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Dormi cansado.
A rotina de quem está com um familiar internado definitivamente não é fácil. O stress mental se junta ao cansaço físico e “desmonta” até os mais resilientes.

Eis que passos me despertam.
Como o apartamento é daqueles com piso de madeira antigo, que se expande e retrai, surrado pelo tempo, é quase impossível andar ser sem percebido.
Pensei comigo: “receberei uma visita do filho mais velho. É abraçá-lo e seguir dormindo.”

Mas então o ouvido encontra a razão real de haver despertado: os passos são bruscos, noutro apartamento, e estão acompanhados de gritos.
Como um que não quer se deixar despertar completamente, forço a consciência a esquecer o episódio ou incorporá-lo num sonho qualquer.

Não dá certo. E sem querer crer no que ouço, escuto a palavra “Bolsonaro“.
Tento mais uma vez (re-)dormir. Mas as vozes falam alto…
“Chega! Sai daqui!”
“É uma vergonha essa discussão numa hora dessas” – o relógio marcava 1:30.
“Eu não quero mais ouvir falar em Bolsonaro nessa casa” – pausa com um som inaudível, provavelmente em resposta – “Nem Bolsonaro, nem Haddad. Chega!”

Nossa! É um casal de namorados repreendido pelo pai de um deles… certo?
“Vá já para o seu quarto!”
Irmãos! Corrijo a subjeção anterior.
“Enquanto morarem nessa casa vocês tem que me respeitar e respeitar o que eu disser…”
O suposto pai fala mais alto que os demais. Está tão exaltado que a voz já se encontra rouca e muita raiva, ódio até, pode ser percebida em seus berros.

Como pudemos chegar nesse ponto? A privação de raciocínio e o ódio alimentado e retroalimentado estão causando irracionalidades.
Não é privilégio dessa família. Cada um tem o seu caso para contar nessas eleições 2018. Alguns envolvendo parentes e amigos bem próximos.

A mente desperta de vez e repenso a definição de democracia, talvez esquecida pelo próprio povo, que a compõe.
Democracia vem do grego: demos é o povo e kratos significa poder. (Wikipedia)
E embora na Grécia antiga fazia oposição à aristocracia. E embora tenha representado um contraste à monarquia e à oligarquia posteriormente… hoje se define como o regime oposto a ditaduras e tiranias. Prega-se que há liberdade de trocar os líderes na democracia, pelo clamor ou decisão popular.

Pois bem, como favorável a democracia que sou, aceito e aceitarei a escolha das urnas do próximo dia 28/10. (mesmo tendo escrito aqui, que ambos os postulantes sejam as piores escolhas possíveis no momento).
Me é estranho ver reclamações do PSL sobre as urnas eletrônicas, como em aqui. Foram essas urnas que contabilizaram número recorde de votos para seus deputados federais e estaduais.
Da mesma forma como me serão estranhos e condenáveis as passeatas e manifestações que virão pós-pleito, motivado pelo lado derrotado.
Se estamos numa democracia. Se a prezamos. O que a maioria escolher deve ser acatado por todos!

Parêntese para uma pesquisa divulgada recentemente.
Foi perguntado a brasileiros qual o melhor regime e a democracia teve aprovação recorde: 69%. (notícia aqui)
As outras opções eram ditadura (12%) e tanto faz (13%). Mesmo que, dentre os eleitores de Bolsonaro, 22% prefiram a ditadura, a maioria, 64%, diz preferir a democracia.

Por que então as cenas de ódio e a polarização estúpida se repetem e certamente se repetirão nas ruas e nas famílias?

Achei um excelente artigo publicado no Nexo em 2016, em plena polarização de impeachment ou pós-eleição de 2014; polarização esta entre PT e PSDB ou entre Dilma e Aécio (artigo aqui).
Sociólogos, psicólogos e cientistas sociais enumeram os elementos que podem trazer o comportamento violento relacionado a manifestações políticas. Tristemente temos, novamente, todos estes elementos presentes:
– Descrença na eficiência da política tradicional – há tempos não temos confiança no modo como fazemos política no Brasil: os conchavos e favorecimentos, as nomeações, os partidos de aluguel, o fundo partidário advindo da reforma política mal feita, etc.
Polarização de opiniões – o voto de ódio fez os eleitores esquecerem-se das propostas dos demais candidatos. E eram muitos, de todo o espectro de orientações políticas.
– Choque moral – corrupção e desvios (acusação ao PT) versus homofobia, racismo, sexismo, entre outros (contra o PSL e Jair Bolsonaro)
Um alvo específico – ambos os lados têm um: Lula versus o próprio Bolsonaro.
Desigualdade social – é um grave problema. Ignorado como elemento de conflito por muitos, até então. Ricardo Azevedo escreveu sobre os motivos que fizeram e fazem os mais necessitados votarem no PT (aqui). Criticando a elite, que preferiu “tiro, porrada e bomba” ao diálogo e avanço pragmático de médio prazo.

O radicalismo não trará qualquer avanço necessário e imprescindível à Nação.
Se pararmos para ouvir, conseguimos (até) encontrar pontos positivos nas duas propostas de governo. O PT fala em combate à corrupção. O PSL fala agora em expansão de investimentos em programas sociais.

Difícil de acreditar? Talvez.
O que penso é que nosso papel seja o de, apenas, aceitar o desejo do povo e protestar sobre o que não concordamos. Sem destilar ódio.
Que o protesto seja, antes de tudo, possível, depois sadio e constante. É impossível concordar com tudo! E é igualmente impossível rejeitar tudo!

Para acabar: eleição sem Lula não é fraude.
E, de forma semelhante, caso o PT ganhe nas urnas [eletrônicas], não será fraude.
E que todos os argumentos do vídeo abaixo sejam abnegados e rechaçados.

por Celsão revoltado.

P.S.: figura e vídeo recebidos por whatsapp. Difícil determinação de autoria.

Decido começar o texto lamentando os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto à presidência da República.
Lamentavelmente, na minha opinião, os líderes das pesquisas são os piores candidatos de esquerda e direita, se tomarmos essa dicotomia ou polarização em consideração.
E, ao contrário do que os opositores pregam, Fernando Haddad, do PT, está longe de ser o extremo da esquerda. O PT está bem mais próximo do centro e, fatalmente (também infelizmente), fará acordos com o MDB e o chamado para governar…

A corrupção escrachada na Lava Jato e a descrença em toda a política gera o perigo do analfabetismo político, da apolítica, do ódio destilado em banho maria contra todos os avanços dos últimos anos.
A descrença gera votos de revolta, de protesto. Gera Tiriricas, Enéas, Levys Fidélix, Bolsonaros…
A intolerância ao diálogo faz com que boas ideias de ambos os lados sequer sejam ouvidas. Geram homofobia, por exemplo, freiam investimentos em desenvolvimento através de parcerias privadas; geram reformas que beneficiam poucos. Leis para os legisladores!
A falta de confiança na politica e nos políticos afastam o povo e a própria Nação das decisões.
E, se não escolhemos, alguém escolherá por nós.


Pausa para uma propaganda excelente do Burger King. (aqui o vídeo no Youtube, para quem não conseguir assistir o vídeo no post)
A marca entrega um sanduíche a quem diz que votará em branco ou nulo com ingredientes “surpresa” e incompletos. Aludindo à máxima que acabei de escrever:
“Se você não escolhe, alguém escolhe pra você!”
Uma das conclusões é sensacionais:
“Quatro anos desse lanche aqui, hein!?!” – Traduzindo: quatro anos de uma escolha que não é minha… é algo difícil de encarar.

Isso posto e, uma vez que temos 13 candidatos a Presidente, doze candidatos a governador e vinte ao senado em São Paulo…
(Consulte aqui os candidatos do seu estado e Distrito Federal.)

Que tal se escolhêssemos o candidato que melhor represente as nossas ideias hoje?
Que tal se abandonássemos a ideia de voto útil? De votar em “x” para retirar “y” ou de tentar focar nos primeiros das pesquisas…
Aliás, as pesquisas vêm errando há bastante tempo. Desde eleições municipais de Erundina (1988) e Celso Pitta (1996) até João Dória em 2016, citando novamente o estado e a cidade de São Paulo, onde vivo… há vencedores que sequer estavam cotados para o segundo turno. Dória, ganhou em primeiro turno numa eleição em que sequer aparecia na terceira posição um mês antes do pleito.
Deixemos para o segundo turno o eventual dilema, ou mesmo a anulação do voto.
Dou a mão a palmatória dessa vez e aceito, independente do que escrevi em 2014 (aqui); que, talvez seja impossível escolher entre dois candidatos ruins, o menos pior.

Outro ponto a considerar: é normal repensar o voto quando se escuta uma notícia sobre o candidato, seu vice, quando te lembram os detalhes de seu plano de governo, suas ações no passado, ou mesmo quando citam os demais partidos da coligação.
Se não há dúvida alguma, cuidado! Você pode estar confundindo política e eleição com religião!
É um jogo de prós e contras e, perfeição, não há.
Voltando ao assunto religião, muitos dizem que houve um ser perfeito, mandado dos céus à Terra por Seu Pai; e teve a vida terrena encerrada com algo próximo a um linchamento público seguido de uma crucificação…

Para ajudar até os que já se acham decididos, indico dois sites interessantes, onde a opinião do eleitor é comparada à dos candidatos.
No primeiro, com os candidatos a presidente, responde-se perguntas e há comparação com citações dos candidatos e seus planos de governo.
O segundo é focado em Senadores e Deputados Federais. As perguntas que o internauta responde foram feitas aos candidatos e a correlação nas respostas, junto com o “peso” do tema traz o alinhamento em porcentagem.
Vale a pena fazer os dois. Vale responder novamente o questionário e depois estudar onde não houve correspondência na resposta. As vezes, mesmo que exista 75% de compatibilidade, a contradição pode estar num tema chave e gerar repúdio.
O primeiro é a Calculadora de Afinidade Eleitoral, na página do “O Iceberg” (aqui). Note que alguns presidenciáveis responderam com mais detalhe às perguntas que o eleitor responde.
O segundo está hospedado no UOL e Folha. Chamado Match Eleitoral. Link aqui.

Finalizo com o que acho mais importante, coincidentemente é o meu maior medo no momento: é preciso aceitar o resultado dessa eleição!
Quem quer que seja eleito, o será com base em um processo democrático; e na opinião da maioria da população brasileira.
O método pode ser discutido, a urna pode ser impugnada num futuro próximo; porém, até então, é uma ferramenta elogiada noutros países, parte de um processo independente e pátrio.
Aceitarei, por mais que me doa, o resultado advindo das urnas. E torço para que o lado derrotado, sobretudo, aceite e faça uma oposição inteligente…

por Celsão correto

figura retirada daqui. Não sei o porquê escolheram as cores dos candidatos como tal.
[…]
em 02/10 – alteração para inserção de vídeo da propraganda do Burger King citado 

Após a eleição, muito se comentava e especulava sobre as primeiras medidas do eleito.
Assim como Collor em 1990, bloqueando investimentos visando reduzir a moeda em circulação e frear a inflação, esperava-se algo igualmente radical de Jair Bolsonaro.
O mesmo se divertiu nos quase sessenta dias entre o resultado do segundo turno e a posse.
Ironizava os repórteres com os trocadilhos de sempre; dizendo que o “seu emprego”, referindo-se ao repórter, estava garantido. E invariavelmente chamava as mulheres que o abordavam com microfone de “querida”.

O dia chegou e, após receber a faixa de Michel Temer, com um largo sorriso no rosto, declarou a extinção do PSOL.
A justificativa é que o partido cria “ignorantes” e os treina para o “mal”.
Foi do PSOL o autor da facada que tomei durante a campanha. Foi do PSOL o atentado moral da cusparada de Jean Wyllys. E se alguém se der ao trabalho de procurar, verá que tudo o que há de errado nesse país tem a presença do PSOL – declarou o presidente.

A reação foi de júbilo dos apoiadores e risos nos círculos de conversas pelo Brasil.
Apesar de absurda, a medida era leve e inofensiva, na opinião da maioria.
A imprensa questionava a efetividade, consultando juristas e cientistas políticos. Uns poucos protestavam nas redes sociais.

Mas os dias se seguiram ao melhor estilo Donald Trump, do qual Jair declarava-se agora, abertamente, fã: uma surpresa diferente a cada dia. E muitas delas estapafúrdias.
“Imponho ao TSE e ao STF que renomeie o PT para ‘Partido dos Trambiqueiros’ no lugar de ‘Partido dos Trabalhadores’. Não existem mais trabalhadores naquele partido; são todos trambiqueiros“. Sentenciou certa vez.
Aplausos e novo júbilo e aquele sentimento de “troco” por parte dos críticos de Lula e Dilma.

O que é respaldo, querida?“, perguntou a uma repórter que o questionava sobre a atribuição e jurisdição das medidas impostas e promulgadas, “Eu faço a lei pois conheço os desejos da população e o que é melhor para o Brasil! Se depois de falado, escrito e encaminhado não houver ação do órgão competente, temos que mudar esse órgão!” – concluiu em ameaça.

Quando pressionado a cumprir o prometido de redução da máquina pública logo no primeiro mês de mandato, foi a público em rede Nacional.
– Declaro extinta a Defensoria Pública da União e dos Estados da Federação. E também vou diminuir drasticamente o Ministério Público!
– A Defensoria Pública no Brasil tem mais de 8000 cargos existentes, com altos salários! Como estes advogados visam orientar juridicamente bandidos e ouvir as reclamações incabíveis do pessoal dos Direitos Humanos, não precisamos deles. Basta andar na linha e pronto! Se um cidadão se sentir injustiçado, procure os seus direitos com os advogados. Mas não com defensores pagos pelos impostos de quem cumpre as leis… (!)
– O segundo está muito inchado e tem muitos funcionários inativos. Só em São Paulo são mais de 600 servidores inativos para 5000 ativos. Colocarei como meta uma redução de 20% no quadro, começando com os inativos. tem muito vagabundo! Por que o carinha está inativo? O que ele faz no Ministério Público? Hoje em dia, as contas públicas estão declaradas na internet… não precisa de Ministério Público pra isso…
– Como o meu governo não tem corrupto, o trabalho do Ministério Público, de todos os órgãos criados para a corrupção pelo PT, vai diminuir!

No fim do primeiro mês, o presidente Jair Bolsonaro resolve reformar a educação…
– Onde houver professores e membros da diretoria da escola filiados ou simpatizantes de partidos políticos de esquerda, em escolas públicas das esferas federal, estadual e municipal, teremos exoneração! E, se houver falta de professores, num primeiro momento oficiais da reserva das forças armadas e das polícias militares e civis serão convocados para substituí-los. Antes uma educação com base na moral, que uma educação com viés político…

E a vida segue no país dos bananas…


Será que meu cenário fictício é muito descolado de uma provável realidade?
Não há dúvida que o discurso de ódio gera, apenas, mais ódio.

Uma amiga disse, sabiamente, que sequer temos maturidade para usar setas ao realizarmos conversões ou mudarmos de faixa de rolagem no trânsito; estaríamos mesmo aptos a portar armas de fogo?
Há muita correlação entre trânsito e armas para os que defendem o armamentismo.
Mas pra mim a estória que “carro também mata” é rebatida facilmente com “arma só serve para matar”. Não se pode explicar uma decisão ruim com opções contrárias igualmente ruins. É um círculo vicioso e perigoso de irracionalidade.

A mesma amiga, em tom sarcástico, vaticinou que somos como dinossauros votando no meteoro, ao votarmos em Jair Bolsonaro. :))
Não há expectativa de melhora real, em campo algum.
Pior pra mim é quando vejo mulheres e outras minorias defendendo o candidato.
Será mesmo que tudo o que ele disse no passado foi efeito de ações mal pensadas e/ou reflexo de uma personagem?

Talvez a Sociedade Brasileira precise mesmo passar por um governo mais a direita, para vislumbrar a realidade da desigualdade social que vive. E descobrir, a duras penas, que meritocracia sem igualdade de condições de partida é utopia.
Não falo em Social Democracia, bandeira do PSDB e de outros que, na realidade, estão mais ao centro. Falo em Novo e no discurso de renovação real.
No entanto, migrar para uma ditadura conservadora, ou mesmo religiosa, dependendo dos apoios conseguidos da grande “bancada da Biblia” no Congresso, é algo que definitivamente não precisamos, nem merecemos.

por Celsão irônico

figura retirada daqui

 

Ontem foi 13 de Maio.
Não me lembro qual foi a última vez que “comemorei” a data.
Para nós negros, Zumbi dos Palmares e o 20 de Novembro suplantaram a única data onde éramos lembrados na escola; onde o professor nos apontava e afirmava que a escravidão era um “problema do passado”.

Enfim… o post não visa falar da discriminação racial, racismo ou cotas.
Visa discutir a infeliz desistência da candidatura à presidência, de Joaquim Barbosa.

Passados cinco anos (!) de um post nosso a respeito do então Ministro (aqui), ainda não sabemos o que ele quer, pretende ou anseia.
À luz da época, durante e logo após o julgamento do Mensalão, Joaquim era endeusado e mitificado pela mídia e por partidos “de oposição”: PSDB e DEM.
A popularidade do Ministro era tremenda. E ele a usava de forma pouco ortodoxa, pois criticava outros partidos, além do acusado PT, o sistema eleitoral, juízes, a Polícia Federal, entre outros.
Palco recebido, popularidade gozada, Joaquim se retirou. Aposentou-se em 31/07/2014 (data da publicação no Diário Oficial).

Passou silenciosos e resignados anos em seu apartamento em Miami.
Poucas eram as interações e intervenções políticas do ex-Ministro. Tudo dava a entender que aquele bravo Joaquim se havia ido e rendido ao poder do Capitalismo e ao deleite que anos de avantajados salários proporcionam.
Nada contra o apartamento em Miami ou ao deleite dos benefícios do Capitalismo.
Também os desfruto e, por conhecer a mais-valia, sei que trabalhamos efetivamente mais que ganhamos, via de regra.

Mas, permitam-me criar uma expressão, “apolitizar-se” em tal período: com impeachment, Lava Jato, culpa da chapa com absolvição de Temer no TSE, inúmeras denúncias, algumas envolvendo até o STF… foi demasiado covarde.
Estar na política (ou desejar entrar nela) e se esconder, se omitir, é irritante e inquietante. Ao meu ver é uma das principais falhas da novamente candidata Marina Silva.

Esse é o meu problema com o que Joaquim Barbosa fez: o ingresso na política.
Por que da filiação ao PSB (agora) se o objetivo não era alçar voo tão singular?
Por que oferecer-se como opção em tão complexo cenário e, mesmo obtendo boa intenção inicial, abdicar-se como postulante?

Joaquim tinha muito potencial.
É negro daqueles que não se pode negar a negritude.
Alguns podem dizer que tivemos “Marronzinho” na eleição de 1988 (aqui). Mas os míseros 17 segundos de propaganda eleitoral e a alcunha não o fizeram conhecido ou representante dos negros.
Joaquim, letrado e culto, não só poderia “carregar a bandeira” esplendidamente, como mostraria um negro além do estereótipo padrão.
Joaquim teria nas mãos armas que ainda não experimentamos na política. Ou que timidamente temos experimentado em câmaras a nível municipal e estadual.
Joaquim, talvez, se tornaria o nosso Obama! 🙂

Voltando à realidade…
Não dá pra afirmar que votaríamos nele. Não sei ainda em quem votarei.
A oposição (do PSB) afirmou, ao saber da candidatura de Barbosa, que ele é instável e arrogante. Teria pouca paciência e se complicaria sozinho.

O fato é que Joaquim Barbosa teria ainda mais palco.
Entrevistas. Tempo na TV. Mídia gratuita. Citações em redes sociais.
Que trariam, claro, explícita e inescrupulosa devassa em seu passado e em sua vida particular.
Preço alto, talvez, para quem é realmente sério. O que não sabemos se é o caso do senhor Ministro…

por Celsão irônico

figura retirada daqui

Sabe quando uma seleção de futebol tem um craque?
Como a seleção de Portugal, com Cristiano Ronaldo, ou mesmo a seleção brasileira atual, com Neymar.
Cria-se uma certa dependência. Atrelada a um sempre certo e iminente “perigo”: no dia em que o craque não joga bem, se machuca ou decide se aposentar, aquela seleção se vê “acabada”, sem referência…

Peço perdão pelo trocadilho futebolístico, mas eu vejo da mesma forma a esquerda com o Lula.

Não há como negar os avanços sociais do Brasil em seus governos. Sobretudo das camadas mais baixas.
A elevação do poder de compra, da escolaridade, do acesso a crédito, foram notáveis e levaram o país a outro patamar social, falando em índices como Coeficiente GINI (aqui evolução de 1976 a 2009 – Wikipedia) e IDH (site do G1 mostrando aumento durante governo Lula/Dilma e a estagnação em 2014-2015, aqui).
Até os céticos têm de admitir isso. E não ligo para os argumentos como: “época boa”, “terreno preparado por FHC”, etc.
Lula estava no planalto e fez!

Porém se ampliamos a definição de “esquerda” além da justiça social: com distribuição de renda e pensamento no coletivo; para a mudança, o combate aos abusos do status-quo e a igualdade na sociedade (aqui entendo como igualdade total de condições, por exemplo, para concorrer a um emprego: mulheres, negros, pobres, gays e outras minorias com a mesmas chances reais da elite), o PT não representou, em seu período de Governo, de situação, os ideais da esquerda.
Meus colegas e leitores que me perdoem, mas as alianças em prol da “governabilidade”, com o PMDB de Sarney e Temer e com o PP/PPS de Paulo Maluf, afastaram (e muito) o que eu esperava de governos do PT.
Entendo que sou demasiadamente romântico para insistir num governo possível sem o PMDB, sem conchavos e sem troca de votos por Ministérios e cargos.

Peço vênia para lembrar que, nas últimas eleições, mesmo desencantado com o PT e a “nova esquerda” de Lula e companhia, apoiei a reeleição de Dilma, usando argumentos e entrevista do deputado Jean Wyllys (aqui).
Toda escolha é uma renúncia, parodiando o próprio deputado Jean; e renunciei algumas vezes à “minha esquerda” para votar no PT.

Parêntese feito e voltando ao tema, o ponto é que a “esquerda” é maior que o PT. E maior, consequentemente, que Lula.
Entendo os que defendem o “indefensável” e acreditam que a votação do STF que pode acabar com a condenação em segunda instância, ou habeas corpus preventivo de Lula, deixará que o mesmo dispute as eleições e gerará (?) uma justiça tardia ou troco ao golpe impetrado à democracia com o impeachment de Dilma.
Entendo, mas não estou no mesmo barco.
O benefício de ter Lula nas eleições de 2018 é menor que o veneno de termos Eduardo Cunha, por exemplo, em seu jogo politico nocivo.

Discuti bastante com o Miguelito, logo no início da Operação Lava Jato, sobre a (então) provável extinção dos partidos políticos citados nas delações, e consequentemente envolvidos com corrupção.
Se naquele momento o PT tivesse acabado e o seu quadro se recolocado, ou refundado um novo partido, talvez já tivéssemos melhores opções nessas eleições. Não no tocante às opções em si, mas à força dos nomes…
Miguel sempre me dizia à época que leva-se tempo para construir um PT, nos termos da representatividade Nacional alcançada pelo mesmo, ou transformar um PSOL em PT. E que o país não tinha esse tempo; a esquerda, fatalmente, ficaria de fora novamente.

O doloroso fato, pra mim, é que nessa luta da candidatura de Lula, estamos apenas “empurrando” o problema, postergando a inevitável inelegibilidade do ex-presidente.
Mesmo o Lula representando os anseios de boa parte dos brasileiros (suposição construída pela intenção de voto divulgada até aqui), sofro antecipadamente ao não ver esses anseios transformados em votos para Ciro Gomes do PDT, ou Manuela D’Avila, do PCdoB, por exemplo.
Como seria bom se Lula se afastasse do cenário político, fizesse sua defesa, cumprisse (se condenado) a pena imposta e voltasse ao panorama “zerado”…
Como seria bom se o “pobre” se visse na esquerda…
Como seria bom também, se imprensa e Facebook permitissem uma eleição justa…

Rogo à esquerda brasileira que esqueça Lula.
Que tente jogar futebol sem Neymar, sem CR7. Que busque alternativas…
Que entenda que a bandeira vermelha, o ideal igualitário, a renda mínima, os programas sociais, podem existir sem Lula.
Afinal, como disse José Mujica, ex-presidente do Uruguai, recentemente (aqui), nós não o teremos para sempre!

por Celsão correto

figura retirada daqui. Post de Alberto Cantalice que vai no sentido oposto ao que escrevi. Vale a leitura para exercitar o espírito crítico e o contra-argumento. 😉

P.S.: aproveito o período pós-Páscoa para pedir também (por que não?) um renascimento da esquerda. A Deus, Oxalá, Alá ou quem estiver disposto a me ouvir…