguma dessas leis no Congresso?
(C) – Minha vontade, prezado entrevistador, é dissolver esse Congresso, eleger um colegiado dez vezes menor, que seguiriam em seus empregos e votariam pela internet ou telefone. De quebra, economizaria uma bela quantia…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

Globo_MídiaDaqui de longe, não pude assistir ao vivo as entrevistas do Jornal Nacional com os presidenciáveis. Porém, num fim de tarde, assisti às 3 principais de uma vez só através da internet. O fiz na sequência: Aécio, Campos e Dilma.

Num primeiro momento, notei pouca discrepância na conduta das entrevistas, e pensei até estar havendo bastante imparcialidade por parte dos entrevistadores. Mas depois, revi alguns trechos das três, e já comecei a notar leves diferenças, nuances que exigem muita atenção para serem notadas.
Daí, para complementar, busquei artigos críticos, artigos estes escritos por especialistas no assunto, para tirar a dúvida se algumas mensagens escritas nas entrelinhas me passaram despercebidas. O resultado foi que sim, eu fui feito mais de bobo do que eu imaginava.

Quero abordar dois pontos específicos:
O primeiro é a conduta padrão dos entrevistadores em todas as entrevistas.
O Segundo é a diferença das entrevistas de Campos e Aécio, comparativamente com a entrevista da Presidente Dilma.

Conduta padrão das entrevistas

Os entrevistadores fazem perguntas já indicando qual a resposta correta, inserindo nas perguntas uma série de premissas nas quais querem nos fazer crer como verdades. Assim, o telespectador já é previamente induzido a pensar na solução para a pergunta, e aguarda que o entrevistado responda aquilo que espera. Caso isso não ocorra, o telespectador se frustrará e achará que o candidato está viajando na maionese, e portanto, está despreparado.
Não por coincidência, mas muito bem premeditado e em sintonia com o editorial e ideologias da emissora, essas premissas/preconceitos inseridos nas perguntas, levam normalmente a crer que ações neoliberais, pró-capitalismo, a favor das grandes empresas, contra os direitos trabalhistas, a favor da austeridade, a favor do capital estrangeiro, contra um Estado forte e protecionista, contra os avanços sociais, contra uma sociedade mais justa e igualitária, seriam as ações corretas para solucionar os problemas.

Exemplos:

1. Entrevista com Aécio Neves (Clique AQUI)

a) Na primeira pergunta de Bonner ele diz que, segundo economistas, para resolver os “problemas” da economia brasileira é necessário que o Governo realize um corte profundo de gastos, ou seja, assumir políticas de austeridade. E então pergunta a Aécio, se ele terá coragem de tomar tais medidas, ou não as tomará para não ser impopular.
-> Ora bolas, onde está a opção de resposta: “Bonner, discordo que austeridade seja necessária para resolver problemas econômicos!”?
Bonner assume que só há um jeito de resolver os problemas da economia: aplicando medidas de austeridade. Mas Paul Krugman, prêmio Nobel de economia em 2008, condena medidas de austeridade. Ignora que a austeridade em Portugal, Grécia e Espanha, está exterminando estes países. Cada vez mais economistas convergem nos malefícios de políticas de austeridade.

b) Bonner insiste na necessidade de redução de gastos públicos, no minuto 3:10.

c) Poeta começa aos 4:17 min sua pergunta sobre corrupção. Apesar da pergunta ser ao candidato do PSDB, ela cita diversas vezes o PT, para que o telespectador não se esqueça que o PT “também” tem casos de corrupção. E no fim, ela ajeita a bola novamente para Aécio chutar, ao pedir a ele que explique por que o PSDB é diferente do PT. Ele responde, obviamente, que a diferença é que o PT foi condenado pelo STF, e era justamente a resposta que o telespectador esperava. Pum! Imparciais…

d) Aos 10:55 min Poeta traz o tema Programas Sociais. Fala que Aécio promete manter os programas sociais criados pelo PT. E ao invés de concluir a pergunta de forma a exigir uma resposta nessa área, ela abre a oportunidade de Aécio desviar, quando ela diz “por que esses eleitores iriam querer mudar de presidente”?
-> Aécio aproveita a oportunidade e desvia, mudando de assunto e falando de economia e outras coisas, e não foca em Programas Sociais.

2. Entrevista com Eduardo Campos (Clique AQUI)

a) Na primeira pergunta de Patrícia Poeta, a qual começa aos 0:45 min, ela pontua ao candidato algumas propostas sociais do mesmo que gerariam aumentos de gastos públicos. Na sequência ela lembra ao candidato que ele promete baixar inflação. E então, de forma extremamente parcial e tendenciosa, ela diz que, segundo economistas, para baixar a inflação é necessário cortar gastos públicos, e não aumentar os mesmos (novamente fazendo o telespectador crer que somente políticas austeras podem salvar a economia). E pior, completa perguntando ao candidato, qual promessa ele não irá cumprir. Ou seja, ela conclui que, de um jeito ou de outro, ele estaria mentindo e enganando o eleitor!
-> Ora, a premissa é falsa, pois controle de inflação não é feito somente através da variável “controle de gastos públicos”.  A equação da inflação possui diversas variáveis, como por exemplo: taxa de juros, relação monetária para com o dólar, gastos públicos, especulação acionária, crescimento econômico, aumento do poder aquisitivo do cidadão, valor dos tributos sobre bens básicos (cesta básica), estímulos à produtividade, custos da produção, etc.
Portanto, Campos não precisaria necessariamente estar mentindo ou delirando, pois ambas as ações prometidas por ele podem sim serem feitas em paralelo.

b) Aos 4:10min Patrícia diz que o próximo ano será difícil, ajeitando a bola para Campos falar que sim, assim como este ano já está sendo difícil, por culpa do atual Governo.

c) Aos 8:11min Patrícia, de forma petulante e desrespeitosa, acusa Campos de ter colocado pessoas dentro do TSE para julgarem as contas dele mesmo, Campos.

3. Entrevista com Dilma Rousseff (Clique AQUI)

a) Na primeira pergunta, quilométrica (1:07 min), Bonner não só aponta que o Governo Dilma sofreu com diversos escândalos de corrupção, como faz questão de pontuar cada um deles. E depois provoca dizendo que parece que o PT descuida da questão ética e da corrupção.
-> Para o telespectador fica bem claro que o PT teve diversos escândalos de corrupção, pois é mais corrupto. Bonner ignora a intensificação da vigília à corrupção feita durante governo Dilma, e que isso gera, obviamente, a descoberta de esquemas ilícitos.

b) Nos 4:18 min, Bonner diz e insiste que as medidas de combate à corrupção foram tomadas depois dos escândalos, mesmo Dilma dizendo que isso não é verdade, que houveram medidas  tomadas antes.

c) Na série de perguntas de Patrícia Poeta sobre saúde, ela dá ênfase no fato do PT ter governado por 12 anos, e mesmo assim a saúde do Brasil estar um caos. O telespectador acredita assim que o PT nada fez pela saúde. Patrícia Poeta repete diversas vezes “12 anos de governo”, não dando outra chance ao telespectador, senão a de acreditar que 12 anos é uma eternidade e que o PT é incompetente. Não há diálogo. Os entrevistadores não estão interessados em falar da saúde do Brasil como um problema estrutural, carregado há décadas, séculos. Não faz comparações se houve melhorias ou não. A intenção é clara: culpar Dilma por termos um sistema de saúde problemático.

d) Nos 13:10, Bonner inicia sua pergunta sobre economia. Percebam nesta pergunta, as diversas entonações de Bonner: “Inflação NO TETO” bem prolongadamente, “economia com projeção de crescimento BAIXÍSSIMA”. Aos 13:55 min Bonner volta a mencionar que analistas (como se fosse um consenso) dizem que 2015 será um ano difícil, e aproveita para falar de cortes e sacrifícios, ou seja, voltou na austeridade. E conclui a pergunta, aos 14:07 min, ironizando a presidente por ela dizer que essas afirmações são “pessimismo”. Reparem, ainda no fim desta pergunta, como Bonner desafina a voz várias vezes, dando um tom de “obviedade” naquilo que se afirma, e ao mesmo tempo, um tom de deboche às afirmações da presidente.
Interrompe a presidente, em tom desafiador, aos 14:55 min, repetindo que a inflação está alta, e que há “ameaça de desemprego ali na frente”.

Especificidades da entrevista com a Presidente Dilma

No Jornalismo, existe uma técnica chamada de Semiótica, que consiste no trabalho e manejo da linguagem, gerando as assimilações desejadas (pelo jornalista) na mente do leitor ou telespectador.

Normalmente a semiótica passa despercebida ao consciente de um leigo, mas é assimilada pelo seu subconsciente. Assim, sem “deixar na cara”, o jornalismo ou marketing, é capaz de manipular a opinião das pessoas. Por isso é difícil notar a parcialidade dos entrevistadores e da emissora.
Propositalmente, o JN assume uma postura “agressiva” num geral, para causar a impressão de que todos os candidatos tiveram o mesmo tratamento. Mas se olharmos cuidadosamente aos detalhes, vemos que isso é uma máscara para a semiótica entrar como um vírus em nossas cabeças.

Vamos a alguns números:
1) Bonner faz uma pergunta de 1 minuto e 7 segundos à Dilma, disparada a pergunta mais longa de todas as entrevistas. Uma pergunta tão longa assim, carrega um monte de informação, dificultando a resposta eficiente e focada do entrevistado, e dá espaço para o entrevistador manipular a opinião do telespectador.

2) Nas entrevistas com Aécio e Campos, houveram 5 interrupções em cada uma delas. Na entrevista com Dilma, houve 21 interrupções. Pode-se argumentar aqui, que isso se deve à prolixidade de Dilma, no que concordo. Mas será que isso justifica as 21 interrupções, mais de 4x mais que as para com os outros candidatos?

3) Com Dilma, a palavra corrupção foi citada 13 vezes. Com Aécio surgiu 3 vezes, sendo 1 vez relacionada ao PT (ou seja, já na entrevista de Aécio, o PT já era atacado pelos âncoras). E com Campos, nenhuma vez.
Além disso, com Dilma, durante 7 minutos e 16 segundos, ou seja, metade da entrevista, o tema foi corrupção.
Se você acha que isso é justificável, pois compartilha da ideia de que o PT é  o partido mais corrupto do Brasil, clique AQUI, AQUI e AQUI para ver alguns rankings de corrupção.

4) Enquanto usaram metade da entrevista para tratar de corrupção, não foi feita à Dilma sequer uma única vez alguma pergunta sobre seus projetos, e o que ela pretende fazer para mudar e melhorar o País. Não estou falando aqui dos 1,5 minutos finais, fornecidos a todos entrevistados. Estou mencionando a janela da entrevista, com perguntas e respostas, onde para os outros candidatos, foram feitas perguntas onde lhes era pedido que explicassem como eles melhorariam o Brasil. Com Dilma, isso não existiu. Foi só acusação, artilharia.

Não pessoal, a Globo não foi imparcial, e não é digna de qualquer reconhecimento. Vocês foram enganados cheirando uma rosa linda, porém com polens venenosos.

por Miguelito Formador

@ Acesse AQUI o artigo do Celsão sobre as entrevistas, com uma visão um pouco diferente da minha.
@ E para ler duas análises excelentes sobre o mesmo assunto, clique AQUI e AQUI.

figura daqui 

posts entrevistas - jn606Assisti às quatro entrevistas dos presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas feitas pelo Jornal Nacional, da rede Globo e devo confessar, primeiramente, que me surpreendi com o resultado, sobretudo na primeira.
Julguei, ou melhor, pré-julguei que a emissora entregaria seu apoio descarado a Aécio (ok, talvez a Eduardo Campos também) e perseguiria diretamente o PT.
Um parêntese importante: pra quem não sabe, existe um estudo sério, da UERJ, chamado manchetômetro, que mostra a veiculação de matérias positivas e negativas sobre os candidatos e partidos concorrentes à eleição atual desde o início deste ano (link aqui), nos jornais impressos de grande circulação e no televisivo Jornal Nacional, da Globo (levantamento específico do manchetômetro sobre o JN aqui); e a presidente Dilma lidera em notícias negativas no programa.
Enfim… a birra que a Globo tem com o PT já é antiga.

Pois bem, mal podia crer no que vi na primeira entrevista! Os apresentadores estavam sendo diretos, fazendo perguntas incômodas e “cutucando” feridas do PSDB.
Por exemplo, mesmo o senador Aécio Neves iniciando as entrevistas (definido em sorteio), foram feitas perguntas sobre o mensalão mineiro e o propinoduto do metrô, citando um dos apoiadores dele, Eduardo Azeredo, que ainda está presente nos palanques, e completando a informação que Azeredo só não foi julgado por haver renunciado. Perguntaram também sobre o favorecimento feito por ele, então governador de Minas Gerais, à própria família ao escolher um terreno do tio-avô para construir um aeroporto.
Meu lado desconfiado e “julgador” pensou: se a Globo está atacando assim o Aécio é sinal que deve apoiar o Campos…

Daí veio a entrevista com o pernambucano, um dia antes do trágico acidente, e o questionaram sobre as críticas recentes feitas ao PT, partido que apoiou e auxiliou no governo por sete anos. Além dessa, o candidato teve de se defender de acusações de nepotismo, quando apoiou a própria mãe numa campanha para a escolha à ministra do TCU (Tribunal de Contas da União), cargo que é vitalício. Assunto espinhoso e desconfortável, pra dizer o mínimo.
O Celso “julgador” se perguntou se seria possível ver a Globo apoiando o PT atualmente, e se viu imaginando um trabalho sério e imparcial da grande mídia.

Passados os dias de luto da perda de Campos, foi a vez da atual presidente. E não é que eu estava errado em minhas suposições e a Dilma (lógico) também “apanhou” de Bonner e Patrícia? Enfrentou perguntas sobre o Mensalão, colocações sobre as atitudes dos correlegionários ante as condenações, que trataram os ex-líderes (corruptos condenados, frisou várias vezes Bonner), como guerreiros injustiçados; e falou brevemente sobre a saúde no país e a desaceleração econômica.
Mais astuta, ou mais bem preparada (?), consumiu seu tempo evitando o embate, detalhando e valorizando as respostas. E por isso, provavelmente, foi mais interrompida e mais atacada.

Finalmente chegou a vez de Everaldo Pereira, o Pastor Everaldo, fechando o ciclo. Mais atabalhoado, confessou que pretende privatizar a Petrobrás, em busca de um Estado Mínimo. Mas…Estado Mínimo não é política neoliberal? E o senhor não esteve sempre atrelado às lideranças da Esquerda? – perguntou Bonner. O candidato do PSC ainda assumiu que não tem experiências anteriores, criticou o casamento gay, aborto e o tema das drogas…

Os âncoras do programa, nas quatro oportunidades, interromperam respostas evasivas e insistiram na obtenção de detalhes desejados por eles, quase num esquema CQC.

Mesmo um tanto incomum e não isentas de parcialidade, acredito que entrevistas e debates nesses moldes possam trazer mais luz aos eleitores que os horários políticos e os ataques diretos que não tardarão a acontecer.

Pra quem não viu ou quer rever, abaixo estão alguns links do site da emissora e do youtube…
– Aécio Neves – aqui, sem link da entrevista inteira no youtube
– Eduardo Campos – aqui e aqui
– Dilma Rousseff – aqui e aqui
– Pastor Everaldo – aqui e aqui (em qualidade bem ruim)

por Celsão correto

para ler um outro post, com a opinião do Miguelito, diferente dessa aqui apresentada, clique aqui

figura – montagem de outras retiradas daqui e daqui

Serra, patrão do PSDB

Patrão do PSDB

Sensação de Déjà vu…

José Serra já tentou sabotar FHC antes das eleições presidenciáveis de 1994, depois sabotou Roseana Sarney em 2002 e tirou a mesma do páreo, e em 2010 foi a vez de tirar Aécio Neves de cena.
Agora, será que Aécio novamente não “conseguirá” se candidatar, e o PSDB permanecerá na teimosa ideia de Serra para presidente? Tudo está caminhando para que sim.
Cliquem no link AQUI

Aproveito para indicar aqui uma entrevista rápida, com o Dr. Cláudio Lembo, doutor em direito, ex-governador de São Paulo, político colossal, da antiga ARENA, depois PFL (DEM), atualmente filiado ao PSD. Foi aliado muitos anos do PSDB, de Alckmin e de José Serra. Vejam o que ele fala da política brasileira, e principalmente o que ele fala no fim da entrevista sobre José Serra. Vem muito bem a calhar com o cenário que se aproxima.
Entrevista de Bob Fernandes com o Dr. Cláudio Lembo AQUI


por
Miguelito Formador