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trump-4No próximo dia oito de novembro, a maior força política mundial elegerá o seu próximo presidente.
Republicanos com seu Donald Trump batalham contra Democratas e a ex-primeira dama, Hillary Clinton. O primeiro representa o conservadorismo extremo, a direita liberal, aquele americano médio, individualista, que tem a vida ganha e não precisa se preocupar com o resto do mundo; a segunda pertence ao partido de centro, ou centro-esquerda (sob a ótica capitalista daquele país), é o liberalismo social e a aceitação das diferenças e das imperfeições da sociedade.

Num ambiente globalizado, a preocupação com o destino dos gringos é compreensível. Talvez válida.
E, num momento de crise local, muita gente acompanha o desenrolar da campanha presidencial americana temendo uma piora, ou amarrando-se nessa “piora anunciada”, caso ganhe esse ou aquele.
E não é que descobrimos divertidamente que as campanhas americanas são parecidas com as nossas? Muito ataque gratuito, muita estória distorcida ou realçada para macular os projetos do adversário, ou o próprio como pessoa; como se o alto cargo a ser exercido dependesse simplesmente desta única pessoa. E não de um colegiado de legisladores.
O lado direito mistura fatores relevantes como emails privados tratando de assuntos governamentais confidenciais, com pouco relevantes casos extra conjugais e culpabilidade questionável de Hillary nas promessas de campanha não-cumpridas por Obama. E o lado centro-esquerda usa declarações polêmicas de Trump sobre racismo, sexismo, terrorismo misturado a sonegação de impostos e frases soltas há anos atrás…

Por um lado, sabemos que o “ataque” nos Estados Unidos é mais facilitado pela estrutura dos partidos. Um candidato Democrata só precisa “desmerecer” o Republicano e vice-versa.
O que torna mais fácil uma campanha midiática contra um partido ou candidato.
Traçando um paralelo crítico com o Brasil, na última campanha para a prefeitura de São Paulo, PMDB, PT e PRB digladiaram-se e atacaram-se mutuamente, entregando a vitória em primeiro turno ao PSDB.
O que talvez pudesse ser feito, mais assertiva- e efetivamente, no caso da prefeitura daqui, é um ataque coordenado dos três aspirantes ao segundo turno ao líder das pesquisas. Isso desconsiderando a influência da mídia paulista, pendente ao tucano e o próprio tempo disponibilizado ao PSDB de acordo com as leis eleitorais vigentes.

Agora… Além do “susto” de perceber que eles lá se atacam tanto quanto nós aqui, ainda pior é perceber que a mídia está influenciando, ou pode estar influenciando, o resultado das eleições. Como acontece por aqui.
No Brasil, o medo da mídia é perder o poder “modelador” ou “influenciador” da população. Era (ou é) sofrer uma reforma midiática, fortalecer canais alternativos de informação. E permitir, no fim, que surjam seres pensantes e críticos.
Nos Estados Unidos, também existe influência midiática na população, principalmente voltada ao consumo. A economia e o domínio econômico exercido em todo o Globo dependem disso. A ameaça ao status quo é o extremo do lado direito, é este extremo que pode derrubar os “direitos” de manipular ou o modo com que fazem isso, por mais estranho que possa parecer.

manchetometro_trump_hillaryPor isso, enquanto vimos no Brasil um direcionamento de críticas à esquerda, ou ao PT, como representante mais proeminente; vemos nos Estados Unidos o ataque da mídia direcionado ao Trump. Para cada matéria vinculada negativamente ao Republicano, existe outra neutra ou mesmo positiva em relação ao outro lado da disputa.
Um exemplo sobre essa manipulação nos Estados Unidos, pode ser visto num vídeo aqui. Pra quem quiser, em alguns de nossos posts, destacamos o manchetômetro, falando sobre o modo como a mídia brasileira divulgou notícias sobre o PT em 2014 especificamente (aqui para o Jornal Nacional exclusivamente). A figura ao lado mostra algo semelhante, uma espécie de manchetômetro comparando os emails vazados da democrata, com as frases ditas por Trump.

Assusta isso?
Claro!
É possível evitar isso?
Não. Na minha opinião.
E é saudável condenar e lutar contra isso?
A resposta “humana” é: depende do lado que se está. 🙂

Sou extremamente contra o republicano Trump.
Não gosto do jeito com que ele endereça os problemas existentes de terrorismo, desemprego e saúde pública precária correlacionando quase sempre com grave preconceito contra latinos, negros, muçulmanos e mulheres.
Acho ele um “Bolsonaro” com dinheiro e assustador apoio popular.
E as vezes, devo admitir, eu torço por ele. Torço para que ele ganhe e os americanos percebam o quão nocivo para si próprio é o conservadorismo… A torcida “passa” quando penso na influência que uma vitória de Trump teria aqui e em outras partes menos favorecidas do mundo.
Concluindo: eu também influenciaria beneficiando Hillary se eu pudesse (na realidade, minha preferência inicial era o ex-senador Bernie Sanders, um pouco mais a esquerda que Hillary). E me peguei pensando: é justo criticar a imprensa quando o “meu lado” é desfavorecido, não seria justo criticar também a “main stream media” no caso deste lado ser extremamente beneficiado?

Enfim… vale a pena assistir o vídeo e a análise do que é veiculado nele (link novamente aqui).

por Celsão correto

figuras retiradas daqui e do vídeo citado aqui.

P.S.: para quem quiser ler uma publicação nossa sobre a manipulação da mídia, sobretudo nas eleições brasileiras de 2014, segue link aqui, falando sobre o modo como o Jornal Nacional entrevistou os candidatos à presidência naquele ano.

doriaEleições municipais concluídas em São Paulo.
Vitória massacrante, em primeiro turno, da nova estrela da direita, ou centro-direita-anti-PT: João Dória Jr.
O candidato teve pouco mais que 53% dos votos válidos! Desbancando não só o ex-prefeito Haddad, como também o “herói do povo”, Celso Russomano e duas ex-prefeitas: Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Tenho algumas considerações a fazer, ou opiniões a compartilhar, do meu modo “pirata” pra variar. Como estamos no Opiniões em Sintonia Pirata, nada mais natural.

Decepção em relação ao PT e aos outros candidatos? Pode ser.
Falta de opção? Também uma resposta possível.
Afinal, Haddad carregava a estrela do PT, massacrada pela mídia, mesmo evoluindo a cidade com projetos interessantes, como as discussões sobre o zoneamento da cidade (exposto aqui); Marta tinha alta taxa de rejeição, por estórias como Ministra do Turismo, de ex-prefeita, de política polêmica que pensa pouco; e Russomano é aquela incógnita apoiada por evangélicos e radicais conservadores, que sempre começa bem por ser conhecido na mídia antes da campanha da TV…

Pra começar, sabiam que existe um estudo que correlaciona o dinheiro investido, o tempo na TV e o número de votos?
E, nem é tão surpresa assim se pensarmos um pouco, a relação é direta: mais tempo de exposição, maior votação. Aquela velha frase de avó: “quem é visto, é lembrado”.
O estudo está aqui, em PDF. É extenso, mas interessante. Os autores, Bruno Speck e Emerson Cervi, analisam as eleições para prefeito em 2012.
Copio abaixo um trecho da conclusão:

Nos maiores municípios a diferença [do desempenho eleitoral] é ainda maior, com quase nenhuma importância da “memória eleitoral”. O que importa nessas disputas são as condições mais imediatas dos candidatos: estarem em partidos ou coligações com força/tempo de horário eleitoral e conseguirem maior participação no montante de recursos destinados às finanças de campanha.

Ou seja, aquilo que o governador Geraldo Alckmin, padrinho político do nosso Dória, fez ao negociar uma secretaria com o PP em busca de tempo de horário eleitoral e exposição na TV, valeu muito a pena.
Expulsar uma professora da secretaria do Meio Ambiente fez com que a coligação de João Dória obtivesse um aumento de 25% para o seu sorriso.
Pra quem não leu, a manobra foi tão suspeita que o Ministério Público pediu a cassação da candidatura do peessedebista por desvio de finalidade (aqui e aqui)

Um outro contraponto à “acachapante” vitória de Dória (colei do UOL a rima) é a quantidade de abstenções. Quer seja por falta simples, 21,84% do total, quer seja pela quantidade de nulos (11,35% dos votantes) e brancos (5,3%), somando mais de um milhão, cento e cinquenta mil eleitores, negando todos os candidatos, em análise simples.
Só 65,15% dos eleitores votaram em algum candidato. E os 53% de Dória tornam-se apenas 34,72%…
É relevante? Eu diria que sim, uma vez que o voto é obrigatório em nosso país. Dá pra dizer, de forma distorcida, mas verdadeira, que 65% das pessoas não votaram em João Dória!
(os resultados podem ser obtidos do site do TRE – aqui. Aproveito para colar o link direto para as abstenções e para a votação)

Agora o que julgo ser mais grave: o governo Alckmin beneficiou empresas do “amigo” e afilhado João Dória Jr. em seu governo.
Foram anúncios nas revistas de Dória e eventos patrocinados pelo banco de fomento Desenvolve SP. Os “investimentos” somam R$4,5 milhões entre 2010 e 2015, período em que ambos se tornaram mais próximos.
E não é só nos governos do PSDB, o Grupo Doria usufruiu do “jeito petista de administrar”, de Lula a Dilma. Mesmo apartidário e apolítico, foi patrocinado pela Petrobrás e recebeu repasse dos Correios.
A fonte não é o pragmatismo político ou o Tico Santa Cruz, é a Folha de São Paulo (aqui).

Pra concluir, espero que nosso amigo “dazelite” cale minha boca, e realmente administre como um CEO.
Alguns amigos defendem a teoria de que uma cidade é como uma empresa. Sub-prefeitos são conselheiros, vereadores são diretores, secretários acionistas (não necessariamente nessa ordem). Dória pode provar que, racionalmente, há saída lucrativa (ou não-negativa) para uma cidade como São Paulo, terceiro orçamento da Nação.
Por falar em orçamento, se realmente acabar com a indústria da multa do Haddad, saída do petista para aumentar a arrecadação e diminuir a dívida municipal, já fará muito!
Sou contra as privatizações. Vejo o charmoso estádio do Pacaembu e seu clube tornarem-se prédios de alto padrão; e o mesmo pode acontecer com o Anhembi e o Autódromo de Interlagos… Esse último, inviabiliza de vez o GP Brasil de F1 no país, um dos eventos que mais atrai turistas para a cidade, após inúmeras adequações e reformas feitas em outros mandatos…

Quem viver verá!

por Celsão revoltado

figura retirada daqui

P.S.: sou contra o “esquema” de aumento de arrecadação através de multas aplicadas por guardas que deveriam ter outras funções, por armadilhas montadas nas ruas, por tocaias nos viadutos. Mas entendo o desespero de quem tinha uma grande dívida e pensava em fazer algo para a cidade…

P.S.2: atualizei o link do estudo sobre dinheiro e tempo em TV na campanha para prefeito de São Paulo em 02/11/2016. E coloco aqui outro link para download, passível de cadastramento no site, caso o anterior também mude ou “desapareça”.
Outra leitura que vale a pena, resenha feita por Gabriela Siqueira, da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre o tema, citando múltiplos estudos e textos está aqui

Blog_TerrorismoTerrorismo é terrorismo quando aplicado a minorias?
Acho que essa é uma das perguntas polêmicas que o senhor Donald Trump se fez logo que tomou ciência do atentado do final de semana contra gays que estavam numa em Orlando.

Ora… o combate ao terrorismo é uma bandeira de todo e qualquer pré-candidato à Casa Branca nos últimos anos. Acredito até que seja tema obrigatório nos debates, após o onze de Setembro de 2001.
E muitos poderiam afirmar que extremistas do Estado Islâmico apenas reforçam o discurso bélico da extrema direita, ou seja, reforçam uma candidatura como a de Donald Trump.

Se Trump fosse presidente, talvez as duas ou três “entrevistas interrogatórias” feitas pelo FBI ao atirador Omar Mateen tivessem terminado em prisão preventiva. Talvez os Estados Unidos vivessem num constante Estado de Vigilância desgastante e opressor. Mas talvez houvesse realmente algum êxito na prisão dos milhões de muçulmanos; ou não-protestantes, se expandirmos a provável rotulação e discriminação em relação a religião, que Trump prega contra os “diferentes”.

E quanto aos gays?
Certamente não haveria uma boate famosa chamada Pulse. Ou ao menos as festas na boate não teriam divulgação na internet. Seriam festas de um submundo acanhado, de um grupo perseguido.
Se estendermos a análise à festa latina, celebrada naquela noite, a situação pioraria, pois os latinos também seriam perseguidos por Trump; mesmo quando héteros, brancos e protestantes!

E o que fazer quanto às armas, vendidas livremente em boa parte dos Estados Unidos?
Elas são importantes para que se garanta o direito (individualista) da liberdade e da propriedade. Inerentes a todo americano pleno de sua cidadania (risos).
Talvez a solução fosse vender armas somente a americanos brancos, sem antecedência imigratória até a terceira geração. Já que o atirador e terrorista Omar Mateen era americano, nascido em Nova York!

O que será que mais dói na mente de um extremista de direita? Na mente de um Donald Trump, de um Bolsonaro, de um Malafaia…
Os gays que se beijam em público, se casam e decidem adotar e educar filhos?
Os muçulmanos que adoram “outro Deus” e distorcem uma desvirtuada família e uma religião “perfeita”?
Os outros forasteiros estrangeiros, que, na maioria das vezes, distorcem o próprio sentido do “sonho americano”, do individualismo típico, enviando dinheiro a seus países de origem ou mesmo trazendo os familiares para  compartilhar o mesmo teto e condições?
Os que usufruem de assistencialismo?

E ainda mais fundo: qual seria a escolha de Trump (ou de Bolsonaro) numa eventual consulta policial no meio da madrugada, após as primeiras notícias sobre o atentado?
Talvez explodir toda a área. Trágico, não?

São perguntas de intrincada análise.
Da mesma forma que são muitos os “se’s” levantados aqui. Condições que espero nunca serem atingidas.

Para concluir, quero trazer para o Brasil e fugir (talvez muito) do tema “Terrorismo”…
Um dos fatos a pensar é que a crise política que vivemos pode trazer a cargo uma crise de representação: o povo percebendo que não é representado por nenhum político ou partido.
Tal crise, reforça muitas vezes uma fragmentação: podem aparecer muitos candidatos diferentes, como na eleição de 1989, que teve vinte e tantos candidatos (aqui).
E, em meio à estas “forças divididas”, pode ocorrer o surgimento de um Bolsonaro, de um Enéas, de um Tiririca, trazendo a negação do atual, a insatisfação. E nessa insatisfação pode-se colocar no poder alguém que seja contra gays, negros, umbandistas, refugiados do Haiti, pobres…

E usando talvez o nome de um Deus distorcido. Usando desculpas armamentistas. Gerando violência com aumento de prisões e redução de maioridade penal.
Um governo que talvez tomasse ações em nome de uma soberania, de uma “liberdade” que desnudada seria apenas a manutenção do status-quo de uma elite (política e apolítica).

por Celsão correto

figura retirada daqui.

NazismoO resultado das últimas eleições do parlamento Europeu, nos trouxe preocupação. Pra quem não acompanhou, partidos de extrema direita, ou ultranacionalistas, conseguiram um número considerável de cadeiras, crescendo bastante em participação total desde as últimas eleições.

Na minha opinião é muito cedo para dizer se isto é uma tendência da política européia, abandonar a social-democracia e focar mais ainda no capitalismo/liberalismo ou se é algo momentâneo, reflexo da crise instaurada em toda a Zona do Euro; cuja palavra da moda, austeridade, vem tirando empregos e piorando condições sociais nos países menos desenvolvidos do bloco em prol do bloco em si. Aliás nem sei se minha classificação destes ultranacionalistas como capitalistas está correta.

De qualquer modo, é assustador pensar que uma sociedade altamente evoluída e um mercado livre, capitalista, estabelecido e tecnológico expulsarão imigrantes ou cercearão seus direitos legalmente.
Mesmo tomando este resultado inesperado como algo momentâneo, o que a alta abstenção nesta última eleição explica, como “trazer de volta” o povo que não votou? Como saber se as prováveis medidas e leis “nazistas” são aceitas por todos? E independente disso… Como seguir crescendo como mercado comum, anexando outros países, sem a participação destes (e do resto do mundo) na economia e ao mesmo tempo, diminuindo o desemprego e aumentando a renda?

por Celsão correto

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Esta ascensão do Nazismo na Europa é ainda mais preocupante, uma vez que se dá de forma institucional, dentro da política. Vários países viram uma elevação da representação nazista e/ou da extrema direita entre seus parlamentares no parlamento Europeu.
Em paralelo, uma crise econômica, política e social na Zona do Euro, gerando desemprego, insatisfações, reduções de direitos trabalhistas, e ferindo direitos humanos. Essas crises, como já é sabido, são fermento para inflar ainda mais ideologias e comportamentos extremistas, como o nazismo e fascismo, no caso. Portanto, a crise no Euro mostra que o nazismo provavelmente continuará crescendo.

Ainda devido ao ocorrido, podemos fazer uma crítica a abstenção política, a cruzar os braços, a não agir, a não participar do processo democrático, a não votar ou votar nulo. Claro, não pretendo aqui falar que os impactos de se votar nulo ou se isolar da política na Europa, é o mesmo impacto de quando se faz isso no Brasil. Tampouco quero colocar todos os que optam pelo voto nulo num mesmo balaio, pois sei que tem gente muito bem esclarecida com motivos para fazê-lo. Mas me entristece saber que, ao votar nulo, a pessoa, principalmente aquela provida de conhecimento político e de ética-social, está abrindo espaço para que o “mais pior” vença, pois se exatamente essa pessoa votasse, certamente, ela não escolheria o “mais pior”, o que enfraqueceria o mesmo e reduziria suas chances de vitória.

Outra reflexão que podemos fazer aqui é sobre a eficiência da democracia. Vemos aí países com mais de 20% de representação nazista. Imaginem se chegarem a 30 ou 40% (o que está bem próximo). Basta fazerem algumas coligações/alianças com outras alas radicais ou que comunguem de alguns interesses em comum, e boom, têm mais de 50% de representação no Parlamento. E aí, é ético, legal, democrático, justo, evoluído, termos governos nazistas em pleno século XXI ascendendo através de um processo “democrático”? Quais as consequências disso para nosso futuro?

A seguir, um texto com a análise detalhada das eleições, extraído do Facebook, na página chamada “Uma Página Numa Rede Social”

Na França, a Extrema-Direita foi a grande vencedora das eleições europeias. O Secretário Geral honorário da Frente Nacional – o partido vencedor – disse, há poucos dias atrás, que o vírus do Ébola resolveria o problema da imigração na França em três meses. O mesmo sujeito disse que as câmaras de gás na II Guerra Mundial foram apenas um pequeno detalhe do regime nazi.

Na Alemanha, o NPD, Partido Nacional Democrático, também conseguiu lugares no Parlamento Europeu. Este partido neo-nazi defende que a Europa é um continente de pessoas brancas, quer expulsar os estrangeiros que vivem e trabalham na Alemanha, e levam para os seus comícios bandeiras proclamando a ideologia nazi do “Nacional Socialismo”.


Na Grécia, os ultra-nacionalistas da Aurora Dourada também conseguiram lugares no PE. O porta-voz do partido enverga, orgulhosamente, uma suástica tatuada no ombro, exclamou que o país tem de libertar-se da escumalha, referindo-se aos imigrantes na Grécia, e vários dirigentes do partido estão actualmente detidos, condenados por crimes de ódio. Foi o terceiro partido mais votado na Grécia.

Na Finlândia, o Finns foi um dos partidos que também assegurou lugares no PE. Este partido defende que só os verdadeiros finlandeses têm o direito a viver no país, quer expulsar os muçulmanos do território nacional e quer proibir a união de casais do mesmo sexo.

Na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês teve quase 27% dos votos e duplicou o seu número de eurodeputados. A fundadora do partido defende que a imigração na Dinamarca não é natural nem bem-vinda e alega que os imigrantes na Dinamarca só poluem o país com guerras de clãs, assassinatos e violações.

Na Holanda, o Partido da Liberdade, da Extrema-Direita, conseguiu quatro lugares no PE. O líder do partido quer expulsar todos os muçulmanos do país e já tem tentado formar alianças com outros partidos ultra-nacionalistas de outros países, tentando promover leis europeias de maior controlo de fronteiras e restrição da livre-circulação de cidadãos europeus na Zona Euro.

O Jobbik, na Hungria, é um partido neo-nazi que defende que os judeus que vivem na Hungria devem estar sujeitos a um registo especial, que os sujeite a controlos regulares, pois consideram que os judeus constituem um risco para a segurança nacional. Vários dirigentes do partido também já referiram que gostariam de ver a raça cigana erradicada do planeta. Conseguiram 14,7% dos votos nestas eleições.

Na Áustria, o partido da Liberdade Austríaca aumentou a sua representação no PE para o dobro, conseguindo dois eurodeputados. Este partido, de ideologia ultra-nacionalista, defende que os estrangeiros na Áustria devem voltar para os seus países e que a Áustria não tem lugar para mais imigrantes.

Na Itália, os Lega Nord conseguiram 6% dos votos. Um dos seus eurodeputados disse que os negros são intelectualmente inferiores aos brancos.

Pela primeira vez, o Parlamento Europeu terá um bloco inteiro constituído por partidos da Extrema-Direita, ultra-nacionalistas, defensores da saída dos seus países da União Europeia.

O elemento comum a todos estes partidos é a ideologia fundamentada pelo preconceito racial e xenófobo. Agora, esses grupos têm uma representação europeia forte, que poderá ser decisiva durante os próximos anos, na aprovação e rejeição de muitas das leis que influenciarão a política dos Estados-Membro, incluindo Portugal.

A apatia em relação à política, que se traduziu em níveis massivos de abstenção por toda a Europa, abre espaço para estas dinâmicas eleitorais.
A todos os que se abstiveram, alegando que nenhum dos partidos do boletim de voto os representava, tenham o seguinte em mente: “democracia” não é escolher apenas o partido dos vossos sonhos, que irá realizar todas as políticas que vocês gostariam de ver realizadas. A democracia acontece quando a maioria escolhe o partido cujos valores que mais se aproximam dos valores que o eleitor gostaria de ver defendidos. Não estamos a escolher o partido perfeito, estamos a escolher o mal menor.

E o que acontece quando não nos damos ao trabalho de escolher um mal menor? Ganha o mal maior, como aquele representado pelos neo-nazis que, agora, passarão a influenciar a orientação política europeia.
Com quase 70% de abstenção em Portugal nestas eleições europeias, aqueles que ficam de braços cruzados, dizendo que votar nada irá resolver, têm mais é de abrir os olhos e ver o que está a acontecer à sua volta.

por Miguelito Formador

figura retirada da página Uma Página Numa Rede Social do facebook

voto-nulo1Eleições se avizinhando… E, mesmo com a Copa “no meio”, aquele discurso de voto nulo que tanto me incomoda, volta à tona.
Porém, infelizmente, noto esta manifestação pior agora que antes… Seres esclarecidos e instruídos pregam não haver diferença entre políticos e partidos; e assumem a posição de não participar da democracia.

Não serei demagogo em pregar a importância do ato relembrando ditaduras, crimes hediondos e contagens confusas mundo afora. Mas gostaria de lembrar um texto que paira em minha mente desde a infância. É a descrição do analfabeto político de Bertold Brecht.

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
(Brecht foi um pensador e dramaturgo alemão da primeira metade do século passado – wikipedia).

Ou seja, é simples…
Se as pessoas que são capazes (ou se julgam capazes) de operar mudanças não votam, os outros votam e o círculo vicioso se perpetua.
Como escreveu um amigo numa discussão solitária com outros tantos que pregavam a ineficiência do voto no Brasil: “dizer que não há diferença entre as pessoas que elegemos é a forma mais simples de sair pela tangente e deixar que os outros decidam por você”.

Outro ponto a discutir e refletir, o chamado “voto de protesto” em artistas e celebridades…
É triste, mas o sistema brasileiro privilegia o partido que consegue um grande número de votos e transforma o quociente eleitoral recebido pelo partido em inúmeras vagas nas Câmaras e Congresso. Ou seja, um deputado eleito com votação recorde, certamente levará consigo outros que sequer receberam votos dos familiares.

Aconteceu com o Enéas Carneiro (lembram-se dele?); fundador do PRONA, que depois de concorrer a algumas eleições para presidente, lançou-se candidato à Câmara dos Deputados. Votação gigantesca. Com mais de 1,5 milhão de votos, Enéas “carregou” outros sete deputados do PRONA consigo. Que, logo após, mudaram de partido e abnegaram o próprio tutor e as próprias convicções do partido que os elegeu…

Assumo que “caí neste golpe”. Porém não como forma de protesto. Julguei que o Dr. Enéas se cercaria de pessoas com os mesmos ideais e objetivos, e que a mini-bancada seria uma opção barulhenta e incorruptível no mar das falcatruas e conchavos.
Me enganei! Creio inclusive que o próprio Enéas também foi ludibriado pelos que o cercavam; mas havia ali uma boa intenção.

Minha proposta aos leitores instruídos e capazes é simples: votem!
Analisem, critiquem, citem nomes aos amigos; perguntem aos políticos sobre temas que vos interessa, ou simplesmente sobre temas complicados a eles, como fidelização partidária, política de coalizão entre o governo e partidos de maioria no Congresso, gasto inapropriado de verbas públicas ou de gabinete, redução destas verbas.

Uma pergunta que fiz certa vez, foi: “o senhor aceitaria o cargo de deputado caso seguisse com o mesmo salário que recebe hoje?”

Só essa pergunta pode render frutos interessantes…

por Celsão correto

figura retirada daqui, onde há um post bem parecido com esse, de 2012

P.S.: em tempo, recebi um texto de um blog, criticando a posição do cantor Ney Matogrosso sobre o tema. A posição foi tomada numa entrevista à Folha (aqui), participaram também Zélia Duncan e João Bosco. Pra quem quiser ler a crítica do blog, segue.

P.S.2: além de defender o voto, e o voto útil, defendo também, como muitos, uma reforma política de base e o chamado voto distrital, que impediria um candidato da região “x” de ser eleito com votos de outras regiões. Mas não acho que estamos preparados para voto não-obrigatório, por mais que soe bem pregar isso ultimamente.

Ciro-Gomes-de-anel-560x250Estamos em ano eleitoral. E uma coisa pessimamente lamentável de nosso processo político são as acusações entre candidatos.
Ao invés de discutir-se planos de governo, metas da economia, programas de desenvolvimento; falhas do passado são escancaradas (do próprio candidato, de seu partido, de aliados); com o intuito de minar a confiança do povo naquela legenda.
Os debates entre candidatos na TV, quando contam com a presença daquele que lidera as pesquisas, também têm seu foco nas acusações mútuas e percebemos que os proponentes fogem às perguntas.

A seguir, compartilho um texto excelente do Ciro Gomes, político que respeito, sobre os recentes escândalos explorados na mídia e consequentes CPIs instauradas em ambas as casas do legislativo em Brasília; como “golpe” e “contra-golpe” aos presidenciáveis.
É triste notar que, em resposta ao escândalo metroferroviário do PSDB de São Paulo, surgiram escândalos na Petrobrás, sob a tutela da presidente Dilma, e no porto de Suape em Pernambuco, reduto do Eduardo Campos.

De modo algum sou contra as investigações e punições. Só não gostaria que o debate dos próximos meses fosse pautado por acusações, direitos de defesa e discussões vazias. Para refletir…

Moralismo a serviço da imoralidade

Na iminência do debate eleitoral, a canalhocracia se esforça para grudar em Dilma Rousseff a mancha da corrupção
por Ciro Gomes publicado 05/04/2014 05:43
 
Certa feita, fui à sala do presidente da República comunicar que iria romper com ele e com seu partido. Denunciei, entre outras razões, a corrupção sistêmica instalada em seu governo. Na data era o Ministério dos Transportes. O responsável, um quadro do PMDB, claro. A resposta me frustrou muito, mas nunca esqueci. “Ciro, um dia você vai sentar nesta cadeira”, me disse, em tom acadêmico e apontando para a cadeira presidencial. “E aí vai ver que o presidente que não contemporizou com o patrimonialismo, caiu.”

Essa memória me voltou por esses dias com muita força a propósito do esforço que a picaretagem tupiniquim faz para imputar em Dilma Rousseff a tisna da corrupção. É, sem dúvida, a agitação moralista a serviço da genuína imoralidade. Ou, em termos mais populares, são os corruptos na tentativa de arrastar para o seu universo podre uma pessoa clara e insofismavelmente decente.

Quem me acompanha sabe que não sou o maior entusiasta do atual governo. O leitor mais atento conhece minha opinião sobre o grande despudor com que o condomínio PT-PMDB – sejamos justos, partes grandes dele – se entranha nas tetas públicas. Mas não é possível calar diante do despudor com que a canalhocracia assesta suas baterias contra Dilma Rousseff na iminência do debate eleitoral.

E a resposta dos governistas mais apressados apenas provará ao povo brasileiro, especialmente aos jovens, aquilo que o preconceito generalizado afirma para gozo dos plutocratas: não há vida limpa na política brasileira. Vamos investigar também, além da roubalheira na Petrobras, a roubalheira no metrô de São Paulo e a roubalheira no porto de Sua-
pe, em Pernambuco. Teríamos assim, das duas uma: ou todos os três grupos que se preparam para disputar a Presidência da República são igualmente sujos e corruptos, ou, o mais provável, “vamos deixar disso” e arquivar tudo. Em um caso e noutro, irresponsáveis, o que os senhores estão fazendo é enterrar a jovem democracia brasileira.
(texto completo aqui)

por Celsão correto

figura retirada daqui
P.S.: notícia de abertura de CPIs: (1) Petrobrás, publicada em 02/04 e (2) “contra-golpe” do governo, publicado um dia após